Olá, cherries!
Smut no capítulo, viu? Cê foi avisado ;)
Parte XIX
It's madness, like an earthquake
That shakes you soul
Não me interprete mal. Eu adorava estar perto de Santana e Kurt (se bem que de Santana era meio perigoso, de vez em quando). Mas a questão era: às vezes era muito bom estar longe dos amigos – ou, no caso, era muito bom que eles estivessem trabalhando enquanto eu iria me divertir um pouco. Eu já tinha percebido que, quase sempre, eu estava na escala da faxina, o que me deixava praticamente um zumbi na maior parte do tempo. Mas eu presumia que, enquanto eu estava feliz por ter sido liberada daquilo, Santana e Kurt estavam me rogando. Porque eles trabalhavam em tempo integral e digamos que, quando você só quer ir para casa e dormir, não é nada legal o seu chefe dizer que a escala de faxinas mudou e que eu-sinto-muito-mesmo-mas-você-está-escalada-de-novo-para-o-troço.
Mas, de certo modo, eu ficava aliviada.
Porque eu precisava mesmo de um descanso. E se o descanso fosse com Finn melhor ainda. Porque eu queria estar perto dele, queria que ele passasse a noite ali de novo e queria mais do que tudo que eu acordasse e desse de cara com ele na minha cama.
Digamos que, quando você está apaixonada por um cara realmente legal, você praticamente quer que ele more contigo pelo resto da vida.
Mas, ei, não me acuse de louca ainda.
Como um dèja-vú da noite anterior, eu e Finn estávamos nos beijando e caminhando em direção ao meu quarto. Eu ri durante o beijo, o que deve ter estragado o momento. Mas percebi que Finn não se importou, porque começou a rir comigo. "O jantar está pronto", eu disse, ainda rindo e distanciando meus lábios dos dele. "Depois. Depois", ele disse, sem rir. Não que estivesse sério – acho que, por sempre carregar aquele sorrisinho lateral consigo, ele nunca conseguia permanecer completamente sério. Por sorte eu já tinha retirado o sobretudo, o que lhe deu acesso à minha cintura com mais propriedade. As mãos dele em mim eram uma loucura. Eram grossas, mas sem deixar de serem gentis.
Deixei aquilo pra lá.
Eu nem estava com tanta fome assim. Quando você passa seis horas dentro de um restaurante fedendo à gordura a sua fome desaparece como mágica, é sério. Por isso, deixei que ele me guiasse para dentro de meu quarto. Parecia que ele não tinha mesmo esquecido do caminho. Quer dizer, o loft era grande e tudo, e havia três quartos. O meu era sempre o do meio, mas ele poderia ter errado. Mas, pelo jeito, ele tinha prestado atenção. Desvencilhei-me dele por dois segundos, querendo conferir o estado do interior do meu quarto. Não que eu fosse uma bagunceira, mas havia tanta coisa em cima da minha bancada! Perfumes, cremes e um monte de livros. Mas não tive tempo de ficar com aquela vontade louca de arrumar tudo. Porque eu tinha algo mais urgente pra fazer e aquilo, sim, estava me matando um pouquinho. Não que eu fosse uma ninfomaníaca – pra falar a verdade, eu era tão normal quanto qualquer outra garota com relação a isso –, mas Finn estava me atiçando. Com seus lábios no meu pescoço como eu poderia querer deixar aquilo para mais tarde? De jeito nenhum!
E parecia que ele também não estava se importando nem um pouco com nada além de mim. E aquilo meio que me deixava ainda mais excitada. Porque nunca nenhum cara deixou de comer o meu macarrão com ervilhas pra transar comigo. Eles sempre preferiam o meu macarrão. De duas uma: ou eu era uma expert na cozinha, ou era um fracasso na cama.
