Capítulo 10
Sakura ouviu passos vindo em sua direção, pegou a Carta Invisível, mas a porta foi rapidamente aberta, o guarda tendo um vislumbre antes que pudesse ficar totalmente invisível, no susto, ele começou a atirar, Sakura entrou embaixo da cama hospitalar, mas não foi rápida o suficiente, sentiu queimar seu lado esquerdo acima do quadril, mas nesse momento nem deu importância ao fato, tinha que sair dali, e tinha que sair agora, foi rastejando por baixo da cama, enquanto o guarda entrava mais pela sala, ergueu-se e saiu pela porta, quase dando de encontro com outro guarda.
Ela encostou-se à parede, e foi avançando devagar em direção a saída. Agora havia muitos deles.
"Você viu alguma coisa?" – um perguntou.
"Foi a coisa mais incrível, num momento ela estava ali, no outro tinha sumido." – o guarda que tinha atirado estava pasmo.
"Deve ser a pessoa que o senhor Kuroki mandou ficarmos de olho."
"Não é ela, continua na festa." - disse outro chegando nesse momento.
Sakura sorriu interiormente quando ouviu isso. E nesse momento, teve certeza de que Kuroki sabia a seu respeito. Foi rapidamente para a porta disfarçada de barril, ligou a câmera, e subindo as escadas, seguiu em direção ao banheiro.
Na festa, Syaoran olhava Sakura/Espelho movimentar-se pelo embiente, elas eram idênticas, mas Espelho era um pouco mais tímida que Sakura, mais contida, pois Sakura era a exuberância em pessoa. Sorriu levemente. Tomoyo não tinha largado a Carta, sempre a seu lado. Ele olhou para o relógio e viu que já tinha passado meia hora do horário combinado, onde estava ela?
"Syaoran, ela já voltou?" – perguntou Touya.
"Não." – ele respondeu baixinho.
"Dê mais cinco minutos, se ela não voltar, vá atrás."
"Está bem."
Um estranho pressentimento assolava-o, ele sentia que algo estava errado, teve a confirmação quando Espelho olhou-o com uma expressão assustada no rosto, ele quase foi até ela, mas Tomoyo tomou conta da situação, levando-a em direção ao toalete. Eriol olhou-as afastando-se, parecia que queria segui-las mas dirigiu-se até onde Syaoran estava.
"Não se preocupe, está tudo bem." – sussurrou sem olhar para Syaoran.
"Ela está atrasada. Eu disse uma hora, e já passou uma hora e meia." – Syaoran retrucou entre dentes.
Eriol sorriu serenamente.
Sakura entrou no toalete verificando se estava sozinha e trancou a porta, ficou visível, e viu um vislumbre seu no espelho, despenteada e pálida, talvez pelo susto. Pegou sua roupa, aumentou-a de tamanho, tirou o macacão, deixando-o pequeno, olhou o ferimento, vendo que tinha sido de raspão e não era tão feio assim, mas ardia como o diabo, e sangrava muito, fez pressão com uma toalha, tentando estancar o sangue, teria que improvisar uma bandagem. Fez tudo rapidamente, pois Espelho já estava para chegar. Nisso lembrou-se do irmão.
"Touya."
"Sakura, sua maluca, onde é que você se enfiou? Eu estava morto de preocupação..."
"Touya, está tudo bem, fique tranqüilo, não sou nenhuma idiota." – ela interrompeu o irmão, se deixasse, ele ficaria falando eternamente.
"Já estava mandando Syaoran atrás de você."
"Ainda bem que não mandou, eu sei me cuidar muito bem." – ela rebateu irritada.
"Você vive dizendo isso, mas os meus cabelos já estão ficando brancos." – ele soltou um suspiro de alívio. – "Syaoran!" – chamou Touya.
"Eu ouvi."
Ele não pôde deixar de se sentir mais tranqüilo, por ela estar bem, apesar de que uma sensação ruim ainda o assaltava.
Uma batida na porta assustou Sakura, mas aliviou-se quando ouviu a voz de Tomoyo. Abriu-a já pronta para voltar para a festa.
"Está tudo bem?" – perguntou Sakura ansiosa.
"Tudo correu muito bem. Você deve orgulhar-se de Espelho, ela foi incrível." – elogiou Tomoyo.
