Essa história não é minha, mas sim da autora Skeezon. Eu apenas a traduzo.
Entrei no encontro semanal na segunda de manhã com minhas notas e algumas ideias do brainstorm de sábado. Olhei ao redor, vendo que eu era a única pessoa que tinha trazido alguma coisa e instantaneamente me perguntei se eu pareceria uma puxa saco sem tamanho.
Leah começou a reunião sem Edward e explicou em detalhes o produto com o qual iríamos trabalhar. Recebemos as especificações e os prazos de entrega esperados. Ela nos entregou alguns formatos de slogans que o departamento de vendas tinha feito e nos encorajou a usá-las como inspiração. Cada um de nós deveria trabalhar separadamente por um dia e voltar amanhã para uma crítica grupal.
Edward entrou na sala justamente quando Leah estava perguntando se tinhamos perguntas. Meu coração acelerou exponencialmente e meus olhos não conseguiram se controlar rápido o suficiente. Mesmo que, na minha mente, eu tinha me convencido em desistir e largá-lo, eu não conseguia controlar a reação do meu corpo à sua mera presença.
- Qual é o público alvo desse produto? – Eric perguntou.
- É, e qual a abrangência da campanha?
- O público alvo são garotas pré-adolescentes entre as idades de oito e doze, na maioria. Alguma coisa para jovens adolescentes, também. Eles estarão divulgando isso pelas billboards, revistas e internet, então mantenham isso em mente. – Edward respondeu.
Todos assentiram, tomando notas. – Alguém se inspirou durante esse fim de semana e trouxe ideias para a reunião? – ele perguntou. Olhei ao redor da sala e todos estavam tentando desaparecer, como na escola quando o professor perguntava algo e ninguém sabia a resposta. Tentei esconder os papeis que eu tinha trazido, mas Tanya me viu e chamou a atenção de todos.
- Oh, veja! A Bella trouxe. – ela disse enquanto agarrava meus papeis e deslizava eles na direção de Leah e Edward. Leah deu uma olhada cuidadosamente enquanto Edward encarava Tanya com um olhar irritado. Ele pegou os papeis, virou-os rapidamente e então os devolveu para mim.
- Bella, essas ideias parecem ótimas. Acho que você está com um bom – Leah começou, mas foi interrompida quando Edward colocou a mão no braço dela.
- São um ponto de início decente. Vamos ver o que se desenvolve. – Edward disse simplesmente.
Concordei, tentando processar o que tinha acabado de acontecer. Todos começaram a reunir suas coisas e retornar para suas mesas. Enquanto eu assistia todos eles mergulhando imediatamente no seu trabalho, não consegui evitar ficar sentada, ruborizada e confusa outra vez. Leah gostava das minhas ideias, mas Edward não. Então, o que eu faço agora?
Sem muita certeza de onde começar, decidi fazer uma pausa de 15 minutos para tomar um ar no terraço com os fumantes. Nada como fumaça, mesmo que indiretamente, para estimular o cérebro, certo?
Saí pela porta pesada direto no terraço, para encontrar algumas pessoas fumando e conversando casualmente. Encontrei uma mesa vazia e me sentei, desejando que eu tivesse trazido algo para me distrair. Olhando a vista da cidade, eu podia ver os arranha céus fazendo contraste no claro céu azul. O vento era bastante forte aqui em cima, então eu fechei os olhos, deixando meu cabelo voar no meu rosto e se embaraçar.
- Oi Bella. – Ouvi uma voz feminina e animada dizer.
Abri meus olhos para ver Kate e Tyler parados ali, tentando acender seus cigarros entre as rajadas de vento. Finalmente com sucesso, cada um deles deu uma puxada e eles se sentaram na minha mesa.
- Oi. – respondi automaticamente.
- Você não fuma, fuma? – perguntou Tyler.
- Não. Eu só precisava de um ar, acho.
Os dois assentiram e puxaram mais uma vez. Ouvi-os falarem sobre a pressão de ter que ser criativo com um prazo de entrega pairando sobre suas cabeças. Kate disse que ela normalmente formula seis ou sete ideias até encontrar um que goste para então redirecionar todo o conceito para que se ajuste a ela. Tyler disse que normalmente sua melhor ideia é a primeira, mas que ele tenta conseguir mais ideias, para o caso de precisar. Não contribuí para a conversa de jeito nenhum. Apenas sorri e assenti e finalmente me despedi quando meu tempo acabou.
