Capítulo 9 – É impossível resistir.
Entrei e nenhum sinal de Edward menos mal. Ou, ah sei lá. Entrei no quarto de hóspedes e coloquei minha mala.
- Bella vamos para a piscina?
- Ok. – Peguei meu biquíni que também era azul e coloquei. Desci as escadas, e Alice me explicou que Esme e Carlisle haviam saído por um tempo.
Nós nadamos um pouco, jogando água uma nas outras, como duas crianças. A água fria da piscina estava me fazendo bem. Estava relaxando o que há muito tempo eu não conseguia relaxar.
Depois de nadar um pouco, me encostei perto da borda, e relaxei. Fiquei de olhos fechados e aspirei o ar em minha volta.
- Bella eu vou ali e já volto ok?
Limitei-me a assentir com a cabeça. E continuei de olhos fechados.
- Você é tão linda molhada desse jeito... – A voz musical, pura, e sensual entrou pelos meus ouvidos. Grudando nas minhas entranhas como praga. Era a voz dele. Só podia. Ele estava aqui.
Abri os olhos, ainda relaxada com o momento. Podia sentir á frieza e a tensão vindo. Mas ela não vinha. Olhei para ele e ele estava com a cabeça do lado da minha. Aspirando o cheiro de água que estava na minha nuca.
Não tinha nenhuma reação. Não conseguia me mexer. Ao invés disso só deixei minha cabeça pender para trás. E suspirei.
Ele continuava cheirando toda a parte do meu corpo. Causando calafrios. Existia uma paz indescritível naquele momento.
Ele começou a beijar o caminho da minha nuca até a minha orelha, assombrando depois por cima. Gemi baixinho ao ouvido dele. Eu percebi que ele sorriu. Ainda continuava de olhos fechados e senti ele se levantar e entrar na água. Se aproximando de mim, me prensando mais na borda da piscina do que já estava antes. Ele continuava a conhecer cada parte do meu corpo. Eu não agüentava mais. Eu tinha que me libertar dali. Eu necessitava me libertar dali. Não poderia fazer isso, não poderia ou poderia?
- abra os olhos minha Bella... - Ele suspirou no meu ouvido.
Eu obedeci. Não tendo mais controle sobre meu corpo.
Ele olhava fixo nos meus olhos. Sorrindo.
- Desculpe por hoje cedo...
- Pelo o quê?
- Pela 'briguinha' na frente dos meus pais...
- Eu comecei, desculpe...
- Eu correspondi... – Ele disse beijando minha nuca.
- Edward... – Gemi baixinho.
- Diga o que você quer que eu te dou...
- Alice pode vir...
- Ela não vai vir...
- Eu tenho trabalho...
- Eu também...
- Tenho que tomar banho Edward...
- Eu vou com você...
- Não. – Exclamei alto de mais. Ele riu. Ele me largou me permitindo passagem. Eu subi e saí da piscina. Ele olhava meu corpo e eu corei.
- Só deixei porque ainda não acabou Bella...
Eu não respondi. Não conseguia responder nada...
Fui ao toalete que tinha perto da piscina. E fui tomar um banho para tirar o cloro, e Edward de mim. Eu não sei o que aconteceu. Eu segui o conselho de Alice, esqueci a minha posição, só segui o que eu queria. E será que era o certo? Será?
Tomei um banho e me perguntei se Alice havia tramado tudo aquilo, e onde estaria Tanya. Peguei os sabonetes e o shampoo que ali estavam e comecei a me ensaboar. Coloquei o biquíni para fora do boxe. E comecei a cantar.
- Quando a luz dos olhos meus, as luas dos olhos teus, resolvem se encontrar... – Ok, a música era brega. Mas era esse o tipo de música que cantávamos no chuveiro não é mesmo?
Havia desligado o chuveiro por um momento, e ainda tinham shampoo nos meus olhos, me forçando á mantê-los fechados. Tateei a minha volta para procurar a toalha, onde estava àquela maldita? Não conseguia achar, e meus olhos começaram a arder. Comecei a gritar para alguém vir até ali. Ouvi passos, e pedi uma toalha.