"Ela sempre é incrível." – disse Sakura, deixando a carta vermelha de satisfação. – "Você está bem?" – ela perguntou à Carta.
"Sim. O jovem mestre está preocupado, acho que ele pressentiu algo." – ela disse à Sakura olhando-a no rosto.
Sakura sabia do que ela falava, provavelmente os dois tinham sentido quando ela fora ferida, mas não queria preocupar Tomoyo então manteve-se em silêncio.
"Está tudo bem Espelho, nada para se preocupar. Que tal voltar à forma de Carta? Quanto mais rápido formos embora, melhor. Esse lugar está me dando arrepios."
A Carta voltou à sua forma sem mais nada dizer, a não ser lançar outro olhar preocupado para sua Mestra.
"Sakura, sente-se aqui para arrumar seu cabelo, está meio desfeito. E que presilha é essa?"
"Ah Tomoyo, se não fosse você." – disse Sakura pegando a presilha e guardando-a na bolsa. - "Nunca quis envolvê-la nessa história, mas é muito bom tê-la aqui." – ela sorriu para a amiga sentando-se na banqueta enquanto tinha seus cabelos novamente arrumados.
"Você está muito pálida. Está tudo bem?" – Tomoyo perscrutava o rosto de Sakura.
"Aqui não é o melhor lugar para conversarmos. Só peço a você que depois que sairmos, vão embora também. E não mantenha mais contato com esse cara. Provavelmente ele já sabe que somos amigas. Prometa para mim Tomoyo." – pediu Sakura pegando a mão de Tomoyo.
"Prometido Sakura, mas você me conta depois os detalhes?" – ela perguntou ansiosa.
"Tudinho. Agora vamos."
"Vamos sim. Syaoran já estava ficando desesperado, tomara que ninguém tenha reparado no tanto que ele olhou nessa direção."
Sakura sorriu, e seguiu a amiga mais devagar, pois seu ferimento doía demais, mas teria que agüentar ainda alguns minutos.
Elas chegaram à festa e foram rodeadas por Kuroki, que pegou a mão de Sakura levando-a em direção a um grupo de pessoas, esse contato lhe causou asco, mas teria ainda que manter as aparências, olhou rapidamente em direção à Syaoran, e viu sua expressão fechada, que relaxou um pouco com o leve sinal de cabeça que ela lhe fez, indicando que estava tudo bem.
Sakura tentava manter-se de pé, mas estava cada vez mais difícil. Kuroki afastou-se por alguns segundos, quando o chamaram para resolver um problema, ela até sabia qual era, seguiu-o com os olhos notando como ele ficava nervoso com o que ouvia. Ele olhou em sua direção com a testa ligeiramente franzida e Sakura deu-lhe seu sorriso mais doce, a expressão dele era no mínimo intrigada. Ele aproximou-se.
"Vou ter que me ausentar por alguns minutos, espero que você não se importe." – disse a ela levando sua mão aos lábios e depositando um beijo enquanto não tirava os olhos de seu rosto.
"Espero que não haja nenhum problema sério."
"Não, de fato, apenas uma discordância de opiniões na cozinha. Peço-lhe que me espere Hyoku."
E saiu antes que ela tivesse a chance de dizer que já estava se retirando. Droga, agora teria que esperá-lo. Sorriu tentando manter-se em pé, mas estava cada vez mais difícil.
"Alguém esteve aqui senhor. Eu vi uma pessoa rapidamente, mas sumiu tão depressa que pensei ser uma ilusão, mas mesmo assim atirei. Olhe!" – apontou para o chão. – "Há sangue aqui. Agora tenho certeza que o que vi era real." – disse o guarda que acertou em Sakura.
"Como ela fez isso? Eu mesmo me mantive todo o tempo ao lado dela, apenas se afastou da festa por poucos minutos, e não parece estar ferida. O guarda-costas dela também não arredou pé da festa. Se foi ela, como fez isso?" – perguntava-se Kuroki intrigado.
Kuroki voltou para a festa ficando ao lado de Sakura todo o tempo, tentando ver se ela se denunciava, mas a mulher somente sorria docemente, os olhos verdes brilhando. O que Kuroki não sabia, é que o sorriso de Sakura tinha se congelado em sua face, e seus olhos brilhavam febris, pois a dor a consumia, mas se ele não era muito observador em relação a ela, Syaoran era. Ele olhava-a mover-se de um lado a outro, e de vez em quando via sua expressão de dor, de tempos em tempos ela tocava do lado esquerdo do corpo, algo muito errado tinha acontecido, e quando ele a viu olhando-o repetidas vezes resolveu agir. Aproximou-se dela rapidamente.
