Capítulo 11- Festival de Verão

As férias de verão estavam acabando e com ela o verão também, para alívio de Akito que tinha passado o restante do verão em repouso seguindo as ordens de Hatori.

Nessa noite ia acontecer o festival de verão e apesar da insistência de Akito em querer ir, Hatori tinha proibido ela de ir no festival. Então ela e Ayame tinham decidido que mesmo não indo ao festival iriam vestir seus quimonos coloridos e veriam a queima de fogos dos jardins de sua casa.

Já era entardecer, Akito estava sentada triste nos jardins olhando as pessoas que passavam animadas usando seus quimonos coloridos indo em direção ao festival. Ayame se aproxima e a abraça por trás, tinha acabado de tomar banho e usava um quimono vermelho estampado.

- Não fique triste, meu amor, é para o se próprio bem, além disso alguém poderia te reconhecer. Vamos,porque não toma um banho e não coloca o quimono que eu lhe fiz?? Poderemos ver a queima de fogos daqui.

- Hai- ela se levanta um pouco inconformada. Mas na hora que vai se levantar sente uma cólica e leva a mão até o ventre.

- O que houve, amor? - pergunta ele preocupado.

- Nada- sorri- vou tomar um banho

E então ela entra e vai tomar um banho, quando está se despindo para entrar na banheira sente outra cólica mas pensando não ser nada, ignora. Toma seu banho, veste o quimono e volta para os jardins.

Ayame sorri ao vê-la usando o quimono branco que ele tinha lhe feito. Aproxima-se dela e a abraça.

- Ficou linda!- acaricia o ventre dela

Akito sorri, mas ele percebe que ela esta um pouco abatida- você está bem? Venha sente-se um pouco- e ele a faz sentar no banco.

- Hai estou bem.

- Então anime-se, prometo que na hora da queima de fogos eu te levo para um lugar que dê para você ver os fogos. A queima está marcada para as oito horas da noite. Mas antes, vamos até a varanda, preparei um jantar especial para nós.

Ele pega na mão dela e a conduz delicadamente para a varanda. Akito continua sentido contrações de tempo em tempo mas acredita ser mais um alarme falso e não se preocupa. Entretanto, não sente fome, apenas toma um pouco de chá.

- Então amor, o que vai querer que eu te sirva?

- Nada, não estou com fome.

- Amor, você está realmente bem? Está me deixando preocupado

- Estou cansada do calor, vou me deitar- diz ela se levantando.

Ayame preocupado vai atrás dela e a encontra parada na porta da casa sentindo dor e com falta de ar- eu sabia- vai até ela- você não esta bem, são as contrações, não são?

Akito faz que sim com a cabeça sentindo uma dor um pouco mais forte.

- Quando isso começou?—preocupado, leva a mão ate o ventre dela para sentir o tempo das contrações- parecem muito próximas umas das outras.

- Faz 1 hora mais ou menos.. não lembro ao certo, mas eu estava bem o dia todo, na hora que eu sai lá no jardim as dores começaram.

Ayame faz ela se deitar de lado e checa o tempo das contrações. Pega o celular e liga para o Hatori.

- Alô Tori-san, é Akito, ela está sentindo as contrações- diz desesperado.

- Calma Ayame, pode ser outro alarme falso, faça ela tomar um pouco de água e deitar,então verifique o tempo das contrações, por via das duvidas estou a caminho.

- Hai- ele desliga o telefone, olha para Akito deitada sentindo dores.

Vai até a cozinha, busca um copo de água e faz ela tomar, está tremulo, mas tenta se manter calmo. Coloca a mão no ventre dela e percebe que as contrações estão aumentando.

- Acalme-se, meu amor, Hatori já está a caminho.

- Aaya, acho que dessa vez não é alarme falso, acho que nossa filha vai nascer essa noite- sente uma outra contração muito forte- Ayame, está doendo muito, as contrações estão aumentando rápido demais.

- Sim, mas não se preocupe, procure relaxar, respira- diz isso mais para si mesmo do que para ela.

Então os dois escutam alguém bater na porta.

- Deve ser Tori-san , já venho- e ele sai para atender a porta- Olá Tori-san, que bom que veio logo.. minha filha vai nascer.. não é um alarme falso.

- Acalme-se Ayame onde está Akito, me leve até ela.

Os dois se dirigem para o quarto, Hatori vai até Akito que está deitada com dor, olha para o quimono dela e vê que está molhado na parte debaixo- a bolsa estourou, Akito há quanto tempo está sentindo essas dores?- diz ele enquanto abre o quimono dela e checa as contrações e dilatação.

- Era umas 5h da tarde quando comecei a sentir as dores, mas não estavam tão intensas assim, Hatori, chegou a hora, não é?

- Sim, precisamos ir rápido para o hospital, você já está em um estágio avançado de trabalho de parto. Ayame, pegue as coisas dela e vamos para o carro, você dirige enquanto eu vou avisando a médica e o hospital para eles deixarem tudo preparado- diz ele pegando Akito no colo e já levando ela para o quarto.

No carro, Hatori liga para o hospital enquanto Ayame dirige desesperado.

- Akito, procure ficar calma, já chegamos no hospital, e não faça força ainda- diz Hatori olhando para ela preocupado.

Cerca de dez minutos depois chegam no hospital, e médica e uma equipe já estão esperando eles na porta do hospital. Akito é colocada em uma maca e imediatamente levada para a sala de parto. Enquanto as enfermeiras a preparam rapidamente para o parto, a médica e Hatori também se preparam.

- Hatori, porque ela demorou tanto para vir para o hospital? Ela já esta em um trabalho de parto avançado, as contrações estão muito intensas e a dilatação ótima par começarmos o parto.

