CAPÍTULO X

Hermione esperou até ouvir a porta do quarto de Draco bater, e só então pulou da cama e correu para trancar a porta do próprio quarto. Depois disso voltou para a cama e arrancou dela o lençol que escondera sob o corpo, depois de ter arregalado os olhos ao ver a mancha de tom vermelho escuro no tecido.

— Oh, não — gemeu. Se preocupara imaginando que podia ter sangrado. Mas não tanto. A dor tinha sido mínima, e mal a incomodara. Na verdade, gemera mais de excitação do que de agonia. O fato de Draco não ter notado sua virgindade também não a surpreendia. Para começar, ele não esperava por aquilo. E Hermione não tinha agido exatamente como uma virgem... Na verdade, mas parecia uma devassa, deitada naquela cama com as pernas abertas, pronta para deixá-lo fazer tudo o que quisesse.

Céus... o prazer que a língua dele tinha lhe proporcionado... Mas nada se comparava com o que viera a seguir. E Draco estava certo, o orgasmo realmente quase a fizera desmaiar.

Ele havia dito que nem sempre as mulheres reagiam daquela forma quando estavam em sua cama, mas Hermione suspeitava que isso devia acontecer na maioria das vezes. Draco era um amante incrível. Terno, embora másculo. Imaginativo e apaixonado. Exatamente tudo o que ela imaginava.

Mas também era um playboy incorrigível, como Augusto a advertira. Tudo o que ele queria era o que Pansy tinha lhe fornecido até agora. Sexo puro e simples. Sexo, sem comprometimento ou conseqüências.

Nunca diga que me ama, ele advertira. Hermione não tinha nenhuma intenção de fazer aquilo.

E não tinha a menor intenção de deixá-lo saber que entregara sua virgindade a ele. Era óbvio que Draco gostava de mulheres experientes. E ela era experiente agora, não era?

Ele também dissera que Hermione precisava se concentrar, manter o pensamento focalizado em seu objetivo principal. E o seu objetivo principal, naquele momento, era ser o tipo de mulher que Draco queria.

— Como estou? Acha que esta roupa é adequada para a ocasião?

Draco esforçou-se para examiná-la friamente, mas naquela roupa Hermione era capaz de inspirar qualquer coisa, menos uma análise fria. Na noite anterior, antes de ir para a cama, ele havia sido forçado a tomar o banho frio mais longo de sua vida. Mesmo assim, mal conseguira pregar o olho...

— Não acha que o decote é um pouco exagerado? — ele sugeriu hesitante.

— Acha mesmo isso? — De forma automática, a mão de Hermione ergueu-se para cobrir a generosa curva dos seios. Seu olhar subitamente não parecia tão confiante.

— Sim, eu acho — ele confirmou. — Hoje você deve impressionar as pessoas num nível estritamente profissional... e não seduzir todos os homens que encontrar. Por isso coloque alguma coisa por baixo desta jaqueta. E pelo amor de Deus, tire estes brincos.

Por um instante as feições dela indicaram contrariedade. Draco detestava vê-la assim, mas era para seu próprio bem. Hermione poderia usar jóias à noite, quando estivesse totalmente nua. Ele então poderia lhe dizer que a achava sexy, e demonstrar o quanto a desejava.

— Humm... Acha que uma blusa branca de seda resolveria? — ela sugeriu num tom vacilante.

— Qualquer coisa — ele replicou.— E não se esqueça de pegar sua bolsa. Temos que ir embora já... são quase oito horas.

Depois de dizer aquilo, Draco caminhou com passos resolutos para a porta da frente. Tinha a impressão de que era melhor respirar um pouco de ar fresco e esperá-la no estacionamento.

Caso contrário, certamente chegariam atrasados à Femme Fatale...

Hermione estava silenciosa, sentada no banco de couro do carro esporte negro de Draco. Intimamente, porém, perguntava-se o que havia feito para irritar tanto seu anfitrião. Ele subitamente parecia não suportá-la. Impaciente e pouco cortês. Se não tinha achado o conjunto vermelho adequado, por que não dissera na noite anterior? Por que esperara até aquela manhã, sabendo que aquilo deixaria Hermione ainda mais nervosa?

Talvez ele tivesse decidido durante a noite que não queria ir em frente com o relacionamento sexual dos dois, e não sabia como dizer aquilo. Os homens sempre ficavam calados quando alguma coisa os incomodava.

Draco ficou excepcionalmente quieto durante o percurso até o escritório central da Femme Fatale, que ficava em Surrey Hills, do outro lado da cidade.