"Madame." – Syaoran interrompeu Kuroki no meio de uma frase, valendo-se de um olhar mortal por parte deste.
"Sim."
"A senhora pediu-me para lembrar-lhe do horário, sua reunião logo cedo amanhã." – disse a ela sem fazer conta dos olhares ameaçadores de Kuroki.
"Mas é claro. Como pude me esquecer. Obrigada Hachiman, aguarde-me na porta." – disse a Syaoran, e virando-se para Kuroki. – "Sua festa estava maravilhosa, e as pessoas de seu círculo de amizades são muito agradáveis."
"Muito obrigado. Você se deu bem com o casal Hiragisawa?"
Isso teria sido uma ironia? Pensou Sakura.
"Ah, seus amigos são muito gentis, Katsu."
"Mas você tem mesmo que ir? Pensei em pedir-lhe para ficar até depois que todos tivessem ido."
Mas não havia mesmo um pingo de sutileza nesse homem, ela não duvidava que muitas caíam em seu papo furado, mas não ela, não depois do que tinha visto.
"É uma pena mesmo, mas tenho que ir. Vou despedir-me do simpático casal que você me apresentou."
"Eu a acompanho."
Sakura aproximou-se dos amigos.
"Tive muito prazer em conhecê-los. Espero encontrá-los novamente."
"Você é encantadora. Dessa vez você acertou Katsu, sua amiga é linda." – disse Tomoyo sorrindo para Sakura.
"Ora, obrigado Tomoyo. Eu sempre tive bom gosto."
"Até logo Srta.Shiteru." – disse Eriol apertando a mão de Sakura por um segundo a mais que o habitual, e lançando-lhe um leve olhar de preocupação.
Ela afastou-se em direção a Syaoran que a esperava apreensivo já com sua capa nas mãos. Katsu nem tomou conta da presença do rapaz, puxou Sakura para seus braços, dando-lhe um beijo nos lábios. Syaoran rilhou os dentes virando-se para a porta, segurava-se a custa de muito esforço. Sakura controlou-se para não gritar de dor quando Katsu segurou-a pela cintura, mal sentiu o beijo.
"Eu ligo para você amanhã." – ele disse antes de soltá-la.
Ela concordou e afastou-se rapidamente seguindo para o carro, com Syaoran logo atrás dela que entrou ao lado de Yukito na frente.
Sakura apoiou a cabeça no encosto do banco e suspirou de alívio, finalmente estava indo para casa, Syaoran olhou-a disfarçadamente, mas não comentou nada. Yukito estava silencioso, pelo jeito os ânimos estavam para estourar, sorriu sem querer, com esses dois a vida nunca seria monótona.
Chegaram ao prédio, e Syaoran saiu rapidamente do carro abrindo a porta para Sakura, ela desceu lentamente.
"Anda logo, não temos a noite toda." – ele falou grosseiramente.
Para sua surpresa ela não respondeu, passando por ele devagar sem ao menos olhá-lo. Syaoran estranhou essa atitude dela, pois não deixava passar nada, mas seguiu-a em silêncio.
"O que houve lá?" – ele perguntou depois de alguns segundos.
"Touya também vai querer ouvir, não quero ficar me repetindo."
Ela falou sem abrir os olhos encostada na parede do elevador, Syaoran sabia ter algo errado, mas ela não falou mais nada.
Saíram do elevador indo em direção ao apartamento, ele na frente, e ela trincando os dentes atrás dele, não queria falar do ferimento, visto que já andava levando muitos sermões do irmão, e também de Syaoran depois da última vez que se machucara, sabia que era apenas um arranhão, teria que agüentar a dor, além do mais, o que era esse machucado comparado aos outros que já tivera? Pensou ironicamente. Estava ficando craque em mascarar a dor.
Os dois entraram na sala, o silêncio entre eles começando a ficar incômodo, ainda mais por Syaoran não tirar os olhos dela, ele pareceu fazer menção de dizer algo, mas aparentemente mudou de idéia, indo postar-se à janela da sala. Sakura sentou-se no sofá para esperar o irmão, sabia que ele iria querer um relatório completo da missão, e estremeceu quando lembrou-se do conteúdo da caixa refrigerada que encontrara.