Finn não perdeu muito tempo e fechou a porta. Não sabia quando é que Santana e Kurt iriam aparecer, mas eu esperava que fossem jantar fora, ou que encontrassem um conhecido. Em outras palavras, que se demorassem o suficiente. Porque seria mesmo muito horrível se eles me pegassem transando. Mas não dei muita importância a isso, já que Finn tinha outros objetivos que não fossem me lembrar de meus amigos. Ele já estava desabotoando os botões laterais da minha saia, o que a fez automaticamente se deslizar pela minha meia-calça preta. Dei um passo para trás, para me livrar da peça aos meus pés e me sentei na cama. Em pouco tempo consegui retirar as botas e a meia-calça, enquanto observava Finn se livrar rapidamente, também, das roupas. Levantei-me e fiquei de costas para ele, pra que ele conseguisse abrir o zíper da minha blusa vermelha. Joguei-a no pé da cama – na verdade, eu não era muito organizada mesmo –, e Finn veio ao meu encontro, batendo o corpo contra o meu com um pouco de força. Uma de suas mãos foi parar nas minhas costelas enquanto a outra, na minha calcinha. O ar fresco da noite me arrepiou, por isso Finn me apertou contra ele. Nosso beijo ia se aprofundando a cada instante, até que, finalmente, sem paciência alguma, nossas línguas já estavam juntas, explorando cada canto um do outro. Soltei um suspiro que dizia claramente o quanto sentia falta daquilo, daquela intimidade que me fazia querer arrancar as roupas de uma só vez.
Estrategicamente, Finn começou a me empurrar com leveza para trás, em direção à cama. Minhas mãos apertaram sua pele, do mesmo modo como ele apertava a minha bunda. Deitei-me estendida no colchão e logo Finn me cobriu com o próprio corpo, sua barriga rente à minha e as pernas nos vãos das minhas. Ao contrário do que achei que ele faria, ele não voltou a me beijar com voracidade. Ficou ali, a centímetros da minha boca, me olhando. Eu comecei a ficar meio impaciente, porque queria muito mesmo língua dele junto à minha proporcionasse aquele êxtase no meu corpo todo. "O que foi?", perguntei, olhando em seus olhos. Ele sorriu lateralmente. Ah, aquele sorriso... Não respondeu; ao invés disso, escorregou a boca para a minha clavícula e depois para o meu ombro. Seus beijos estavam calmos e quentes. Mas aquela lerdeza estava me deixando ainda mais impaciente, por isso logo tratei de enfiar a minha mão dentro da cueca dele. Aquilo bastou para que eu o ouvisse prender o ar de repente e soltar um gemido de surpresa.
É claro que eu gostava de ser paparicada na hora do sexo, mas aquilo já estava me deixando meio entediada. Eu precisava de um pouco mais de ação, como antes. Não queria que ele fosse agressivo, não era aquilo – eu apenas queria que ele fizesse daquilo uma transa de verdade. Não estava pedindo carinhos singelos, ou beijos bonitinhos. Estava meio desesperada para tê-lo dentro de mim como na noite anterior.
Eu sabia que ele já estava pronto para todas as investidas possíveis contra mim, por isso eu apenas queria atiçá-lo ainda mais como ele estava fazendo comigo. E meio que avisá-lo para parar de bancar o romântico, também. Não era hora de ele me olhar nos olhos, ou coisa assim.
Com aquilo, consegui o que queria.
No mesmo minuto pude senti-lo também impaciente e, por isso, ele inverteu as nossas posições, deixando-me em cima dele. Tinha uma coisa que tinha aprendido na noite anterior: ficar no poder na hora do sexo era uma beleza. Sem perder tempo, ele retirou meu sutiã e soergueu o corpo, até que ficássemos colocados de novo. Seus beijos ao longo do meu pescoço começaram a ser meio agressivos, como se ele quisesse dizer que tinha entendido o que eu queria. Eu gemi quando ele me marcou ali. Aos poucos, sua boca foi descendo para os meus seios – mas agora menos agressiva –, até que enfim engolfou um deles, e eu puxei seus cabelos. Uma de suas mãos trabalhava no outro seio, brincando com o bico dele, e a outra ainda estava na minha bunda, por dentro da calcinha. Ele deixou um rastro de fogo com a língua ao redor da auréola e daí a manuseou ali. Mordendo os lábios, deixei escapar um gemido mais alto.
