Oh, antes de tudo quero dizer que a Lis-sama gosta muito da Rin-chan e da Shampoo-chan! Amo muito as duas o/.


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Ensina-me a Amar

By Palas Lis

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Música – "I Must Be Dreaming", Evanescence.


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Parte X

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Há quanto tempo já estava em Tóquio? Não se preocupava em saber em outras cidades, mas na capital do Japão era diferente. Sabia certinho quando tempo estava ali: seis meses e alguns dias. Passara mais rápido que nas outras localidades que morou.

Era começo de verão, a estação que Rin menos gostava. Era terrível usar roupas pretas com a temperatura altíssima. Porém, não gostava de outra cor e tinha que suportar o calor. Sorte que logo estaria de férias e poderia ficar em casa.

Gostava de estar naquela cidade – apesar de ser muito movimentada. Kikyou conhecera alguém especial e, desde que saíram à primeira vez, estavam juntos. Só esse fato já valera a pena morar em Tóquio. Depois de tanto anos de abdicação por ela, Kikyou merecia ser feliz.

Outra coisa era diferente em Tóquio e que não acontecia em outras províncias que morou: não era mais uma pessoa tão sozinha... Sempre tinha algum estorvo perto dela para incomodá-la e deixá-la irritada.

Rin fez uma careta, afinal, isso não era exatamente muito bom.

Não estava se dando muito bem com os amigos... Colegas que encontrou, mas mesmo assim era um lugar bom de se morar. Ainda mais que nenhum deles tinha noção da maldição que ela tinha.

Kagome estava sempre por perto dela, assim como Sango, e já não se importava muito com a presença delas, mas não poderia dizer que gostava. Miroku sempre que podia tentava alguma coisa pervertida, mas Rin sempre dava uns sopapos nele. Inuyasha e ela mal se falavam. E tinha também Sesshoumaru... Ainda viviam brigando e ele fazia de tudo para irritá-la.

"Sesshoumaru...", involuntariamente soltou um suspirou e corou ao pensar no rapaz de bonitos olhos dourados.

Toda vez que pensava nele, e não foram poucas vezes desde que ele quase a beijou – apesar de que jamais, nem mesmo sob grave tortura admitiria isso –, sentia algo estranho, mas que não sabia ao certo o que era. Nunca sentira nada igual. Não era bom, nem ruim... Era indecifrável.

Levou a mão aos lábios, tocando neles de leve. Quase deu seu primeiro beijo... Nele...

"Droga! Não seja estúpida, Rin", xingou-se mentalmente. "Eu não quero pensar nele e nem no maldito quase beijo!".

Às vezes, se pegava pensando como teria sido ao tocar os lábios dele. O que teria sentido? Bem, de duas, uma: ou teria gostado e tudo ao seu redor seria destruído, ou ficaria brava e daria um tapa nele.

Preferia ficar pensando como seria se não tivesse os poderes telecinéticos... Teria sido algo muito especial...

Rin mordeu o lábio inferior, fechando os olhos.

Certamente teria gostado, iria ver borboletas voando, sons de pássaros e...

Ela fez uma careta.

Ora, desde quanto era uma garota tão sonhadora? Nunca!

E também não devia estar pensando essas coisas de Sesshoumaru! Odiava-o... Não é mesmo?

Movimentou a cabeça para os lados e o cabelo caiu-lhe no rosto.

Maldito Sesshoumaru! A culpa de estar tão confusa era dele e do meu maldito quase beijo!

Tentando tirar os pensamentos do rapaz, concentrou-se no quadro que estava em seu colo. Estava tendo uma aula de arte e no momento tinha que fazer um desenho que a professora pediu. Aproveitou o intervalo quando todos estavam ocupados e sentou-se recostada em uma árvore para aproveitar a sombra dela.

O jardim do colégio era um ótimo lugar para ficar. O dia estava quente e a brisa que sobrava refrescava o ar abafado.

Deu mais uma pincelada de tinta rosa na tela, mudando a posição da cabeça para ver como sua pintura estava ficando. Olhou para frente, onde estava seu modelo para o trabalho. Sorriu. Pelo menos estava ficando bom. Muito parecido com o jardim da escola.

Nem acreditava que estava mesmo pintando um jardim. Tempo atrás, estaria fazendo um cemitério... Se bem que ainda não era tarde para isso. Poderia fazer dois quadros.

