Já estávamos no hall de entrada indo em direção ao restaurante. Quando saímos pela grande porta de carvalho que dava a parte de fora do restaurante. Quando vimos Daphne e um homem moreno de costa pra gente conversando. Tiago apertou minha mão e sorriu pra mim.
– Pronta para o show? – perguntou ele, maroto.
Sorri em resposta.
Andamos em direção a mesa e paramos a alguns centímetros.
– Ah, Lily! Querida! – falou Daphne quando nos viu. – E Tiago, claro. Eu ainda não me conformo como ele é bonito!
Pigarreei.
– Não seja ciumenta Lily! O Richard aqui não tem ciúmes, não é, meu amor? – Daphne falou. O homem moreno se virou e deu pra ver sua cara de pastel. Ele era gordo, os olhos eram negros e o rosto gorducho era pálido. Ele sorriu com os dentes amarelos.
Há, deve ser a fonte de dinheiro da Daphne, com certeza. A Daphne pode não ser a 8º maravilha do mundo, mas não é totalmente feia. Os olhos dela é de um mel meio escuro e o cabelo é castanho comum, me lembro que todo mês ela aparecia na faculdade com uma nova cor no cabelo. Ela é alta e pálida. Poderia muito bem arranjar um cara que não tivesse o dobro da idade dela, mas ai não seria rico, não é? Falou uma voz na minha cabeça.
– Você deve ser Lily – falou ele. – Prazer, Richard McKill, marido da Daph – sorri pra ele. Daphne sempre odiou quem a chamava de Daph. – E você deve ser Tiago Potter. Sou seu grande fã e meus filhos também.
Nos sentamos. Eu e Tiago em uma ponta e Daphne e Richard na outra.
– Não sabia que vocês tinham filhos para serem fãs do Tiago – falei como quem não quer nada.
– Ah, eu não tenho filhos. São filhos do Richard. Ele tem três filhos – respondeu Daphne com cara de nojo.
– Separado? – perguntou Tiago.
– Não, viúvo – respondeu ele.
– Oh, eles estão aqui?
– Não bobinha – exclamou Daphne – eles estudam em um colégio interno bem longe daqui.
– Hum... Deve ser difícil, não é? Perder a mãe, ganhar uma madrasta e perder o pai. E ainda por cima ter que estudar longe da família – comentou Tiago pensativo.
– Com certeza – falei.
Daphne suspirou irritada como se não gostasse do rumo que a conversa tomara.
– Então... Lily, minha Daph disse que você também é advogada – começou Richard tentando puxar assunto.
– Minha Lily é uma das melhores advogadas do país! – comentou Tiago, enfatizando o "minha Lily".
A garçonete veio e nós fizemos o pedido.
– Então, Lils, como anda a vida? – perguntou Daphne sorrindo falsamente.
– Bem melhor que a sua pelo que parece – alfinetei em tom de brincadeira.
– Eu duvido – disse ela.
– Duvida? Bom eu tenho um filho maravilhoso com uma ótima media, um emprego no melhor escritório de Advocacia do Reino Unido, sou considerada uma das melhores advogadas e tudo isso sem contar meu marido e a mansão que ele me comprou – sim, eu sei que exagerei.
– Mansão?
– Claro que sim – respondeu Tiago beijando minha bochecha. – Minha Lily merece o melhor.
Sorri para ele.
– Ah, Lily, lembra da faculdade? Você mudou, com certeza. Seus dentes eram mais amarelos.
– Você também, Daph, concertou o nariz, não é? Depois daquele muro que você levou na festa de formatura quando você apareceu pelada e bêbada, lembra?
Quanto é que está mesmo? Lily 1 vs 0 Daphne.
– Você lembra que você ia começar a namorar, mas o Robert não quis porque você tinha um filho? Nós ficamos aquela noite, eu te contei não é? – revidou ela.
– Robert é passado. Prefiro o Henri, lembra o que ele disse? Que preferia as ruivas não tingidas – dei uma risadinha. – Você estava com o cabelo vermelho, lembra como ficou ridículo? – Há, há, o ponto fraco dela.
Placar? Lily 2 vs 0 Daphne.
– Sempre achei vermelho ridículo – menosprezou ela.
– Então por que pintou o cabelo dessa cor? – perguntei.
3 vs 0.
– Todo mundo estava fazendo isso – respondeu ela.
– Ah, então você só faz as coisas por que os outros também fazem?
4 vs 0.
