CAP IX- Reencontro
(SAKURA)
A última coisa que eu esperava ver quando chegasse em casa depois de um dia de merda turbulento como hoje era a minha mãe sentada no sofá ao lado de Sasuke Uchiha como se fossem amigos há anos.
Quando seus olhos encontram-se com os meus, surge uma carranca em seus lábios.
Ai tem!
- Mãe? – minha surpresa em vê-la aqui é tanta que quase não consigo mover meus pés do lugar.
- Temos que conversar Sakura. – seu olhar demonstra que está magoada e percebo a decepção em sua voz.
- Aconteceu alguma coisa? Cadê o papai? – minha cabeça gira em todas as direções a procura de alguem mais velho de cabelos arrepiados rosa. Mas provavelmente ele não está aqui, se não já teria me agarrado pelo pescoço e eu não estaria respirando nesse momento.
- Seu pai está ótimo! Eu achei melhor que ele não viesse ou no momento você já estaria em um convento e o seu amigo aqui – diz apontando para o homem calado ao seu lado – a sete palmos abaixo da terra.
- Não entendo o que está acontecendo. O que faz aqui Sasuke? – será que ele tomou sua decisão e veio me dizer? Droga! Ele tinha que encontrar com a minha mãe? E ela tinha que vir logo hoje? Nunca tem tempo para vir porque não pode abandonar o meu pai e nem aqueles catarrentos a quem ela ensina.
Que azar da porra! Hoje realmente não é um dia em que eu deveria ter levantado da cama.
- Eu vim conversar sobre – corro em sua direção e coloco minha mão em sua boca impedindo-o de terminar. Puxo seu braço enquanto o levo em direção ao meu quarto.
Onde está aquela loira escandalosa quando se precisa?
- Não adianta Sakura Haruno. Eu sei muito bem o que está acontecendo. – travo no lugar antes que possa chegar à porta quando ouço minha mãe da sala.
Olho para o moreno ao meu lado e vejo um sorriso no canto dos seus lábios.
Esse filho da puta!
Ele não fez o que eu to achando que fez. Não teria coragem.
- Você não...
- É melhor a gente voltar. Ela não fica nada legal quando está nervosa, você sabe. – é eu sei que minha mãe pode ser um monstro quando está irritada. A questão é: como ele sabe isso?
- Como você sabe? – pergunto com um fio de voz.
- Vamos lá bolinho de cereja. Coloque sua mente para trabalhar. – seus dedos dão um peteleco em minha testa.
A merda vai feder!
- Eu não acredito que você fez isso. – corro em sua direção levantando minhas mãos em punhos para socar seu peito, porem ele segura meus pulsos quando me aproximo.
- CHEGA! – minha mãe grita – Senta nesse sofá. AGORA!
Se tem alguém com quem eu não discuto nessa vida é a dona Mebuki Haruno. É serio, ninguem vence uma discussão com ela. Meu pai desistiu há anos.
- Mãe, eu posso explicar. – quando eu era mais nova, toda vez que aprontava algo e minha mãe brigava comigo, eu fazia cara de quem estava arrependida e sempre prometia que não repetiria novamente. Bom, na época funcionava.
– Não adianta fazer essa carinha de criança arrependida. – droga! Ela me conhece bem. – Você está prestes a cometer a maior besteira que uma mulher pode fazer, meu amor. Pior ainda do que amar o homem errado. – seu olhar se dirige ao Uchiha e volta em minha direção. – Um filho é uma dádiva. Sabe quantas mulheres que são incapazes de conceber esse milagre gostariam de estar em seu lugar?
- Em primeiro lugar, eu não o amo – aponto na direção do moreno que até agora se manteve calado – Segundo, se essas mulheres querem tanto alguem de quem cuidar, os orfanatos estão cheios de crianças esperando. Não é preciso ser de sangue para ser considerado da familia, certo? Pois bem! Terceiro e ultimo – gesticulo com os dedos o numero três - esse assunto é entre ele e eu, mãe. Não é algo que possa se meter. É a minha vida que corre o risco de ser destruída. É claro que a senhora não entenderia. Nasceu para isso, sempre quis ter um bebê em seus braços. Eu sinto muito, mas eu não sou assim. Não quero isso. – um suspiro escapa por meus lábios depois de soltar tudo que estava entalado.
