Capítulo 9: Acredite em mim!

Era um desculpa ridícula, Sasuke sabia. E se sentiu estúpido por pensar em algo assim. Mas foi o único consolo que teve para tentar amenizar a culpa que estava sentindo. Quando suas pálpebras começaram a pesar, ele sentiu o perfume de cerejeira. Passou a madrugada se remexendo na cama e no momento em que finalmente pregara os olhos, seu despertador tocou, indicando que já era Sábado.

Sasuke socou o despertador com desnecessária violência, como se o pequeno objeto fosse culpado pelo seu ato irresponsável, culpado por sua noite perdida, culpado pela culpa que o assombrava desde o momento em que saíra da casa dos Haruno. De péssimo humor, ele se levantou e dirigiu-se à sua escrivaninha, abrindo a última gaveta e tirando de lá o que o estava perturbando. O caderno de poemas de Sakura.

O que deixava Sasuke mais confuso era o fato de estar se importando tanto com os sentimentos de Sakura se ela chegasse a saber da atitude dele. Pouco tempo atrás ela não significava nada para ele, mas olhando para o pequeno caderno, Sasuke percebeu que esse sentimento mudara. Sakura estava sendo uma amiga para ele. E magoá-la seria terrível. Sasuke gelou quando um pensamento lhe passou pela cabeça: acabara de achar que nunca se preocupara assim com alguém... Nem mesmo com Ino...

Tentou afastar isso de sua mente. Estava pensando demais em Sakura e isso não estava certo. Era hora de agir. Abriu o caderninho e procurou os poemas que haviam chamado sua atenção. Ligou o computador rapidamente e preparou a máquina de escanear. Queria se livrar do caderno o mais rápido possível, pois só assim pararia de pensar na Haruno. Xingou seu computador enquanto este ligava. Incrível como as coisas funcionam devagar quando se está com pressa.

Quando a máquina finalmente ligou, colocou o caderninho na máquina de escanear e iniciou seu trabalho. À medida que os poemas iam aparecendo na tela de seu computador, escritos com a letra de Sakura, Sasuke ia se sentindo mais aliviado. Tanto que ficou feliz ao ver que seu apetite voltara ao ouvir um ronco ensurdecedor vindo de seu estômago.

Terminado o trabalho, Sasuke fechou o caderninho e salvou os poemas escaneados numa pasta em seu computador. Desligou a máquina e foi até a janela. Olhou pra fora. Ainda era cedo, mas parecia que o dia não seria frio, mas não faria muito calor também. Isso dificultaria um pouco as coisas. Teria que usar uma jaqueta para esconder o caderninho enquanto ia até a casa dos Haruno, mas o dia não pedia o uso de uma. E nenhuma de suas calças tinham bolsos grandes o suficientes para caber o caderno. Sasuke decidiu que resolveria como esconder o objeto depois.

Respirou fundo e achou melhor tomar um banho, comer e trocar de roupa. Sua culpa estava bem menor agora... Talvez porque já tivesse andado meio caminho. Agora só faltava devolver o caderno... Depois de tomar banho, Sasuke colocou uma camiseta e uma calça jeans, calçou seus tênis e desceu para comer alguma coisa. Optou por uma tigela gigante de cereal. Ficou surpreso ao encontrar nenhuma alma viva na cozinha. Olhou para o relógio na cozinha e viu que eram quase sete horas, muito cedo para qualquer um acordar no sábado, exceto se tivesse tido uma péssima noite de sono e tivesse roubado o caderno de poesias de sua nova amiga...

Respirando fundo de novo, Sasuke subiu as escadas para seu quarto depois de lavar a louça que usara para tomar café. Atirou-se na cama. Ainda era muito cedo para ir até a casa dos Haruno. Decidiu pensar, então, em como faria para esconder o caderninho. Demorou uma hora para ter uma idéia inútil, talvez a pior que já tivera até então. Esconderia o caderno por baixo da camiseta. Sua culpa poderia até ter diminuído, mas sua capacidade de pensar continuava incrivelmente ruim.

Quando finalmente seu relógio de pulso marcou oito horas, Sasuke levantou-se num pulo, colocou o caderno debaixo da camisa, nas costas, desceu as escadas correndo, rabiscou um bilhete para sua mãe e saiu de casa. Agradeceu mentalmente por não encontrar nem seu pai e nem Itachi. Não que não gostasse da companhia de seu pai, mas queria evitar explicações sobre porque ir à casa de Hiroshi tão cedo. Quanto a Itachi, apesar do Uchiha mais velho ter diminuído as implicâncias quanto ao fato de Sasuke ter levado um fora de Ino, encontrara algo novo para usar como arma e atingir Sasuke: o fato de Sakura estar ajudando o Uchiha mais novo.

Sasuke decidiu que seria melhor não pensar em Itachi. Já estava suficientemente nervoso, e se irritar mais não ajudaria em nada. Só produziria mais suor, apesar do dia não estar quente. E o suor molharia o caderninho, e deixaria o cheiro de Sasuke nele, e assim que Sakura pegasse o objeto para escrever, descobriria tudo o que Sasuke fez. OK... Talvez ele estivesse exagerando... Mas era melhor mesmo não suar muito...

Chegou ao seu destino mais rápido do que imaginava. Ou melhor: mais rápido do que GOSTARIA. Mas achou que seria melhor agir logo. Subiu os degraus de acesso à porta dos Haruno e apertou a campainha. Esperou alguns minutos até que a porta se abriu. Foi a senhora Haruno quem atendeu. Sasuke ficou muito surpreso por encontrá-la em casa. Na verdade, fazia muito tempo que não a via, talvez por estar sempre muito ocupada trabalhando. Notou que a mulher estava usando um grosso roupão, e que o nariz dela estava meio avermelhado. Imediatamente adivinhou o que segurara a senhora Haruno em casa: uma gripe.

- Sasuke! – disse ela, sorridente. Sua voz estava meio anasalada, e as suspeitas de Sasuke se confirmaram. Era mesmo uma gripe...

- Bom dia senhora Haruno – Sasuke cumprimentou educadamente – há quanto tempo.

- Realmente! Entre rapaz! – ela disse dando-lhe passagem

- Com licença – Sasuke disse, e entrou.

- Vamos até a sala. Hiroshi acabou de preparar um chá quente.

- Hiroshi? – Sasuke perguntou, surpreso

- Sim! – ela respondeu, sorrindo. Sasuke descobriu de quem Sakura herdara seu encantador sorriso, e sentiu uma pontada no peito ao pensar assim – estou tão surpresa quanto você! Mas ele e Sakura disseram que se eu fosse trabalhar gripada desse jeito, me deserdavam! Como se ele pudessem fazer isso! – concluiu a senhora Haruno, sorrindo de novo. Sasuke sorriu também, involuntariamente, como sempre acontecia quando Sakura sorria.

- Quem é mãe? – perguntou uma voz masculina, e Sasuke viu Hiroshi saindo da cozinha usando grandes luvas de cozinheira e segurando nas mãos um prato cheio de biscoitos.

- A Naomy morreria de rir se te visse assim – Sasuke comentou, fazendo Hiroshi corar instantaneamente

- Então você está mesmo apaixonado pela Naomy, filho? – perguntou a senhora Haruno, seus olhos verdes brilhando

- Valeu mesmo, Sasuke – disse Hiroshi deixando os biscoitos em cima da mesa da sala de visitas – o que você está fazendo aqui tão cedo?

- Pensei... – começou Sasuke, só então notando que não havia pensando em NADA, de fato. Esquecera a parte mais importante: como devolver o caderno – pensei em irmos ao Central Park.

- Tão cedo? – Hiroshi perguntou. Sasuke ficou feliz ao ver que seu amigo acreditara em sua desculpa idiota – não vai dar cara. Tenho que cuidar da minha velha...

- Já disse pra você não me chamar assim na frente dos seus amigos! – disse a senhora Haruno no mesmo tom de repreensão que Sasuke vira Sakura usar várias vezes. Incrível como as duas são parecidas... – e já te disse também que não preciso de babá! Ainda mais DUAS babás!

- Tá mãe, a senhora não nos engana... Se virarmos as costas por um segundo, temos certeza de que a senhora sai correndo para trabalhar – disse Hiroshi – ei! Tá faltando uma babá aqui! Cadê a Sakura?

- Subiu pouco antes de Sasuke chegar – disse a senhora Haruno

- E ela acha que eu vou lavar a bagunça que ela arrumou pra fazer esses biscoitos! Tá muito enganada! – disse Hiroshi, já se dirigindo à escada de acesso ao segundo andar. Mas estacou de repente – espere aí... Se eu for a senhora vai fugir...

- Deixe de bobeira Hiroshi... – a senhora Haruno falou, revirando os olhos

- É melhor eu ficar aqui, te vigiando... – Hiroshi disse estreitando os olhos – ei Sasuke... Pode chamar a Sakura pra mim?

- É claro – Sasuke conseguiu dizer. Então percebeu. Era a oportunidade perfeita para devolver o caderno! Uma graça divina... Só poderia ter sido isso!

- Mas não se esqueça de bater na porta – alertou Hiroshi

- Acho que já aprendi – disse Sasuke enquanto subia as escadas. Tremia de nervosismo. Antes de chegar ao segundo andar pôde ouvir a senhora Haruno perguntando o que Sasuke queria dizer, e ele tinha certeza que Hiroshi contaria que o amigo vira Sakura de toalha, apenas para se vingar porque Sasuke fez menção ao nome de Naomy na frente da senhora Haruno, deixando Hiroshi envergonhado.

Sasuke se colocou à frente da porta do quarto de Sakura, respirou fundo e bateu. Alguns segundos depois, ouviu um "entre" e obedeceu. O quarto já estava menos bagunçado, mas Sasuke se deparou com uma Sakura ligeiramente atordoada, revirando gavetas e olhando debaixo dos livros.

