O restaurante do hotel chamava-se Treasure Trove, e os clientes desfilavam modelos exuberantes e jóias cintilantes. Lily desconfiava de que algumas delas eram falsas, mas resplandeciam da mesma forma. Sentia-se satisfeita por ter gasto grande parte de seu salário naquele vestido, assim não destoava naquele ambiente pomposo. As paredes eram adornadas com artefatos náuticos. Lampiões a gás forneciam uma luz tremulante, criando um ambiente romântico e, ao mesmo tempo, rústico. Lily imaginou que fora decorado para proporcionar aos clientes a sensação de estarem entrando em uma caverna.

— O que você acha? — perguntou James, enquanto se encaminhavam a uma das últimas mesas.

— Acho um pouco excêntrico, e você?

— Não faz exatamente meu gênero. Mas é luxuoso e caríssimo, por isso tinha certeza de que Natalie não perderia a oportunidade de jantar aqui.

A mesa deles ficava em um local afastado e reservado ao lado de outra que se encontrava vazia. James tirou seu chapéu e entregou ao garçom.

— Cuide bem dele e não se esqueça dos outros detalhes que combinamos esta tarde. Lembre-se de quem sentará na mesa ao lado e como deverá desaparecer por algum tempo.

Lily notou que uma nota de cem dólares apareceu na mão do garçom enquanto James falava.

— Mais subornos? — perguntou ela.

— Este será o último. Você gostaria de beber alguma coisa?

— Nada alcoólico, por favor. — Sentia-se nervosa pelo que aconteceria a seguir e um tanto tola por ter gasto tanto tempo e dinheiro tentando embonecar-se. Por que teria feito isso?

— E então? — perguntou ele.

— Como disse? — Ela estava perdida em seus pensamentos.

Inclinando-se na direção dela, tomou-lhe ambas as mãos.

— Perguntei o que estava pensando.

— Nada — respondeu, afastando as mãos. James lançou-lhe um olhar confuso.

— Como nada? Você parece muito quieta e introspectiva.

O garçom trouxe dois copos e Iced Tea.

— Você está maravilhosa nesse vestido, Lily. Não imagino onde o encontrou nem quanto pagou por ele, mas certamente ficou estonteante.

— Obrigada — disse ela tranqüila.

— Hum... eu estava pensando onde foram parar as calças de pára-quedas vermelhas... — disse ele. — Eu até que gostei delas.

—Eu também — ela disse. — Já lhe agradeci por ter me comprado àquelas roupas? De qualquer forma, Petúnia ficou com elas.

— Oh... — Ele parecia muito desapontado.

— Estavam sujas, e ela disse que as lavaria e depois as mandaria para mim.

Ele assentiu.

O garçom apareceu novamente, desta vez com os menus. James abriu o dele, Lily deixou o dela intocado sobre a mesa.

— Você não está com fome? — perguntou ele.

— Acho que estou um pouco nervosa...

— Mas você precisa comer Lily.

— Talvez mais tarde. — Subitamente desejou ter concordado com a proposta dele de cancelar aquele jantar e ter uma conversa com ela. Mas enquanto estava tensa, a ponto de quase explodir, ele parecia revitalizado e totalmente concentrado no que tinha a fazer. Será que teriam sempre que estar em direções opostas?

— Estou começando a ficar enjoada — disse ela.

Notou que ele levantava o menu para esconder o rosto e olhando-a de soslaio disse:

— Não fique enjoada agora, querida. Adivinhe quem chegou?

Não precisava adivinhar. O olhar de antecipação no rosto de James e a excitação no tom de sua voz lhe diziam que Natalie acabara de entrar no salão. Não tardou a ouvir o farfalhar de seda e o odor de perfume francês bem próximo a ela.

Natalie sentou-se de costas para James, sem nem sequer notar a presença de ambos.

Esperaram até os drinques serem servidos. James baixou o menu e olhou rapidamente por sobre o ombro em direção a Natalie.

Lily observou o sorriso dele murchar ao estudar as costas de Natalie: a pele de marfim, os cabelos avermelhados que escapavam do penteado elaborado e os diamantes e safiras do colar que tinha em volta do pescoço.