Rin sorriu. É, ia fazer um cemitério depois e colocá-lo pendurado no seu quarto. Kikyou ficaria irritada. O sorriso aumentou. Sempre era muito bom contrariar a irmã.

- Ohayo, Rin.

Aquela voz...

Virou-se depressa e encontrou Sesshoumaru sentando ao seu lado. Quando ele chegou que nem o notou?

O rapaz sorria para ela... Um lindo sorriso...

Sorriso lindo? Qual é! É o sorriso de Sesshoumaru e não tem nada de lindo nele... Somente os olhos, os lábios, a voz e...

Rin rodou os olhos.

"Não acredito que estou pensando nesse infeliz dessa maneira!", Rin ficou indignada com consigo mesmo.

Tudo o que sentia quando pensava nele, ficava mais forte quando ele estava perto. Seu coração batia mais forte, ficava corada e sentia as pernas bambas. "Inferno! O que está acontecendo comigo?".

- O que faz aqui? – Rin perguntou.

- Vim lhe fazer companhia.

A garota rodou os olhos, novamente, ao sentir as mãos suadas. Além de estar irritada com ele, ainda estava irritada consigo mesmo por ficar tão... Estranha com a presença dele.

- Quantas vezes vou ter que repetir que não gosto de companhia, ainda mais a sua, hein, Sesshoumaru? – Rin perguntou já irritada.

Viu-o sorriu e recostar-se ao tronco da árvore.

- Você não tem nada melhor pra fazer do que me incomodar?

- Sinceramente, não. – ele deu de ombros.

- Eu não esperava uma resposta para essa pergunta.

Sesshoumaru sorriu.

- Saí mais cedo da faculdade e não tenho nada pra fazer em casa, nem no escritório de meu pai. Inuyasha está fazendo um trabalho escolar. Kagome e Sango estão ocupadas com o ensaio do coral da escola, e Miroku... Sem comentários.

- E eu com tudo isso? – ela fez uma careta.

- Como vê, não sobrou ninguém que eu possa incomodar. – ele riu, divertido. – Somente você.

- A cada dia você está ficando mais bobo.

- E a cada dia você está ficando mais intolerável.

- Pois vá arrumar algo útil pra fazer e me deixe sozinha. – ela fez um gesto com a mão que segurava o pincel. – Quer saber? Procure algo inútil mesmo. Quero ficar so-zi-nha.

Sesshoumaru notou o pincel na mão dela e se aproximou mais para olhar o quadro que estava em seu colo. Então quer dizer que aquela menininha mimada e malcriada sabia fazer desenhos e pinturas. Isso era realmente impressionante, pois o desenho estava muito bonito e bem feito.

- Não sabia que desenhava tão bem. – ele falou, admirando a pintura.

- Eu tento.

- Ainda mais que pintava jardins floridos. – ele não agüentou e a provocou. – Achava que só gostava de coisas tenebrosas.

- E só gosto mesmo de coisas tenebrosas. – ela falou, voltando a pincelar na tela a tinta rosa. – Mas depois que o professor der nota, vou dar de presente para Kikyou-chan e ela não vai gostar nada de colocar na sala um quadro de um cemitério, não acha?

- Kikyou-san gosta de você – Sesshoumaru falou, olhando para frente. – Então, o que lá der de presente, tenho certeza que ela vai gostar.

- Céus! – Rin exclamou, levando a mão à boca, não conseguindo resistir à vontade de soltar uma ironia. – Você disse algo aproveitável!

- Espero também presenciar algum dia uma proeza assim sua. – ele sorriu, vitorioso quando Rin estreitou os olhos, não gostando da resposta dele.

- Some daqui, vai! – ela retrucou.

Sesshoumaru riu.

- Sinceramente, Sesshoumaru, eu não consigo entender porque você vive me seguindo. – Rin contou num desabafo. Voltou a pintar o desenho para terminá-lo antes que tivesse de ir para sala.

- Eu me divirto com você.

- Você não se diverte comigo, você se diverte às minhas custa. – ela falou, ouvindo-o rir depois. – Se já se divertiu o suficiente, pode ir embora.

- Eu estou falando sério, eu realmente acho você uma pessoa divertida.

- Acha? – Rin se virou para ele.

- Principalmente quando responde de maneiras "delicadas".

Rin balançou a cabeça para os lados. Não ia retrucar, não no momento. Tinha que terminar o desenho e estava perdendo tempo com Sesshoumaru.