- Oi – disse ela quando notou que era Sasuke quem estava ali. Os cabelos dela estavam meio desarrumados e a expressão no rosto dela era de preocupação

- Oi – Sasuke respondeu – aconteceu alguma coisa? – ele perguntou logo, temendo o pior

- Sim – ela respondeu – meu caderno de poesias simplesmente sumiu! E eu não o encontro em lugar algum! Maldita seja a Kia e seus livros! – e voltou a procurar

- Talvez você tenha guardado em algum lugar junto com outros livros – Sasuke disse, tentando disfarçar a ansiedade em sua voz

- Sei disso – Sakura respondeu meio impaciente – mas a questão é: ONDE?

- Quer ajuda? – Sasuke ofereceu. Já tinha traçado tudo em sua mente. Depois que ela aceitasse a ajuda, ele se ajoelharia ao pé da cama da garota e depois de alguns instantes magicamente tiraria o caderninho de lá. Ficou feliz por ter recuperado sua capacidade de pensar direito. E agradeceu muito pelas circunstâncias estarem indo ao seu favor.

- Se não for incomodar... – Sakura disse, mas sem olhar para ele – epa! O que você está fazendo aqui? Quero dizer... Tão cedo?

- Ah... Vim chamar Hiroshi para irmos ao Central Park – Sasuke deu a mesma desculpa ridícula – Mas vi que sua mãe não está muito bem. Ah sim, tinha me esquecido... Hiroshi está te chamando lá embaixo. Ele quer ajuda...

- Santa preguiça desse irmão que eu tenho! – Sakura esbravejou. Seu humor definitivamente não estava dos melhores. Tudo por causa do caderninho... Mas isso logo ia acabar...

- Se você quiser – disse Sasuke – pode ir. Eu... Eu continuo procurando...

- Ai Sasuke, muito obrigada! Se eu estivesse de bom humor acho que te daria um abraço! – e depois de dizer isso, Sakura saiu do quarto, fechando a porta.

Perfeito. Sasuke encostou o ouvido na porta e até se certificar de que Sakura chegara ao andar de baixo, não tirou o caderninho de seu esconderijo. Ao ver que não havia perigo de ser flagrado, ele tirou o pequeno objeto de suas costas e pôs-se a olhar para ele. Aquele pequeno caderno lhe tirara o sono, mas lhe revelara belos poemas, escritos por uma garota incrível e misteriosa, com uma letra caprichosa. E seriam alguns destes poemas, incrivelmente semelhantes à sua história, que ele mandaria para Ino para impressioná-la, para reconquistá-la.

Pensou ter ouvido uma campainha tocar lá embaixo. Mas isso não importava. Olhando para aquele caderno, cuja capa era preta e continha "Sakura" gravado de rosa, parecia muito difícil se livrar dele. Sasuke fechou os olhos e subitamente sentiu o perfume de cerejeira. Ficou congelado, sem reação. Seus músculos começaram a relaxar e ao abrir os olhos, achou a cama de Sakura muito atraente. As horas de sono perdidas pareciam fazer diferença agora, na calmaria daquele aposento. Sasuke estava tão distante que não ouviu os passos apressados que subiam as escadas.

A porta do quarto de Sakura se abriu com força, e a dona do aposento passou por ela. Sasuke acordou de seu devaneio subitamente. Não havia escapatória. Fora pego em flagrante. Deixara-se levar por sabe-se lá o quê e não guardara o caderninho.

- Sasuke! Eu preciso... – Sakura começou a dizer rapidamente, mas quando o Uchiha virou para encará-la, ela encontrou, nas mãos dele, seu precioso caderno – o que significa isso? – ela perguntou, a expressão de assombro em seu rosto se intensificando.

- Eu... – Sasuke disse bobamente. Começou a buscar por uma desculpa e num impulso lembrou-se de seu plano – eu o encontrei. Debaixo da cama.

- Você leu algum poema? – Sakura perguntou bruscamente, mas a expressão em seu rosto se amenizou

- Não – disse Sasuke sem gaguejar e tentando colocar um tom ofendido em sua voz. Sakura nada disse. Abaixou a cabeça, pareceu refletir um pouco, passou por Sasuke feito um trovão e tirou o caderninho das mãos dele com violência, arranhando o Uchiha no processo.

Ela enfiou o objeto numa gaveta em sua escrivaninha e pôs-se a encarar Sasuke.

- Au! – disse ele olhando para sua mão arranhada. Havia um grande risco vermelho, com minúsculos pontinhos de sangue – você tem que cortar suas unhas... E poderia me agradecer também! – Sasuke completou, recuperando sua autoconfiança repentinamente.

- Desculpe... – disse Sakura encarando Sasuke nos olhos – é que tocaram a campainha e eu vim correndo te avisar... Então vi você com o caderninho... E fiquei atordoada. Eu procurei por ele ontem à noite, mas não o achei. Fiquei com medo de ter perdido... De ter parado em mãos erradas... Pensando bem acho que não olhei de baixo da cama... Mas muito obrigada por achar... E por não ler nada... Não sabe como é importante pra mim... Quer dizer... O caderno – e ela corou ligeiramente. Sem saber porque, Sasuke gostou de vê-la assim. Então ele se lembrou:

- Aconteceu alguma coisa? Quem era na porta? – ele perguntou, feliz por Sakura ter acreditado em sua desculpa. Estava livre... Acabara... Bastava agora enviar os poemas para Ino e reconquistá-la. Sem sentimentos de culpa...

- Era a mãe de Naomy – Sakura disse, sentando-se na cama – mamãe está tentando consolá-la... Oh meu Deus, estou tão cansada... – e ela cobriu os olhos com as mãos

- Aconteceu alguma coisa com Naomy? – Sasuke perguntou, chegando mais perto de Sakura. Ela demorou alguns segundos para levantar a cabeça, e quando o fez, seus olhos verdes estavam marejados de lágrimas. Sakura respondeu, enfim, num sussurro rouco:

- Ela fugiu, Sasuke... Não passou a noite em casa... A mãe dela está ali embaixo, inconsolável. Achou que Naomy estivesse na casa da Hinata ou aqui, mas ela não está... Os Hikari brigaram de novo e dessa vez foi terrível... A mãe dela mal consegue falar... Oh meu Deus, por que a Naomy fez isso? – e sem conter mais o choro, Sakura deixou as lágrimas escorrerem livremente pelo seu rosto.

Sasuke ficou sem reação. Porque era a primeira vez que via o lado sensível de Sakura. Queimando por dentro, ele se aproximou lentamente da garota. Ela havia abandonado totalmente seu orgulho, sua ironia, e agora estava ali, chorando, mostrando toda sua fragilidade, toda sua preocupação com a amiga para ELE. Sasuke não pôde deixar de notar, que mesmo triste, Sakura ainda ficava encantadora.

Sentou-se na cama. Antes que mudasse de idéia, abraçou-a. E foi correspondido. Sakura o abraçou forte e começou a soluçar baixinho, parecendo uma menina. Encantado e ao mesmo tempo triste com a fragilidade daquela garota, Sasuke pensou em alguns procedimentos que deveriam tomar e decidiu dividi-los com Sakura, na tentativa de acalmá-la.

- Ei – começou ele, e ficou surpreso com o que estava prestes a dizer – não fique assim... Vamos encontrá-la. Olha... Não acha melhor avisar o Naruto e a Hinata? Eles podem ajudar na busca. E devíamos descer também para ajudar o Hiroshi. Quem vai dar força pra ele senão você? Hã?

Sakura estremeceu de leve, mas seus soluços já haviam diminuído. Sasuke achou que suas palavras fizeram efeito. Continuou:

- Além disso, você precisa se acalmar para pensar, como só você faz – de onde Sasuke tirou inspiração para dizer isso? Tentou se convencer de que essas palavras eram apenas para acalmar Sakura – pense Sakura... Onde Naomy gostaria de ir, se estivesse triste, sozinha...?

Sasuke sentiu Sakura enrijecer sobre seu abraço. Ela se soltou e olhou pra ele, lágrimas ainda escorrendo de seus olhos muito vermelhos. Qual o melhor lugar de Nova York para ir quando se está triste e sozinho? A resposta era óbvia, e a compreensão invadiu o rosto de ambos. Sakura enxugou as lágrimas e respirou fundo três vezes. Olhou para Sasuke com gratidão e esboçou um sorriso meio torto. E sem dizer mais nada, saiu disparada pela porta. O Uchiha mal teve tempo de pensar e saiu ao encalço da garota.

Quando Sasuke chegou ao primeiro andar, Sakura já estava saindo pela porta da frente. Todos os presentes na sala de visitas olhavam surpresos para onde a garota havia acabado de sumir. Em seguida, olharam para Sasuke.

- Acho que sabemos onde a Naomy está – ele disse. Sua intenção era seguir Sakura e não podia perder tempo.

- Vou com você – disse Hiroshi, levantando-se. Ele estivera segurando a mão da senhora Hikari. Soltou-a delicadamente e olhou nos olhos azuis daquela senhora – nós vamos trazer sua filha de volta. Ela está bem... – e em seguida ele olhou para sua própria mãe, que tinha no rosto um certo orgulho – mamãe, cuide dela.

Depois da concordância da senhora Haruno e da recomendação de tomarem cuidado, Sasuke e Hiroshi saíram atrás de Sakura. Demoraram cinco minutos para encontrá-la, correndo na direção do Central Park. Quando os dois garotos se aproximaram dela, Hiroshi falou:

- Ela está no Central Park, não é?

- Sim – responderam Sasuke e Sakura em uníssono. Sasuke notou que as maçãs do rosto de Sakura estavam muito vermelhas, mas ela ainda se mantinha firme. Havia reconstruído sua fortaleza de segurança, e a fragilidade de poucos instantes atrás havia subitamente desaparecido, dando lugar à determinação.