Quando cheguei de volta à minha mesa, decidi continuar com minhas ideias do final de semana. Pensava que elas eram ótimas e Leah também. Se Edward gostava delas ou não, seria minha contribuição oficial para conseguir o cliente.
Trabalhei na minha mesa o dia todo, criando dois painéis para trazer a reunião na terça. Às cinco horas, coloquei-os embaixo da minha mesa e fui para casa, completamente satisfeita com meu esforço.
Terça, eu cheguei à reunião e deixei meus painéis virados para baixo na mesa de conferência. Notei que todos os outros tinham feito a mesma coisa. Leah e Edward entraram juntos e começaram a reunião.
- Ok, é assim que nós iremos fazer isso. Cada um de vocês irá passar seu trabalho para a direita, essa pessoa vai escrever notas na parte de trás, com seus pensamentos ou críticas. Vai continuar a ser passado até que vocês recebam seu trabalho de volta e então vamos olhá-los juntos, como um grupo, para ver quem foi melhor. – Leah explicou.
Peguei meus painéis, virei-os e então passei para Tanya. Todo mundo seguiu as instruções e a sala se tornou incrivelmente silenciosa. O único som era o fraco ruído das canetas contra a superfície dura dos painéis. De vez em quando, eu levantava os olhos para encontrar a pessoa com o meu trabalho e olhava-os escrevendo suas notas. Alguns escreviam algumas palavras, outros escreviam um parágrafo. Segurei minha respiração enquanto meu trabalho era passado de Leah para Edward.
Assim que ele reconheceu-o como meu, levantou seus olhos e me pegou olhando. Ele ofereceu um pequeno sorriso e eu imediatamente baixei meus olhos para o trabalho que eu estava criticando.
Quando meus painéis chegaram de volta para mim, virei-os para ler as notas. Quase todas eram positivas. Algumas tinham menções para suavizar as cores, proposições malucas para que eu incorporasse os slogans do pessoal das vendas e uma geral aprovação da minha fonte escolhida.
Tinham duas notas que se sobressaiam, contudo. Claro, bem no topo, Tanya tinha escrito ' Muito infantil. Lembre-se do seu público alvo. ' E próximo da beira, a caligrafia familiar de Edward com ' Conceitos novos e imagens criativas, design excepcional. '
Depois de duas horas de deliberação, discussões acaloradas e uma votação grupal, Edward e Leah anunciaram que estaríamos combinando o meu trabalho com o de Eric para a ideia final. Leah liberou todos e pediu que Eric e eu ficássemos para trás para criarmos algo com Edward.
Ela disse com Edward? Deus, dê-me forças.
Eric e eu fomos para o fim da mesa perto de Edward, para que pudéssemos discutir mais coisas. Decidimos que partes usar do meu design e quais pegar de Eric. Já que a maioria do conceito seria minha, eu seria responsável pelos painéis finais. Edward explicou que Eric e eu teríamos que trabalhar somente nesse projeto até o dia da entrega, sexta de manhã.
Admito que era difícil ficar tão perto de Edward, respirando o mesmo ar, dividindo o mesmo espaço. Consegui me manter calma só olhando para ele quando necessário e focando minha atenção tanto nos meus painéis ou em Eric. Observei suas mãos apertadas enquanto ele falava e tentei não me lembrar como elas faziam meu corpo responder.
Edward deu uma olhada em seu relógio. – Bom, é hora do almoço. Vocês podem ir. Bella, fale comigo amanhã para me mostrar o seu progresso.
Eric saltou da sala, me deixando recolher todas as nossas anotações. Notei que Edward não fez movimento algum para sair. Ao invés disso, ele me assistiu guardar todos os painéis e papeis. Quando eu tinha tudo reunido, me virei para sair, parando quando o ouvi chamar meu nome.
-Bella.
Exalei audivelmente, sentindo meus ombros caírem. – Sim?
- Ótimo trabalho.