A sensação era tão boa que achei que um orgasmo iria me varrer naquele mesmo segundo, por isso, tentando prolongar minha excitação, empurrei seus ombros para longe, fazendo-o se desconectar de mim. Com as minhas mãos continuei a empurrá-lo ao encontro do colchão. Dava para ver que ele não estava entendendo nada. Mas eu pouco me importei. Aproximei meu rosto do dele, vagarosa, mantendo uma distância de nossos corpos. E daí, fiz com que minha calcinha coçasse na cueca dele, de propósito. Notando que ele estava prestes a derramar um gemido, desci a minha boca até a dele e o beijei, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Repeti o gesto íntimo, agora com mais vontade, e ele afundou os dedos no meu cabelo e apertou minha nuca. Sorri para ele com lascívia e mordi o lábio inferior dele. O poder era ótimo, repetindo. Eu me sentia muito mais capaz quando estava por cima. Não que aquilo tivesse se repetido muitas vezes durante a minha vida sexual – pra falar a verdade, apenas tinha me dado conta do quando era ótimo ditar o ritmo do sexo na noite anterior, talvez porque das outras vezes os meus parceiros estivessem mais pensando em macarrão com ervilhas do que no meu corpo.
Suas duas mãos desceram para a minha calcinha e a deslizaram até minhas coxas. Já era hora mesmo. Não aguentava mais as camadas entre nós. Saí de cima dele pra retirá-la, da mesma forma como ele logo retirou a cueca e foi procurar a carteira. Peguei o pacote de camisinha da mão dele e o abri – a verdade era que eu não tinha muita prática naquilo, mas pareceu que eu tinha feito a coisa certa. "Deita como antes", falei, já me empoleirando na cama, também. Ele deitou, e eu coloquei a camisinha em seu membro e fiquei com as minhas mãos lá, masturbando-o, vendo sua expressão em êxtase. Aquilo era mesmo muito excitante, e eu nunca tinha sabido.
Sem esperar mais, enlacei sua cintura com as minhas pernas e desci de uma só vez em direção a ele, sentindo-o me preencher. Fiquei parada por dois segundos, sentindo aquela sensação maravilhosa, piscando para a parede como se estivesse delirando. Apoiei minhas mãos em seu peito para me dar sustentabilidade e comecei a subir e a descer, cada vez com mais velocidade, num ritmo meio errático. Quando o último gemido ficou represado na minha garganta, eu desabei sobre ele, sem forças. Em seguida, ele também foi tragado pelo vórtice que se arrebentou sobre ele. Ainda conectada nele, abri os olhos e o mirei, sentindo minha visão meio turva. Ele sorriu e afagou a minha bochecha. Depois, me levantou e, juntos, nos separamos. Finn beijou a minha boca com leveza, e eu me agarrei a ele, sabendo que não tinha forças para mais nada.
Se eu estava com fome? Não me lembrava mais.
"Hmmmm", ele disse.
"E aí?", perguntei ao lado dele no sofá. Estávamos na sala, degustando o meu macarrão em frente à TV, assistindo a Jane Eyre, de 1944. Na verdade, não estávamos prestando atenção. Apenas queria que a TV estivesse ligada para produzir algum barulho legal de fundo. "É realmente a sua especialidade. Não dá pra acreditar que é vegetariana", ele respondeu, depois que engoliu a sua garfada. "Por quê? Vegetarianos não podem cozinhar bem?", eu logo ri, porque aquilo merecia uma risada. Ele olhou para mim e disse: "É um desperdício. Imagine o que você poderia fazer com um frango ou um porco". Ri mais, mas depois falei: "Não consigo imaginar. Não sou do tipo que sai matando o Baby para comer".
Nós rimos mais um pouco.
"Está realmente ótimo. Vou aparecer todas as noites, agora", ele avisou. "Isso não vale", logo aleguei, dando-lhe um safanão de leve no ombro. Ele sorriu. "Como se você não tivesse gostado da primeira parte", Finn zombou, divertido. Fiquei meio tímida, porque eu não sabia muito bem como conversar sobre sexo com um cara. E nunca nenhum deles mencionou coisas assim para mim antes. Quer dizer, era óbvio que eu tinha apreciado a primeira parte – tinha sido a minha parte preferida da noite, com certeza – mas ele não precisava deixar tão explícito assim, né? Só se fosse para me ver agir como uma adolescente de 14 anos que tem medo de falar a palavra 'sexo'. Porque eu me senti exatamente daquele modo. Finn logo sorriu de novo e se aproximou de mim, tomando cuidado para não derrubar o prato de suas mãos. "Você é linda toda envergonhada, sabia, Broadway?", ele perguntou, com aquele sorrisinho lateral. Não disse nada, somente sorri também.
