N/A IMPORTANTE: Geente, desculpa, mas começou a me dar agonia...
Acostumei-me a chamar Thiago por James, Aluado por Moony, Almofadinhas por Padfoot, Remo por Remus, Pontas por Prongs, Pedro por Peter e Rabicho por Wormtail, por isso, a partir de agora serão estes os nomes encontrados nas minhas fic's. Apenas Marotos não será substituído por Marauders e serão mantidos também os nomes das casas em português. Pra quem prefere os nomes traduzidos, minhas desculpas, admito ser mesmo uma questão de comodidade.
Andei pesquisando mais sobre a cronologia do universo HP e redescobri as idades de alguns personagens. Por exemplo, se você voltar aos capítulos seis e oito perceberá que não existe mais Lucius Malfoy nesta fanfic, ele freqüentou Hogwarts antes dos Marotos. Assim como Xenophilius Lovegood (Pai da Luna), Bellatrix Black e Narcissa Black.
Continuando a contextualizar, mudei os sobrenomes da Jessica, que agora é uma Bone e da Samantha, que tornou-se uma Priuet - ou Prewett.
Os capítulos foram todos revisados e alguns trechos até reescritos, vale a pena ler de novo.
Obrigada pela compreensão e boa leitura, delícia. (uihsiauhsiau)
Capítulo nono, Momentos Assim.
- Este capítulo em especial é dedicado à James Prongs Potter, ou melhor, o seu player, Luís Felipe, pra quem o conheceu. Jamie, se você está me ouvindo agora, saiba que quando eu te alcançar, vou te fazer pagar caro, muito caro. Você não tinha o direito de nos abandonar aqui, não assim! E eu sinto falta, muita falta, de implicar com você, das nossas conversas sobre o Barney, de tudo. Sabia que eu mudei o sobrenome da Sam? A história também... Mas não se preocupe, ela sempre será uma Potter de coração! Somos primos afinal... Nunca esquecerei de você, seu Maroto. - 01.09.07
O outono despedia-se dos jardins de Hogwarts. Ao lado de cada árvore já se amontoavam as tristonhas folhas secas. Amarelas, marrons e laranjas, elas preenchiam quase todas as áreas onde antes se enxergava grama verde e bem tratada. Secas pelo clima e tristes pelo tempo. Inconscientemente todas as mudanças que a estação trazia consigo estavam ali representadas. Empoleirada numa das janelas de seu dormitório na torre dos leões, ela detestava ser mais uma em meio à multidão, em meio às outras folhas. Da noite para o dia percebera que nada mais seria como antes, percebera, enfim, o quão cruel pode ser o destino. Maldito ele que não lhe dera a chance de opinar, sentia-se impotente perante a própria ruína. Lágrimas já não lhe varriam as faces alvas. Cansada de repetir para si mesma que chorar não adiantaria nada, notou suas feições endurecendo, envelhecendo, seus olhos estavam cansados assim como o resto do seu corpo. Desceu da janela e sentou em sua cama enquanto passeava com o olhar pelo dormitório. Passava pouco do meio dia e mesmo que a noite houvesse passado em claro ela ainda vestia pijamas. Suas amigas que há pouco estiveram ali ocupando e dando vida a todo o espaço enquanto tentavam incansavelmente fazê-la comer algo, estavam agora sentadas em uma classe absorvendo e anotando o máximo de conteúdo possível, para poderem lhe explicar depois. Talvez não fosse digna de tal atenção, tal esmero por parte delas.
Era patético, sabia, mas não conseguia conter-se diante de uma torrente de questionamentos a seu respeito. Se nada seria como antes, ela teria que repensar todo os planos que haviam sido meticulosamente traçados junto à família. Apanhou debaixo da cama um velho caderno fino, mas de páginas desgastadas. Presa à espiral estava uma caneta trouxa - velhos hábitos não mudam assim tão fáceis, é verdade. Abriu-o sem cerimônia e começou um riscar alucinante, com raras paradas para respirar fundo. Herdara o hábito da mãe, escreviam as duas durante horas a fio, fossem planos, cartas ou simplórios bilhetes. Tudo começou quando Lily recebeu a carta de Hogwarts, como menina trouxa num mundo desconhecido, não se intimidaria, nem escolheria o caminho mais rápido. Mergulhou de cabeça no buraco que tomava o lugar do firme chão sob seus pés, mas não estava mais só, nunca estaria.
Três batidas bruscas no vidro da janela onde estivera sentada soaram no quarto, fazendo-a saltar da cama e cair no chão com um baque. Do lado de fora viu algo subir e descer novamente. Com dificuldade levantou do chão, abrindo a janela e espreitando com olhos quase fechados o sol insistente em meio ao céu livre de nuvens. Soltou um grito de pavor e surpresa quando em frente aos seus olhos pairou a imagem de James Potter montado em sua vassoura. O garoto trazia os cabelos no que ela classificou como um ponto máximo de arrepio, e um sorriso doce e breve que lhe perturbava.
- Posso entrar? – Perguntou de forma simples, consciente de que ela não lhe convidaria.
