República

Por: Faniicat

Capítulo dez: Brooklyn Bridge;

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" Sabe quando você deita na cama à noite

e se pergunta se seu dia foi real?

Já amanheceu e eu ainda não consegui

responder à essa pergunta. "

Por Kagome Higurashi.

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" Kagome, florzinha linda do meu dia, ta na hora de acordar. " Era a voz da Sango. Meio longe, mas definitivamente a voz dela. Ah, por favor, me diz que não é quinta feira, e sim sábado. Eu não quero ter aula! " A gente vai acabar se atrasando, acorda preguiçosa. "

Ok, ok entendi o recado. Saí debaixo das cobertas de vagar. OH MEU DEUS! Que frio é esse?

Não deu tempo nem de raciocinar com a Sango me arrastando pelo braço, até me enfiar debaixo do chuveiro, chuveiro com água CRUEL, MALIGNA, TERRÍVEL e MORBIDAMENTE gelada. Qual o problema da Sango, afinal?

Tomei o banho correndo, louca pra sair logo daquela água dos infernos, só que praticamente congelada, e voltei pro quarto, enfiada na toalha, tremendo da cabeça aos pés, mas meu corpo agradeceu demais ao aquecedor. Peguei o uniforme de sempre, vesti, deixei a Sango e a Rin brincarem um pouquinho de me arrumar, sabe aquela velha rotina de potinhos coloridos, secador, pente, perfume mais que absolutamente cheiroso, dentre outros. Pra por fim, já quase pronta, colocar o sobretudo preto e as luvas de cashmere pra que meus dedos não congelassem, quebrassem e caíssem.

Depois de tudo pronto, brinco de estrela de prata na orelha, perfume pra tudo quanto é lado, protetor labial com gostinho de morango ( Fiquei com uma louca e quase insuportável vontade de comer aquele negócio, mas a Sango é má e não deixou! ), até sairmos, vermos aquela mesa linda que a Rin faz todos os dias, comermos, esperarmos o Inuyasha comer, comer, comer, comer e comer. Só que hoje tinha uma diferença, tudo estava normal menos o Inuyasha. Ele estava extremamente quieto. Quieto demais.

Mal falou comigo. Nem me chamou de bruxa. NEM COMEU KATCHUP!

Mas resolvi ficar quieta, pelo menos por enquanto.

Descemos até a garagem ao som de 'Once Upon a Dream' que se você quer saber é a musiquinha da Disney mais melosa que eu já ouvi a Rin cantar. Ninguém precisa perguntar porque, certo? Quando nos separamos e eu e o Inuyasha fomos pro carro dele eu já me sentia uma pilha de nervos. Ele não abria a boca. Não falava direito. Não sorria. Isso tudo não é só sono, pode acreditar.

" Ta tudo bem? " Eu senti minhas sobrancelhas franzindo e meu rosto ficando quente. Já falei como eu amo ficar corada? Tipo, é quase um alarme berrante avisando a todos e qualquer um que eu estou morrendo de vergonha.

Ele virou pra mim, todo sério. Eu realmente não sei o que pensar, não sei o que fazer quando ele olha desse jeito, quero dizer, é impassível. Como o do Sesshoumaru, ou algo do gênero, só que cem vezes menos frio. Só que pela primeira vez eu vi algo dentro daqueles olhos sérios, porque em geral eu nunca consigo interpretar nada quando ele está com os olhos sérios, eu consegui ver lá dentro, tristeza. E isso me deixou extremamente confusa. Até ontem não estava tudo bem? Não estávamos todos rindo e brincando o tempo todo? Então qual é o problema agora? E como eu disse, diante daquele olhar sério eu não fazia a mínima idéia do que fazer.

Ele colocou o cinto de segurança e ligou o rádio, virou pra mim de novo e deu um meio sorriso.

" Tudo, relaxa garota, ta muito tensa. "

" Ok, nunca mais me preocupo com você. " Eu retribuí o sorriso e desviei o olhar dele, pra encarar o vidro da frente.

Ele me deu um último olhar, mais leve, antes de ligar o carro e dar a partida. Nada nesse 'teatrinho' pra desviar minha atenção fez com que eu esquecesse o que eu vi dentro daquela imensidão dourada. Aliás, isso só me deixou mais preocupada. Mas o que que eu posso fazer, não é?

Nós fomos até a escola sem falar muita coisa, só ouvindo música, vendo o transito, ele pensando em sei lá o que, eu tentando descobrir no que ele estava pensando, essas coisas. Até que nós avistamos o prédio do CSMC. Ele estacionou e nós saímos do carro, naquele silêncio não-tão-confortável-assim.

Bom, não era, até ele bufar e puxar minha mão e me dar um abraço. Um abraço que praticamente queria me dizer que eu não precisava me preocupar. Pelo menos foi isso que eu entendi, depois fomos caminhando com ele com o braço jogado pelos meus ombros e eu pendurada na cintura dele.

Não achamos a Sango, nem a Rin e nem o Miroku então entramos direto. O primeiro tempo era de Física e a aula dele era comigo.

Cara, o que eu faço pra animar o Inuyasha? Tipo, eu nem sei por que ele está assim! Droga! É tão ruim essa sensação de não poder fazer nada.

" Oi gente! " Ouvi a voz feminina animada e me virei com um sorriso pra Kikyou, dês de que eu esbarrei nela no corredor ( Por culpa de um certo Inuyasha. ) nós começamos a nos falar, os outros também falam com ela, mas eu e o Inuyasha em especial. Ela é aluna nova, como eu, mas do jeito que ela é, bonita, simpática, animada e engraçada não demorou nada pra que todo mundo começasse a gostar dela.

Às vezes sentamos juntas e fazemos dupla em algumas aulas, e ela sempre senta na nossa mesa ( nossa mesa que aliás é mais parecida com um formigueiro do que com uma mesa. ), não somos grandes amigas nem nada, mas quem sabe daqui pra frente?

Ela estava, obviamente, de uniforme, os cabelos negros presos – por algum milagre, já que ela está sempre de cabelos soltos. – num rabo de cavalo alto e um casaquinho verde. Metade dos garotos dessa escola babam por ela. Aliás, os garotos daqui babam nela, na Sango e na Rin! Chega a ser engraçado a cara deles quando elas passam, do tipo 'Tomara que ela esbarre em mim, me faça cair e quebrar o nariz só pra poder ouvir sua voz'.

" Bom dia, Kikyou. " Eu me soltei do Inuyasha e dei um abraço e dois beijinhos nela, aquela coisa tradicional. Depois ela sorriu pro Inuyasha que acenou com a cabeça. " Tem aula de Física agora? "

" Tenho. Vocês também não é? Vamos pra sala. "

Nós três entramos na sala que já estava cheia, rapidinho o povo de sempre começou a se distribuir em volta de nós três. O Inuyasha e a Kikyou são como abelhas rainhas, leia-se: Populares. Eu não sou, converso, rio e brinco com todo mundo dali, mas isso não quer dizer que eu seja.

Depois de alguns minutos rindo e conversando sobre coisas sem importância, eu tentei me distrair e fazer o Inuyasha relaxar um pouco, mas não deu certo. Nenhuma das duas coisas, pra dizer a verdade. Ele conversou, falou, até brincou um pouco, mas não estava bem. Eu podia ver claramente que ele não estava bem.

A sala de física não eram carteiras e sim bancadas brancas e compridas que serviam de mesa pros alunos, virou costume eu e o Inuyasha sentarmos com a cadeira junta. Assim eu posso obrigá-lo a prestar pelo menos um pouco de atenção na aula. Ok que tem horas que isso não funciona nada bem, e ao invés de se concentrar ele se distrai mais e me distrai. Bagunça meu cabelo, fica segurando minha mão, além do que ele é muito palhaço. É sério, por isso que grande parte dos alunos e dos professores o adora. Dentre outros motivos, é claro. Mas pra mim, sentar do lado dele é muito bom, a gente conversa nos intervalos ( e mais metade da turma, que se junta aqui. ), é divertido ficar o obrigando a copiar a matéria, e eu sempre roubo o casaco dele. O aquecedor não deixa ninguém congelar, mas ainda fica frio, e eu fico com frio, claro, mas o sobretudo atrapalha pra escrever e é estranho usar sobretudo na sala. E como na metade da aula ele sempre tira o casaco, eu sempre peço.

O professor chegou e anunciou o início das aulas. Era o David, professor de física loirinho, alto, magro, uns trinta anos, mas que age como se tivesse oitenta. Ele é chato, rígido, detesta brincadeirinhas durante a aula dele – O que só faz com que o Inuyasha zoe mais na aula dele, é claro. -, logo ele não vai nada com a cara do Inuyasha. Nem com a minha, já que, sabe como é, as aulas dele são um porre e eu também sou humana, então eu também acabo conversando bastante durante o horário dele.