- Ela não dormiu em casa... Será que ela está bem? – perguntou Hiroshi

- Quero acreditar que sim – Sakura respondeu rapidamente, sem parar de correr – Naomy sabe se cuidar, mas dessa vez a briga dos pais deve ter extrapolado todos os limites dela.

- Não gosto nem de pensar, mas... E se ela não estiver no Central Park? – perguntou Hiroshi

- Ela TEM que estar lá – Sakura respondeu. Ela diminuiu um pouco o passo e tirou seu celular do bolso do bermudão, estendendo-o a Sasuke – tome. Ligue para Naruto e Hinata. Conte rapidamente para Naruto o que aconteceu e peça para ele ir ao Central Park. Para Hinata, apenas peça para ela vir. Ela já deve ter entendido o que aconteceu. Se Naomy não estiver no Central Park vamos precisar de ajuda para procurá-la.

- Certo – Sasuke respondeu já procurando na agenda eletrônica o número de Hinata. Sakura tinha razão. A Hyuuga já entendera o que aconteceu com Naomy e disse que já estava a caminho. Naruto ficou um pouco surpreso quando Sasuke lhe contou, mas afirmou que já estava saindo de casa para ajudá-los.

Quando Sasuke devolveu o celular à Sakura, eles chegaram ao Central Park. Os rapazes se entreolharam, pois provavelmente haviam pensado a mesma coisa: o Central Park é enorme e há mil lugares onde procurar por Naomy. Passariam o dia e a tarde inteira procurando. Mas ao contrário deles, Sakura não parou de andar. Parecia que ela sabia exatamente onde estava indo. Depois de se olharem novamente, decidindo se deviam segui-la ou não, Sasuke e Hiroshi saíram ao encalço da garota.

Eles passaram pela jaula do urso polar, lugar preferido de Sasuke, Naruto e Hiroshi. Passaram por banquinhos e pequenos arbustos floridos, barraquinhas de sorvetes e velhinhos caminhando. Andaram por mais cinco minutos até que Sasuke finalmente entendeu onde estava indo: a casinha de Alice do País das Maravilhas, provavelmente o lugar preferido não só de Sakura, mas também de Naomy e Hinata.

Eles passaram por banquinhos multicoloridos e mesinhas onde estavam chaleiras e xícaras de chá de brinquedo. Sakura então entrou na casinha e fez sinal para que Sasuke e Hiroshi a acompanhassem. Eles se postaram ao lado da garota e Sasuke viu Sakura dar um pequeno sorriso de satisfação misturado com alívio. Sentada na pequena mesinha no centro da cozinha, estava Naomy.

Os cabelos sempre caprichosamente penteados estavam desgrenhados e lhe caíam sobre os olhos, que estavam manchados de vermelho pelas lágrimas da garota. Ela respirava lenta e profundamente, e havia ainda bolsas escuras sob seus belos olhos azuis. Sakura e Hiroshi correram quase ao mesmo tempo para Naomy. Só então ela notou a presença deles ali. Quando Naomy levantou o rosto, uma expressão de surpresa se formou nele e deu logo lugar a algo que Sasuke não conseguiu interpretar. Talvez fosse... Gratidão.

Sakura abraçou a amiga bem forte e Hiroshi fez o mesmo. Ele acariciava lentamente os cabelos da garota e estava muito branco, mas parecia mais calmo. Sasuke sentiu-se meio deslocado, e achou que o melhor a fazer era ligar para a casa dos Haruno e dizer à senhora Hikari que sua filha havia sido encontrada e que estava bem. Foi a senhora Haruno que atendeu, e Sasuke pôde perceber um alívio muito grande na voz dela. Ela ficou encarregada de avisar a senhora Hikari e pediu para que eles trouxessem Naomy para a casa o mais depressa possível.

Quando Sasuke desligou, Naruto e Hinata chegaram. Os dois estavam de braços dados e Naruto acariciava o braço de Hinata, provavelmente para acalmá-la. Quando ela viu Sasuke, soltou-se do Uzumaki e correu até o Uchiha. Naruto foi atrás.

- Vocês encontraram a Naomy? – perguntou Hinata com a voz embargada. Sasuke apenas indicou a casinha de Alice com a cabeça. Entendo o recado, Hinata entrou no lugar. Naruto se postou ao lado de Sasuke.

- Coitada – disse o loiro – Hinata estava muito preocupada.

- Você bem que gostou de consolá-la... – Sasuke comentou com um meio sorriso

- Não seja mal – Naruto replicou, mas sem deixar de sorrir – Vocês a encontraram quando?

- Faz poucos minutos – Sasuke respondeu – foi Sakura quem a achou.

- Ela fugiu porque os pais brigaram de novo, não é?

- Sim, e dessa vez deve ter sido muito ruim...

Neste momento, Sakura saiu da casinha abraçando Naomy de um lado. Hiroshi segurava a moça do outro e Hinata vinha logo atrás. A Hyuuga olhou em volta. Por sorte o Central Park não estava muito cheio, mas aquele grupo de jovens não deixava de chamar a atenção. Hinata sugeriu que fossem até uma lanchonete pouco movimentada que ela conhecia para que pudessem conversar melhor. Eles assim fizeram.

O lugar era um tanto modesto, mas como Hinata dissera, estava praticamente vazia. Hiroshi procurou uma mesa mais reservada para que eles pudessem se sentar. Naomy sentou-se entre os dois Haruno, Hinata ficou ao lado de Sakura e Naruto ao lado da Hyuuga. Sasuke sentou-se ao lado de Hiroshi. Uma garçonete veio atendê-los, mas Hiroshi a dispensou, afirmando que caso precisassem, chamariam. Depois de alguns instantes em silêncio, Sakura disse:

- Como está se sentindo agora, Naomy?

- Era para vocês terem me deixado lá... – ela disse, amargamente – eu queria ter morrido.

- Não diga isso! – disse Hiroshi

- Deixa de ser mimada, Naomy – disse Sakura em tom repreensivo – se quisesse morrer teria se jogado num lago ou escolhido um lugar mais difícil de ser encontrada...

- Eu ia fazer isso – disse Naomy – mas vocês me acharam antes!

- Ok... – disse Sakura – agora pode nos dizer o que aconteceu? Ficamos muito preocupados! Como você foge de casa assim? Sua mãe está lá em casa agora, aos prantos...

- Agora ela está aos prantos... – disse Naomy ironicamente – engraçado... Ela não estava aos prantos quando disse que eu era uma inútil que... Só sabe... Se oferecer...

- Sua mãe disse isso? – perguntou Hiroshi. Naomy apenas balançou a cabeça, em sinal de concordância. As lágrimas haviam voltado aos seus olhos.

- Por que ela disse isso? – Hinata perguntou

- Eu não sei – Naomy respondeu, quase chorando – ela e meu pai começam a brigar do nada, e no final sempre sobra pra mim... Ela sempre me culpa por ele ir embora... – silêncio na mesa. Sasuke observava Sakura atentamente. Ela parecia pensar rapidamente e ele sabia que ela tomaria alguma atitude para resolver o problema de Naomy. Havia determinação no olhar dela.

- Naomy... – disse Hinata – você sabe que não é inútil... Muito menos oferecida...

- É... – disse Hiroshi colocando sua mão sob a de Naomy – você sabe que todos nós gostamos de você... Especialmente... Eu. – e quando o Haruno terminou de falar, as maçãs de seu rosto ficaram extremamente vermelhas. Ele praticamente havia acabado de se declarar, e quando olhou para Naomy, viu que ela estava sorrindo. Todos os presentes na mesa fizeram o mesmo.

- Eu não conseguia pensar em nada – disse Naomy com a voz mais segura, só olhando para Hiroshi – eu queria sumir. Não queria atormentar ninguém com meus problemas. Então fui ao Central Park e passei a noite na casinha da Alice... Me senti mais segura ali do que na minha própria casa...

- Mas sua mãe está preocupada – Sakura insistiu

- Agora? De que adianta? – Naomy replicou

- Escuta – disse Sakura firmemente – vamos até a minha casa e lá tudo vai se resolver, entendido? Você, sua mãe e seu pai erraram muito, e acho que ninguém deve sofrer mais por causa disso, concorda?

- Você vai sugerir outra psicóloga de casais? – perguntou Naomy com um pouco de sarcasmo

- Sim – Sakura respondeu

- Quem? – Naomy perguntou, desafiando

- Eu – Sakura disse, e Naomy silenciou imediatamente. Todos olharam surpresos para Sakura – e nem adianta dizer que não tenho experiência. Não é preciso ser casada para dizer o que sua mãe merece ouvir – novamente o silêncio. Sasuke estava encantado em como Sakura podia ser são forte. Naomy encarou o chão e depois lançou um olhar envergonhado à amiga.

- Desculpe a grosseria... – disse ela, à beira das lágrimas novamente. Sakura esboçou um sorriso compreensivo.

- Não se preocupe – disse ela – e nada de chorar! Você já manchou esses lindos olhos demais! Além disso, eu não quero minha cunhada feia desse jeito!

O comentário rendeu risos. Depois disso, elas se abraçaram e Hiroshi chamou a garçonete. Apenas Naomy iria comer, pois, segundo ela, se não comesse não teria estômago para agüentar Hiroshi. Ele ficou um pouco chateado com a brincadeira, mas a Hikari, novamente feliz, lhe deu um selinho estalado na frente de todos que deixou Hiroshi vermelho pelo resto do dia.

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Uma semana se passou desde que Naomy fugira de casa. Ela e a mãe haviam feito as pazes, e a senhora Hikari, depois de pedir um caminhão de desculpas, disse à filha que se separaria do marido, o que deixou Naomy um tanto triste, por ter de encarar a situação tão de perto, mas ao mesmo tempo estava aliviada. A conversa que Sakura tivera com a senhora Hikari durou em torno de uma hora. As duas conversaram a sós, por isso Sasuke podia apenas supor o que Sakura disse à mãe de Naomy, mas foi suficiente para fazê-la mudar de atitude e aceitar o divórcio que, segundo Sakura lhe contara, estava pendente há mais de um ano. Naomy finalmente estava livre. E sua mãe também...

