Capítulo 10

Eles mal tiveram a chance de ouvir o despertador tocar. Padre Jeffrey já estava no quarto deles batendo palmas pra que acordassem e, quando eles preguiçosamente se sentaram na cama, esfregando os olhos, Jeffrey sorriu e falou:

- Levantem e vistam-se. Nós temos gente importante no monastério hoje, então eu vou precisar de toda a ajuda de vocês, ok? Assim que vocês terminarem de comer, me encontrem na capela. E não demorem.

O padre ainda ficou perambulando pelo quarto por alguns segundos pra ter certeza de que os garotos tinham se levantado e então saiu, fechando a porta em seguida. Jared nem olhou pra Jensen antes de entrar no banheiro e fechar a porta, trancando-a em seguida.

O loiro ficou encarando a porta fechada do banheiro e então ele ouviu a água começar a cair. Jared tinha trancado a porta. Ele nunca trancava a porta, e sempre fazia piadas sobre Jensen se juntar a ele embaixo da água quente.

Jared estava com raiva.

Jensen não sabia mais se conseguiria resolver as coisas. Provavelmente Jared não iria escutá-lo e, bem, todos esses medos voltavam a ocupar o corpo de Jensen e de repente todas as coisas que ele planejou falar pra Jared tinham sumido da sua garganta. Ele não encontrava as palavras e mesmo que encontrasse, elas não iriam fazer muito sentido agora.

Eles não se olharam nos olhos naquela parte da manhã em que Jared saiu do banheiro pra que Jensen pudesse entrar. E nem enquanto trocavam de roupa. Nem quando desceram pra tomar café da manhã, ou quando foram para a capela ajudar padre Jeffrey a limpar e decorar o local para a chegada de alguns bispos e monges que estavam vindo de uma outra instituição.

Eles nem entendiam por que aquilo era tão importante. Eram pessoas. Só pessoas.

Parecia o maldito voto de silêncio acontecendo novamente. Só que ao menos antes eles se olhavam, se falavam por olhares e por toques. Os toques...

Jensen sentia tanta falta dos toques de Jared que chegava a doer.

Mais tarde, logo depois do almoço, padre Jeffrey mandou que eles fossem descansar em seus quartos e logo os chamaria de novo. Eles subiram ainda sem se olharem e, ao chegarem ao quarto, Jared se afundou na cama com seus fones de ouvido e Jensen mergulhou em seu livro. Nenhum dos dois realmente conseguindo distrair seus pensamentos.

Jensen desejava que ele pudesse voltar no tempo e consertar a merda que ele tinha feito.

Ele observou o tempo passar e ele quase podia enxergar a parede que ele havia construído entre ele e Jared. Era quase como se ele fosse invisível dentro daquele quarto e Jared não poderia enxerga-lo através da parede imaginária. Jared e seus olhos fechados, cantarolando uma música uma vez ou outra, tão baixo que Jensen tinha que se esforçar pra ouvir. Jared era tão adoravelmente desafinado... Jensen aproveitava que os olhos do moreno estavam fechados e sorria, sabendo que o moreno estava preso dentro do mundo dentro da sua cabeça, tentando cantar os problemas pra fora do seu corpo.

Ele já tinha dito pra Jensen que fazia isso. Que música o acalmava. Jensen deveria tentar isso qualquer hora. Se ao menos não tivesse esquecido o seu iPod em casa... Essa seria uma boa hora pra dividir os fones de ouvido com Jared e ouvir as bandas que o moreno gostava. Isso se Jensen já não tivesse construído esse muro no meio do quarto que o impedia de chegar até a cama de Jared.

Que se foda o muro imaginário. Foi o ultimo pensamento que Jensen teve antes de se levantar da cama, largando o livro e andando até a cama de Jared, sentando-se no colchão e fazendo o moreno abrir os olhos ao notar o peso na sua cama. Jared sentou-se, tirando os fones do ouvido e olhando pra Jensen com uma interrogação enorme na cara.

De repente Jensen teve um momento de arrependimento e ele deveria ter pensado antes que ele não poderia simplesmente atravessar o muro! Ele tinha que... Destruí-lo aos poucos. Mas já era tarde demais e ele já estava ali de qualquer forma.

- Jay... – Ele começou a falar, as palavras ficando confusas na sua mente, então ele ficou calado por um tempo.

Tempo demais.

