– Parece que foi há anos a última vez que ficamos os três juntos. – falou Kurt.

O trio de amigos estava reunido no quarto do garoto, para mais uma pernoite. Muita Broadway e muita música estavam previstas na agenda. Eles procuravam aproveitar ao máximo o espaço do quarto grande de Kurt, para fazer verdadeiros espetáculos.

– Eu já estava com saudades. – Rachel concordou.

– E parece que tantas coisas aconteceram desde então. – Mercedes acabara de ouvir toda a versão de Rachel dos fatos recentes com Finn. – Você e Finn parecem estar indo bem.

– Tão bem quanto é possível. – Rachel foi até a cama, onde Mercedes estava deitada, e se sentou. – Ou seja, não muito.

– Não é verdade. As coisas progrediram. – Kurt foi até o banheiro para passar água no rosto, mas continuou falando. – O jantar com seus pais foi um passo importante.

– É, pode-se dizer que sim. – Rachel começou a riscar um papel que estava em cima da cama, na frente dela, com uma caneta. – Foi a primeira vez que eu tive que apresentar um namorado aos meus pais. Mas Finn ajudou, ele se saiu muito bem.

– Finn é o tipo de namorado que todos os pais aprovam. – Kurt voltou do banheiro, enxugando o rosto. – Bonito, alto, forte, educado, de boa família. O rapaz perfeito.

– Quase perfeito, mas nossa amiga já está cuidando disso. – riu Mercedes.

– O que quer dizer? – Rachel quis saber.

– As notas dele, claro. A ideia das aulas foi genial. Vocês vão passar ainda mais tempo juntos, mas não vai ser só para aparecer para os outros, vai ser um momento só seu e dele.

– No qual estaremos estudando, Mercedes. Não é um encontro nem nada tipo.

– Mas estarão sozinhos mesmo assim.

– Estou com a Mercedes nessa, Rachel. – Kurt sentou com elas na cama. – Vocês terão alguns momentos em particular. Mas não é só isso. Finn vai melhorar as notas e vai se sentir agradecido. Ele vai ter mais confiança em você e mais admiração.

– Eu não estava pensando em nada disso quando me ofereci para ajudá-lo. Estava pensando apenas nele, porque vi que ele estava realmente preocupado. – Rachel se levantou e começou a andar pelo quarto, sentindo-se inquieta de repente. – Sério, gente, às vezes, eu me sinto incomodada com tudo isso, como se nós o estivéssemos manipulando.

– Rachel, Finn não é nenhum bobo. Ninguém o está obrigando a nada. Tudo o que fazemos é dar um mero empurrãozinho. – Mercedes disse.

– Exatamente. Conheço Finn há muito mais tempo que vocês e sei que ele precisa mesmo de uns empurrãozinhos de vez em quando. – Kurt jogou a toalha de rosto, que estava segurando, para o lado. – Mas agora esqueçamos o Finn. Vamos para as nossas atividades de hoje.

– Eu voto nos filmes. – Mercedes exclamou, levantando o braço.

– Não, ainda não. Primeiro vamos ensaiar nossas apresentações para o Glee da próxima semana. – Rachel resolvera seguir o conselho de Kurt e esquecer Finn, nem que fosse por um momento. – Com tudo o que tem acontecido, não tive tempo para os ensaios.

– Para falar a verdade, também estou precisando focar mais nos ensaios hoje.

Mercedes fez cara de desânimo.

– É, fazer o quê? Dizem que a maioria vence.


Finn chegou em casa com as compras do supermercado, das quais ficara responsabilizado de fazer, e se dirigiu até a cozinha. Chegando lá, ele viu sua mãe e a cumprimentou com um beijo no rosto, depois de colocar as sacolas em cima da mesa central.

– Comprou tudo, querido?

– Tudo o que estava na lista que você me deu. – ele tirou um papel do bolso e entregou à mãe. – Pode conferir. Acho que não está faltando nada, mas qualquer coisa, me diz que eu volto lá para comprar.

– Tudo bem. Enquanto isso, Rachel está lá em cima com Kurt e Mercedes, se você quiser subir para dizer um oi.

– Ah, é mesmo? – Finn sabia que o certo seria que qualquer namorado subiria para falar com a namorada. – É, eu vou lá, então.