- Eu não demorei para trazê-la, quando Ayame me ligou meia hora atrás a bolsa tinha acabado de estourar e as contrações já estavam bem intensas. Ela me disse que começou a sentir contrações as 5 horas da tarde, há apenas 2 horas atrás, não era para estar tão adiantado assim.

- Ela deve ter tido um inicio de trabalho de parto silencioso, ou deve ter tendência a ter trabalhos de parto rápido, melhor para ela, sofrerá menos.

Uma enfermeira adentra a sala- Doutora, a paciente está pronta para começarmos, ela diz que esta com muita dor e se queixa de falta de ar. ah e o que eu faço com o marido dela que insiste em querer ficar ao lado dela.

- Deixe-o entrar mas peça para ele vir para cá. Dê para Akito um remédio para aliviar a dor e deixe uma mascara e oxigênio caso precisemos, ela teve uma crise de asma alguns meses atrás,então é melhor.

- Sim- e a enfermeira sai trazendo Ayame

Hatori entrega uma toca, avental e luvas para o Ayame- vista isso, lave seu rosto e suas mãos e pode ficar ao lado de Akito, mas já vou avisando, não passe mal, se desmaiar vai ficar estirado no chão.

Ayame se apronta para ir para a sala enquanto Hatori e a médica saem. Instantes depois Ayame também sai da sala de preparação. Na sala de parto, Akito já esta pronta e posicionada para o parto. Ayame vai ficar ao lado dela, segura forte na mão dela

- Não se preocupe, vai ficar tudo bem, vou estar ao seu lado- sussurra para ela e a beija no rosto, está pálido e nervoso mas procura não demonstrar.

- Akito, nós já vamos começar o parto- diz Hatori- procure respirar fundo e relaxar, toda vez que sentir uma contração faça força para baixo, se ficar muito cansada, pare por um tempo e recomece, se sentir muita falta de ar, me avise que temos uma mascara de oxigênio caso seja preciso

Akito, ofegante e transpirando de suor, faz que sim com a cabeça enquanto aperta forte a mão do Ayame. Hatori, a medica e as enfermeiras se posicionam. Hatori irá fazer o parto e a médica irá lhe dar o suporte necessário.

A médica e Hatori guiam e incentivam Akito para que ela faça força, Ayame ao lado de Akito também a incentiva. Cerca de meia hora depois, Aktio parece esgotada e sem forças, mas então Hatori vê a cabeça do bebê.

- Akito, consigo ver a cabeça do seu bebê, faça força mais uma vez, dê o máximo de si que falta muito pouco

Akito respira fundo e dá o máximo de si, sente uma dor forte e grita, um choro de criança inunda a sala se misturando aos fogos de artifício do festival de verão que começam a pipocar no céu há algumas quadras dali.

- É uma menina Akito- Hatori sorri

Akito ofegante e exausta, respira aliviada, tem lágrimas nos olhos. Ayame emocionado a beija nos lábios

- Parabéns meu amor, você conseguiu!

A médica ampara a criança, corta o cordão, enrola em um lençol limpo e vai até Akito- sua filha- sorri e entrega a criança para Akito.

Akito segura a filha desajeitada- Oi querida, bem vinda!- a criança que chorava pára de chorar e se aconchega no colo da mãe.

Ayame se aproxima e acaricia de leve o rostinho da filha. Akito e Ayame tem lágrimas nos olhos. A queima de fogos de artifício no festival é mais intensa.

A médica sorri e se aproxima de Akito, pega a criança de volta- agora ela irá ser medida e pesada, depois você vê ela de novo- sorri e entrega a criança para uma enfermeira que coloca uma pulseira de identificação no braço da criança e a leva dali.

Ayame sorri todo feliz enquanto ainda segura a mão de Akito, ele olha para ela e percebe que ela está pálida e com muita falta de ar ainda

- Akito, o que você tem?- ele olha para ela preocupado

- Não consigo respirar- diz ela ofegante

- Hatori, tem algo errado com Akito- chama Ayame preocupado.

Hatori que tinha terminado o parto e estava tirando as luvas se aproxima de Akito- ela esta tendo uma crise respiratória, onde está o oxigênio?

Uma enfermeira entrega a máscara de oxigênio para ele e ele coloca na Akito- fique calma, procure respirar fundo, já passa- ele aproveita e dá um calmante para ela também. Por conta do oxigênio a respiração dela já começa a normalizar.

A enfermeira arruma Akito e a leva para o quarto. Preocupado Ayame vai atrás. Agora no quarto Akito dorme com a mascara.

- Ela vai ficar bem , Tori-san?- pergunta acariciando o rosto dela.

- Lógico que vai, foi igual da outra vez, a respiração dela já está normalizando, mas deixarei a mascara por precaução por um tempo. Ela está exausta do parto e precisa descansar. Vamos aproveitar e ir até o berçário ver sua filha e depois vamos na lanchonete tomar um chá

Ayame beija o rosto de Akito e sai do quarto. Os dois caminham em direção a UTI neonatal. Eles se aproximam do vidro, Ayame já vê sua filha e acena para ela

- Tori-san, porque ela está na UTI?- pergunta preocupado

- Porque ela nasceu de 8 meses e toda criança que nasce antes do tempo precisa passar um tempo em observação na UTI, sua filha está bem, olhe lá, ela dorme tranqüila, não precisa se preocupar, amanhã ela já estará no quarto com vocês- sorri- Parabéns Ayame, veja se cria mais juízo agora.

Ayaem sorri ainda com a cara colada no vidro- mal posso esperar para ver ela no colo de Akky, porque não poderei segurá-la.

Hatori olha para ele e não sabe o que dizer- Vamos tomar um chá? Tenho certeza que encontrará uma solução para isso.

- Sim

E os dois caminham para a lanchonete.