Capítulo 9

Knock Knock - Lenka

Isabella olhava a imagem refletida no enorme espelho frontal, preso a parede de fundo do closet. Um visual bem simples, apenas um vestido de renda amarelo, um cinto marrom que delineava sua cintura fina e nos pés seus pumps favoritos.

Por mais que ela estivesse com medo do que faria em breve, a garota estava bastante animada. Alice tinha ligado a pouco e ficou acertado de se encontrarem em poucos minutos no restaurante de sempre.

Um sentimento estrangeiro se apossou de seu corpo e sorrindo confiante ela saiu de seu apartamento. Diferente do que estava acostumada naquele final de manhã ela decidiu que iria a pé até o destino. O restaurante ficava a algumas quadras de seu apartamento, não que fosse muito perto, mas nada que alguns minutos de caminhada não sanassem a distância.

Quando ela estava quase chegando ao restaurante, sentiu seu celular vibrar. Deveria ser Alice perguntando o porquê de sua demora. Alice era sempre Alice. Ela ainda não sabia como Jasper conseguia suportar a amiga a todo o momento, às vezes chegava a ser cansativo toda a hiperatividade da mesma.

Envergonhada com o pensamento que teve da melhor amiga, Isabella pegou o celular da bolsa e não foi possível segurar o sorriso que se formou em seus lábios ao ler o nome da pessoa que havia lhe mandado um SMS. E quando ela leu o conteúdo da mensagem não teve como evitar que o sorriso se ampliasse.

"Swan,

Desculpe ter deixado você 'sozinha' com esse povo maluco...

Mas, tenho uma coisa a dizer... Sonhei com você. Devo dizer que no sonho você me chamava de Cullen? Foi demais!

Cullen."

Ainda sorrindo ela digitou uma resposta rapidamente e enviou.

"Cullen,

Você tem um mês pra pensar em um jeito de se desculpar por ter me deixado aqui 'sozinha'. E espero que tenha uma boa desculpa em mente, pois estou pensando em não perdoá-lo. Ok?

Por que será que senti certa malícia nesse seu "Foi demais!"? Você não tem jeito mesmo...

Seria loucura dizer que já sinto sua falta?

Swan."

Assim que terminou de enviar a mensagem entrou no restaurante e foi diretamente para a mesa que era de costume ser reservada pelo seu grupo de amigos. Alice ainda não tinha chego. Assim que ela sentou-se na cadeira, que um dos garçons fizera à gentileza de puxar para ela, a resposta chegou.

"Swan. Swan.

Acredita que imaginei você sussurrando meu nome? Ah, céus. Preferi editar algumas partes dos meus pensamentos...

Malícia? Eu? Você esta imaginando coisas. Sou um poço de inocência.

Sim, seria loucura, se o sentimento não fosse recíproco.

Cullen."

Ela não pôde evitar rir um pouco alto da resposta recebida. Nesse meio tempo, um dos garçons chegara com o pedido costumeiro dela, uma deliciosa vitamina de morango ao leite com bastante gelo. Bebericou alguns goles e quase se ajoelhou no chão e agradeceu aos deuses por terem inventado algo tão bom e o mais importante, natural.

Voltando sua atenção novamente para o pequeno aparelho, até então esquecido na mesa, ela pensou em algo para digitar, porém nada parecia fazer sentido. Sem jeito para o que iria fazer digitou apenas:

"Não estou atrapalhando?

Swan."

Completamente absorta e encarando o aparelho em mãos, culpando-o pela demora da resposta, não percebeu uma cadeira sendo arrastada ao seu lado e uma Alice muito sorridente sentou-se.

– Hm, Bella?

Só então Isabella se deu conta da presença de sua melhor amiga, e como se tivesse sido combinado no mesmo segundo o aparelho celular começou a vibrar insistentemente, como se estivesse pedindo que a atenção fosse voltada para si, novamente.

– Desculpe, Alie, atenderei rapidinho. Só um minuto.

– Sem problemas, pode ser urgente...

– Urgente?

Atendendo aos apelos do aparelho, a morena voltou à atenção para o mesmo e mais uma vez naquele começo de tarde ela se surpreendeu. Sua mãe estava ligando! O que teria acontecido para que sua mãe lhe ligasse no seu turno de trabalho? Seria apenas saudades ou ela pressentiu que a filha precisa contar algo importante?

– Vou deixar você mais a vontade, enquanto isso, farei nossos pedidos.

– Obrigada.

Sorriu rapidamente para a amiga e logo em seguida atendeu o pequeno aparelho.

– Bella, que saudades de você minha linda! Esta tudo bem? Quando vira para cá? Seu pai e eu temos novidades...

– Mãe, respire.

Sua mãe suspirou do outro lado da linha, fazendo com que a pequena Swan sorrisse.