Depois do acontecido, Naomy e Hiroshi finalmente se acertaram. Eles saíram na sexta-feira à noite e o Haruno pediu a Hikari em namoro. Não era algo formal, pois estavam apenas começando. Hiroshi resolveu entregar de uma vez seus sentimentos, e Naomy resolveu arriscar os seus, torcendo para que Hiroshi não a decepcionasse, pois segundo a Hikari dissera à Sakura, amava demais aquele "menino dos olhos verdes". Sasuke ficou muito feliz pelo amigo, e agora era Naruto quem estava uma pilha de nervos. Ainda não havia chamado Hinata para sair e o loiro ficava se martirizando pensando como e quando poderia fazer isso.

A oportunidade surgiu também na sexta-feira, a mesma em que Hiroshi e Naomy saíram. Durante o dia, na aula, Gaara pediu a atenção da turma, pois tinha um recado importante. Segundo o Sabaku, sábado seria aniversário de Yuki, sua namorada, e ele queria fazer uma festa surpresa. Pediu encarecidamente aos colegas que não dissessem nada à garota, para que não estragassem a surpresa. A festa seria na casa do Sabaku, que têm piscina e área para churrasco, porém ocorreria à noite, às oito e meia.

Quando Hiroshi sugeriu que eles fossem, ainda não tinha pedido Naomy em namoro, não que isso alterasse sua decisão, pois a Hikari alegou estar louca para ir. Mas a pergunta era direcionada à Sasuke. A primeira resposta do Uchiha foi "não" por dois motivos simples. Primeiro: apesar de estar feliz por Hiroshi, não queria segurar vela para ele e nem para Naruto. Segundo: não estava com vontade de ir.

Mas depois que Sasuke escondeu o primeiro poema para Ino no armário da garota e ficou para ver a reação dela, acabou descobrindo algo interessante. Por sorte, Ino encontrou o poema sozinha e quando terminou de ler, não o rasgou. Dobrou o papel cuidadosamente e o guardou na bolsa. Sasuke ficou feliz com a reação da garota, mas logo começou a entrar em pânico. E se ela mostrasse o poema à Kiba? O Uchiha implorou a Deus que não...

Mas o que Sasuke acabou descobrindo foi que Ino iria à festa. Depois de guardar o poema na bolsa, Ino fechou o armário e ao se virar deparou com Kiba, e este chamou a garota da forma mais melosa o possível para ir com ele ao aniversário de Yuki. A resposta foi dada em forma de beijo, e Sasuke achou melhor não ficar para ver. Quando o Uchiha se encontrou com Naruto e Hiroshi para irem ao Central Park para ajudarem o Haruno a elaborar frases legais no seu encontro da noite, Hiroshi tornou a sugerir que fossem à festa. Dessa vez, Sasuke respondeu "talvez".

Mas foi depois do ensaio com Sakura que Sasuke teve certeza que deveria ir. Ele perguntou à Haruno se ela iria. Diante da negativa de Sakura, Sasuke quis saber por quê. Ela alegou que estava extremamente cansada por causa do grêmio e de todos os ensaios do teatro. Mas achava que Sasuke deveria ir, porque faria bem a ele. O Uchiha ficou surpreso, mas a Haruno simplesmente sugeriu que ele refletisse. Poderia dançar, beber, comer e conversar o quanto quisesse na festa, e isso seria muito bom para ele...

E Sasuke viu que ela tinha razão. Ele merecia se distrair. Além disso, poderia vigiar Ino e descobrir o que ela achou do poema. Sasuke teve o cuidado de assinar, apesar do peso que sentia na consciência. Mas esse peso agora praticamente não existia mais, pois aquele sumiço do caderninho, que Sakura ainda considerava estranho, se tornara um mistério até para ele.

E quando Hiroshi ligou para Sasuke no sábado, dia da festa, e tornou a perguntar se o Uchiha havia mudado de idéia e resolvido ir à festa, Sasuke disse que "sim, com certeza iria". Eles marcaram de se encontrar diretamente na casa de Gaara. Agora que Naomy e Hiroshi estavam namorando, não queriam desgrudar um do outro, e, portanto haviam marcado de irem juntos. Naruto iria com Sasuke, mas contra sua vontade, pois havia descoberto através de Naomy que Hinata não iria à festa, assim como Sakura. Mas o loiro acabou sendo convencido por Hiroshi.

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Sábado à noite. Sasuke havia acabado de se arrumar. Olhou-se no espelho e achou que estava muito bem. Bem até demais para quem tomou um fora e está indo a uma festa acompanhado de um de seus melhores amigos para vigiar sua ex. Só conseguia pensar em Ino... Como estaria o cabelo dela, a roupa dela, se ela havia gostado do poema...

Decidindo que se ficasse pensando em Ino acabaria não indo à festa, Sasuke desceu as escadas de seu quarto e foi até a cozinha para se despedir de sua família. Apesar de Itachi estar em casa àquela noite, não teve que agüentar suas provocações, pois se despediu rapidamente de seu pai e sua mãe, que teriam um jantar de negócios mais tarde. Quando fechou a porta da frente, Sasuke pegou seu celular e ligou para Naruto. O loiro disse que já estava a caminho do ponto de encontro deles.

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Quando fez meia hora que Sasuke e Naruto estavam na festa, Hiroshi e Naomy chegaram. Foi uma meia hora de espera muito chata. Naruto, que é sempre tão bem humorado e faz piada a respeito de tudo estava com um péssimo humor, com uma melancolia que não lhe era comum. Sasuke não entendia até que ponto ia o amor de Naruto por Hinata para deixar o Uzumaki daquela maneira. Naruto repetiu várias vezes que se fosse menos covarde e tivesse pedido Hinata em namoro não precisaria ficar daquela forma. Sasuke concordava com ele, mas não podia dizer isso ao amigo. Naruto se lamentava ainda dizendo que Hinata não gostava mais dele, por isso não ia à festa...

E, além disso, Sasuke ainda não vira Ino. A festa estava muito cheia e já eram nove e meia da noite. A decoração estava simples e discreta, apesar de ser cor-de-rosa. A comida estava muito boa e a bebida saborosa e fresca. Havia bebida alcoólica, mas Sasuke não era muito fã, então preferiu ficar com os refrigerantes e coquetéis. Também ainda não havia sinal da aniversariante. Gaara havia saído para buscá-la no salão de beleza havia também meia hora, e Sasuke supôs que eles já deveriam estar voltando. Enquanto esperava por Hiroshi e Naomy, traçou um plano para se livrar no mau humor de Naruto. Era muito simples: assim que o casal 20 chegasse, Sasuke deixaria Naruto com eles e sairia à procura de sua amada. Era um plano frio, mas Sasuke fora à festa para se divertir, de certa forma, e não para aturar a dor de cotovelo de Naruto, por mais que Sasuke gostasse de seu amigo.

Mas quando Naomy e Hiroshi se aproximaram deles, Sasuke viu que poderia sair de perto de Naruto sem magoá-lo, pois milagrosamente Hinata viera junto com os amigos. Sasuke cutucou Naruto, um meio sorriso se formando em seus lábios, para que o Uzumaki visse quem havia acabado de chegar. O humor de Naruto mudou instantaneamente quando viu Hinata. Mas ela estava acompanhada por mais alguém além de Naomy e Hiroshi.

Sasuke não sabia quem ou o quê convencera Sakura a ir à festa, mas ela estava ali. E, leia-se, muito bonita. Ela usava uma bata branca, tomara-que-caia, uma calça jeans escuro e sapatos de salto baixo vermelhos, assim como o arco que enfeitava os cabelos cor-de-rosa da garota, que estavam cacheados. Ela estava tão bonita... Sasuke não conseguia parar de olhar pra ela e ficou feliz por vê-la ali. Só não sabia por quê. Quase se esquecera de que deveria procurar Ino.

Naruto passou por Sasuke feito um furacão para ir cumprimentar Hinata, esbarrando no Uchiha no processo. Isso fez Sasuke acordar de seus devaneios. Esquecera-se completamente de parar de olhar para Sakura, e quando Sasuke percebeu seu erro, Sakura olhava para ele com um sorriso e uma expressão de confusão mesclados em seu rosto.

- Que ótimo! – disse Hiroshi animadamente. Ele usava uma camisa vermelha que destacava seu físico. Seu braço esquerdo estava envolta da cintura de Naomy – a galera toda reunida!

- Oi Sasuke – cumprimentou Sakura alegremente, mas ainda sem desfazer a expressão em seu rosto. Sasuke respondeu abobadamente com um aceno de cabeça.

- A festa está tão linda, não acham? – disse Naomy, feliz. Ela usava um vestido salmom de alças, que batia um pouco acima de seus joelhos. Seus cabelos estavam presos num meio rabo e ela estava radiante. Abraçava Hiroshi com força, como se ele pudesse lhe escapar de uma hora para outra. O Haruno não parecia se incomodar.

- Mas você acabou de chegar! – disse Naruto, com sua alegria recuperada. Ele ainda estava um pouco corado do abraço que havia acabado de dar em Hinata para cumprimentá-la. A Hyuuga também estava vermelha.

- Eu sei! – disse Naomy – mas quando se está apaixonado tudo parece tão mais lindo!

- Por falar em coisas lindas, você está linda Hinata! – disse Naruto, fazendo a Hyuuga corar mais ainda. Mas o Uzumaki dissera a verdade. Hinata estava com uma bata azul clara e por baixo desta usava uma legue preta. Os cabelos dela estavam escovados e enfeitados por uma presilha prateada, que puxava a franja da Hyuuga para trás.