- Sesshoumaru-sama. – uma mulher se aproximou dos dois.

A garota que pintava o quadro ouviu a voz doce da mulher e levantou o rosto para ver quem era. Ela estreitou os olhos castanhos ao perceber o olhar que ela lançava a Sesshoumaru. Era idêntico ao que Kikyou lançava a Suikotsu, e Rin não gostou nada disso.

Além do mais, era muito bonita: usava um vestido rosa, brilho nos lábios, cabelos soltos, jeito meigo e sorriso gentil. Rin fez uma careta. O que aquelazinha estava querendo com Sesshoumaru?

- Sara? – Sesshoumaru sorriu-lhe, o que fez Rin estreitar mais os olhos. – O que faz aqui?

- Eu precisava falar com você, Sesshoumaru-sama. – ela deu um meio sorriso. Olhou para Rin e sorriu simpática. – Mas está acompanhado.

- Essa é Nakayama Rin. – ela apontou para a morena. – Rin, essa é Kato Sara.

- Prazer em conhecê-la, Rin-chan. – ela sorriu, curvando-se numa reverência, educada.

- É. – Rin se limitou a fazer uma careta. "Pena que não posso dizer o mesmo", pensou, irritada.

- Podemos conversar agora, Sara. – Sesshoumaru se levantou e parou frente a ela. – Está na hora do almoço, gostaria de ir a algum restaurante?

- Hai. – Sara ficou feliz com a proposta dele. – Seria ótimo.

- Oferecida! – Rin falou baixo, entre dentes.

- Rin, até mais. – Sesshoumaru virou o rosto para falar, antes de se afastar com Sara.

- Já vai tarde.

- Rin-chan. – Sara faz outra reverência para a morena e depois seguiu Sesshoumaru até o carro dele.

- Ela é idiota, ele é imbecil! – os olhos de Rin acompanharam o carro atravessar a rua. – Maldição!

Deu a última pincelada no quadro e guardou as coisas que usara em uma maleta de pintura. Trilhou o caminho até a sala de aula com o semblante fechado, contraído em raiva.

Por que ele tinha que sair com ela? Não gostara de ver Sesshoumaru ir embora junto com aquela Kato alguma coisa. Parecia até que estava com ciúmes e...

"Era só o que me faltava: ficar com ciúmes dele!", Rin rodou os olhos, impaciente consigo mesma. "Devo ter tomado algum tipo de entorpecente, ou estou ficando louca".

-o-o-o-

Os quatro – Rin, Sango, Kagome e Inuyasha – estavam sentados ao redor de uma mesa quadrangular na sala de estudo do colégio. Elaboravam um trabalho de grande peso da nota final e precisava ser muito bem feito.

Principalmente Inuyasha, que não era um estudante exímio e precisava muito de nota para não repetir o ano. Se quisesse ir para o último ano colegial tinha que se esforçar, e muito, para isso.

Introspectiva como sempre, Rin se concentrava em elaborar a parte gráfica do projeto, enquanto os outros se encarregaram da pesquisa e discutiam o tema.

Rin suspirou, apagando o gráfico que fazia, pela milésima vez. Não conseguia se concentrar. Depois que Sesshoumaru foi embora com Kato Sara, o humor estava pior que de costume. Discutira com um professor, quase agredira um aluno que se aproximou dela, xingou a faxineira, chutou uma cadeira e foi parar na diretoria.

Kikyou não iria gostar nada de saber daquele comportamento.

A única explicação viável seria que estava com ciúmes de Sesshoumaru e... "Eu não estou com ciúmes dele!", ela gritou mentalmente.

Nunca admitiria que ficou incomodada – leia extremamente, profundamente e gravemente incomodada – de Sesshoumaru estar junto a Sara.

"Que ela faça bom aproveito dele! Eu nem ligo", ela deu de ombro com o pensamento, fechando mais o semblante, de maneira a assustar qualquer um.

- Você está bem, Rin-chan? – Sango perguntou; uma sobrancelha levantando ao ver Rin ficar mais invocada.

- Hã? – Rin ouviu Sango falar e percebeu que os três a olhavam. Baixou os olhos para papel que tinha metade de um gráfico feito e voltou a fazê-lo. – Hai. Por que não estaria?

- Você está estranha. – Kagome sorriu.

- Ela não está estranha, ela é estranha. – Inuyasha falou. Ele tinha a expressão irritada no rosto, as mãos que seguravam um livro agora estavam com os braços cruzados.