Como o previsto, a ruiva nada respondeu, apenas recuou deixando espaço para ele passar. Preferindo não abusar da aparente boa vontade dela, James apressou-se em saltar da vassoura para dentro do dormitório. Analisou o espaço vagamente, já estivera ali antes. Lílian estranhou ao sentir as palmas das mãos úmidas, e ao levantar o olhar percebeu, mesmo que sem propósito, as pequeninas gotas de suor que escorriam dos cabelos do Maroto, passando pela nuca e desaparecendo na gola da camisa.
- Vou tomar banho. – Fez Lily mecanicamente, esbarrando-se em James no caminho.
Ele apenas a fitou confuso, mas percebeu então que a garota ainda usava pijamas. Talvez fosse demais para ela suportar a perda dos pais. Mas para quem não seria? - Para o Sirius talvez, mas isso não vem ao caso – Qualquer um naquela situação estaria péssimo, e considerando que já haviam passado dois dias e ela aparentemente não levara em conta a morte com plano de fuga daquele mundo vil, estava tudo bem. Cansado de sentir-se incapaz de ajudá-la, ele suspirou sentando na cama dela. Não havia ali indicativo físico da dona da cama, mas bastou largar seu peso sobre a colcha de cetim branco para saber exatamente quem era. O perfume dos lírios estava impregnado naquele lugar, desde os lençóis que mesmo trocados e lavados precisavam de apenas uma noite para usurpar tal aroma, até as cortinas da cama que há quase dezessete anos completos se fizera refúgio para Lily. Seus olhos caíram então sobre o caderno aberto no chão. Por um instante o objeto pareceu hesitar tornando-se invisível. James fitou atordoado o chão de madeira escura oculto por tapetes do dormitório feminino. Mas da mesma forma que desapareceu o caderno retornou ao seu lugar.
Nas páginas amostra reconheceu mais do que imediatamente a caligrafia dela, conter sua curiosidade ou qualquer outro sentimento nunca fora seu forte, e imaginando que fosse um diário, apanhou-o. Na capa dura, grossa e desbotada, aparentemente coberta de um material semelhante ao pergaminho, enxergava-se com dificuldade as inicias "L.E." gravadas numa linha dourada. Algo parecido com uma coruja aparecia translúcida e perdida na cor do sangue. Paradoxal, talvez. Os Evans não eram possuidores de um brasão, ou não tinham conhecimento do mesmo. Como se tocasse a mais fina seda, ele passou os dedos na frente do caderno, textura curiosa com diversas elevações discretas que formavam uma espécie de desenho. Com a ponta do indicador fez o contorno da pequena coruja. Potter estreitou o olhar para o animal desenhado quando viu seu relevo tornar-se mais evidente e no local dos olhos surgirem minúsculas esmeraldas verdes. Aquele monte de páginas queria lhe dizer alguma coisa. Trouxe-o para mais perto do rosto, encarando as densas pedras. Ouviu alguém lhe dizer para relaxar, tornar tudo mais fácil. Promessas de um tempo para ele, como a muito desejava em segredo. Mas como poderia explicar tudo para alguém? Explicar-lhe-ia o caderno. Estava tudo bem, estava em casa. Já não era dono de si mesmo e não tinha com o que se preocupar. Uma reconfortante quentura tomava conta de seu corpo, pouco a pouco, entregava-se então à melhor sensação até ali vivida. Sentia-se em casa.
- Potter? – Chamá-lo pelo primeiro nome não era tão fácil assim, não depois de tantos anos.
O contato visual com a capa vermelha foi rompido e James então retomou a consciência. A certeza de Lílian parada a porta do banheiro de cabelos vermelhos molhados e o delicado corpo úmido de água fria coberto apenas por um roupão fez o caderno cair novamente de encontro ao chão. Embasbacado, o garoto tinha as duas mãos suspensas no ar ainda na posição original, a boca despretensiosamente aberta e os olhos por pouco arregalados. Contrária a ele, a grifinória tinha os ameaçadores olhos verdes focados no caderno que jazia aos pés do moreno e os lábios crispavam-se numa jura silenciosa de vingança. Esquecendo de suas condições atuais andou até a própria cama e tirando a varinha do criado-mudo, apontou-a para seu pseudodiário e o mesmo desapareceu num piscar de olhos. A fascinação de James finalmente havia se dissipado no perfume dos lírios e ele enfim começava a perceber a gravidade do que estava para acontecer ali. O olhar da ruiva faiscava em sua direção e a única coisa que foi capaz de fazer, foi dar a ela um sorriso amarelo.
- Você leu alguma coisa do que está escrito ali? – Sussurrou fitando profundamente os olhos castanhos esverdeados dele.
- N-não. – Balbuciou em resposta.