Ela tentou relaxar, concentrando-se na vista da baía quando passaram pela ponte, mas a confusão de sentimentos que a dominava intimamente não lhe deu nenhuma trégua. E então, quando pararam num semáforo, já na região central, toda a tensão acabou explodindo.

— Se você quer que nosso relacionamento se resuma a apenas uma noite de sexo, tudo bem, basta dizer isso — ela disparou. — Mas não jogue uma ducha fria na minha cabeça, agindo como está fazendo agora.

As palavras de Hermione o deixaram realmente abatido. E ele parecia ainda mais sexy naquela manhã do que no dia anterior, o brilho de seus olhos dourados transfixando-a como um punhal afiado. Céus, como ele conseguia olhá-la daquele jeito?

— O que a faz pensar que eu quero isso? — Draco perguntou num tom neutro, mantendo uma expressão indecifrável no rosto.

Ela encolheu os ombros.

— Só um palpite.

— Não poderia estar mais enganada — ele murmurou. — Você quer que eu me afaste?

— Céus, claro que não! — Hermione balbuciou.

Draco tentou não sorrir. Mas que outra mulher seria tão aberta e ingênua sobre os próprios desejos? Ele adorava o fato de Hermione nunca tentar manipulá-lo. Nada de artifícios. Ela o desejava. Podia sentir aquilo pelo brilho dos olhos azuis. Inclinando-se para a frente, ele beijou-a levemente nos lábios. — Estar com você é o paraíso — murmurou com voz rouca. — Que homem recusaria o néctar dos deuses depois de prová-lo?

As buzinas logo atrás forçaram-no a ir em frente, mas ainda podia sentir o gosto adocicado daqueles lábios carnudos. Mal podia esperar que o dia de trabalho terminasse. Estava ansioso para que outra noite chegasse bem depressa.

Dez minutos depois, ainda sentindo-se no sétimo céu depois dos elogios de Draco, Hermione desceu do Porsche negro diante de um edifício moderno de concreto. Um letreiro escrito em vermelho indicava que aquela era a sede da Femme Fatale. Em seguida, os dois chegaram à recepção do prédio, toda decorada com cadeiras plásticas vermelhas e com detalhes nas paredes em tons de cinza e branco. Um ambiente de extremo bom gosto.

A garota loira atrás do balcão sorriu assim que os viu.

— Estamos aqui para ver o Sr. Weasley — Draco informou. — Poderia avisá-lo que o Sr. Malfoy e a Srta. Granger já chegaram?

Hermione surpreendeu-se ao ouvir o sobrenome.

— V-você... Você disse Sr. Weasley? — ela sussurrou para Draco enquanto a garota telefonava para anunciá-los.

— Sim, isso mesmo. Ronny Weasley. Ele é o consultor que Harry nomeou para cuidar da empresa.

Ela quase desmaiou.

— Oh, santo Deus! — exclamou quase num gemido. As sobrancelhas de Draco arquearam-se.

— O que foi? O que há de errado?

— É Ronny.

— Que Ronny?

— O meu Ronny — ela sussurrou.

— O seu Ronny?

— Acho que sim — Hermione replicou desanimada. Draco parecia descrente.

— Existem quatro milhões de pessoas vivendo em Sidnei, Hermione. Pode ser uma simples coincidência, um homônimo... Não é possível que seja o mesmo homem.

— E se ele tiver trinta e poucos anos, cabelos Vermelhos e olhos verdes? O que farei?

A porta branca se abriu e um homem elegante, que correspondia exatamente à descrição feita por Hermione, aproximou-se do casal recém-chegado e estendeu a mão para cumprimentá-los. A primeira coisa que fez foi se apresentar.

E tratava-se justamente do canalha, em carne e osso!

Infelizmente, o homem não correspondia à imagem patética que Draco mentalmente fizera dele. Para ser franco, ele parecia ser o tipo de homem que sabia muito bem todos os truques. Um conquistador nato.

Um impulso irracional quase fez Draco esmurrar aquele bastardo por ter seduzido Hermione. Céus! E pensar que se fizesse aquilo estaria agindo como um adolescente apaixonado...

— Sr. Malfoy — os olhos azuis do sujeito brilhavam. Sua expressão era ladina.

Draco apertou a mão de Ronny Weasley com força. Uma força excessiva, na verdade.

— Harry me ligou dizendo que o senhor e a Srta. Granger viriam — o homem continuou. — Ainda não nos conhecemos, mas sei que sua agência é uma das melhores de Sidnei, claro. Pelo que sei, foi o responsável pelas campanhas publicitárias da Femme Fatale no passado. E, por falar nisso, fico feliz em saber que nossa misteriosa herdeira finalmente foi encontrada. Como vai, Srta. Granger? — ele apresentou-se polidamente a Hermione, estendendo-lhe a mão.