Estaria ele recordando a textura da pele dela? O brilho de seus cabelos? E as sensações que despertava nele? Lily sentiu a vista turvar-se ante tais imagens.

James virou-se e tocou de leve no ombro de Natalie.

Lily conteve a respiração ao ver a mulher virar-se. Graças a Deus a mesa que tinham reservado ficava bem afastada das demais, portanto a cena que se seguiria não seria assistida pelos outros clientes. Notou o rosto distinto de Gerald Blackwell e sentiu certo pesar pelo homem à sua frente, que fatalmente seria impelido a participar de uma cena desagradável.

— Ora, vejam quem está aqui! — exclamou James. — Nunca imaginei encontrá-la tão longe. — Olhou para Lily e continuou: — Veja Lily, é sua melhor amiga, Natalie Dupree.

Surpresa e satisfeita com a abordagem de James, Lily conseguiu sorriu.

A expressão de Natalie era indescritível. A mulher parecia ter perdido toda a cor do rosto e a fala também.

— Seus amigos, meu bem? — perguntou Gerald Blackwell, obviamente tentando lembrar-se de onde os tinha visto antes.

— Nós estamos hospedados bem em frente ao seu apartamento. Mas não tínhamos a mínima idéia de que Natalie estava lá também — disse Lily.

Natalie finalmente recuperou a voz, que mais pareceu um chiado.

— James?

— Sim, Natalie, sou eu. Está surpresa em me ver? — Virou-se para Gerald Blackwell. — Permita-me me apresentar. Sou James Potter, o homem com quem sua adorável companheira de jantar deveria ter se casado no sábado passado. Mas aparentemente bastou você assobiar para ela vir correndo encontrá-lo. Bem, estou supondo que foi você, ou será que foi algum outro? — Voltou a fitar Natalie. — Será que fui indiscreto?

— O que está fazendo aqui? E com ela? — gritou Natalie.

Lily deu um belo sorriso a Natalie, que se recusou a encará-la.

Nos últimos dias Lily pensava em Natalie através de uma lente de aumento: deslumbrante demais, sedutora demais, linda demais. Agora constatava que não passava de uma mulher com bom gosto para roupas e homens. Uma colega de trabalho que não gostava de seu emprego. Uma mulher que não podia sustentar-se a si própria; teria sempre que depender de alguém. James voltou sua atenção outra vez para Blackwell.

— Onde estão meus modos? Esta linda mulher ao meu lado é amiga de Natalie. Ah, e quase me esqueci, seria sua dama de honra.

Lily deu-lhe um sorriso radiante.

— Como vai?

— Quer que eu acredite que você e Lily apareceram aqui por acaso? — perguntou Natalie.

James pareceu perplexo.

— Como teríamos a chance de encontrá-la se não tivéssemos a brilhante idéia de vir jantar aqui?

— Sei lá. Vocês podem ter me seguido — disse ela.

James deu uma risada.

— De forma alguma. Lily e eu estávamos estudando as possibilidades de aproveitar a noite na cidade de Reno e hei-nos aqui. Ou acha que a seguimos até Golden Hind por que sentimos muito a sua falta?

Gerald pigarreou.

— Natalie, como eles poderiam ter nos seguido? Seja razoável. Você sabe tão bem quanto eu em quantos lugares estivemos e quantos meios de transporte utilizamos nos últimos dias. — Olhou para James e acrescentou: — Escute, acho que lhe de vemos um pedido de desculpas...

— Não peça desculpa a ele — vociferou Natalie.

— Baixe o tom de voz — repreendeu-a Gerald.

Lily ficou surpresa quando ela obedeceu. Aquele homem deveria ser bastante rico para exercer tal influência sobre ela.

— Eu só queria dizer que não temos nada de que nos des culpar, benzinho. Ele é um joão-ninguém, um tolo.

— É verdade — afirmou James, meneando a cabeça dramaticamente. — Sou um grandíssimo tolo, um fazendeiro idiota que escolheu mal a mulher com quem ia se casar. Existem milhares deles por aí. — E, olhando para Gerald, continuou: — Tome cuidado para não ser um deles.

— Não ligue para ele, Conrad — disse Natalie.