Lágrimas descem por seu rosto e isso faz com que eu me sinta a pior pessoa do mundo. Imagino o quanto ela deve estar sofrendo imaginando uma vida perfeita com um neto ou neta correndo por sua casa chamando-a de vovó e ela dando-lhe doces escondido antes do almoço. Sinto muito mãe, mas isso não será possível.
- Filha – suas mãos fecham-se em volta das minhas e posso senti-la tremer – você é uma mulher forte e decidida que não se deixa para baixo por nada. Inteligente e capaz de conseguir o que quer sem precisar acabar com a gravidez. – seu aperto fica mais forte – Quando fui à minha primeira ultrassom eu estava apavorada. Tinha medo de não ser boa o suficiente para você, de não ter dinheiro suficiente para te dar o que fosse necessário. De não poder te amar o suficiente ou de não poder estar lá quando você precisasse de mim. Mas quando ouvi seu coraçãozinho bater foi como se algo dentro de mim criasse vida. Alem de você, claro!
- Mamãe, por favor. – Tento impedi-la de continuar a falar, pois se tem alguem que consegue tocar meu coração com suas palavras com certeza é ela.
- Não filha, me escuta. Você tem que saber o que eu senti. – seus olhos mostram a determinaçao em expor seus sentimentos. Eu não sou o tipo de pessoa que se deixa levar por alguem. Sempre fui de opinião formada. No entanto, minha mãe sempre teve o dom de fazer-me enxergar as coisas por outras perspectivas. É por isso que ela é a única pessoa de quem tenho medo que me faça mudar de ideia sobre o assunto.
- Tudo bem mãe – decido não contrariá-la. Afinal, eu posso apenas fingir estar ouvindo, certo?
– Nasceu dentro de mim um sentimento tão forte que eu pensei que a qualquer momento poderia explodir por não ter espaço o suficiente dentro de mim para guardá-lo. Eu tive a certeza de que você seria a pessoa por quem eu daria a minha vida. Você se tornou o meu maior motivo para viver. Quando você nasceu e eu te segurei nos meus braços, não tem ideia de como me senti. Sabe, ter você aqui nesses braços – suas mãos saem das minhas e seus braços fecham-se como se segurassem algo, um bebê. – Ai sim, foi o momento em que eu vi que lutaria contra o mundo se fosse preciso, apenas para te fazer feliz. No momento em que seus olhinhos verdes se abriram e me encararam, eu percebi que a minha felicidade seria poder ver o seu sorriso e que eu jamais deixaria alguem arrancá-lo de você. Quando se torna mãe Sakura, é quando realmente nos tornamos alguém forte.
Suas palavras chegam ao meu coração como eu sabia que faria. Não consigo evitar que as lágrimas desçam por meu rosto deixando-a ver o quanto me atingiu.
- Mamãe... – meus soluços misturam-se aos dela quando jogo meu corpo sobre o seu e ficamos abraçadas.
Sinto que minha cabeça está pronta para soltar-se do meu corpo e sair decolando pela janela. Há tantas coisas a serem pensadas; tantos riscos a serem calculados.
Por que eu não me sinto tão capaz como ela tem tanta certeza? Por que o pensamento de que tudo pode acabar com a chegada dessa criança? Meu tempo teria que ser praticamente todo dela, principalmente em seu começo de vida e isso atrapalharia tudo. Essa criança se tornaria o meu foco e me desviaria de todo o caminho que tenho traçado.
O que há de errado comigo?
- Não há nada de errado com você querida. Isso é apenas medo. – a voz doce, mas ainda embargada de minha mãe invade minha mente como se ela adivinhasse onde meus pensamentos estão agora.
Sim, medo de perder tudo o que já consegui. De não ter amor suficiente pelo bebê. E pior, medo de não conseguir alcançar meus objetivos. Medo de ter uma vida igual a dos meus pais quando chegar à idade deles. Não me levem a mal, sou muito orgulhosa de quem eles são, no entanto, não quero passar o resto da vida com receio de gastar meu dinheiro por ter que pensar nas contas do fim do mês.