- O que foi, Jensen? – Jared perguntou com um tom de voz impaciente, mas ainda assim não chegava a ser hostil.

- A gente. Desse jeito... – Jensen apontou pros seus corpos com as mãos como se tentasse evidenciar o espaço entre eles - Eu não sei. Não sei o que fazer.

Jared suspirou.

- Jensen, você queria distancia, não queria?

- Queria, mas... Não desse jeito!

- Pois bem. Se você não quer que eu faça coisas com você que a gente não deve fazer aqui dentro, então é essa distancia que eu devo manter.

Jensen engoliu em seco. Jared estava certo. Se eles estivessem conversando normalmente, nunca teriam tanto autocontrole.

- Eu só tenho medo que essa distância se torne permanente.

- Eu também, Jen. E é por isso que eu digo que a gente tem que ir embora. Mas se você precisa do seu tempo, então a gente só tem que aguentar firme. Certo?

- Certo...

Jensen poderia jurar que Jared ia dizer mais alguma coisa, mas se ele realmente ia, ele não teve oportunidade de dizer, pois Jeffrey acabava de abrir a porta, entrando no quarto com algo nas mãos.

- Vocês vão vestir isso na missa das seis. Hora de vocês botarem em prática o que vocês têm aprendido, certo? – Padre Jeffrey era todo dentes e sorrisos. – Estejam lá embaixo daqui uma hora.

Jensen e Jared eram um misto de confusão, medo e surpresa.

Apressado como estivera o dia todo, o padre deixou as roupas em cima da cama ao lado da de Jared e então saiu do quarto, deixando os dois meninos sozinhos novamente.

Jensen, Jared e o par de roupas pretas com colarinho branco.

-J2-

Jared não pôde evitar um riso irônico ao ver as roupas de padre em cima da cama. Iguais as que padre Jeffrey usava.

Ótimo. Simplesmente ótimo.

Ele olhou pra Jensen. O rosto do mais velho carregava culpa e Jared pensou que havia visto um pouco de arrependimento também. O que ele resolveu ignorar, porque simplesmente não havia muito o que fazer. Era ou vestir as roupas e jogar conforme as regras do jogo, ou se rebelar e criar uma confusão que Jensen não estava pronto pra enfrentar.

Jared nunca havia se esforçado tanto para usar a razão ao invés de agir impulsivamente. Ele realmente deveria amar aquele ser que estava ali sentado na sua cama. Ele alcançaria o corpo do outro para abraça-lo e conforta-lo, mas isso seria jogar fora todo o esforço que ele havia feito pra não chegar a um ponto em que seria impossível não beijar aqueles lábios que chamavam por ele segundo após segundo.

Ele suspirou derrotado e ele sabia que ele parecia estar bufando de raiva quando fazia isso. Bem, ele preferia que Jensen pensasse que ele estava com raiva do que pensasse que ele tinha sido derrotado pelos seus pensamentos e pela sua razão. Ele levantou da cama e analisou o par de roupas, pegando a que parecia ser a sua, pois a calça era mais comprida.

- Hora de irmos fingir que somos padres. – Jared falou, jogando a roupa de Jensen na direção dele.

O loiro olhou pras peças de roupa que tinham caído no seu colo e respirou fundo. Nenhum dos dois esperava ter de vestir isso tão cedo, apesar de saberem que iriam ter que fazê-lo uma hora ou outra.

Jared esperava que eles não tivessem de fazer isso. Nem agora, nem nunca. Aquele hábito era praticamente o símbolo do muro entre eles, simbolizava o que eles não queriam ser e o que os mantinha afastados.

E ali estavam eles, algum tempo depois, ambos vestidos em seus disfarces. Preto e branco. Enfim padres.

Jared não estaria mentindo agora se dissesse que Jensen o olhava de um jeito bem estranho. O mais velho o olhava com olhos que pareciam amedrontados, seguindo o tecido preto desde as pernas do moreno até o seu pescoço, onde o colarinho branco surgia, identificando a função da pessoa que a vestia.

Bem, não no caso de Jared, mas qualquer estranho que o visse agora, o chamaria de padre. Padre Jared.

