Ah, quase não dá para acreditar que finalmente consegui escrever esse capítulo com tudo que eu queria que acontecesse.

E, no próximo capítulo, voltamos para o último capítulo, que será no ponto de vista do Edward.

Talvez eu o divida em duas partes porque também quero adicionar um POV da Bella.

Espero que realmente gostem de tudo o que acontece aqui e entendam a menina Bella 3

Apesar de tudo, o coração dela é enorme.

Também quero dizer que essa versão nova da fanfic está ficando bem do jeitinho que eu queria, com capítulos maiores e com as coisas acontecendo como eram para acontecer.

Não que a primeira versão seja ruim, é ótima, mas essa possui alguns detalhes que não tinham na antiga, então estou amando escrevê-la.

Logo mais trago o próximo capítulo com muita, muita, muita emoção.

Até lá ;)


9 – Destinados

Bella POV

Quando entrei na faculdade, eu estava morrendo de medo por me aventurar em algo totalmente novo, mais do que isso, não queria ter o meu coração quebrado.

Eu me lembro cada palavra da minha despedida e o quanto eu sentia que, a partir daquele dia, jamais seria a mesma pessoa. Mamãe me fez prometer que eu ligaria para ela se qualquer coisa acontecesse.

Eu revirei os olhos, afinal de contas, estava indo morar na Irlanda com meu irmão e meu melhor amigo, então, é claro que nada aconteceria comigo. Eles jamais deixariam que qualquer pessoa me magoasse...

Naquela época, meu coração estava tão quebrado, eu acabara de perder vovó apenas meses depois de vovô e eu sentia que respirar seria impossível, eu achava que estava entrando em um buraco escuro e que jamais sairia de lá.

Eu sorria quando tinha que sorrir e gostava de fingir que estava tudo bem só para não ouvir sermões desnecessários, embora eu imaginasse que não era exatamente uma boa atriz.

Hoje, é claro, eu pensava diferente.

Porque eu voltara para o mesmo lugar do início da faculdade.

Encarei o telefone por longos minutos, mordendo meu lábio inferior, incapaz de tomar uma decisão, não pelo fato de não querer falar sobre mim e sim porque eu não podia me esconder para sempre.

Suspirei, soltando meu lábio e peguei o aparelho, disquei os números tão conhecidos por mim e esperei tocar uma centena de vezes antes que a outra pessoa atendesse.

Não que eu quisesse fazer isso, mas devido aos últimos acontecimentos eu precisava desabafar.

Talvez Jazz entendesse o que eu estava sentindo, porém ele contaria tudo para Alice e, definitivamente, não queria e nem precisava dos conselhos dela.

— Filha? – mamãe perguntou do outro lado da linha.

Fechei meus olhos e soltei o ar que eu segurava. Eu sentia a falta dela e ouvir aquela voz parecia amenizar toda a dor que eu estava sentindo. Era doce, a mais bela do mundo, a que eu realmente queria ouvir agora.

Para ela, eu poderia, sem nenhum remorso, mostrar a minha alma.

— Oi mãe – sussurrei, emocionada — Você pode falar agora? – perguntei.

— Na verdade – ela parou — O que aconteceu, filha?

Uma lágrima traiçoeira desceu pelo meu rosto, o que me fez limpá-la, violentamente. Eu não queria mais chorar, não queria mais essa tristeza profunda em meu peito.

— Eu me apaixonei – sussurrei. Ouvi quando ela deixou algo cair no chão e me senti péssima, muito mais do que estava agora. Eu não podia mais guardar tanto para mim — E a minha vida se tornou um desastre, mãe – expliquei.

— Meu bem – mamãe falou carinhosamente — Imaginei que quando você me ligasse seria para falar das próximas férias – riu — E eu ficaria feliz em preparar o seu quarto, contaria ao seu pai que em algumas semanas a nossa filhinha estaria em casa.

Mais lágrimas desciam pelo meu rosto. Quando foi que eu me tornei alguém tão fechada e reservada? Quando foi que eu deixei de falar com mamãe e papai?

Deus, o que eu tinha feito com aquela menina de sorriso fácil?

— Eu sinto muito – me desculpei — Isso faz algum sentido? – perguntei.

