Capítulo dez: So much for my happy endindg

Ino se virou na cama assim que ouviu o som da porta bater, sob a forçada promessa feita à Shikamaru de que não se levantaria dali até que ele voltasse para cuidar dela. Alisou o próprio corpo, não precisava dos cuidados e nem de ninguém e por isso tratou de enxotar todas aquelas pessoas de sua casa e tão pouco precisava Shikamaru, mas sabia que se livrar deste seria praticamente impossível e por isso apenas revirou os olhos após longos minutos de discussão e dando-se por vencida concordou em deixar o moreno passar a noite ali consigo.

Levantou-se muito lentamente, temia tontear novamente com movimentos bruscos e motivo era obvio, ainda não tinha comido o suficiente. Desceu as escadas sob o silêncio, onde estaria Deidara agora.

Colocou a chaleira com água sobre a auréola de fogo controlado do fogão, realmente odiava aquele tipo de tratamento que recebia das pessoas. Após a morte de Asuma-sensei foi logo a vez de seu pai e então as pessoas a passaram tratar como frágil, como alguém que sempre precisava de um tratamento especial. Deidara não era assim, ele sabia o ponto certo para cuidar de si.

Deidara. Lembrou-se então de alo que estava em um bolso qualquer. Colocou um saquinho de chá em xícara pega a esmo no armário completando a mesma com água quente dando cor e cheiro à levedura, abandonou a louça ali por breves minutos em que foi até a lavanderia, era lá que estava aquela roupa.

Como podia ser tão distraída assim e se esquecer de algo que tinha lhe sido deixado por seu amor? Tudo bem, aqueles dias tinham sido mesmo conturbados, teve que voltar logo para o seu time naquela manhã e então a missão exaustiva de reerguer a fazendola daquela velha senhora, a longa corrida sem pausas quase de volta para Konoha, a repentina novidade de Naruto, todos os seus mal-estares, a festa, Gaara... Céus eram tantas coisas que nem na floricultura teve tempo de passar.

– Droga. – Praguejou ao ver o papel dobrado já desgastado com sinais de umidade.

Com cuidado voltou para cozinha, levou a xícara e o bilhete até uma alta bancada de mármore em cuja frente se sentou em uma alta e desconfortável banqueta. Posicionou o papel sobre o granito clarinho, teria que ter cuidado ou aquilo se rasgaria.

Depois de minutos banhados em paciência tinha diante de si o documento com letras borradas e outros sintomas gerados pelo pequeno esquecimento da loira. Ainda assim era possível ver como um todo a caligrafia fina, meio alongada e inclinada para a direita de Deidara.

E no centro daquilo tudo uma pequena e fina argola dourada com uma bela e delicada pedrinha azul clarinha, quase transparente. Seus olhos brilharam pelas lagrimas de emoção que se formou, o sorriso se ampliou tanto que pequenas covinhas se formaram em seu rosto fino.

A Yamanaka não hesitou em admirar a joia entre seus dedos até encaixa-la com perfeição no dedo anelar direito. Ino mirou a mão ornada para o alto diante de seus olhos e olhou mais uma vez para o papel, certa de que encontraria palavras doces carregadas de elogios mediante a uma explicação para aquele presente tão inesperado enquanto levava a mão esquerda pura e instintivamente para um ponto específico em seu baixo ventre.

A imagem com um todo daquela carta a fez sorrir ainda mais enquanto alcançava a xícara de chá com a mão livre e recém ornada. Era um pouco difícil ler devido aos borrões caudados pela exposição à umidade, além das lágrimas contidas na superfície de seus olhos, mas pouco a pouco as palavras iam se formando diante de seus olhos e ganhando uma voz imaginária em sua mente.

Pouco a pouco, palavra por palavra seu sorriso diminuía até travar em um pseudo sorriso de puro nervosismo tomado pela incompreensão. Aquelas palavras não faziam nenhum sentido e as lágrimas contidas caíram rápidas pelas laterais de seu rosto quase sem expressão e completamente pálido. A louça que não estava mais em sua mão se quebrou em incontáveis pedaços, sua cabeça ficou leve e de repente não havia mais nada.

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O calor toava conta de seu corpo, mas sabia que não era pelas vestes negras. O sangue fervia aquecendo sua tez, manchando seu rosto de rubro; raiva. Suas mãos logo ficariam marcadas pelas unhas que ousavam cravar nas palmas enquanto se continha para não correr e matar aquele infeliz que prendia Ino pelo pulso, forçando-a a uma situação desagradável.

Havia abandonado sua loira e o pior através de um bilhete, era apenas por isso que forçava seu corpo de natureza instintiva a ficar ali imóvel. Ino devia o odiar no momento, ou melhor, já devia ter começado a o odiar naquele momento, o que era previsto e preciso para poder deixa-la livre para seguir sua vida através da carreira brilhante. Mas então, por que não conseguia deixar de ir atrás da loira? Por que estava ali mesmo depois do que tinha feito, apenas a observando de longe, ela estava linda...