Ele olhou pra Jensen, o tom branco da sua pele evidenciado pelo tecido escuro, que o cobria até os pulsos, fazendo com que quase não houvesse pele visível pra ser admirada. Só aquela parte descoberta do seu pescoço e, quando Jensen virava de costas, Jared percebeu a nuca também descoberta, os fios de cabelo espetados ali perto. Jared teve uma vontade inusitada de fazer a pele do mais velho arrepiar-se. Soltar a respiração em sua nuca e livrá-lo aos poucos de toda aquela roupa. Porque era realmente um pecado que o corpo de Jensen estivesse coberto daquele jeito.

De repente Jared se deu conta de que o símbolo de proibição que aquela roupa representava tornava Jensen ainda mais atraente aos seus olhos. Fazia o corpo do moreno queimar e quando ele pensou que ele estava vestindo as mesmas roupas e que estava sob o mesmo símbolo de proibição, ele entendeu por que Jensen o olhava daquele jeito. Não era só medo, era medo do desejo que ele estava sentindo.

Porque uma coisa é fazer seu parceiro vestir uma fantasia de padre e querer corromper a santidade que aquilo representa. Outra coisa é quando a pessoa que você ama está vestindo uma roupa de padre e você ainda quer corromper a santidade que aquilo representa, mas não é uma fantasia. É sério. E é possibilidade. E é o próprio medo representado.

E ainda assim você sente desejo. E você sabe que vai sofrer de uma ferida que nunca vai cicatrizar caso esse desejo nunca se realize. Mas nada disso importa agora.

O que importa agora é você ignorar todos esses pensamentos e sair pela porta como se eles nunca tivessem existido, fingindo que consegue ignorar a presença do outro quando na verdade ela pulsa na sua alma o tempo todo. Mas você tem de manter isso dentro de você, e andar como se o seu corpo não estivesse pesado. E falar como se a sua voz não estivesse cheia de frustração. E rezar como se você acreditasse em cada palavra que sai da sua boca.

-J2-

Jared sentiu os olhos de Jensen sobre si, olhando-o de cima a baixo varias vezes. Ele deveria estar prestando atenção no sermão, mas ele já tinha decorado cada palavra. Nem se quisesse, ele iria conseguir se concentrar.

Havia uma fileira de bispos e padres a quem padre Jeffrey direcionava cada palavra do seu sermão e Jensen e Jared somente se encarregavam de entregar cálices de vinho e hóstias na hora da comunhão e de cantar junto com o coro. Em alguns momentos, cada um estava de um lado de Padre Jeffrey, o que era mais comum. Mas às vezes, o padre andava até a frente do altar para entoar um canto ou dar mais ênfase às suas palavras e então Jared e Jensen ficavam um ao lado do outro.

Foi assim que Jared percebera que Jensen tinha uma voz divina. O mais velho cantava e Jared abaixava um pouco a própria voz, lutando contra o impulso de fechar os olhos e somente se concentrar no som que vinha dos lábios de Jensen. Ele até sorriria pro mais velho se não estivessem naquela situação.

Ah, é, aquela situação. Apesar do frio que fazia, aquela roupa para Jared queimava em sua pele e a gola parecia sufoca-lo. Ele nunca pensou que se irritaria tanto por causa de uma roupa. Ele tinha certeza que estava suando nas têmporas e que sua testa estava vermelha, mas a franja impedia que qualquer um pudesse perceber. A não ser que o seu pescoço estivesse ficando vermelho também, o que provavelmente estava, porque ao olhar de canto, ele percebia os olhos apreensivos de Jensen.

Mas não era a intenção de Jared deixar Jensen preocupado. Ele estava ali numa missa, atrás do altar, com a sensação de que ele já tinha se tornado aquilo que ele não queria ser. Era até compreensível que estivesse tão irritado. Porque ele estava com medo e não sabia como lidar com isso.

Havia muitos sentimentos com os quais Jared não sabia lidar, na verdade. Ele geralmente os ignorava, mas quando não conseguia fazê-los irem embora, uma irritação o tomava e ele não conseguia controlar a vontade de quebrar tudo à sua volta. Seus pais com certeza se lembravam da vez em que eles quase se separaram e Jared, ainda um adolescente de 15 anos, quebrou quase todos os pratos da cozinha ao presenciar uma briga. Ele cortou as mãos e um pouco do rosto e passou a tarde levando pontos no pronto socorro.

Um dos padres lia uma das passagens da bíblia e Jared olhou pras suas próprias mãos. Ainda havia cicatrizes claras na sua pele, dos pontos que Jared levara naquele dia quando tinha quinze anos. Quando ele voltou a levantar a cabeça, padre Jeffrey chamava Jensen pra ler a ultima passagem. A voz do loiro preencheu a capela e Jared guardou aquela imagem.