Virei a cabeça para olhar para ele agora, que estava com um sorriso genuíno para mim. Isso me derreteu e eu suspirei e voltei para a sala, fechando a porta.
- Você acha mesmo?
- Claro. Você é muito talentosa, Bella. – ele disse suavemente, enquanto sinalizava para a cadeira ao seu lado.
Não querendo ser vítima daquele sorriso de lado dele, fechei meus olhos e respirei fundo. Não importava o quanto me doía ficar perto dele, eu apreciava sua opinião profissional e sabia que ele seria um ótimo mentor.
- Eu sei. – respondi, tentando exalar calma.
- Autoconfiança complementa você. – Edward sussurou na sala vazia.
Abri meus olhos para vê-lo sorrindo e me procurando com aqueles olhos verdes penetrantes. Sentei ao lado dele, mas rolei minha cadeira alguns centímetros mais longe dele. Deslizei os painéis na minha frente e tracei o slogan com o meu dedo indicador.
- Não tenho certeza sobre a fonte e o lugar do slogan. – minha boca disse enquanto meu cérebro gritava 'fale comigo, Voz Angelical. '
- Tente alguma coisa mais moderna, talvez Century Gothic. – ele respondeu enquanto se inclinava e analisava a propaganda.
Ele puxou o painel para perto de si, para que ficasse diretamente entre nós, traçando o dedo pelo slogan como eu tinha feito. Pateticamente, parecia que ele estava me tocando, sem realmente fazê-lo.
- Eu dei uma olhada no seu currículo e portfólio, sabe, de quando você foi contratada. – ele disse com um sorrisinho.
- É? Por quê?
- Curiosidade, acho. Não é comum para a minha mãe contratar alguém que acabou de sair da faculdade, especialmente para o Departamento Gráfico. O seu portfólio é impressionante, mas você deve ter realmente encantado Esme.
- Você sempre chama sua mãe de Esme?
- Sim, desde criança. Ela nunca pareceu se importar.
- Há! Minha mãe teria me dado uma bela de uma surra. – eu cuspi, então imediatamente tapei minha boca com a mão. – Desculpa. – eu disse ruborizando, enquanto Edward ria.
- Tudo bem, Bella. Somos só nós. – ele disse enquanto deslizava sua cadeira mais perto, encostando-a contra a minha. Respirei fundo, tentando acalmar meus nervos e endurecer meu autocontrole. – Você sabe, meu amigo Rob fica me enchendo o saco sobre você.
-Ahn? Por quê?
- Ele queria saber se você era solteira e me implorou pelo seu número em mais de uma ocasião. – ele disse sorrindo.
- O que você disse para ele? – perguntei, ignorando o rubor esquentando minhas bochechas.
- Eu disse que você era casada com um lutador de boxe profissional, com quatro filhos. Ah, e que o seu pai era um policial louco portando uma arma. – ele respondeu com um sorrisinho.
Não consegui evitar a risada. – Não sei sobre a parte do louco, mas meu pai é um chefe da polícia portando uma arma.
O sorriso de Edward imediatamente desapareceu e eu assisti-o engolir em seco.
- Ah, droga. Acho que eu não fui muito longe então.
- Hm, exceto pela parte dos filhos e do marido lutador de boxe. Se eu quisesse drama desse jeito, eu apenas leria um bom livro. Não sou muito atraída ao tipo 'violência gratuita. ' – provoquei.
- Você gosta de ler? – ele perguntou rindo.
- Claro. Amo os clássicos e, é claro, qualquer coisa de Jane Austen.
- Hmm, eu não tenho muito tempo para ler... – ele disse enquanto olhava fundo nos meus olhos. – Mas um livro em especial tem atraído minha atenção ultimamente. – Levantei as sobrancelhas em pergunta.
Senti sua cadeira mexendo e seu corpo se inclinou na direção do meu, sua respiração quente no meu ouvido. Foi então que eu ouvi as palavras familiares pingando dos seus lábios. As palavras que eu tinha lido em voz alta no meio de prateleiras empoeiradas e cortinas de contas plásticas.
A flor de ti, as pétalas sedosas,
Estão presas na minha pele sensível;
Minha alma delicada está encharcada com você:
A sua memória é como a minha tatuagem.