Ele subiu as escadas e se aproximou do quarto de Kurt. À medida que chegava mais perto, Finn pôde escutar os sons vindos lá de dentro. Como já era habitual, eles estavam cantando. Finn parou de frente para a porta e ficou escutando, quando percebeu que a voz era de Rachel.

Ela era mesmo espetacular. De cair o queixo. De ficar parado, escutando, por horas sem parar.

Kurt e Mercedes também eram bons, mas Rachel era algo inexplicável.

A voz dela soava limpa, pura, poderosa, vibrante, hipnotizante.

Finn não conseguia entender como o clube do coral deles ainda não conseguira ganhar nada de muito importante, mesmo tendo Rachel na equipe. Naquele momento, naquele exato momento, Finn teve tanta certeza de que ela seria uma grande estrela um dia, quanto tinha certeza de que o céu era azul. Ele já podia vê-la encantando plateias por aí afora.

Finn franziu o cenho ao se dar conta de que, nessa visão, ele estava aplaudindo de pé na primeira fileira, na noite de estreia.

Balançou a cabeça para afastar o pensamento fora de lugar e, percebendo que ela havia parado de cantar, bateu na porta. Ele a abriu e colocou a cabeça para dentro.

– Oi. – falou.

– Finn Hudson! – Kurt era o único de pé entre os três e fingiu uma expressão chocada ao ver o meio-irmão. – É você mesmo?

– Da última vez que chequei, sim, eu ainda era o Finn Hudson. – ele respondeu, irônico, abrindo mais a porta e colocando o corpo todo para dentro do quarto.

Kurt continuou a olhá-lo da mesma forma, de frente para ele.

– Mas esse é um momento histórico. – de repente, ele deu uma rápida volta de 180º para ficar de frente para as amigas. – Meninas, quando foi que Finn Hudson, em pessoa, já esteve neste quarto quando estamos fazendo nossas reuniões?

– Tive que vir. – Finn fechou a porta atrás de si. – Minha mãe falou que Rachel estava aqui e perguntou se eu não queria vir dizer oi a ela. – ele deu uns passos mais para dentro do quarto. – É o que qualquer namorado faria. Não quis incomodar.

– Você não está incomodando, Finn. – Rachel sentiu uma pontadinha no coração por ele ter dito estar ali apenas porque achava ser uma obrigação, ou alto do tipo.

Mas, afinal, no que ela estava pensando? Que ele subiria ali para falar com ela por livre e espontânea vontade? Ele nunca havia feito isso antes, não iria começar agora.

– É, a gente tá meio que num intervalo agora, eu acho. – Kurt foi até o som, que estava em cima da estante, e o desligou.

Finn se aproximou mais.

– Eu ouvi vocês cantando.

– Estávamos ensaiando para a tarefa dessa semana no Glee. – explicou Mercedes.

– Tarefa da semana? – Finn perguntou.

Mercedes afirmou com a cabeça.

– Toda semana temos uma. O Sr. Schue nos dá um tema e nós procuramos uma música de acordo com ele para apresentar.

– Humm. – Finn se sentou numa cadeira. – Parece legal.

Neste momento, Mercedes cutucou Rachel com o cotovelo. Rachel olhou para ela e, enquanto Finn falava alguma coisa com Kurt, Mercedes o indicava com os olhos.

– O quê? – Rachel perguntou a ela, mas sem emitir som algum.

– Glee Club. – Mercedes respondeu da mesma forma, ainda indicando Finn com os olhos e a cabeça.

Depois de uns segundos, Rachel finalmente entendeu à que a outra se referia e disse um silencioso "Oh". Logo após, ela fez que não com a cabeça e Mercedes respondeu fazendo que sim. Elas continuaram nessa comunicação silenciosa até que ouviram:

– O que é que vocês duas estão fazendo aí? – era Kurt perguntando.

Mercedes se sentou na cama com as pernas dobradas embaixo dela.

– Ah, é só que a Rachel queria sugerir algo ao Finn.

Rachel levantou as sobrancelhas para ela.

– O quê?

– Rachel, aquilo que você tava nos falando que queria perguntar ao Finn. Pergunta agora.

Rachel ficou abrindo e fechando a boca sem saber o que deveria fazer em seguida. Finn começou a ficar curioso.

– O que é, Rachel? – ele perguntou.