" Xiii, agora a tortura começa, a gente vai lá. " O Yuki disse indo pra sua cadeira junto com os outros, ninguém sentou muito longe mas enfim.

Antes que eu abrisse a boca o Inuyasha tirou o casaco com um sorriso e me deu. Um casaco enorme Reebok, vermelho, enfim, masculino. E sabe o melhor? Muito cheiroso, tem o cheiro dele. Eu adoro. Socorro.

A aula começou, e a voz do David é monótona sabe, então dá sono. Além do mais física não é a matéria mais empolgante do mundo. Eu estava copiando a matéria, embrulhada no casaco cheiroso de um certo hanyou, com um zilhão de canetinhas coloridas, e o Inuyasha nada. Nem estava fazendo bagunça na aula, nada, só olhando pro outro lado. Então hoje eu resolvi não encher a paciência dele com a aula, pelo menos não a de Física.

Então ele puxou minha mão esquerda, e ficou segurando, a ponta das garras fazendo carinho de leve. Eu o encarei sem entender nada, quero dizer, não era ele que nem estava olhando pra ninguém direito até cinco minutos atrás?

Inuyasha sorriu e eu que não disse nada, só cheguei minha cadeira mais próxima da dele e ficamos lá, com as mãos dadas em cima da mesa enquanto eu copiava a matéria da lousa.

" Hum, muito bonitinho os senhores juntinhos na minha aula, mas eu posso saber porque o Senhor Taisho não está copiando a matéria? "

Inuyasha revirou os olhos com a maior cara de puro e total tédio.

" Ele não está muito bem hoje, professor, então eu estou copiando a matéria pra ele também. "

" Aham. Sei. "

" Deixa o casalzinho professor! " O Yuki comentou rindo, apontou pras nossas mãos. " Isso é que é uma boa namorada, ta vendo? Porque a minha mina nunca copia nada pra mim? "

A sala toda começou a rir, até o Inuyasha riu, então eu ri também. Mesmo que eu não seja, nem de longe, namorada do Inuyasha. Tirando por aquele dia na casa de praia que eu disse que a gente até parecia um casal, mas foi só. Até porque quando o Inuyasha resolver namorar de verdade alguém vai ser tipo com uma modelo de revista perfeita, então eu meio que não tenho nenhuma chance. Quero dizer, ele nem ficou ( que dirá namorou ) com aquela ruiva! E olha que apesar de oferecia, a Ayame é bonita. Aliás ela tava à umas quatro cadeiras à esquerda do Inuyasha e não estava rindo. Nem um pouco.

David bufou irritado, creio eu que pela interrupção em sua aula, quero dizer, a turma inteira irrompeu em brincadeirinhas e riso pra tudo quanto foi lado. O Inuyasha tirou a mão da minha pra passar o braço por cima dos meus ombros e me puxar. Eu acabei ficando encostada no peito dele, porque de repente o casaco dele parece quente demais?

Enfim, é o aquecimento global!

" Agora você é a minha namorada. " Inuyasha disse baixinho no meu ouvido e sorrindo. Vale a pena superar uma brincadeirinha se ele ficar sorrindo. Sempre tiveram duas coisas nele que eu achasse lindas demais. Não as orelhas como a maior parte das pessoas, não que eu não as ache cutes e perfeitas, porque eu acho e muito! Só que não é a coisa que mais me encante. Essa é uma das coisas que mais me encantam nele: O sorriso. O sorriso dele é lindo e faz bem, Inuyasha tem o maior número de sorrisos que eu já vi. É sério, tipo, o sorriso dele é quase um diálogo, depois dizem que os olhos que são a janela da alma. Quero dizer:

Ele tem o sorriso reconfortante, o sorriso feliz, o sorriso irônico, o sorriso malicioso, o sorriso cúmplice, o sorriso de desculpa esfarrapada, o sorriso de agradecimento ( Já que é difícil ouvir ele FALAR a palavra 'obrigada'. ), o sorriso brincalhão, enfim, dentre outros milhares e milhares de sorrisos. Todos perfeitos.

David esperou que as risadas diminuíssem com uma carranca incrivelmente mal-humorada, depois que a turma se aquietou um pouco ele continuou dando a matéria. Meu-Deus, que sono. Ainda mais porque nós ficamos daquele jeito mesmo, eu apoiada no peito do Inuyasha, ele com o braço no meu ombro e a respiração batendo no meu pescoço. Alguém devia avisá-lo a não fazer isso, quero dizer, arrepia. Mas é um arrepio bom. Então nós ficamos lá, recebendo olhares e mais olhares da turma, sendo um 'casal'. Vou te contar, depois de mentir pra polícia, mentir prum bando de adolescentes chega a ser sem-graça.

OoO

" Bom dia turma. " O professor baixinho e sorridente saldou, é aula do Paul, Laboratório de Química. Apesar do Inuyasha odiar isso, tem aulas que eu fico com ele e o Yuki, tem aulas que eu fico com o Kouga e a Kikyou. Aliás, o Kouga e a Kikyou se adoraram. Hoje era um dos dias que eu ficaria com o Kouga, só que já se passaram horas e volta e meia quando eu olho, lá está o Inuyasha olhando pro nada com uma carinha triste. Sabe quando eu vou deixá-lo sozinho hoje? Há-há. Hora nenhuma.

" Hey, Kagome! " O Kouga veio falar comigo, todo animado como sempre. Sabe, ele é extremamente simpático com todo mundo – menos o Inuyasha, óbvio -, mas de vez em quando ele me cansa. Quero dizer, às vezes acontece que ele é atencioso demais. Se é que deu pra me entender. " Hoje é nossa aula, né? "

O Inuyasha estava sentado na mesa revirou os olhos fazendo algumas caretas quase imperceptíveis. Kagome, não ri, não ri, não ri. Ótimo não riu. É, mas grunhiu um negócio estranho! Aff, deixa pra lá!

" Oi Kouga. " Eu sorri, o Inuyasha estava com meu fichário no colo, já que ele que veio carregando. Eu lembrei de dizer que o Inuyasha também virou praticamente meu carregador pessoal? Eu não gosto muito disso, tipo é abuso. Mas é mais abuso dele mesmo que pega as coisas da minha mão e sai carregando sem nem perguntar se eu quero. Segundo a Rin isso é 'Fofo'. " Olha, eu tenho umas coisas pra resolver aqui hoje, então você se importa se eu ficar com o Inuyasha e o Yuki hoje? "

" Ah. não, tudo bem. " O Kouga deu um sorriso não tão mais animado e eu me senti meio mal. Desculpa. Desculpa mesmo. Mas... " Mas eu vou cobrar essa aula hein? Tenho que ir sentar, tchau Kagome. "

Então ele foi pra uma mesa do outro lado da sala, o laboratório é dividido sempre em grupos de dois ou três, então sentamos eu, o Inuyasha e o Yuki em volta da mesa redonda. O Yuki coçou os olhos verdes com cara de sono, se bem que ele ta sempre com cara de sono. Vai ver é por isso que nos damos bem, porque eu idem.

O Inuyasha sorriu pra mim todo convencido porque eu fiquei na mesa com ele, ai meu deus, esse garoto se acha! Eu até pensei em levantar e ir sentar com o Kouga só pra ver o queixo do Inuyasha ir no chão. Mas eu não faria isso. Ainda mais quando ele me entregou o fichário, todo bonitinho. Sabe, às vezes o Inuyasha é um doce. Um doce tipo brigadeiro, que depois que você descobre nunca mais quer saber de outra coisa. Eu murmurei um 'obrigada' por mímica labial e peguei uma folha no fichário e a caneta.

" Bom gente, prestem atenção aqui. " Paul nos chamou. " Senhorita, cabelo preso por favor. " Ele me pediu, ele sempre pede. Mas a culpa não é minha juro, eu sempre fazia um coque com a caneta. Aí adivinha? O Inuyasha ia lá e puxava. O tempo todo. Aí eu parei de fazer. Então eu olhei atravessada pro hanyou antes de enrolar o cabelo entre os dedos, fazer um coque e prender com uma caneta. Paul piscou pra mim e acenou com a cabeça, ele é aquele tipo de professor super-legal e ele nunca briga comigo por causa do meu cabelo solto ou nojo das experiências. Em geral ele me libera de metade dos experimentos por serem nojentos, os meninos fazem, eu anoto. " Hoje nós vamos fazer uma coisa diferente. Primeiro eu vou mostrar uma coisa à vocês, depois vocês vão poder pegar com cuidado, observar, antes que eu coloque nas mesas pra vocês fazerem um relatório, ok? "

Foi aí que a coisa começou a piorar pro meu lado. Quero dizer, estava tudo muito bem até o presente momento. Aula, quadro negro, lousa interativa, Inuyasha não querendo fazer nada, turma rindo de alguma coisa inútil, aquelas coisas do cotidiano. Mas quando o professor resolveu ir até a mesa dele abrir uma caixa onde tinha rãs selvagens que era o que nós iríamos 'estudar' hoje, pode acreditar, a coisa começou a desandar.