Um gemido involuntário escapou meus lábios e eu me amaldiçoei por querê-lo tanto. Ele girou minha cadeira para que eu encarasse-o e levantou a cabeça, olhando nos meus olhos. Não sei se eu queria impedi-lo ou incentiva-lo, mas ele fez a decisão por nós dois.
Os lábios dele se encontraram com os meus, sua língua instintivamente dominando a minha boca. Senti suas mãos me segurando com força e me deleitei no calor e no carinho familiar. Beijei-o de volta. Tomei o que eu precisava dele. Enrolei minhas mãos no seu já bagunçado cabelo cor de bronze e puxei com força, querendo amá-lo e machucá-lo ao mesmo tempo.
Edward se levantou, me puxando junto, e me sentou na mesa de conferência. Suas mãos exploraram meu corpo, e cada lugar que ele tocava queimava de desejo para ser seu de novo. Elas deslizaram pelas minhas coxas, puxando o tecido da minha saia. Mordi e suguei nos seus lábios enquanto ele ia cada vez mais longe, passando a ponta dos dedos contra o algodão ensopado da minha lingerie.
- Edward. – eu gemi suavemente no seu ouvido.
- Mmm, diz o meu nome de novo. – ele implorou.
E mesmo que ele não merecesse isso, eu o obedeci. Minha mente se entregou a ele e meu corpo se submeteu ao seu toque. A outra mão de Edward estava pressionada firmemente contra a parte mais baixa da minha coluna, me puxando mais perto do seu desejo necessitado. Minhas pernas tremeram incontrolavelmente enquanto elas eram apertadas contra a sua calça social preta.
Ouvi vozes vindas do outro lado da porta da sala de conferência e isso bastou para que eu quebrasse o encantamento de Edward. Me xinguei por ter deixado acontecer sem nem pensar que poderíamos ter sido pegos. Empurrei-o com força, forçando ele a se levantar ereto e tirar suas mãos perfeitas de mim. Rapidamente pulei da mesa e puxei minha saia para baixo, ajeitando-a da melhor maneira possível.
Edward começou a reunir os papeis e painéis da mesa enquanto eu me ajeitava. Quando ele me encarou, quase me encolhi do jeito que sua boca se contorcia em uma carranca. Que venha o arrependimento.
Tirei as coisas das mãos dele, segurando-as na frente do meu peito, com esperanças de que elas me protegessem do olhar de Edward.
- Bom, obrigada pela sugestão de fonte, eu vou tentá-la. – peguei minhas coisas e andei na direção da porta para escapar rapidamente.
Quando minha mão alcançou a maçaneta, ouvi sua voz baixa me chamando.
- Bella.
- Sim? – respondi tentando soar indiferente, querendo que ele me dissesse todas as coisas que eu desesperadamente queria ouvir. Por favor, me diga que você me quer, me conte os seus segredos. Me peça para ficar.
- Parabéns pela campanha.
- Obrigada, chefinho. – bufei enquanto saia da sala, deixando Edward e sua linda carranca para trás.
Àquela noite, dei as boas noticias a Alice e Rosalie, guardando meu rendezvous¹ no escritório para mim mesma. Decidimos celebrar o acontecimento com jantar no nosso restaurante italiano favorito. Depois de pedirmos nossa comida e vinho, as garotas brincaram sobre o garçom gato e seus braços deliciosos. Não consegui evitar me sentir um pouco triste quando vi as tatuagens nos seus antebraços. Será que eu associaria para sempre tatuagens com Edward Cullen?
- Falando de braços deliciosos, você já falou com James de novo? – Alice perguntou, fingindo entusiasmo.
- Não. Não ouvi dele desde o nosso encontro.
- Tenho certeza de que ele vai ligar logo. – Alice respondeu.
- Sem preocupações. Tivemos um encontro maravilhoso e eu adoraria vê-lo de novo, mas se ele não ligar, tudo bem.
- Sério? – Rosalie falou.
- É. Eu quero dizer, eu ficaria desapontada, mas lidaria com isso. Talvez eu não seja a garota certa para ele, sabe?