As sobrancelhas de Draco arquearam-se cinicamente quando ele notou que o homem não reconhecera o rosto de Hermione, e nem mesmo seu nome.

Claro que não, disse a si mesmo.

Ela não era uma pessoa para Weasley, apenas uma transa casual...

— Bem-vinda a Sidnei — Weasley continuou, sem soltar a mão de Hermione. — E à sua empresa. Fiz o possível para manter as contas da Femme Fatale em ordem depois da morte trágica de sua tia, mas não tem sido nada fácil. A demissão coletiva da equipe executiva, assim como o rombo que os investimentos que Maxine fez para desenvolver um perfume, custaram uma fortuna à empresa. Mas não se preocupe... Pode deixar toda a preocupação por minha conta.

Draco olhou de relance para Hermione. Por que ela não dizia nada? Por que continuava apertando a mão daquele bastardo? Por que o olhava como se estivesse espantada? Será que não sabia que aquele canalha não podia mais atingi-la nem magoá-la?

Uma dúvida surgiu em sua mente. E se Hermione ainda amasse o sujeito?

A simples idéia deixou Draco enojado.

— Você não a reconhece, não é? — ele interveio bruscamente, fazendo Weasley piscar surpreso.

— Perdão?

— Não peça perdão a mim — Draco disparou.. — Peça a Hermione.

— Hermione? — obviamente o nome fez um sinal de alerta soar na mente do homem, que virou a cabeça imediatamente para encará-la. — Meu Deus! — ele murmurou. — É Hermione. Daquele hotel em Broken Hill...

Hermione afinal recuperou a voz.

— Sim, Ronny — ela confirmou. — Sou eu.

— Mas você... Você parece tão diferente. Seus cabelos... Seu rosto. Suas roupas...

— É surpreendente o que se pode fazer com um pouco de dinheiro — ela replicou com uma frieza soberba.

Draco estava orgulhoso dela. E aliviado também. Aquela não era a voz de uma garota apaixonada.

— Podemos ir até seu escritório, Ronny? — Hermione emendou num tom ainda mais frio. — Temos algumas coisas para discutir.

Weasley parecia preocupado. E devia mesmo estar, Draco pensou, sorrindo maliciosamente.

O homem os conduziu até um salão largo, repleto de divisórias de vidro. Ele não se incomodou em falar com nenhuma das mulheres que trabalhavam em suas mesas, apesar dos olhares curiosos que elas lhe dirigiam. Em vez disso, marchou direto pelo corredor central até uma porta que levava a um pequeno escritório, onde uma morena magra de expressão cansada sentava-se atrás de uma mesa. A mulher ergueu a cabeça com curiosidade, e olhou primeiro para Hermione e então para Draco, que a reconheceu como sendo a antiga secretária de Maxine.

— Segure as ligações, Leanne — Weasley ordenou ao passar, sem se incomodar em apresentá-la aos visitantes.

A expressão de Leanne dispensava palavras. Certamente a mulher não gostava nem um pouco do comportamento arrogante de Weasley. Não era de se estranhar que a companhia estivesse indo mal, se aquele homem tratava toda a equipe daquele jeito...

Draco puxou uma cadeira para Hermione e só então sentou-se. Um instante depois voltou a olhar de relance para o lado, percebendo que a nova presidente da companhia parecia extremamente calma. Estranho...

— Mas que surpresa — Weasley começou. — Não, surpresa não é a palavra certa... talvez devamos chamar isso de uma incrível coincidência. Você deve me desculpar, Hermione, se fiquei momentaneamente sem palavras. E que sua mudança foi realmente notável.

— Entendo — ela replicou de forma gélida. — Infelizmente, não notei nenhuma mudança em você. Acho que posso dizer com segurança que seus dias na Femme Fatale estão contados, Ronny. Na verdade, eles terminaram, terminaram agora mesmo.

"Bravo!", Draco pensou. Podia ver que ela estava irritada, mas continuava mantendo o controle. Perfeitamente, aliás.

— Não pode fazer isso — Weasley replicou com uma expressão sombria.

— Eu posso fazer isso, Draco? — Hermione perguntou arqueando as sobrancelhas com elegância.

— Certamente. Você tem o poder de contratar e demitir.

— Então os seus serviços não são mais necessários, Sr. Weasley.

— Sua vadia miserável e vingativa!

Draco levantou-se num instante.