– Hm, desculpe mamãe. Estou morrendo de saudades da senhora e do papai também, é tamanha a falta que vocês me fazem...

– Owwwn, querida! Você também nos faz muita falta.

A morena voltou à atenção para a amiga debruçada sobre o balcão, provavelmente discutindo com o gerente sobre alguma gracinha que um dos garçons lhe fizera.

– E que novidade é essa, mamãe?

– Na verdade são mais de uma. A primeira é que seu pai e eu resolvemos que vamos fazer uma visitinha a Nova York. Esme ligou há poucos minutos e confirmamos nossa presença no almoço do próximo fim de semana...

– Sério? Ah meu Deus!

– Ah, assim que chegarmos iremos ao seu apartamento contar nossa outra novidade.

– Mal posso esperar. Estou louca para vê-los!

Isabella suspirou um pouco alto, o que chamou a atenção da matriarca dos Swan.

– Algum problema?

– Não mãe, só tenho novidades também.

– Novidades? Hmm... Tem alguma coisa a ver com o Edward?

– Mãe! Como à senhora sabe... Esme. Vocês duas são impossíveis!

Reneé gargalhou do outro lado da linha. A filha tinha razão, fora Esme que lhe contara que o filho parecia diferente e que só poderia ter sido por conta de Isabella.

– Meu amor, preciso desligar. Tenho muito serviço a minha espera. Te vejo no final de semana! Iremos chegar aí mais tardar no sábado pela manhã.

Elas se despediram e desligaram logo em seguida. Alice se aproximou com um copo de suco em mãos e sorriu ao sentar do lado da melhor amiga.

(...)

As duas amigas tiveram um almoço regado de risadas e muita descontração. Conversaram sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Tiraram o 'atraso' das horas e horas que ficaram sem conversar. Na verdade foi quase uma semana sem muito contato. Ambas estavam bastante ocupadas nos últimos dias.

Alice estava eufórica, falava sem parar do seu namoro com Jasper e de como tinha sido a experiência ao aprofundarem o namoro. A pequena Cullen comentou o quão maravilhoso fora ultrapassar aquela fase e se entregar de corpo e alma para o jovem Hale.

Já Isabella falou sobre como estava sendo perfeito assinar seu primeiro contrato com uma gravadora, consideravelmente, famosa. Entre risinhos histéricos, falou como seu empresário era jovem, lindo e o mais importante, fiel a noiva. Por mais que ela amasse Edward, não tinha como não se encantar pela beleza de James Collins.

Após o delicioso almoço, Edward voltou a enviar mensagens a Isabella. O que a lembrou de que ainda não tinha falado nada sobre isso para a melhor amiga. Foi então que teve a ideia de chamar a mesma para ir até sua casa, pois tinha um assunto importante e que preferia contar em um lugar mais privado.

Depois disso, a pequena Swan teve que ir do restaurante até seu apartamento aguentando as perguntas de Alice. A herdeira mais nova dos Cullen tentava a todo custo arrancar pelo menos uma dica sobre o que se tratava, mas, nada parecia fazer Isabella adiantar o assunto.

Assim que ambas já estavam confortavelmente sentadas uma de frente para a outra, Alice praticamente quicava no sofá, fazendo com Isabella revirasse os olhos.

– Ande logo, Bella. O que de tão importante aconteceu, que tenha de ser dito na sua casa?

– Edward.

– Ah, isso. O que aquele idiota fez dessa vez?

– Nos beijamos...

– Ah meu Deus! Finalmente. Não acredito que aquele calhorda me escondeu isso! Vocês dois são dois egoístas! Como puderam esconder isso de mim?

– Desculpe, Alie. Mas, é tudo muito recente e não sabia se valeria a pena te contar.

– Não sabe? Isabella Swan. Você é uma... Ah, não importa. Quando foi isso?

Isabella relatou tudo. Desde o primeiro beijo que partilharam até os beijos nada inocentes que trocaram na noite passada. Alice levantou em um salto do sofá e quase pode sentir a felicidade que a amiga estava sentindo. Até por que ela sabia há quanto tempo à mesma sofria por amar seu irmão.

– Calma. É por isso que ele estava daquele jeito quando chegou ao aeroporto!

– Que jeito?

– Todo animadinho... Eca, o que vocês fizeram? Não me diz que se pegaram na sala...

Isabella gargalhou com a careta de nojo de Alice.

As horas foram passando e as duas ainda não tinham encerrado o assunto Edward. Alice só se deu conta do quão tarde estava quando Jasper ligou perguntando se eles poderiam jantar juntos ou se ela ficaria na casa da amiga.