- Ninguém te perguntou nada, então se contenha em sua insignificância. – Rin nem levantou os olhos do papel para falar.

- Bah! Garota estúpida! – Inuyasha retrucou.

- Está ficando tarde, minna – Kagome falou após olhar o relógio analógico na parede da sala. – Acho melhor deixarmos isso para depois.

- Tem razão, Kagome-chan. – Sango se levantou e espreguiçou-se. – Estamos quase no fim do trabalho e podemos deixar isso para amanhã.

- Ainda bem, não agüentava mais ficar nessa sala. – Inuyasha se levantou e jogou, literalmente, os livros dele na mochila.

- Espere, Inu-kun – Kagome pediu quando Inuyasha caminhou em direção a porta e se apressou em arrumar suas coisas. – Vai embora com Sesshoumaru-sama?

Rin ouviu o nome do rapaz e fez um som que lembrava muito um rosnado.

- Iie. – ele falou. – Ele vai ficar até mais tarde na faculdade com Kato.

O dessa vez rosnado de Rin foi audível pelos colegas, trazendo sobre si três pares de olhos curiosos.

- E depois vai levá-la na casa dela, do outro lado da cidade.

Rin quase latiu ao ouvir Inuyasha. Sesshoumaru imbecil! Por que tem que levá-la até em casa? E ela é uma oferecida! Por que tinha que aceitar que ele a levasse?

Continuando a desenhar o gráfico, Rin quase perfurou o papel com tanta pressão que colocava no lápis. Só podia estar com ciúmes e... "Não estou, não!".

- Rin-chan? – Kagome colocou a mão no ombro dela.

- O que é? – ela gritou, nervosa, virando-o rosto para a colega.

Kagome sentiu a hostilidade de Rin e tirou a mão do ombro dela de uma vez.

- O que foi, Kagome?

- Eu só queria saber se não vai embora. – ela perguntou. – Nakayama-sama virá te buscar?

- Kikyou vai ficar trabalhando até mais tarde e vou embora sozinha.

- Venha conosco, Rin-chan. – Kagome chamou. – Sango vai ficar casa e Inuyasha é seu vizinho.

- Vou ficar até tarde. –Rin falou.

- Não é perigoso ficar andando a essa hora sozinha, Rin-chan? – Sango perguntou, preocupada.

- Eu sei muito bem me defender. – Rin respondeu, secamente. – Se não se importam, eu queria ficar sozinha para acabar esse maldito gráfico.

- Já estamos indo. – Sango falou, apressando-se sem sair da sala com Inuyasha. Rin estava insuportável naquele dia e era melhor ficar longe dela. – Ja ne, Rin-chan.

- Ja ne, Rin-chan. – Kagome deu um beijo na bochecha dela e correu para alcançar Inuyasha e Sango. – Matte yo!

Finalmente estava sozinha. Rin estava tão irritada naquele dia que ela mesma estava começando a se incomodar com seu humor de tão desagradável que estava. E tudo por culpa de Sesshoumaru...

Rin rodou os olhos.

Pensava, pensava e seus pensamentos sempre voltavam à mesma pessoa: Sesshoumaru. Como isso era irritante!

Deixou a caneta cair de sua mão e debruçou sobre a mesa; os cabelos presos em um rabo caindo sobre o rosto e a franja cobriu os olhos. Fechou-os por alguns momentos, aproveitando do silêncio do lugar.

Não queria pensar em Sesshoumaru, então por que pensava tanto dele?

O coração bateu mais rápido.

E por que sentia-se tão estranha por causa dele?

Maldito Sesshoumaru que a fazia ter coisas que nunca tivera antes!

Duas semanas depois que se mudara para Tóquio, conhecera Inokuma Sesshoumaru. Desde então ele parecia segui-la por toda parte. Ele insistia em dizer que era apenas coincidência, mas, por favor, tanta coincidência assim é muito suspeito.

As recordações voaram até o dia na casa da Kagome – mais de cinco meses atrás. Depois daquele dia infeliz e do infeliz quase beijo que começara a pensar tanto em Sesshoumaru.

"Viu? É tudo culpa dele! Se ele não tivesse tentando me beijar eu não estaria assim!", Rin pensou, invocada. Um suspiro saiu dos lábios dela, "Mas o que é essa coisa estranha que acontece quando penso nele?".

