Hoje eu to apressada, beijos

Demorei mas fiz um megacapítulo. Beijos.

Escutando: Love Is A Losing Game – Amy Winehouse

Capítulo 10 – Veneno Puro.

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- Wei, tenho boas notícias! Shaoran recebeu uma proposta de trabalho pra filial da empresa daqui e, e, e... – Yelan mal conseguia falar de tanto ânimo – eu quero que você arrume o quarto dele, quero que fique IMPECÁVEL para a tarde, quando ele chegar!

- Ótimo, senhora Li. Seu quarto estará mais que perfeito. – Disse o empregado.

Mais que perfeito na verdade ainda nem chegava a ser satisfatório para Yelan. Shaoran sempre fora criado com muito carinho pela sua mãe, chegando a ser mimado por ela também muitas vezes. E Deus! Por quanto tempo não se viam?!

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Enquanto Wei carregava suas malas para dentro, Shaoran corria em direção à sua mãe. Lógico que estava morrendo de saudades, por isso a abraçou com toda a força que tinha. Mas nem se comparava à força dela, que quase o sufocara com o abraço.

Conversaram sobre tudo. Tudo mesmo. Afinal, Yelan estava tão animada com a volta de seu garotinho (que na verdade tinha crescido tanto!) que quase não falou muito da família, da casa, ou de si própria. Queria saber não só sobre o trabalho dele, mas também a vida pessoal, como ele estava, como iam as paixões, essas coisas.

Mas Yelan percebera uma diferença. É, podia ser o tempo. Talvez. Ou devia ser o trabalho cansativo? É, ele parecia cansado. Não, não era a viagem. Seria decepção? Seria uma paixão?

- Hummm... Talvez. – Ele disse, sorrindo fraco. – Acho que ele sabia que eu vinha de Hong Kong. Ele preferiu me colocar no cargo a... – Olhou para baixo nesse momento. – minha concorrente. – Então disse, amargurado.

- Concorrente? Sua concorrente? - Indagou Yelan, desconfiada.

- É... – Shaoran desviou o olhar. – Ela... É uma... uma... – Ia dizendo atirada, falsa, desonesta e traidora. Mas achou melhor não transparecer a amargura e decepção que sentia. Apenas focou o olhar em sua mãe. – concorrente. Só... só isso. - Deu um sorriso forçado, mesmo que fraquinho e levantou-se da cadeira. – Vou tomar um banho mamãe. - Terminou de tomar o chá, deu um beijo na mãe e retirou-se deixando a mãe preocupada, mas pensativa.

- "O que será que aconteceu com o meu bebê?" – Pensava.

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Shaoran bateu mais uma vez à porta.

- Calma, tiaaa!! Eu já to indo! Ai, dá pra esperar um pouco? - Sabia como Meiling era impaciente, por isso deu soltou uma leve risada.

- Ô, o que a senhora quer com essa press... – Então a prima arregalou os olhos. E ficou assim, estática, olhando para o homem à sua frente. – Sha... SHAORAN? – Disse, abrindo um sorriso largo.

- É, acho que sim... pelo menos desde a ultima vez que eu chequei minha carteira de identidade... – Brincou Shaoran, um pouco antes de Meiling dar um grito histérico ao abraçá-lo.

- PRIIIIMO!! Quanto tempo! Meu Deus, você está tão... – Desfez o abraço e afastou-se para observar um pouco o rapaz. Sim, ele estava MUITO mais bonito. Seu corpo era muito mais atraente do que antes... Ele devia estar malhando...

- "Meiling, pare de pensar besteira a-go-ra! Mas, também, sua boba! Faz quanto tempo que vocês não se viam?!"

– Diferente! Nossa, fazem quantos anos, hein?

Shaoran enrubesceu um tanto, afinal, estava sendo analisado profundamente. Além disso, sua prima também estava muito diferente. Estava mais encorpada, mais mulher, muito mais bonita.

- Uns 7 anos? - Sorriu ao dizer.

- Nossa... estava com tantas saudades! – Disse, o abraçando novamente, um pouco mais forte.

Então o desfez novamente e voltou a dizer.

- E a vida? Como anda? – Meiling estava curiosa, afinal, o primo fora embora há tanto tempo e ela queria saber como ele andava. – Vai passar quanto tempo aqui?

- Ah... você não vai acreditar! Consegui um cargo pra cá! Eu voltei pra ficar, prima!

