Sexta-feira
PV Ezra
"George, podes ir à boutique e trazer o que encomendei para a Aria?" Pergunto-lhe.
"Claro menino. Vou assim que começarem a servir o pequeno-almoço." O mordomo sai do meu quarto e eu preparo-me para ir tomar o pequeno-almoço com a minha família. Assim que me sento à mesa vejo que a Aria não nos ia servir o pequeno-almoço esta manhã, de qualquer maneira tinha de a encontrar para lhe pedir para vir ter comigo mais tarde. O tema de conversa esta manhã era o baile de máscaras da próxima noite, a minha mãe como sempre faz um grande alarido sobre a festa.
"Talvez amanhã o nosso Ezra encontre a futura esposa." Ela faz o comentário desnecessário.
Ela mal sabe a surpresa que vai ter. "Sim eu acho que posso realmente encontrar alguém." Digo animado porque eu já tinha encontrado "alguém" e era Aria.
"Ainda bem que já estás a aceitar a ideia. Eu sabia que ias cair em ti, mais cedo ou mais tarde." Ela diz com um sorriso radiante. Se eu não a conhecesse acreditava que ela estava feliz por mim, mas como a conheço sei que existem interesses financeiros envolvidos.
"Se me dão licença tenho de sair mais cedo para falar com um professor antes da aula." O meu pai deixa-me levantar e eu saio apressadamente.
Felizmente a primeira pessoa que vejo quando saio da sala é George.
"Conseguiu o que pedi?"
"Sim, está tudo no armário do seu quarto."
"Perfeito, peça à Aria para passar no meu quarto por volta das 14h30m. Não vai estar ninguém em casa."
"Vou avisá-la imediatamente."
"Muito obrigada, George. Até logo."
PV Aria
"Menina Aria, o Ezra pediu para ir ao quarto dele às 14h30m."
"Ao quarto?" Eu mordo o lábio inferior.
"Sim. Não vai estar ninguém em casa a essa hora excepto ele."
"Obrigada George."
George sai e deixa-me continuar a tratar das plantas da estufa dos Fitzgerald. Porque não podia ser na biblioteca como sempre? O quarto… Só ainda tinha entrado nele duas vezes desde que estou aqui, o espaço cheirava a ele e era extremamente difícil manter a concentração naquele lugar. Aquele quarto é tão Ezra… E eu adorava.
Há hora do almoço a Sr.ª Fitzgerald era a única pessoa que estava na mansão. Quando não saía para se encontrar com algumas amigas ou fazer compras ficava fechada o dia inteiro no quarto. A vida dela parecia um tédio… Apesar de tudo ela nunca me tratou mal e sempre me disse "Bom dia, Aria." todas as manhãs.
Eu sirvo-lhe o prato e vou para o canto da sala à espera de novas ordens ou que simplesmente acabe a refeição.
"A Aria já almoçou?" Ela pergunta-me.
"Não senhora." Respondo educadamente.
"Será que podes colocar a mesa para mais uma pessoa?" Ela pede.
"Sim, vou tratar disso. Com licença." Vou até à cozinha para trazer a loiça.
"Não devias estar na sala com a Srª Fitz?" Pergunta-me Katherine, ela chama-os sempre Fitz.
"Sim, mas ela pediu para colocar um lugar para mais uma pessoa." Informo-a.
"Mas não está mais ninguém em casa e não existem convidados." Ela diz.
"Eu achei estranho, mas ela é que manda."
Coloco toda a loiça na mesa e volto para o canto da sala onde estava anteriormente.
"Eu pedi para colocares a mesa para comeres aqui." Ela diz. A minha cara deve ter transmitido pura confusão porque ela riu. "Senta-te."
Eu sentei-me na mesa e servi o meu prato. Espero até ela colocar a primeira garfada na boca e faço o mesmo. Isto só pode ser um sonho…
"Eu nunca fiz isto antes, mas tu és diferente Aria. Eu gosto de ti." Ela faz uma pausa e come mais um pouco. "Eu tenho visto que tens feito um óptimo trabalho. Na verdade eu olho para ti como a filha que nunca tive." Ela faz mais uma pausa como se tivesse a ponderar se me devia realmente dizer o que ia dizer. "Quando estive grávida a primeira vez queria desesperadamente ter uma filha e quando veio o Ezra fiquei muito deprimida, por isso nunca tive uma relação muito forte com ele e o pai dele também não facilitou a situação. Eu fui obrigada a casar quando era jovem como tu, eu fiquei órfã, os meus pais tinham dinheiro, mas eu não tinha mais ninguém no mundo e era muito inocente. O Scott na altura parecia perfeito, mas na verdade ele era um alcoólico que matou a primeira mulher pouco tempo depois do casamento. Toda a gente pensou que foi um acidente, mas é mentira. Ele reabilitou-se depois disso e tornou-se médico, casou comigo por pena de mim e quando mais ninguém o queria. No início não foi fácil ele teve recaídas, mas felizmente isso já passou."
"Eu não fazia ideia." Foram as únicas palavras que saíram da minha boca. Eu estava chocada… Ele batia-lhe…
"Ele não gosta de ser contrariado e foi tudo o que o Ezra fez. O Scott culpa-me pelo comportamento dele." Ela dá-me um sorriso falso. "Eu tenho de tirar o Ezra desta casa muito em breve antes que o Scott faça alguma loucura, eu temo pela vida do Ezra."