Não tiveram que esperar muito, logo o irmão e Yuki entravam pela porta.
"E então Sakura? Descobriu algo?" – ele perguntou sem preâmbulos.
"Encontrei um corredor secreto que saía da adega, ele levou-me até duas celas, não havia ninguém lá, apenas cobertores no chão, tudo era muito limpo, indicando que alguém esteve ali, encontrei isso no meio de um dos cobertores." – falou entregando a presilha que encontrara. – "Segui na outra direção do extenso corredor, e cheguei a uma sala com equipamentos de circuito fechado, a festa toda estava sendo monitorada, além dos jardins, e outros aposentos da casa, na câmera da adega eu dei um jeito." – ela parou por um momento, não sabendo se falaria do guarda que tinha encontrado.
"Eles não perceberam que a câmera não transmitia mais?" – perguntou Syaoran.
Ela olhou-o rapidamente, antes de desviar os olhos, agora não encarando ninguém na sala. Droga, se falasse que ela mesma tinha indicado sua presença no lugar, iria passar por idiota.
"Até o momento que entrei em outra sala, eles ainda não sabiam de minha presença." – ela comentou, continuando rapidamente, antes que fosse interrompida de novo. – "Eu encontrei uma sala, totalmente equipada com a última geração de equipamentos médicos."
"Equipamentos médicos?" – Touya não conseguia encontrar a relação com as crianças desaparecidas.
Sakura suspirou fundo, agora ela tinha uma idéia do que estavam fazendo, somente não conseguia entender onde Akemi Inoue se encaixava.
"Dentro de uma geladeira nessa sala havia um recipiente refrigerado, quando o abri, encontrei..." – ela engoliu em seco, e forçou-se a continuar. – "...encontrei um órgão." – olhou os três pares de olhos arregalados em sua direção. – "Um órgão humano."
Três vozes puderam ser ouvidas em perguntas tumultuadas.
"O que esse cara está aprontando?" – disse Touya, com raiva.
"Meu Deus." - falou Yukito, assombrado.
"Miserável." – rugiu Syaoran.
Aparentemente os três interpretando corretamente seu achado.
"Tráfico de órgãos." – Syaoran disse quando os ânimos se acalmaram.
"Isso mesmo. Eu não vi nenhum órgão ao vivo até hoje, mas acredito que fosse um rim".
Mas por que crianças?" – ela perguntou a ele.
"Ora, as primeiras que sumiram era órfãos, crianças de rua, ou algumas já grandes o suficiente para seus guardiões no orfanato acharem que elas tinham fugido, simplesmente não deram importância ao seu desaparecimento, não é mesmo?"
"Você está certo." – disse Touya.
"Talvez por serem mais fáceis de se lidar, ou simplesmnte por serem sadias, vai saber o que se passa na mente doentia de Kuroki."
"Mas e a Akemi? Aonde se encaixa nessa teoria?" – quis saber Sakura.
"Eu não sei. Mas nós vamos descobrir." – disse Touya com uma expressão que indicava que não desistiria.
Sakura estranhava seu irmão estar tão envolvido nesse caso, suas emoções desde a primeira vez que comentara sobre os seqüestros estavam à flor da pele. Mas nesse momento a dor do ferimento ultrapassara fronteiras, e se ela não saísse dali imediatamente não conseguiria mais evitar os gemidos de dor. Levantou-se indo em direção a seu quarto.
"Sakura!" – chamou Touya. – "Aonde você vai? Não terminamos aqui." – ele disse impaciente.
"Amanhã Touya. Por favor. Já te contei os fatos mais importantes, agora me deixa descansar, estou exausta, ainda tive que me defrontar com a Tomoyo, e me senti muito mal por ter mentido para ela. Amanhã nós nos falamos, está bem." – ela disse por cima do ombro sem parar de caminhar.
"O que ela tem?" – ele perguntou a Syaoran, estranhando o comportamento da irmã, ela nunca fugia de uma reunião.
Syaoran ficou olhando por onde ela se afastara, com a estranha impressão de que ela escondia alguma coisa, seu olhar foi atraído para o lugar onde ela se sentara, na almofada onde ela se recostara uma mancha muito suspeita o fez aproximar-se. Tocou o tecido sentindo uma viscosidade úmida. Sangue. Olhou assustado para Touya.