– Eu era jovem e inconseqüente.
– E pelo visto 4 anos não mudou muita coisa – retruquei.
Placar final? 5 vs 0.
Meu celular tocou na minha bolsa. Peguei e olhei no visor. O numero do Tiago? Só então lembrei que Harry tinha ficado com o celular do pai.
– Já volto – falei. Levantei da mesa e caminhei a um lugar mais calmo. Atendi o celular no meio de um toque.
– Oi mamãe, está se divertindo? – a voz de Harry soou sonolenta.
– Oi querido, e sim aqui está muito divertido.
– Ah, sim. Eu já estou cansado. A Dora falou pra eu dormir e quando vocês chegarem vocês vem me buscar – ele falou.
– Se você quiser dormir tudo bem querido, nós já estaremos voltando daqui a pouco.
– Tudo bem. Vou dormir. Boa noite.
– Boa noite querido, amo você.
Desliguei e voltei a mesa.
– Era o Harry – comuniquei a Tiago.
– Ele já foi dormir?
– Sim.
– Ah, eu lembro que na faculdade a Lily nunca podia sair por causa que tinha um filho – falou Daphne irritante como sempre.
– Isso se chama ter responsabilidade. Você não agüentaria – falei friamente.
– Daphne – chamou Tiago – tem uma coisa no seu dente – falou ele.
– Tem? – ela passou o dedo no dente (eca) – ainda tem?
Tiago fez que sim.
– Não é melhor você ir ao banheiro? – perguntei, entendendo a jogada.
– Ah, sim, sim. Você vem comigo, Lils? – perguntou ela. Fiz que sim com a cabeça e me levantei.
Ela se levantou junto e o que veio a seguir iria ser cômico se não fosse trágico (para Daphne, por que pra mim foi pura comedia). Daphne levantou bem na hora que uma garçonete que ia passando com uma bandeja cheia de taças com vinho tinto. Seu vestido de seda branca azulada ficou vermelho e seus cabelos castanhos ficaram encharcados.
– AAAAAAARG.
Mordi o lábio para não dar risada. Vi Tiago fazer força (em vão) para não rir.
– Oh meu Deus, Daph você está bem? Quer ajuda? – perguntei.
– Ah, não, quero voltar para o meu quarto e tirar esse vestido nojento. Richard, pague a conta e vamos embora. E quanto a vocês adorei a noite, foi maravilhosa devemos repetir – ela sorriu e se retirou. Richard nos olhou sem graça para nós.
– Desculpe, a Daphne pode ser um pouco escandalosa de vez em quando – falou ele.
– Já conheço a peça – disse.
Dividimos a conta e Richard, ainda sem graça, foi embora. Estávamos nos encaminhando para o elevador quando Tiago começou dar risada (lê-se gargalhar).
– Esse... foi... o... jantar... mais... hilário... da... minha... vida... – e ele voltou a rir.
– Para de rir como louco – falei, segurando o riso.
– Diz... que... você... também... não... quer... rir...
– Eu me seguro – falei.
– Okay, parei.
Sorri para ele.
– Que tal tomarmos alguma coisa no bar? A ressaca pode ajudar a esquecer esse jantar – falou ele.
– Você não presta.
– Então por que você vai?
Em resposta revirei meus olhos e seguimos em direção ao bar. Sentamos naquelas cadeiras altas na frente do balcão e um barman muito gato nos atendeu.
Ele perguntou alguma coisa em português. Tiago respondeu e ele virou pra mim.
– Eu... eu não falo português. Tiago você...
– O que você quer? – perguntou Tiago.
– Hum... O que você pediu?
– Caipirinha, é uma bebida brasileira. Muito boa.
– Quero o mesmo – falei. Tiago pediu e alguns minutos depois o barman nos serviu.
– Hum... com licença, mas eu falo inglês – falou o barman.
– Ah é? Legal. O que tem nessa bebida? – perguntei tentando puxar assunto com o barmen gato. Ele sorriu pra mim com os dentes perfeitamente brancos e alinhados.
– Você nunca tomou isso? – perguntou ele com o inglês sem o famoso sotaque britânico.
– Sou Americana criada na Inglaterra. Nunca fiz muita coisa – respondi.
– Bom, a caipirinha tem limão, gelo e vodka. Prova – falou ele. Coloquei o canudo na boca de forma provocante e arisquei uma rápida olhada para Tiago. Ele parecia se borbulhar em raiva e mexia a perna nervosamente.