Eu sempre soube que não tenho o lado maternal que normalmente as mulheres têm, pelo menos eu achava que não tinha. Até que em uma dessas madrugadas de enjôo e insônia, eu comecei a imaginar como seria seu cabelo, se seus olhos seriam verdes e transparentes como os meus ou tão negros e sombrios quanto os do pai.
No entanto, esses pensamentos caem por terra quando percebo que mesmo estando curiosa sobre esses fatos não me vem a vontade de manter essa gravidez. Eu nem consigo me imaginar com uma criança que seja minha. Eu não me vejo com uma familia essa é a verdade. A quem estou querendo enganar? Embora eu ame meus pais, os meus amigos e a futura profissão a qual quero seguir, definitivamente não tenho o amor maternal dentro de mim.
Coloco fim ao abraço e seguro o rosto da pessoa que mais amo nessa vida entre minhas mãos. – Mãe – busco olhá-la nos olhos – eu sinto muito, mas não tenho esses sentimentos dentro de mim. Não terei esse bebê, já está decidido. – levanto-me do sofá e vou em direção à cozinha.
Meu corpo pede por água, banho e cama. E é o que pretendo dar-lhe depois que acertar de vez os detalhes com o Sasuke.
- Acontece que não é só você que tem direito a essa decisão. Afinal, o filho não é apenas seu. – ouço a voz do Uchiha quando este entra no cubículo onde Ino, e às vezes eu, preparamos a comida.
- Bom, o corpo é meu então acho que faço com ele o que eu quiser não? Por exemplo: transar com um desconhecido na cabine de um banheiro. – meus lábios formam-se em um sorriso de escárnio. – Mas você está certo, o filho não é só meu por isso fui à procura da sua ajuda. Mas você disse que precisava ter certeza do que eu estava falando e me fez esperar.
- E eu estou aqui para te dar a minha resposta. – seu rosto sem expressão e seus olhos sombrios não me deixam saber o que se passa em sua cabeça.
- Pois bem! Pare com esse suspense ridículo e diga logo. – minha voz praticamente suplica para que sua resposta seja o que estou querendo.
- Não vou te ajudar a tirar. Na verdade, eu não vou permitir que o faça. – eu não to acreditando no que esse maldito está falando. Isso só pode ser algum tipo de castigo do destino.
- Você é burro ou o que? Que era idiota eu já sabia, mas não sabia que tinha um lado mula. – minha voz cresce um décimo acima. Estou quase gritando.
- Como é? – percebo que salta uma veia acima de sua sobrancelha esquerda. Parece que descobri uma forma do "Senhor Todo Poderoso" esboçar alguma reação.
- Isso vai atrapalhar não somente a mim, mas a você também. Você também não quer ter filhos, principalmente com uma pessoa que nem conhece. – as palavras fluem sem que eu possa por um fim. – Vai que de repente eu tenho alguma doença ou até você que não sabemos?
- Nenhum de nós dois tem doenças. Eu posso provar. – como ele? Ah, é claro que ele investigou até mesmo essa parte da minha vida. Será que ele sabe do furúnculo que tive na bunda?Pior, e se souber até com quem foi minha primeira vez? É isso que acontece quando você diz a alguem que ele pode investigar quem esteve na sua cama.
De repente seu corpo entra em movimento e vejo-o vir em minha direção, mas não consigo sair do lugar. Quando nossos corpos estão perto o suficiente, seus dedos prendem meu queixo entre eles e erguem meu rosto para que eu possa olhá-lo nos olhos. – A gravidez pode não ter sido planejada, mas não sou do tipo de homem que foge de suas responsabilidades, Senhorita Haruno. E agora, você e essa criança tornaram-se isso.
Tento soltar meu rosto, mas seu aperto fica mais forte. – Eu não quero isso. Já tomei minha decisão. Disse que se você não fosse me ajudar, eu faria tudo sozinha. – empurro seu corpo para longe e corro em direção à sala, onde encontro minha mãe abraçada com uma das almofadas.
- Então você não me deixa outra escolha. – seus braços cruzam-se sobre o peito e sua pose mostra-me que eu não vou gostar do que estar por vir. – Se der fim a essa gravidez eu mandarei prender você.
Mas que porra é essa?