– Ah... Não é nada demais. – Rachel repreendeu Mercedes com o olhar, mas continuou a falar. – É só que... Eu estava pensando e...

– O quê? – riu Finn. – Fala.

– Sabe o que é que é? Outro dia eu te ouvi no chuveiro... Quer dizer, não que eu tivesse te seguindo até o banheiro de propósito. – ela se apressou a dizer. – O que eu quero dizer é que eu ouvi por casualidade.

Finn levantou uma sobrancelha, divertido com a preocupação dela em não fazê-lo achar que ela o estava espiando.

– Tá, mas... E?

– Você estava cantando. E então comentei com Kurt e Mercedes que você seria uma ótima adição ao Glee Club. – ela falou de uma vez só.

– Ah... – foi tudo o que Finn respondeu.

Os quatro ficaram em silêncio por um tempo, até que Finn começou a gargalhar.

– Vocês não estão falando sério, não é? – ele perguntou, mas como ninguém respondeu, ele continuou. – Eu? No Glee Club? – ele riu ainda mais alto. – Sem chance!

– E porque a ideia é tão hilariante? – quis saber Kurt.

Finn estava rindo com a mão na barriga.

– Me desculpem. Eu não queria ofender vocês nem nada. Mas eu tenho uma boa reputação a manter. – ele falou, como se aquilo explicasse tudo.

Kurt se juntou a Rachel e Mercedes na cama e os três ficaram sentados lá, olhando diretamente para Finn.

– E entrar para o Glee acabaria com ela?

– É. – Finn nem ao menos pensou duas vezes antes de responder.

O trio se entreolhou. Finn pensou que, mesmo ele tendo se desculpado, eles bem que pareciam estar ofendidos. Achou importante ratificar que essa não era sua intenção.

– Sem ofensa.

– Nós não somos o bando de fracassados que as pessoas no colégio pensam, Finn. – Rachel disse a ele, passando por cima de suas últimas palavras. – Existe muito talento no Glee Club.

– Eu sei.

Claro que ele sabia. Por acaso não fora há apenas uns poucos minutos atrás que ele estava paralisado admirando o som da voz dela?

– Os alunos do Mckinley são preconceituosos e espalham coisas que não são verdade a nosso respeito. – apoiou Mercedes. – Não somos fracassados, somos pessoas que possuem sonhos. Mas que, o que é mais importante, que possuem talento o suficiente para alcançá-los.

Kurt se juntou a elas.

– E temos orgulho do que construímos lá, por mais que seus amiguinhos queiram nos convencer do contrário.

O sermão e o olhar deles foram deixando Finn envergonhado pelo que tinha dito. Desconfortável, ele se levantou.

– Tá, me desculpem. Já saquei, tá legal? – ele colocou as mãos nos bolsos do calça. – Mas não tem chance, eu não vou entrar para o Glee. Sinto muito.

Finn se virou para sair do quarto e caminhou até a porta, sem olhar para trás.


Dois dias depois, Rachel se encontrava no campo do Mckinley High, assistindo a sua segunda partida de futebol americano. Todas as emoções que ela sentira da primeira vez, ao estar ali, estava sentindo de novo agora. Mas essa partida, pelo que Finn dissera, era ainda mais importante que a anterior, já que esse time também estava na briga pelas primeiras posições.

O time de futebol tinha mesmo muito prestígio no colégio. Rachel pôde ver vários estudantes presentes, tanto da vez anterior, quanto dessa vez. E eles de fato torciam e se envolviam com a partida e com aqueles jogadores. Era tanto prestígio que Rachel não fazia ideia de como Finn pensava que entrar para o Glee Club acabaria com a reputação dele.

Era bem verdade que todos os integrantes do New Directions eram tidos como "fracassados", mas, com Finn, a história com certeza seria outra. Rachel achava até que, se ele entrasse para o Glee, isso poderia até fazer com que outras pessoas seguissem o exemplo e entrassem também. Quem sabe assim a má fama do New Directions acabaria?

Depois da primeira vez que falaram sobre o assunto, no quarto de Kurt, eles ainda não tinham voltado a discutir a ideia. No dia seguinte àquele, Rachel acordara na casa dos Hudson-Hummel e Finn agira como se nada tivesse acontecido. Ele a cumprimentara com o já habitual beijo rápido e depois a levara para casa. Portanto, pelo menos por enquanto, Rachel preferiria fazer a vontade dele e não falou mais nada. Mas ela não tinha jogado a toalha ainda. Iria convencê-lo a entrar no Glee Club.

