Um mês depois...

Eram cinco da manhã e Hyoga já estava de pé, iria partir para o sul novamente, precisava saber como estavam as coisas por lá.

Estava praticamente pronto, mas parou diante da cama, sem coragem de acordá-la. Mas com certeza ela ficaria furiosa se ele fosse embora, sem se despedir.

Sentou-se ao lado dela na cama, pensando em como aquele mês tinha sido difícil, mas ao mesmo tempo compensador. Freya fazia tudo ficar mais fácil, mesmo o complicado relacionamente que ele tinha com a irmã dela.

Aproximou-se devagar, e com um beijo na testa ele a despertou.

- Tem o sono leve, minha princesa!

Ela sorriu ao abrir os olhos e ver que ele também sorria para ela.

- Você já vai? - Freya se levantou deixando que o grosso cobertor caísse, lhe revelando o corpo ainda nú, depois da última noite. Já não tinha mais o pudor que tinha antes, até gostava quando os olhos dele percorriam seu corpo, porque sempre que o fazia, o fazia com desejo. Hyoga era um amante incansável, e Freya gostava disso nele, também.

- Desse jeito você vai acabar me fazendo mudar de idéia!

Ele se aproximou, e a abraçou, sentindo a pele dela ainda tão macia quanto da primeira vez em que se amaram. Se beijaram e Hyoga sentiu quando as mãos dela desfilavam pelo seu peito sob a camisa.

- Isso é jogo sujo, mocinha! - disse ele se afastando para conter o próprio desejo de ficar e amá-la de novo. - É sério eu preciso ir, bem que eu queria ficar... - ele virou os olhos, se olhasse para ela mais uma vez sequer, ficaria.

Num outro quarto do grande palácio, Hilda se encontrava perdida em reflexões.

Sua irmã definitivamente era uma mulher agora. Por vária noites, quando o sono e sonhos tristes a acordavam durante a noite, ela sem querer acabava ouvindo os gemidos abafados e as vozes ofegantes de sua irmã e de Hyoga, enquanto faziam amor.

Fora um mês de adaptação em muitos sentidos, se acostumar com o fato de que sua irmã cedo ou tarde seguiria sua própria vida com aquele homem, com o fato de que teria que se acostumar com uma presença masculina novamente entre os quartos do castelo, depois que Siegfried se fora, e acima de tudo se acostumar com a lembrança renascida da saudade que Siegfried lhe deixara.

Olhou com tristeza para o lugar vazio em sua cama, lugar em que tantas vezes vira seu amado Siegfried acordar, onde tantas vezes em silêncio contemplara a beleza de seu amado guerreiro deus.

Deitou-se na cama, chorando e tentou aspirar alguma lembrança do perfume dele, que talvez tivesse sobrevivido naqueles lençóis, quando ouviu a irmã lhe chamar.

-Ele já vai, Hilda. Quer se despedir de você.

Ela olhou para a irmã, os olhos ainda úmidos, mas com a altivez de sempre recuperada e se levantou sem dizer nada, mas quando passou por ela, sentiu a mão de Freya apertar a sua, como se entendesse o que se passava com ela.

- Então você já vai?

Hilda entrou poderosa e altiva como sempre na sala. Hyoga estava largado numa pequena poltrona se levantou para receber a sacerdotisa.

- Nâo vou mais cansar sua beleza com minha presença aqui!

- Irônico como sempre!

- Orgulhosa como sempre!

Mesmo depois de um tempo convivendo, eles não deixavam de trocar "delicadezas".

- Não vai abandonar minha irmã, eu espero. - ela mantinha um ar quase desinteressado.

- Não me atreveria a isso! Com sua licença, Hilda!

Observou com um aperto no coração Hyoga sair de mãos dadas com Freya até os portões do palácio. Nâo ouviu o que falavam, só viu quando se beijaram e ele saiu, do mesmo jeito que chegara.

Lá embaixo agora sozinha, Freya via o vulto de Hyoga se afastar. Acariciou a barriga e disse quase para si mesma.

- Haverá tempo para lhe contar.

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Como era maravilhoso poder se locomover na velocidade da luz, pensava Hyoga enquanto percorria as longas distâncias que separavam o continente Ártico do Antártico, quase num piscar de ohos.

Quando sentiu o ar frio novamente sem seu rosto, parou, queria andar um pouco, ainda tinha muita coisa que ele precisava ver naquele fantástico polo sul.

Não estava muito distante da Estação de Pesquisas Internacional, quando uma coisa chamou sua atenção. Nâo muito longe dali ele viu algo cortar os céus.

- Definitivamente isso não é um pássaro! - disse para si mesmo, indo na direção daquela estranha aparição.

E conforme ia se aproximando, começou a reconhecer aquele ser voador.

- Kassandra!

Hyoga não podia acreditar no que via, a jovem ruiva, flutuando no céu escuro, contrastando com as geleiras. Mas ao invés de chamar a atenção da moça, deixou que ela continuasse seu balé aéreo, sentou-se no chão e ficou apreciando o show.