Nisto, quando estava prestes a me aproximar mais ainda dele e lhe plantar um beijo nos lábios com gosto de macarrão com ervilhas e molho branco, a porta se abriu num repelão. Pude ouvir as risadas de Kurt e Santana antes mesmo de vê-los. Ouvi, também, a chave de Santana sendo arremessada num pote de cerâmica na bancada perto da porta. E daí os risos cessaram, de repente. "Finn, você voltou! Eu simplesmente sabia que você não iria resistir ao conforto que esse loft emana, nem ao sexo com a Hobbit!", Santana foi a primeira a se manifestar, é claro. Ela tinha de fazer coisas assim. E falar coisas para me envergonhar, também. Olhei para ela como se pudesse transformá-la em pedra. "Relaxa, Berry", ela logo foi dizendo. E daí veio até a gente. Olhei para Kurt, que tinha ido para a cozinha beber um copo d'água. "Como vai, Finn? Já aproveitou o sexo?", Santana perguntou para Finn.
Pela primeira vez vi Finn totalmente sem graça e sem reação. Ele jogou um olhar para mim, meio implorador. Estava pedindo pelo amor de Deus que eu cortasse Santana. Mas eu sabia que nada seria capaz de fazê-la ir para longe de nós. "Foi bom, ou não?", Santana perguntou. "SANTANA, CALA A BOCA", eu pedi num tom muito alto. "Ah, pelo amor de Deus, só estou aporrinhando vocês um pouco. Não precisa me dizer que a Rachel é a maior fresca pra essas coisas, porque eu já sei", Santana disse, se dirigindo a Finn e lançando a ele uma piscadela.
Odiava a Santana.
Não sabia como é que tinha aceitado dividir o loft com aquele Satã.
"Hm. Vocês já jantaram?", foi a pergunta de Finn, naquele tom cauteloso e meio baixo. "Foi ótimo você perguntar. Na verdade, estou morrendo de fome", ela disse, dando uma olhada nos nossos pratos. "Ah, por favor, não me diga que colocou malditas ervilhas nesse troço de novo, Berry!", ela reclamou. "Na verdade, está bastante bom", Finn falou. Olhei para ele, meio que o agradecendo. Santana fez uma cara de nojo e se retirou da sala. "Não liga pra ela", pedi para Finn, numa voz sussurrada. "Hey, Kurt, venha cá. O que está fazendo na cozinha?", perguntei lá do sofá. "Estou lavando o que você sujou, Senhorita Eu Não Lavo Nada", Kurt me devolveu. Achei estranho. Na verdade, Kurt não era tão neurótico com aquelas coisas e sempre que havia visitas era o Sr. Anfitrião Perfeitinho. "Eu e o Finn vamos lavar tudo isso depois. Venha cá", eu disse.
"Um momento", Kurt respondeu.
Finn estava quieto no canto dele. Olhei para ele e constatei uma ruga de preocupação. Por que ele estava preocupado? Não havia nada o que temer com Kurt. Ele era bem mais controlado que Santana. Finn estava comendo em silêncio, concentrado em observar somente o prato de comida. "Hey?", falei para ele. Finn ergueu o olhar para mim, mas não sorriu ou disse algo. "Está tudo bem?", cochichei.
"Na verdade, acho que eu tenho que ir", ele disse.
Isso me fez sentir um baque esquisito no peito.
Como assim ele tinha de ir? Não tinha sido ele mesmo que, duas horas antes, tinha dito que gostaria de dormir comigo diversas vezes? Por que estava indo embora, então? Será que a culpa era de Santana?
"De que está falando? Você acabou de chegar", refutei meio confusa e chocada. Ai, meu Deus. Será que ele estava me largando? Será que tudo aquilo tinha sido em vão? Será que ele estava mentindo para mim quando disse que não queria apenas sexo?
E eu bem que caí na conversa dele...
Era mesmo uma idiota!
Antes que ele pudesse responder, Kurt disse: "Olá". Era um 'olá' meio seco – nada de sorrisos, ou de alegria na voz. Estranhei, também. Que diabos estava acontecendo?
"Hmm, oi", Finn falou. Havia hesitação na voz dele, e eu não entendi aquilo. Comecei a ficar realmente preocupada. Será que meus amigos tinham estragado tudo? E por que Kurt estava agindo daquele modo como se não quisesse dizer nada a Finn?