- Obrigada Naruto! – disse ela, sem gaguejar, mas extremamente vermelha

- Ei! – disse Hiroshi – cadê a aniversariante?

- Gaara foi buscá-la no salão de beleza – disse Sasuke falando pela primeira vez desde que seus amigos chegaram. Já recuperara sua autoconfiança. Essas perdas de juízo já estavam começando a incomodá-lo, principalmente porque só aconteciam quando Sakura estava por perto. Mas Sasuke sabia que a culpa não era dela, e sim DELE.

- Eles já devem estar chegando – acrescentou Naruto – ei Hinata! Por que não vamos até a beira da piscina? Gaara mandou colocar umas flores artificiais com umas luzinhas bem legais no meio. Tá tão lindo! A gente podia ficar lá enquanto tomamos alguma coisa... O que acha?

- Pra mim está ótimo – a Hyuuga respondeu animadamente. Naruto ofereceu o braço com um cavalheirismo cômico e Hinata aceitou prontamente. O Uzumaki acenou para os amigos e sumiu entre a multidão acompanhado de Hinata.

- Acho que nós também devíamos procurar um lugar mais reservado... – disse Hiroshi olhando sorridente para Naomy

- Concordo – a garota disse retribuindo ao sorriso do namorado – vocês não se importam não é? – ela perguntou a Sasuke e Sakura. Sasuke não pôde deixar de notar o olhar malicioso que Naomy lançara a Sakura e em seguida a ele. Sasuke também viu Sakura lançar um olhar repreensivo à amiga, mas não entendeu por quê.

- Acho que não – Sakura respondeu com um pouco de mau humor

- Ótimo! – disse Naomy – Divirtam-se!

- Cuida da minha irmã, tá Sasuke? – disse Hiroshi – não deixa ela chegar perto da mesa de bebidas e se algum cara se oferecer pra ela eu deixo você ser o namorado postiço dela... Mas sem beijo na boca! – Sasuke e Sakura coraram com o comentário, o Uchiha ficando surpreso com as próprias reações

- Vamos Hiroshi! – disse Naomy piscando para Sasuke e Sakura, e saiu arrastando o namorado para longe, deixando o Uchiha e a Haruno sozinhos.

- Meu irmão é muito imbecil... – disse Sakura – espero que a Naomy dê um jeito nele...

- Você não disse que estava cansada demais pra vir? – Sasuke perguntou, as palavras saindo de sua boca sem que pudesse controlá-las

- E estou – Sakura respondeu, um pouco surpresa com a pergunta dele – acontece que enquanto eu tentava convencer a Hinata a vir à festa, ela partiu pro lado emocional e disse que só iria se eu fosse.

- Por que ela não queria vir? – Sasuke tornou a perguntar

- Porque ela disse que não queria ver Naruto ficando com outra – Sakura respondeu revirando os olhos, revelando sua impaciência com a ingenuidade da amiga – dá pra acreditar?

- Acho que o Naruto não ficaria nem com o clone da Hinata – Sasuke comentou, arrancando um pequeno sorriso de Sakura – ele estava no pior humor do mundo antes de vocês chegarem. Eu tinha até planejado fugir quando seu irmão chegasse.

- Eu entendo – Sakura disse – mas eu só vim por causa deles dois. Acho que essa noite eles ficam juntos... Não entendo como a Hinata poderia pensar que o Naruto ficaria com outra, com toda essa recepção que ele armou!

- E eu não entendo como o Naruto acha que a Hinata não gosta dele... – Sasuke disse – está tão na cara...

- Às vezes os meninos não conseguem perceber o que está bem diante do nariz deles... Só enxergam o que querem... – Sakura disse encarando Sasuke profundamente. O comentário ficou no ar, fazendo sue efeito. Fora uma indireta para Sasuke? Se foi, com que intenção Sakura dissera aquilo? O que Sasuke não estava enxergando?

Os pensamentos do Uchiha foram interrompidos pela chegada da aniversariante, o que ajudou a quebrar um pouco o clima pesado. Yuki chegou de braços dados com Gaara e ao passar pelo portão de entrada, soltou uma exclamação de surpresa. Ao ver as pessoas, a decoração, e, o mais importante, o sorriso nos lábios de seu namorado, não precisou pensar duas vezes antes de beijá-lo.

Os convidados começaram a aplaudir, assoviar e gritar. Sasuke permaneceu imóvel até perceber que Sakura sorria e aplaudia. Depois de se separar de Gaara, Yuki gritou um "obrigada à todos" e começou a pular e aplaudir histericamente. Os olhos da garota brilhavam tanto que pareciam duas estrelas. A felicidade dela devia ser principalmente pelo fato de Gaara não parar de sorrir, pois era muito raro ver o Sabaku sorrir.

Os convidados começaram a cercar os recém chegados e a abraçar Yuki, parabenizando-a pelo aniversário e por ter um namorado tão lindo. Algumas garotas gritavam histericamente enquanto alguns rapazes babavam por Yuki, deixando Gaara visivelmente irritado. Quando Sasuke desistiu de olhar por cima das cabeças dos convidados, notou que Sakura não estava mais ao seu lado. Começou a procurar em volta e a se perguntar se ele havia feito alguma coisa, sem saber, que a tivesse magoado. Conseguiu identificar aqueles cabelos rosa facilmente e foi atrás da dona deles.

Quando Sasuke a alcançou, Sakura estava sentada num balanço, no jardim, um pouco afastado da festa em si. O Uchiha sentou-se na frente da Haruno e pôs-se a encará-la. Começou a balançar o balanço de leve. Sakura olhou para ele. Sasuke decidiu falar alguma coisa para quebrar o silêncio.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não – Sakura disse com a voz um tanto triste – só estou cansada, e todos aqueles assovios e aplausos me deixaram um pouco tonta... Eu te disse que realmente não queria vir...

- Eu acredito – Sasuke disse. Ela olhou para ele com uma expressão de dúvida, mas que logo se desfez.

- Sabe – ela disse – ainda não te agradeci direito por ter me ajudado a procurar a Naomy... E por ter me acalmado... Por ter dito aquelas coisas legais... Por ter me feito entender onde Naomy poderia estar... Obrigada.

- Eu... – Sasuke começou a dizer. Não esperava aquilo. Nem se preocupara muito em receber agradecimentos de Sakura e ficou surpreso que ela tivesse lembrado de agradecê-lo – De nada. Eu só fiz o que achei certo – disse ele, por fim

- Eu agi feito uma criança chorona... – disse Sakura, rindo sem graça e encarando os próprios pés. Era a primeira vez que se mostrava envergonhada na frente de Sasuke – não devia ter chorado...

- Você não é de ferro, Sakura – Sasuke disse, mas dessa vez ciente de suas palavras – Ninguém é... Você é um ser humano e seres humanos choram. Você não podia manter sua pose de durona diante de uma situação difícil...

- Tem razão... – disse Sakura, olhando para ele – Ei! – disse ela – quer dizer que você acha que eu faço pose de durona, é? – perguntou ela sorrindo desafiadoramente

- Você disse que eu tenho razão – Sasuke defendeu-se, sorrindo também. Sakura pareceu pensar um pouco.

- Então é assim que você me vê? – ela perguntou ainda em tom desafiador, mas sem sorrir. Havia um toque de decepção em seu olhar, ou assim Sasuke interpretou. O silêncio se instalou entre eles. Não. Não era assim que Sasuke a via. O sentimento de culpa se instalou novamente nos pensamentos de Sasuke. Lembrou-se dos poemas. Como poderia achar que Sakura fazia pose de durona diante daqueles poemas, diante da paciência que tivera e estava tendo com ele durante todo esse tempo? Achou melhor consertar o que havia dito.

- Não... Não é bem assim – ele começou a dizer, e Sakura pareceu interessada – você é uma boa pessoa, Sakura. É inteligente e muito paciente também. E além de tudo é compreensiva. E talentosa – Sasuke acrescentou, mas achou melhor não ter falado nada, pois Sakura olhou desconfiada para ele. Antes que ela perguntasse sobre os poemas, Sasuke se explicou – quanto ao teatro, quero dizer... Você é muito talentosa...

- Nossa... – disse ela, com um sorriso triste. Pelo menos não estava mais desconfiada, mas Sasuke não entendeu o porquê da tristeza – Hiroshi mandou você me dizer isso pra me distrair enquanto ele se agarra com a Naomy?

- Não! – disse Sasuke mais alto do que gostaria, e algumas pessoas em volta acabaram ouvindo e olhando para eles – Não... – repetiu Sasuke, mais baixo – eu disse isso porque quis, entendeu? E porque sou muito grato a você por tudo... Você é uma boa amiga, Sakura, e acho que se não fosse por você eu não estaria te dizendo isso agora. Eu ainda teria o meu "bloqueio sentimental". Ninguém precisa me mandar dizer nada...

- Desculpe... – disse Sakura novamente envergonhada – te julguei mal de novo... Você me definiu agora como nunca ninguém, além das minhas amigas, já fez... E eu sempre te julgando mal... – ela encarou Sasuke. Trazia novamente aquele sorriso envergonhado. Um lindo sorriso envergonhado...

- Como assim "sempre me julgando mal"? – Sasuke perguntou rapidamente. Por que achar outra garota bonita sem se arrepender era tão difícil? – Como você me define?

- Antes ou depois dos nossos ensaios? – Sakura perguntou, sorrindo normalmente

- E tem diferença? – Sasuke perguntou

- Muitas – ela respondeu, e foi a vez de Sasuke ficar interessado e curioso. Finalmente descobriria o que Sakura pensava e pensa dele. Não sabia por que era tão importante saber isso... Apenas queria saber...

- Então pode começar me definindo antes dos ensaios.

