Parte 10

Impedindo um suspiro de sair, eu fiz o que ele pediu e andei até o sofá, sentando-me ao lado dele, mas mantendo meus olhos focados na parede do ônibus, sem olhar pra ele.

Quando ele não falou por quase um minuto, eu me virei para ele e perguntei, meus olhos cerrados levemente, enquanto toda minha raiva começava a borbulhar sob a minha pele. "Então, você vai me dizer por que você parecer odiar tanto Gerard e Frank?"

Os ombros dele se curvaram levemente. "Não odeio..."

"Então, que porra está errada com você?"

Ele puxou seu cabelo levemente, mas não reagiu de nenhuma outra maneira, apenas continuou a fixar o chão.

Meus dentes se cerrando, eu me levantei. "Foda-se. Eu vou ficar no ônibus deles até que você possa me dizer qualquer que seja a porra do seu problema."

Sem esperar por uma resposta, eu abri a porta do ônibus e pulei para fora, fazendo meu caminho em direção ao ônibus do MCR, minhas mãos fechadas ao meu lado, enquanto eu tentava não ficar chateado com o fato de que ele nunca me seguiu – não importa o quanto eu estivesse esperando que ele o fizesse.

Eu estava tão ocupado olhando para o chão e mentalmente amaldiçoando Pierre, que eu sequer notei a pessoa na minha frente até que eu colidisse com ela.

Eu provavelmente teria caído de bunda no chão, se ela não tivesse me segurado. "David, você está bem?"

Olhei para cima, me deparando com o rosto preocupado de Bob; eu senti meu lábio inferior tremer, enquanto eu tentava segurar minhas lágrimas. "P-Pierre..."

De algum modo, seu rosto ficou amolecido e endurecido ao mesmo tempo, enquanto ele me enlaçava num abraço, me deixando enterrar o rosto em seu peito.

Eu não sabia quanto tempo nós ficamos desse modo, mas não foi antes de eu ter me afastado – minhas emoções sob algum nível de controle – que ele falou. "Vamos lá. Mikey tem chocolate escondido no ônibus."

Eu ri levemente, um sorriso molhado fazendo seu caminho no meu rosto, enquanto ele me guiava – seu braço ao redor dos meus ombros – para o ônibus.

Nós não tivemos que andar muito, quando eu senti a necessidade de falar para ele, contar o que estava acontecendo. "Ele... Eu..."

"David..." Bob me cortou. "Você não tem que me dizer nada." Ele sorriu. "Frank, entretanto, você vai ter que explicar, e com muitos detalhes. Daí, ele vai nos dizer, enquanto o seguramos para impedi-lo de ir bater em quer que seja que te chateou."

Eu dei a ele um pequeno sorriso. "Y-yeah. Provavelmente."

Ele apenas balançou a cabeça, assim que nós alcançávamos o ônibus e ele me puxava para dentro.

Ray estava sentado no sofá, tocando sua guitarra. Ele olhou para cima, entretanto, ao ouvir o som da porta sendo fechada – enquanto Bob me guiava na direção dele.

Pondo sua guitarra de lado, seu rosto se enchendo de preocupação, ele gesticulou para que eu me sentasse ao lado dele.

Eu obedeci, enquanto Bob desaparecia de vista.

"O que aconteceu?" Ray perguntou depois de um tempo.

"Não o pressione." Bob interferiu, antes que eu pudesse responder, enquanto ele voltava com uma barra de chocolate em sua mão.

Oferecendo-me, ele se sentou do meu outro lado, enquanto eu lentamente abria o pacote.

Quebrando um pedaço, eu o coloquei na boca, enquanto eu tentava me fazer explicar tudo.

"Eu, bem..." eu suspirei. "Frank, Gerard e eu... Nós… Bem…"

"Vocês estão fazendo um tipo de ménage. Yeah, Gerard nós enviou uma mensagem e nos contou, então nós poderíamos manter a mesma história se nós colidirmos com sua banda."

Eu pisquei, olhando para Bob, procurando por uma confirmação para o que Ray tinha dito.

Ele confirmou, me fazendo virar para o chocolate, quebrando outro pedaço e o colocando na minha boca.

Mastigando lentamente, eu tentei prolongar o que eu tinha que falar o máximo possível.

Muito cedo, entretanto, minha boca estava vazia e eu tinha que falar.

Focando o chocolate nas minhas mãos, eu murmurei. "Pierre... Ele está... Eu sequer sei. Mas algo sobre eu ser gay… Ou namorar, ou estar num ménage, porra, algo o deixou bravo comigo... E ele é a porra do meu melhor amigo e ele mal consegue olhar pra mim."

No final, minha voz estava quebrada, enquanto eu enfiava outro pedaço de chocolate na minha boca, prestando atenção nas coisas sobre a mesa de café para me impedir de chorar.

"Porra." Ray murmurou, antes de eu sentir um braço – o dele -, enquanto ele me puxava pra um meio abraço.

Deitando minha cabeça no seu ombro, eu nunca tive a chance de falar – para agradecê-lo – antes da porta do ônibus se abrir com força, mas fazendo olhar para cima em surpresa.

Frank estava parado ali, seus olhos procurando loucamente, até que eles pousaram em mim. Segundos depois, ele estava no meu colo, seus braços ao redor do meu pescoço, enquanto ele me olhava preocupado. "O que aconteceu? Você está bem? Lazzara disse que te viu chorando."

Enlaçando meus braços ao redor dele, eu me acomodei no seu peito, minhas mãos segurando frouxamente o chocolate atrás das costas dele.

"Frank... David, porra, você está bem?" Gerard perguntou, enquanto vinha apressadamente até parar atrás de Frank e correr uma mão por meu cabelo.

"Pierre..."

Minha voz falhou, mas Bob continuou. "É um cuzão. Ele – por alguma razão – tem um problema com vocês três."

Os braços de Frank se apertaram ao meu redor, enquanto a mão de Gerard ficava parada no meu cabelo por um segundo.

"Eu vou matar ele." Frank prometeu veementemente.

Mordendo meu lábio inferior, eu pedi quietamente. "Vocês... Vocês podem apenas ficar comigo... Antes?"

Pareceu que eu disse as palavras mágicas, assim que Frank saiu do meu colo, antes deles dois praticamente me carregarem para a área das beliches.

Eles sentaram na beliche de Frank, suas pernas balançando para fora, assim que eles me puxaram para o colo de ambos, enquanto me acariciavam, beijavam a apenas me confortavam silenciosamente.

Eu pude apenas fechar meus olhos e tentar não chorar pelo modo terno que eles estavam mostrando.

Nestas circunstâncias, eu já os agarrava tão apertadamente quanto eu conseguia.

Estúpido Pierre.

Eu o odiava tanto por me reduzir a isso.