— Baby – ela disse melodiosamente — Não precisa dizer que sente muito – completou — O que você sente é... Maravilhoso.

Então, eu não podia mais e soltei o primeiro soluço.

— Não, não é, mãe – constatei — Eu achava que eu pudesse conviver com isso sem ter o meu coração dilacerado, então, tudo foi acontecendo e agora eu simplesmente não posso mais.

— Bebê, o que está acontecendo? – ela perguntou preocupada.

Eu sabia que logo nós duas estaríamos chorando.

E, talvez amanhã mamãe aparecesse em minha porta e me fizesse confessar tudo o que eu andava escondendo dela nos últimos anos.

Comecei a contar os eventos dos últimos anos e o motivo de eu ter me mudado para Londres, além, é claro, do convite que eu recebera há alguns dias do meu irmão.

— Eu estou tentando sobreviver a tudo isso – confessei — E, ao mesmo tempo, parece que tudo vai cair em cima da minha cabeça – comentei — Quer dizer, quando foi que eu perdi o controle de tudo?

— Filha – mamãe suspirou — Você vai me odiar no próximo minuto, mas...

— Eu sei – cortei-a — Eu sei o que você vai dizer – limpei as minhas lágrimas com a manga da blusa — Eu odeio estar nessa posição, sem saber o que eu vou fazer.

Eu podia ouvir o choro baixo dela, embora ela quisesse que eu não percebesse. Meu coração se quebrou por um instante.

— Filha, talvez fosse a hora de dar um tempo – explicou — Abrir o seu coração para outras possibilidades.

Suspirei, derrotada.

— Eu não posso – confessei — Talvez jamais possa porque, em algum momento, vou acabar magoando alguém e eu não quero ser como Edward, mãe – contei — Eu não quero ser alguém como ele.

Essa era a verdade.

Talvez eu pudesse mesmo reconstruir a minha vida com Mike, mas isso me tornaria alguém como Edward.

E, honestamente, não queria isso para mim... Nunca mais.

~.~

Conversar com mamãe foi reconfortante e amenizou um pouquinho toda a dor que eu estava sentindo. Nós até demos boas risadas quando ela me contou o que papai aprontara nos últimos meses.

Ouvi a campainha e me levantei, andando até a porta para me deparar com Mike, flores, um sorriso e uma garrafa de vinho.

— Foi daqui que solicitaram SOS Pé na bunda? – ele perguntou, arqueando levemente uma das sobrancelhas.

Balancei a cabeça, deixando escapar um leve sorriso, com a atitude do meu amigo.

— Não sei se mato Jazz agora ou mais tarde – dei de ombros — Mas isso faria da minha melhor amiga uma viúva – sorri — Entra Mike.

Ele entrou em meu apartamento, colocando a garrafa de vinho na mesa de centro, olhando para o envelope que eu tinha largado ali no dia anterior e me olhou.

Então eu o encarei e dei um pequeno sorriso, afirmando que estava tudo bem, embora eu soubesse que isso era uma grande mentira, porém eu precisava que meu mais novo melhor amigo acreditasse em mim.

— Eu trouxe vinho – ele disse, quebrando o clima tenso que se instalara na minha sala.

— Eu vi – falei — Só que eu preciso te dizer que essa não é uma boa ideia – resmunguei — A minha última experiência com vinho não foi das melhores.

— Sério? – ele perguntou zombeteiro, sentando no meu sofá — Agora, eu quero saber.

Bufei e sentei-me no outro sofá, tentando afastar a lembrança.

— Envolvia muito vinho, Emmett e a sua capacidade absurda de ser engraçadinho, Edward e um jogo – expliquei.

Mike deu risada.

— Não sei se consigo te imaginar jogando verdade ou desafio bêbada.

— Hey! – exclamei — Eu não disse que estava bêbada – reclamei — E nem que se tratava de verdade ou desafio.

— Bem – ele deu de ombros — Esse é o único jogo que eu jogaria bêbado e que não me traria boas lembranças depois.

Eu ri.

— Adolescentes! – dissemos juntos, dando boas risadas.

Quando paramos de rir, eu admitira que aquela lembrança não tinha sido tão ruim, embora fosse o começo dessa confusão enorme.