"O menino Ezra sabe?"
"Não, se ele souber vai querer lutar com o pai. Mas prefiro que ele pense que eu o odeio do que se magoe." Ela diz triste.
"Tenho a certeza que tudo se vai resolver."
"Peço-te que isto fique entre nós, não quero as outras empregadas a bisbilhotar e o meu filho também não tem de saber."
"Eu não vou dizer nada."
"Vê só as horas! Tenho de ir senão vou chegar atrasada ao meu encontro." Diz ela enquanto se levanta. Eu apreso-me para me levantar também.
"Podes acabar a tua refeição." Ela sorri para mim. "Até logo."
"Até logo."
Como é que aquela mulher que parece cruel pode ser gentil? Ezra precisava de ver que afinal a mãe dele era boa pessoa e só quer o bem dele. Mas eu prometi não dizer…
Mais tarde no quarto de Ezra
Eu estava no quarto de Ezra há apenas 10 minutos. As palmas das minhas mãos estavam suadas, nunca tive tão nervosa em toda a minha vida. A Katherine disse-me para tirar a farda mesmo no meu horário de trabalho. Mantive a saia preta, mas coloquei uma camisa branca que realçava o meu peito e o meu cabeço castanho caia numa suave cascata de ondas pelas minhas costas. Aqui dentro está tanto calor… Olho-me ao espelho e desaperto dois dos botões superiores da camisa. Será que ele me acha apetecível… Pára de pensar nisso… Nesse momento a porta abre. Ezra entra e nota-me. "Aria… Não sabia que já estava aqui." Ele sorri.
"Ezra…" As palavras não queriam sair da minha boca. "Eu vim mais cedo porque não tinha nada para fazer."
Ele sorri para mim e começa a tirar o colete e gravata que tinha vestido. Eu olho imediatamente para o lado com vergonha. Ele não devia fazer isto à minha frente… Será que ele também vai tirar a camisa? Felizmente para mim, ele tira apenas as duas peças e não nota o meu embaraço.
Ele anda pelo quarto até ao armário e parece encontrar o que queria. "O vestido já está pronto e todos os acessórios que encomendei chegaram esta manhã." Diz ele com um sorriso enorme. "Eu queria que a Aria experimentasse para ver se gosta."
PV Ezra
"Ainda não sei se isto é uma boa ideia." Ela diz com insegurança.
Eu pego em todas as caixas e coloco-as em cima da cama.
Eu aproximo-me mais dela. "Aria… Eu sei que não a posso obrigar a vir comigo, mas eu posso-a convencer." Eu agarro as mãos frias dela e chego-me ainda mais perto. O perfume dela era muito suave quase imperceptível, mas extremamente viciante. Só queria enterrar o meu rosto no pescoço dela e não sair de lá para sempre. Coloco uma das mãos dela no meu ombro, ela parecia desconfortável. Olhei-a nos olhos enquanto passava a mão pela cintura até ao fundo das costas para a puxar ainda mais para mim. Ela tremeu… Agora estávamos colados um ao outro em posição de dança. "Eu quero isto Aria! Eu quero que exista um "nós"."
"Eu não tenho a certeza. É muito perigoso." Ela diz quase num sussurro.
"Eu aceito o risco! Eu sei que ninguém nos vai aceitar, mas tu és a única pessoa que importa para mim. Não te posso perder…" Com isto ela sai da posição em que estávamos, dá um passo atrás e olha-me directamente no olhos.
"Eu… Acho que podemos experimentar o "nós", mas temos de ter muito cuidado."
Eu levanto-a no ar e dou algumas voltas com ela nos meus braços. "Isso significa... Aria queres namorar comigo?" Eu pergunto com um pouco de medo que a resposta dela fosse um "não".
"Eu acho que sim." Ela diz com um sorriso lindo.
Eu corro até à gaveta da cómoda para procurar o fino aro de ouro que tinha comprado no início da semana, mas ainda não tinha tido coragem para perguntar.
"O que estás a fazer?" Ela pergunta um pouco mais confiante.
Eu encontro a pequena caixa de veludo. "Eu só ia perguntar amanhã no baile." Eu digo. "Mas visto que os planos foram antecipados." Eu abro a caixa retiro o anel e coloco-o no dedo anelar dela.
"Acho que já tinhas pensado em tudo." Ela estava espantada. "Mas não posso andar com ele, Ezra."
"Eu sei, mas eu queria vê-lo na tua mão apenas por alguns minutos." Eu sorrio para ela e ela para mim.
Ela passa as mãos à volta do meu pescoço e abraça-me, eu faço o mesmo abraçando a sua fina cintura. Ela repousa a cabeça no meu peito, tenho a certeza que ela pode ouvir o meu coração a bater forte contra o meu peito. "Eu ainda não posso acreditar." Ela diz.
"Nem eu!" E beijo-lhe a cabeça.
Muito fofinho! Mas faltou um beijo no final... Vamos ver o que acontece no baile de máscaras ;)
Obrigada pelos comentários motivadores EzriaBeauty!
Obrigada a todos & Beijinhos :)