– Maravilhoso – falei. Ele deu um sorrisinho e olhou para Tiago.
– Seu namorado não parece estar gostando – comentou ele.
– Ele não é meu namorado.
– Sou apenas o pai do filho dela – falou Tiago emburrado. – Falando nisso, Lil, temos que ir buscar o Harry.
– Calminha Tiago, ainda é cedo.
Tomei mais um pouco da minha bebida.
– Vocês têm filhos? – perguntou o barman gato.
– Um só – respondi rápido.
– Então vocês foram casados – ele afirmou.
– Não, ela fugiu antes de eu poder conhecer meu filho – falou Tiago. Levantei da cadeira alta e sai correndo. – Hey, Lily.
Não parei. Continuei correndo.
– Lily, volta aqui. Me desculpe, eu não quis falar isso, é só que...
Parei de correr e o encarei ele. Ele estava a menos de um metro de mim.
– É só que, o que? Você gosta de me atingir? Gosta de me jogar na cara as coisas que eu faço? – perguntei e voltei a andar em direção ao elevador.
– Você quer o que? Você estava lá dando em cima do barman e eu tinha que ficar quieto?
– Eu não estava dando em cima do barman e se tivesse não seria da sua conta.
Ele passou por mim e parou na minha frente. Me puxou do meio do caminho e me prenso na parede mais próxima.
– Você quer que eu admita? Eu estava com ciúmes. Pronto. Feliz? – e ele me beijou. Simplesmente me beijou. Aquele beijo que me deixava tonta e com as pernas bambas, o mesmo beijo que me fez me apaixonar por ele há 9, quase 10, anos atrás. Ele se separou de mim. – Quantas vezes eu tenho que falar que te amo Lílian Evans?
Fiquei sem fala. Sem falar nada sai andando em direção ao elevador. As portas se abriram e eu entrei. Pude ver pelo reflexo do espelho Tiago parado no mesmo lugar de costa para o elevador. A porta se fechou me deixando sozinha.
Uma lagrima solitária escapou dos meus olhos e eu rapidamente sequei. O elevador parou e eu sai. Corri até alcançar a porta do quarto. Passei pela sala e entrei no meu quarto. Tomei um longo banho quente. Sai do chuveiro, decidida. Fui até minha mala e peguei um vestido de alça azul que ia até o joelho. Calcei uma sandália rasteira branca e voltei ao banheiro. Prendi meu cabelo num rabo-de-cavalo e passei apenas um batom e sombra. Sai do quarto e fui até o quarto de Harry. Ele estava deitado dormindo. Sorri. Peguei um bloco de notas e rabisquei qualquer coisa colocando de volta no criado mudo. Sai do quarto e fui em direção ao quarto de Tiago.
Abri a porta de vagar e bem nessa hora Tiago saiu só de toalha do banheiro. Pulou de susto quando me viu.
– Lílian! O que você faz aqui? – perguntou ele.
– Já é meia noite, ou quase, está na hora do nosso passeio – respondi.
– Passeio? Que passe...? oh. Hum... Lily, você... tem certeza?
– Claro, vamos logo. Já deixei um bilhete avisando Harry.
– Okay, então... mas você pode... é... me dar licença? Eu tenho que me vestir, sabe.
– Não tem nada ai que eu não tenha visto, mas se você quer assim, tem 5 minutos para se arrumar – disse e sai do quarto. Me joguei em um sofá e fiquei esperando Tiago. Dois minutos depois ele estava parado na minha frente.
– Vamos? – me levantei do sofá e o segui até a porta.
...
Estávamos mais uma vez caminhando pelo calçadão. Falávamos do nosso tempo de escola. Aquele provavelmente havia sido os melhores dois anos da minha vida.
– Sirius era um idiota, quando ele começou a namorar a Lene eu não acreditei e agora eles estão casados! E com duas filhas! – disse. Tiago deu risada.
– Eu também nunca coloquei muita fé nesse namoro – falou ele. Paramos e sentamos em um banco de frente para o mar.
– É o mar mais lindo que eu já vi – comentei. Olhai admirada para o mar. – Eu sempre tive me de entrar no mar; sempre me pareceu tão... ariscado.
Tiago se levantou e ficou de pé na minha frente com a mão estendida.
– Vamos lá, perder esse medo – falou ele.
– Agora?
– Sim.
