"Eu tenho uns amores-quem é que os não tinha
Nos tempos antigos?- Amar não faz mal;
As almas que sentem paixão como a minha.
Que digam, que falem em regra geral."
(Segredos-Casimiro de Abreu)
X CapítuloShoran havia perdido as contas de quantos copos de vinho havia ingerido. Estar naquela casa de prostituição no centro mais obscuro de Pequim o estava deixando doente... tudo ali estava incomodando-o e pela primeira vez na vida não se sentia atraído por aquele tipo de prazer... não sabia o que sentia... era um incômodo horrível, como se nada ali lhe interessasse de fato.
- Posso saber o motivo de um homem tão jovem e bonito estar com uma cara tão feia e triste? - perguntou de repente uma cafetina que estava com Chao.
O cheiro vulgar que a prostituta tinha o deixava enjoado, não era como o perfume suave de Sakura...- Droga!- Não havia motivo para pensar nela agora... Certamente a essa hora deveria estar dormindo. Descansando depois de tamanho sofrimento. E não podia e não queria pensar nela agora.
- Não há motivo nenhum, mulher. - ele falou ríspido. - Essa é a minha cara e ela jamais vai mudar...
A mulher gargalhou e arcou para Shoran mostrando as curvas dos seios por baixo do kimono. Teve que admitir que a garota era bela, mas não era o tipo de beleza que apreciava... além do mais, aquela cafetina era de Chao.
- Eu adoro homens assim... fortes, decididos. - falou segurando o rosto dele entre as mãos. - Certamente o senhor deve saber como satisfazer uma mulher na cama.
Shoran não pôde deixar de ficar excitado com a ousadia da mulher. Embora, tenha que admitir que não tinha o mínimo de vontade de corresponder às investidas dela.
- Você não sabe o que está perdendo...- Shoran sussurrou se livrando da mão da mulher.
-Ei, ei Shoran... essa mulher é minha. Por favor, vê se fica longe dela. - Chao falou brincalhão com a voz trêmula já denunciando os efeitos da bebida. - Têm várias vagabundas para você escolher...
Todos que cercavam a mesa começaram a gargalhar e por hábito Shoran também sorriu, mesmo não achando graça nenhuma na "brincadeira" de Chao e, se dava risada era por hábito, e não por vontade.
- Nunca irei fazer isso, Chao... Mulher sua para mim é homem. - Shoran disse sem abandonar o tom cínico.
Era estranho estar ali e, ao mesmo tempo sentir que sua alma estava em outro lugar... sentir o sofrimento de alguém. Sentir o sofrimento de Sakura e não poder fazer nada por ela, a não ser cuidar para que ninguém violentasse o sinal de sua pureza. Além de se sentir um verdadeiro crápula por esta ali, enquanto ela estava enclausurada em um quartinho três por quarto sofrendo sei lá o que na mão de Lin Soo.
- Eu te amo, Shoran. - disse Chao gargalhando. - Juntos, nós do Yijetuan destruiremos os bárbaros... Mataremos todos os chineses infiéis. Fora... fora o Deus estrangeiro! - concluiu Chao em êxtase.
Todos que estavam no bordel aplaudiram as palavras de ordem de Chao, que mesmo bêbado denotava o sinal de fanatismo. Shoran sentiu-se orgulhoso, pois pela primeira vez via que todo o seu sacrifício não fora em vão.
- Viva a imperatriz Xi Ci.! Viva todo o povo fiel chinês. Viva a China...! - Chao exclamou bebendo o vinho de uma socada só.- Morte aos estrangeiro e viva a soberania de nosso povo!
Chao não estava dizendo coisa com coisa, sem se importar com o que poderia acontecer se algum soldado estrangeiro ouvisse ele dizer aquilo... Mas quem se importava com os lixos humanos que foram trazidos de fora?