Jensen no pequeno altar, a bíblia aberta em sua frente. Ele estava segurando as folhas com um polegar enquanto que com o indicador da outra mão, ele sublinhava as palavras que sua boca ia recitando para que não se perdesse na leitura. Havia uma luz amarela atrás dele que iluminava seu cabelo e parte do seu rosto, evidenciando suas marcas de expressão quando sua boca se movia e todo o seu rosto acompanhava. Ele lia com a cabeça baixa e decorava as palavras, e então levantava a cabeça, olhando as pessoas sentadas nos bancos para falar o resto da frase, quase não se percebendo nervosismo na sua voz. Ele parecia ter feito aquilo durante toda a vida. E, aos olhos de Jared, lá estava padre Jensen. Tão distante e tão inalcançável. Tão errado deseja-lo.

Jared não sabia como isso poderia ficar mais desesperador em sua garganta.

-J2-

Foi uma longa noite arrumando toda a capela e fingindo sorrisos a todos os padres e bispos que vinham cumprimenta-los. Jensen estava cansado de fingir. Era o que ele tinha feito durante toda a noite.

Ele definitivamente não se via fazendo aquilo pelo resto da sua vida.

Eles entraram no quarto, emocionalmente cansados. Jensen fechou a porta e se virou pra Jared, suspirando. Jared estava virado de costas e Jensen podia notar os ombros do moreno tensos, como se ele estivesse segurando a respiração.

Jared estivera estranho durante toda a missa. O pescoço e as orelhas vermelhas, os dentes cerrados. Jensen se aproximou pra tocar o ombro do moreno, meio receoso. Mas antes que ele pudesse tocá-lo, Jared se virou pra encará-lo, então o mais velho voltou a abaixar a mão.

Os olhos de Jared estavam úmidos e vermelhos.

- Jared, você 'tá bem? – Jensen perguntou antes de pensar duas vezes.

Jared sorriu sarcasticamente.

- Bem? Ah, eu to ótimo. Olha essas roupas! – Ele apontou pra si mesmo – E você, Jensen? Tá feliz?

O mais novo nunca tinha falado com Jensen nesse tom. E isso o assustou mais do que deveria. Ele deu um passo pra trás, como se as palavras de Jared o tivessem atingido fisicamente, mas isso também foi involuntário. Ele lembrou que Jared tinha feito uma pergunta, e ele tentou pensar em algo pra responder, mas quanto mais ele pensava, mas a pergunta parecia ser retórica.

Ele não estava feliz naquela situação. Não era claro o bastante?

Ele observou Jared esfregar as palmas das mãos no rosto, como se ele estivesse tentando arrancar os sentimentos dali. Mas se era essa a intenção dele, não funcionou. Ele andou na direção de Jensen e, por um momento, o mais velho achou que Jared fosse bater nele.

- Hein, Jensen? – Jared falou alto, ainda no mesmo tom irônico. – É isso que você queria?

As mãos de Jared alcançaram o colarinho branco da roupa de Jensen, arrancando-o e segurando-o em uma das mãos enquanto ele perguntava de novo:

- Isso te faz feliz? – Jared perguntou mais uma vez, se referindo ao objeto em sua mão que, alguns segundos depois, já estava jogado no chão sem nenhum cuidado.

- Jared...- Foi tudo o que Jensen conseguiu dizer, o nó na sua garganta fazendo ficar impossível o ato de falar.

A essa altura, Jared já arrancava os botões da camisa preta do mais velho, livrando-se também do cinto da calça e jogando ambas as peças de roupa no chão antes de empurrar o corpo de Jensen até que as costas do loiro se chocassem contra a parede.

Jensen entendia que Jared só queria se livrar daquela visão, de Jensen vestido daquela forma. O coração batia desesperado contra o peito e talvez Jared até fosse capaz de ouvi-lo. De repente o moreno parou os movimentos bruscos e ficou parado, as olhos dele fitando as próprias mãos que descansavam no peitoral de Jensen, como se só agora Jared tivesse percebido que ele estava tocando o mais velho. Ou talvez ele só estivesse sentindo as batidas do coração de Jensen contra a palma da sua mão.

