10. Disfarce
No dia seguinte, Louise e Samantha estavam conversando na sala, enquanto Dean e Sam ainda estavam em seus respectivos quartos.
- Como você e Sam ficaram sabendo da morte do cara do café? - perguntou Louise, enquanto mudava os canais da televisão constantemente.
- Estávamos passando de carro. Vimos o corpo dele na frente do que imaginamos ser a sua casa. Íamos descer para dar uma olhada, mas fomos bloqueados. Sam não estava com os distintivos falsos, então ia ser bem complicado investigar alguma coisa - respondeu Samantha.
- Que estranho! Primeiro aquela fita medonha, depois isso! Talvez a morte dele tenha algo a ver com aquele espírito da fita.
- É bem provável. Mas vamos deixar isso com quem entende do assunto, não é? E a morte do Peter não foi a única coisa estranha que aconteceu ontem.
- Como é que é? - empertigou-se Louise, amedrontada, olhando para a irmã. Samantha, por sua vez, sorriu.
- Você e Dean sem roupas no quarto. Isso sim foi estranho. Brigavam mais que gato e rato!
- Uma hora o rato tem que se render.
- Lou, só você mesmo!
Nesse momento, Sam e Dean apareceram, elegantemente vestidos.
- Mas olha só! Se estão vestidos assim para nos impressionar, parabéns. Conseguiram - disse Louise, com um olhar cobiçoso para Dean.
- Vamos conversar com alguns parentes do Peter. Diremos que somos agentes do FBI. Só assim pro povo abrir a boca. Também vamos dar uma olhada na casa. Talvez encontremos uma boa pista do que o matou - explicou Dean, arrumando a gravata em frente ao espelho - E o que vocês estão fazendo com essas roupas?
Louise olhou para Samantha, mas viu que a irmã havia entendido tanto quanto ela.
- Vocês vão nos ajudar. Enquanto nós interrogamos as pessoas, vocês vão olhar o corpo - disse Sam.
- COMO É QUE É? E eu lá tenho cara de quem gosta de ver autópsias? Se eu vir alguém destripado, eu desmaio!
- Relaxa, Lou. Peter não foi destripado. Disso eu tenho certeza. Não havia nem sinais de sangue no local - afirmou Samantha, tranqüilizando a irmã.
- Hm... Certo. Então, e as roupas? - perguntou Louise, tentando esconder o seu nervosismo.
- Pensamos em tudo. Suas roupas estão no quarto, junto com os distintivos. Aconselho que se troquem logo. Do jeito que mulheres demoram para se arrumar... - respondeu Dean, com a voz divertida.
As duas irmãs foram se trocar, e viram que elas também tinham dispositivos do FBI. Seria fácil entrar e examinar o corpo. O difícil era ser convincente. Elas não podiam levantar a menor suspeita, senão poderiam ser presas por falsidade ideológica e sabe-se lá mais do quê. E Samantha não queria ser presa de novo. A última coisa que ela queria era ver-se atrás das grades novamente.
Sam e Dean deixaram as garotas em frente ao local onde o corpo de Peter estava sendo examinado. Temerosas, as garotas desceram do carro e foram para a recepção do lugar.
- Bom dia - disse Samantha, mostrando o distintivo, enquanto Louise fazia o mesmo - sou Julia Giggs, e essa é Alice Hudson. Somos do FBI.
- Em que eu posso ajudar? - perguntou a recepcionista, olhando curiosamente para as irmãs.
- Viemos dar uma olhada no corpo de Peter Stanley. Investigações, você sabe - respondeu Samantha.
- Mas a polícia já veio aqui.
- A polícia. Não o FBI. Deixe-nos entrar, por favor - afirmou Louise.
Mesmo desconfiada, a recepcionista indicou o caminho para as duas.
- Livrou a gente de uma boa, Lou - admitiu Samantha, enquanto andava no corredor com Louise.
- Se o FBI já tivesse aparecido aqui, a única coisa que eu faria era correr. Antes que nos prendessem.
- Não seja dramática, a gente ia arranjar uma desculpa!
Chegaram ao lugar indicado pela recepcionista, e abriram a porta. O local cheirava fortemente a éter, e havia algumas macas com corpos cobertos.
- Pelo amor de Deus, Sammy. Seja rápida - implorou Louise, aos cochichos.
Pouco tempo depois, um homem de aspecto untuoso recebeu as garotas. Ambas mostraram os distintivos. Via-se que o distintivo de Louise tremia levemente em sua mão.
- Ah, sim. FBI. Querem ver Peter Stanley, suponho?
- Certamente - afirmou Samantha, aliviada por não ter que explicar tudo de novo.
Samantha acompanhou o médico legista. Via-se, pelo estado do corpo de Peter, que o médico ainda estava fazendo a autópsia no corpo. Samantha franziu o nariz, com nojo, enquanto Louise levava as mãos à boca, nauseada.
- Er... Conseguiu descobrir a causa da morte? - perguntou Samantha, ligeiramente enojada.
- Aparentemente, ele era um rapaz saudável. Coração, pulmões, fígado... Tudo em perfeito estado. Mas vê o pescoço e a garganta dele?
Samantha aproximou-se mais do corpo, e olhou atentamente para onde o médico havia indicado.
- Decapitação?
- Bom, uma tentativa de decapitação. Sem contar nos ossos quebrados. Parece que ele caiu de um lugar bem alto.
Louise olhou para a perna do cadáver, e viu que o osso estava saindo da pele. Uma fratura exposta. Ela levou as mãos à boca novamente e saiu correndo.
- Sua colega não tem o estômago forte, não é? - perguntou o médico, com um sorriso torto.
- Perdão, ela é nova no departamento. Vivia mexendo só com papéis...
- Entendo. Bom, no que mais sou útil? - o médico olhava cobiçosamente para Samantha.
- É só isso. Obrigada - disse Samantha, percebendo o olhar.
Samantha encontrou Louise no corredor. Seu rosto estava levemente esverdeado.
- Onde é que você foi? A sorte foi que o legista achou engraçado, e não desconfiou de nada! - indagou Samantha, rispidamente.
- Você sabe, Sammy! Se eu não desmaio quando vejo sangue, eu fico enjoada. Das duas uma!
Nisso, o celular de Samantha tocou. Era Sam, avisando que ele e Dean já estavam na porta do hospital, esperando-as. Elas foram rapidamente encontrá-los.
- O que vocês conseguiram descobrir? - perguntou Dean, já no carro.
- Parece que o espírito tentou cortar o pescoço de Peter. Ñão satisfeito, deve ter jogado ele de uma janela - respondeu Samantha, num tom estranhamente indiferente.
- Isso se encaixa. A janela do quarto de Peter estava quebrada - afirmou Sam, pensativo.
- Com o que será que estamos lidando? - perguntou Louise, aterrorizada.
- Não sei. Nunca vi espíritos jogarem pessoas da janela - respondeu Dean - Pode ser qualquer coisa.
- Pode ser que não seja um espírito. Pode ser que nem seja algo sobrenatural - contestou Samantha, pensativa.
- É uma hipótese, mas eu duvido. Aquela fita já é uma pista de que não é algo humano.
- A fita dizia respeito à filha de Peter, não a ele. Então não sabemos o quê ou quem o matou.
Sam e Dean entreolharam-se. Samantha poderia estar certa.