- Bem, hoje foi um dia memorável... O dia no qual começou a nossa justiça contra os infiéis do ocidente. E juro que ela só irá acabar quando não existir nenhum estrangeiro no solo chinês. - voltou a falar abraçando a mulher que estava sentada a seu lado.
Shoran permanecia quieto, não tinha o mesmo ânimo que Chao e nem a voz para gritar em plenos pulmões que era um terrorista e que não iria perdoar nenhum infiel que estava na China, quando ele na verdade não sabia o que realmente sentia por uma cristã. Procurando relaxar a tensão que o martirizava, Shoran pediu mais uma garrafa de vinho. Precisava recobrar o alto controle para o dia seguinte que seria longo, pois logo de manhã teria uma reunião com os principais líderes do movimento.
Nunca ansiara tanto ter uma pessoa a seu lado, como ansiava ter Sakura. Era num misto de ansiedade e nervosismo que contava às horas para revê-la. Aquilo era estranho, mas tinha que admitir que uma coisa havia mudado desde que conhecera Sakura. Desde muito cedo aprendera a lutar, havia perdido as contas de quantas pessoas havia matado, perdera a memória de quantas cidades havia conhecido e de com quantas mulheres havia se deitado, mas nunca havia encontrado seu mundo... um lugar só seu. Talvez porque nunca havia procurado ou porque durante anos seu coração tivesse ficado fechado. Mas agora tinha conhecido Sakura e tudo parecia estar se modificando.
Num movimento, Shoran passou a mão na cintura onde estava a arma que à horas atrás havia ameaçado Sakura. Não pode deixar de sentir repulsa pelo seu ato, mas tinha que finalizar o que havia começado... Agora não tinha como mudar o rumo da história.
Eriol olhava para foto recém tirada de sua noiva. E pela milésima vez não se conformava com o que havia acontecido... Era difícil ter que se conformar por ter perdido a noiva. Sakura não merecia ser tratada assim. Ele também não merecia ter sido humilhado... não por aqueles macacos imundos.
- Milorde... posso entrar? - perguntou educadamente lady Tomoyo.
Eriol sentiu-se meio hipnotizado pela beleza gótica da garota. Nunca havia reparado na beleza mórbida que a prima de Sakura denotava. Em nada se parecia com a beleza angelical e pura de sua prima.
- Sim, entre senhorita Daidouji. - ele falou polido não deixando transparecer seus sentimentos, que para ele eram novos.
- Com licença. - ela falou educadamente.
O motivo que a trazia aquela hora aos aposentos de Eriol era desconhecido para Tomoyo. Sentia que algo de muito errado havia acontecido... tinha quase certeza de que algo de muito triste havia acontecido com sua prima, e o fato dela não estar ali a estava deixando mais convicta de que sua dedução estava mais do que certa.
- Aconteceu algo errado, Lorde Eriol ? - perguntou cautelosa.
- Sim...- falou impaciente. - Senhorita Daidouji, o que eu tenho para lhe falar não é muito agradável... Aliás, para mim é um terrível constrangimento.
Ela estava certa, alguma coisa havia acontecido com Sakura. Seu coração naquela hora parecia que iria saltar pela a boca, tamanho era o seu desespero.
- O que aconteceu... Onde está Sakura? - seu desespero já aparecia em sua voz.
- Fique calma. - ele falou ríspido. - Bem, senhorita Daidouji sua prima foi seqüestrada por um grupo de rebeldes.
"Não, não aquilo não era possível". Pensou Tomoyo transtornada. "Aquilo era um pesadelo... nunca isso viria acontecer com sua prima... não com Sakura".
- Não... isso é uma brincadeira de muito mal gosto...- ela sussurrou olhando diretamente para os olhos de Eriol.
Sem demonstrar nenhum sentimento, Eriol simplesmente sentou na cadeira.
- É a pura verdade. - falou duro sem encará-la. - Sakura sumiu... E não sabemos o paradeiro dela.
