CAPÍTULO X

Isabella percebeu seu erro em pouco tempo. A noite fora um tormento. Geórgia acordara várias vezes e ela permaneceu no quarto antigo, acordada e esperando ouvir algum barulho que denunciasse a chegada de Edward. Mas isso não aconteceu, ele passou a noite toda fora.

Quando o relógio marcava meia noite, resolveu descer para ver se ele não teria dormido no escritório, mas a casa estava vazia. Isabella não tinha comido nada desde a recepção, e não sentia fome. Ela passou pela sala de jantar a fim de ver se Irina tinha retirado os pratos. A única coisa que ainda restava em cima da mesa era um lindo buquê de rosas brancas.

As lágrimas escorreram de seu rosto ao constatar o que tinha feito.

Estava quase subindo quando viu um embrulho prateado ao lado das flores. Aproximou-se e pegou o cartão afixado no presente. Era para ela. Hesitou por um momento e depois, com as mãos tremendo, rasgou o papel. A caixa de couro preta era da mais exclusiva joalheria de Londres e ao abri-la, Bella deparou-se com uma gargantilha de diamantes e águas marinhas. A jóia era espetacular e de uma beleza jamais vista por ela.

Fechando a caixa, apertou-a contra o peito. Por que Edward lhe daria um presente tão caro e tão suntuoso? Antes de subir, tomou um copo de leite na cozinha e sentou-se na cama, à espera do marido, mas foi em vão.

No dia seguinte, Edward tomava café na mesa da sala e lia o jornal. Ele nem levantou a cabeça quando Bella entrou.

— Bom dia.

— Acha mesmo bom? — ele rebateu friamente. Bella tentou comportar-se normalmente e serviu-se de ovos mexidos e algumas torradas. Ao encher a xícara de café, sorriu para ele, mas não obteve resposta.

— Eu vi o colar que deixou para mim. É maravilhoso.

— Esqueça.

— Não, eu adorei...

— Se preferir outras pedras pode trocar, ou vender ou...

Ela sentiu-se insultada. Edward mostrava-se frio, gelado, como nunca fora antes. Bella o dispensara e também o presente. Será que ele havia saído à procura de consolo na noite anterior? Pensou ela, desesperada de ciúmes. Precisava saber o que acontecera.

— Você não voltou para casa noite passada.

— Isso mesmo — ele respondeu sem fitá-la, sempre com os olhos fixos no jornal.

— Posso perguntar onde esteve?

— Não, não pode.

— Você... dormiu com outra pessoa?

— Por que isso lhe diria respeito? Você não me quer, não é, Isabella? — Agora, ele a fitava, insistentemente, nos olhos. — Ou se quer, não é honesta o suficiente para admitir. Talvez esteja jogando comigo. Mas eu não sou seu brinquedo. Brigue com o desejo o quanto quiser, mas não pense que me condenará a uma vida celibatária.

— Você é um bruto.

— E o que deseja que eu seja, minha querida. Assim, posso tomá-la em meus braços contra sua vontade e você pode desfrutar do prazer sem precisar admitir que me deseja. Sinto muito, doçura, não entrarei no seu jogo. — Ele levantou-se da mesa. — Vou viajar a negócios por uma semana. E enquanto eu estiver fora, pode tentar voltar para o trabalho. Acho que, devido ao clima entre nós, não queira permanecer nessa casa mais tempo que o necessário.

— Quer dizer que está feliz com essa situação? Constantemente brigando e discutindo?

— Feliz? Não usaria essa palavra. Não estou feliz, Isabella. Mas foi você quem escolheu viver assim. Lembre-se disso e não tente ir embora na minha ausência, pelo menos não com a Geórgia. Eu disse que queria minha filha e vou lutar por ela.

— Muito bem, estarei aqui quando chegar. E já que arrumou uma parceira de cama, vou procurar por um também.

— Não nessa casa — ele desafiou.

— Não farei isso, jamais! Por causa de minha filha, prefiro passar a noite toda fora como você fez — provocou ela.

— Suponho que o querido James será candidato com maiores probabilidades...

— Não é da sua conta. Meus candidatos não têm o menor interesse para você.

Ele fitou-a durante um longo tempo, com a face distorcida de raiva e desilusão. Então, virou as costas e caminhou em direção à porta. Quando voltou-se para Bella, já estava recomposto e com os olhos frios como aço.

— Esqueci de dizer. Decidi dar uma festa aqui em casa. Para alguns amigos poderem conhecê-la, já que os vetou no casamento. Eles estão perguntando porque a escondo. Se soubessem a verdadeira situação...

— E não sabem?

— Não e quero que continue assim. Você estará nessa festa como anfitriã.

Isabella não queria mais discutir, estava cansada de ser insultada pelo homem que amava. Alguém como ele poderia ter a mulher que escolhesse, entre as mais belas ou as mais ricas. Por que então a queria ao seu lado? Não era só físico... não podia ser!

Se ao menos tivesse forças para ir embora e ver se ele iria mesmo aos tribunais. Como mãe, Bella tinha mais poder...

Mas não, não iria embora. Não agora que chegara até esse ponto, depois de tudo o que passara! Não valia a pena abandonar um sonho dessa maneira. Ela respirou fundo, enquanto Edward perguntava-lhe se estaria na festa.

— Sim, Edward, estarei aqui, não se preocupe.