- Mentira, Xiaolang! – Disse a prima, arregalando os olhos e tomando as mãos de Shaoran. – Eu to tão orgulhosa de você... – E apertando-as.

Meiling fora apaixonada por Shaoran desde criança. E ele, como sempre fora rude por toda a infância e adolescência, dificilmente a tratara bem. Depois de algum tempo, que Shaoran fora embora é que Meiling tentara desistir da paixão impossível. Mas, opa! Algo estava errado! Shaoran não... não era o mesmo. Ele a estava tratando... carinhosamente? O que diabos estava acontecendo?!

De qualquer forma, isso era maravilhoso para Meiling! Tudo bem que o tempo fez a sua paixão pelo primo perder um pouco de intensidade, mas lógico que era ainda sentira algo forte por Xiaolang. E ainda essa volta inesperada! Era tudo quase um sonho para ela. E isso estava mais claro que nunca, Shaoran também percebera.

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- Olha, se você não me soltar AGORA... – Tomoyo levantava a voz, tentando soltar-se do rapaz.

Eriol apertava os olhos. Poucas pessoas o tiravam do sério e aquela garota o conseguira. Então ele resolveu soltá-la para evitar futuros prejuízos. Afinal, como aquela garota era louca, ele até receava que ela fosse dar queixa na policia.

- Então, não vai me responder? – Disse a morena, enquanto cruzava os braços em tom de desaprovação.

- Eu respondo perguntas objetivas. – Cortou-a, fazendo com que ela bufasse de raiva. – Mas eu vou deixar tudo isso claro para você, docinho. – Disse, acariciando delicadamente o rosto da garota, que corou imediatamente, mas logo se lembrou de que ele era famoso por ser galanteador e rapidamente expeliu seu braço.

- Seu nojento! Por um acaso quem você pensa que é? – Fingiu estar furiosa. A mais pura verdade é que gostaria mesmo que aquele toque continuasse. Fosse como fosse, ele SABIA mesmo como encantar uma mulher. Pena que não fazia isso com uma de cada vez.

Lá vem ela saindo do sério novamente! Mas Eriol controlou-se, fechou os olhos e tentou responder com sutileza.

- Sobre a primeira pergunta... Não se preocupe com a Saki. Ela vai ficar muito melhor, um dia vocês ainda vão me agradecer. – Disse isso sorrindo verdadeiramente. Mas logo seu semblante mudou para algo mais sarcástico. – Já sobre a segunda... Eriol Hiiragisawa, dono das grandes Empresas Lock. Só pra deixar mais claro, pra lembrar você, já que você pode se esquecer disso, bonequinha. – Desta vez o sorriso estava nojento.

Tomoyo apenas abriu a porta e rapidamente a bateu com muita força, desta vez ela estava realmente furiosa. E Eriol continuou estampando o sorriso cínico no rosto, até dar o tempo de ela descer o prédio e então olhar pela janela e ver Tomoyo atravessando a rua como se fosse fazer um buraco no asfalto a cada passo, de tanta raiva.

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- Sakura, por que você não se demite dessa droga desse emprego? Acho que ser humano NENHUM merece conviver com aquele babaca que vocês chamam de CHEFE! Uuuuuuuurrgggg!! – Disse Tomoyo, já batendo a porta de raiva.

- Calma, Tomoyo! Acho que quem ta precisando de ajuda por aqui é você! – Disse Sakura, abrindo um ainda que tímido, mas gratificante sorriso. O primeiro em muitos dias, de grande esforço de Daidouji, que também não resistiu ao ver a amiga sorrindo e soltou uma leve gargalhada, nem que fosse para faze-la rir um pouquinho mais.

E depois de um tempo, então disse:

- Sério, Sakura. – Parou por um momento ao levar o indicador à boca. – Como você atura aquele cínico? – roeu uma unha, franzindo a testa.

- Agüentando, Tomoyo. – Olhou fixo para a amiga. Arqueou as sobrancelhas, em tom de desaprovação.

- Eu devo lhe contar uma coisa. – pausou. – Eu juro que não sei o que diabos aquele idiota quer, mas, com certeza, não é nem um pouco legal, Saki. – novamente. - Eu temo por você. – Olhou-a como se ela fosse uma criança, que precisa de cuidado e atenção, bem como vigilância.

- Eu não sou mais criança também, Tomoyo. Não preciso de tanto cuidado assim, não precisa se preocupar. – Desviou o olhar. – Mas eu...

Sakura então engoliu seco desta vez. Oras, não conseguia nem terminar uma frase! Demorou um pouco mais. Tomoyo já sabia que ela daria então continuação.