"Ela está ferida." – disse seguindo para o quarto dela.
Touya foi atrás, xingando a teimosia da irmã que queria fazer tudo a sua maneira.
"Sakura." – Syaoran gritou batendo na porta. – "Abra a porta." – ele falou mais alto.
"Vai embora, eu quero dormir." – ela respondeu, sua voz soando fraca aos ouvidos dos dois homens.
"Abra essa porta, ou eu a ponho abaixo." – ele falou já não gritando.
Sakura sabia que ele faria exatamente isso. Droga, não tinha dado tempo nem de tirar o vestido. Ela abriu uma fresta da porta, olhando-os carrancuda.
"O que vocês querem? Já não disse que conversaremos amanhã?" – ela falou tentando soar o mais calma possível.
Syaoran empurrou a porta desequilibrando-a, e entrou no quarto seguido por Touya.
"Onde é?" – ele perguntou.
"Onde é o quê?" – ela desconversou, mas sabia exatamente a que ele se referia.
"Não se faça de tonta." – ele aproximou-se dela e tocou do lado esquerdo, bem próximo do ferimento. Ela encolheu-se com um gemido de dor.
"De todas as coisas idiotas que você já fez na vida, essa ganhou. Esconder um ferimento de nós. Vou chamar o médico." – disse Touya.
"Não." – ela barrou sua passagem. – "Foi de raspão. Vocês acham mesmo que eu estaria agüentando todo esse tempo se fosse sério?" – ela tentava convencê-los.
"Deixa eu ver." – disse Syaoran.
"Não!" - ela respondeu indignada.
"Se não é sério, mostre." – reforçou Touya.
"Eu posso muito bem cuidar de mim mesma."
"Ainda está sangrando." – teimou Syaoran.
"E continuará se vocês não me deixarem cuidar dele. Agora saiam, por favor." – ela pediu cansada.
Os dois encararam-na tentando ver se ela dizia a verdade. Touya fingiu acreditar que era mesmo de raspão.
"Está bem Sakura. Vou lhe dar esse voto de confiança." – mentiu descaradamente, indo em direção a porta, chamaria o médico mesmo assim.
Ela olhou para Syaoran esperando que ele seguisse o irmão.
"Tire o vestido." – ele mandou depois de ficar olhando-a.
"Não vou fazer isso de jeito nenhum. Saia daqui Syaoran." – ela apontou para a porta.
Ele ia dizer mais alguma coisa, mas desistiu e foi em direção a porta. Ela suspirou quando viu que ele iria sair do quarto, por isso não teve a menor reação quando foi agarrada e levada em direção ao banheiro, nem deu tempo de emitir um grito de protesto tamanha sua surpresa.
"O que pensa que está fazendo?" – ela gritou quando enfim recuperou a voz.
"Ou você tira o vestido ou eu rasgo ele de cima a baixo. Escolha." – falou trancando a porta do banheiro, para impedir uma possível fuga.
"Eu não vou tirar meu vestido com você aí olhando." – ela cruzou os braços indignada.
"Acho que é muito tarde para moralismos." – ele falou ironicamente.
Ela lançou dardos em sua direção, e continuou de braços cruzados, não ia tirar seu vestido de jeito nenhum. Mas quando o viu vindo em sua direção, já não conseguiu manter a mesma expressão de teimosia, o receio de ter aquelas mãos tocando-lhe a pele e não conseguir se controlar, falou mais alto.
"Vire-se." – ela pediu.
Ele sorriu, mas fez o que ela disse. Ele ouviu o som do zíper sendo aberto e o deslizar do tecido pelo corpo dela, engoliu em seco, já não achando uma boa idéia aquela de trancar-se no banheiro com Sakura sem vestido.
"Pode virar-se." – ele ouviu-a dizer.
Ele voltou-se lentamente, suando frio com a visão de Sakura em uma lingerie negra de duas peças, sendo a parte de cima tomara que caia, ela estava sentada na borda da banheira.
"Vai ficar aí de boca aberta, ou vai me ajudar?"
"Ah claro." – ele falou meio abobalhado.
Pegou a caixa de primeiros socorros no armário e abaixou-se ao lado dela, retirou o curativo que ela tinha improvisado, vendo que o ferimento não era mesmo muito profundo, mas continuava sangrando.