- Ou ele não é o cara certo para você. – ouvi Alice murmurar baixinho.
Lancei um olhar para ela, avisando para que me deixasse em paz. Graças a deus, ela fez isso.
Na quarta feira, James ligou. Ele queria almoçar essa semana, mas eu disse que eu estaria muito ocupada trabalhando na grande campanha. Ele me parabenizou e me convidou para sair no sábado então. Eu disse que sim e desliguei extremamente satisfeita, sentindo que depois de vários desvios e obstáculos, minha vida finalmente estaria encaminhada na direção certa. Que era longe do Deus do Sexo Tatuado Voz Angelical Cavaleiro em Armadura Brilhante.
Sexta de manhã, adicionei os toques finais nos nossos designs e trouxe os painéis até o escritório de Edward para a aprovação final. Eu tinha uma relação de ódio/amor com aquele escritório. Amava o fato de ser tão pequeno e pessoal e cheirar exatamente como ele. Odiava o fato de ser tão pequeno, pessoal e cheirar exatamente como ele.
- Esses estão maravilhosos. Nossa reunião com a KaNeTix é as 10h. Se conseguirmos a luz verde nessa campanha, você irá trabalhar diretamente com o pessoal de marketing deles. – Edward disse enquanto olhava meu trabalho cuidadosamente. Não deixei de notar que ele não olhou para mim nem uma vez. Assenti para ele, forçando um sorriso. – Eu vou estar lá com o Diretor de Vendas para responder quaisquer perguntas que eles podem ter sobre o design. Tem alguma coisa que você quer ter certeza que eu inclua?
- Não. Acho que fala por si só. – respondi confiante.
Ele me deu o seu sorriso de lado e concordou com a cabeça. Me virei para sair do seu escritório, apenas para ouvi-lo limpar a garganta alto quando eu alcancei a porta. Me virando para ele, vi-o levantar as sobrancelhas em expectativa.
Revirei os olhos e murmurei as palavras que eu sabia que ele estava esperando.
- Tchau, Edward.
Ele sorriu de novo e eu saí do escritório antes que ele pudesse me ver sorrindo de volta.
O resto do dia foi gasto na minha mesa, nadando em um mar de esperança. Esse poderia ser um momento gigantesco para a minha carreira e eu tentei manter uma atitude positiva. Visualizei coisas tremendas para o meu futuro, promoções e prêmios marcando o meu sucesso. Nas minhas visões, eu via meus amigos ali, compartilhando esses momentos importantes comigo. Em todos os cenários, contudo, eu estava sozinha. Nenhum grande amor para compartilhar as celebrações, nenhum parceiro no crime para festejar comigo, nem mesmo um amigo colorido para me manter satisfeita.
Uau. Até mesmo em sonhos eu era uma arruinadora de relacionamentos.
Eric e eu fomos almoçar juntos, falando animadamente sobre a possibilidade de conseguir essa grande conta e o que significaria para nossas carreiras. Nos soávamos como garotinhas adolescentes, rindo e sonhando com o futuro.
- Ahh e o chefinho, hein? – congelei com as palavras de Eric e ajustei a minha expressão para que não parecesse que eu tinha acabado de molhar as calças.
- Hm?
- O Junior, eu quero dizer. Ele é tão gostoso, meu deus, que eu daria um banho de língua nele. – ele riu de si mesmo e deu uma mordida no seu almoço.
Eu mal sorri e brinquei com o meu guardanapo nervosamente. – Hm, é, ele é bonitinho, eu acho.
- Bonitinho? Garota, se ele jogasse para o meu time, eu já teria montado nele na mesa de conferência e vendido ingressos para o evento.
Não consegui evitar a gargalhada imaginando a cena.
- Hmpf, bonitinho. – ele fez cara de nojo para mim de brincadeira. – Ele é bem mais do que bonitinho. Só estou dizendo.
- Ok, ok. – eu ri e concordei com a cabeça, não dizendo mais nada, por medo de que a minha boca não fosse capaz de parar se eu começasse a descrever o que eu mais gostava no chefinho.
- Mas, eu quero dizer, olhe pra você. – parei de mastigar e levantei minhas sobrancelhas. – Você é bem bonitinha também, uma espécie de Betty¹ gostosa.