- ...eu não sei o que fazer, Tomoyo. – disse com um olhar de sofrimento. – Por favor, me ajuda.

Ah, sim. Sakura, de fato, precisava de alguém que se importasse com ela. Mas esse alguém era especifico. Esse alguém não estava perto. Esse alguém estava a quilômetros de distância. E não muito feliz com as circunstâncias.

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- Ai, Tomoyo, não... olha, eu até tirei a roupa!

- Mas eu fiquei te devendo aquele sorvete, Sakura! Ah, se você não for vai ser muita injustiça! Hoje nós vamos fazer compras, ver um filme beeeeem legal! – Disse a amiga, já procurando no jornal alguma comédia pra aquele dia. – Tem que sair dessa fossa, amiga!

- Ta ta ta boooooomm! – Dessa vez até que saiu um sorrisinho.

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- Sakura, corre aqui AGORA! – Disse Tomoyo, lá longe, olhando para alguma vitrine luminosa.

- O que foi Tomoyo? – Sakura arregalou os olhos e correu para perto da amiga.

- To pensando aqui, calma. – Tomoyo colocou a mão no queixo.

- Pensando no que, quem, o que, Tomoyo? – Sakura estava desorientada.

- Quando é o seu aniversário?

- Ta longe, viu? – Sakura até que riu.

- Não tem problema, é antecipado.

- O... queeee? – Sakura não entendeu.

- Meu presente.

- Aaai, vou ganhar presente, é? – Aquele sorriso.

- É. – Só que Tomoyo sorria como quem sabe das coisas. E ela sabia. – Um banho de loja. – E o sorriso aumentava. – Por minha conta. – Deu uma piscadinha.

- Ah, pára, Tomoyo! Você enlouqueceu? Eu to cheia de roupa, e...

- Cala a boca e vem, Sakura! – Puxou a amiga para uma loja

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- Boa tarde, em que posso as ajudar? - Uma funcionária alta as atendeu.

- Primeiro, boa tarde. E segundo, ah, sim. A gente vai precisar muito da sua ajuda por hoje.

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- Ah, Tomoyo, acho que ficar em fossa ta me dando mais lucro do que eu pensava. – Disse Sakura, ao abrir a porta do apartamento.

- Hummm, não vá pensando que eu estou nadando em dinheiro, não viu, mocinha? – Tomoyo até riu e trancou a porta. – Só resolvi te ajudar um pouquinho porque até que eu to meio sossegada quanto a dinheiro esses tempos.

Sakura cruzou os braços, de raiva.

- E, claro, porque você é a minha amiga mais queriiiidaaa!! – A abraçou com cuidado, para não estragar a escova.

- Mas eu não entendi a escova e a maquiagem. Como eu vou dormir com isso na cara? – Sakura tinha liberdade para fazer perguntas desse tipo, afinal, Tomoyo era uma irmã para ela.

- Como assim dormir? Agora? – Tomoyo já olhava para o relógio.

- É, ué. Oito e meia. A gente andou um bocado.

- Peraí, Sakura. Hoje nem é domingo!

- Mas e daí, eu vou pelo menos ver um filme na tv, quem sabe eu não durmo?

Tomoyo parou e pensou por um instante. Sakura ficou curiosa e perguntou à amiga:

- O que é agora, Tomoyo?

- Joy.- Simplesmente.

- Joy... – Sakura tentou lembrar. Até espremeu os olhinhos, fixando o olhar em um ponto qualquer, mas não conseguiu.

- Joy! – Repetiu Tomoyo.

- Joy... Ah ta, lembrei! – conseguiu então. – Ta, mas... – tomou mais um gole do suco de morango- ...o que tem a Joy? – Perguntou inocentemente, saindo do ponto imaginário até fazer o olhar chegar aos olhos de Tomoyo. Já ia tomando outro gole, mas arregalou os olhos.

- Ai meu Deus! A Joy não, Tomoyo! Não não não não e não!

- Ah, Sakura, qual é?! Você não vai passar a noite vendo programa de leilão de jóia! Vê se me poupa dessa vez, né? – Colocou as mãos na cintura. – Vamos sim senhora, vai lá tomar um banho e colocar sua roupa nova que eu vou em casa rapidíssimo! E anda rápido também!

Sakura bufou.

- Alem do mais, Saki, lá sempre dá gatinho! – Abriu um sorriso enorme, piscou e bateu a porta. – Ah, vê se traz a chave! - Gritou lá de fora. – Eu vou te esperar lá em baixo!

