Apenas faça, Potter

Título: Apenas faça, Potter

Classificação: M

Shipper: Harry Potter and Severus Snape (Adogooo!)

Aviso: Harry Potter não me pertence, é tudo da Jk. Eu não ganho nada com essa fic. Só um sorriso feliz a cada review, então ajude-me a encontrar a felicidade!

Aviso 2: Palavrões, sexo, homossexualismo. Quem costuma ler minhas fics, sabem que é minha marca registrada. Estão avisados.

Aviso 3: A ideia dessa fic surgiu do nada. Bem, eu me peguei questionando como seria se Harry e Snape não tivessem todo aquele problema da inimizade de Snape e James. Severus poderia gostar de Harry? Eles se dariam bem? Eu sempre achei que eles tinham muito em comum, e eu sempre gostei muito dos dois. O resultado ao imaginá-los sem as intrigas dos marotos e sem a marca profunda da guerra na alma de Snape e de tudo que ele foi obrigado a fazer para se tornar um comensal de confiança, está aqui, nessa fic, que ignora o fim do sétimo livro. Algumas coisas, na verdade. Espero que vocês consigam acompanhar minha visão.


Capítulo nove:

Severus estava sentado num canto, mais recluso, bebericando sua cerveja enquanto olhava admirado para a capacidade de seu acompanhante em fazer todos perto de si rirem com uma piada qualquer.¹ O rapaz era fácil de contagiar e ser contagiado. Um dos homens que riam colocou uma mão casualmente sobre um ombro de Harry e Severus teve que se esforçar para não se levantar e mandá-lo pastar.

Estavam há algumas horas em Galway, mas só tiveram tempo de um tour simples pelas ruínas de alguns dos famosos castelos da cidade. Severus se via surpreendentemente atraído pela fascinante beleza das rochas destruídas. Havia algo de... mágico ali. Era encantador.

E quando visitaram um dos castelos restaurados, Severus se pegou cheio de vontade de entrar lá dentro levando suas tralhas. Morar dentro de um castelo. Imagens repentinas dele próprio acordando num aposento de pedras frias, descendo grandes escadarias para um café da manhã num enorme salão e...

E o calor das mãos de Harry estava sobre seu ombro e Severus perdeu o fluxo tão repentinamente quanto veio. Harry estava olhando-o profundamente, um olhar amadurecido que parecia indicar que ele vivera muito mais do que sua idade aparentava. E então ele sorria, convidando-o para almoçar porque aquelas panquecas pareciam ter sido comidas há séculos.

E o momento se foi.

Pub não era o que faltava em Galway. Eles procuraram o que estava mais lotado àquela hora, embora Severus normalmente escolhesse o mais vazio. Eles já haviam devorado no mínimo três dos pratos mais típicos e Severus jurava que não agüentava mais nada além de um copo da famosa cerveja dali, quando Harry contou uma piada para um dos homens que puxaram assunto com eles, um ruivo gordo e sardento. E agora estavam ali. Uma piada atrás da outra. Harry parecia ser o centro das atenções de todos do bar.

Severus soltou um muxoxo, tentando não se irritar. Era uma folga. Ele viera ali com Harry para relaxar.

Então por que não conseguia? Inferno.

Foi num desses momentos, então, que seu olhar cruzou com o de Harry, e aconteceu. Algo foi transmitido. Foi incrível. Snape quase derrubou sua cerveja assim que a cabeça ruiva ao lado de um Harry Potter risonho fosse substituída pela imagem de um Harry Potter mais jovem e pequeno na presença de outro jovem ruivo e sardento pela qual Severus antipatizou de imediato. E ao lado deles uma moça, uma criança, com espantosos cabelos castanhos e volumosos. Os três também se matavam de tanto rir, mas esse Harry usava óculos enormes de aros redondos.

Foi apenas um flash, e agora Severus se via encarando um Harry Potter de sobrancelhas erguidas e sem nenhum traço do sorriso de antes, assim como nenhum óculos.

O que aconteceu? Oh, meu Deus, ele percebeu?

Severus desviou os olhos, se sentindo estranho, como se os pensamentos não fossem todos dele.

Mas de quem poderia ser se estavam na sua cabeça?

O amargo da cerveja de repente parecia demais para sua língua. Tremendo ligeiramente, depositou o copo sobre e mesa e se levantou pedindo licença, suas pernas doloridas como se tivesse corrido uma maratona. Foi até o banheiro, lavou o rosto, e se encarou no espelho. Seu reflexo pálido e perturbado parecia irreconhecível. Seus olhos negros pareciam quase cinzentos, um cinza doente, como ele se sentia. Mas, de repente, os olhos cinzentos se tornaram mais claros, e seus cabelos negros presos atrás de si pareciam clarear também. Outro vislumbre, dessa vez o de um homem loiro com cara de esnobe, que fez Snape sentir um calafrio na espinha.

Abaixou a cabeça e molhou o rosto novamente quando tudo pareceu girar ao seu redor. Apertou os olhos, fincando os dedos no mármore frio. Não gostava daquele homem. Não sabia por que, mas não gostava, embora algo nele lhe despertasse... o que era? Simpatia? Pena?