Era verão e estava quente lá fora, Edward queria sair para passear, porém eu estava indisposta por causa do calor, então pedi uma pizza e disse a ele que poderia sair, se quisesse.

Você acha mesmo que vou te deixar aqui sozinha? – perguntou — Tudo bem – deu de ombros.

Tem certeza? – perguntei, arqueando uma sobrancelha — Será que Emmett vai entender? – fiz uma careta — Ele já não gosta muito de mim.

Edward parou e me olhou assustado.

O que? – perguntou, piscando três vezes.

O que sobre o que? – perguntei, desviando o assunto, dando de ombros.

Bella, que história é essa? – perguntou — Quer dizer, é claro que Emm sempre reclama da sua mania de ser certinha, mas...

Eu ouvi quando ele reclamou de mim, Eddie – confessei — Quero dizer, ele disse aquele dia para Jasper, enquanto vocês esperavam por mim e Alice.

Bella, eu...

Não, tudo bem – cortei-o — Vocês acharam que eu não ouvi porque eu voltei para o quarto para apressar Allie e fingi que estava tudo bem e...

Edward caminhou até mim, puxando meu corpo para o seu, me abraçando.

Você deveria ter me contado – falou — Não foi um comentário feliz – explicou — E eu disse isso a Emmett na festa.

Você não precisa explicar – sussurrei, me afastando dele — Para mostrar que tudo foi deixado para trás, liga para ele e o convide a vir aqui comer pizza.

Edward me olhou desconfiado, mas fez o que eu pedi.

Só que eu me arrependi completamente daquilo quando decidimos jogar verdade ou desafio. E eu torci, energicamente para que eu não fosse pega por Emm.

Olha! – Alice riu — Isso vai ser interessante!

Naquela altura, meu irmão, Alice e Emmett já estavam bêbados, Edward estava alegrinho e eu fingia beber vinho porque eu odiava, bem como detestava qualquer derivado de uva.

Verdade ou desafio? – Emmett perguntou em minha direção.

Suspirei.

Verdade – escolhi, embora soubesse que aquilo seria a minha destruição.

É verdade que você é apaixonada por Edward? – perguntou zombeteiro.

Então, todos pararam o que faziam e olharam em minha direção, em expectativa.

Não quero responder isso – falei.

Então é desafio – Jasper declarou contente.

Balancei a cabeça em afirmativa, olhando para Edward, que me encarava com uma expressão triste.

Que tal você beijar o Eddie ali? – Emmett sugeriu.

O que? – perguntei, arregalando os olhos, com o coração batendo forte.

Edward riu, levantou e fez sinal para Emmett se afastar.

Não é uma coisa tão ruim – sorriu, sentou ao meu lado, colocou as duas mãos em meu rosto e colou seus lábios aos meus.

No começo, eu fiquei sem reação, porém, acabei me entregando ao momento e devolvendo aquele beijo.

— Ele não se lembrou depois? – Mike perguntou.

Balancei a cabeça em afirmativa — Os malefícios de bebidas alcoólicas – brinquei.

— Ele é um idiota! – Mike resmungou.

Eu tinha que confessar que, apesar de tudo, Mike era um excelente amigo. Além disso, essa foi uma das melhores surpresas que eu tive ao me mudar para Londres.

Voltar para a Irlanda seria uma possibilidade, é claro, no entanto, isso me afastaria de Mike e eu acho que não estava preparada para isso, do mesmo jeito que eu não estava quando decidir deixar a minha história com Edward para trás.

— Hey – ele reclamou — Eu sei para onde esses pensamentos estão indo e hoje eu não quero drama – falou — Se eu quisesse, estaria assistindo novela mexicana.

Eu ri de seu comentário.

— Até porque a minha vida quase se compara a uma, não é? – comentei — Só que sem a parte do final feliz.

— É! – ele resmungou — Entretanto, o final feliz só não chegou porque você não quis.

Suspirei. Mike era um excelente amigo, com certeza, porém tinha cometido o erro de se apaixonar.

— Mike, eu não estou...

— Eu sei Bella – devolveu, me cortando — E eu não estou te cobrando nada, apenas estou aqui para te tirar dessa depressão que eu sei que você se enfiaria se eu não estivesse tocado a sua campainha.

