No Ministério da Magia...
- Sim, capturei o fugitivo de Azkaban. E receberei o devido valor quando entregar Black ao Ministério. – dizia Lucio Malfoy para um bruxo alto, magro e enrugado a sua frente.
- E quando será isso? – perguntou o bruxo presente.
- Assim que...
- Com licença senhores – interrompeu uma bruxa ao entrar na sala – Me pediram para comunicar. Cornélio Fudge acaba de retornar da América.
- Excelente – exclamou Lucio levantado e virando-se rapidamente. Suas vestes longas e pretas rodaram elegantemente e com um sorriso no rosto o bruxo continuou – Respondendo a sua pergunta, será agora mesmo meu caro. Até breve, senhores.
E com um forte baque Lucio Malfoy desaparatou.
Na Toca...
- Ronald Weasley, você vai ficar uma semana, um mês... todas as férias de verão de castigo. – berrou uma senhora baixa e ruiva na cozinha da Toca. Depois virou para o outro garoto e disse – Harry querido, vocês não deveriam ter feito isso. Perigoso demais. Eu morreria se algo tivesse acontecido com vocês.
- Mas não aconteceu Molly – interrompeu Remo Lupin que acabara de entrar na cozinha. – Isso é o que importa. Não aconteceu.
- Invadir a casa de Lucio Malfoy! Isso é demais, ultrapassaram os limites! – continuou a Sra. Weasley que andava de um lado para outro, com uma colher de pau das mãos.
- Molly, dê um tempo aos garotos – disse Sirius Black aparecendo na porta. Ele agora estava limpo e de vestes novas. Parecia ter rejuvenescido uns dez anos. Entrou na cozinha e foi em direção a senhora ruiva. Com um gesto rápido, pegou a colher que Molly segurava.
- É melhor eu ficar com isso. Instrumento perigoso – disse sorrindo para a Sra. Weasley.
- É por isso que Harry age dessa maneira. Com o pai que teve e agora com o padrinho que tem, o resultado não poderia ser outro.
Sirius continuava sorrindo. Sentou-se na cadeira diante da enorme mesa que compunha o lugar, pegou um prato e encheu de comida. Rony, Harry, Hermione e Remo o acompanharam. Todos se serviram fartamente. O assunto que se seguiu ainda era sobre a fuga de Sirius da Mansão Malfoy. Rony contava entusiasmado enquanto Molly o repreendia a cada minuto. Os garotos contaram sobre a carta de Dumbledore, Fawkes, sobre a chegada na mansão, sobre o feitiço que Hermione lançara no mapa, a entrada na casa, Draco Malfoy sendo enganado e...
- Aquele bicho também. Quase nos pegou. – contou Rony
- Não é bicho Rony. Quantas vezes preciso dizer? É um elfo doméstico. – repreendeu Hermione
- Ah dá no mesmo! – continuou Rony
- O que você fez com ele Sirius? – Harry acabara de se lembrar que o padrinho descera com o elfo para o porão e voltara de mãos vazias.
- Ele o matou, é claro – respondeu Rony no lugar de Sirius.
- É verdade? – perguntou Harry virando-se para encarar o padrinho. E Sirius estava sorrindo torto, com a cabeça levemente inclinada, apoiada sobre a mão direita. Um brilho irradiava em seus olhos.
Na mansão Malfoy...
- Anda estúpido, abra isso logo – dirigiu-se Lucio Malfoy que acabara de aparatar em sua casa.
O elfo doméstico obedeceu. Ficou de joelhos e abriu as portinholas que davam acesso ao porão.
- Agora saia da minha frente seu imundo – berrou Malfoy dando um chute na criatura que caiu de costas no chão.
Lucio desceu as escadas e foi ao encontro do prisioneiro. E lá estava ele, estendido no chão, coberto dos pés a cabeça com o enorme saco preto que o impedia até de respirar.
- Hora de partir Black. Como a vida é justa, não é mesmo? Você escapou da prisão e agora será trancafiado novamente. Só que dessa vez, será difícil sair impune. O primeiro prisioneiro de Akkaban a fugir da fortaleza. Eles não vão deixar barato. Você servirá de exemplo para que outros não cometam a mesma estupidez.
Enquanto falava, Lucio olhava fixamente para o corpo inerte no chão. De repente sua expressão mudou.
- Você não se mexe. Será que morreu? – disse desconfiado – Não importa, não é mesmo? Vivo ou morto você será útil. – e estendendo a varinha para Black, disse:
- Mobilicorpus.
Fios invisíveis foram amarrados ao redor do corpo no chão e fizeram o mesmo flutuar. Quando adquiriu certa altura, um estrondo aconteceu. O saco preto se rompeu e uma figura pequena, magra, suja, de pernas longas e extremamente finas surgiu no ar. Ela estava imóvel, nem um músculo se mexia. Apenas suas pálpebras indicavam que a estava viva.
- Mas o que significa isso? – perguntou Lucio Malfoy atônito e visivelmente confuso – Que brincadeira é essa? Onde está o Black?
Malfoy estava diante de um dos seus elfos domésticos. A respiração do bruxo começou a acelerar, olhava de um lado para outro a procura de Sirius Black. Um ódio inimaginável começou a invadi-lo, deixando seu rosto quente como brasa.
- Seu inútil. Explique-se – Malfoy quebrou o feitiço paralisante que estava sobre o elfo, fazendo-o cair direto no chão. A criatura que começou a tremer, olhou para seu dono e respondeu.
- Eu... eu não sei meu senhor. Diggy não sabe de nada, não ouviu nada. Diggy ficou no escuro, só isso que Diggy sabe.
- Quem estava aqui era Sirius Black. Como-ele-escapou? – Lucio pronunciou as palavras pausadamente aproximando-se do elfo estendido no chão.