Tirando o pensamento desse assunto, por hora, Rachel voltou a prestar atenção no jogo. Ela estava entendendo a partida tão bem quanto entendera da primeira vez, ou seja, só conseguia decifrar o que dizia o cronômetro. Quanto ao resto, Rachel já decidira desistir de tomar conhecimento e, agora, apenas acompanhava o andamento do jogo pela reação da torcida e dos jogadores. Kurt e Mercedes, seus companheiros inseparáveis, deviam estar fazendo o mesmo.

Não demorou muito mais e o cronômetro soou, anunciando o fim da partida. O time do Mckinley ganhara novamente e Rachel se levantou para aplaudir os jogadores, junto com o resto da torcida.

– Acho que nós damos boa sorte a eles. – Rachel sorriu. – Já é a segunda vez que estamos aqui e que eles ganham.

– Se fosse há um tempo atrás, eu diria que sim. – Kurt falava, enquanto ainda aplaudia. – Mas agora que o time mudou para a treinadora Bieste, até que as vitórias são mais frequentes. Ou pelo menos é o que eu ouço Finn dizer ao papai.

– Olha, Rachel! – Mercedes interrompeu a conversa entre os dois e apontou para o campo. – Olha só, é o Finn, ele está tentando chamar a sua atenção.

Rachel olhou para o garoto ao longe e acenou para ele, achando que ele queria fazer a mesma cena da vez anterior, para chamar a atenção de Quinn. Mas, então, ela percebeu que ele não ficara satisfeito com o aceno e ainda fazia gestos para ela, querendo dizer outra coisa.

– Acho que ele quer que você desça. – falou Mercedes.

– O quê? – Rachel estava atônita.

Kurt fez que sim com a cabeça e deu uns pulinhos.

– É isso mesmo, Rachel! Desce, desce, ele está pedindo!

Rachel ficou sem ação por um momento.

– Mas por quê? – ela perguntou.

Kurt a segurou pelo braço e depois deu um empurrãozinho em suas costas.

– Só indo lá para descobrir. Vai!

Mesmo sem entender o que Finn pretendia, ela começou a descer pela arquibancada, por entre as outras pessoas, que abriam espaço para ela passar. Rachel chegou até o final e pôs os pés no campo, depois caminhou mais um pouco até chegar em Finn, que estava mais para o centro da arquibancada.

– O que foi, Finn? O que está acontecendo?

Sem responder nada, Finn a puxou pela cintura e a beijou ali, na frente de todo mundo. Mas dessa vez foi diferente. Não foi como os beijos rápidos e pequenos que eles trocaram antes. Dessa vez, Rachel sentiu maior firmeza na pressão dos lábios dele nos dela, os braços a apertando firmemente em volta de sua pequena cintura.

Finn esperou Rachel chegar até ele e, finalmente, fez o que vinha estado esperando desde o dia que tomara aquela decisão. Hoje, principalmente, volta e meia, aquele aguardado momento vinha em sua mente e ele sentia o estômago contrair de nervosismo. Finn explicara a si mesmo que aquela ansiedade era porque ele não beijava de verdade uma garota há muito tempo. E as amostras que ele tivera com Rachel só serviam para atiçá-lo ainda mais.

Sim, era isso. Esse era o motivo por que ele sentia borboletas na barriga enquanto a observava baixar as arquibancadas. E era por isso também que ele sentiu o coração bater acelerado quando juntou a boca com a dela.

Ele sentiu a respiração de Rachel, junto com o seu já conhecido cheiro de jasmim, e a apertou ainda mais contra si. Mas dessa vez ele queria mais, muito mais, portanto, entreabriu os lábios, aprofundando o beijo.

Rachel, não esperando a atitude dele, abriu a boca para expressar surpresa, foi então quando ele aproveitou e inseriu a língua entre os lábios macios, deliciando-se com o sabor doce e cálido. Ela ficou parada, surpreendida, mas depois de um tempo de hesitação, tocou, timidamente, a língua dele com a sua. Ao senti-la, Finn soltou um som de satisfação pela garganta.