Voltou a checar seu reflexo, quase temeroso. Eram olhos vermelhos agora que o encaravam. Fendas no lugar de narinas. Um sorriso malicioso na boca sem lábios.

- Severusss...

Snape cambaleou para trás. Bastou piscar para a imagem sumir, mas não importava mais, estava tudo ali, na sua cabeça, como se não tivesse intenção de sumir tão cedo.

Sentiu as pernas cederem, a cabeça pesada. Deus. O que estava sentindo? O que estava acontecendo? Aquilo não podia ser... lembranças, podia? Não podia ser real. Não podia ter sido real.

Pareceu-lhe ouvir uma voz lhe chamando, mas ele apenas apertou os ouvidos e ignorou. Era aquele homem? Aquele com cara de cobra? Ele havia dito seu nome. Ele o havia chamado. Snape não olharia, não se importaria, não queria ver aquele rosto novamente.

- Snape! Você está bem?

Severus mal conseguiu reconhecer a familiaridade da voz e braços fortes já rodeavam seus ombros. Ele tentou aliviar a pressão em seus ouvidos, mas parecia ficar pior. Deixou-se guiar.

Ouviu um estalo, um puxão em seu umbigo, então desfaleceu.


Harry estava assustado. Há muito tempo ele não ficava mais tão assustado, mas ele estava agora e não sabia o que fazer quanto a isso. Snape se lembrava? Harry sentiu-o entrando em sua mente. Harry viu o que ele viu, pouco antes de sair feito um furacão da mesa e Harry encontrá-lo semi-consciente no banheiro, depois de ter desviado a atenção dos irlandeses descontraídos.

E agora Harry estava assustado, porque não sabia até que ponto as lembranças ressurgiram. E se Snape tivesse se lembrado de tudo? O que Harry faria? De uma forma ou de outra, Snape teria raiva dele. Se não tivesse por Harry tê-lo enfeitiçado (como tinha prometido, mas nunca se sabe) teria por Harry ter voltado e tentado ganhar sua confiança. Qualquer que fosse a razão, Harry estaria ferrado se ele tivesse recuperado a memória.

Quando o encontrou desesperado caído no chão daquele banheiro frio, a única coisa que Harry conseguiu fazer foi aparatar de lá com o homem nos braços para a portaria do primeiro hotel que encontrou. Depois de fazer alguns feitiços para confirmar que o homem estava apenas desacordado, Harry se encolheu numa poltrona próxima à cama e optou por esperar o despertar natural ao invés de interferir com a magia. Quando Severus acordasse, ele saberia.

Saberia se, e o quão ferrado ele estava.

- Harry…

Foi o tom e não o seu nome que lhe despertou. Rapidamente se levantou e foi até o homem que tentava se sentar com algum esforço, os olhos negros arregalados.

- O que aconteceu? – ele perguntou e por um momento Harry se permitiu aliviar. Se Snape se lembrasse de tudo, certamente já teria começado a amaldiçoá-lo a essa altura, certo? – Onde… onde estamos?

- Estamos num hotel em Galway. Você estava passando mal, então eu trouxe a gente pra cá...

- Você não chamou um médico, certo? – Severus não gostava de médicos. Era grandinho e entendia bem o suficiente sobre remédios e sintomas para precisar de um médico. Médicos faziam perguntas, e Snape nunca tinha respostas. Era frustrante.

- Ainda não, achei melhor esperar para ver se você acordava... Se quiser que eu chame...

- Não – Snape respondeu rápido demais. – Eu estou bem.

Olhou ao redor, observando o quarto e tentando evitar o momento que Harry faria as perguntas. Porque sabia que ele as tinha.

Snape desmaiara, pelo amor de Deus!

As imagens ainda estavam lá, tatuadas no interior de suas pestanas. Bastava fechar os olhos para enxergá-las.

Aquele foi o primeiro vislumbre que Severus tinha de sua vida passada até agora, mas... será que era mesmo um vislumbre? Não podia ser real, Snape não conhecera Harry em sua infância, era... era impossível, não era? E aquele homem... fantasiado de cobra? Snape sentiu um arrepio.

Encarou seu assistente, que até então não fizera nenhuma pergunta. Snape estava se perguntando quando elas viriam.

- Como você está se sentindo? Quer alguma coisa? Um copo d'água?

Ainda não eram essas as perguntas que ele esperava, mas mesmo assim viu-se acenando em concordância. Sua boca estava seca.

- Água seria bom.

No tempo que levou para Harry pegar um copo d'água na mesinha do outro lado do quarto, Snape se pegou tendo certeza de uma coisa: ele estava ficando louco. Nada daquilo podia ser real, nenhuma daquelas imagens. Não existiria um homem no mundo com aquela aparência, nenhuma fantasia podia fazer aquilo... Não existia a possibilidade de vislumbrar o passado de Harry Potter apenas por olhar nos olhos dele. Snape estava ficando louco, e aquilo tudo fora fruto de uma mente perturbada que precisava mesmo de um descanso.