- Não sei meu Senhor. Diggy jura, Diggy não sabe.
- Isso não pode estar acontecendo, não pode. BlAAAACK! – vociferou Lucio Malfoy
"(...) Harry observou Sirius pegar o elfo doméstico, abrir as portinholas que davam acesso ao porão e descer escada abaixo. Sirius correu até o lugar onde fora deixado por Malfoy. Colocou o elfo que estava sob efeito paralisante no chão, pegou o enorme saco preto que antes fora obrigado a usar e enfiou o elfo adentro. Deu um leve nó na ponta. Depois estendeu a varinha e pronunciou: Obliviate e deixou rapidamente o lugar. Tudo pareceu durar uma hora, mas não passou de dez minutos. Sirius retornou do porão com as mãos vazias. (...)"
Na Toca
Depois do almoço, todos foram se sentar na sala. Arthur Weasley chegara do Ministério informando sobre o retorno de Cornélio Fudge. O pai de Rony nem notara a ausência do filho na noite passada e quando soube da fuga de Sirius, que só fora possível devido à ajuda de Harry, Rony e Hermione, Arthur não sabia se repreendia os três pela irresponsabilidade ou se orgulhava pela coragem e ousadia deles. Uma coisa era certa, exigiria explicações de Dumbledore mais tarde.
Rony espreguiçou- se no sofá, deu um longo bocejo e convidou Harry e Hermione para subirem até o quarto. Sem sombra de dúvidas, os três precisavam descansar. Harry levantou-se, mas antes de dar um passo, ouviu Sirius dizer:
- Espera Harry. Preciso falar com você. – Com um gesto Sirius pediu para que Harry o acompanhasse.
Os dois foram para fora da Toca. Ventava frio e o sol estava plenamente escondido entre as nuvens. Harry desceu um degrau da escada, a mesma que dois dias antes estivera sentado conversando com Lupin.
Sirius olhava para o céu, apreciando cada nuvem exposta. O tempo estava fechado, o forte vento levantava discretamente seus cabelos. O bruxo encheu o pulmão com um forte respiro, depois soltou o ar tranquilamente. Ainda olhando para o céu, disse:
- Como é bom respirar ar puro. A liberdade é um dos bens mais preciosos da vida.
Harry não respondeu. Estava ao lado do padrinho, com as mãos cruzadas sobre a grade que dava acesso ao jardim. Sirius virou-se para olhar o afilhado, parou por um momento e depois continuou:
- Você se arriscou muito indo até a casa do Malfoy. E se pegassem você?
- Não me importaria – respondeu Harry que não evitou o olhar de Sirius.
- Sim, imagino que não. – Sirius sorriu e parecia estar mais feliz do que nunca. – Parece o Tiago falando. Ele teria feito o mesmo. Mas quero que me prometa uma coisa.
Harry concordou com a cabeça. Sirius prosseguiu:
- Sempre tome cuidado em suas... aventuras. Muitas pessoas se preocupam com você. Precisa se cuidar Harry. E o mais importante, ocorrendo qualquer problema, por menor que seja, quero ser informado. Estamos entendidos?
- Sim.
- Assim é melhor. Agora... Arthur te levará para casa – a expressão de Sirius mudara. Agora era de pesar, desgosto – gostaria de poder te levar, mas a essa hora, Lucio já sabe da minha fuga e provavelmente já está atrás de mim.
Sirius tinha razão e Harry sabia disso, mas o menino não podia negar que se sentia frustrado com isso. O que mais queria era poder ficar com o padrinho, morar com ele, ter uma família de verdade, porque os Dursley definitivamente não eram sua família, nunca foram. Harry odiava as férias de verão justamente porque tinha que ficar com o tio Valter, Petúnia e o primo Duda.
Como se tivesse ouvido os pensamentos de Harry, Sirius continuou:
- Um dia Harry, um dia, está bem? Agora vamos, antes que escureça. E não se esqueça da sua promessa. Se acontecer qualquer coisa, mande me avisar. Estarei com você.
Mais tarde, Harry foi levado novamente para a Rua dos Alfeneiros, nº 4. E os Durleys nem repararam a ausência do menino em todos esses dias. Pelo contrário, assim que surgiu na porta, Valter Dursley berrou dizendo que era para Harry voltar para o quarto porque não queria ver o moleque na sua frente.
Harry voltou para o último lugar que queria estar no mundo, porém ao lembrar-se de sua aventura com os amigos, saber que Sirius não estava mais em poder de Lucio Malfoy, alegrou-se e sentiu uma onda de paz. Apesar de tudo, sentia-se feliz. Sim, essas férias serão inesquecíveis, pensava ele. E depois, como um relâmpago, um menino pálido e muito loiro passou em sua mente. Draco, o que será que aconteceu com o idiota? Perguntou Harry sorrindo para si mesmo.
Na Mansão Malfoy
- Eu fiz um favor ao... Você- sabe- quem. – disse Draco diante do pai. Ambos eram muito brancos e loiros.
- Você fez o quê? – perguntou Lucio Malfoy que estava prestes a crepitar de raiva.
- Black trabalha para... Você-sabe-quem. E se... você-sabe-quem souber que nós ajudamos, ele vai nos recompensar.
- Recompensar? – Lucio fechou os olhos e respirou fundo. Parecia uma cobra prestes a dar o bote – Draco, seu...! Você tem dois segundos para sumir da minha frente. Caso contrário, esquecerei que você é um Malfoy.
- O quê? Mas eu ajudei o...
- Suma-da-minha-frente Draco. Agora.
E com cara de espanto, sem entender nada, o garoto loiro saiu da presença do pai. Lucio fechou os punhos, cerrou os lábios e num ranger de dentes, exclamou:
- Harry Poter, seu fim está próximo.