" Cara, que maneiro! " O Yuki disse com um brilho meio estranho nos olhos, ele e boa parte da turma. Todo mundo olhando pra rã com uma cara tipo 'Que coisa mais maneira, eu quero pegar!'.

" Vocês podem pegar nelas, mas coloquem as luvas que estão aí sobre as mesas. " Não demorou cinco minutos pra se ver os alunos todos com as mãos forradas por uma luvinha branca de látex, menos as minhas. Eu não toco numa rã por nada. SO-COR-RO. Nem morta!

Enquanto os alunos se levantaram pra ir lá, eu fiquei quieta, imóvel. Eu não vou, eu não vou e pronto. Eu tenho pena, eu tenho nojo e eu tenho medo. Eu não vou.

" Vamos lá, Kagome! " Inuyasha me chamou me fazendo levantar da cadeira, eu arregalei os olhos. O que? Há-há, de jeito nenhum.

" Não, não, não, Inuyasha. Não! " Alguém se lembrou de explicar pra ele que aquelas coisinhas brancas em cima da cabeça dele não são um enfeite, mas orelhas que servem pra ouvir o que as outras pessoas estão dizendo? Então, mas ele usa como enfeite, porque por mais que eu implorasse pra ele, esperneasse e reclamasse ele saiu me arrastando até a mesa do professor. Ninguém nem notou nosso pequeno escândalo. Será que eles estão acostumados? Tipo, nós não somos tão ruins assim... Somos? Aliás que tipo de pessoa vê um garoto obviamente maior e mais forte arrastando uma garota indefesa gritando 'não' por aí e não faz nada? Eu hein, gente malvada.

Então em questão de segundos lá estava eu sendo segurada pela cintura por um Inuyasha rindo da minha cara, tentando fugir das rãs que estavam dentro de uma caixa e de um bando de maníacos que queriam por a mão nelas. Até mesmo as meninas! Quase todas elas!

" Eu peguei emprestado do laboratório de Biologia do 3° ano, nós vamos estudar a reação do xixi da rã quando em contato com alguns compostos químicos. Mas antes já deu pra ver que vocês querem pegar, e podem. Só cuidado, elas estão fora de seu habitat e podem se assustar um pouco com vocês, então, nada de desleixo. "

Eu escondi meu rosto entre as mangas do casaco, não quero saber desse negócio idiota de carregar rãs. Então eu só fiquei ouvindo, os risinhos, as brincadeiras, o professor falando. Até que eu fui descendo o casaco aos poucos e olhando. Olhar não mata. Olhar não me faz segurar nenhuma rã. Mas do jeito que a minha sorte é, bastou eu olhar pra que na hora que a Kikyou foi entregar a rã pro professor ela pulasse. Pois é temos uma rã solta. Sabe o que eu faço agora?

" AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH! " Eu consegui me soltar do Inuyasha e saí correndo pro fundo da sala, as meninas que estavam dando gritinhos e os garotos que estavam rindo até pararam pelo berro que eu dei. E parece que as outras rãs não gostaram muito do barulho, então, quando eu vi, já estavam todas agitadas e pulando, tentando sair da caixa – algumas com sucesso -, enquanto aquela primeira não sabia se parava ou se continuava a pular na minha direção.

" AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH, TIRA ELA DAQUI, TIRA! TIRA! " Eu comecei a ter um ataque histérico admito. Eu não sei o que houve, se eram meus gritos que estavam assustando todo mundo, se era o meu pânico de rãs, se era a situação completa, mas estavam todos me olhando com cara de bobos. Até que alguém resolveu me ajudar enquanto eu já estava quase chorando, encostada na parede no fundo da sala com uma rã maníaca e assassina vindo na minha direção pra atirar seu xixi mortal em mim.

" Alguém tira aquela rã de perto da Kagome antes que ela tenha um enfarto! " Kikyou berrou, então o Kouga parece que também acordou e veio correndo tirar a rã que a essa altura já estava quase no meu sapato. Então as pessoas começaram a se mexer de novo, umas a rir, umas a comentar, umas a ficarem aparentemente com pena, e o Inuyasha que veio me dar um abraço. Eu praticamente me joguei em cima dele. Socorro. Rã malvada. Rã malvada. Rã malvada.

" Respira Kagome, ta tudo bem. Respira. " Eu assenti com a cabeça ainda pendurada no ombro dele e as mãos fechadas na camisa dele, parecendo uma criancinha de três anos assustada. Com a diferença que eu estava muito mais assustada que qualquer criancinha de três anos, pode acreditar. " Desculpa ter te arrastado pra lá. "

Eu sacudi a cabeça em negação. A culpa não era dele. Depois disso eu que fiquei calada, o professor me deixou – aliás ele praticamente me obrigou, não que eu não tenha gostado, mas enfim – ficar longe das rãs, então eu saí do laboratório de química e fui pra aula de Inglês. Eu não tinha aula de inglês, mas era a aula que a Sango e o Miroku estavam tendo. A Jane, professora de Inglês, foi boazinha e me deixou ficar, fiquei dividindo a cadeira com o Miroku e conversando com umas pessoas em volta. Ela estava passando o gabarito de uma folha de exercícios e os alunos podiam conversar até ela terminar de copiar no quadro. Então ficamos conversando lá na turma até que ela corrigiu os exercícios e deu matéria até o sinal de mudança de aulas acabar e eu ter que me separar deles.

Era a última aula do dia e eu ia ter que voltar pra minha turma. Encontrei o povo saindo do laboratório de química com uma cara não muito boa, prontos pra seguir pra sala normal para a aula de Geografia.

A aula de geografia foi a única que passou 'tranqüila', quero dizer, tirando por todos os comentários e brincadeirinhas sobre o meu medo de rãs ( Coisas ao estilo de: 'Nunca vi ninguém com tanto medo de um sapinho inofensivo', 'Me deixou surdo! Isso é que é grito, hein Kagome?', 'Hey, Kagome, tem uma rã ali!' e muitos, muitos risos. ), seguidos sempre de bagunça, até o professor entrou na brincadeira, mas foi divertido.

Quando o sinal tocou e começou aquela tradicional agitação do povo correndo pra ir embora logo, eu comecei a guardar as coisas com calma na minha mochila.

" Graças à Deus isso acabou! " Inuyasha disse se espreguiçando ao meu lado, eu olhei ele se espreguiçar preguiçosamente ( redundante, não? ) e... Meu Deus, que braços são esses? Para, Kagome! Chega, que coisa idiota, como se você não soubesse que o Inuyasha tem um corpo incrível... " E amanhã é sexta! " Ele disse animado, com um sorriso. Ok, não era, aquele sorriso do tipo 'estou mesmo muito feliz', mas pelo menos era um sorriso.

" E amanhã tem teste de Matemática I. " Eu disse completamente desanimada e ele murchou o sorriso tão rápido que me fez começar a rir. Inuyasha suspirou e pegou meu fichário, eu só agradeci e começamos a atravessar o corredor em silêncio, assim que chegamos ao pátio encontramos o Miroku e a Sango conversando ao lado de um Sesshoumaru abraçado a Rin que sorria e gesticulava enquanto... Espera aí, o que o Sesshoumaru está fazendo aqui? Ainda mais mostrando afeto em público. Caramba Rin, como você fez isso?

O Inuyasha já estava com aquele olhar perdido de novo. Não importava quanto eu tentasse, aquele olhar aparecia assim que eu achava que estava melhor. Ai Inuyasha...

Nós chegamos perto dos outros e paramos ao lado deles, que em menos de dois segundos nos cumprimentaram e nos incluíram na conversa. Me deu até medo a rapidez deles, credo, tipo, sobrenatural!