Olhei para o mar. Estaria vazia se não fosse pelas pouquíssimas pessoas que andavam no calçadas e na areia a beira mar, mas ninguém entrava no mar.
– Não é... contra as regras?
– Não.
– Certeza?
– Certeza.
Aceitei a mão dele um pouco hesitante e fomos em direção ao mar. Tirei minhas sandálias e senti arrepios quando meus pés tocaram a areia fria. Chegamos a beira mar. A água estava gelada.
– Vem – chamou Tiago me puxando. Continuamos indo até a água tocar meus joelhos. A correnteza parecia um pouco forte. – Está gostando?
– Eu estou no meio do mar, a meia noite, o que você acha?
– E não podemos deixar de considerar que você esta comigo, então, acho que você está adorando.
– Ah, claro. Simplesmente amando – falei sarcástica me encaminhando para a areia.
– Aonde você vai? – perguntou ele.
– Pra areia e de lá vou para o hotel.
– Ah, não mesmo – falou ele.
Ia me virar e perguntar o que ele queria dizer com aquilo quando senti as mãos dele passando pela minha cintura e me empurrando pra água salgada e gelada.
– Olha o que você me fez – falei entre dentes. Me levantei (com muita dificuldade), parei em frente a ele e o empurrei. Ele apenas cambaleou. Empurrei com mais força e ele simplesmente se jogou e me puxou bem na hora que uma onda ia passando.
– Está gostando Lily? – perguntou ele sorrindo.
– Ora, seu... – subi em cima dele no meio do mar e comecei a jogar água.
– Se você me afogar não vai conseguir sair daqui viva Lil.
Parei de jogar água e o encarei. Ele estava com o cabelo baixo por causa da água e seus óculos estavam tortos (N/A: Isso Tiago, sai andando por ai no mar com óculos) sua camisa branca estava totalmente molhada marcando o abdome dele. (N/A: Que perdição).
E em um impulso meu eu o beijei. Simplesmente o beijei. Quando nos separamos eu sorri para ele.
– Só para não quebrar a tradição – e corri para a areia. De repente parecia que estava mais frio, mas eu sabia que eu estava com frio por estar molhada. Senti Tiago caminhando do meu lado em direção ao hotel.
...
Estou parecendo uma adolescente. Suspirando pelos cantos, corando toda vez que via Tiago, agindo feito boba, não prestando atenção no que me falam. E todos perceberam isso no café da manhã do dia seguinte. Lene me olhou surpresa quando eu cheguei atrasada na mesa. Harry fez o terrível comentário de "papai e mamãe saíram ontem de noite, depois do jantar e voltaram totalmente molhados" o que gerou varias perguntas de todos e provocações de Sirius.
Isso porque foram apenas quatro dias. Ainda tenho dez dias de tortura.
xxxXxxx
N/A: Demorei? Acho que não. Bom tah ai mais um cap da nossa querida fic. Eu não gostei muito do jantar, queria que fosse mais engraçado e divertido, mas eu estava meio sem inspiração. Pra vocês terem uma idéia eu fiz e refiz esse jantar 3 vezes. E fico ruim do mesmo jeito. Mudando de assunto. As coisas estão ficando bem hot entre a Lily e o Tiago né.
Lily se revelando, Tiago com ciúmes. Esse cap ficou bem recheado, não acham?
Bom vamos as respostas dos Reviews do cap anterior.
Mila Pink: Que bom que você gostou e quanto a Dora eu não posso adiantar nada, mas vamos ter algumas surpresinhas com ela ainda. E eu tbm ficaria dormindo para experimentar os métodos Potter ;D. Espero que goste do cap e um Bjão pra você flor, espero que goste.
Joana Patricia: Eu tiro algumas idéias do filme "esposa de mentirinha" é um filme muito legal e eu recomendo. Como eu já disse, não posso adiantar nada sobre a Dora, mas prometo uma surpresinha. E é taaão legal ter uma leitora internacional. Me deixa taaaão contente. Acho que você iria amar o Brasil, principalmente o Rio. Desfrute do jantar e me fala o que você acha. Bjaão.
Carollyn Potter: Eu adoro esse filme e assisti no cinema tbm, mas foi na semana de estréia. Tah ai mais um cap e eu espero que você goste.
Vlw quem esperou tão ansiosamente para agente postar o cap. Ficamos muito felizes. Espero que gostem e um obrigado pra quem colocou a fic nos favoritos e/ou alerta. Brigadão.
Muitos Beijoooos.
Até a próxima
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