Não conseguindo segurar os soluços de desespero, Tomoyo começou a chorar. Naquela hora tinha certeza de que jamais veria o rosto alegre de Sakura de novo. Certamente aquela hora já devia estar morta. E o que Eriol estava fazendo para impedir isso? Nada, simplesmente nada.
- Simplesmente bela...-Chao sussurrou nos ouvidos de Shoran ao "presenteá-lo" com uma linda concubina. - Bem parecida com aquela vagabunda que temos em casa.
Shoran não conseguia tirar os olhos da jovem japonesa que estava ao lado da mesa. Ela havia chamado sua atenção pela incrível semelhança com Sakura. Era realmente bela, uma beleza admirável, mas nada que realmente se parecesse com Sakura, cuja beleza era incomparável.
- Realmente és muito bela. - falou vagamente.
- Claro que não tem os olhos daquela garota, mas vamos dizer que é uma bela japonesa. - Chao falou gargalhando. - Eu vou dá-la a você. Aliás, você é o único responsável pela nossa vitória hoje.
Sentiu o estômago novamente revirar-se. Ele não sentia vontade nenhuma de dormir com aquela jovem... ainda mais sendo ela tão parecida com a mulher que estava modificando seu coração.
- Não... não será necessário Chão. - tentou falar tímido.
- Como assim não será necessário? - perguntou o amigo intrigado. - Você nunca se negou a ficar na companhia de mulher alguma.
Como explicaria a seu líder de que no momento, não se sentia pronto para se deitar com uma mulher, só pelo simples fato de estar completamente encantado pela última pessoa no mundo a quem devia dedicar algo que não fosse raiva ou desprezo?
- Eu estou bem, apenas um pouco cansado...- inventou uma desculpa plausível.
- Que nada jovem... Koushi é mestra em massagem tailandesa, garanto a você que jamais irá se arrepender de ter ficado com ela. - uma mulher insinuou ao seu lado, maliciosamente.
- Cansaço não é desculpa, primo. - falou Chao beijando o pescoço da jovem. – Vai, se divirta! Ainda é muito cedo...
Shoran estava numa rua sem saída, na qual se, se recusasse agora, chamaria bastante a atenção e isso poderia lhe custar a vida... Não apenas a dele, mas a de Sakura também, já que Chao iria destituí-lo do cargo de guardião dela.
- Já que insistem tanto, terei o maior prazer de experimentar essa gostosura. - ele disse encenando.
- Esse é o grande Shoran Li que conheço! - Chao falou gargalhando, e com um simples gesto chamou a garota. - Bem, mocinha espero que faça o amigo aqui o homem mais feliz do mundo.
Koushi assentiu sem falar uma palavra, como uma boa gueixa pegou as mãos de Shoran com delicadeza e sorrindo o arrastou escada acima.
Sakura estava cansada de chorar e se lamentar por algo que não tinha remédio. Estava ali à horas trancada e sem contado com nenhuma pessoa, e assim iria ficar até eles decidirem o que iriam fazer com ela. Era triste ter que admitir que estava em uma encruzilhada aonde não tinha duas alternativas, aliás, a alternativa não estava em suas mãos.
Sempre que estava sozinha como agora, se lembrava do irmão, Touya, que há muito tempo havia ingressado na inteligência japonesa, e nunca mais havia visto. Tinha uma foto dele, mas com aquela confusão deveria estar perdida.
Quando era criança, Touya sempre fora seu guardião... Uma vez havia metido na cabeça que queria conhecer o lago Toshi Maru. Eles ainda moravam no Japão e pela grande importância política do pai, jamais conseguiram serrem crianças normais. Pois seu pai temia que, por vingança, alguém viesse a seqüestrá-los. Era irônico, agora sim estar correndo o risco, pois fora seqüestrada... o pior temor de seu pai havia sido concluído.