Evans que por segundos sentira o coração palpitar percebeu prazerosamente seu espírito ser invadido por uma tranqüilidade apenas encontrada no olhar do Maroto. Deixou-se falhar e cedeu a ele um sorriso enigmático enquanto sentava a seu lado na cama. A tênue luz do sol que ultrapassava a barreira já inexistente da janela aberta encontrava o alvo certo nos cabelos de Lily. Suas mãos tornavam-se úmidas novamente e ela já não tinha mais como justificativa a água do banho. A poucos centímetros de distância, aquele que a observava percebia dentro de si o que quase sem querer acontecia repetidamente entre eles. Os pensamentos da ruiva como num lapso espontâneo já trilhavam um rumo distinto. Ela fazia força, para manter os lábios colados e os olhos secos. Sabia que eram inúteis as antigas promessas, mas jurara parar de chorar. Dois dias já era o bastante para seu cérebro acostumar-se com a idéia, mesmo sabendo que em seu coração sempre restaria o espaço vazio. Insubstituíveis eles eram. Um soluço cansado escapou de sua garganta, e não para a total surpresa de James, lágrimas recomeçaram a trilha nas faces de Lílian. Nunca admitiria que já começava a tornar-se costumeiro vê-la chorando. Nunca o seria também. Abraçou-a pelos ombros, até que a Evans vira-se para ele na infindável busca pela proteção que sabia ser encontrada ali. Copiosamente vieram, gota a gota, salgadas e leves.
Chegara ali com o intuito de animá-la. Enviado por suas amigas, o combinado era que a levasse para um passeio aéreo pelos jardins de Hogwarts. Contaria umas piadas usuais, conversariam sobre trivialidades e a garota ao fim, sentiria-se mais leve. Mas agora, com tal enredo, assimilara que por mais que tentassem, fazê-la esquecer, de tudo seria inútil. Tudo que ela desejava, tudo que surtiria algum efeito nela agora era o desabafo, o pranto. Para isto também, lá estava ele. Em qualquer condição lhe apoiaria. Muitos o consideravam incapaz de tal delicadeza, ele mesmo duvidara várias vezes de estar à altura de cenas tão líricas. Apenas por ela seria capaz de transpor tais barreiras. Segurou-a mais próxima a si quando sentiu o delicado corpo da ruiva lhe escorregar por entre os braços. O ombro de sua camisa branca já se fazia transparente de tão molhado que estava.
- Calma... – Prongs sussurrava.
- A culpa é minha. – Conseguia ouvir entre soluços. – Se eu não fosse bruxa eles não seriam envolvidos... Eu deveria estar lá para protegê-los pelo menos, eu tinha que ter feito alguma coisa, James!
- Você não teve culpa nenhuma Lílian! – Exclamou segurando o seu rosto entre as mãos, fazendo-a olhar diretamente para ele.
- Mas por que dói tanto?
O sofrimento aparente que escorria copiosamente dos olhos demasiados verdes parecia lacerar-lhe as faces, mas logo eram amparados pelos polegares de James. Notou que novamente estava ali, alguém que olhava por ela, que cuidaria dela. Não estava mais sozinha. Puxando-a para perto mais uma vez, ele apertou-a protetoramente entre seus braços falando:
- Já vai passar...
Acariciando os frios cabelos ruivos ele tentava incansavelmente transmitir o máximo de conforto que pudesse. E seu plano estava funcionando. Aos poucos o calor morno do corpo do Maroto a embalou num sono do qual havia sido impossibilitada de desfrutar enquanto a lua e as estrelas ainda pairavam firmes em céus sombrios.
- Bons sonhos, Lil. – Disse dando um leve beijo no topo da cabeça dela antes de deitá-la na cama.
Deixou o dormitório feminino a passos cautelosos. O sono da menina era leve e ele preferia não chamar sua atenção. Quando o trinco da porta estalou sentiu seu corpo ser lançado ao fim da escada e caiu no chão com um baque surdo.
- Droga! – Exclamou levantando-se.
A vassoura havia ficado lá em cima. Tudo bem, pediria depois que alguém lhe entregasse. O relógio da torre marcava às duas horas da tarde e o primeiro horário de transfiguração já se esvaia, se corresse, talvez chegasse a tempo para o segundo. Subiu até o dormitório dos Marotos para apanhar a mochila num estranho silêncio. Porém, o que parecia uma tarefa cotidiana, ou mesmo tediosa, foi aos poucos tomando um caráter adverso. Ao fim do último lance de escada a porta do dormitório encontrava-se escancarada. Saltando os últimos degraus, Prongs alcançou o interior do quarto com a varinha em punho. Sorrateiramente passou pelas primeiras camas, de Remus e Wormtail; nada. Algo lhe chamou a atenção na última cama próxima à janela que dava para os jardins, a sua cama. Com a varinha apontada para o que parecia ser uma pessoa abaixada, bradou:
- Quem está aí? – Sua voz soara firme contra as pedras da torre.
A pessoa que estivera abaixada pareceu hesitar antes de levantar, e após suspeitas contorções surgiu um Lupin de faces coradas e suadas. Moony trazia a aparência consideravelmente mais saudável do que a dos dias anteriores. James fitou-o de cima a baixo curioso, o outro Maroto estampava um sorriso amarelo, e envergonhado, não conseguia olhar diretamente para ele. Prongs abriu-se então num sorriso, e suspirando aliviado deixava os ombros caírem.
- Que susto você me deu, Moony. – Ele ria arrepiando os cabelos enquanto andava até a escrivaninha buscando sua mochila.
Vasculhou todas as gavetas, embaixo das camas e até mesmo no banheiro. Encontrou papeis amassados, pedaços d'A Melhor Goma de Mascar, restos de bolinhos de abóboras e – se não houvesse preferido evitar o armário de Sirius Black – não lhe faltariam também roupas íntimas de algumas antigas visitantes. Já começava a tornar-se exaustiva sua busca e o tempo tornava-se cada vez mais escasso, percebeu que estranhamente, Remus permanecia calado e imóvel ao lado da cama. Procurando por sua mochila pelo quarto, James de relance percebeu então que o amigo tinha alguma coisa segura as suas costas. Coisa esta, que se não lhe falhava a visão, assemelhava-se bastante ao saco preto com alças que carinhosamente chamava de mochila. Entretanto, antes que fosse capaz de questionar qualquer um sobre o que estava acontecendo, viu Lupin pôr a mão no bolso da calça como se buscasse alguma coisa, até que ele sacou a varinha apontada para James, um brilho insano lhe ofuscando o olhar.
- Estupefaça. – Foi a última coisa ouvida no dormitório masculino da Grifinória antes do som abafado do corpo de Potter contra o chão.
A ruiva acordou como há muito não fazia. A sensação de renascença preenchendo–lhe os pensamentos e o coração. Sentimento de libertação que a fez abrir as asas buscando o próprio caminho para o céu. O sol que banhava o quarto por trás das nuvens cinzentas tão pouco lhe incomodava que a garota sorrisse inconscientemente para ele. Espreguiçou-se como uma gata manhosa. E falando em gatas, Lily lembrou-se. Levantou de um pulo e com a mesma agilidade se esgueirava pelo quarto em busca do pequeno ser que havia adotado. Sua mãe a tinha comprado como um presente do aniversário que já se aproximava. Uma indefesa persa branca, seu nome era Melody. Carinhosamente apelidada de Mel por aquelas que se auto-intitularam suas tias. As colegas de quarto de Lílian estavam todas apaixonadas pela felina – e mais nova mascote do dormitório feminino do sétimo ano da Grifinória.
- Melody... – Cantarolava vasculhando até em algumas gavetas da única escrivaninha no quarto.
Contudo, quando sentiu os brancos e macios pelos do animal roçarem em seu calcanhar, um curto, porém alto, grito agudo escapou de seus lábios e seu corpo pendeu para trás por pouco não caindo em cima da gata.
- Você acha graça, hein? – Perguntou risonha, segurando Mel com uma das mãos na altura de seus olhos. – Deve estar com fome... – Comentou enquanto soltava-a novamente e punha-se de pé. – Espera um pouco que te levo na cozinha.
Correu até o banheiro para dar um jeito nos cabelos ruivos que estavam embaraçados e amassados. Depois de muitas vezes praguejar enquanto lutava contra um nó ou outro, decidiu-se por prendê-lo num simples rabo de cavalo alto. Voltou ao quarto e deixando o roupão já seco escorregar por seu corpo se vestiu rapidamente. Calças jeans, camiseta branca, um moletom cinza, tênis e estava pronta. Não pretendia assistir a mais nenhuma aula daquela tarde e estranhamente despreocupada com o fato, sentia-se cada vez mais leve. Passou a mão em Melody e saiu a caminhar pelo castelo. Negava-se a aceitar a idéia que não tinha mais nada a perder, ninguém mais lhe cobraria nada, ninguém se orgulharia dela, então, por que temer tanto falhar? Em todos os dias de sua vida sentira medo. Medo de desapontar alguém, de ferir alguém, ou até de proteger-se, mesmo que aquilo nunca lhe houvesse sido requisitado. Sempre objetivara tudo, conceito fixo criara para cada gesto, para cada momento, para cada situação e, principalmente, para cada pessoa. Via, enfim, o quão injusta poderia estar sendo. Ouvia todos dizerem que o pior defeito em uma pessoa é julgar os outros sem sequer conhecê-lo. E era exatamente o que Lily fazia. Às vezes, as coisas lhe pareciam claras como são, mas de repente lhe vinha um aperto demasiado forte no peito e tudo se modificava. Ela não era nada para dizer aos outros quem eram, onde estavam ou como deveriam agir.
"Se fosse só sentir saudade, mas sempre tem algo mais". Num ímpeto de vivacidade a gata pulou do seu colo e disparou pelos corredores vazios de almas. Passou por uma, duas, três portas; desceu e subiu as mesmas escadas, quando ao final, perdeu Melody de vista. Apoiando as mãos nos joelhos ela respirava pesada e rapidamente tentando recobrar o fôlego, e sua respiração ecoava única sobre o piso e pelas paredes de mármore, mas então se sobrepôs a ela um riso de escárnio. Olhou por cima do ombro buscando a origem das gargalhadas e tudo o que encontrou foi a lânguida figura de Anne Rowle. Seguidora fiel, da casa de Salazar, como todos em sua família, corria por todo o castelo o boato de que a garota fora mordida por Fenrir Greyback. Não na pequena infância, como era comum. A lenda dizia que, proveniente de toda a sua inconseqüência, aos onze anos de idade, a garota saía andando a noite, clamando pelo lobisomem, desafiando-o. Com suas vestes de brasão serpente e cabelos emoldurando o rosto num negro fechado, ela fitava Lílian com seu ar de flerte ácido e juvenil. A morena vinha até ela de forma a lembrar muito o serpentear de uma cobra, aproximou perigosamente seu rosto do de Lily apenas com a ponta do indicador. Analisou-a de cima a baixo. A ruiva lhe encarava fixamente sem vacilar.
- A pobre orfãzinha... – Fez Anne num riso breve. – Toda Hogwarts com pena da pequena sangue-ruim que perdeu os pais. Você não faz a mínima idéia do que está para acontecer, não é, criança?
Tratava-lhe por criança, mas a diferença de idade era inexistente. As duas estavam para completar dezessete anos, e a Sonserina comportava-se como se fosse superior demais. O sorriso maldoso e o brilho de mistério em seus olhos negros agravaram mais ainda sua caricatura mal formada. Confusa, a grifinória arqueou as sobrancelhas enquanto levava uma das mãos ao bolso da calça onde havia deixado a varinha. Empunhou-a com firmeza e uma coragem que não enganava nem a si mesma. A outra tomava posição de ataque e ela igualou.
- Rictusempra!
- Serpensortia!
Rastejante e sedenta saltou da ponta da varinha sonserina uma serpente negra de tamanho e ferocidade consideráveis. Lily fitou desesperada o animal aproximar-se dela e ficar ereto alcançando seus olhos. Poderia ter dado o bote ali, sem mais hesitar, porém, aquela que lhe dominava não apresentava condições de emitir nenhuma ordem. Rowle contorcia-se gargalhando, mais abertamente do que fizera antes, é verdade, e incomparavelmente mais alto. Lílian teria que encontrar uma maneira de calá-la, e rápido. Estupefez a cobra que de encontro com a parede desapareceu numa nuvem de poeira e apontando novamente para a morena murmurou:
- Silencio!
Anne continuou a rir numa mudes desconfortável. Revirando os olhos, Lílian caminhou até ela que já se ajoelhava no mármore milenar.
- Finite.
Exausta, ela respirava com sofreguidão, até que soou novamente o riso alucinado. Balbuciava períodos completos da mais pura insanidade, seus olhos negros saltavam das órbitas enquanto ela se punha de pé. Recompôs-se empunhando a varinha com mais firmeza. Um brilho cruel assaltou-lhe as íris, os lábios formigavam e então sibilou pausadamente:
- Tão bobinha... – Riu, e sem mais intervalo, bradou. - Expeliarmus! Accio!
A varinha foi tirada das mãos da grifinória e numa fração de segundo, rolava entre os dedos de Anne.
- Devolva isso agora, Rowle. – Lily já sentia suas faces esquentando de raiva.
- E por que eu faria isso Evans, pensa que sou tola?
- Talvez por eu ser monitora e você não.
- Acha mesmo que ser monitora é tão importante? – Ela ria – Pois eu poderia fazer o que eu quisesse com você, neste exato momento! Não há nada aqui que me empeça...
- Você não se atreveria...
- A quê? – Rugiu, agarrando com as mãos livres o alvo pescoço da ruiva que abriu os olhos de susto.
Vagarosamente fechou os dedos cada vez mais firmes e levantando a grifinória alguns centímetros do chão. Dentes trincavam-se de prazer, os olhos amendoados cintilavam para a palidez das antes rosadas bochechas. Lábios tornavam-se arroxeados, tanto pela falta de oxigênio quanto pela compressão de ansiedade. Apenas os olhos cor de esmeralda mantinham-se vivos, as pequenas mãos já formigavam ao lado do corpo, tanta era a sua falta de atitude perante a situação. Fechou os olhos encobertos por lágrimas que se recusavam a cair. Uma onda de calor invadiu seu corpo. Percebeu a mão da sonserina afrouxar e seus olhos abriram-se de uma vez. Os pensamentos confundiam-se em sua mente, e quase não lhe assustou o corpo de Anne sendo lançado alguns metros ao seu lado. Tinha que sair dali. Apanhou sua varinha ao lado da morena inconsciente e tomou o rumo dos jardins. Andava o mais rápido possível sem chamar atenção de ninguém. Em algum ponto do caminho, não sabia muito bem, Melody juntou-se a ela. Numa marcha ritmada seguiam as duas silenciosamente, parando apenas no lugar até ali tido como deserto, o campo de Quadribol. Realmente, nas arquibancadas viam-se apenas algumas poucas garrafas de cerveja amanteigada vazias. De forma atrapalhada sentou-se na grama, as pernas cruzadas e o rosto entre as mãos.
Sorrateiramente, Mel encontrou conforto entre as pernas da garota que respirava com dificuldade. Não conseguia mais encontrar a linha do seu pensamento. Confundia-se, perdia-se naquele emaranhado de perguntas, idéias e medos. Pelo menos ali teria paz e tempo para por tudo em ordem. Deitou enfim, deixando os olhos leves passearem, brincarem pulando na imensidão agora branca, às vezes até acompanhando uma andorinha clandestina em terrenos tão frios. Foi assim que começou. Caiu o primeiro, e ela não quis acreditar. Vieram outros e ela estendeu a mão obediente. Os primeiros e poucos flocos de neve mal sobressaiam no gramado do campo. Foi necessário o vento frio soprar mais forte para que ela se tomasse conhecimento da sua falta de agasalhos. Porém, estava decidida. Só deixaria aquele campo de quadribol quando seus pensamentos entrassem em ordem. Ainda deitada na gélida grama, não acreditava que fosse demorar, era só uma questão de tempo para assimilar o que sentira. Nunca havia passado por nada parecido, sequer imaginara-se de tal forma. Sentia medo das proporções que aquilo poderia tomar. Não se sentia capaz de suportar tanta responsabilidade, talvez fosse até reversível, quem sabe? Tomaria logo as primeiras providências. Correria à biblioteca na manhã seguinte. Não, na manhã seguinte ela retomaria as aulas. No próximo horário vago, então. Merlim esquecera-se completamente da monitoria. Decidido, no final de semana, enquanto todos estivessem em Hogsmeade, ela estaria na biblioteca, entre seus queridos livros.
Caía a noite e suas faces estavam coradas de frio. O corpo parecia ter congelado na grama branca. A ponta do nariz estava gelada e os olhos continuavam perdidos na imensidão pálida. Um raio deixou-se ver em meio à bonança.
- Lily? – Alguém gritava.
Pôs-se sentada fitando o campo coberto pela geada, com dificuldade conseguiu distinguir uma forma humana num dos portões de entrada. Piscou repetidas vezes tentando identificar o recém chegado que aparentemente a havia reconhecido, pois trotava em sua direção. Devorado pela grossa capa negra da escola de magia, vinha James com evidentes traços de preocupação nos olhos e a contradita respiração aliviada. Retirando as mãos previamente ocultas nos bolsos ele levantou a garota, fazendo-a ficar em pé. Sentiu a pele fria dos braços dela quase congelar nas pontas dos seus dedos. Ela tremia por inteiro sem desviar o sôfrego olhar dos cabelos do rapaz. Ria suavemente sem se dar conta, e pouco a pouco, a prazerosa sensação de conforto e segurança a invadia outra vez. O olhar dele era enigmático. De um castanho no qual pareciam formar-se as nuvens de uma tempestade. Nunca saberia o que esperar de tais íris. Talvez, ele retira-se a capa e a depositasse de forma acolhedora sobre seus ombros. Talvez, num súbito ato de imprudência ele lhe beijasse os lábios aquecendo seu corpo instantaneamente. Todavia, o Maroto apenas passou o braço por cima dos ombros dela e se pôs a conduzi-la. As estrelas finalmente haviam ganhado a silenciosa disputa contra o sol e a lua, a qual limitou-se em tomar a forma de um fino sorriso enquanto elas, imponentes, brilhavam libertas no céu azul marinho.
- Está sentindo alguma coisa? - Perguntou em meio às lentas passadas. Abraçava-a pelos ombros, mas parecia ainda assim, indiferente.
Evans apenas respondeu com um breve meneio de cabeça enquanto cruzava os braços em frente ao peito na tentativa de se aquecer. Os muros do castelo já se faziam imponentes por trás da leve cortina de névoa. Suas janelas iluminadas emanavam uma vida que se expandia pelos jardins. Buscando o olhar do Maroto, ela ergueu o rosto, mas tudo que encontrou foram os olhos inflexíveis dele na direção da entrada principal. Logo transpunham as estrondosas portas de mogno. Sob olhares curiosos de alguns alunos e reprovadores de outros seguiram direto para o Salão Principal. James recolheu sem cautela o braço que envolvia a garota e num gesto desconfortável acertou os óculos no nariz. Mesmo carente do amparo que era o outro corpo junto ao seu, Lily manteve-se na idéia de segui-lo. Estranhara sua frieza, a ausência de contato visual, mas as palavras ainda recusavam-se a entrar em ordem. Um pequeno grupo de estudantes acotovela-se à frente, tentando entrar no Salão. Tomou para si o braço de James que lhe respondeu com um olhar furtivo, mas não o recolheu. Mal lhe haviam ofuscado a vista as velas que pairavam sob o seu encantado de estrelas, surgiram a sua frente braços que não pode contar como milhares por saber ser impossível. Cada uma de suas amigas fez questão de tirar-lhe o fôlego com um demorado abraço, para, em seguida, examinar-lhe de cima a baixo. Notando as faces demasiadamente pálidas da ruiva, Alice foi a primeira a questionar:
- Por que você ainda está descoberta, Lily? Faz tanto frio! – E correndo até a mesa da Grifinória, voltou com a própria capa nos braços.
Envolveu Lílian, que lhe sorriu com gratidão enquanto era levada à mesa, por um Potter calado e suas amigas que o fitavam como a um estranho.
- E o que você ainda faz com a sua capa, Jamie? – Fez Samantha num ímpeto de incredulidade.
- Estava com frio, oras. - O Maroto deu de ombros e balbuciou simplesmente.
