Ao som de -Michael Hedges: Aerial Boundaries-


Título: Every you & Every Me
Autor: Rebeca Maria
Categoria: spoilers até a 3ª temporada e alusão da 4ª.
Advertências: Futuro smut, Angst.
Classificação: M/MA - Nc17
Capítulos: Este é o oitavo
Completa: Não
Resumo: Sinopse: "É sempre tudo sobre você e tudo sobre mim, Temperance! Sempre. Eu quero fazer com que seja tudo sobre nós!"


Every You & Every Me
T. Brennan & S. Booth
Bones FanFiction
Por Rebeca Maria

Capítulo OITO

"Você já pulou de um penhasco, Temperance? Você me faz pular de um penhasco todos os dias. Todos os dias. Você me leva ao limite, me instiga, me desafia, me enlouquece, me provoca, me fascina. Você me faz ter pensamentos que eu não deveria ter, e eu me culpo todos os dias por causa disso. E então eu enlouqueço, porque eles ainda estão lá. Você tem noção de como é perturbador ter esses pensamentos? Você tem noção, Temperance? Você pode me fazer parar, Bones. Se você quiser, você pode. E você sabe disso. Você quer que eu pare? Você imagina como é enlouquecedor pensar em você todos os dias e não poder te tocar? Você quer imaginar comigo, Temperance? Você quer saber o que eu penso todos os dias? Você quer pular do penhasco comigo dessa vez? Você quer saber como eu imagino te tocar?"

"Quero."

"Eu nunca pulei de um penhasco." – ela constatou, de repente, sem tirar os olhos da pilha de ossos à sua frente. No entanto, fez com que Angela olhasse pra ela – "Você já pulou de um penhasco, Angie?" – Angela franziu o cenho – "Metaforicamente falando."

"Ow, querida... você quer dizer sexualmente falando." – a artista riu, e viu Brennan baixar a cabeça – "Bem, eu pulei a primeira vez com Kirk. Mas com Hodgins... ele me faz pular constantemente."

"Qual é a sensação?"

"Maravilhosa." – Angela deu a volta na mesa e fez Brennan olhar pra ela – "Você pretende pular de um penhasco com alguém, querida? Booth, talvez?" – à menção de Booth, Brennan saltou.

"Booth não tem nada a ver com isso, Angela. Absolutamente. Eu estava apenas pensando. As pessoas falam constantemente sobre pular de um penhasco... e eu não entendia muito bem."

"Então você andou pulando, huh?"

"Não exatamente."

"Então foi quase? Com quem? O italiano?"

"Não é ninguém, Angie. E eu nem sei se ainda estou com o Matteo. Eu apenas pensei sobre isso. E sobre meu nome..."

"Ok, eu me perdi aqui."

"Ninguém nunca me chama de Temperance. É sempre Dra. Brennan, Brennan, Brenn, Bones, Tempe... nem mesmo você me chama pelo nome..."

"Querida, quando você me pediu para te chamar de Temperance, logo quando ficamos amigas, eu disse que este era um nome forte e sexy demais que só soaria perfeito na boca de um homem. E sabe quem é o único homem que eu já ouvi te chamar de Temperance?" – Brennan olhou para a amiga – "O Booth." – e ela saltou de novo – "Céus, Brenn, o que é isso que você tem com o Booth? Eu não posso falar o nome dele que você parece que leva um choque."

"Não é nada, Angela, nós só... não é nada."

"Vocês andaram dormindo juntos? Não foi bom?"

Brennan pensou durante alguns segundos. No total, ela havia dado um beijo em Booth, dormido, e apenas dormido, com ele duas vezes, e tido uma experiência bastante singular com ele. Mas nunca, efetivamente, haviam tido uma relação sexual de verdade. Muito embora a experiência que compartilharam, cerca de duas semanas antes, tivesse sido bastante verdadeira e real para ela.

"Eu te falei em que condições eu dormi com o Booth, Angela. Você sabe como eu fico desesperada quando eu não consigo dormir, e bem, da outra vez eu não estava exatamente normal. Se eu não tivesse pedido pra ele dormir comigo, ele teria feito de qualquer jeito. Ele é o Booth, é o que ele faz."

"É... é o que ele faz." – Angela confirmou – "Então foi só isso?"

"Como assim, isso, Angela?"