- Ok... – ela disse, e pareceu pensar um pouco – antes de começarmos a ensaiar, eu te via como um idiota, sem sentimentos, que só olhava para seu próprio umbigo e vivia em seu mundinho particular com sua namoradinha fútil... E só ligava para sua popularidade e não se preocupava muito com os poucos amigos que tinha.

- Uau – disse Sasuke – mas acho que eu era mais ou menos assim mesmo...

- Talvez não – Sakura disse – eu acho que odiava você naturalmente, sabe? Sem motivos... E quando odiamos alguém sem motivos, criamos qualquer razão para estarmos certos a respeito do que pensamos dessa pessoa...

- E como você me define agora? – Sasuke perguntou. Estava gostando de conversar com Sakura. Era uma conversa franca e aberta, e um estava sendo sincero com o outro, falando um sobre o outro, como os amigos fazem...

- Agora – começou ela – eu te vejo como um idiota que aprendeu a falar o que sente, determinado, que se preocupa com as pessoas e principalmente com os amigos. Ah! E não está nem aí para popularidade.

- Por que eu ainda continuo sendo um idiota? – Sasuke perguntou. Gostara de sua nova definição, mas o fato de Sakura ainda achá-lo idiota o intrigou.

- Porque foi a primeira impressão que tive de você... – ela respondeu – e às vezes a primeira impressão é a que fica. Mas você é um idiota legal! – Sakura completou, sorrindo

- Como é possível uma pessoa ser um idiota legal? – Sasuke perguntou, sorrindo também

- Sei lá! – Sakura respondeu começando a rir – me diz você, ué!

- Mas quem me definiu foi você! – Sasuke insistiu, começando a rir também. Mas Sakura ficou em silêncio. Encarou Sasuke com um olhar de gratidão irresistível, prendendo o olhar do Uchiha ao seu.

- Obrigada – ela disse, de repente

- Pelo quê? – ele perguntou, sorrindo de canto de boca e surpreso com o agradecimento

- Por me fazer companhia – Sakura respondeu com simplicidade – eu fiquei me perguntando o que eu ia fazer enquanto nossos amigos estivessem... Fazendo o que eles estão fazendo agora... – e ela soltou uma risada – Enfim, você está sendo muito legal comigo... – e então ela olhou para a própria roupa – só acho que eu não devia ter me arrumado tanto...

- Que nada... Você está muito bonita – quando Sasuke terminou de falar, não pôde acreditar que essas palavras saíram de sua própria boca. Seus olhos se arregalaram involuntariamente. Era a primeira vez que falava isso para outra garota com sinceridade, sem se preocupar com nada. Elogiava Ino poucas vezes, sempre com a intenção de parecer um bom namorado, não de ser ele mesmo. Queria experimentar a sensação de elogiar alguém sinceramente com a própria Ino, e não com outra garota. Mas acabou sendo inevitável... Sasuke disse sem pensar. E o que era pior... Não havia se arrependido.

Quando olhou para Sakura, ela o encarava com um olhar intrigado. Mas sorria. Um jeito diferente de sorrir. Um sorriso daqueles que a gente dá quando somos elogiados por alguém muito querido. É claro que Sasuke não soube interpretar o que aquele sorriso significava, mas ficou feliz ao ver que Sakura não estava assustada ou nervosa com o comentário dele.

- Quer uma bebida? – ela perguntou, de repente

- Não era eu quem deveria fazer isso? – Sasuke perguntou de volta, surpreso em como tinham mudado de assunto tão rápido

- Teoricamente – disse Sakura – mas acho que eu deveria pegar, para selar nossa paz e nossa amizade... O que acha? – ela perguntou sorrindo

- Tudo bem – Sasuke respondeu sorrindo também, e Sakura desceu do balanço, sumindo rapidamente na confusão de luzes, sons, pessoas e música alta que se estendia além do jardim onde estavam. Ele ficou sorrindo até perder a garota de vista e não conseguia entender muito bem o que estava sentindo. Talvez fosse porque finalmente conquistara a amizade de Sakura, aprendeu mais sobre ela e pôde elogiá-la, mesmo que sem querer, sem parecer oferecido. Sasuke estava sorrindo de satisfação. Até que sentiu o perfume de cerejeira.

Começou a olhar para os lados, procurando a fonte. Mas não encontrou nenhuma cerejeira no jardim. Tampouco Ino. Confuso, Sasuke desceu do balanço e pôs-se a olhar em volta. Havia pouquíssimas pessoas no jardim, sendo a maioria casais. Havia um que estava se agarrando ridiculamente debaixo e um salgueiro chorão. O cara estava imprensando a garota contra a árvore, mal dando para perceber seus rostos. O garoto até parecia com Kiba... Tinha cabelos castanhos recheados de gel e se vestia como um mauricinho, mas a garota nada tinha a ver com Ino. Ela era morena e tinha cabelos mais longos. Talvez Ino e Kiba mudaram de planos e decidiram passar o fim de semana num lugar mais reservado...

Mas Sasuke não conseguia parar de olhar para o casal. A semelhança do garoto com Kiba era impressionante. Será que Kiba estava enganado Ino com outra garota? Intrigado e com a adrenalina crescendo dentro de si, Sasuke se aproximou devagar até ficar exatamente atrás do salgueiro, podendo ouvir cada suspiro, gemidos e palavras que vinham do casal.

- Ai Kiba! Você mordeu minha orelha com força! – disse uma voz feminina, que Sasuke reconheceu como sendo de Karin, colega de chapa de Kiba e Ino. Os olhos de Sasuke de arregalaram, a satisfação crescendo dentro de si. Kiba estava mesmo traindo Ino! Precisava encontrar a garota, não sem antes ouvir mais do diálogo do casal do outro lado do salgueiro.

- Foi mal, gata... Mas vamos continuar antes que Ino volte do banheiro... – era mesmo a voz de Kiba! O recomeço dos suspiros fez Sasuke compreender que o Inuzuka tornara a beijar a garota.

Então Ino estava no banheiro! Sem se preocupar em ser discreto, Sasuke saiu de trás do salgueiro e correu em direção a casa. Se explicaria com Sakura depois, afinal conseguira uma informação crucial para ganhar Ino de volta. Ele mostraria à Yamanaka a traição do atual namorado e ela voltaria com Sasuke! Não havia erro!

A sorte parecia estar a seu favor, pois saindo em direção à área da piscina, estava Ino. Sasuke deixou que seus pés o guiassem até sua amada, a euforia crescendo dentro dele, a sensação de ter Ino de volta cada vez mais forte, o sabor dos beijos, dos abraços dela, tudo se tornava mais real. Seria péssimo ver Ino decepcionada, ver os lindos olhos azuis daquela garota manchados de lágrimas por causa de um canalha, mas Sasuke estaria ali, ao lado dela para consolá-la...

A princípio, Ino não notou a aproximação de Sasuke, mas quando ele estava a poucos passos dela, Ino o encarou, e para a alegria dele, abriu um lindo sorriso tímido. Sasuke parou de correr quando chegou até Ino. Sentiu seu rosto quente, o suor escorrendo. Sorriu também.

- Oi – disse ele

- Oi Sasuke... – disse ela, corando um pouco. Linda, como sempre – olha... Eu tenho que te dizer... Que gostei... Do poema... Foi você mesmo que escreveu?

- Se eu assinei... – Sasuke respondeu. Ficou surpreso. Ino estava falando amavelmente com ele e gostara do poema! Será que ela terminara com Kiba e estava disposta a voltar com Sasuke?

- Ficou muito bom! – ela completou, olhando em volta

- Quem está procurando? – Sasuke perguntou, entendendo perfeitamente que Ino e Kiba NÃO terminaram. Ela estava falando com Sasuke, mas preocupada com o fato de que Kiba pudesse ver...

- Kiba – ela respondeu, ainda olhando em volta

- Sei onde ele está – Sasuke disse prontamente. Quer dizer então que Ino tinha medo de falar com ele? Tinha medo de que Kiba a visse falando com ele? Era isso mesmo? Sim... Era isso, e agora pouco importava a Sasuke o quanto Ino ficaria magoada. O importante era ela se livrar logo do Inuzuka e da possessividade dele. Ino olhou para Sasuke, desconfiada

- Por que você está tão vermelho e suado? – ela perguntou – Onde está o Kiba? Vocês brigaram?

- Acalme-se Ino – disse Sasuke. Por que ela tinha que ser tão difícil? Por que ela perdia a calma tão rápido? Antigamente ela parecia tão paciente... Não é como Sakura, que apesar de tudo tem um estoque de paciência... Sakura... Ela devia ter voltado com as bebidas e encontrado o balanço vazio... Sasuke tinha que ser rápido para encontrá-la e explicar-se logo...

- Sasuke, o que aconteceu? – Ino perguntou, despertando Sasuke de seus pensamentos a respeito de Sakura

- Ino... Eu sei que vai ser difícil pra você – Sasuke começou, e viu a expressão da Yamanaka se encher de dúvida – mas... Kiba está te traindo. Aqui mesmo. No jardim. Com a Karin... – quando terminou de falar, Sasuke respirou fundo e fechou os olhos, esperando ver a melhor reação possível quando tornasse a abri-los. Mas quando tornou a ver o rosto angelical de Ino, decepcionou-se. Ela visivelmente não acreditara nele.

- Não posso acreditar no que você acabou de dizer – disse Ino, e Sasuke poderia até interpretar isso como uma fala de indignação em relação à Kiba, se não fosse a conhecida expressão de decepção em relação À SASUKE no rosto de Ino.

- Ino, estou falando sério – disse Sasuke, tentando conter o desespero dentro de si. Impossível dar errado outra vez... Impossível ela não confiar nele... Impossível.