Revirei os olhos e engoli minha comida. – Obrigada, Eric. Mas todos nós sabemos que a bela do escritório é a Tanya Denali.
- Coisa nenhuma! Aquela Barbie é tão plástica. O cabelo, as unhas, os peitos... tudo falso. Ouvi dizer que ela fez plástica no nariz e lipo, também. – dei outra mordida sem reagir às suas palavras. – Além disso, ela é pura maldade por dentro e isso a faz tão feia quanto uma Amy Winehouse desdentada e viciada em crack.
Eric e eu voltamos para o escritório, ainda rindo. Ele era um cara muito divertido e eu imediatamente aproveitei o tipo de 'atenção sem pressão' que nós tínhamos desenvolvido na última semana.
Eric parou na frente da porta do escritório de Edward, vendo que ele estava de volta da reunião, e me puxou para dentro. Imediatamente apaguei meu sorriso quando os olhos de Edward passaram por nós, nos estudando cuidadosamente, finalmente parando em nossas mãos dadas.
- Então, chefe, qual a resposta? – Eric perguntou, praticamente dando pulinhos.
- Eles disseram que vão nos deixar saber até a próxima sexta. – ele respondeu simplesmente.
- Uma semana inteira. – eu e Eric gritamos em uníssono.
Edward finalmente deu um sorriso e assentiu. Eric gemeu e me puxou na direção da porta. Olhei de volta para ver Edward nos assistindo com seus lindos olhos verdes e eu quase sorri para ele. Quase.
- Bella! Você está em casa! Eu vou fazer o jantar, e então nós vamos para o Record Room. Tire essa roupa de escritório e coloque uma roupinha 'sou necessitada, não desesperada'. – Alice falou quando eu passei pela porta.
- Você vai cozinhar? – eu perguntei em choque e horror.
- Bom, eu vou ajudar, enquanto Jasper cozinha.
- Ah, então tudo bem. Fiquei assustada por um minuto.
Alice riu. – Eu não faria isso com você. Além do mais, Jasper é um ótimo cozinheiro. – Concordei enquanto eu largava minha bolsa na bancada. – É a segunda melhor coisa que ele faz.
Revirei os olhos e ri enquanto eu ia na direção do meu quarto. Era tão bom ver Alice e Jasper tão felizes. Eles estavam juntos por tanto tempo, passando pelo Ensino Médio e pela faculdade, em cidades diferentes e tendo brigas incontáveis. Mesmo assim, eles ainda estavam juntos, fortes, inquebráveis e completamente apaixonados.
Quando Rose e Emmett chegaram, todos nós comemos a lasanha fantástica que Jasper tinha feito. Eu juro, se ele não pertencesse a Alice, eu já tinha roubado esse homem há muito tempo atrás. Mas, ele era feito para ela. Era o Yin para o Yang dela, o Choo dos seus Jimmy Choos.
Fiquei aliviada quando o pôster anunciando as performances da noite no Record Room não continha o nome de Edward nele. Eu tinha esquecido de checar se Edward ia tocar hoje a noite e estava agradecendo aos poderes maiores que a resposta era não. Algum cara, conhecido como Sharpie² era o primeiro. Sério? Ele pensava que era legal o suficiente para nomes únicos, como Madonna ou Cher, com o nome de uma canetinha mal cheirosa? E, depois dele, vinha a banda chamada Forks.
Conseguimos um lugar no bar e fizemos nossos pedidos. Jasper comprou uma rodada de shots chamados Terminadores, que tinham gosto de pum, mas me deixaram tonta em 2.7 minutos. Sentei bebericando meu drink, enquanto Sharpie dominava o palco. Ele era um cara estranho com uma voz decente e um grupo bem grande de seguidores. Ele dançava pelo palco esbarrando nos equipamentos e derrubando o microfone. Fiquei impressionada quando as pessoas aplaudiram isso. Bom, ele nos divertia, pelo menos.
- Que porra esse cara fumou? – Emmett perguntou, olhando o palco.
- Provavelmente alguma maconha sul-americana que cresce em um campo, no meio de um vale de uma montanha peruana que só é fertilizada pelas fezes de iguanas. – Rosalie respondeu.