Ficou ali, sentada, os olhos fechados, distraída, por longos minutos. Quando se deu conta, já estava muito tarde e precisava ir embora antes que Kikyou chegasse em casa.

Arrumou suas coisas e saiu a passos lentos – quase arrastados – em direção ao corredor central da escola. Parou a alguns passos da porta ao se lembrar que tinha que pegar o livro do seu armário. Apressou-se em chegar até onde deixava seus pertences. Soltou a mochila preta no chão e levou a mão para abrir o armário.

- O que faz aqui a essa hora, Rin?

- Kami! – Rin deu um pulo e se virou depressa. Para sua grande surpresa, Sesshoumaru estava se aproximando dela. Ela estava brava com ele, e se virou para o armário, calada.

- Não está um pouco tarde para estar aqui, Rin? – Sesshoumaru parou ao lado dela.

- Eu fico aqui até a hora que eu quiser, e você não tem nada a ver com isso. – Rin falou, procurando em sua bagunça no armário seu livro.

- Seu humor está horrível hoje – ele fez uma careta.

- E o que você faz aqui? – Rin falou, resmungo ao tirar várias tranqueiras do armário para achar o livro. Viu-o no último compartimento do armário e esticou-se para pegar o livro de capa vermelha. Bufou quando ele foi mais pra trás e não o alcançou.

- Vim ver se Inuyasha já tinha ido embora. – Sesshoumaru respondeu, pegando o livro e entregando a ela.

- Ele foi embora há algum tempo. – ela pegou o livro e o guardou na bolsa, fechando a porta do armário com um chute. – Você não devia estar com Kato?

- Como sabe disso? – Sesshoumaru perguntou.

- Então é verdade? – Rin estreitou os olhos.

- Estávamos preparando um projeto para a faculdade. – ele simplesmente respondeu.

- E tinha que levá-la até em casa? – Rin indagou, começando a andar pelo corredor pouco iluminado e longo que a levaria até a saída da escola.

- Do que está falando, Rin? – Sesshoumaru levantou uma sobrancelha, ainda parado no mesmo lugar.

- Ela poderia muito bem ir de trem, mas você é tão imbecil que se ofereceu para levá-la para casa, não é mesmo? – Rin parou a alguns passos dele e se virou.

- Eu não estou entendendo aonde quer chegar com isso, Rin. – Sesshoumaru ficou muito sério, do modo que Rin só tinha visto quando jogara pipoca nele no cinema.

- Deixe-me em paz e vá incomodar a Kato! – Rin voltou a andar. – Daquele jeito sonso dela é bem capaz de não se importa.

- Rin. – a voz dele saiu em tom de repreensão.

- Não quero mais falar com você, Sesshoumaru.

- Rin.

- Não estou te ouvindo! – ela colocou a mão nos ouvidos e continuou a andar. – Lá, lá, lá! – cantarolou para não dar atenção a ele.

- Pare de agir como uma criança mimada, Rin. – Sesshoumaru a alcançou facilmente e a segurou pelo braço, forçando Rin a olhá-lo.

- Eu não estou agindo como uma criança mimada, Sesshoumaru! – ela vociferou. Tentou tirar a mão dele de seu braço, mas não conseguiu e bufou. – Tire sua mão de mim que está me machucando.

- Por que está tão brava assim, menina? – Sesshoumaru afrouxou um pouco a mão no braço dela, mas não o soltou.

- Você e essa Kato... – ela fez uma careta. – Você dois são...?

- Vocês o quê? – ele segurou para deixar seus lábios moverem-se num sorriso, entendendo o que a incomodava tanto.

- Vocês são... Estão namorando? – Rin perguntou, baixando os olhos.

- Isso que está te deixando mal-humorada? – um sorriso apareceu nos lábios dele, sem que conseguisse evitar.

- Você está louco se pensa mesmo que vou concordar com isso. – Rin falou, infantilmente.

Sesshoumaru riu.

- Ela é apenas uma amiga.

Rin deu um suspiro aliviado, disfarçadamente.

- Não precisar ficar com ciúmes. – Sesshoumaru falou em tom divertido.

- Eu não tenho ciúmes de você! – ela quase gritou, levando os olhos para encará-lo.

Sesshoumaru não respondeu, apenas sorriu, e a expressão dela suavizou.

Os olhos castanhos dela encontraram os dourados dele. Suas bochechas ruborizaram, e seu coração palpitou a ponto de poder ouvi-lo.