— Conrad? — perguntou James, franzindo o cenho. — Julguei que se chamasse Gerald Blackwell.

— Quer dizer Gerald — corrigiu Natalie rapidamente. Subitamente James irrompeu em uma grande gargalhada.

— Meu Deus! Você não é Gerald Blackwell. É Conrad Tilbourn da Petrolífera Tilbourn. Não admira ela ter me deixado mais rápido do que um touro derruba um caubói em um rodeio. — Olhou para Lily e continuou — Eu não disse que o conhecia de algum lugar? Trata-se do dono de uma das maiores produtoras de petróleo do país. Sua foto vive saindo nos jornais quase toda a semana. E... Se não me engano... É casado.

— Por favor. — O tom da voz de Conrad era de apreensão.

— Ele está se separando da mulher — disse Natalie, confiante.

Conrad Tilbourn olhou em volta como se estivesse com medo de espiões.

— Natalie, mantenha o tom de voz baixo, por favor.

Lily observou a mão do homem, onde havia uma grossa aliança. Olhou para as mãos de Natalie e encontrou apenas o anel de diamantes que havia sido presente de James.

— Deixe-me ver se eu entendi a história — disse James. — Você conhece Conrad há muito tempo, certo, Natalie? Um caso antigo?

— Escute, seu... — começou Natalie.

— Mas existe uma esposa megera no caminho, não é verdade? Será que ela tem controle sobre algumas ações da petrolífera?

— Ele vai se separar... — afirmou Natalie.

— Se vai se separar, por que está usando um nome falso? — perguntou James. — Encare a realidade, você está sendo enganada.

Conrad Tilbourn levantou-se abruptamente.

— Natalie, acho que devemos nos retirar.

— Não por nossa causa, espero. Ah, já ia me esquecendo. Acho que você tem algo que me pertence — disse James em um tom de voz que Lily jamais ouvira.

Natalie instintivamente tocou o anel de diamantes.

— Não, não é isso. Pode jogá-lo fora se quiser. Você sabe muito bem a que me refiro.

A mão de Natalie subiu até o colar.

— Exatamente — disse James.

— Mas você me deu — respondeu Natalie.

— É. Você me deu promessas, e eu lhe dei um presente de casamento que pertenceu à minha avó. — Olhou para Lily e concluiu: — Talvez algum dia eu tenha a sorte de ter uma filha e quero dá-lo de presente a ela. — E voltando-se outra vez para Natalie, concluiu: — É simples, ou você o devolve ou eu mesmo o retiro de seu pescoço.

Natalie começou a protestar, mas foi interrompida por Conrad.

— Devolva-lhe o maldito colar!

O colar finalmente foi parar nas mãos de James antes de Natalie sair correndo do salão atrás de Conrad.

James sentou-se, guardando o colar em seu bolso.

— Você estava certa, Lily. Eu tinha que fazer isso. Sinto-me muito melhor, e você?

Lily ainda estava tonta com a cena que presenciara e permaneceu em silêncio.

— Nada como ser trocado por um multimilionário para fazer um homem recuperar um pouco da auto-estima.

— Valeu a pena, James? — conseguiu finalmente perguntar. — Toda essa viagem, a fadiga, a prisão só para confrontar Natalie?

— Mas foi você quem insistiu...

— Responda-me — continuou ela.

— Admito que minha reação não foi tão dramática quanto julguei que seria, mas quando a vi com Conrad Tilbourn percebi que eles se mereciam. Ela é problema dele agora. E então, Lily, gostou do final?

— Não — disse ela lacônica.

E quando ele a pressionou para explicar sua resposta continuou em silêncio. O capítulo sobre Natalie poderia ter sido encerrado, mas e quanto ao coração partido de Lily Evans?

Ela olhou para James e disse:

— Desculpe-me, mas não estou com fome, vou me deitar. Você pode ficar e jantar, se quiser.

— Não vá, Lily. Eu quero falar com você sobre nós...

— Já lhe disse que não existe nós — cortou ela.

— Mas a noite passada no carro...

— Foi um erro — disse ela.

— Você se esquece de que eu também estava lá? Não foi um erro. — Pegou-lhe as mãos e puxou-a de encontro a ele.