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- Ai Sakura!! Eu simplesmente não acredito! Você ainda ta de toalha?! – Disse Tomoyo, apontando para o relógio. – já é quase meia-noite!

- Ai ai ai ai, Tomoyo! Eu, eu não sei se eu vou... Sei lá eu não to muito animada! Já ta tarde e... – Reclamou a prima sentada à cama.

- Não não! Que isso Sakura?! Você me faz pagar roupa, maquiagem e cabelo, táxi e gastar a minha boa vontade pra nada?! Qual é?!

Sakura deu um sorrisinho fraco.

- Táááá. Só por você. – Levantou-se da cama em direção à bancada do banheiro, onde estava o secador de cabelos.

- To lá embaixo. Rápido.

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- Juro que se você ficasse mais um pouquinho dava pra gente adiar essa balada pra amanhã.

- Ah, ta bom, ta bom, é que eu tava vendo um negocio na televisão, ai eu me distraí...

- Pra variar. A Joy, por favor – Direcionou o taxista.

A Joy era uma boate de alto garbo, freqüentada pela elite, ou pelos "frutos" da elite. Procurando diversão, descontração ou até companhia.

- Martini, por favor. – Disse uma Sakura chateada, olhando para o relógio de pulso.

- Ah qual é Sakura? – Tomoyo, ao sentar-se junto a Sakura no balcão. – Você não vai ficar sentada aqui a noite toda. Hoje nos vamos nos divertir.

Sakura levantou uma sobrancelha em tom de desaprovação.

- Quer um também? – Mostrou a taça e tomou um gole após o ato.

- Não, uma dama merece algo melhor. – Uma voz masculina entrou no diálogo. Sakura ergueu novamente a sobrancelha, mas logo ocupou-se com a taça que tinha nas mãos.

- Garçom! – Eriol gritou. – Uma taça do seu melhor champagne para esta senhorita.

Tomoyo soltou uma risada cínica antes de tomar a taça. Ela sabia lidar com homens daquele tipo.

- Como eu vou saber que não está envenenado? – Apenas encostou os lábios na taça.

- Eu não faria uma coisa desse tipo, senhorita Daidouji. – Respondeu Hiiragisawa, do mesmo modo, antes de a morena tomar um gole da bebida.

- Ou faria? – Seu olhar estava fixado nas suas mãos, mas rapidamente os direcionou ao olhar da moça.

- Não sei... às vezes o garçom é um empregado seu. – Daidouji sorriu em tom desafiador. Mas ao mesmo tempo estava com medo. Não era difícil perceber.

- Senhorita... – Eriol apontou para o garçom, pedindo mais uma taça. – Em primeiro, se eu fizesse uma coisa desse tipo, seria mais bem-planejado. Odeio desorganização. – Agora a desafiava ainda mais.

Tomoyo apenas ergueu as sobrancelhas, como se quisesse mostrar-se surpresa, ainda que cinicamente.

- Mas vejo que és esperta. Logo pensaste em envenenação. – Soltou uma risada branda, brincando com a taça.

- Se não esperava essa minha esperteza toda, por que me ofereces ainda? Se nem sabias que era tão esperta assim... – Tomoyo era quem queria envenenar alguém. Eriol. Com as palavras.

- E por que a bebes? – Se as palavras fossem um veneno, Tomoyo morreria primeiro. E se fosse um jogo, Tomoyo teria perdido. E realmente perdeu.

- Ta certo, o que quer de mim? – Disse a morena, impaciente. Como um ser humano qualquer, tinha defeitos e detestava perder.

- Conversar. – Eriol já não tinha um sorriso no rosto, agora era uma feição séria estampada na cara.

- E por que eu faria?

- Porque diz respeito à sua amiga. – Falando num tom mais baixo.

Tomoyo arregalou os olhos.

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Sakura tomou o ultimo gole da taça, e, antes de virar a outra página da revista de sudoku,pediu outra dose.

- Aqui, senhora. – Disse o garçom, colocando o liquido na taça novamente.

- Senhorita. Sakura levantou o rosto e sorriu educadamente.

- " Ai, Sakura, qual é, vai bater papo com o barman agora? Fim do poço, Fim do poço, fim do..."

- Ai eu não acredito! – Disse Sakura, levantando-se da cadeira num ato só.

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Eu não sei fazer mistério ok?

Espero que tenham gostado, me esforcei dessa vez.

Então é isso, beijos.

PM!