Sesshoumaru a olhou e tirou a franja que caía nos olhos dela. Deu um passo para perto da menina, sem desfazer o contado visual. Levou as mãos à cintura de Rin. Ela tremia e a bolsa que segurava em uma das mãos caiu no chão, sem que ela tivesse reação, abrindo-se e deixando tudo tombar para fora.

O rapaz a trouxe para junto de seu corpo, segurando-a com os braços fortes. Rin levou as mãos ao tórax dele na intenção de empurrá-lo e fazê-lo se afastar, mas não conseguiu.

- O... O q-que você está...? – a voz dela saiu um fio e os lábios ficaram secos.

- Estou tentando terminar o que começamos na casa de Kagome. – ele falou, inclinando o rosto para ela, ficando a milímetros de distância.

Como um raio a acertando, ela entendeu o que ele queria e gelou.

- Não pense em saber isso e...

- Não estou pensando, vou fazer. – ele falou.

Rin não teve tempo de protesta, Sesshoumaru colou os lábios no dela, roçando-os ligeiramente. Automaticamente fecharam os olhos e ele a segurou mais forte em seus braços.

O coração da garota parecia que ia sair pela boca de tão rápido que batia. Se Sesshoumaru não tivesse a segurado pela cintura, cairia de tão bambas que suas pernas ficaram.

Sesshoumaru entreabriu a boca macia de Rin e adentrou-a com língua ávida pelo gosto dela. Rin não relutou, estava entorpecida. Deixou-se ser conduzida pelo prazer exultante que aquele momento que Sesshoumaru lhe proporcionava.

Quantas e quantas vezes fantasiara depois do que aconteceu na casa de Kagome? Já perdera as contas, mas, sem dúvida, era muito melhor que em pensamentos...

Podia sentir o gosto da boca dele junto a dela e ouvir a respiração também ofegante do rapaz. Sentiu o coração dele bater sobre as mãos pousadas timidamente e trêmulas no peito de Sesshoumaru.

As mãos de Rin apertaram a camisa dele entre os dedos finos e delicados quando o beijo foi se tornando mais rápido e impetuoso.

Sesshoumaru mordeu levemente o lábio inferior de Rin para depois mudar a posição da cabeça e beijá-la com mais ardência, procurando a língua dela de modo frenético.

As mãos de Sesshoumaru percorriam as costas de Rin. Os dedos dele subiram pelo pescoço até alcançar os cabelo dela e afundarem-se nos fios negros e macios.

Rin era inexperiente e não sabia o que fazer com as mãos, mas circulou o pescoço de Sesshoumaru com os braços, amparando-se no corpo do rapaz, sentido-se mais conectado a ele que antes.

Afastaram-se para tomar ar por alguns segundos, mas Sesshoumaru não deu tempo a Rin e uniu os lábios nos dela de novo, procurando a língua dela de maneira quase selvagem. Abraçou mais a jovem, percebendo que ela tremia e arfava.

A jovem não pensava. Toda a razão e autodefesa esvaeceram-se. Apenas sentia o que estava acontecendo. Sentia o gosto da boca quente de Sesshoumaru e da língua em sua boca. Sentia o coração dele batendo mais forte, assim como o dela. Sentia cada parte do corpo arrepiar-se em contato com o dele.

Os olhos de Rin se abriram de uma vez, com a boca ainda junto com a dele, quando seu corpo vibrou e percebeu o que fazia. Como foi se envolver tanto com Sesshoumaru? Não poderia ter deixado isso acontecer... Agora estava sentindo!

Afastou-se dele e levou as mãos aos lábios inchados e vermelhos. O rosto estava muito corado com a vergonha do que acabara de passar entre os dois. Também estava com medo do que pudesse acontecer... Droga! Não queria que ele descobrisse seus poderes!

Sesshoumaru não tirou a mão da cintura dela, e a olhava atentamente.

Os poderes paranormais dela causaram uma explosão. As ondas cerebrais de Rin estavam tão agitadas com as emoções, sentimentos e sentidos aguçados, que fizeram as portas dos armários abrirem, uma a uma, até todas estarem escancaradas.

As lâmpadas sob a cabeça deles começaram a trincarem e o barulho foi insuportável. Os dois olharam para o alto no instante que isso aconteceu e os cacos de vidros quebrados começaram a cair sobre corpo dos dois.

Rin arregalou os olhos; a coloração deles atingiu um vermelho intenso nunca antes visto, brilhando em tom de fogo.