— James, não faça isso — protestou.

— Não faça o quê? — perguntou, beijando seu pescoço. — Nossa Lily! Como você está quente! Está se sentindo bem?

Tentou afastá-lo, mas sentia-se sem forças.

— A questão não sou eu. É você. Quer queira aceitar ou não, ainda está apaixonado por ela, apesar de tentar disfarçar suas verdadeiras emoções.

— Eu descobri minhas verdadeiras emoções — disse ele. — É por isso que quero conversar com você.

— Você já se apressou antes e veja aonde isso o levou — disse ela. Sua garganta parecia seca.

— Trouxe-me até aqui, com você.

— Você não sabe o que sente... — disse ela.

— Sei perfeitamente o que sinto por você.

Lily sentiu que ia desmaiar, suas pernas estavam pesadas.

— Lily, você não entende? Há vários dias que a causa desta perseguição deixou de ser Natalie e passou a ser você. É você que eu amo. Você é como uma parte de mim, tão importante quanto os pulmões ou o coração. Quero me casar com você...

— Não, não... — murmurou ela.

— Psssiu. Você disse que não era bonita nem misteriosa. Você é maravilhosa, é tão misteriosa quanto o infinito e manipulou meu coração com suas mãozinhas de fada. Querida, temos tanto em comum, tantas coisas para explorar. Quero vê-la montada em Sprite, é perfeita para você. Quero vê-la correndo pelos campos da minha fazenda, entre as árvores. E as estrelas, querida? Pense em todas as histórias que tem de me contar sobre elas. Você tem todas as qualidades que admiro em uma mulher, por isso quero que seja a mãe dos meus filhos. Você não percebe? Vou construir uma estufa enorme para você cuidar de suas flores. Diga alguma coisa, Lily.

Lily olhava para ele e sorria seus olhos muito abertos. Que lindo conto de fadas James estava lhe contando! Cheio de cavaleiros, princesas, dragões... Mas por que não conseguia mais ouvir o que ele dizia? Seus lábios se moviam, mas não emitiam som algum. Lily sentia-se como se estivesse no meio de um tornado, suspensa no ar, rodando... rodando... Finalmente uma nuvem muito escura envolveu-a.


James estava sentado em uma cadeira ao lado da cama. O paletó jazia em uma cadeira, junto com a gravata, e as mangas de sua camisa estavam dobradas até os cotovelos. Fitava longamente a mulher que amava que estava adormecida sob as cobertas. O médico já se havia retirado. Por um segundo recordou o pânico que o atingiu quando ela desmaiou em seus braços, a longa caminhada até o elevador com Lily em seus braços.

O médico dissera que ela estava exausta e um pouco desidratada devido à febre alta. Sintomas de um resfriado muito forte. Sorrindo para James, dissera-lhe: ― Pode aguardar o seu resfriado dentro de umas quarenta e oito horas.

Ele não se importava em ficar doente. A única coisa que o preocupava era o fato de que a mulher com quem queria construir sua vida jazia praticamente inconsciente naquela cama, e tudo por sua culpa. Gostaria que ela despertasse, queria tomá-la em seus braços e apagar todas as dúvidas e indecisões da mente dela. Sabia que ela também o amava, tinha de amá-lo. A certeza de seus sentimentos por ela dominava-o e mesmo assim sabia que aquilo era só o início, que seu amor por ela aumentaria cada vez mais com o passar do tempo.

Uma leve batida na porta despertou-o daquela reflexão.

Levantou-se de súbito e encontrou Natalie de pé no hall. Era óbvio que tinha chorado.

Sem uma palavra passou por ele, entrando no quarto. Quando viu Lily na cama disse:

— Você não perdeu tempo em achar consolo nos braços de outra mulher.

— Fale baixo — disse ele. — Ou melhor, desapareça.

A atitude de Natalie mudou instantaneamente. Aproximou-se dele com lágrimas nos olhos e lábios trêmulos. Seus cílios piscavam sem cessar.

— James, querido, não sabe como estou feliz por você ter me encontrado.

James instintivamente deu um passo para trás.

— Vá embora, Natalie.

— Eu não tinha intenção de fazer aquilo.