— Sabe... – comecei — Eu espero que um dia você encontre alguém tão incrível quanto você, capaz de te fazer feliz – desejei — De verdade.

Ele levantou e veio para o mesmo sofá que eu estava e levou as mãos ao meu rosto, colocando uma mecha do meu cabelo para trás.

— Alguém já te disse que você é uma ótima pessoa? – Mike perguntou, com um sorriso de lado — Eu fico muito feliz por você desejar que eu encontre alguém, mas, primeiro eu preciso superar essa coisa louca que eu sinto... Essa coisa que me puxa em sua direção, Bella.

Meu coração disparou com as palavras de Mike, então, eu joguei meu corpo para trás porque meu amigo estava perto demais.

Ele segurou a minha cintura e me puxou para mais perto, então, antes que eu pudesse evitar seus lábios estavam nos meus, revivendo lembranças que eu me esforçara para deixar no meu inconsciente.

Empurrei o corpo de Mike com violência para longe de mim, me levantando do sofá, encarando-o.

— Você prometeu! – quase gritei — Você me garantiu que jamais aconteceria sem a minha permissão – eu disse com lágrimas nos olhos.

— Bella, me desculpa – ele disse — Foi... Foi... – gaguejou — Foi mais forte do que eu.

Balancei a cabeça em negativa, fechando os olhos, enquanto as palavras de mais cedo se embaralhavam na minha cabeça.

— Eu não quero ser como ele – sussurrei — Por favor, não me torne uma pessoa como Edward – pedi — Por favor, Mike.

Ele veio em minha direção e me abraçou forte — Você jamais será como ele, Bella – sussurrou.

Eu encostei a minha cabeça em seu peito, sentindo o seu cheiro e a temperatura de seu corpo, então deixei que lágrimas rolassem por meu rosto e parassem na camisa de Mike. A dor voltando ao meu peito tão forte quanto antes.

— Bella – ele pediu, afastando o meu corpo, segurando o meu queixo, fazendo que eu o olhasse — Eu preciso me desculpar por isso, é claro, não queria te fazer chorar.

Balancei a cabeça em afirmativa, entendendo o lado de Mike e voltei a apoiar a minha cabeça em seu peito.

— Obrigada por me entender – agradeci — Sempre vou ser grata por isso – afastei meu rosto de seu corpo, olhando para seus olhos azuis.

— Edward é um cara de sorte, Bella – afirmou — Vocês dois, no fim, estão destinados um ao outro e, em algum momento da vida dele, vai perceber isso – comentou — Eu só desejo que não seja tarde demais porque eu odiaria ter que quebrar a cara dele por você – sorriu — Não que essa não seja a minha vontade.

Eu ri, imaginando a cena.

Mike se afastou de mim, porém segurou a minha mão e me fez sentar.

— Sabe, eu estive pensando – comentou — Não existe nada mais reconfortante do que mandar os nossos demônios para o inferno, de onde nunca deveriam ter saído, por isso... – pegou o envelope em cima da minha mesa de centro e puxou o convite — Nós vamos fazer exatamente isso.

Eu abri a boca para falar, contudo, voltei a fechar tentando entender o que Mike queria dizer.

Meu amigo então rasgou o convite ao meio e depois mais um pouco até que o convite se tornara nada mais que pedacinhos de papel jogados no meu tapete.

— Você sabe de algum casamento? – perguntou — Porque eu realmente não sei de nenhum – sorriu.

Eu encarava meu amigo, boquiaberta.

— Vamos seguir adiante, Bella – disse — E no futuro, eu prometo, você vai rir de toda essa situação – disse.

Eu deixei um sorriso escapar, olhando para o monte de papel totalmente rasgado.

— Cumpri a minha função hoje – disse — Então, eu vou indo.

Nós caminhamos até a porta e abracei meu amigo, agradecida por tudo, mas principalmente pelo fato dele não me odiar.

Ele devolveu o meu gesto e deu um beijo em meu rosto, o que me fez sorrir, então, abri a porta para ele sair.

No minuto seguinte, me senti em queda livre, com a respiração descompassada.

Edward estava ali, na minha porta, olhando para mim e Mike.

Oh, merda!