Como a Infinits não era aberta as segundas e quartas-feiras, a morena estaria livre para ficar em casa. Ela poderia fazer o que quisesse. Descansar, escutar uma boa música, ler, tocar um pouco de violão, rascunhar alguma letra de música, quem sabe ela poderia dedilhar algumas notas no seu antigo piano de cauda, esquecido no quarto ao lado do dela.

Aquele final de segunda-feira estava sendo completamente entediante. Após a saída de sua melhor amiga, o apartamento lhe pareceu tão vazio! E eram nessas horas que ela se arrependia de ter ido morar, consideravelmente longe de seus pais. Em certos momentos, ela podia sentir a carência e falta de afeto da sua pequena família lhe dominar.

Ela ainda não entendia porque seus pais não tinham mais filhos... Um irmãozinho ou irmãzinha seria um presente maravilhoso! Ser filha única não tinha graça, mesmo sendo mimada desde a infância (o que nunca afetou na boa educação que seus pais lhe deram), ela adorava a ideia de a família poder aumentar. Uma pena que esta nunca se concretizou, deixando Isabella bastante desapontada.

Seus pais ainda eram jovens, Reneé tinha apena 39 anos e Charlie 42, eles sempre foram muito atenciosos e carinhosos com a, até então, única herdeira dos Swan.

Isabella estava jogada em um dos sofás, perdida em seus próprios pensamentos, apenas repensando em como fora boa sua infância ao lado dos pais, os finais de semana que eles passavam na casa de seus falecidos avós paternos.

A morena também sentia falta dos momentos em que passava na casa da irmã mais nova de Charlie, Sue Clearwater. Esta tinha uma pequena família, pois seu tio Harry Clearwater, morrera em um acidente de carro há pouco mais de três anos, deixando como lembrança sua maior prova de amor: Leah e Seth Clearwater.

Seth ainda era um menino, com seus 15 aninhos, mas, muito aventureiro. Ficou por várias semanas bastante afetado pela morte do pai, o que deixou Sue preocupadíssima. Ela tinha que lidar com a própria dor e a do filho. Sendo que este, depois de certo tempo, recuperou-se do baque e voltou a fazer o que amava: Entrou no time de Futebol Americano Junior e seguiu os passos do pai.

A família sempre soube que ele levava jeito para a coisa, e os treinos diários que tinha com o falecido pai, lhe favoreceram. Seth se apegou ao futebol, pois foi à maneira que encontrou de sentir-se mais perto de seu pai.

Leah tinha se mudado para o Brasil, poucos meses após a morte de seu pai. Fora para lá estudar um pouco mais sobre a cultura brasileira, da qual ela se apaixonou logo que colocou seus pés naquele país. Não que os brasileiros fossem muito receptivos, em comparação com os demais povos, eles perdiam longe nesse quesito, mas depois de algum contato, ela já mudava de opinião quanto a isso.

Sempre que ligava para manter contato com Isabella, Leah, contava sobre suas peripécias de exploração ao novo território. Cada mês em um novo estado. Uma nova experiência...

Leah Clearwater tinha apenas 23 anos, mas considerava-se uma mulher bastante vivida. Já fora noiva de um londrino, mas assim que decidiu cair no mundo em suas aventuras, o cara colocou um ponto final na relação. Não que Isabella o conhecesse, ela mal sabia o nome do sujeito, na verdade, ela não sabia. Depois do rompimento do noivado, Leah nunca mais tocou no assunto, porém, todos sabiam que ela ainda nutria fortes sentimentos por certo moreno alto, bonito e sensual. Como ela mesma o descrevia.

Há mais de três anos, as primas e velhas amigas, se falavam apenas por telefone ou de vez em quando por webcam. O que deixava Isabella receosa era o sumiço incomum de Leah. Elas não conseguiam manter contato há dois meses e isso preocupava a pequena Swan.

Depois de vários minutos apenas divagando nas antigas lembranças, ela lembrou-se da recente conversa que teve com a mãe e ficou se perguntando qual seria a tal novidade de seus pais. Ela tinha tantas possibilidades em mente, que chegava a se perder e até sorrir consigo mesma de alguns absurdos que lhe ocorriam.

Isabella levantou do sofá e se encaminhou preguiçosamente até o banheiro. Tomou um banho relaxante e após a saída do mesmo, colocou seu pijama confortável. Quando ela estava passando pelo seu quarto, como se fosse um imã sua cama lhe atraiu, e assim que se jogou na mesma, apagou. Naquele momento ela se esqueceu de que não tinha comido desde que Alice recusara o café da tarde. Esqueceu-se também do celular que estava sobre a mesinha de centro na sala, onde o mesmo tocava incessantemente, com o nome e foto do seu futuro namorado piscando freneticamente no visor.

O dia não tinha sido agitado, mas havia lhe cansado mentalmente.

Nem mesmo ela tinha o conhecimento de estar tão cansada.


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