De tanto insistir sua mãe havia concedido a permissão de irem ao lago. Aquele dia fora o mais feliz de toda sua vida, sempre fora uma criança muito ativa, mas o tempo a vez mudar... Aquele dia fora o último que tivera a família reunida, pois logo após disso, Touya havia saído de casa e seguido seu rumo.
Sempre tivera medo de morrer e nunca mais ver o rosto do irmão, mas agora se consolava apenas com a lembrança de uma infância feliz.
- Por que Deus... por quê vós me abandonas-te? - perguntou deprimida fechando os olhos e logo em seguida caindo em um sono profundo e conturbado.
Touya Kinomoto odiara a missão que lhe fora destinada. Mas o seu dever com o seu governo o obrigava a seguir as mais variadas ordens, e sinceramente não importava a eles se o agente estava feliz ou não com aquilo.
Estava há quase dez anos nesse ramo e nunca fora lhe perguntado se queria ou não fazer determinada missão. Aliás, havia passado por cada uma que se não tivesse tido um bom treinamento quando ainda era criança, agora certamente estaria morto. Estava a dois meses na China cumprindo uma missão que considerava de grande importância não apenas para o Japão, mas como para Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Estava ali para desmascarar de vez uma rede de terroristas, que estavam na verdade amedrontado todas as embaixadas de Pequim.
Até agora nada sabia ao certo, mas pelas poucas conversas que havia escutado atrás das portas, o grupo queria seqüestrar uma jovem japonesa que era noiva de um almirante. De todas as formas vinha tentado descobrir quem era essa mulher, mas nem suas visitas ao quarto de Meiling haviam adiantando para descobrir a identidade da jovem. E temia ter uma triste surpresa quando descobrisse.
- Você viu, Ming? - a voz maliciosa de um dos criados soou na cozinha. - A belezura que o chefe trouxe para cá hoje?
- Não, Kung... na verdade ainda estava repondo o estoque no porão. - respondeu o outro homem comendo como um porco. - Como ela é?
Touya escutava tudo calado, pois se alguém descobrisse o interesse dele por aquele assunto, seria o fim de tudo.
- Ela é perfeita, juro por Buda, ela é a mulher mais linda que já vi. Que pena que é uma porca japonesa.
- Fiquei sabendo o mesmo... Realmente é uma pena. - concordou o gordo sem para de comer. - Como é o nome da garota?
Aguçando os ouvidos, Touya tentava de todas as formas se aproximar mais dos dois homens. Seria um grande passo saber o nome da jovem.
- Se não me engano, Lin me falou que o nome dela é Sakura Kinomoto.
Nesse momento o mundo de Touya ficou fora de órbita. Só podia ser uma brincadeira de muito mau gosto... Era Sakura, sua irmã que estava ali... correndo risco de vida, e ele o tempo todo sabendo que isso iria ocorrer não havia feito nada para impedir. Iria matar o desgraçado que a havia seqüestrado, iria matar o maldito noivo que havia permitido que aquilo ocorresse com sua irmã. Mas antes de fazer isso teria que se aproximar dela...
Teria que ter sangue frio, mas isso não seria problema para ele que era conhecido pela sua frieza e crueldade.
- Esse é meu quarto...- a jovem Koushi falou abrindo a porta do luxuoso quarto.
O aposento estava semi-escuro, mas seus olhos já estavam acostumados coma escuridão. Shoran diminuiu os passos até parar definitivamente, assim pode vê-la quase nua à sua frente. Ela era incrivelmente bonita e de costa até parecia Sakura.
- Anata...- ela sussurrou sensualmente. - Eu nunca vi homem tão lindo no mundo.
Koshi o conduziu a um macio sofá.
Shoran estava hipnotizado pela jovem gueixa... parecia tão pura, assim como sua Sakura. Mas não era pura e muito menos merecia ser tratada como ela.
- Me diga o que fazer meu senhor...? te obedecerei até que me diga para parar. - disse num gesto obediente se ajoelhando perante as seus pés.