Jared deslizou as pontas dos dedos pelos ombros e pelo pescoço de Jensen. Seus olhos acompanhando seus movimentos até que suas mãos tocassem o rosto do loiro. Olhos nos olhos, Jensen percebeu que haviam lágrimas no rosto de Jared também.

Ele parecia mais calmo agora. E eles estavam perigosamente perto, mas Jensen não iria reclamar. Jared o olhava como se ainda precisasse de uma resposta e foi quando Jensen soube que ele deveria falar.

- Você não entende...

- O que eu não entendo? – Jared perguntou antes que Jensen pudesse continuar e agora o loiro não sabia bem se aquele tinha sido o melhor jeito de começar o seu discurso.

Ele engoliu a confusão dentro dele então voltou a falar:

- A pressão, a cobrança... Meu tio me dizendo que eu sou o orgulho dele, que ele espera que eu cuide daquela igreja tão bem quanto ele cuida...

Jensen estranhou como aquilo parecia ser tão grande dentro dele, mas quando ele botou em palavras, aquilo parecia tão pouco convincente...

- Então você tá fazendo isso pra deixar seu tio feliz? E a sua felicidade, Jensen?

- Exato! E se eu desistir disso tudo por um destino incerto, e se... – Jensen pausou, suspirando como se estivesse pensando no melhor jeito de dizer.

- E se eu não te fizer feliz, é isso?

Jensen desviou o olhar. Calou e consentiu. Jared se afastou e passou uma das mãos no próprio cabelo, fechando os olhos e acalmando os nervos dentro dele antes de voltar a olhar pra Jensen.

- Jensen... Eu não posso prometer que vou te fazer feliz. Eu também não sei se eu vou ser feliz. Mas sabe o que eu sei? Eu sei que eu não nasci pra ser padre, eu sei que você também não. E das poucas coisas que eu sei, uma delas é que eu... – Ele respirou fundo e então as três palavras saltaram calmamente por entre os seus lábios - Eu amo você.

Ele pausou outra vez, mas agora parecia mais como se ele tivesse acabado de se arrepender das ultimas palavras.

- ...E isso é o bastante pra eu ter coragem de desistir disso tudo e tentar ser feliz com você. – Jared continuou. - Mas se isso não é o bastante de você... Digo, se você não me ama, eu não posso fazer nada.

Os olhos de Jared mostravam claramente que ele estava falando a verdade.

O "eu te amo" ecoou na cabeça de Jensen, tão alto que ele se sentiu idiota por duvidar dos sentimentos de Jared por todo esse tempo. Ele queria dizer que amava Jared também, mas ele não conseguia. Ele não conseguia nem se mexer.

Jared descansou os olhos sobre o corpo de Jensen e suspirou. Ele se aproximou, passando as pontas dos dedos pelas sardas nos ombros do loiro. Jensen sentiu os pelos do seu corpo arrepiarem, fechou os olhos. Qualquer que fosse a circunstância, os toques de Jared sempre teriam esse efeito sobre ele.

O moreno abaixou o rosto, roçando os lábios pela pele de Jensen. Ele depositou um beijo demorado contra o ombro do loiro antes de sussurrar.

- Eu entendo que tudo tem seu tempo. Eu só não consigo entender por que perder tempo aqui quando a gente tem tanto mais pra viver, pra descobrir...

Jared suspirou novamente. Jensen sentiu o ar quente da respiração de Jared na sua pele. Ele queria continuar sentindo essa respiração tocá-lo por toda a noite. Mas quando ele abriu os olhos, foi só pra ver Jared se livrando das suas roupas e caindo na cama. Toda a luz do quarto vinha apenas da lua e quase tudo era sombra.

A sombra de um Jensen sem voz se livrando da sua calça preta e dos sapatos, andando lentamente até a cama de Jared e entrando embaixo dos lençóis do moreno. A sombra de um Jared acolhendo Jensen, abraçando-o e acalentando seu choro silencioso até que ambos caíssem num sono profundo.

Continua...

N/a: Gente, eu demorei, né? D: Eu sei... Mas aconteceu tanta coisa no final do ano que eu não consegui postar. Eu espero que tenham gostado ;; Eu perdi meu pai na véspera de Natal e eu acho que isso tem me bloqueado um pouco. Tentarei postar o mais rápido que eu puder pra compensar o tempo que fiquei sem postar, ok?
Feliz ano novo pra todo mundo :D