Era muito mais que desejar o corpo perfeito de rosto angelical. Sentia uma necessidade insustentável de saber o tempo todo como ela estava, se estava bem, se estava segura, se sentia sua falta.

Que pergunta idiota, que mulher sentiria falta do projeto de homem que a abandona apenas com um bilhete em um celeiro depois de uma noite maravilhosa de entrega de almas entre juras do mais puro amor? Ino se quer usava o anel, ele pode reparar, isso devia significar o quanto ela desejava lhe esquecer depois de tudo. Ainda assim seu coração tinha que saber se ela precisava tanto de si quanto ele precisava dela.

E ela estava tão linda naqueles trajes tradicionais de festa, ora a quem estava querendo enganar? Não podia viver longe de Yamanaka Ino e estava prestes a mandar tudo às favas para livrar a loira daquele ruivo sem noção quando alguém veio a intervir por Ino.

Às vezes não sabia até que ponto ia aquela relação tão íntima que havia entre Ino e aquele cara moreno que vivia pra cima e pra baixo com ela, mas fiquei grato com a atitude dele esta noite. Será que era com ele que a sua linda musa passaria o resto dos dias que ele desejava tanto serem seus?

A mente do loiro mais fofo do mundo shinobi dava voltas e mais voltas. Medo. Raiva. Arrependimento. Tantos sentimentos incompreendidos que ele achava não ter, seu finado mestre estivera sempre certo, Deidara não passava de um tolo com boas habilidades.

Não sabia ao certo onde estava com a cabeça quando a deixou apenas com um pedaço de papel no meio do nada. Não fora honrado suficiente nem para lhe dizer adeus cara a cara, justificar suas ações.

No fundo talvez porque soubesse que diante dela jamais teria forças para ir adiante com aquele término repentino. Ver Ino chorar, se ela lhe pedisse pra ficar, ficaria. Se pedisse para viver loucuras, viveria. Se a loira dissesse que o amava mais que ao futuro incerto, aceitaria com felicidade.

Talvez fosse exatamente isso que seu coração apaixonado precisasse. Uma pequena frase contendo palavras que o fizesse acreditar que não importava o mundo onde viviam, as pessoas que os cercavam e as malditas regras que o manteria sempre milhas longe da honra de ser um shinobi, era apenas um nukenin.

Queria que ela o fizesse acreditar que tudo o que importava no mundo era ele e ela. E queria acima de tudo, com um marco de esperança tão fina e frágil com um fio de seda encontrar em um dedo de Ino o brilho de beleza perpétua daquela jóia que comprara exclusivamente para ela.

Que hipócrita era, não tinham sido palavras semelhantes à essas que ele mesmo tinha usado no passado para convencer a loira em deixa-lo se aproximar, para deixa-lo a amar. Convencer a loira que poderia haver amor entre a heroína e o assassino. Havia. E agora quando tinha certeza absoluta do que sentia e sentia tão forte quanto o pulsar de seu sangue, ele mesmo a mandara para longe.

– Deidara loiro estúpido! – Suspirou pesadamente.

Havia tomado uma escolha e agora tinha que encarar. Tinha que deixar Ino ir.

Sentiu o rosto aquecer, a garganta doer e aquela vontade incontrolada de chorar. Estava fazendo a coisa certa, ele sabia, mas não era o que queria.

Não voltaria para Akatsuki e certamente morreria por conta disso, mas quem liga. Aquela porcaria tinha sido a ruína de sua vida, nunca quis entrar naquela merda e talvez estivesse louco, mas começar a fazer coisas certas fosse uma boa maneira de deixar essa vida.

Seu destino era tão incerto, aquele baka estava no pé de Ino e que sabe não desse "um jeito" nele mais cedo ou mais tarde e Ino tinha aquele cara e a garota de cabelos rosados, estava segura com eles e logo esqueceria da aventura com um dos vilões da história.

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Ela estava perdida e confusa, estava sentada em um banco qualquer esperando por alguém, mas estava tudo tão solitário. O vento sobrou batendo de leve em seus cabelos que dançavam ao som feito pelas copas das árvores.

Uma pequena flor de cerejeira se desprendeu e chamou sua atenção, ela planava com delicadeza levada pelo vento ao seu destino: a superfície translúcida de um rio. Tomada pela beleza da pequena flor rosada se levantou e foi até a margem e ao esticar a mão sobre a água deparou-se com a mais bela jóia que já tinha visto. Tão linda, nem ela sabia com tinha ido para em sua mão.

– Você gostou un, não gostou? – Viu no reflexo do rio o loiro que mesmo agachado atrás de si era mais alto e sua imagem aparecia no lago logo atrás da sua.

– É linda. – Ela sorriu virando o pescoço para olhar para trás, mas não o viu ele não estava ali.

"Eu tomei todas as decisões erradas até agora e meu destino está selado por isso."