- Olha só o quanto você se rebaixou, Sasuke! – disse Ino, sua voz adquirindo o tom histérico da última conversa – eu cheguei a acreditar que você tinha mudado quando li aquele poema, tanto que não mostrei ao Kiba! Mas agora você vem inventar que ele está me traindo com a Karin? Minha melhor amiga! Kiba ME AMA, Sasuke! E diz isso todos os dias, coisa que você nunca fez! Ele jamais me trairia!

- Não foi o que eu vi! – disse Sasuke. A briga dos dois estava atraindo a atenção de algumas pessoas – ele estava se agarrando com a Karin atrás de um salgueiro, no jardim!

- Prove! – disse Ino

- Eu vi, Ino! Por favor, acredite em mim! – Sasuke implorou. Agora muitas pessoas acompanhavam a discussão. Não podia ficar pior...

Na verdade, podia sim... Naquele exato momento Kiba apareceu, SOZINHO. Abraçou Ino por trás e olhou para Sasuke com nojo.

- O que esse idiota quer com você, amor? – ele perguntou à garota

- Repete, Sasuke! Repete a acusação injusta que você fez! – Ino disse, com lágrimas nos olhos

- Você estava agarrando Karin atrás do salgueiro, no jardim! – Sasuke gritou acusadoramente para Kiba

- Você está louco! – disse Kiba ficando branco, mas Ino estava tão preocupada em duvidar de Sasuke que nem reparou – e visivelmente bêbado!

- O quê? – disse Sasuke. Droga! Agora tudo estava contra ele!

- Você me decepciona cada vez mais, Sasuke – disse Ino com amargura – além de mentiroso, você agora também está bebendo? O que deu em você?

- Ino! Eu não bebi! Como você pode estar incrivelmente hipnotizada por esse cara? Você acredita em tudo que ele fala! – Sasuke defendeu-se, em vão. Os olhares das pessoas em volta também eram acusadores. Todos pareciam acreditar em Kiba. Todos pareciam duvidar dele. Óbvio... Porque ninguém, além de Sasuke, vira Kiba agarrando Karin. A coisa piorou quando a própria Karin apareceu, abraçada a Suigetsu, e perguntou, na maior cara de pau:

- Amiga? O que está havendo?

- Está vendo, Uchiha – disse Kiba – e todos vocês em volta! Eu estava me agarrando com Karin? Como, se ela estava com Suigetsu? Karin, você tem uma irmã gêmea? – e todos em volta riram da pergunta

- Não! – Karin respondeu rindo estridentemente

- E aí, Uchiha? – perguntou Kiba com deboche – prova o que o que você viu é verdade. Estamos esperando... – e todos em volta começaram a vaiar. Mas isso não importava. O que mais doía era o olhar de Ino.

- Você está cega agora, Ino. Mas um dia eu vou abrir seus olhos – Sasuke disse

- Nossa! – disse Inuzuka – o rapaz agora é poeta! – todos riram

- Estou decepcionada, Sasuke – disse Ino – e envergonhada também... Eu tenho pena de você... – e saiu inesperadamente, seguida por Karin, a vadia que tentava bancar a amiga prestativa. Tudo a favor de Kiba... A multidão começou a diminuir. As pessoas estavam voltando para a festa. Antes de sair atrás de Ino, Kiba lançou à Sasuke um sorriso de vitória e fez um gesto obsceno com a mão.

As poucas pessoas que ali estavam riram alto e algumas aplaudiram. Vendo-se completamente humilhado, Sasuke saiu dali. Precisava de alguém. Precisava de um ombro amigo. Precisava de Sakura.

Sasuke voltou ao balanço no jardim, já esperando encontrá-lo vazio. Decepcionara Sakura na tentativa de reconquistar Ino, mas novamente não deu certo. Agora mais nada importava. Ele não conseguia pensar direito. Queria morrer. Queria parar de respirar. Fora humilhado, não é? Não fora motivo de riso? Então por que não dar às pessoas mais motivos para rirem dele?

Sasuke levantou-se do balanço e foi até a mesa de bebidas mais próxima. Pegou uma garrafa de cerveja. Abriu-a, arranhando seus dedos no processo. Começou a sangrar, mas ele não ligou. Virou a garrafa e esvaziou-a num gole só. O líquido gelado desceu pela sua faringe como de fosse um punhal frio que cortando a garganta, que em seguida subia para cortar-lhe o cérebro. Tudo começou a girar. Era a primeira vez que Sasuke bebia. Achou que fosse desmaiar, mas continuou de pé. Precisaria de outra garrafa... Onde estariam seus amigos?

Ao terminar de beber a segunda garrafa, começou a chorar e a rir alternadamente. Mas não sentia dor alguma. Nem nos dedos cortados, nem no coração, nem na alma. Não sabia que a bebida poderia ser tão milagrosa... Precisava de mais uma, que esvaziou prontamente. Só queria mais e mais garrafas de cerveja, até que esquecesse completamente quem era, quem era Ino, Sakura e qualquer outra coisa que estivesse atormentando sua mente.

Então, depois de esvaziar a quinta garrafa, Sasuke notou que ninguém ligava para ele. Cadê seus amigos? Onde está Hiroshi e seu cabelo tingido idiota? Onde está Naruto e sua insegurança estúpida? Os dois estão felizes e beijando suas namoradas idiotas e fúteis... Todos eles fúteis e felizes... Por que ele não era feliz? Onde estava Sakura com suas lições, seus conselhos? Onde estava Ino com sua voz histérica irritante e sua choradeira toda? Onde estava Inuzuka para que Sasuke pudesse lhe acertar um chute no meio da cara? Sasuke achou engraçado Kiba ser chutado na cara, e levantou sua perna, como se estivesse treinando sua pontaria, até que escorregou.

Sua cabeça bateu com força no chão. Então tudo ficou preto.

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- Preciso de mais água com açúcar – disse uma voz feminina que Sasuke julgou ser conhecida. Seria de Sakura? Sakura estava ali?

- Olhe, ele está acordando! – falou a voz de Naruto. Ele também estava ali?

- Sa... Sakura... – Sasuke chamou

- Oi, Sasuke. Eu estou aqui – ela respondeu. O que ela estava fazendo ali? Por que Sasuke não estava vendo nada? Onde estava, afinal? A última coisa que se lembrava era... Da festa... O olhar de Ino... A humilhação em público... Ele sozinho no balanço... A primeira garrafa de cerveja... Lembrou-se então que Sakura deveria estar com raiva dele, ele a magoara, não é?

- Sakura... – chamou Sasuke, sua cabeça rodando, seus pensamentos embolados pelo álcool – Sakura... Me... Perdoa... Eu não queria... Mas eu vi... Eu vi eles no salgueiro... Por favor, Sakura... Me desculpa... Eu... Te amo... Eu... – o que ele estava dizendo afinal?

- O que ele está querendo dizer com isso? – perguntou uma voz que Sasuke reconheceu como sendo a de Hiroshi – O que aconteceu entre vocês, Sakura?

- Hiroshi, pare com isso! – disse uma voz feminina, talvez a de Naomy

- Ele está bêbado, seu idiota! – Sakura disse – Ele não faz idéia do que está dizendo...

- Trouxe a água – disse uma voz que Sasuke odiou ouvir. Era a voz de seu irmão idiota... Sim. Só podia ser... Sua cabeça doía muito...

- Ai... – disse Sasuke

- Certo Sasuke – disse Sakura – estou aqui com você... Agora eu preciso que você abra os olhos...

- Não dá – Sasuke balbuciou – onde eu estou? O que fizeram comigo?

- Está em casa – Sakura respondeu – e se alguém te fez algo, esse alguém foi você mesmo...

- Hã? – perguntou Sasuke, confuso

- Você tomou um porre daqueles, cara – disse Naruto

- É isso mesmo – disse Sakura – agora abra os olhos devagar e sente-se – com muito esforço, Sasuke abriu os olhos, a claridade cegando-o. Tornou a fechá-los. Sua cabeça estava lhe matando... – mantenha os olhos abertos, Sasuke! Itachi, ajude-me a sentá-lo.

- Não! – disse Sasuke – ele não... Qualquer outro...

- Deixa de frescura! – disse Itachi

- É melhor você ir lá fora – disse Sakura para Itachi

- Eu estou na minha própria casa, não pode me mandar pra fora! E Sasuke é meu irmão! – Itachi respondeu

- Não adianta você querer agir como um irmão de verdade agora – disse Sakura – eu sei que nos momentos em que Sasuke precisou de você, você apenas gozou da cara dele... Agora aja como um adulto e ligue para seus pais explicando o que aconteceu - Sasuke ouviu uma respiração irritada e uma porta batendo. A ausência de Itachi estimulou-o a abrir os olhos. Conseguiu. Com a ajuda de Hiroshi, sentou-se na cama. Sua cabeça rodava e doía... Mas as coisas estavam ficando mais claras agora...

- Eu bebi... – disse Sasuke

- Ah, ótimo – disse Hiroshi – agora me diz qual é a novidade?

- Hiroshi – disse Naomy – acho melhor deixarmos a Sakura cuidar dele...

- De jeito nenhum! Não vou deixar esse maluco sozinho com minha irmã!

- Hiroshi – Naomy tornou a dizer, mas com mais firmeza – VAMOS deixar a Sakura cuidar do Sasuke, AGORA, entendeu?

- Tá certo... – disse Hiroshi – mas vou ligar de cinco em cinco minutos – e quando Sasuke achou que Hiroshi já tinha saído de seu quarto, sentiu o peso de seu amigo num abraço apertado – seu duente! - choramingou Hiroshi – por que você bebeu desse jeito, cara?

- Hiroshi, vai deixar ele sem ar! – disse Sakura, e Naruto prontamente tirou Hiroshi de cima de Sasuke, com algum esforço.

- Eu vou com Naomy e Hiroshi, e tenho que ligar para a Hinata avisando que já está tudo bem – disse o loiro empurrando Hiroshi para fora do quarto de Sasuke.