- Não, não precisa fazer nada Koushi... só quero conversa com você.
- Como assim, senhor? - perguntou a jovem intrigada num péssimo chinês.
Era compreensivo que ela estivesse confusa com o seu estranho comportamento, certamente ela estava acostumada a se deitar com homens ávidos por sexo, e que nem olhavam para o seu rosto. Ele até a um tempo atrás era assim, mas agora tudo havia mudado e já não se sentia capaz de fazer sexo com quem quer que fosse.
- Quero saber mais sobre você? - ele falou sorrindo. - Qual é o significado de teu nome?
- Estranho...nenhum homem que conheci me fez alguma pergunta. - ela falou alegre. - Seu coração já está ocupado por outra pessoa, não é senhor?
Shoran ficou envergonhado ao escutar aquelas palavras que a tempo seu coração havia tentando lhe falar. Sim, estava interessado em Sakura... não ao ponto de amá-la, mas ao ponto de se por contra o mundo para protegê-la.
- Bem, meu nome significa " Maravilhosa princesa". Minha mãe era uma gueixa muito requisitada e meu pai um alto político japonês. - ela falou orgulhosa.
- Estranho, como você veio parar aqui em Pequim? - perguntou intrigado.
- Meus pais morreram há pouco tempo e bem, como não sou filha legítima, não tive direito a nada. - ela falou abaixando a cabeça.- Minha única alternativa foi vim como uma prostituta com um soldado japonês para cá, mas ele foi morto e eu não tive alternativa a não ser vim para esse bordel.
Não era uma história muito diferente das muitas pessoas que residiam em Pequim. Mas não pôde deixar de sentir pena do trágico destino daquela jovem.
- Senhor...deixa-me lhe fazer apenas um carinho? É um gesto de agradecimento pelo seu gesto tão nobre. - suplicou a jovem temerosa.
Novamente a visão de Sakura aflorou na mente e na alma de Shoran. Ela era tão pura e doce... Que só o pensamento de vê-la morta ou sofrendo algum tipo de maltrato o deixava transtornado.
Levantando-se bruscamente, ele passou o braço pela cintura de Koushi, erguendo-a com extrema facilidade. Não era homem de meias palavras e aquela noite seria a última que se deitaria com uma mulher antes de resolver o problema que tanto atormentava sua alma.
- Juro, que não ficarei nervosa se o senhor me confundir com a dama que é dona de seu coração. - ela falou ampliando o lindo sorriso. - Se quiser, pode até me chamar pelo nome dela... Aliás, qual o é o nome de sua senhora?
"Sakura" esse era o nome que o estava deixando maluco. Seu desejo era tão intenso que já não via Koushi e sim Sakura. Era a mesma coisa que havia acontecido, quando a dias atrás, se deitara com Mai. Koushi era apenas o instrumento que estava usando para suprir o seu desejo incontrolável de possuir Sakura.
- Sakura...- ele gemeu deixando se levar pela fantasia.
Deitado na cama, Shoran observava cada passo de 'Sakura', viu o momento em que ela deixou cair o lindo kinomo e vir sensualmente beijar seu tórax, enquanto que, com habilidade, tirava-lhe a camisa. No momento o único pensamento de Shoran era possuir 'Sakura'
- Então hoje você pode me chamar de Sakura
6: 50 hs- Pequim.
- Huan-ying Ko-shia lai fang-wen.- a voz de Melin soou alegre ao receber a visita do mais velho ancião do clã Li. - Seja bem-vindo, meu senhor. Espero do fundo do coração que se sinta bem nessa humilde casa.
O velho mau se dignou a olhar para ela. Tshao Li era o parente mais velho... ele é que tinha autoridade, pois tudo ali era dele e de mais ninguém. Na ausência dele era sempre Chao ou Shoran que tomava conta de tudo.