Ino podia ouvir sua voz, olhando mais uma vez para o lago pode ver Deidara no mesmo lugar onde estava. Olhou mais uma vez para trás, o loiro não estava ali. Só tinha o reflexo que via na água.

– O meu destino percorre o mesmo caminho que você. – Ela disse, mas o loiro parecia não ouvir, pois sua mensagem continuava a ser passada.

"... Você vai me odiar para o resto da vida e esse vai ser o mesmo tempo pelo qual eu vou amar você..".

– Eu não posso odiar você, eu o amo. Amo mais que tudo! Deidara? – A voz da garota começou a falhar.

"... Acredite, essa é a primeira escolha certa da minha vida."

– Do que está falando? Você não faz sentido. – O desespero e a incompreensão tomavam conta.

"Eu não posso deixar que minha vida interrompa a sua, ao mesmo tempo em que não posso passar mais que algumas horas com você."

O choro tomou conta da loira que não mais olhava mais para a imagem refletida na água. Suas mãos seguravam a encosta do rio, cravando as unhas no barranco vermelho em sua beirada apenas ouvindo enquanto as lágrimas corriam desesperadas.

"Não há meios de eu dar um futuro à você, pelo menos não um tão bom quanto o que você vai ter se ficar o mais longe possível de mim."

– E VOCÊ NÃO ACHA QUE DEVERIA SER EU A DECIDIR O QUE FAZER COM O MEU FUTURO? – Ela gritou tomada por uma coragem que nem mesmo ela sabia de onde vinha. – Sou eu quem deve tomar as decisões sobre a minha própria vida, meu próprio destino. – Continuou com seu pranto.

Ino fechou os olhos com força, aquilo só podia ser mesmo um pesadelo. Gritou, gritou a plenos pulmões enquanto esmurrava o rio diante de si onde a imagem de Deidara lhe aparecia. A água se espatifava ao toque bruto, o som da ação se unido ao eco do seu grito que não cessava.

– INO! – A loira gritou alto e Shikamaru não viu outra opção senão segurar a amiga pelos ombros e sacudi-la até que a mesma acordasse.

– SHIKA – Ela disse com os olhos marejados, surpresa com tudo aquilo.

Apenas sentou na cama em um ato brusco e abraçou o amigo com força, sem conseguir controlar a respiração. As lágrimas ainda deixavam seu rosto.

– Calma loira, foi apenas um pesadelo! – Disse o moreno retribuindo o abraço, tentando acalma-la.

Após longos minutos Ino se soltou, não lembrava de ter ido pra cama, não lembrava de ter Shikamaru em sua casa. Lembrava apenas de ler aquela carta. Olhou a mão direita em busca de uma confirmação do que era verdade, do que era pesadelo.

Fungou alto tirando a belíssima jóia do dedo, ia joga-la longe, mas suspirou e tudo o que conseguiu fazer foi unir o pequeno objeto entre as duas mãos e chorar.

Aquilo não fazia sentido. Deidara não fazia sentido, ele dizia a amar tanto. Fez tanto esforço para ficarmos juntos e o que tínhamos era tão bom, estava tudo tão bem.

– O que é isso Ino? – Perguntou o moreno se referindo ao anel. – Cheguei aqui e me deparei com você desacordada na cozinha junto com isso. – Ele mostrou o manuscrito de deidara que agora apresentava alguns rasgos nas beiradas.

– Tira isso daqui! – Disse raivosa, tomando o papel das mãos dele e jogando-o longe após ser transformado em uma bucha de papel.

– Shh calma. – Shikamaru se sentou de frente para a loira tomando-lhe ambas as mãos sem deixar de notar que a loira ainda era incapaz de largar o anel. – Era do seu namorado secreto, não é. O que foi que houve? Que vida ele não quer que você tenha.

– Shika.. não é hora pra isso, eu ainda não estou entendendo nada. Por favor, me deixe. – Pediu, mesmo não tendo certeza de que ficar sozinha seria mesmo a melhor opção.

– Esses seus mal estares todos ne Ino, está grávida não está? – A loira não respondeu.

As mãos mantidas em um ato carinhoso por Shikamaru foram libertas pela loira e guiaram diretas para seu próprio rosto o cobrindo. As lágrimas não podiam ser vistas, mas seus altos soluços eram claramente ouvidos enquanto Shikamaru via os ombros finos se moverem pra cima e para baixo devido aos soluços pesados dela.

Não precisava de uma resposta com palavras, aquilo já bastava. Passou seu corpo todo para cima da cama da loira e a puxou completamente para o seu colo, fazendo-a deitar confortavelmente em seu abraço enquanto acariciava-lhe os cabelos com uma das mãos deixando-a chorar o quanto precisasse e se acalmar em seu próprio tempo.

– Eu estou aqui hm – Disse baixinho – E você nunca vai estar sozinha.

– Arigato.

– Hm.

– Shika... – Ela disse após muito tempo e assim que percebeu ter a tensão do moreno, continuou. – Por favor, não conte nada disso pra ninguém.

– Mas Ino...

– Pelo menos por agora.