- Obrigada, Naruto – disse Sakura. Sasuke a viu sorrir

- Por nada – respondeu ele – vamos galera...

- Eu vou querer notícias! – disse Hiroshi, ainda choramingando – e se você beber desse jeito de novo, eu te mato Sasuke! Você nos deu um susto, seu desgraçado! – e a porta se fechou. Sasuke agora estava a sós com Sakura.

- Beba – disse-lhe ela quebrando o silêncio instantaneamente e lhe estendendo um copo. Sasuke aceitou e bebeu. Contemplou sua mão esquerda e viu um curativo em seus dedos. Lembrou-se então que havia se cortado com a tampa da primeira garrafa que abrira. Olhou para si próprio e viu que haviam tirado sua camisa, mas continuava com a mesma calça que colocara para ir à festa. Sentiu o sabor doce da água com açúcar entrar em contraste com o gosto de cerveja e vômito que estavam em sua boca.

- O que... O que eu fiz? – Sasuke perguntou

- Eu é que te pergunto, Uchiha – disse Sakura com dureza na voz. Sasuke estranhou ela chamá-lo pelo sobrenome

- Sakura... Me desculpe... Eu fiz coisas que não devia... – e então ele lembrou-se que instantes antes dissera que a amava – DISSE coisas que não devia – a glicose da água com açúcar estava fazendo seu efeito. Sasuke sentiu o estômago embrulhar, mas a consciência estava voltando mais rápido.

- Me deixar sozinha no balanço achando que você tinha mudado não foi nada – disse ela com amargura – Dizer que me amava ainda pouco não foi nada, pois você estava meio confuso... Sei que não disse por mal. Sei que não foi sincero. Mas você sabe qual é o maior problema, Sasuke? Achar que tem o direito de fazer o que você fez com seus amigos. Achar que pode encher a cara e ninguém vai se preocupar com você. Achar que você não é querido. Estragar uma noite legal, estragar a noite dos seus amigos por causa de uma vadia, de uma anta, que não acredita no que você fala!!!

Sasuke sentia o desespero na voz dela crescendo a cada palavra. Ele merecia, afinal, ouvir aquilo tudo. Porque fora um covarde. Porque magoara seus amigos... E ainda assim esses amigos não o abandonaram...

- Esse é o maior problema! Quantas vezes eu te disse para esquecer a Yamanaka! E só porque ela te dá mais um fora você decide encher a cara, entrar quase num coma alcoólico e deixar seus amigos loucos! Você sabia, Sasuke, que quem viu você caindo naquela pose ridícula foi o Naruto? E que na hora que você caiu ele estava prestes a pedir a Hinata em namoro? É claro que você não sabia! Assim como você não sabe que eu vi você espiando o Kiba e a Karin, também o vi traindo Ino. E vi você correndo atrás da Yamanaka, e vi a discussão de vocês. E não precisei ouvir nada para saber que ela não acreditou em você!

Ela fez uma pausa, e Sasuke quase pediu que ela continuasse a falar. Ele merecia ouvir aquilo e muito mais.

- Sabe o que a tonta aqui fez? Foi embora quando viu Kiba chegando pra defender sua amada... Mas decidi voltar no meio do caminho porque eu me dei ao luxo de ficar preocupada com você! E quando voltei, o que eu vejo? Um Naruto desesperado, minhas amigas em prantos e o Hiroshi mais branco que tudo ligando pro seu irmão, que é tão idiota quanto você! E cadê o Sasuke? É claro! Caído no chão, desmaiado! Você consegue imaginar meu desespero, Uchiha? Consegue, Sasuke?!

Ela agora chorava. Sasuke sentiu uma pontada no coração. Como fora burro... Por que bebera, meu Deus? Estragou a noite de todos, estragou a noite de seus amigos, estragou a alegria da única garota com quem podia contar...

- Você é mesmo um imbecil! Sabe o que o Itachi está fazendo agora? Ligando para seus pais! Eles estavam num jantar de negócios, mas vão ter que vir pra casa porque o bebezinho alcoólatra deles aprontou! Você tem idéia, Sasuke, do que você fez? E agora me diz... Valeu à pena? A Yamanaka voltou para você? Se voltou, me diz onde ela está! Ela se preocupou com você enquanto você estava desmaiado? Não!!! Você nem faz idéia de quantas desculpas eu pedi ao Gaara e à Yuki... E se alguma reputação foi estragada essa noite, Sasuke, foi a deles dois, a minha, a dos seus amigos e a dos seus pais! Porque você não tem vergonha na cara! Meu Deus! Como eu sou idiota!

Sakura estava inconsolável. Sasuke nunca a vira chorar daquele jeito...

- Por que você chamou meu nome? Por que você disse que me ama? Por quê? Por quê? Por que você entrou na minha vida, Sasuke Uchiha?

Ela estava muito vermelha, seus cabelos desgrenhados, olheiras profundas debaixo de seus olhos. Profundamente magoada, Sakura começou a bater nele, esperando por uma reação. Sasuke pôde distinguir no seu despertador que era uma hora da manhã... E aquela moça, diante de toda a estupidez de Sasuke, ainda estava ali. A bata de Sakura estava manchada de um líquido meio amarelado que cheirava mal. Era vômito. Mas ela ainda estava ali.

- Diz alguma coisa! – Sakura implorou, ainda socando o peito de Sasuke.

Ela cuidara dele, ela dera atenção a ele e agora desabafava tudo que estava entalado em sua garganta. Era Sakura quem estava ali, e não Ino. Um filme passou pela cabeça de Sasuke... E ele chorou de vergonha...

- Sakura... – disse ele, a voz fraca, mas o juízo totalmente recuperado. A garota parou de socá-lo para escutar – eu... Sinto muito...

- Não é pra mim que você tem que dizer isso, Sasuke... – ela disse, com amargura – é para as pessoas cuja noite você estragou... Eu fui só um objeto que você usou para reconquistar a Yamanaka, mas saiba que vou fazer questão de fazer sua consciência pesar tanto até você não agüentar mais...

- Sakura... – disse Sasuke – eu mereço... Faça o que você quiser... Mas...

- Mas o quê? – perguntou ela encarando os orbes negros de Sasuke. Seus olhos verdes estavam muito manchados de vermelho, e a culpa era unicamente dele. Uma mecha caiu sobre o rosto de Sakura, mas ela nem pareceu se importar. Estava atenta ao que Sasuke ia dizer. Com algum esforço, ele estendeu a mão e colocou a mecha de cabelo no lugar. Tocou aquela pele macia, que no momento estava quente e manchada pelas lágrimas. Sakura estremeceu ao toque, mas não desviou.

- Mas não me deixe sozinho... – disse Sasuke com toda a sinceridade que pôde – por favor...

Os olhos dela se encheram de mais lágrimas novamente, e Sasuke fechou seus próprios olhos. Agora sim estava perdido. Esperou ouvir a porta de seu quarto batendo, mas o que sentiu foi alguém abraçando-o forte pelo pescoço. Ao abrir os olhos, viu que era Sakura. As lágrimas dela molharam o peito nu de Sasuke, mas quem se importava? Ela não iria deixá-lo...

- Está vendo por que você é um idiota? – Sakura perguntou, sua voz abafada pelo corpo de Sasuke. E apesar de tudo, ele sorriu. Agora entendia...

Começou a acariciar os cabelos de Sakura, sentindo-se seguro sob o abraço daquela garota. Ficaram assim até Sakura adormecer. Ela não era, agora, apenas uma amiga... Era a melhor amiga do mundo. E quando Sasuke deu um pequeno beijo naqueles cabelos macios, descobriu também que Sakura era a dona do perfume de cerejeira. Agora compreendia por que gostava de tê-la por perto. Agora entendia porque só sentia o perfume quando estava perto de Sakura, mas sua obsessão por Ino era tanta que mal conseguia pensar em outra dona para o perfume senão sua ex.

Ino... Por que tinha de acabar assim? Mas agora não adiantava se lamentar... Ele tentara de todas as formas, mas Ino não acreditou nele em momento algum. Talvez estivesse mesmo na hora de esquecê-la... Talvez Sasuke não encontrasse alguém tão especial quanto Ino, mas não custa nada tentar.

Sasuke apreciou o perfume de cerejeira por mais algum tempo. Tirou Sakura delicadamente de cima dele e percebeu de uma vez por todas que aquela sim era a única garota em quem podia confiar... Uma amiga de verdade. E descobrira nela mais que o perfume... Descobrira um amor de amigo. Foi por isso que disse que a amava? Deve ter sido...

Sasuke então decidiu tomar um banho, pois afinal, em poucas horas, teria que enfrentar seu próprio julgamento.

Os juízes? Seus pais.

O Júri? Seus amigos.

Sua defesa? Sakura...

OIIIIIIIIIII!!!

Desculpem a demora meus amados!!!

Estive muito ocupada com uns assuntos do teatro da minha sala, que foi Sábado passado, dia 8. Graças a Deus deu tudo certo! Então tirei meu Domingo pra escrever esse cap GIGANTE especialmente pra vcs, é claro!

Amei escrever esse cap! Foi o melhor até agora! Está completo de emoções, romances e um pouco de humor...Espero q vcs gostem de ler!!! Mas aí vai um aviso... Sasuke ainda ñ percebeu que gosta da Sakura, porque apesar de tudo ainda se sente um pouco atraído pela Ino... Afinal, foi a única garota de quem ele gostou na vida neh gente... Mas aguardem q no final dá td certo!!!

AH! Valeu mesmo pelas reviews do cap passado!!! Espero q deixem muitas nesse cap tb!!! n.n

AMO VOCÊS!!! E VOCÊS CONTINUAM SENDO MINHA FONTE DE INSPIRAÇÃO!!!

NOS ENCONTRAMOS NO PRÓXIMO CAP!!!

Com carinho, Debby Uchiha! n.n