"O Finn vai ficar um pouco mais", eu disse a Kurt. E depois busquei uma resposta dele: "Não é, Finn?".
Finn não me olhou, estava olhando de novo para seu prato de macarrão. Não estava entendendo nada.
"Hm, é", ele disse como se quisesse se livrar de uma vez daquelas palavras.
Olhei de Finn para Kurt. Ele deu de ombros e disse: "Não tenho nada a ver com isso". E daí voltou para a cozinha.
Fiquei silenciosa por um tempo.
"Finn?", chamei.
"Oi, Broadway", ele devolveu num tom suave, mas ainda baixo. Não estava comendo, estava somente mirando o macarrão dentro do prato. O que estava acontecendo? "O que está acontecendo? Você vai embora?", olhei para ele, meio desesperada. Depositei meu prato na mesa de centro e fiquei olhando o rosto meio fechado de Finn. Ele também deixou o prato na mesa de centro e me encarou. Sei que parece idiota, mas eu estava, sim, com medo de que ele fosse embora.
"Não vou, não. Vou dormir com você, tudo bem?", ele perguntou naquele mesmo tom suave.
Assenti, ainda sem entender nada. E daí, sem pensar direito, me encostei nele. Finn me abraçou e beijou a minha cabeça.
Tive vontade de chorar não sabia por quê.
Parte XX
You're insecure
But I was so sure, but I wanted you
O quarto estava começando a absorver a claridade do dia. Olhei para o lado e vi Rachel aninhada meio encolhida debaixo da colcha, com o rosto virado para mim. Ela parecia muito serena, como se não tivesse preocupações. E por que teria? Não era ela que estava se apaixonando pelo melhor amigo de um cara que já foi meio-irmão dela.
A noite tinha acabado meio esquisita. Rachel, às vezes, me olhava s em falar nada. Só ficava lá, me olhando. Eu notava que havia certa insegurança nadando em seus olhos cor de avelã. Ela parecia assustada e com medo.
Mas era claro que a culpa tinha sido minha. Tinha sido um imbecil ao dizer que precisava dar o fora. Certamente eu precisava fazer aquilo, mas tinha sido muito cruel lhe dizer aquilo. Porque eu tinha prometido a ela que não iria embora, que não estava ali somente por causa do sexo. E, naquela hora em que disse aquela frase, pareceu totalmente que eu estava indo embora porque já tinha conseguido tudo. E eu não queria lhe passar aquela impressão, queria que ela confiasse em mim.
De todo mundo, apesar de o clima estar meio esquisito entre nós – estávamos muito mais calados que o habitual, por exemplo; sem falar em todos aqueles olhares dela pra cima de mim – eu consegui me sair bem. Santana distraiu Rachel nos atazanando um pouco sobre como tinha sido o sexo – é claro que eu não respondi nem uma palavra sobre aquilo, apenas fiquei lá sorrindo enquanto Rachel se ocupava em mandar Santana para o inferno. Não troquei mais palavras com Kurt, pois logo que ele arrumou a cozinha disse que estava sem fome e se bandeou para seu quarto. E então não o vi mais. Logo depois, Rachel levou nossos pratos e escovou os dentes. Havia outras escovas de dentes por ali, acho que por causa das visitas, e Rachel me deu uma delas para a minha higiene. Depois, ainda bem menos faladeira, me perguntou se não queria ficar lá no quarto dela. Santana ainda não tinha se recolhido, estava pela sala assistindo a uma maratona de Friends e com uma pessoa ao celular. Por isso, ela nem se despediu de nós quando eu e Rachel nos enfiamos em seu quarto e fechamos a porta.
Rachel não tocou no assunto sobre eu ter dito que iria embora. Deixou para lá, mesmo que eu soubesse que, muito provavelmente, estava pensando naquilo. Eu a encaixei entre as minhas pernas, sua coluna rente ao meu abdômen, e fiquei ali abraçado nela por alguns minutos. Ficamos quietos, só abraçados.
"Estou tão cansada", ela comentou. E daí, nós nos deitamos em sua cama. Eu a puxei para meus braços e fiquei alisando algumas mechas de seu cabelo por entre meus dedos. Em poucos minutos, eu soube que ela já tinha adormecido. Tratei de não sair daquela posição em que estávamos – de conchinha – e esvaziei meu cérebro. Só voltei a abrir os olhos naquele momento, quando o quarto já estava se inundando de luz solar.