"Se não conseguir estancar esse sangue, terá que dar pontos, Sakura."
"Você acha que precisa mesmo?" – ela perguntou olhando para baixo.
Ele olhou para cima, dando de cara com ela, ficaram alguns segundos se encarando.
"Acho sim, e se eu não estiver enganado seu irmão já deve estar chamando o médico. Coitado, já não deve mais agüentar cuidar de você, deve imaginar que você é um desastre ambulante." – ele provocou-a para tentar sair daquela espécie de paralisia que entrava sempre quando a encarava.
"Provavelmente." – ela não entrou na dele, recebendo um olhar espantado de Syaoran.
Ele ergueu-se e tocou-a na testa, percebendo que aquela aparente falta de ânimo era em razão da febre.
"Venha, vista isso." – entregou-lhe um roupão, ajudando-a a vestir.
Empurrou-a em direção a cama e a fez deitar-se, ela deveria estar mal mesmo, pois aceitou tudo passivamente.
Continua:
N.A.: Oi gente, acho muitos de vcs já tinham matado o que o Kuroki andava aprontando não é? Tráfico de órgãos, ainda mais com crianças, é muita baixeza....que carinha mais sinistro....eu hem?
O próximo capítulo foi um que eu gostei muito de escrever, principalmente o início, e tem mais Eriol e Tomoyo. Espero que vcs continuem lendo e gostando.
Agradecimentos aos reviews:
Marjarie
, tadinho do Touya, ele sofre mesmo com Sakura e Syaoran trocando farpas, mas faz parte.... Espero que tenha matado algumas das suas curiosidades com esse capítulo.Miaka
, arrisca palpites sim, adoro saber se vcs estão acertando ou errando.Nina
, eu gosto do Eriol e Tomoyo, mas é incrível, quando eu me dou conta só tem Sakura e Syaoran, eu simplesmente esqueço os outros personagens, estou tentando corrigir isso na parte 3. Sério que vendo o jornal vc lembrou da fic?...ahahah...legal...Agatha
, também espero que esses dois se entendam, quem sabe?...eheheh....Obrigada pelo elogio, e quando quiser bater papo, é só escrever, meu e-mail está ali no final, OK?Dark Angel, só de vc dizer que gostou do capítulo, já é suficiente, n preciso de muita rasgação de seda......ehehehe....que bom que vc vai acompanhar Sem Barreiras 3, devo dizer que ela está ficando bem legal, mas eu sou suspeita.....ehehehe
Erika
, hihihi....eu disse que vou pegar pesado? Ah eu posso ter exagerado....ehehehe....Lally
, ahahah...não leu o capítulo? Só vc mesmo maluca...TAT
, valeu pelo review....sabe eu gosto desse negócio de brigas, beijos, brigas de novo.... é que também eu escrevi essa fic de uma maneira totalmente maluca, nem sei se as coisas estão fazendo sentido...ahahah...Ah, vc passou no Blogg? Legal...o coitadinho anda meio sem notícias pq a Patty sumiu, mas logo ela volta....PattyFeliz
, acredito que a partir de agora as coisas ficarão mais quentes...mais ação, e muitas perguntas respondidas.....Dallyla
, sabe que a imagem do Syaoran de smoking veio muito nítida na minha mente? Ele ficou de fato muito lindo.Diana
, por enquanto Eriol e Tomoyo não participarão da trama mais intensamente, só vão aparecer mais uma ou duas vezes, mas na parte 3, eu já escrevi várias cenas com eles. E aí, o que achou do desenrolar da confusão barulhenta?...eheheheh...Pessoal, por enquanto o Blogg ainda está meio paradinho, viram só a falta que a Patty faz? E como acabou a fase de Saint Seiya e InuYasha, meus resumos também se acabaram, estamos com alguns projetos em andamento, mas sem a Patty eu não vou colocar nada no ar por enquanto.
Se vcs tiverem alguma notícia quente sobre animes, filme, séries, mandem p mim, OK?
Quero agradecer aos elogios sobre Sem Barreiras, e ao pessoal que é fã da Kath e que elogia minhas revisões, mas sinceramente é um prazer revisar Feiticeiros, e também n sou 100%, a revisora também erra.
E depois de ler Harry Potter e a Ordem de Fênix, vi que os bons também erram p caramba, estou feliz...ahahahah....
Escrevam
robm@teracom.com.br
Rô