Rachel sentiu o sangue subir todo para a cabeça, ao mesmo tempo em que as línguas se tornavam cada vez mais famintas uma pela outra, e dançavam juntas em harmonia. Era como se o mundo tivesse desaparecido. Ela sabia que havia várias pessoas observando, mas, naquele momento, podia não ter ninguém além deles dois que seria a mesma coisa. Rachel simplesmente não os escutava.

Ela deslocou as mãos do peito dele para a nuca e agarrou os cabelos do garoto com a mão direita, enquanto ficava na ponta dos pés, arqueava o corpo levemente para trás e o puxava ainda mais contra si. O ardor da resposta dela fez com que cada pêlo no corpo de Finn se arrepiasse.

Ele sabia que iria gostar do beijo, como não, se não parou de pensar naquilo o dia todo? Mas não imaginou que se sentiria tão atraído por aquela garota como estava se sentindo agora, enquanto as línguas brincavam juntas, sem intenção nenhuma de parar. Na mente dele, era como se só existisse ela. O mundo podia desabar naquele momento e ele sabia que não perceberia.

Mas chega um momento na vida das pessoas, no qual elas precisam tomar ar para sobreviver. E Finn lutou contra esse momento até onde pôde até que foi obrigado a se separar dela para respirar. Ele viu como ela abria os olhos lentamente, para só então fixar o olhar no dele, com expressão sonhadora. Finn ficou feliz ao perceber que pelo menos não havia sido apenas ele a ficar meio desnorteado com o beijo.

Foi só depois de alguns segundos que o barulho das pessoas voltou a entrar pelos ouvidos dele. Elas aplaudiam e vibravam até mais do que depois que o jogo terminara. Foi então que ele se deu conta do motivo para estar beijando Rachel. Era para fazer com que todos eles vissem. Principalmente Quinn.

Quinn!

Finn tinha esquecido completamente dela. Quinn era o motivo para tudo aquilo, mas Finn não pensara nela nem por um minuto até aquele momento. Que estranho.

Rapidamente, ele se separou mais de Rachel e olhou na direção que sabia que as Cheerios estariam. Quinn tinha um olhar assustador, pensou Finn. Era como se ela quisesse esganar o pescoço de alguém. Provavelmente o de Rachel. Ela parecia realmente furiosa.

Quer dizer que o plano dera certo. O beijo atingira Quinn da forma que ele esperara. Por que então ele não sentiu a satisfação que planejara sentir ao perceber os ciúmes dela? Ele só conseguia ocupar a mente com o que acabara de acontecer com Rachel. Sentindo uma súbita alegria ao pensar no beijo, ele voltou a olhar para ela.

Mas Rachel também estivera olhando para Quinn ao mesmo tempo que ele e virou a cabeça na direção de Finn, ao sentir seu olhar. Finn pensou ter visto os olhos dela brilharem com lágrimas, antes dela abaixar a cabeça e se soltar de vez dos braços dele.

Rachel tentou pensar com claridade. O beijo de Finn deixara-a encantada. Ela podia estar ali no campo de futebol, ou flutuando numa nuvem, sem poder notar a diferença. Quando os dois se separaram ela sentiu a falta da boca dele no mesmo instante. Rachel queria repetir várias e várias vezes.

Ela pensara ter visto nos olhos dele um sentimento parecido, logo depois deles terem se separado. Mas, então, ele virara a cabeça para outra direção. Rachel seguiu o olhar dele e viu Quinn.

O coração dela foi aos pés.

A nuvem na qual estivera flutuando de dispersou e ela caiu no chão. Ele fizera tudo aquilo pensando em Quinn e agora a procurava com o olhar para se certificar de que o sacrifício valera a pena.

Pelo modo como Quinn os olhava de volta, ele devia estar satisfeito. Ela estava claramente furiosa com a cena. Sim, Finn devia estar muito feliz agora. Beijá-la daquele jeito deve ter sido difícil para ele, mas o resultado fora positivo, pensou, amargurada.

A vontade de chorar foi tão forte que Rachel quase saíra correndo de lá. Mas, sem saber precisar como, ela manteve o orgulho intacto e se desvencilhou dos braços dele calmamente. Afinal de contas, aquilo era uma representação e ela tinha que manter o papel ao qual fora destinada.

E, também, ninguém mais precisava saber que o coração dela fora partido aos pedaços.


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Beijos!