Fiquei olhando para a face calma de Rachel por um tempo até não suportar mais somente fazer aquilo. Queria ter contato com ela, por isso arrastei meus braços para ela e afaguei sua bochecha com os dedos. Ela estava meio gelada – a noite tinha sido bastante fria. Depositei um beijo na sua testa, depois disso, e a abracei. Tinha sido um milagre eu ter acordado antes dela – jurava que ela sempre iria acordar antes de mim todos os dias.
"Chega mais perto", ela murmurou. Eu soltei uma risada baixa na orelha dela. "Você está com frio?", perguntei. "Se você me abraçar, não vou mais sentir. Me abraça", ela pediu, ainda de olhos fechados. Eu a abracei com força, como se nunca mais ela fosse capaz de sair de meus braços.
"Está tudo bem?", perguntei. Tinha sido uma pergunta fora de hora, mas eu achei que, devido aos últimos acontecimentos, era a melhor pergunta que tinha. "Hmm. Sim", ela afirmou, a voz meio ronronada. Aquele jogo de corpos estava meio que me impelindo a desnudá-la de novo. Eu sabia que estava meio frio, mas sabia também que o sexo ajuda muito a aumentar a temperatura. "A gente mal acordou, Finn", ouvi sua risadinha no meu peito, sabendo que ela tinha descoberto meus planos. Na verdade, aquela parte em especial tinha encontrado uma forma de delatar tudo. "E daí? Eu vou te esquentar da mesma forma", eu disse. Rachel voltou a rir. Ela ergueu o rosto para me olhar e disse: "Você sabe mesmo como me convencer, hein?". Sorri meio sacana.
Minha boca buscou a dela, de imediato. Sentamos na cama numa posição melhor. Rachel logo conseguiu fazer suas pernas se encaixarem nos vãos das minhas, ficando muito perto de mim. Ela estava trajando somente uma camiseta muito longa e um suéter com um cachorro estampado. Imaginei que estava mesmo com frio. Minhas mãos foram parar em suas coxas, de leve. Sem apertos. Por mais que eu quisesse apertá-la, eu sabia que ela deveria despertar um pouco mais. Minha boca tomou outro rumo: traçou um rastro de beijos de seu queixo até sua orelha. E daí, mordi-a também de leve. "Está melhor?", perguntei, quando cheguei ao meu alvo, que era seu pescoço. Rachel gemeu, porque eu tinha enfiado uma das minhas mãos dentro de sua calcinha. Subi seu suéter e sua blusa de uma só vez, tentando arrancá-los juntos. Rachel ergueu os braços e, enfim, libertei-a daquilo tudo. Automaticamente, ela se autoabraçou e percebi que tinha ficado toda arrepiada. Eu a abracei na mesma hora e ficamos um certo tempo apenas nos beijando.
Retirei a minha blusa e a calça que Rachel tinha me cedido – uma que um visitante tinha esquecido ali – e notei o quanto estava mesmo frio. "Grrr, maldito frio", eu grunhi. "Eu disse", Rachel revidou, soltando um risinho, mas sem parar de me beijar. Minhas mãos foram parar em sua bunda para tirar sua calcinha. Ela ficou de joelhos na cama e a retirou, sozinha. E daí, enlaçou a minha cintura de novo, pressionando seu sexo no meu. Soltei um gemido – eu já tinha entendido que aquilo era de propósito.
Levantei-me da cama, ainda com suas pernas ao meu redor e caminhei até a bancada dela. Não acho que Rachel tenha prestado muita atenção, já que estava me beijando e gemendo. Com uma mão livre – a outra estava sustentando sua bunda – empurrei os objetos de cima da superfície sem paciência alguma. Ouvindo o barulho, Rachel distanciou os lábios de mim e olhou para a bancada.