— Se eu fosse você, companheiro, escolheria bem as palavras. Caso contrário pode não receber o adorável bônus que pretendo lhe pagar para pegar sua maleta e sumir daqui imediatamente.

Aquelas palavras detiveram o homem. A promessa de dinheiro geralmente funcionava com canalhas. Não que Draco tivesse falado sobre dinheiro, claro.

— De que bônus está falando?

— Apresse-se. Me acompanhe até lá fora e você ficará sabendo.

O homem não perdeu tempo. Levou apenas alguns segundos para colocar seus pertences pessoais na maleta e sair da sala.

Draco seguiu-o imediatamente, fazendo um gesto de cabeça para pedir que Hermione o aguardasse.

Ele acompanhou o canalha até a relativa privacidade do estacionamento, que no momento estava quase deserto.

— Bem? — Weasley resmungou —, onde é que está?

— Aqui — Draco disse, atingindo-o com força na boca do estômago duas vezes. Foram murros certeiros.

Weasley caiu de joelhos entre os carros, tossindo e então gemendo.

— E nem mesmo pense em me processar — Draco ameaçou.— Não há testemunhas, e eu o acertei onde não aparece...

— Mas por quê? — Weasley balbuciou quando conseguiu respirar. — O que foi que eu fiz a você?

— Não foi o que fez a mim. Foi o que fez a Hermione. Sei tudo a seu respeito, seu canalha mentiroso de duas caras. Só que dessa vez acabou se envolvendo com a mulher errada.

Weasley levantou-se com esforço, ainda segurando o estômago com as mãos.

— Mas eu não fiz nada — resmungou. — Juro. Ela está mentindo se disse que eu fiz.

— Conversa fiada...

— Não estou mentindo. Claro que eu queria... e acho sinceramente que Hermione também. Ela vivia me olhando de maneira insinuante naqueles dias. Mas quando finalmente consegui levá-la para meu quarto, o maldito alarme de incêndio disparou e tivemos que sair. Juro para você, Malfoy. Nada aconteceu. Então, quando minha mulher ligou na manhã seguinte, Hermione não quis mais nada comigo... Malditas virgens estúpidas— Ele escarneceu, fazendo Draco gelar. — Todas umas hipócritas. Precisam fingir que estão apaixonadas para assumir os próprios desejos. Normalmente não me importo com garotas assim, mas havia algo especial nela...

O homem encostou-se no carro e olhou diretamente para Draco. Então começou a rir.

— Ela te pegou também, não é? É por isso que está com essa cara agora... A pequena Hermione conseguiu fazê-lo sentir-se um colegial estúpido. Reconheço os sinais. Aconteceu o mesmo comigo. Só não esqueça de dizer que a ama, porque, pode acreditar, não vai conseguir nada se não fizer isso.

Draco teve que se controlar para não fazer o canalha engolir os próprios dentes.

Ela não podia ser virgem. Ele teria notado. Teria sentido alguma coisa.

Você sentiu, seu idiota. Lembra-se de como foi difícil? E o que foi aquele grito que escapou de Hermione quando você a penetrou?

Pensar que aqueles sons tinham sido de dor e não de prazer, provocou uma frustração intensa em Draco.

Por que ela não lhe contara? Por que esconder uma coisa como aquela? E por que Hermione o deixara ir em frente sem ouvir nenhuma promessa de amor ou casamento?

Por quê?

Girando sobre os calcanhares, ele começou a voltar para o escritório... e para Hermione... determinado a conseguir algumas respostas. Precisava desesperadamente saber em que terreno estava pisando.

O amor não fazia parte dos seus planos. Nunca fizera, e nunca faria. Se ela não podia suportar a realidade, seria melhor encontrar logo outro lugar para acomodá-la durante o próximo mês. Isso porque, de maneira alguma seria capaz de viver sob o mesmo teto com Hermione depois do que descobrira. Isso seria realmente impossível!

— Falando de homem para homem — Weasley gritou às suas costas —,Eu ficaria bem longe da virtuosa Srta. Granger se fosse você.


N/A:Meninas muito obrigada por lerem a Fanfic e obrigada por comentar também...

Mila Pink: O Draco é muito sexy *-* eu amo de mais ele lol

Lally Sads: nem tinha como resistir, mas a Mione é meio diabolica,só não tem muita auto-estima de vez em quando e vai sofrer um pouqinho mas tudo bem *-*

Charlie E. Fox: a graça da fic está no nome kkkkkkkkkk nem dá pra mudar

Claudia Malfoy: ele é homem, rsrs, são todos idiotas lol

Miss Perfection

PS: Participe da Campanha Faça um Autor Feliz. Comente! *-*