Ouvi o boxe se abrir e um pano fofo sendo estendido para mim. Aceitei e limpei meus olhos. Ao fazer isso percebi Edward na minha frente, e vi que eu estava pelada sem nenhuma parede de Box nos separando. Quase instintivamente me cobri. E corei. Ele sorriu e deu as costas para mim. Ele estava de sunga. Meu Deus que homem bom.
- Não adianta esconder mais Bella...
- Por que você está fazendo isso?- gritei de onde estava já coberta pela toalha.
Ele só sorriu. E gritou do lado de fora do toalete.
- É só o começo...
Saí do toalete, e Edward estava esperando por mim...
- Já me agarrou, já me viu pelada, o que você quer mais?
Ele mostrou as mãos em rendição.
- Bella, não sou o cara cafajeste que você pensa ok?
- Ah obrigada pela informação...
- Eu só fiz o que fiz, porque você correspondeu...
- Ah... Agora a culpa é minha... – Falei suspirando pesarosa.
- Você quer do jeito certo?
- E qual é o jeito certo?
- Encontros, jantares, pedidos, presentes...
- E quem disse que eu quero algo com você?
- Me diz se eu tenho uma chance pelo menos...
- Um bom começo seria terminando com a outra mulher. Eu não divido homem sabe? – E logo me arrependi das minhas palavras. Olhei nervosa para ele que sorria timidamente. E bufei. Ele me agarrou pelo braço com força e enterrou as mãos nos meus cabelos. Ele se aproximou, deixando aqueles olhos verdes intensos penetrarem nos meus.
- Eu vou te conquistar Bella... Do jeito certo. – Ele falou, e saiu sem me beijar. Mas me deixando embriagada. Embriagada de Edward.
Saí esfumando fumaças pelos ouvidos. Se Edward iria me pegar de jeito, porque ele não pegava de uma vez só? Porque ele tinha que ficar vindo me torturar diversas e diversas vezes? Por que ele não fazia o serviço completo de uma vez?
Meu biquíni estava ensopado e sem condições de ser posto novamente. Então me enrolei na toalha e fui em direção á casa grande. O caminho até lá era cheio de árvores, coqueiros e plantas. Fiquei admirando tudo á minha volta, impressionada. Tudo era tão novo, e tão perfeito. E eu sempre tive uma queda por jardins.
Achei um canto por baixo de um coqueiro e fui até lá. A brisa estava gostosa e podia relaxar um pouco. Edward não viria me procurar tão cedo, assim eu esperava. Não depois de ter saído daquele jeito.
Peguei a toalha e coloquei em cima de mim. Cobrindo meu corpo e deitei sobre o coqueiro. Me dando uma vista vasta do local. A brisa estava limpa e suave, então fechei os olhos.
Depois de um tempo, ouvi um barulho de dentro da casa, e abri os olhos. Tentei organizar meus pensamentos, e tentei me levantar. Ao fazer isso vi que tinha algo caminhando pelas minhas pernas. Olhei assustada e vi que era uma aranha. A meu Deus, tinha cara de ser venenosa. Antes que eu pudesse ter qualquer reação à aranha me picou, me deixando com uma dor alucinante. Comecei a gritar e a mexer as pernas para ela sair dali. Mas o estrago já tinha sido feito.
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Ouvi passos vindo da casa apressados. Olhei e vi que eram Alice e Edward, apavorados.
- O que aconteceu, Bella? – Alice perguntou se agachando para mim.
Edward não conseguia pronunciar nada. Mas logo viu a picada em minha perna e entendeu tudo.
- Você foi picada?
- Fui... – Falei entre as lágrimas que insistiam em escorrer. A dor aumentava a cada momento. – Uma aranha!
- Como era a aranha?
- Ah... Ah sei lá... – Não conseguia responder.
- Edward, procure em volta para ver onde está, pode nos ajudar á saber o que fazer...
Ele pareceu aturdido mais foi. Alice pegou um pedaço de pano e amarrou na ferida que aumentava e doía a cada instante mais.
- Eu conheço aquele tipo... – Edward disse voltando um segundo depois. – É muito venenosa, mas existe um tratamento... Temos que levá-la ao hospital urgente, urgente!
- Edward me ajude. Ela está só de toalha.
