Disclaimer: Saint Seiya não me pertence e... décimo capítulo de Marry Me, manolo!11! *o* *Apanha.*


Quatro de Novembro, segundo dia após a partida de Aiolos e os outros. Mesmo dia em que algumas Ninfas se reúnem na Casa de Virgem para conversarem.

Dália desceu até as trincheiras, onde os Cavaleiros estavam de guarda. O sol forte queimava sua pele morena, e ela suspirou, desejando que o inverno chegasse logo. Trazia consigo uma cesta, onde guardava alguns mantimentos especiais para Mu e Lin. Frutas, doces, pães e outros, em uma tentativa de amenizar a patrulha constante. Atrás dela, Milliyah descia cuidadosamente o caminho pedregoso, uma mão segurando a barra da saia creme enquanto a outra prendia o chapéu delicado para não perdê-lo.

- Hey Dália! – Alguém chamou.

- Híade! Como vai?

- Você é bem famosa, não é? – Milliyah sorriu, mesmo que tal gesto parecesse um tanto duro vindo dela.

- Hahahah, vantagens de se viver na primeira casa zodiacal... você conhece bastante pessoas! – Dália sorriu. Tinha feito amizades principalmente entre os aspirantes e Cavaleiros de hierarquia mais baixa, portanto alguns a cumprimentavam. No entanto, ela parou apenas quando viu Hyoga, junto com Milo e Kamus. Urânia fez uma careta ao ver o noivo, mas assim que viu Aquário, sua expressão amenizou.

- Hyoga! Olá Milo, olá Kamus. – A Híade cumprimentou. – Viram Mu por aí?

Milo sorriu em resposta, acenando freneticamente, enquanto Kamus virou o rosto. Hyoga falou:

- Acho que o Mu está com o Shaka. Devem estar perto dos Cavaleiros de Prata, ralhando com eles.

- Hahahah, obrigada! Vou procurá-los! – Dália virou-se para Milliyah, indicando o caminho com o dedo.

- Eu vou com você.

- Esperem aí, também vamos! – Milo se adiantou. – Ou vai me ignorar, Milliyazinha? – Ele passou o braço sobre o ombro da Ninfa, sorrindo. Em resposta, o silêncio. Milliyah apenas retirou a mão dele e saiu andando na frente.

- Quanta frieza. – Dália suspirou.

- Parece alguém que eu conheço. – O escorpiano riu, recebendo um olhar feio de Kamus.

Avistaram Áries e Virgem mais a frente, juntamente com Lin – que parecia um tanto incomodada.

- Olá! – A ruiva cumprimentou, correndo até a Amazona e lhe abraçando. – Mu, Shaka. Como vão?

- Bem, Dália. E você? – Virgem lhe respondeu educadamente, enquanto Mu concordou em silêncio.

- Estou bem! Trouxe para o meu marido uns lanches! – Entregou a cesta para Lin, contrariando o que disse. – Não quero atrapalhá-los.

- Não atrapalha... – A bela voz da Amazona ressoou, baixa.

- Ah, Lin! O lanche é para você também! – A Ninfa riu, fazendo a pele alva da outra corar.

- Agradeço. – Mu disse, calmamente, mesmo apresentando frieza. Kamus observava calado, até Milliyah vir falar com ele.

- Parece incomodado.

- De fato. – Ele franziu o cenho. – Sou suspeito a dizer, mas o jeito que Mu trata a esposa me incomoda. Sua frieza chega a ser má-educação.

Urânia ergueu os olhos para o outro grupo, que conversava afastado demais para escutá-los. Depois voltou a observar o aquariano.

- Não sabia que se importava...

Para sua surpresa, Kamus sorriu.

- Antigamente, eu não me importaria. Mas depois das guerras, aprendi a ser mais... humano. Todos nós aprendemos, de alguma forma. – Ele lançou um olhar para o amigo escorpiano, como se duvidasse do que ele mesmo tinha dito. – Portanto, passei a me interessar pelo o que trazem. A carga de cada uma de vocês... até a sua, Milliyah.