Todos nós viramos para Rosalie, olhando para ela como se ela tivesse recitado a raiz quadrada de PI ou alguma merda.
- O quê? Eu vi na TV. – ela disse.
- Você é uma tarada em Discovery Channel. – eu disse, rindo.
Nossa conversa foi interrompida por aplausos e eu estava mais do que alegre de ver Sharpie fazendo seus últimos agradecimentos e saindo do palco. Uma voz grossa veio no microfone e introduziu a banda. – Gatinhas e cachorrões, por favor, recebam ao palco, Forks!
Houve uma rodada de aplauso e eu assisti os três membros da banda entrarem no palco, imediatamente reconhecendo-os. April, Joey e Jason. Empata-fodas 1, 2 e 3. Puta que o pariu. Se eles estavam aqui, isso significava que Edward também estava.
Rapidamente esvaziei meu copo e desci do banco em pânico.
- Não estou me sentindo bem. Vou para casa.
- O quê? Porque você vai embora? – Alice perguntou.
- Eu... Eu só tenho que ir. – coloquei minha bolsa embaixo do braço e praticamente corri para a porta, deixando meus amigos confusos.
Cheguei rapidamente na porta, voando pelas portas e batendo direto em uma parede de Edward Cullen. Um pequeno murmúrio saiu dos meus lábios quando eu derrubei minha bolsa e assisti todas as minhas coisas se espalhando pela calçada.
- Merda! – me ajoelhei e comecei a recolher minhas coisas, enfiando-as de volta na bolsa.
Edward se ajoelhou também e pegou meu telefone e um cartão que tinha caído da minha carteira. Ah meu deus, não! Não esse cartão! Me encolhi enquanto ele virava-o e via que era o cartão que ele tinha me dado junto com a camisa que ele tinha comprado para mim. Era o cartão que tinha o seu maravilhosamente verdadeiro apelido, escrito na sua própria caligrafia.
Nós dois nos levantamos enquanto eu tentava diminuir minha mortificação. Ele passou o dedão lentamente sobre as palavras no cartão, ajeitou-o em cima do meu celular e devolveu ambos para mim.
- Obrigada. – eu disse enquanto enfiava-os de volta na minha bolsa e saía de perto dele.
- Você está indo embora? – ele gritou, alguns passos atrás de mim.
- Sim.
- Por quê?
Me virei para encará-lo e respirei fundo. – Porque, eu reconheci os seus amigos ali e achei que você ia aparecer. Porque, eu não posso ficar no mesmo lugar que você sem querer estar com você. – amaldiçoei a porra das estúpidas lágrimas que deslizaram pelo meu rosto e no meu colo. Seus olhos foram para os meus lábios quando eles tremeram.
Edward abaixou a cabeça e coçou a nuca. – Não acredito que eu deixei isso ir tão longe. Fique, por favor, Bella.
- Não consigo, Edward. Cinco dias por semana é tortura o suficiente, você não acha?
Limpei minhas bochechas e fiz sinal para um táxi. Quando um parou, Edward correu e abriu a porta para mim. Eu nem olhei para ele enquanto entrava, eu não pude. Estava envergonhada e embaraçada de ter revelado tanto. O táxi arrancou e quando chegamos ao fim da quadra, me virei para olhar pela janela de trás. Ele estava parado ali onde eu tinha deixado-o, me vendo ir embora.
Sentei de volta no meu assento, cruzei os braços no peito e sussurei, - Adeus, Edward. – só para mim mesma.
Em casa, tirei minha maquiagem e coloquei calças de yoga e uma regata. Passei pelos canais de TV deitada na cama. Infocomercial, seriados policiais, reality shows, música country, igreja, infocomerial de novo. Gemi em frustração. Onde estava a porra do Diário de uma Paixão quando se mais precisa dele?
Deixei no reality show, que era mais do que ridículo, mas perfeito para um passatempo. Eu devo ter adormecido, porque pulei quando ouvi a porta da frente do apartamento bater. Engatinhei para fora da cama para encontrar os quatro rindo bêbados na cozinha.
- Cara! Isso foi fantástico! Eu queria ter filmado essa merda pro YouTube ou algo assim. – Emmett disse enquanto dava risada.