- Meling, por favor, chame seu marido ou meu querido neto Shoran. - falou autoritário. - Pois o motivo que me traz aqui é muito grave.
- Meu marido não está, meu senhor. - ela falou ajoelhando-se perante o homem. - E Shoran muito menos.
- Droga! - Praguejou baixinho quase inaudível. Ele era o homem responsável por todos os ataques rebeldes. E era dele a rede de inteligência dos Yijetuan... e sabia que no meio de alguns dos criados da taverna havia um espião japonês. Manter a jovem ali seria idiotice. Por isso decidira intervir antes que fosse tarde. Além do mais, já não era tão jovem para fazer longas viagens.
- E a jovem vagabunda japonesa? - perguntou ele se referindo a Sakura.
- Deve estar dormindo...
- Daqui a cinco minutos a traga até biblioteca, pois quero ter uma conversa com a estrangeira. - ordenou ele ao entrar na sala.
Sakura estava em um labirinto sem nenhuma saída, por onde andava, a única coisa que lhe parecia era escuridão... No escuro tentava tatear as paredes, na esperança de encontrar alguma coisa em que pudesse apoiar. O seu pavor apenas aumentou quando, do nada, uma luz extremamente forte lhe trouxe a visão.
A luz era Shoran, mas nada havia de confortador nela... Pois Shoran estava com uma arma apontada para sua cabeça. "Se prepare cristã miserável". - Ele falou gargalhando em êxtase.
Naquele momento em que ele iria atirar, algo a fez acordar.
- Acorde menina. - a voz patética de Lin tirou Sakura do pesadelo que estava tento.
- O que deseja? - Sakura resmungou ainda sonolenta.
- Venha comigo. - disse Lin secamente.
Ágil, Lin a pegou a força pelos braços. Sakura pode sentir o cheiro de naftalina que saía das roupas da mulher.
- Eu não quero ir. - Sakura tentou em vão se libertar dos braços da mulher, mas foi um esforço inútil.
- Olha aqui garota, eu falei para você que era para me obedecer - ela falou em tom ameaçador tirando um revolver da cintura. - Pois não terei dó ou piedade de você, aliás, estou ansiosa para estourar os miolos de sua cabeça.
Pela a terceira vez naquele dia, Sakura experimentou o desespero causado por uma arma apontada para sua cabeça.
Esse fora sem dúvida o pior momento de sua vida, pois pela primeira vez se deu conta de que estava sozinha no meio de um bando de rebeldes que não hesitariam em matá-la se fosse necessário. Não tinha em quem confiar... apenas tinha que ter o bom senso, obedecer e se prostrar perante as humilhações sofridas.
- Vamos vagabunda, Senhor Tshao Li está a sua espera. - ela falou séria. - Vamos que não estou aqui para passear com você. - concluiu irônica
Definitivamente estava sozinha... sem seus pais, sem Tomoyo... sem Touya. Até mesmo sem Shoran o homem que era dono de seus pensamentos.
Olá para todos!Esse sem dúvida foi o capítulo mais complexo que já fiz até hoje. A parte em que estavam todos reunidos na casa de prostituição foi mais complicada. Tive que colocar fatos históricos. Além da parte da chegada de Tshao Li em que escrevi uma parte em Chinês. Na verdade aquela parte foi escrita toda em mandarim... Frescura minha. Sei lá... Só realmente o começo ficou mesmo em mandarim... que foi a primeira fala de Meiling.
Eu não sei porquê o Touya foi aparecer bem justo na Taverna. Acho que ele terá um papel importante. Aos poucos vocês vão vendo que estou adicionando personagens do anime na fic. Espero que no final dela...As coisas já estejam bem encaminhadas.
Bem, obrigada por todas as reviews... E como deixei em uma review que enviei (para Shaine-Chan) "Pu-Kan-tang! Kou Chiang!" Que em chinês significa "Não sou digno! É honra demasiada!". Um beijo para:
