Há vinte e quatro horas que James se encontrava preso. Deram-lhe água, o que tinha um efeito terrível sobre o seu estado de espírito. Quando o carro da policia o mandou parar, pensou apenas que iam pedir-lhe os documentos, porque talvez fosse em excesso de velocidade, por isso, não ficou nada preocupado com o assunto.
No entanto, o oficial que o mandou parar, obrigou-o a abrir o porta-bagagens. Quando o polícia viu todo aquele carregamento de garrafas de bourbon não se mostrou nada surpreendido com o que estava a constatar. James viu-se na esquadra da polícia a tentar ligar para o seu advogado, mas não conseguia fazer a ligação.
- James, agora está tudo nas tuas mãos.
Levantou-se sem entusiasmo. Ia sair dali, disso tinha a certeza, e depois? Tinha perdido a pista dos três fugitivos e muitos euros. Ia ter de voltar para casa e anunciar à mulher mais uma derrota.
Assim que conseguiu sair da esquadra, conduziu o mais depressa que pôde. Logo que lhe fosse possível, entraria num supermercado e faria novo carregamento de bourbon. Depois, procuraria um hotel e, antes de ter de suportar os gritos de Maria e os palavrões de Jacob, ia dar-se ao luxo de apanhar uma das maiores bebedeiras da sua vida.
O primeiro a levantar-se foi Edward. Dirigiu-se à recepção e foi buscar o pequeno-almoço. Pegou no jornal que alguém tinha esquecido em cima do balcão e começou a ler, enquanto comia.
Quando passou os olhos pela primeira página, não queria acreditar no que estava publicado. Devia ser uma alucinação matinal ou talvez cansaço… Mas, por mais que esfregasse os olhos e os abrisse e voltasse a fechar, não havia a menor dúvida de que tinha visto bem. Pegou no jornal e pô-lo debaixo do nariz da advogada, que ainda se encontrava meio ensonada.
- O que se passa?
- Tira tu própria as conclusões!
Havia um enorme título sobre o discurso do presidente Bush e, mesmo ao lado, encontravam-se as fotografias dos três, com o seguinte título: "Fora da lei para salvar o filho".
Aterrada Bella verificou que quem assinava o artigo era mesmo Mike Newton.
- Que filho da mãe! – exclamou Bella.
A humilhação que sentiu por ter sido trocado por Edward fez com que Mike quisesse vingar-se. Sem sequer esperar pela audiência vendeu a história à imprensa. O artigo não dava detalhes, segundo o jornal, por motivos de "segurança". No entanto, não se coibiram de pôr as iniciais dos seus nomes.
Á medida que ia lendo a história, a advogada ficava cada vez mais furiosa. Ela era descrita como uma "jovem advogada, devorada pela ambição" e Edward como um "aventureiro francês com muito sucesso junto das mulheres". Por fim, falavam de Daniel, como se ele se tivesse transformado "numa pobre criança traumatizada, por ter de escolher entre dois pais". Não contente com isso, o jornalista descrevia com detalhe toda a sua fuga "até à última paragem perto de Faro". Felizmente, não lhe tinha falado de Emmett. Se o tivesse feito, o jornalista não teria os menores escrúpulos em mencionar o endereço do monte do amigo.
- É inútil continuar a baralhar as pistas. James já leu o artigo e sabe onde nos encontramos. O melhor é voltarmos para o monte de Emmett e, quanto mais depressa lá chegarmos, melhor, porque aí ninguém nos encontrará.
O francês concordou. Graças ao parvalhão do Mike Newton, eles corriam o risco de dar de caras com James a qualquer momento. O melhor mesmo era refugiar-se na casa do amigo de Bella, pois aí estariam em segurança.
O amigo de Bella… Daria tudo para saber o que representava realmente esse tal Emmett para ela. Um "solitário" que vivia num monte não lhe dava qualquer segurança. Cada vez que pronunciava aquele nome, a voz dela tornava-se meiga, cheia de ternura e isso deixava Edward fora de si.
Como sempre tinha preferido enfrentar a realidade em vez de fugir dela, resolveu tratar imediatamente desse assunto.
- O que significa o Emmett para ti?
Um amigo? Nem sequer se dava conta de que as suas palavras vibravam de ciúme.
"E não era um pequeno ataque de ciúmes de um namorado tolerante e compreensivo", pensou a advogada, que mordia a língua para não começar a rir. Não era possível: Edward mais parecia um corso à antiga ou um namorado siciliano; pelo menos, era o que transparecia quando se olhava para a expressão do seu rosto…
- Emmett é muito mais do que um amigo para mim.