"Finn, são as minhas coisas!", ela exclamou, parecendo preocupada e irritada. "Depois a gente pega", falei. Não estava com tempo de discutir sobre aqueles negócios caídos no chão. Ela olhou para mim um pouco confusa. Mas quando eu a depositei sobre a bancada, ela entendeu e sorriu daquele modo doce e sexy ao mesmo tempo. Distanciei-me dela para apanhar outra camisinha. Dessa vez, não deixei que ela fizesse nada, porque estava com um pouco de pressa. Quando me juntei a ela novamente, ela veio de encontro a minha boca de um jeito completamente objetivo, enquanto minhas mãos encontraram seus seios de novo. Com ela mais alta que o normal foi muito fácil chupá-los e lambê-los. Rachel gemia com as pernas ainda na minha cintura, mas eu tratei de separá-las ainda mais. E sem aviso prévio, arremeti contra ela, que gemeu na mesma hora. Ela já estava bastante lubrificada, por isso eu sabia que não tinha sido de dor. Ela jogou a cabeça para trás e depois conectou os olhos nos meus. Sua expressão estava sublime, mordendo os lábios e suspirando como se não estivesse suportando todo o ar do corpo. Ela se apoiou melhor na bancada, os braços atrás do corpo, enquanto eu entrava e saída de dentro dela. Ela enlaçou de novo minha cintura e colocou os braços ao redor de meu pescoço, ficando ainda mais junta a mim.
Sentia que naquela posição eu tinha mais acesso a ela e eu já sabia que, quando Rachel estava no mesmo nível que eu, ela conseguia chegar ao orgasmo em cinco minutos. Comecei a sentir um nó crescente no estômago cada vez que ia de encontro a ela, cada vez mais rápido e mais fundo. Mas Rachel foi mais rápida. Senti suas paredes pulsarem violentamente e assisti os tremores se alastrarem por seu corpo. Ela tombou a cabeça no meu peito e ficou ali respirando como se tivesse corrido uma maratona. Com mais algumas investidas, o nó crescente se arrebentou e por pouco não desabamos juntos no chão.
"Broadway?", eu a chamei.
"Estou aqui", ela respondeu. "Ah. Oi", falei. Ela me olhou e sorriu. "Oi", disse.
"Quente o suficiente?", perguntei. Rachel soltou uma risada alta. "Não me faça responder a essa pergunta", ela falou. "Só queria checar", falei. "Quente o suficiente", ela enfim disse, num suspiro de satisfação. "Agora eu realmente preciso de um banho, porque estou fedendo a sexo matinal", ela emendou, pulando da bancada.
Eu ri. Rachel parecia ser meio insegura com essa coisa de sexo, por isso era ótimo ouvi-la dizer algo como aquilo. "Vai para o banho, eu junto tudo aqui", eu disse. Ela assentiu. Ficou nas pontas dos pés e me beijou cálida e lentamente.
Ela se enrolou na toalha e saiu do quarto, em silêncio. Eu comecei a apanhar seus pertences que tinha derrubado. Depois, me sentei à cama e me vesti de novo. Deus me livrasse se alguém aparecesse e desse de cara comigo sem roupas e tal. Ainda mais se fosse o Kurt.
Precisava dar o fora dali antes que ele acordasse.
Planejava ver com Puck se havia alguma piscina suja naquele dia. Eu realmente precisava de um pouco de dinheiro.
Rachel voltou em poucos minutos, toda perfumada, e se vestiu na minha frente enquanto conversava comigo sobre as aulas na NYADA. "Quer me acompanhar de novo?", ela quis saber. "Hoje não. Preciso de um pouco de dinheiro", eu disse. "Eu tenho dinheiro", ela disse. "Eu sei, mas quero te levar pra jantar, ou algo assim. Quero pagar".
"Finn. Não precisa", ela afirmou, me olhando e se aproximando de mim. Ela se acomodou no meu colo. "A gente pode cozinhar de novo juntos. Vai ser divertido. Não se preocupe em gastar dinheiro comigo, tá legal? Não quero o seu dinheiro", Rachel falou, muito séria.
"Mas eu quero ter dinheiro. Quer dizer, e se eu quiser ir ao cinema com você? Não quero que você pague tudo. Pelo amor de Deus, eu estou tentando ser um cara legal", falei.
"Você é um cara legal com ou sem dinheiro, Finn", Rachel disse.
Mas eu não confiava naquilo. Eu ainda queria um pouco de dinheiro.
"Eu quero te oferecer mais do que jantares no loft, Rachel".
"Qual é o problema com esses jantares? Você também não gosta de ervilhas? Eu posso não incluí-las da próxima vez, prometo. Quer que eu...", ela começou a falar, mas eu logo a cortei, negando com a cabeça. "Não quero nada, Broadway. Só quero levar a minha garota pra passear, ok?".
Rachel ficou me olhando com um sorrisinho nos lábios.
"A sua garota conhece um monte de passeios grátis, só pra você saber", Rachel avisou, ainda com aquele sorrisinho bobo.
"É sério, o Puck reclamou ontem sobre eu não tê-lo ajudado com as piscinas. Preciso mesmo fazer isso", tentei por outro ângulo, talvez ela aceitasse. Rachel suspirou. "Ainda conheço um monte de passeios que não precisa de dinheiro", ela teimou. "E você acha que vamos até eles a pé? A minha moto é uma comedora fervorosa de gasolina e, não sei se você sabe, mas gasolina se paga com dinheiro, não com um prato de macarrão com ervilhas", tentei fazer certa graça, mas sem deixar de falar sério. A gasolina era um problema sério. Eu tinha que gastar com ela sempre, praticamente todos os dias. "Eu pago a gasolina", Rachel disse.
"Meu Deus, você ouviu o que eu disse?", perguntei, soando irritado. Eu estava mesmo ficando irritado. "Ouvi, sim, Finn. E é por isso que vou repetir: você é um cara legal com ou sem dinheiro. Eu nunca disse que queria nada além de uns jantares e umas noites legais. Não tenho a pretensão de usar você e o seu dinheiro. E é por isso que estou lhe dizendo todas essas coisas. Eu não me importo. Continuo gostando você", Rachel falou.
"Obrigado, Broadway. Mas eu preciso mesmo cuidar um pouco da minha vida. Estou cansado de não fazer nada".
"E as aulas de bateria?".
"A gente sabe que...", ela logo me cortou: "Não seja covarde. Você não é assim. Por que está com medo de fracassar? Eu já falei com o Sr. Schue sobre isso, ele vai liberar a mesma sala para você aos domingos também. E eu vou espalhar um monte de panfletos pela NYADA. Você vai conseguir alunos num piscar de olhos, Finn. Por favor, me deixe ajudá-lo".
Suspirei.
Não que eu estivesse rejeitando a ajuda dela. Mas eu queria fazer algo por conta própria. Era claro que limpar piscinas não iria resolver a minha vida. Mas eu nunca tinha sido um professor. Nem o ensino médio eu tinha terminado! Aquilo tudo parecia ser de mais para eu suportar. E eu sabia que poderia estragar tudo, como sempre fazia.
"Tudo bem", enfim cedi. Era uma concordância meio que a contragosto, mas eu sabia que era melhor aceitar de uma vez.
Rachel bateu palmas de leve algumas vezes e sorriu. "As coisas vão se ajeitar com o tempo, você vai ver", ela me prometeu. Não sabia por quê. Ela não me devia a vida que eu tinha perdido por ter sido um garoto imbecil no passado.
De qualquer forma, saímos do quarto. Ninguém tinha levantado ainda, era meio cedo mesmo. "Vamos tomar café fora? Estou com vontade de comer donuts", Rachel me propôs.
Olhei para ela meio enfezado.
"Eu pago, Finn. Meu Deus, você tem que aprender a relaxar com esse assunto", ela disse.
"É que...".
"Relaxa, Finn. Sério", ela me pediu.
Tomamos café perto dali e, em seguida, eu a levei para a NYADA, mesmo sendo ainda sete e meia. Ela disse que não fazia mal, que tinha que estudar uma partitura.
"Obrigado pelo jantar de ontem, viu?", eu disse. Tinha me esquecido de agradecer aquilo. "E pelo sexo incrível", adicionei num tom sacana, sussurrando perto da orelha dela. Ela riu, e vi que tinha ficado vermelha. "Hoje tem mais", ela me garantiu no mesmo tom que eu.
Eu sorri, maravilhado com aquele lado dela.
"Tenha um bom dia, Broadway", eu desejei, depois que ela tinha me soltado.
Ela me beijou mais uma vez e então sumiu do meu campo de visão.
Oi, cherries!
Finalmente, o semestre tá acabando e eu tô com mais tempo pra escrever, por isso sintam-se sortudos, viu? Reclamações, sugestões, elogios nos reviews, ok? Não deixem de comentar!
Ahh, queria fazer um convite pra vocês: me adicionem no Face, porque eu amo conhecer meus fãs! xD
Love, Nina.
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