- Vá pegar uma roupa para ela que eu fico aqui! – Ele gritou. – Pegue um saco, alguma coisa para levarmos a aranha também, para identificação!
Eu gemia de dor. E Edward me segurou nos seus braços firmes, com um braço ele me enlaçava pela cintura, e a outra apoiava minha cabeça. Ele estava com uma expressão muito triste. E eu não agüentava vendo o assim. De repente minha visão ficou turva, e apagou. Depois de um tempo me vi sendo carregada por Edward para um banquinho de pedra de frente da casa. E ele continuava me segurando. Eu não gostava da feição dele, parecia triste e culpada. Eu não queria vê-lo assim, eu tinha que fazer algo... Por entre a dor e alucinação... Eu sussurrei.
- Fique comigo Edward... – Engoli em seco. A cegueira estava voltando novamente. – Eu o amo.
Depois tudo o que percebi foi ele me agarrando forte e soluçando. Enquanto ele balbuciava alguma coisa no meu ouvido que eu não consegui entender. Eu estava morrendo...
Edward
O Desespero tomou conta de mim. Antes tudo ia tão bem, eu havia aberto meus olhos para a realidade. A realidade que se chamava Bella. Eu havia decidido enfrentar meu medo da solidão, que eu iria conquistá-la, merecê-la. Mas, de repente, ela está em meus braços entre a vida e a morte. Sendo que mais para a morte do que para a vida. Mas eu não podia pensar mais nisso, eu não podia. Eu também não queria, eu não tinha como. Eu não suportaria, era mais forte que tudo.
Carreguei ela para o banquinho de cimento enfrente a casa afim de sair com ela do mato, e correr o risco que ela seja picada por outras coisas, e eu possivelmente também.
Ela soluçava e gemia. Percebi que ela perdera a consciência, mas voltou á si. Não suportava vê-la daquele jeito, não conseguia...
-- Fique comigo Edward... – Engoliu em seco. - Eu o amo.
Meu mundo caiu... Tudo rodava ao meu redor. Ela tinha dito que me amava!
Acariciei seus cabelos e encostei meus lábios em sua orelha.
- Eu também a amo Bella, sempre te amei, e para sempre vou te amar...
Mas essas palavras não foram entendidas, a meu ver. Ela encaminhava-se para a inconsciência de novo. Comecei a chorar e soluções irreparáveis apareciam em minha garganta.
Uma mão no meu ombro me segurou, era Alice.
- As roupas? – Exclamei por entre as lágrimas. A minha dor não era nada perto de sequer cogitar á hipótese de perder o amor da minha vida. Minha Bella...
Alice havia chamado a ambulância do pronto socorro mais próximo de casa quando ela estava lá dentro pegando as roupas. Depois que a vestiu, a ambulância chegou abusando na velocidade e, por favor, na competência. Alice ficou para trás, ela iria com o carro dela, ela teria que fazer muitas ligações. E eu fui para a ambulância com Bella, me recusando á tirar suas mãos das minhas, me recusando á ficar mais um segundo sequer longe dela.
Chegamos ao pronto socorro e todos os enfermeiros, levaram Bella rapidamente para alguma sala médica. Pedi para entrar mais não deixaram.
- Mas eu quero estar com ela! Eu me recuso a ficar longe dela!
- Sr. Cullen, se acalme. A doutora Natália é médica aqui há anos ela vai saber cuidar dela... Precisamos de frieza no momento...
- Frieza? Frieza? É a vida dela, pelo amor de Deus!
- Se acalme Sr. Cullen, faremos o possível.
Depois dali uns cinco minutos, uma mulher com aproximadamente 1,70, vestida em um jaleco, e cabelos cor de chocolate preços em um coque veio falar comigo. Se eu não tivesse tão apavorado por Bella, e tão apaixonado por ela, essa Natália daria um caldo.
- Boa noite, Sr. Cullen eu sou a doutora Natália... Estou encarregada de sua namorada Isabella Swan, certo?
- Certo certo...
- Pode me dizer exatamente o que aconteceu?
- É ela estava descansando em baixo de uma árvore lá na minha casa, e ela foi picada por uma aranha...
- Você trouxe a aranha, ou sabe alguma informação?
- Eu capturei-a e trouxe em um saco plástico. – falei. Peguei a aranha e estendi, desejando matar aquela maldita e estraçalhar, só que não poderia fazer agora, talvez depois. – Eu tenho algum conhecimento, pois eu fiz um ano de botânica, mas é só... – Falei me controlando aos poucos.
- Ok... Geisa por favor... – Natália chamou a enfermeira que estava por perto. – Chame urgente a doutora Thelma à especialista em aracnídeos para mim, urgente... – Ela se voltou com a prancheta para mim. – bom Sr. Cullen, assim que a aranha for identificada vou procurar o melhor antídoto para o veneno dela...
- E agora como ela está?
- Ela está sendo dopada, e recebendo soro antiaracnídeo, que vai diminuir o progresso do veneno por hora, mas a melhor solução é o antídoto próprio para o tipo de aranha...
Desta vez entrou também outra mulher de Jaleco, com ar de importante, e com uma presilha em forma de aranha prendendo o cabelo. Jesus, só tinha gata nesse hospital. Ok, Ok...Bella, morrendo, aranha...
- Thelma, identifique a aranha, por favor...
Ela pegou o plástico e ficou examinando por uns minutos. É armadeira, e o tipo de tratamento que eu recomendo é o número 5...
- Obrigado Thelma...
- O que é antídoto número 5?
- Sr. Cullen eu explico outra hora... Agora temos que agir. Se acalme por favor, é o melhor que pode fazer. – E ela deu leves palmadas no meu ombro me confortando.
- Ela vai sobreviver?
Ela hesitou um pouco e suspirou me dando um beijo na bochecha.
- Faremos o possível. – E saiu atarefada para a sala.
Eu estava possesso, não conseguia pensar em nada, á não ser: Bella, Bella, Bella, Bella... Bella, Bella...
- Edward, Edward... – Uma voz familiar me levantou do meu devaneio.
- OI Alice... – Falei meio sonâmbulo.
- Como ela está?
- nenhuma notícia. Ela foi dopada, identificaram a aranha e estão preparando o antídoto próprio para ela. E os pais dela?
- Não consegui falar com eles, mas consegui falar com o Jacob. Ele vai procura por eles na casa deles, e depois vem para cá... – Ok, eu estava tão desesperado que nem me importei que Jacob aparecesse por ali. – nossos pais estão vindo para cá... E eu achei melhor ligar para Tanya para avisar que você estava aqui, só que ela não atendia de maneira nenhuma...
- Ah é... Tanya, melhor assim... – Falei mudando de assunto.
- Edward... – Ela me perguntou com voz cansada. – o que você fez com ela?
- Nada.
- Eu te conheço, Edward... O que você fez?
- Peguei taças com vinho e coloquei umas três doses á mais do que era necessário de um remédio para dormir, eu a seduzi e ela apagou...
- Edward, eu não gosto dela, mas ela pode morrer...
- Que nada... Ela pode ficar vegetal, mas eu nem me importo...
Ela bufou e rolou os olhos, mas depois pelo canto do olho a vi soltar um sorriso.
O telefone dela tocou, e ela atendeu.
- Ah oi, Jacob... Aham... Eles não estão?... Eles não têm celulares... Ah... Vem aqui então... Falaremos com eles amanhã...
- O que foi?
- Jacob não achou os pais dela. Acho que eles saíram para algum lugar e não tem celular. Ele vem para cá.
O telefone dela tocou novamente. Era Jasper. Enquanto isso peguei meu próprio celular, e entrei na internet.
Procurei por Antídoto número 5.
A descrição era a seguinte.
Analgesia, pela infiltração local, ao redor da picada, de aproximadamente 4 ml de anestésico do tipo lidocaína a 2%, sem vasoconstritor. Se necessário, repetir a mesma dose uma e duas horas após. Se a dor persistir,
Ok, do pouco que eu conhecia dessa área, eu sabia que isso não era algo realmente bom. Ela iria sofrer, e isso ia me matar. Eu precisava perguntar quais eram os riscos, o que isso iria acarretar... Eu precisava arranjar algum meio de salvar Bella.
3ª Pessoa.
Mal sabia Edward, que as únicas conseqüências que esse acidente iria acarretar eram o crescimento e dedicação dele para com Bella.