— Natalie, vá procurar Conrad e jogue-se nos braços dele.

Lágrimas escorriam pela face dela.

— Conrad me abandonou. Oh, James, você é um homem tão honesto, tão maravilhoso. Eu estava louca quando o abandonei, Conrad nunca vai se separar da mulher dele. Mas não é tarde demais para nós dois. Eu cometi um erro, admito. Mas, querido, você sabe o que há entre nós. — Enquanto falava, suas mãos deslizavam pelos braços nus de James.

— Algumas horas atrás você estava me chamando de tolo — ele retrucou.

— Oh, querido, só disse aquilo por causa de Conrad. Ele é tão mau para mim, você não sabe o que tenho sofrido com ele. Quantas vezes pensei em telefonar para você e pedir que viesse me salvar.

James deu um sorriso sarcástico.

— Eu posso imaginar quanto esse homem a maltratou.

— É verdade. Não ria de mim, querido. Você não sabe o tormento que passei nos últimos dias. Conrad me forçou a ficar com ele. Eu realmente queria voltar para você.

James olhou de relance para Lily. Que pena que ela estava perdendo aquela cena! Que atuação digna de um Oscar.

— Você ainda me ama — continuou ela. — Eu sinto que sim... Vejo isso em seus olhos.

— O que vê em meus olhos é perplexidade, Natalie. Eu não consigo imaginar como fui tão idiota a ponto de me apaixonar por uma mulher como você e ainda querer levá-la ao altar.

Ao ouvir uma voz feminina, Lily despertou. Abriu os olhos e fitou o quarto na penumbra. Viu James em pé na porta e Natalie à sua frente, sua mão estendida tocando-lhe o peito e sua voz chorosa.

— Eu sempre o amei, e você sabe disso — dizia ela. — Perdoe-me e vamos recomeçar de onde paramos.

Lily sentiu a cabeça rodar. Era assim então que acabava o filme? Natalie implorando o perdão de James, que não conseguiria resistir. Uma tristeza imensa apoderou-se dela. Tinha acabado de ter um sonho lindo em que James lhe falava sobre estrelas, cavalos, flores, estufas e sobre um lindo futuro para ambos. Mas talvez ele tivesse dito tais coisas a Natalie.

— Não me toque. — A voz de James era áspera. — A única coisa que sei a seu respeito é que você é a encarnação da falsidade. Agora vá embora antes que Lily acorde. E nunca mais apareça na minha frente.

Natalie repetiu o nome Lily com um profundo desdém:

— O que você viu naquela garota sonsa?

— Tudo — respondeu ele.

Lily sentiu uma onda de calor percorrer todo seu corpo, enquanto via James empurrar Natalie para fora do quarto, fechando a porta.

Em seguida estava a seu lado, ajoelhado perto da cabeceira, passando uma toalha úmida em sua testa.

— Desculpe querida — murmurou ele.

Ela umedeceu os lábios.

— Natalie se foi?

— Para sempre — disse ele ternamente.

— Você a mandou embora?

— Por que está tão surpresa? Meu gosto por mulheres melhorou muito na última semana. — Levou um copo de água até os lábios dela. — Beba um pouquinho. O médico disse que você está de sidratada e resfriada, mas ficará boa dentro de alguns dias.

Lily bebeu a água e olhou bem dentro dos olhos do homem que amava.

— Aconteceram muitas coisas desde que estamos juntos — observou ela.

— E isso não é maravilhoso, querida? A vida será sempre uma novidade para nós. Tudo que aconteceu foi para nos manter juntos.

Ela deu um amplo sorriso, sentindo o toque macio da mão dele em sua testa.

— Eu a amo, Lily. Case-se comigo, querida.

Era muito cedo para falar em casamento, pensou consigo mesma, enquanto seus olhos voltaram a se fechar.

— Eu o amo — murmurou ela.

— Você acha que eu sou sua outra metade? — perguntou ele cauteloso, seus lábios muito próximos aos dela.

— Estou certa disso.

— E você é a minha — disse ele, beijando-a.

— Não me beije... As bactérias... Você vai pegar a gripe.

— Que se danem as bactérias — disse ele, enterrando seus lábios nos dela.