- O que aconteceu? – perguntei alto o suficiente para conseguir atenção.
Todos eles ficaram quietos e viraram para me encarar. Por alguma razão, todos eles estavam com a mesma expressão culpada.
- Uhh... – Jasper começou, mas então olhou para Emmett e Rosalie. -... nada?
- Porque isso soou como uma pergunta? – perguntei enquanto Jasper dava de ombros inocentemente.
- Alice Brandon, porque você está se escondendo atrás de Jasper? Saia daí e me diga o que aconteceu!
Alice saiu de trás de Jasper, batendo os cílios para mim e fazendo biquinho.
- Eu te amo, Bellie. – ela disse baixinho.
- O que você fez? – Eu nunca tinha visto Alice tão quieta em toda a minha vida. Ela mastigou seu lábio inferior enquanto os outros três encaravam-na. – Puta merda, Alice, fala logo!
- Eu meio que dei um soco no seu chefe. – ela falou rapidamente e então voltou à sua posição atrás de Jasper.
- VOCÊ O QUÊ? – eu gritei para todos eles.
Todos começaram a gargalhar de novo, Rosalie apertando a barriga e Emmett literalmente caindo no chão.
- Bem, o que aconteceu foi que... – Rosalie disse entre gargalhadas. – Alice viu Edward entrar logo depois que você tinha saído, então ela entendeu que ele era a razão de você ter ido embora correndo. – Ela começou a rir de novo e não pode continuar.
- Então, Alice marchou até ele e começou a gritar, dizendo que ele era um idiota medroso e não sei mais o que. – Jasper terminou. – Ele não disse nada, Bella. Ficou ali parado, ouvindo Alice acabar com ele. Então ela começou a gritar, dizendo para ele: 'Diga alguma coisa, seu bosta de galinha!' e quando ele não disse nada...
- Eu dei um soco na boca dele. – Alice interrompeu, ainda na sua posição atrás de Jasper.
Meu queixo caiu e eu fiquei parada, desacreditando no que eu ouvia.
- Que porra, Alice? Você está tentando fazer com que eu seja demitida? – eu gritei para ela.
- Bellie, você deveria ter visto. Foi um tipo de posição do Tigre Agachado, Dragão Escondido. Quer dizer, é uns trinta centímetros mais alto do que Alice, então ela teve que pular, ficar no alto e dar um soco nele ao mesmo tempo. Foi incrível, porra! – Emmett disse enquanto segurava seu lado, ainda sentado no chão da cozinha.
Eu finalmente deixei uma risada e todos eles respiraram em alívio. – Eu queria ter visto, Alice. Como está a sua mão?
Ela finalmente saiu de trás de Jasper e correu para me abraçar com força. – Mínimo estrago, Bellinha. – abracei-a de volta e balancei a cabeça, desacreditando. - Vocês são loucos, meu deus. Ainda bem que estão do meu lado, ao contrário eu estaria assustada pra caralho. Vou voltar para a cama, Anderson Silva. Vejo vocês de manhã.
Me atirei na minha cama e abracei meus travesseiros. Lá no fundo, eu sabia que o que Alice tinha feito poderia me deixar com problemas, mas apenas imaginar aquela baixinha socando Edward Cullen na boca me fazia dar risada.
A risada se transformou em gargalhadas, trazendo lágrimas de felicidade nos meus olhos, que eu deixei escorrer e molhar meu travesseiro. Ri até meu estômago doer e então ri mais um pouco.
¹- rendezvous: encontro, em francês.
² - Sharpie é uma marca de caneta marca-texto americana com um cheiro particularmente desagradável.
Ok, ok! Não houveram teasers no primeiro dia do ano, mas um capítulo inteiro no segundo dia!
Obrigada pelas reviews do capítulo anterior, parece que muitos de vocês estão realmente furiosos com a Bella ( e com o Edward também), mas e depois do capítulo de hoje? Já chegamos na metade da fanfic, mas quero ouvir o que vocês acham que vai acontecer agora!
Beijos e até quarta!
ps.: os capítulos voltam a ser betados a partir do próximo (sem mais erros!)