Ainda por cima confessa. Mas o que é que ele pensava? Que uma rapariga linda e sedutora como ela levava uma vida de freira? Pouco importava o que tinha acontecido antes de conhecê-la; o que contava era o presente e não os seus respectivos passados…
- Emmett é, sem dúvida, a pessoa melhor que melhor me conhece. Adivinha o que estou a pensar, sem que seja necessário abrir a boca…
O francês conteve-se o mais que pôde. Mas, assim que estivesse a sós com ela, iria pôr tudo em "pratos limpos". Não gostava nada das coisas por metade. Também ia dizer-lhe o quanto a amava e, em consequência disso, se ela partilhasse dos mesmos sentimentos que ele, implorava-lhe com toda a humildade que renunciasse ao homem dos montes…
- Há quanto tempo o conheces? – perguntou Daniel.
- Praticamente desde sempre… Parecemo-nos muito um com o outro – claro que não estou a falar fisicamente, porque ele é muito mais alto do que eu, é moreno e…. é muito musculado.
Edward decidiu não adiantar o assunto naquele momento. Já tinha ouvido o suficiente.
- Acho que era melhor que nos metêssemos à estrada, não vá aparecer por aí o James.
Quando recuperou da bebedeira, o detective resolveu tomar café. Pouco lhe importava o seu aspecto. A camisa estava toda enxovalhada. Parecia que tinha acabado de sair de uma enxovia e encontrava-se cheia de nódoas pretas do vinho que lhe tinha caído em cima. Caminhou até ao café mais próximo, refastelou-se a uma mesa e pediu um café em chávena grande, forte e bem quente. Pegou no jornal, que se encontrava na mesa do lado, para poder fugir, durante mais um pouco, à realidade.
Quando começou a ler a primeira página, pensou que estava a delirar, mas depressa chegou à conclusão de que tudo o que encontrava naquele artigo era verdade. A leitura da notícia deixou-o de rastos. Ele, que tinha estado ao pé deles, que tinha mesmo chegado a ter o garoto debaixo dos braços e que, por uma infeliz contrariedade, ficara de mãos vazias. Agora já era tarde.
Completamente deprimido, meteu a mão no bolso do casaco á procura dos cigarros, mas, em vez de cigarros, encontrou um papel do qual saía um cartão; puxou-o com a ponta dos dedos e um papel caiu no chão. James olhou-o distraidamente. Era o envelope que tinha trazido de casa da advogada, aquele que continha uma fotografia com a dedicatória "ao meu macho preferido". De forma mecânica, leu o endereço:
- Emmett, Monte dos Capuzes, Évora.
James nem queria acreditar no que via. "Era óbvio que era para ali que Bella queria levar aqueles dois. "Mas como é que foi possível ter andado todo este tempo com esta porcaria no bolso e nunca mais me ter lembrado? Andei a fazer figura de parvo durante todo este tempo. Sempre tive a solução do caso. Trouxe-a no bolso", pensou James.
No entanto, antes de deslocar-se para lá "às cegas" e voltar a dar com a cabeça nas paredes, resolveu telefonar a uns amigos, para saber quem era esse Emmett, o que fazia na vida e se, eventualmente, tinha alguma coisa a ver com a dra. Isabella Swan.
Enquanto esperava a resposta, sentiu-se novamente reviver. Podia outra vez começar a sentir o cheiro dos euros de Jacob.
Alguns minutos mais tarde, o telemóvel tocou e James precipitou-se a atender.
- Então, esse Emmett? – perguntou à pessoa que lhe tinha ligado.
- É um tipo muito engraçado. É doutorado em Literatura, mas vive da cultura biológica do mel, que ele mesmo produz no monte.
- Mas o que é que o liga à advogada?
- É verdade, já me estava a esquecer. É irmão dela.
- O quê? Mas eles não têm o mesmo apelido!
- Pois não. Quando atingiu a maioridade, a tua doutora meteu os papéis, pedindo para usar apenas o nome de solteira da mãe e o juiz concedeu-lhe esse direito.
Continua…
Olá, aqui está mais um capítulo.
Espero que gostem, agora que o James já descobriu o paradeiro deles, o próximo capítulo vai ser cheio de emoção.
O que acharam do ataque de ciúmes do Edward?
Já só faltam capítulos para acabar esta fic, espero que estejam a gostar.
Beijinhos.