"Você jura que nada mais aconteceu entre vocês dois?"

Ela olhou atentamente para a Angela. Os olhos da artista brilhavam de um jeito incomum e os lábios dela curvavam-se num sorriso bastante peculiar.

"Ó céus, você sabe." – Brennan constatou – "Você sabe do beijo." – Angela sorriu ainda mais abertamente.

"Agora estamos falando a mesma língua, querida!"

"Desde quando você sabe?"

"Desde sempre. Digamos que a Caroline deixou escapar... ou o Sweets... achei que você nunca ia me contar sobre isso."

"Eu não te contei, Angie. E de qualquer jeito, não foi nada. Foi só um beijo." – Angela deu dois tapinhas no ombro da amiga.

"Um beijo não é apenas um beijo, querida. Mas acho que você já sabe disso." – ela virou-se e andou alguns passos.

"O que mais você sabe, Angela?" – a artista parou, mas não olhou para trás.

"Eu sei muitas coisas, Brenn." – Angela disse, enquanto olhava algumas informações no computador, sem realmente prestar atenção nelas – "Então você vai sair de casa?" – ela comentou depois de um tempo em silêncio.

"Não exatamente." – Brennan disse, apanhando a tíbia cortada e incompleta e passando para Angela escaneá-la – "Vou empacotar algumas coisas enquanto terminam a reforma. Você sabe, eu reformei o meu banheiro enquanto estive fora, e foi uma bagunça. E agora que quero reformar a sala e o quarto, bem, eu não pretendo ficar lá de qualquer jeito. Estou pensando em ir para um hotel."

"Você pode ficar comigo e com Hodgins, se quiser. A casa dele é bem... uhm... você sabe. Muitos e muitos quartos." – Angela olhou para a amiga e sorriu – "E muita comida. Esse negócio de gravidez envolve muita comida, eu não imaginava o quanto. E envolve muito sexo também." – as duas riram – "E eu estou no meu terceiro mês e Hodgins já está começando a me perguntar quando vou parar de trabalhar. É meio irritante às vezes."

"E o que você faz quando ele te fala para parar?"

"Eu o agarro. É bem prático. E como eu disse, muito sexo." – Brennan riu e então, de repente, ouviu-se um barulho muito alto e as luzes do laboratório se apagaram por dez segundos e voltaram – "Isso foi um trovão?" – e então elas começaram a ouvir o barulho de chuva caindo no teto.

Brennan e Angela ficaram em silêncio durante alguns minutos, cada uma trabalhando em um lado do laboratório. Até que Angela parou do lado da amiga e olhou para ela.

"Eu não vejo o Booth por aqui há mais de quinze dias." – Brennan tremeu levemente ao som do nome dele e olhou imediatamente para Angela – "Ninguém andou morrendo esses dias? Ele está com problemas? Você está com problemas?"

"Não é nada disso, Angela."

"Então quem sabe vocês estão com problemas?"

"Nós não temos problema nenhum, Angela. Na verdade, nós não temos nada."

"Então que sabe esse seja o..." – ela foi interrompida por um alto pigarro logo nas escadas que davam para o patamar do laboratório.

As duas olharam curiosas para o homem alto e loiro parado nas escadas. Ele tinha um porte austero, muito imponente e muito bonito. E estava vestido com terno e grava pretos, bastante formal. Ele retirou um distintivo do FBI e mostrou para elas.

"FBI, Agente especial Andrew Ryan. Eu fui designado para trabalhar com a Dra. Temperance Brennan. Nós temos um caso, duplo homicídio."

Brennan suspirou alto, prendendo o fôlego. Angela olhou da amiga para o agente do FBI. Ela não sabia o que estava acontecendo a ponto de outro agente aparecer para trabalhar com Brennan. Mas ela sabia que tinha acontecido algo grande. Uma briga, talvez? Sexo ruim? Não, Angela duvidava que Booth pudesse ser ruim de cama. Ela viu Brennan dar um passo para trás, enquanto as mãos dela se apertavam no bolso do jaleco azul.

"Ok" – ela interrompeu, descendo as escadas e parando na frente de Andrew – "Eu não sei como a Brennan tem sorte de trabalhar com tantos homens bonitos. Mas o fato é que..."

"...eu estou de saída." – ela foi interrompida por Brennan, que mais do que rápido girou nos calcanhares e saiu pela escada oposta.

"Ela está de saída." – Angela repetiu, colocando uma mão no ombro dele – "Você aceita um ménage à trois?"

x.x.x

Brennan correu até o seu escritório. Ela queria permanecer controlada, e por isso forçou-se a manter o foco. Precisava das chaves do carro, e do seu último manuscrito. Precisava gritar. Mas ela não faria esse último.

Chegou ao escritório e viu o manuscrito em cima da mesa, logo abaixo de uma pasta e alguns papéis. Olhou em volta. Não achou as chaves do carro. Não estavam no seu bolso. Pegou sua bolsa, não estavam lá, nem quando ela jogou tudo o que havia dentro dela em cima da mesa.

"Droga!" – ela bateu com a mão na mesa e baixou a cabeça. Suspirou repetidas vezes. Foco!

Apanhou o manuscrito, colocou dentro do jaleco, e saiu. A casa de Booth não era tão longe assim do Instituto. Então ela correu.

A chuva do lado de fora estava intensa. Mas ela não se importou. Ela precisava chegar a casa dele. Correu o mais rápido que pôde.

9 minutos. Foi o tempo que ela levou para chegar. Estava ensopada, dos pés à cabeça, os cabelos grudando em sua face. Sua respiração acelerada. Frio. Com alguma sorte, o manuscrito ainda estava legível.

Ela olhou para a porta. Havia luz saindo pela janela, e som de TV ligada. Virou a cabeça para o lado. Não havia mais nenhuma pedra ali, guardando nenhuma chave. Olhou para o lado oposto. Havia um jarro. Perfeito e óbvio.

Abriu a porta o mais rápido que pôde e entrou. Fechou a porta e deu mais alguns passos. Parou logo na entrada da sala e viu Booth no sofá.

Ele olhou para ela. Ela fixou o olhar com o dele. Ela usou os tempo em que permaneceram calados para analisá-lo. A postura dele era relaxada, quase desleixada. Ele segurava um copo de whisky, a calça preta social, as pernas apoiadas na mesinha de centro, as meias coloridas que ele tanto gostava. Que ela gostava. A camisa azul com as mangas dobradas, com os primeiros botões abertos. Os olhos escuros. A barba por fazer. Ela nunca o tinha visto desleixado daquela forma. E ela nunca o achara tão bonito como naquele momento.

Brennan jogou a chave em cima da mesinha de centro e depois retirou o manuscrito de dentro do jaleco. Estava bastante molhado, mas as páginas mais internas ainda eram parcialmente legíveis. Ela deu alguns passos para frente e jogou as folhas no peito dele.

"Você não tinha o direito." – ela falou, com a voz baixa, e Booth percebeu a profunda mágoa escondida por trás daquele tom – "Você não tem o direito de fazer isso comigo. Não comigo."

Booth apanhou o manuscrito e colocou-o à frente dos olhos. As palavras dele estavam escritas ali, com a letra dela. Mas ele sabia que a mágoa era por outra razão, e não por causa daquele momento singular que tinham compartilhado.

Ele levantou-se e foi até ela, deixando as folhas jogadas no sofá. Colocou as mãos nos ombros dela, mas ela se retraiu e se afastou. Não! Foi o que ele ouviu sair da boca dela. O que era aquilo? Não me toque? Não me deixe? Não faça isso? Ele tentou de novo, puxando-a com mais força até que ela embatesse contra o corpo dele e ele pudesse abraçá-la e mantê-la presa em seus braços. Ela não se afastou. Não se debateu. Apenas afundou o rosto no ombro dele.

"Por que, Booth?" – a voz dela saiu embargada, abafada porque a boca dela estava pressionada contra o ombro dele.

"Por que o que, Bones?" – ele passava lentamente os dedos nas costas dela, e no cabelo.

"Por que você fez isso? O que você está fazendo com a minha cabeça?" – ela parou e ouviu-o suspirar longamente. Sentiu o coração dele acelerar algumas batidas e então sentiu um beijo dele no alto de sua cabeça – "O que você, Booth?"

"Eu quero beijar você, Temperance." – ele disse, fazendo-a olhá-lo. Ela nunca havia visto os olhos dele tão escuros como naquela hora – "Em todos os lugares."

x.x.x

N/Rbc: Smut a seguir.

"Booth makes love for love
& Brennan makes love for lust"