As três garotas o fitaram boquiabertas durante o restante do curto trajeto até a grande mesa, onde mais braços – desta vez masculinos – esperavam ansiosos pela garota Evans. Todos falavam ao mesmo tempo, mas a audição de Lily decidira cooperar para que a garota permanecesse em paz. Nada ouvia, apenas sorria a todos docemente. Repreendeu-se diversas vezes por não conseguir retirar o olhar de James. Este, por sua vez, estava sentado exatamente a sua frente, porém ignorava a sua atenção. Ele estava diferente. Pelo olhar percebia-se o quão frio era o seu interior. Tão diferente de tudo que Lily já havia reparado voluntária e involuntariamente no rapaz. Voltou-se então para a taça de suco de abóbora que jazia intocada a sua frente e inspirando a própria liberdade, tomou tudo num só gole. Seu interior finalmente parecia claro, sentia a própria alma brilhando através de seus olhos. Ainda lhe restavam muitas perguntas, mas não conseguia impedir a sensação de serenidade de invadir-lhe.
- Qual foi, Prongs? – Sirius sussurrou para James, ainda encarando a sua torta de maçã.
O outro parecia não ouvi-lo, pois continuava a comer sem retirar os olhos do prato.
- Prongs? – Chamou novamente, apenas um pouco mais alto. E mais uma vez, não obteve resposta. – Prongs! – Ele quase gritou.
James virou-se para ele assustado e com o semblante confuso. Alguns dos alunos que estavam envolta o olharam espantados. Duas garotas do sexto ano lhe sorriram sugestivamente e acenaram. Padfoot retribuiu o cumprimento com uma piscada e seu convencional sorriso maroto, o que não passo despercebido por Samantha que bufou, sentindo o rosto esquentar.
- Falou comigo? – Potter perguntou ao amigo, vacilante.
- Você conhece mais algum veado por aqui?
- Eh...
- Esqueça! – Sirius revirou seus olhos azuis. – Onde é que você estava com a cabeça mesmo, senhor Prongs? – Perguntou maroto.
- Prongs? – O próprio repetiu novamente, confuso. – Eu, hum, estava pensando na Lily, em quem mais?
- Falando na Lily... – Remus que sentava ao outro lado de James, virou-se para os amigos. – Aonde você a encontrou?
- Ela estava no Campo de Quadribol, deitada no meio da neve. Muito estranho...
- Deitada?
- Deitada Lupin, quer que eu desenhe? – Alfinetou. Os outros dois marotos o fitaram desconfiados e o moreno sorriu sem graça. – Digo, deitada, sem capa, nem nada, muito estranho, muito.
- Espere aí, James. – Fez Moony, incrédulo. – Você está mesmo me dizendo que Lílian Evans, a mesma garota por quem você é apaixonado desde o quarto ano, estava deitada num campo de Quadribol congelado, é isso?
- Exatamente... – Respondeu com uma indiferença que não diferia muito do tédio.
Sirius buscou-o no olhar, astuto. Conheciam um ao outro bem demais e algo lhe dizia que o companheiro omitindo um pedaço da história. As palavras – inevitavelmente – saltaram de seus lábios, os quais exibiam um sorriso familiar.
- E então o nosso Jamie aproveitou-se da situação... – Ele rolou os olhos, divertido.
- Não... Na verdade, não.
A réplica fora tão incisiva que ao final da frase até Peter, o qual estivera com o garfo espetado na última fatia de carneiro, parou. Permaneceram quietos, analisando uns aos outros por um instante, mas não demorou mais para que enfim as distintas gargalhadas preenchessem o Salão Principal. Não apenas os alunos ao redor fitavam-nos curiosos; o próprio Potter aparentava desconhecer a fonte de tanto riso. Porém, isso ainda era insuficiente. O que mais chamava atenção no momento estava longe de ser o desconforto do quarto Maroto. Os três amigos vibravam em harmonia e singularidades. Remus tinha as faces coradas, seu riso era silencioso e o ar perdia-se na entrada e saída dos pulmões. Black jogava –propositadamente - seus cabelos negros para trás, emitindo sons semelhantes a latidos que arrancavam das grifinórias à mesa suspiros abafados. Já Wormtail escondia a boca com os dedos, mas, ainda assim, era audível seu riso curto e histérico. Farto de toda a felicidade incontida, James apanhou a mochila e jogando-a displicente sobre os ombros deixou a mesa. Ele falava sério. Desconhecedores da causa da cólera e, principalmente, da frieza de seu companheiro, abateu-se sobre os Marotos um silêncio nostálgico. Gota a gota, a melancolia os contaminava. Sempre estiveram juntos, desde o primeiro dia de aulas em Hogwarts – para tudo e para sempre, antecedia o solene juramento em outros tempos. E agora se viam desfalcados, nostálgicos, murchos. Como um livro que acaba antes do desfecho, ou uma amizade que nunca deveria parar de crescer. Observaram-no levantar sem emoção. James andava em direção à saída e, decidido, seguia sem olhar para trás. Porém, ao passar por Lílian, estacou. Cochichou algo próximo a seu ouvido, sem chamar a atenção das outras garotas. O sorriso momentaneamente voltou aos olhos dos outros três. Mas era ainda muito cedo. Mal abandonara a ruiva, quando deixou cair um discreto rolo de pergaminho no colo da garota loura ao lado. Curiosa, Jéssica desenrolou o bilhete enquanto Prongs se afastava. Ninguém percebeu, mas a garota tinha o cenho franzido em confusão – assim como os Marotos.