" Hey, Inuyasha? " Eu chamei e ele se virou pra mim. Pelo menos não ficou surdo também. " O que você tem hoje? "

" Nada, ta tudo bem comigo. " Sabe quando alguma coisa não convence? Não convence, não convence mesmo? Pois é, não convenceu. Definitivamente. Eu suspirei e olhei para o outro lado, irritada. Porque você tem que ser tão orgulhoso, Inuyasha? Porque não pode me contar? Eu quero ajudar, será que é tão difícil entender o quanto eu me preocupo? Humpth! Sesshoumaru lançou um olhar transbordando de significados para o Inuyasha ( Que eu, aliás, não faço a menor das idéias do que signifiquem. ) e por um momento, no qual meu queixo foi parar no chão, não, meu queixo foi parar é no núcleo da terra! O Sesshoumaru, ninguém mais ninguém menos que Sesshoumaru Taisho sorriu confortador para o Inuyasha. Legal, o que está acontecendo aqui?

Não demorou muito pra que nos dividíssemos nos carros ( Com o pequeno detalhe que a Rin foi com o Sesshoumaru e avisou que iam almoçar juntos. Eles não são umas gracinhas juntos? ), eu juro que não queria nem olhar para o Inuyasha, ao mesmo tempo em que tudo que eu queria era ficar ao lado dele porque eu sei que ele não está bem! Então eu só fiquei quieta, lá na minha, sem incomodar nem ao menos uma mosca. E na verdade eu acho que o Inuyasha até está agradecendo aos céus pelo silêncio, já que ele ficou, se é que isso é possível, ainda mais distraído.

Quando o Inuyasha estacionou na garagem e eu subi sem falar nada, quando entramos no loft ainda vazio, é que eu acho que o Inuyasha notou que eu estava quieta.

Quanto poder de percepção.

" Ta tudo bem, bruxa? " Eu nem me dei ao trabalho de me virar para olhá-lo.

" Aham. Eu vou tomar banho. " Saí em disparada para o meu quarto. Cara, eu queria entender porque você está assim, Inuyasha. Mesmo. Droga, mas eu.. AI! Castigo Divino, só pode ser.

Lá estava eu, há uns bons sete passos de distância de onde eu estou agora, andando em direção ao banheiro e amaldiçoando a falta de confiança daquele hanyou em mim, quando eu não vi a cama em meu caminho ( Fala sério, como alguém não vê a CAMA no caminho? Preciso urgentemente de óculos, não é possível! ), e que felicidade do meu lindo destino levemente irônico – pouca coisa -, meu joelho bateu na lateral da cama e, ao invés de cair de cara no colchão como era de se esperar de uma pessoa normal – Eu sei que não sou uma pessoa normal, prefiro não me iludir tanto assim. -, não, é claro que não. Eu tinha que de algum modo conseguir cair de cabeça do outro lado da cama, no chão. E por algum motivo desconhecido agora tem seis camas nesse quarto!

" Kagome? " Inuyasha ( Na verdade InuyashaS, tem dois dele agora. Será isso o céu ou o inferno? Por favor, prefiro não obter essa resposta, sinceramente. ) entrou/entraram no quarto e me encontrou/encontraram esparramada no chão com uma das mãos na cabeça. Aliás, ta tudo rodando. Minha cabeça ta doendo! " O que aconteceu com você? "

Ah, que bonitinho. A voz do Inuyasha estava tão doce e hoje ele estava tão tristinho. Quero dar um abraço nele. Opa, espera aí, eu estou irritada com o Inuyasha porque ele é um maldito arrogante! Se bem que ele não tem obrigação de confiar em mim.

" Tudo bem, eu só caí, nenhuma novidade pra mim. " Ainda estava bem zonza com a porrada da minha cabeça no chão, mas eu queria que o Inuyasha saísse dali logo, então a última coisa que eu precisava fazer era deixá-lo saber que eu quase rachei meu crânio no chão e estou com a cabeça funcionando ainda menos que o de costume!

Inuyasha estendeu a mão pra mim, eu realmente não queria aceitar, quero dizer, se ele nem confia em mim qual é o problema, porque ele continua do meu lado? Só que eu sei que eu não tenho o menor direito de cobrar isso dele. Além do mais eu não conseguiria levantar sozinha. Então eu pus a minha mão sobre a mão estendida dele, que me puxou sem muito esforço. Que me puxou um pouquinho demais e eu caí um abraço dele.

" Só deixa eu te abraçar por um minuto. " Ele pediu com a voz rouca, perto do meu ouvido, o hálito quente batendo no meu pescoço e eu cada segundo mais zonza. Efeito posterior da batida, só se for. Então, por total e inteira culpa de uma queda idiota eu deixei o Inuyasha passar os braços pela minha cintura e o abracei de volta, escondendo meu rosto pescoço perfumado dele, e foi nesse momento que as palavras se formaram na minha boca, fazendo meus olhos se arregalarem e minha boca se contrair pra não soltar o 'Eu te amo' que se formou na minha garganta.

OoO

Depois daquele abraço que o Inuyasha me deu, ele me deu um sorriso e saiu enquanto eu encarava a parede do quarto, completamente chocada com a minha mais nova 'descoberta'. Até eu ver como eu estava viajando na maionese e isso era uma idéia absurda. Quero dizer, sim, eu o amo muito, como amigo. Melhor amigo. E eu sei disso. Até porque eu nem ao menos teria chances, só lembrar do lance da modelo de revista, então não, não é Kagome Higurashi.

Então depois que eu consegui colocar meus pensamentos em ordem eu fui tomar banho, depois coloquei uma calça jeans azul escura – colada, aliás. Já disse que a Sango tem problemas com coisas que não sejam ADERENTES ao corpo? -, uma blusa gola rulê verde e argolas prata gigantescas. O loft inteiro estava aquecido pelo aquecedor central então não senti necessidade de colocar um casaco, sapatos ou luvas.

Eu estou me sentindo retardada, não, é sério. Eu me sinto como uma total retardada. Porque depois daquele abraço eu simplesmente não tenho mais raiva, mágoa, birra ou o que quer que fosse que eu estava sentindo pelo Inuyasha antes. Não é pra se sentir retardada?

Por algum motivo, nem Sango nem Miroku voltaram pra casa, e como a Rin estava com o Sesshoumaru só sobramos eu e o Inuyasha no loft.

Eu estava 'meio' distraída pensando no que diabos o Inuyasha tem então eu nem lembrei o significado da expressão 'Bater na porta' antes de irromper no quarto do próprio. Dando uma de Inuyasha Taisho eu só abri a porta e entrei, e eu juro que nem se ele tivesse se agarrando com a Princesa Diana eu teria ficado tão surpresa.

Inuyasha estava sentado na cama com lágrimas nos olhos. Eu pisquei algumas centenas de milhões de vezes pra me certificar que eu não estava delirando, e no fim, não estava mesmo. Estava sentado na cama, com o porta retrato que tem a foto da mãe dele nas mãos e lágrimas rasas nos olhos. De repente meu coração estava menor que um grão de areia.

" O que você está fazendo aqui? " A pergunta não foi feita nem de modo grosso, mas em um tom tão seco que nem parecia do Inuyasha. " Fala tanto de mim mas também não bate na porta! " Mesmo tom. Eu mordi o canto dos lábios encabulada. Na verdade os olhos dourados ele só tinham tristeza e irritação, eu abaixei a cabeça louca de vontade de sair correndo dali e me esconder em um lugar onde eu não tivesse que vê-lo tão cedo, no Irã talvez. Mas havia coisas bem mais importantes.

Então eu só comecei a andar até a cama dele e o abracei. De repente o que importavas porque ele estava triste? Ele estava ali, precisando de apoio, precisando de mim e eu preocupada demais com a minha própria curiosidade. Meu queixo estava apoiado no topo da cabeça dele, sentindo os fios cor de prata no meu pescoço enquanto Inuyasha estava agarrado à minha cintura quase como uma criança. A foto estava entre nós dois.

" É aniversário dela. " Eu ouvi o murmúrio abafado contra a minha blusa e tudo fez sentido, os olhares distantes, falta de atenção, tristeza... Eu faria qualquer coisa pro Inuyasha se sentir melhor, mas tudo que eu podia fazer era exatamente aquilo. Abraçá-lo e deixá-lo saber que eu estava ali pra ele e unicamente pra ele.

Nem sei quanto tempo passou e nós dois continuamos aqui abraçados, não tinha mais lágrimas nos olhos dele e a expressão triste já estava se desanuviando. Dei o melhor sorriso que eu tinha pra ele e plantei um beijo no seu rosto. Inuyasha suspirou e olhou com carinho para a foto de Izaioy.

" O melhor presente que você pode dar a ela é ficar feliz hoje. Que mãe gostaria de ver o filho triste no dia de seu aniversário? " Inuyasha sorriu tão doce que me deixou estática, numa mistura de surpresa e alegria, ele correu o dedo indicador pela foto. " Agora sim sua mãe, que eu aposto que está olhando por você, vai ficar feliz em ver você dando um sorriso tão lindo pra ela. "

" O sorriso era pra você. " Inuyasha disse sorrindo de novo. " Por ficar do meu lado. "

Isso me arrancou um sorriso também. Ele por acaso comprou um livro de dez lições avançadas sobre como derreter o coração de uma garota?

" E porque você veio aqui? " Nós dois ainda estávamos abraçados, eu sentada no colo dele, que amparava minhas costas com a mão grande. Subitamente meu rosto foi se esquentando de rubor enquanto eu ia notando o quanto aquela posição era duvidosa.

" Para irmos almoçar. " Eu levantei o mais rápido que pude do colo dele. Fala sério.

" Ah, claro. "

Ele também levantou da cama e pegou minha mão antes de sairmos. Deixe que o Inuyasha cozinhe porque, como todo mundo já sabe, eu sou uma negação até mesmo pra colocar colheradas de açúcar no café!

Depois de comermos a originalíssima refeição sofisticada que consiste basicamente em macarrão instantâneo, a qual comemos sentados no chão da sala vendo TV e rindo das carinhas de pidões de Lully e Sol, tanto eu quanto o Inuyasha estávamos parecendo albinistas mentais.

" Hum? " Eu estava com a cabeça deitada no colo do Inuyasha no sofá, ficamos uma meia hora ali lerdeando depois de almoçarmos. " Temos que estudar. "

" É, eu sei. " Inuyasha disse com uma voz sofredora, mas com um meio sorriso travesso enquanto mexia nos meus cabelos. Aliás isso dá um sono... " E ainda é matemática! "

Eu sorri, Inuyasha colocou uma mecha atrás da minha orelha sorrindo. Sabe que ele melhorou muito depois de 'conversarmos' sobre a mãe dele, quero dizer, ainda tinha horas em que o olhar dele viajava longe, mas parecia bem melhor. E eu me sentia feliz com isso, aliás eu me sentia realmente muito bem ali deitada no colo do Inuyasha.

" Temos mesmo que estudar. " Eu disse outra vez, até porque se depender de Inuyasha Taisho nós nunca estudaremos nada. Típico. Saí do colo dele sem muita animação, estava tão bom ficar deitada lá. Inuyasha suspirou e eu o puxei pela mão pra que se levantasse. Inuyasha deu um sorriso travesso – Que de cara já fez meu alarme de 'Perigo' começar a soar internamente. -, passou os braços por debaixo das minhas pernas me erguendo no colo – Isso fez as luzes vermelhas começassem a piscar dentro da minha cabeça. -, quando ele saiu correndo em direção ao quarto eu já tinha sirenes de Alerta Máximo, Perigo Vermelho, luzes vermelhas e a nítida sensação de que aquilo não ia acabar bem para a minha barriga. E não acabou mesmo, assim que ele atravessou a porta do quarto e me jogou na cama, e eu já estava rindo muito antes mesmo que ele atacasse minha barriga e meu pescoço com aqueles dedos longos naquelas cócegas que são, sei lá, a mania do Inuyasha! Notei com muita felicidade e até certo orgulho o quanto a expressão dele mudou. Digo, não só porque ele tinha um sorriso e um ar de brincadeira, mas porque os olhos dele mudaram, estavam mais vivos de novo.

Só percebi que ele tinha parado de fazer cócegas na minha barriga depois de alguns – Ok, de vários. – instantes quietos, nos encarando. Eu perdida naqueles olhos magnéticos. Eu preciso mesmo admitir de novo que eu senti meu rosto ir aquecendo e quase posso apostar que estava ficando assim, levemente vermelha como um pimentão? Não? Ah, que bom. Olha que maneirinho, mudou o alerta na minha cabeça. Alerta alfa, excesso de cromossomo y, excesso de cromossomo y, sobrecarga!

" Eu... ham-err... " Não está um lindo, lindíssimo, dia pra alguém se matar com um ralador de queijo? " N-nós precisamos é... Estudar. Isso! Estudar Matemática I. " Eu sorri sem-graça, queria ( 'Precisava desesperadamente' se adequava melhor. ) sair do meio daqueles braços fortes que no momento servem de apoio para o Inuyasha, que está debruçado em cima de mim muito mais próximo do que eu consideraria saudável à pouca sanidade mental que me resta. O sorriso dele tão perto de mim, e eu me sentindo como se tivesse batido com a cabeça no chão outra vez, completamente zonza. Será que aquela batida deixou seqüelas? Inuyasha se aproximou ainda mais com aquele sorriso de mim plantando um beijo estalado na minha testa.

" Como quiser, senhorita. "

Ele saiu de cima de mim e assim que meu corpo voltou a obedecer às ordens enviadas pelo meu cérebro eu me levantei também, pegando o fichário e algumas apostilas de dentro da minha mochila, o Inuyasha foi buscar as dele enquanto eu ia para a sala, coloquei as coisas em cima da mesa, eu até estava entendendo bem a matéria de Matemática, quero dizer, funções não é tão difícil assim, mas amanhã começa a temporada de testes então eu quero me adiantar e estudar Bio II e Inglês que são na segunda-feira.

" Pronto. " Inuyasha colocou os cadernos e a apostila ao lado das minhas coisas sobre a mesa e, exatamente como ele faz durante as aulas, puxou a cadeira e a colocou praticamente grudada à minha, sentando do meu lado. Sorri pra ele por um momento antes de pegar meu fichário. " Vamos começar por Matemática não é? " Eu ri da forma entediada como ele falou e comecei a rir.

" Aham, vamos. " Inuyasha jogou a cabeça pra trás e passou a mão pelos cabelos prateados, bagunçando completamente a franja comprida. " Vem aqui, ficou bagunçado. " Eu aproximei minhas mãos do rosto dele ajeitando os fios lisos e finos sobre a testa. Ele tem a pele sempre tão quentinha.

" Feh. " Inuyasha sorriu. Era o sorriso de agradecimento. Eu sorri de volta, é engraçado quando você descobre o que as pessoas querem dizer com 'diálogo sem palavras'. O Inuyasha é assim, tem horas que ele não precisa falar para que eu entenda o que ele quer dizer. Deslizei meus dedos pela pele dele, sentindo o contato com a minha mão meio fria, e apertei as bochechas dele. Inuyasha bufou e tirou minhas mãos de lá com um meio sorriso. Ele pegou o próprio caderno. " Bora logo com isso porque eu não entendo nada de Matemática. "

" O que você não entende? " Tirei o caderno das mãos dele e comecei a folheá-lo, o Inuyasha é o tipo de garoto que você jura que tem aquela letra corrida, descuidada e em resumo ilegível, mas não tem não. É letra de imprensa, bem masculina, mas é completamente legível, tanto que beira a ser bonita. Só não é porque ele escreve de qualquer jeito. O caderno dele estava praticamente completo ( Eu enchi tanto a paciência dele com isso que ele realmente começou a copiar a matéria! ), abri-o e comecei a ler as teorias pra ele e explicar. Vai ser uma longa, longa tarde.

Umas três horas depois nós terminamos de estudar Matemática I e estávamos muito bem por sinal. Sango e Miroku já tinham chegado, aparentemente Miroku a convidou para almoçar e a Sango aceitou! Espero muito que eles se entendam, de verdade. Mas pelo que eles contaram foi tudo bem normal, então eles ainda não se entenderam completamente. Mas já foi um avanço. Tem um tempo que o Miroku parou de dar mole pras outras garotas, é sério, tem algumas semanas que eu não vejo ele tentar apalpar nenhuma garota que não seja a Sango! Sério, ele nem mesmo canta outras garotas! Ok que ele continuar tentando apalpar a Sango não é muito bom. Mas enfim, significa alguma coisa. Inuyasha jogou o caderno do outro lado da sala e eu sorri, estiquei os braços e as costas tentando me livrar do cansaço e da preguiça.

" Ok, acabamos por aqui. " Inuyasha disse. Ham... Inu querido, não sei se você se lembra mas nós ainda temos outros dois testes segunda. Quando eu abri minha boca pra falar isso a ele, Inuyasha sorriu ( De um jeito diferente dos outros que eu já conhecia. Aliás, quando eu cheguei aqui o Inuyasha nunca sorria pra mim, agora anda dando tantos sorrisos comigo que tem horas que eu acho que ele vai ficar com câimbra! Mas o que importa é que eu não conhecia aquele sorriso, mas de longe, virou o meu preferido. ) e recolheu suas coisas. " Eu tenho que ir à um lugar agora. Amanhã à tarde a gente continua a estudar, ta bom? "

Eu concordei com a cabeça e fiquei ali sentada na cadeira, olhando pro nada. Onde será que o Inuyasha vai? Quero dizer, ele parecia extremamente animado e isso era até meio estranho considerando como ele estava hoje mais cedo. Mas o que importa não é? Ele já está vem, é isso que me importa. E se ele estiver indo se encontrar com uma garota? AH-MEU-DEUS, e se o Inuyasha tiver uma namorada secreta? Respira, Kagome, respira. Isso nem é da sua conta.

" Mais tarde eu volto. " Inuyasha vestia o casaco enquanto falava comigo, tirei minha atenção da tão interessante parede para olhá-lo, Inuyasha beijou meu rosto e saiu sem esperar por uma resposta. Eu ri, e quem entende?

OoO

Depois de uma hora e pouco o Inuyasha voltou e nós quatro ( Sim, até agora nada de Rin ainda. Gracinhas. Nem comento. ) passamos o finzinho de tarde vendo um filme e comendo pipoca, chocolate, sorvete e porcarias que vão me fazer ficar ainda mais gorda. Quando o filme acabou já estava de noite. Nós ficamos conversando e depois jogando baralho até que, do nada, o Inuyasha avisou pra gente parar de jogar, então nós guardamos as cartas, nós estávamos jogando truco.

" Kagome? " Eu ouvi a voz do Inuyasha me chamar. Sem tons irônicos nem apelidos idiotas, o que era bem estranho vindo dele. Parecer uma pessoa tão normal assim do nada! Mas isso não me impediu em nada de virar pra ele e perguntar o que ele queria. " Quero que venha a um lugar comigo. "

" Inuyasha, já são onze da noite! "

Ele só sorriu e colocou o casaco, e eu sorri. Eu iria a qualquer lugar com ele hoje, quando eu entrei no quarto dele mais cedo e ele estava todo tão... triste, aquilo me deixou triste. E o que importa se são onze de noite, afinal? Era aniversário da mãe do Inuyasha, ele passou metade do dia mesmo muito triste, e a outra metade tentando superar isso, eu não ligo pro relógio ou pro teste de matemática. Eu me importo muito mais com o Inuyasha.

" Vem. " Eu fechei a parca preta e coloquei o capuz, forrado de pele sintética felpuda e gostosa por dentro ( por nada eu coloco alguma coisa com pele de animais de verdade ) e passei a mão pela calça jeans escura, ele calçou os tênis e eu pus a sapatilha acetinada preta antes de sairmos pro corredor e descermos pros frios das ruas.

O clima antes até estava menos frio, mas nos últimos dias ta um frio desgraçado. Meus dedos começaram a doer um pouco de frio, e mal tinha cinco segundos que eu e o Inuyasha tínhamos posto os pés na rua! Porque diabos eu não peguei uma daquelas luvas de cashmere ou coisa parecida? Ah sim, porque eu sou mais burra que uma janelinha de banheiro, que coisa feliz. Inuyasha colocou um braço pelos meus ombros e me puxou com delicadeza até a calçada e fez um sinal para o táxi.

Ok, ele está me deixando curiosa.

Entrei no carro logo sendo seguida por ele e o ar quente do aquecedor foi como uma dádiva. Que seja louvado o Deus dos aquecedores nos dias frios de inverno! Ta bom que em umas duas semanas já nem vai ser mais inverno, mas ok, abstraiamos. Ajeitei aquela maldita argola gigantesca na minha orelha, eu meio que tenho medo de que ela enganche no capuz da parca e eu, destrambelhada do jeito que eu sou, na hora de tirar o capuz leve metade da minha orelha junto!

Só que como toda boa besta eu estava perdida nesses pensamentos inúteis eu me distraí o suficiente para nem ver quando o Inuyasha deu o endereço para o motorista e só saí do meu 'transe' quando ele se esparramou melhor pelo banco do táxi.

" Para onde nós estamos indo? "

" É uma surpresa. "

O que esse hanyou está tramando? Bom, todos os meus pensamentos meio que evaporaram quando eu o encarei. O Inuyasha estava olhando pra mim também, e todas as luzes coloridas das ruas, que passavam rapidamente pela janelinha do carro, brilhando no rosto dele, e a sombra da noite deixando tudo com uma atmosfera encantadora. Bom daquele momento em diante eu não raciocinei mais.

O táxi parou no meio da ponte. Exatamente, a Brooklyn Bridge, que liga Manhattan ao Brooklyn. Tipo, o que diabos nós estávamos fazendo ali? Ele pagou o taxista e me tirou do carro com cuidado, como se eu fosse portadora de alguma atrofia cerebral ou algo assim. Só que antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa ele me pegou no colo, lembrando de tampar os meus olhos, e foi pulando até que me colocou em pé de novo e tirou a mão pra que eu pudesse ver.

Ah. Meu. Deus. E eu vi.

Meu corpo todo congelou, senti meus olhos se arregalando ao máximo enquanto eu olhava tudo completamente boba. Nem me lembrei de sentir medo pela altura, era tudo tão mágico que era como se nada mais me importasse.

Ele tinha subido comigo até o alto de uma daqueles 'aros' gigantes que servem de suporte pros cabos de aço da ponte. E a vista era mais do que espetacular. Os cabos ainda tinham as bolas de luzes que colocam no Natal, então, dos dois lados da ponte, dava pra ver aquela seqüencia de bolinhas iluminadas que levavam a minha atenção até a cidade. A vista da cidade a noite era de deixar qualquer um sem fala. As luzes douradas brilhando de toda parte e a cidade parecia como uma festa sem fim. O East River abaixo de nós correndo e as águas reluzindo, e do outro lado da ponte a vista pro Brooklyn, não me entendam mal, era bonita, mas não chegava perto da grandeza que era olhar Manhattan de cima à noite. (1)

" Uau. "

" É lindo, não é? "

Eu me virei para o Inuyasha, que também estava olhando a vista e dei um dos maiores e mais sinceros sorrisos de toda a minha vida. Quero dizer, qual era a probabilidade de que um hanyou gato desses trouxesse logo Kagome Higurashi pra ver uma coisa tão maravilhosa dessa podendo chamar qualquer garota exageradamente linda pra ter o privilégio de ver essa cena? Levando em conta todos os acontecimentos da minha vida, aleatoriamente, a chance era equivalente a 0,00001 por cento. Só mesmo ele pra fazer esse '1' acontecer.

" Bom, não é como nos filmes que o cara diria 'eu sempre venho aqui quando preciso pensar mas queria dividir isso com você', na verdade eu vim aqui de tarde pra ver se tinha como trazer você aqui agora à noite. " Ele sorriu e meu coração ficou batendo naquele ritmo inconstante. Então foi isso que ele fez à tarde!

Tirei o capuz da parca deixando meus cabelos livres para se sacudirem à mercê do vento, não muito forte, e meio frio e em seguida terminei de me livrar da parca, a deixei ficar ao lado dos meus pés, e ajeitei a blusa de lã verde escura. As mangas compridas e a gola rulê não eram suficientes para me esquentar a uma temperatura tão baixa, mas eu não estava me importando em nada com isso.

Então, meus olhos desceram. E eu finalmente notei que nós estávamos a metros e metros de altura, sem nenhum tipo de proteção em volta de nós e lá, beeem lá embaixo o East River não parece um bom ponto de aterrissagem. Preciso dizer que começou a bater um pânico de cair?

" Está com medo do que? " Eu o encarei meio confusa. E ele sabe que eu estou com medo como? Ah é, o cheiro! 'Nunca tenha medo de um cachorro, ele sente o cheiro e ataca.', quem nunca ouviu isso na vida?

" É meio ridículo, mas é que se a gente cair daqui... Tsc tsc tsc. " Ele riu. Isso mesmo, o Inuyasha olhou pra baixo e riu. Cara, ele é suicida ou o que?

E em seqüência, com um lapso de estranheza ainda maior do que o que ele vinha tendo até o presente momento, o Inuyasha passou as mãos pelas minhas costas e me puxou pra ele, enfiando o rosto no meu pescoço e me deixando com o rosto escorado nos ombros dele.

" Eu não vou deixar você cair, prometo. " Eu sorri e passei os braços em torno da cintura dele também. Não sei dizer quanto tempo nós ficamos ali, abraçados, no topo de uma ponte, em meio a um cenário surreal, abraçados, e eu com os olhos fechados encostada ao calor dele, mas posso dizer que seja quanto tenha sido, durou o suficiente pra ser inesquecível.

Então Inuyasha me soltou sem se afastar muito, eu desvencilhei meus braços da cintura dele e tirei uma mecha que o vento soprou no meu rosto. Os olhos do Inuyasha estavam brilhando mais que todas as luzes de Manhattan juntas, era um brilho incrivelmente reconfortante. Com o dedo ele levou uma das mechas inquietas do meu cabelo pra trás da orelha e dali desceu a mão pro meu pescoço. Todos os pelos do meu corpo se eriçaram na mistura do carinho com o vento, que de repente tinha ficado delicioso em contato com a minha pele agora quente. Posso apostar que estava com as bochechas inteiramente vermelhas.

As mãos dele desceram pro meu quadril e me seguraram firme, me puxando pra mais perto dele. Como se isso fosse possível! Mais devagar do que o funcionamento do meu cérebro, o Inuyasha colou os lábios na minha testa, e meio que no automático eu fechei os olhos, por conseqüência meus outros sentidos se apuraram um pouco mais, o cheiro do perfume dele no meu nariz me deixando agradavelmente tonta, o carinho dele por cima da roupa parecendo mais irresistível do que em qualquer outro momento, e o rosto dele descendo para beijar minha bochecha que ficava mais quente. Subi minhas mãos pro pescoço dele, sentindo a pele e a pulsação dele sob meus dedos, dedos gelados, diga-se de passagem. Como instinto, meus dedos começaram a se mexer independentes dos comandos, escassos, da minha mente, fazendo carinho na base do pescoço à nuca, e da nuca ao pescoço, sentindo os fios prateados roçando em minhas mãos enquanto eu movia minha mão sobre o pescoço dele.

Se existe uma possibilidade de alguém ganhar um prêmio pelo pescoço mais sexy e mais perfumado da terra, outros concorrentes, desistam, ele já foi conquistado por Inuyasha Taisho.

E eu também.

Espera o que eu pens-- ?

Não deu tempo nem de concluir o pensamento, a boca quente dele que estava pressionada na minha bochecha terminou com o curto espaço e se colou à minha própria boca. Meus olhos que já estavam fechados se pressionaram mais, e cessei o carinho no pescoço dele, passando agora a usá-lo como um apoio.

Um raio atingiu minha espinha me deixando completamente mole e entregue quando a língua dele percorreu meus lábios antes de abrir um espaço por entre eles, coisa que eu não ofereci a menor das resistências, e alcançar a minha, começando a massageá-la. A língua dele massageando a minha, os lábios quentes sobre os meus, aquele gosto doce e os movimentos dele contra os meus, o carinho nisso tudo. Eu vou enlouquecer!

Os dedos dele abriram uma fenda entre a blusa e a calça jeans e se deslizaram até a minha pele, enviando um formigamento pro resto do meu corpo. E um arrepio de frio, que ele notou e sorriu. Afastou-se alguns milímetros antes de mudar a posição do rosto e encontrar nossas bocas de novo. As mãos dele puxaram minha blusa pra baixo, cobrindo a fenda antes de deslizarem e entrarem nos bolsos da minha calça jeans.

Eu me sentia inteira febril, agitada, calma, nervosa ( sim, eu estava um turbilhão ), protegida. As pequenas mordidas que ele dava no meu lábio inferior e as sensações de ter o rosto dele relando no meu carinhosamente, e principalmente aquele beijo divinamente perfeito.

Inuyasha desencostou os lábios dos meus ( Infelizmente isso iria ter que acontecer em algum momento. ), mas não se moveu um milímetro pra longe de mim, continuou perfeitamente acomodado em volta do meu corpo e abraçado com as mãos sendo aquecidas pelo tecido da minha calça ( E pensando bem, pela minha bunda também. Ah. Meu. Deus. Mas nem isso me incomodou. ). Por alguns longos momentos eu fiquei perdida dentro dos olhos dele. O dourado deles se espalhando por mim e me atraindo cada vez mais, e eu não sentia a mínima necessidade de voltar, até que eu enfiei meu rosto no pescoço dele outra vez, aspirando aquele perfume delicioso. Ele deu um beijo no topo da minha cabeça antes de se acomodar no meu pescoço também.

Eu estava muito, muito, muito cheia de vergonha. Muito cheia de carinho. Muito cheia de alguma coisa que eu não sabia identificar. Mas acima de tudo, muito cheia de vontade de ficar perto dele o tempo inteiro, muito mais do que eu tenha sentido em qualquer outro dia da minha vida.

Quando eu senti os lábios dele se movendo contra o meu pescoço e os caninos se pressionarem suavemente contra a pele, um suspiro escapou sem que eu nem percebesse. Inuyasha começou a rir.

" Kagome Higurashi rendida aos meus encantos, quem diria. "

" Cale a boca e não estrague o momento. " Eu disse rindo, ainda de olhos fechados com o rosto escorado no pescoço dele.

Meu coração batendo tão calmo e tão acelerado ao mesmo tempo, eu não conseguia tirar o rosto do Inuyasha da minha mente pra nada. Talvez só pra sensação dos lábios dele nos meus. E foi aí que a ficha desceu, depois de tanto tempo a ficha caiu: Eu estou apaixonada por Inuyasha Taisho. 'Você gosta dele não gosta?' Eu quase pude ouvir a Sango me perguntando isso. Tudo aquilo que eu senti na praia com ele, dos arrepios que ele me causa, do cheiro perfeito do pescoço dele. Aquele 'Eu te amo' não era de amiga, longe disso.

E nem sinto vontade de me matar por isso! Parece tão... certo.

" Você é quem manda. "

E com um sorriso extremamente sexy ele voltou os lábios aos meus, levando sua língua a explorar o interior da minha boca e me fazer perder a força nas pernas ( todas as vezes que eu li isso em livros, fics, ou o que seja eu ficava pensando em como era uma tremenda falta de criatividade todas dizerem a mesma coisa, mas sabe o que? Todas dizem a mesma coisa porque é exatamente o que acontece.). Bom, isso definitivamente conta como primeiro beijo.

OoO

(1) Para vocês entenderem melhor o que eu quis dizer com a vista eu vou colocar a foto aqui pra vocês, ok?

w w w . MEU DEUS! Capítulo novo de República sim.

Esse capítulo pra mim é particularmente especial. Primeiro porque eu nunca em todos os meus anos de ficwritter ( Que são bastante, bastante mesmo, considerando que essa não é, nem de longe, a primeira conta. Mas hum... Isso é melhor deixar pra lá. ) fiz uma fic tão grande. Porque o capítulo dez é um marco, está fechando a primeira dezena da minha vida. Mesmo em longfics que deveriam ter mais de dez capítulos, quem escreve sabe, que as vezes é muito complicado!

Mas é claro que eu não consegui nada, n-a-d-a, sozinha. Foram 185 reviews até aqui, reviews lindas de leitoras maravilhosas que só me disseram coisas boas ou críticas muito construtivas, através de reviews que eu consegui amigas até! ( A Juh é um ótimo exemplo disso. \o ) Reviews que me incentivavam e incentivam a continuar e que é só pra vocês que eu escrevo. É só por causa delas que todo tempo sobrando que eu tenho eu sento no computador, abro o Word e fico um bom tempo tentando achar a melhor maneira de continuar a fic. E também não seria nada sem a Dani, a Juh, a Marii, e todo mundo que me dá opiniões sobre o capítulo, me ajuda a continuar, e a Dani em especial que de todo modo é a minha beta reader.

E, acho que para as leitoras essa parte é a mais importante, depois de dez longos capítulos e mais quatorze páginas de espera no décimo, finalmente sai o primeiro beijo do nosso casal preferido. E eu nem tenho o que comentar sobre isso, diga-se de passagem, eu quase morri escrevendo. Primeiro porque eu queria fazer alguma coisa à altura de vocês, que foram as melhores leitoras, e para vocês. Espero ter conseguido.

Acho que é isso.

Sobre o capítulo, eu não tenho o que comentar, acredito que não hajam dúvidas porque ele foi todo muito simples. Espero que vocês gostem, e se possível, continuem me mandando as reviews porque eu as amo muito também, sabe?

Enfiim. Chega, porque essa nota ficou enorme! Ah sim, e só pra constar, eu completei um ano no com essa conta no dia 22 de fevereiro e vai fazer um ano dês de que eu postei a primeira fic aqui dia 6 de abril, que é 8 dias antes do meu aniversário de quinze! Beijos.

E agora, é claro, reviews.

Lory Higurashi: AHUSHUASUHASUH. Sério? Com o 10 eu acho que nem devem ter sido muitas gargalhadas internas, mas espero que tenha gostado do mesmo jeito! Aqui está, continuado. Beijos, Faniicat!

lilermen: Hey! UAU! Que bom que você gostou. Pois é, já nesse cap foi o exato oposto, pouquinha ação, muito romance, e alguma coisa de diversão, eu acho. Que bom que você gosta e eu postei mais ou menos no tempo da semana passada, duas semanas. Sério? Ai, que linda. Obrigada. Espero que continue mandando então. Beijos, Faniicat!