Não viu quando Sesshoumaru a puxou contra a parede para não se machucar com os vidros quebrados, mas acabou por causar um corte profundo na mão esquerda com um dos estilhaços.

As faíscas de fogo causadas pelas lâmpadas quebradas fizeram o alarme incêndio disparar e logo depois água do teto começou a cair. O sistema automático de segurança entrara em ação, liberando água no caso de fogo.

Tudo estava um pandemônio.

Sesshoumaru abraçou Rin e sentiu o corpo dela amolecer nos braços em fração de segundos. Ela perdeu subitamente muita energia com o ataque telecinético desenfreado e estava fraca.

- Sesshoumaru... – ela sibilou; a voz saindo arrastada. – A-ajude-me... N-não c-consigo... Parar...

- Estou aqui, Rin. – ele falou baixinho, tocando no rosto pálido dela. – Não se preocupe, estou com você.

A garota piscou e os olhos ficaram castanhos de novo; lágrimas escorreram pela lateral do rosto. Tentou manter-se consciente a todo custo, mas seus olhos foram ficando sem brilho e a íris dilatou-se, com a pupila negra quase cobrir toda a região.

- S-sesshoumaru... – murmurou o nome dele antes de perder os sentidos e mergulhar numa profunda escuridão; a cabeça pendendo no tórax dele.

Sesshoumaru olhou ao redor quando tudo parou de se mover, e ficou surpreso com a situação do lugar. Os armários estavam com as portas abertas e tudo que tinha dentro foi jogado no chão; os bocais estavam faiscando a ponto de quase ocorrer um curto-circuito, e lâmpadas estavam espatifadas no chão.

Pegou Rin no colo e caminhou para o meio do lugar, virando o corpo 360 graus para ver todo o ambiente. Os poderes dela eram mais fortes do que imaginou. Eram, como o pai deduzira, destrutivos e perigosos.

A água ainda caía sobre eles e deixou-os ensopados.

Os olhos dourados voltaram-se para a menina desfalecida nos braços. Estava pálida e gelada, com o cabelo, agora solto, caindo sobre o rosto deitado no peito dele. Achou melhor tirá-la dali e caminhou em direção ao carro estacionado na rua.

Iria chamar o responsável pelo colégio para aproveitar o fim de semana e mandar arrumar tudo. Sorte o diretor ser um grande amigo de seu pai e não precisaria dar grandes explicações. Ninguém deveria sabe o que aconteceu ali, ou todo o poder telecinético de Rin seria descoberto e ela seria exposta a adolescentes preconceituosos.

Abriu a porta do carro e a colocou sentada do banco, tirando o cabelo do rosto dela. Deu a volta no veículo, entrando para dar partida, saindo pelas ruas de Tóquio cantando pneu, em alta velocidade.

Estava preocupado com a situação da menina e iria conversar com Kikyou. Precisavam urgentemente ajudar Rin, ou temia que o pior acontecesse e ela acabasse se machucando gravemente com o descontrole telecinético...

Sesshoumaru balançou a cabeça para os lados. Não queria nem pensar em perdê-la... Não ia permitir que ela morresse... "Preciso e vou ajudá-la", pensou Sesshoumaru, decidido, "Somente eu sei como fazê-la controlar seus poderes...".

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Notas da Autora – Olá, crianças! Como vocês estão?

Eu sei, eu sei, eu sei que demorei uma eternidade pra postar o capítulo, mas não estou tendo tempo disponível pra escrever e publicar. Sinto muito mesmo pela demora.

Eu gostaria de ter postado no dia 26 de Fevereiro, quando a fic completou 1 ano de publicada, mas passei o Carnaval todo fora de casa e não deu. Peço mil desculpas, e espero que entendam, ok?

Ah, por favor, não deixem de comentar. Pode não parecer, mas esse capítulo foi muito difícil pra escrever, ainda mais que não sei descrever beijos, então preciso de muito reviews pra saber o que acharam, tudo bem?

Hum, outra coisa: eu não respondi aos reviews do capítulo passado, mas tentarei essa semana fazer isso. Novamente peço desculpa, e aguardem que logo terão resposta dos comentários, eu prometo!

Agradeço a Shampoo-chan por revisar o capítulo. Ah, também agradeço a Rin-chan, porque se não fizer, ela vai ter um ataque de ciúmes XD.

Well, acho que é somente, então até o próximo capítulo.

Beijos,
Lis