- Está tudo bem, Jess? - Era Lily a perguntar. A pouco observara a amiga fechar-se num silêncio constrangido quando outrora parecia ávida por respostas.
- Não foi nada... - Bone desconcertou-se mais ainda por mentir. Escondera no bolso o bilhete cujo conteúdo não deveria ser transmitido, como lhe fora orientado. - ...Mas você tem certeza, Lil? - Retomou o discurso. - Você vai acabar doente, sua teimosa. Aonde já se viu? Passar duas horas deitada na neve, Merlim!
- É sério, Lil... - Fez Alice sem perder sua tez trêmula e pálida. - Eu posso ir chamar Madame Pomfrey agora mesmo, você nem precisa passar a noite lá...
À menção da enfermaria Lílian sentiu o corpo amolecer. Não estava certa disso, mas evitaria aquele lugar a qualquer custo. Talvez fosse um exagero de sua parte, a fama de exagerada não lhe era de todo injusta. Ela não se renderia tão cedo, apertou a capa de Samatha que lhe envolvia o corpo buscando firmeza para as palavras.
- Eu estou bem, não precisa...
- Não acredito que aquele cretino lhe fez uma coisa dessas! - Sam interrompeu, sem prestar atenção no que a outra dizia. Estivera alheia à conversa, mas seus pensamentos estavam irremediavelmente muito perto. - Mas como o James é imprestável a ponto de não lhe dar a capa dele, Lily, como?
- Não se esquente com isso, Sammy... Todo mundo pode errar uma vez ou outra... - Alice interveio novamente, vendo que a amiga tomava as dores da ruiva para si.
- Ele não podia ter errado desta vez, Lice. Não desta vez! A menina estava quase tendo uma hipotermia bem em frente aos olhos dele! Você é boa demais com os outros, às vezes me pergunto se esta ingenuidade não lhe fará mal um dia...
- Só não me ofendo porque sei que agora tudo que você diz é da boca pra fora, Sammy. Mas peço que acredite mim e deixe de ser tão exigente com os outros. Se eu sou a ingênua, você é aquela que espera muito das pessoas...
- Pelas barbas de Merlim, Alice. Eu só estava dizendo que é absurdo esse "erro" do James... A Lily poderia ter morrido, sabia?
- Calma meninas, eu estou bem aqui, não estou? Está tudo bem, juro a vocês... - Tentara de tudo, desde o olhar penetrante, à voz segura e um doce sorriso nos lábios, mas seu organismo lhe traia e a ruiva não pôde evitar a tosse. Tossiu repetidas vezes e suas faces recobraram o tom rosado. As outras garotas lhe fitaram com ar de divertida afeição.
- Vamos, Lily. - Samantha levantou-se da cadeira e estendia o braço para que a Evans pudesse apoiar-se.
Sem mais discutir, as grifinórias andaram mansamente até o Salão Comunal. Aqueles que lhes cruzavam o caminho não evitavam lançar olhares curiosos e - não raramente - de desdém. A situação era desconfortável, mas aquelas quatro garotas que andavam juntas não temiam ninguém, seus olhares eram de leoas que protegiam a cria. Atravessaram o retrato cuja dona estava angustiada, tinha algo a contar, todavia fora proibida. Os quadros do castelo cochichavam entre si, porém aquilo passou despercebido pelas grifinórias. Uma vez envoltas pela atmosfera acolhedora da torre preocuparam-se apenas em acomodar Lílian no dormitório - ela precisava repousar. Propositadamente, ignoraram Prongs que se empoleirava numa das poltronas em frente à lareira. O Maroto trazia com sigo a aparência de quem aprontaria algo, como uma criança prestes a roubar do pote o último sapo de chocolate. Estavam todas deitadas, porém, duas delas permaneciam despertas. Eram desmedidas as surpresas que o destino reservava a cada um delas. No mais tardar da hora, a noite já avançara destemida e os grifinórios foram cada um para sua cama, para seu refúgio de cortinas cor de vinho. Apenas um continuava no Salão Comunal, apenas um empoleirado na mesma poltrona em frente à lareira, um com o mesmo sorriso que tantas vezes exibia, mas ao menos este havia mudado. Não era um sorriso no qual transparecia sua doce infantilidade, era sim um sorriso cheio de malícia, quase cruel. Ouviu ao longe o relógio que marcava a meia-noite. O sorriso se estendeu. Os jogos haviam começado.
- Você está linda...
(N/B): Aplausos silenciosos... Bem, dispenso comentários, sou fã da Malfy! Reviews, ela merece!
N/A: Eu posso explicar, eu posso explicar, eu posso explicar! Além de todas as viagens, deveres, estudos, livros lidos, preguiças, etc., a infeliz escritora que vos fala teve um bloquieo enooorme graças à cobrança para com migo mesma. É, isso aí. Bom, Momentos mudou bastante, né? Espero não ter desagradado ninguém... Ai deixa eu correr aqui pra postar porque afinal, amanhã não é um dia qualquer:D Lançamento de Deathly Hallows em português, ui! Eu já li, abafa. Mas quero ler em português agora... Lindo, lindo, lindo! Um beeijo queridos.