Nana Jones: Heey; HUASUASHUASUSU. Pois é, não é? A Kagome é um imã para situações inusitadas, confusões, e para a sorte dela, um certo hanyou MUITO gostoso também. No final das contas, seja qual for o tamanho da confusão que ela se meta ela vai continuar sendo uma garota de muita, muita sorte. Siiiim, amei ela jogando sorvete na cara de um loirinho californiano cara. Obriigada. Aqui está, Beijos, Faniicat!

Pah-Chan: Ah, que bom. Sério? Que bom que você gostou. Ele é uma coisa muito fofa mesmo. HSAUASUSHU. Falando em surrealismo, esse capítulo foi até bem pé no chão, tirando pelo beijo. O Beijo tava até bem longe do chão em TODOS os sentidos. GYASAYGSYSSHUAS. É, infelizmente. Estudar, estudar, estudar e ficar neurótica, rotina de aulas é assim mesmo. Eu tenho testes e provas toda terça e sexta até o fim do ano! YASGYASYASYAHSUASHUAS. Sim, sim, apesar de tudo eu fiz o que pude e cá está o novo capítulo. Espero que tenha gostado desse também e boa sorte nas provas \o. Beijos, Faniicat!

Kagome-DarkAngel: HUSHUAHUASUHUAS; Ah, nem era uma idéia idiota, eu até poderia ter feito. Mas meus planos já estavam traçados, na verdade, já estão traçados, e ao invés de uma crise de ciúmes o Inu teve foi uma crise de romantismo extrema. ASUASHUUHASHU. Enfim, espero que tenha gostado, e sinta-se livre para dar idéias porque nós sempre podemos acrescentar alguma coisa nos capítulos, certo? Beijos, Faniicat!

kagome (sami): Ahhh, obrigada! GYSGASYASGYYASUASHUAS. Que bom que você riu com o cap passado. Esse não é exatamente uma comédia, quis focar um pouquinho mais no – agora – romance deles. Aiii babo taanto. AHUSHUASHUASHU. Mas é verdade, capítulo passado teve marcos, e eu também gostaria de fazer a polícia prendê-los, mas aí eles iriam repetir por falta! UASHUASHU. Beijos, Faniicat!

Aline Higurashi: HASUAHSUASUHAS. Normal, norma, a maior parte de nós está na MEEEESMA situação. Obriigada, HUASHUASUHasuhasu. Esses dias em que nós estamos irritadas e o mundo resolve conspirar contra NUNCA dão certo. ASSAUHASHUASU, espero que suas químicas, físicas e biologias não tenham te atormentado muito. Beijos, Faniicat!

Kagome Juju Assis: JUUUUUUUUUH! E sua review EQUITOMÉTRICA! Aii que linda! UHSAHUASHUUSHUSUSHUSHUUSH. Oh god, olha, eu não tinha corrigido a fic com a minha beta ( Como deu pra ver pelos PEQUEEENOS erros de nexo. ) entãão siiiim, Você fooi a primeira a ler! UHASUSHUUHSAUSUHAS, você é má. FF NUNCA nos vencerá o/\o, Eu tenho e fico assistindo Padrinhos Mágicos. Ai ai, pagaremos por isso algum dia. Beijos, Fanii!

Hanari: Heey , que bom que achou. ASUHUASHUASHUASHUASU, éééééé, pé na bunda das louras, morenas, castanhas e ruivas sem noção que não vêem que o Inuyasha JÁ TEM a garota que ele precisa, apesar de que ele não sabia. Agora... HASUSHU, bom agora já mudou de concepção. Espero não ter demorado muito. Beijos, Faniicat!

Mari Himura: Obrigada! UHAUSHUSAUASUS, todas queremos 'ficar-paralisada-porque-um-hanyou-multipolar-e-muito-gato-mesmo-nos-beijou'. HUAUSHUSUS! Enfim, aqui está o capítulo dez com uma das cenas que mais me cobraram até agora. Espero que esteja à altura. Beijos, Faniicat!

Kaoro Yumi: Obrigada! HUASUHASUHASHU, bom, então acho que você já pode relaxar, já que o beijo e os similares... estão aí! Agora que já leu a parte dos beijinhos me conta, melhorou? Espero que sim. HUSAHASUSHU, olha, eu sou tão ( ou mais oO ) dramática que ela e me envolvo em CADA confusão também que é brincadeira, mas no geral é só isso que nós duas temos em comum. ASUHHASUAS, aqui está. Beijos, Faniicat!

Daanii: Amooor da minha vida, quando sua dor de estômago melhorar você lê. HUASUHASUHASHU, você sempre lê uns pedaços antes de todo mundo. Enfiim, te amo. Beijos, Faniicat!

Mary M Evans: Sério, obrigada? Bom, metade desse capítulo eles estão sem estarem juntos, mas no finaal néééé... Daqui em diante as coisas vão mudar bastante, mas a relação deles vai continuar quase a mesma. Até porque eles já pareciam namorados, só que sem se beijarem. Eu concordo, quando o namoro tem como base uma amizade de verdade e tudo o mais, o relacionamento é mais sólido. Eles já se conhecem, já tem convivência, já sabem das qualidades e defeitos, enfim, e isso é sempre bom. JASISJASUHAHUS, ok. Não sei se está bom como o outro, mas aqui está o capítulo novo. Beijos, Faniicat!

Polly: Eu acho que já sim. Bom, desejo realizado, cá estão eles. Espero que goste desse cap novo e que se você ficou esperando, que tenha valido a pena. Beijos, Faniicat!

Lore Yuki: HUASUHSAUHUAHSHU SIIIIIIIIIM! A Kagome SÓ pode ser um amuleto, nem eu sei como é que ela acabou ficando desse jeito! HUASUASHUASUH. Né? Né? Né? Kagome ta dando um jeito nele, daqui a pouco ele vai até começar com 'por favor' e 'obrigada'! Aham, eu acho que independente do quanto ela ame e considere o Inuyasha, o melhor amigo dela virá a ser o Miroku e mais uma pessoa que por enquanto é segredo, há! HUASHUAHUSUHAS. Obrigada. Espero que sua hiper mega Power ansiedade tenha sido recompensada! HUASHAUSUAH. Beijos, Faniicat!

Sesshy Stalker From Hell: Noss, obrigada! UHASUASUHUAS. Espero que continue gostando, Beijos, Faniicat!

Ana-chan: ÉÉ, BRIIGA! ANG, ANG, ANG, SORVETE E MUITO SANGUE! xD Obriigada, well, aqui está a continuação. Beijos, Faniicat!

Kaori-sann: Ué, claro! É, ou então ele pode ser dono de Disney ou qualquer coisa humilde assim, o Miroku é bem o tipo de pessoa que pode fazer isso. ASUHAHUUAHSUH, que bom que achou engraçado oras, a intenção era fazer graça mesmo! De onde? Bom, eu acho que a imaginação do Inuyasha, tal qual seu estômago, é um buraco negro sem fim, de onde ele pode tirar qualquer besteira. Eu não tenho irmãos \o, nem gostaria, mas se fosse pra ter, que fosse como o Miroku! ASUASHASUSSU, professores The Flash são os melhores ever! Beijos, Faniicat!

Rin-chan: AUSUHSUHSHUS, o Miroku e a Sango serão os últimos a se acertarem, tadinhos! Mas prometo tentar fazer alguma coisa bem, BEM bonita. Não pararei! HUASUHASHU, Beijos, Faniicat!

sakura-princesa: Oii! Ah, relaxa! Nossa senhora, mas já está melhor né? Que bom que gostou do cap; e desse? ( Momento parecendo-uma-criança-em-véspera-de-natal ) AUSHUASHUASU, ok né oo'. Beijos, Faniicat!

Kirarinha: HUASHASUASHUAS, não sei. HUSAUASHUAS, ah, eu consigo. Apesar de que ela é ainda um pouco pior! Eu não troco eles mais nem pelo sistema solar inteiro, que dirá por quatro californianos bonitinhos, eles tem que enchergar suas próprias insignificâncias! HUASUHASUHAUS. Beijos, Faniicat!

Jéèh chan': POR MUUUITO POUCO eu não respondo sua review! HUASUASHUUSH. Eu tava indo postar o décimo quando vi que tinha review nova. Seja bem-vinda à minha humilde fic e espero que goste! E que volte! UHAUASHUHSU. Beijos, Faniicat!