As bochechas já normalmente rosadas da loira ficaram ainda mais coradas.

- A m-minha carga?

Aquário concordou com um gesto.

- Eu vejo nos seus olhos o quanto sofre perto do Milo. Entendo que sua pirraça com ele não é à toa.

Alguns segundos em silêncio se passaram até Milliyah responder; e o brilho dos seus olhos não era apenas causado pelas estrelas que neles estão.

- Kamus... você é realmente incrível. Realmente herdou a inteligência de Dégel. – Ela se aproximou dele, e selou um beijo na bochecha do Cavaleiro.

Não foi o beijo que assustou Kamus, nem a audácia da Ninfa. O que lhe intrigava era a associação feita... Dégel? Como Milliyah saberia daquilo ao ponto de falar com tanta certeza? Franziu o cenho, entrando em pensamentos e desligando-se do que ocorria a sua volta, enquanto os cachos loiros se afastavam.

Milo estava ocupado demais para perceber alguma coisa – afinal, divertia-se deixando Hyoga vermelho.

- Fala sério, você tem quedinha por uma das Ninfas. Admita!

- N-Não brinque, Milo!

- Talvez... a Dália? –Hyoga corou. – Ou a Milliyah?

- Claro que não!

- Vamos lá, Hyoguinha. Não vou ligar se tiver interessado pela minha menina... só vai ter que aguentar tortura... – Milo soprou a unha escarlate, sorrindo provocadoramente. Hyoga estava da cor de um tomate, mas sua tonalidade, estranhamente, foi mudando para o azul... fazendo o escorpiano gargalhar.

Dália nem dava atenção. Conversava com Shaka, e o virginiano, da sua forma, contribuía com o plano da Ninfa.

- Lin é dotada de telecinese. Andei dizendo para Mu treiná-la, mas ele diz que ter um pupilo só já o dá trabalho o bastante.

- Como assim? – A Ninfa questionou, olhando para o marido de forma inocente. – Kiki não dá trabalho algum! Além disso, ele adora a Lin! Aposto que adoraria treinar com ela, não é?

Tanto a Amazona quanto o Cavaleiro de Áries coraram. A partir daí, não houve escapatória. Mu aceitou Lin como sua pupila. Dália, sorrindo, se despediu e tomou o caminho de volta ao Santuário.

Kamus, voltando à realidade, foi rápido.

- Com licença. Vou pedir para Death Mask me substituir, preciso repousar. – E deu às costas aos demais, andando apressado atrás da Ninfa. Quando se viu longe dos olhos dos outros, aproximou-se dela, segurando seu braço.

- O q-qu... – Dália começou, mas foi interrompida pelo Cavaleiro.

- Por que faz isso? – Ele questionou. – Por que se deixa martirizar e aceita ser mal-tratada pelo Mu? – Seus olhos frios analisaram a Ninfa, mas não deixaram transparecer o menor interesse. Em resposta, ela o encarou, mas soltou seu braço com força antes de respondê-lo.

- Faço porque quero o melhor para eles. Não que isso te diga respeito, mas... – Ergueu uma sobrancelha. – Com licença. – Saiu andando, deixando Kamus para trás.

- Tsc. Acostumei-me a entender Schuyller, mas esqueci que as outras são diferentes dela... – Ele suspirou, voltando a andar com calma.


Seis de Novembro. Nesse dia, Mask fofocava. (N/A: Não resisti. q)

Depois das incontáveis horas em que percorreram parte da floresta ao lado do Santuário, os passos do grupo de busca haviam ficado lentos. Não que fosse cansaço, mas deveriam ir devagar, uma vez que o local estava impregnado de cosmos.

- Assim fica difícil encontramos rastros dos inimigos. – Saga suspirou. – Há cosmos tanto desconhecidos como de aliados por aqui. E de diferentes datas. Mas ressoam fracos, uma vez que seus donos não estão mais por aqui.

- Meu orgulho está ferido. Sorento e Aiacos tiveram algo para seguir, mas nós não achamos nada! – Protestou Aiolia.

- Enquanto isso, nossas noivas sozinhas em casa... – Dohko murmurou.

- Iiiih, não começa, Dohko, não começa...

- Não reclama, Shura! Aposto que você sente falta da... – O libriano calou-se de repente, lembrando-se que Aiolia estava ali. Se falasse na Scylla, não seria nada bom.

Shura lançou um olhar feio em resposta ao outro, junto com um resmungo que soou como um "até parece...".

- Não acharmos nada significa que o perigo se distância do Santuário. – Aiolos sorriu. – Mesmo assim, devemos seguir em frente.

A caminhada continuou, enquanto os Cavaleiros ficavam atentos a qualquer movimento à sua volta. Aiolos guiava, enquanto Marin fechava a fila, sempre quieta.

Anoiteceu. O que as estrelas anunciavam nem Dohko sabia dizer quando mirava o céu limpo. E em seu peito, a saudades de Iamira falavam mais alto.

- Gostaria de estar com ela...

- Vamos montar acampamento, pessoal. – Aiolos cortou os pensamentos do libriano. – Não temos mais condições de continuar por hoje. Shura, me ajude com a lenha. Dohko e Saga vão procurar mantimentos. Aiolia e Marin armem as barracas.

Moveram-se em silêncio, cada um atento em suas tarefas. Até Águia e Leão não tiveram tempo de ficarem sem graças – afinal, uma Excalibur do Shura já derrubara árvores o suficiente para construir uma cabana.

Sentaram-se envolta de uma fogueira, comendo peixes que Saga pescara quando lançou uma Explosão Galáctica no rio. A conversa era calma... mas apenas quando a única mulher do grupo foi dormir, as línguas se soltaram.

- Sinto falta da Iamiraaa!

- Cala a boca, Dohko.

- Ah, mas eu sinto falta da Maia também. Me pergunto se ela está bem, sozinha...

- Amadeus deve estar fazendo companhia a ela. São amigas, estranhamente...

- Sim, as Ninfas devem estar se apoiando nessa hora. – Aiolia sorriu.

- Devem estar é fazendo a festa, pff. – Shura bufou.

- Ah, mas disso eu também não duvido, hahahahah.

- Iamiiraaaa...!

- Só espero que esteja tudo bem no Santuário.

- Deve estar. Vamos confiar em nossos amigos, que estão cuidando das fronteiras. Além disso, acho que o inimigo não vai ser tão burro de atacar o Santuário na cara de pau! – Aiolos sorriu, inocente, enquanto Saga e Shura se entreolharam...

- Iamira...

- PORRA, DOHKO! CALA A BOCA! - Capricórnio explodiu. – Que saco, você não precisa ficar enchendo nossos ouvidos no quanto você ama a sua Ninfa, que, aliás, não está nem aí para você. – As palavras saiam moderadas, mas cortavam tanto quando a espada no braço do moço.

-... pelo menos não fico cobiçando a mulher alheia, não é Shura. – As palavras em resposta foram frias. Dohko, apesar de tudo, manteve a serenidade.

- O que quer dizer? – Mais uma vez, a inocência de Aiolos falou alto. Saga escutava tudo calado, olhando para o chão, mas Aiolia ouvia atentamente.

- Não percebeu o carinho com que Shura trata a Ninfa que vai se casar com seu irmão, Aiolos? – Capricórnio remexeu-se, como se fosse tentar impedir Dohko, mas era tarde demais. – São tão óbvios os olhares que ambos trocam...

- Cala a boca, Dohko! – De punhos fechados, Shura ergueu-se.

- Não, não me calarei! Não tolero ofensas, jovem! Aprenda a respeitar os mais velhos e aos seus amigos também...

- Tudo bem, Dohko. – A voz de Aiolia saiu polida, mesmo quase tendo fraquejado. – Eu já reparei nisso e... não me importo. Shura é meu amigo, e a Scylla também. Então, quero a felicidade de ambos. Sei que ela não sente nada demais por mim, e vocês sabem que eu também não sinto nada além de amizade por ela.

Silêncio. Tanto Shura quanto Dohko estavam com as faces coradas, mas cada qual com seus motivos. Aiolos pigarreou.

- Então isso encerra o assunto. Vamos dormir, amanhã temos um longo dia.

Saíram cada um para sua barraca – enquanto Sagitário era o primeiro na guarda. Mas não tinham se dado conta que outra pessoa escutava eles, com o coração acelerado...


Oito de Novembro.

Outro dia de caminhada não trouxera resultados melhores para a busca, mas piorara o ânimo de cada um. Shura cortava galhos, árvores e tudo o que encontrava pela frente, em seu humor maravilhosamente péssimo. Aiolos, o guia, se perdera mais de uma vez naquele labirinto de cosmos, e acabou sendo alvo do amigo capricorniano... o que quase resultou em uma briga dele com Aiolia, cansado de vê-lo ralhar com o irmão. Por sorte – ou não – Saga interferiu, parando ambos. Até mesmo Dohko estava de mau-humor, pouco falando. Naquele clima, Marin resolvera ficar ainda mais calada e afastada, para não ser responsabilizada por qualquer besteira.

E outra tarde acabava, tão logo que os Cavaleiros tiveram que levantar o acampamento...


Nove de Novembro.

Amadeus realmente adorou ficar sozinha na Casa de Capricórnio. O maior problema fora que facilmente ficara entediada. Odiava admitir, mas sentia falta de xingar e pirraçar Shura. Odiava ainda mais admitir, mas sentia muita falta do Shura... quase cortando os próprios pulsos pelos pensamentos, ela saiu de casa, tomando o caminho até Sagitário, indo visitar Maia.

A encontrou na porta da casa, observando a escadaria que levava à Escorpião. O vestido longo, quase do mesmo azul negro que o seu, esvoaçava ao vento, acompanhado pelo cinza dos cabelos da Plêiade.

- Sente falta de Aiolos? – Amadeus sorriu, provocando a amiga.

- O que quer dizer? – Maia olhou para trás, lançando à outra um olhar feio.

- Está de olho nas escadas, esperando que ele volte. – A Lâmpade riu. – Pode admitir para mim, Maia!

- Hunf. – A Ninfa fechou os olhos, tentando conter a raiva. Depois, explicou: - Estou só pensando.

- No quê?

- Hmm... primeiro, no Shura.

- NO SHURA? – Amadeus prendeu a respiração. – COMO ASSIM?

- Acalme-se Ninfa. Por Zeus, não estou de olho no seu noivo assim como Scylla... – Maia franziu o cenho. – Estive pensando na Excalibur, para ser mais exata. Então, acabei me lembrando do antigo dono dela, Arthur.

- O que Arthur tem à ver com o Shura? – Insistiu.

- Só estive pensando se Shura é a reencarnação de Arthur. – Amadeus ouviu um riso baixinho da outra Ninfa. – Quer dizer, como andarilha, eu me diverti bastante acompanhando as reencarnações dos sobreviventes de Atlântida até Avalon [1]. Então tentei encaixar Shura nisso... e outros Cavaleiros também... mas acho difícil.

- Por quê? – Lâmpade se aproximou, interessando-se no que a Plêiade dizia.

- Acho que as personalidades não batem. – Havia um sorriso calmo no rosto da Ninfa da Chuva. – Eu vou lhe explicar...

"Sinceramente, vejo mais Aiolia como Arthur. Talvez pelo jeito. O Rei era um menino quando foi coroado, e tinha essa mesma personalidade infantil que Leão possui. Mas depois me lembrei... Lancelot também era um irresponsável inconsequente, o que também combina bastante com Aiolia. E amava Guinevere..."

- E quem seria a Rainha cristã nessa história grega? – Amadeus puxou um sorriso voltado para o escárnio.

- A nossa Amazona de Águia!


O amanhecer clareou a floresta e o rio, enquanto a água gelada molhava o corpo cansado. Marin não conseguira dormir na noite passada, então se banhava, buscando repor suas forças. E ali, estando sozinha, atreveu-se a tirar a máscara do rosto para lavá-lo.

- É preferível que uma Amazona seja vista nua do que sem sua máscara... ou terei que escolher entre amar ou matar aquele que viu meu rosto... – Os dedos tocaram as pontas dos lábios, enquanto um único nome vinha em sua mente. – Aiolia...

Atrás dela, ramos se mexeram. Esquecendo-se e contrariando completamente os seus pensamentos, Marin pegou uma capa e escondeu o corpo, virando-se para ver o que era.

E os olhos azuis da amazona se encontraram com o verde dos de Aiolia.

- A-Aiolia! AH! – Águia correu até a margem do rio, pegando desesperada sua máscara e colocando-a no rosto. Mas Leão já havia visto o que não devia.

- Você... é muito mais bonita do que eu esperava.

- Não, não! Aiolia, esqueça o que viu! – Marin se encolheu, com o rosto rubro por baixo do que lhe tapava. Os últimos resquícios de autocontrole estavam deixando a jovem...

- Não há como... – O Cavaleiro deu um passo, receoso de que ela fugisse. – Há tempos eu sonho em vê-la... Marin! É tão bela, mas muito mais bela do que nos meus sonhos. – Ele se aproximou e, sem se conter, abraçou a jovem com força e carinho.

- Aiolia... não devemos...

- Não fale, Marin, não diga nada... – Aiolia tomou espaço, e delicadamente retirou a máscara da Amazona. E assim, observou tudo o que sempre desejou: seu belo rosto de pele aveludada, moldado pelos olhos pérolas e os lábios rosados, nos quais o Cavaleiro tocou com seus próprios.

A pisciana sentiu-se caindo, mas os braços fortes do leonino novamente a envolveram. E ela deixou-se levar naquele beijo, há tanto tempo desejado pelos dois.

Pararam apenas porque precisaram respirar, mas ele continuava abraçado a ela.

- N-Nós não podíamos... – Marin murmurou.

- Como não? Me escute... eu amo você! É tão claro, minha querida, que chega a doer o tempo em que fico longe de você, em que estou sem você... morrer foi penoso apenas porque tive que deixá-la! Mas eu não quero, nunca mais, ter que abandoná-la! Preciso apenas de uma certeza... Marin, você me ama? – Ele a fitou, acariciando seus cabelos com a mão.

- E-Eu... – A Amazona gaguejou. Engoliu seco, e fitou o Cavaleiro. Deveria ser firme na resposta. – Eu o amo, Aiolia. Desde sempre, eu acho.

- Então isso basta!

- Não basta! Somos guerreiros de Athena, não podemos, o Santuário não permite!

- Parece que as coisas mudaram, não é? Athena quer que nós nos casemos...

-... e isso piora as coisas, já que você vai se casar.

Aiolia a encarou, enquanto um sorriso se formou em seus lábios.

- Sim, eu vou me casar! Mas é com você, Marin!

- O que?

- Você aceita? – Ele fez uma carinha pidonha.

-... E-Eu... aceito. – Águia sorriu, mesmo que incrédula.

- Ótimo! – O sorriso mais radiante se abriu no rosto do rapaz, mas Marin ainda perguntou:

- Como?

- Heh... vamos fugir, querida!

- O QUE?

- Segure-se firme! – Aiolia a jogou sobre o ombro, segurando-a pela cintura. Com a outra mão, pegou a muda de roupas e a caixa da armadura da menina. – Vamos correr um bocado.

- A-Aiolia! Pare! E a missão?

Ele parou de chofre, um tanto pensativo. Depois, novamente sorriu.

- Não deixarei de estar fazendo o desejo de Athena, não é? Então, deixo tudo nas mãos do Aiolos! – Riu, e começou a se mover na velocidade da luz.

- Acho que ele sempre quis fazer isso... estar no papel do irmão, de alguma forma. – Marin pensou, divertida, enquanto corriam floresta adentro.


- Tudo bem, Shura é Arthur, Aiolia é Lancelot. E Aiolos? Ou não pensou no seu noivinho? – Amadeus bufou, sentando-se no ultimo degrau da escada.

- Uther Pendragon, é claro. – Maia respondeu e mesmo séria, sua voz tinha uma pontada de orgulho. – O que faria de mim Igraine... se eu não fosse imortal. Hm, enfim. Aiolos se parece com ele... grandes responsabilidades, morrendo em batalha, não podendo ser responsável por alguém da família... é difícil de explicar. – Os olhos amarelos fitaram o chão. – Mas na minha mente a relação daqueles três se parece muito com a de Uther, Arthur e Lancelot.

- Hmm... Aiolos tem mesmo um jeitinho de rei mais velho que cai em batalha. – O sorriso da Ninfa teve um quê de maldade que fez a outra olhá-la feio.


- Deixo tudo em suas mãos, irmão. Estou indo cumprir outro desejo de Athena.

Aiolos acordou com tais pensamentos claros em sua mente. Abriu os olhos, piscou e se deu conta que Aiolia não estava na mesma barraca que dividiam. Levantou-se, e trombou com Dohko na saída da barraca.

- Bom dia, Aiolo-... DIGO! Marin sumiu!

- Aiolia também.

Os Cavaleiros se entreolharam para depois gritarem.

- ACORDEM!

- ACORDEM, TODOS!

Resmungando, Shura e Saga saíram da sua barraca. Shura tinha cara de quem não dormira à noite... talvez por medo de ser acertado por um Satã Imperial... (Vide Episódio G.)

- O que houve?

- Marin e Aiolia sumiram.

-...

- Me acordaram apenas por isso?

- Shura!

- O casal deve ter se acertado e vazado, deixe-os...

- Não, não os deixarei. – Aiolos foi firme. – Levantem o acampamento. Vamos nos dividir e procurá-los.

- Ótimo, mais uma coisa para procurar... – Saga murmurou, irônico.


- Oh, são apenas quatro! – Um loiro comentou, sorrindo. – Vai ser fácil, fácil!

- Não devíamos ter deixado aqueles dois fugirem! – Rugiu outro, de cabelos brancos e olhos verdes.

- Tudo bem. – Uma mulher sensual falou, enquanto prendia os cabelos loiros. – Não nos atrapalharão.

- Lair está certa. Apenas façam o trabalho, e direito! – Os olhos mel cintilaram, enquanto os cabelos pretos cortados em camadas esvoaçaram desde a franja longa.

- Não nos dê ordens, lírio negro... – O loiro fez referência à pele pálida da guerreira, e seu contraste com as madeixas. – Ou devo dizer Ami de Bubo, guerreira de Ares?

A armadura rubra brilhou, enquanto a cascata de cabelos longos foi jogada sem muita paciência para trás das ombreiras redondas. Ami apenas ajeitou a saia da armadura, que se abria em asas inclinadas para trás. Pegou impulso e saltou, sumindo entre as árvores.

Os outros três a seguiram.

E o choque entre os quatro cosmos e os Guerreiros de Athena foi inevitável.


Aiolos andava apressado pela floresta, temendo por seu irmão. Tinha certeza do que ouvira, mas ainda assim...

- Você realmente nos deixou, irmão?

No exato momento, dardos passaram de raspão por sua orelha. Aiolos assustou-se ao vê-los se fincando no tronco de árvore a sua frente e, dessa forma, constatar que eram penas e não dardos.

- Quem está aí? – O Cavaleiro virou-se de repente, em tempo de ver um par de botas bronzeadas, com detalhes em dourado que iam até a coxa da dona, tocando o chão.

- Sou Ami de Bubo. Agora morra, Cavaleiro!


Dohko corria, mesmo sem ter uma noção do por quê. Apenas sentia uma presença o seguindo em alta velocidade, e isso o impulsionava para frente.

- Droga! Isso não é uma corrida! – Ele bufou e se virou. Mas o que viu o fez apelar para uma das armas de sua armadura: desembainhou a espada e pôs-se em defesa. O ouro chocou contra o outro presente em duas adagas empunhadas por uma mulher. Mas ela não insistiu no ataque; em um mortal para trás, distanciou-se e...

O libriano piscou. Ao seu redor não havia uma mulher, e sim várias, com a mesma aparência angelical. Porque aqueles olhos azuis claros e pele alva só podiam pertencer a um anjo.

Ela sorriu, e os clones fizeram o mesmo instantaneamente.

- Muito prazer, Cavaleiro! Sou Lair de Sacrifício! – Ela girou as adagas na mão, tão brilhantes quanto o peitoral da sua armadura, que a protegia desde a barriga até o busto. A peça fazia conjunto com uma saia de três camadas, que se fixava na lateral das coxas. – E fiel serva de Hermes! – Os cabelos loiros caíram pelos braços que contavam com uma proteção dourada, mas foram contidos pelo laço que os prendiam.

- H-Hermes? - Dohko engoliu seco.


- Hahahah, oláaaa Cavaleiro! – Lanças feitas do tronco de uma árvore atacaram Shura, enquanto o inimigo se apresentava. – Sou o querido protetor de Hefesto, e responsável por boa parte da forja dele, sem querer me gabar, é claro. Reidel de Forja, muito prazer!

- Guerreiro de Hefesto, é? Está aí algo que eu não esperava. – Shura disse ao vislumbrar o sorriso de Reidel. A armadura brilhava em um verde quase negro – da mesma cor dos olhos dele – mesmo sendo apenas uma proteção hexagonal para o peito, junto de proteções pontiagudas para o ombro direito e os joelhos, que desciam até a mão e os pés.

- Surpreeesa! – Ele disse, batendo uma palma. Os cabelos loiros que caiam até o ombro continham duas mechas presas atrás da cabeça, e Reidel soprou um filete de franja longa para cima. Logo, ele voltou a pegar um galho, forjando outra lança e partindo para cima do Cavaleiro com seu corpo magro.


E Saga deparou-se com um homem de cabelos brancos e curtos que não usava armadura. Os olhos verdes fitaram o Cavaleiro, que descobriu-se vendo um adolescente de sobrancelhas negras.

- O sinto ansioso, Cavaleiro. – Ele rugiu. – Mas não há pressa. Chedan dos Ciclos Vitais, servo de Dionísio. Agora, assim como seus companheiros, morra.

E Gêmeos se sentiu preso no tempo, incapaz de se mover... era apenas uma criança, e mal sabia usar seu cosmo... e sua visão foi ficando turva, vendo apenas o corpo magro cobertos por túnicas negras se aproximar...


Dez de Novembro. Um dia antes do casamento do virginiano com Miranda.

- Você voltou, Amadeus? – Maia sorriu serenamente para a amiga, que vinha descendo.

- Só para esclarecer algo! – Ela falou em alto e bom tom. – Se você é Igraine, esposa de Uther e Marin é a rainha cristã... quem eu seria? E Scylla?

A Plêiade fitou a outra Ninfa, pensativa.

- É complicado... Arthur teve apenas duas mulheres em toda sua vida. Morgana e Guinevere. Mas você, minha querida Amadeus... se encaixa como Morgause. – Maia sorriu.

- O que quer dizer... – Ela começou, mas foi interrompida.

- Morgause tentou matar Arthur diversas vezes – embora tenha sido durante a infância dele. Mas acho que isso combina bastante com você, não? – O tom de voz da Plêiade indicou algo que encerrava o assunto, mas mesmo assim, Amadeus tentou protestar. E novamente, foi interrompida pelos passos que vinham da Casa de Capricórnio.

- Quem é? – Rugiu a moradora de tal templo.

- Com licença. – As ondulações esbranquiçadas dos longos cabelos de Milliyah foram logo vistos, enquanto ela descia as escadas. – Desculpe-me interrompê-las.

- Não se preocupe, Urânia. Nós já havíamos terminado a conversa quando chegou. – Maia respondeu.

- Hmm... e sobre o que falavam? – Perguntou, sem se repreender pela curiosidade.

- Completávamos nosso assunto de ontem. Reencarnações.

A Ninfa ergueu as sobrancelhas, a expressão em choque. Tentou argumentar.

- Como assim...? Quer dizer, os Cavaleiros antigos com os atuais?

- Não. Shura, que com a Excalibur, o faz parecer Rei Arthur. Aiolos, que se parece com Uther. E Lancelot, que seria Aiolia.

Milliyah soltou uma risada de deboche.

- Idiotice. É meio óbvio que eles são reencarnações de Cavaleiros da geração passada, não? Ouvi falar de Sísifo de Sagitário e...

- Talvez sim, talvez não. – Maia olhou para a outra de forma provocadora, enquanto Amadeus achava tudo aquilo uma chatice. – Mas gosto pensar dessa forma.

- Não muda minha opinião. – A loira cortou.

- Que seja. – A resposta soou ainda mais provocadora.

Ambas se encararam por um minuto. A Lâmpade havia começado a dar atenção à conversa quando sentiu a violência no tom de ambas, e agora se divertia com aquilo. Porém, Milliyah não continuou. Deu as costas e saiu em direção à casa de Escorpião.

- Menina teimosa. – Riu Amadeus.

- Depois falam de mim... – Maia grunhiu, em igual mau humor.


[1] O que Maia cita é baseado na obra de Marion Zimmer Bradley, autora d'As Brumas de Avalon. Alguns dos personagens são reencarnações de outros, que vêm desde os livros d'A Queda de Atlântida. Por exemplo, Deoris, personagem que vive em Atlântida, reencarna muitas vezes até nascer como Morgana Le Fay, sacerdotisa de Avalon.


Sobre os inimigos:

A Lair foi feita pelo meu amigo George Luks. Peguei "sacrifício" para a armadura dela, já que, sabe se lá por que (brincks), Hermes é o deus disso. A armadura dela foi baseada na da Saber, de Fate Stay Night.

A Ami é criação da BenToph. Obrigada, mais uma vez, por me ajudar! ^_^ A mula aqui tinha se esquecido de pedir a aparência dela, mas ok. 8D Bubo é uma das aves relacionadas a Ares.

Reidel foi uma mistura linda. Nome vindo de um livro, "Os Ancestrais de Avalon". Aparência do Zevran, meu elfo querido de Dragon Age Origins. Armadura do Hawke de Dragon Age 2: bit . ly / lzgzVl (Espero que consigam ver. X_x)

Com o Chedan foi a mesma bagunça. Nome do mesmo livro do Reidel. Aparência do Fenris (te odeio. ¬¬ -qn), de Dragon Age 2.


Opa! Consegui terminar o capítulo antes das provas, aeae! Ok, acho que esse demorou menos... só um mês e pouco, er. Bem, aqui estamos com a meta de um casamento por capítulo. E de alguma forma, o desse foi o de Aiolia e Marin. Eu não sei se o Leãozinho ficou mais parecido com o leonino de Starry Sky, meu querido Naoshi, ou algum personagem dos romances da Marion... – Gotas. – Mas eu gostei muito de escrever essa cena. Aiolia sz Marin, sempre. *-*

E alguns personagens se desenrolando. Ou não. E não sei se vocês vão ficar surpresos com os deuses a quem os inimigos servem... eu espero que sim! *Apanha.*

Ain... acho que hoje é só isso o que eu tenho para falar... enfim, espero que tenham gostado do capítulo! Kisses! :*


( Mabel ) Ain, eu amei escrever a declaração da Ariel! ç.ç Que bom que gostou! E não se preocupe com a demora... demorar mais que o capítulo, acho difícil! xD Kissus!

( Rodrigo ) Opa, muito obrigada moço! =D


~ Mahorin - 26.06.11