Harry se aproximou com o cenho franzido de preocupação, o copo com a água numa das mãos e a jarra na outra. Snape aceitou com um aceno de agradecimento.

- Eu estou bem, Potter. – reforçou, quando o rapaz continuou a encará-lo com insistência.

Foi impressão sua ou ele encolheu?

- Certo – respondeu depressa demais, encarando seus olhos com uma espécie de temor.

Snape deixou a cabeça pender para trás, e apertou os olhos.

- O que eu não daria por algumas aspirinas. – Qual era a vantagem de ter uma farmácia quando ele não podia se dispor dos remédios que precisava quando precisava?

- Por acaso... – ele ouviu a voz de Harry dizer, então abriu os olhos outra vez. – Eu tenho algumas aqui comigo.

Harry estendeu o braço livre. Snape não poderia ficar mais agradecido quando viu o pequeno frasco de aspirinas na palma de sua mão.

Harry, por sua vez, permitiu-se relaxar por ter conseguido fazer algo útil, especialmente por Snape ter fechado os olhos e não visto o frasco de aspirina ser conjurado do nada. Estava ansioso, com medo de que algo de repente fosse dito e… Snape não se lembrava, mas não estava querendo dividir o que quer que tenha acontecido com ele. Isso significava…

Significava o quê? Que Snape estava desconfiado dele? Ou apenas que tudo estava confuso demais para conseguir exprimir em palavras? O que teria acontecido dentro daquele banheiro? Teria Snape vislumbrado algo comprometedor do seu passado? Algo que ele não compreendia? E por que, por Merlin, por que estava acontecendo agora? Depois de tanto tempo? Seria a presença de Harry que o estaria influenciando? Será que Harry deveria… se afastar?

Não! Harry nunca poderia… Não agora que… Deus. Agora que o que ele mais queria era poder ficar ali, no mundinho de Snape, ao lado dele…

Estava se sentindo de volta à aula de poções. Aos onze anos de idade. Permaneceu com a mão estendida mesmo quando Snape já retirara de lá as aspirinas, provavelmente agradecendo, já que Harry estava ocupado demais com seus pensamentos ao invés de prestar atenção às palavras do ex professor.

Deixou a jarra de água sobre o criado-mudo e enrodilhou-se novamente em sua poltrona. Esperando por... alguma coisa.

- Você quer voltar agora? Para Dublin?

Foi realmente uma surpresa, não apenas para Harry, mas para ambos, quando Snape se pegou negando avidamente.

- Que horas são?

- Já são quase três e meia, talvez…

- Ainda há muitas coisas para vermos, Potter. Folga. Você está lembrado do significado dessa palavra? Não vou deixar minha viagem de lado por causa de um pequeno mal estar. Além disso, vir para Galway sem visitar os Cliffs of Moher é uma verdadeira tolice.

Harry estava pronto para dizer que um desmaio dificilmente se enquadraria em "um pequeno mal estar", mas deixou pra lá porque realmente queria ver os Cliffs of Moher e realmente não queria que o passeio terminasse.

- Ok, mas se você tiver qualquer indício de que não está passando bem nós vamos direto para casa.

Snape girou os olhos de uma maneira tão infantil que Harry nunca imaginou que veria.

- Sim, mamãe.

SsHpSsHpSsHp

Harry estava certo de que nunca na sua vida vira algo tão bonito. Estendeu os braços, fechando os olhos, rindo feito uma criança. O que não daria para ter sua Firebolt agora? A visão era espetacular. Ele olhou para Snape, que preferia manter uma distância mais segura da borda do penhasco, e sorriu genuínamente para o homem. Era como se nada mais importasse ali. Como se a vida de ambos antes e depois de Voldemort não tivesse a mínima importância. Como se as preocupações anteriores não fossem nada se comparadas a sensação de liberdade que o dominava naquele momento. Só o que importava era a vista divina a sua frente, o vento murmurando incoerências em seus ouvidos, os olhos de Snape a perfurá-lo, registrando cada expressão, cada reação... Só o que importava era ele e Severus. E os olhares que eles mantinham um sobre o outro naquele momento.

Eles haviam feito um lanche que Snape havia levado numa cesta, sobre uma toalha xadrez, que fez Harry sorrir como um tolo ao concluir o quanto aquilo parecia clichê. Um piquenique a dois ao entardecer nos penhascos de Moher. Harry e Severus.

Era difícil de acreditar. Mas era delicioso.

Snape ergueu as sobrancelhas quando Harry estendeu o braço na sua direção.

- O quê?

- Venha, Severus.

- Por quê?

- Você não pode perder isso. Venha ver.

De jeito nenhum, Severus queria dizer. De maneira alguma ele chegaria perto da borda daquele penhasco.

Mas não era isso que seu corpo parecia dizer conforme se inclinava para frente e deixava seus dedos serem entrelaçados pelos do rapaz de cabelos bagunçados que, aos poucos, conquistara seu coração.

Ele permitiu que seus olhos se desviassem por um momento para confirmar a beleza do pôr do sol e o efeito que ele tinha sobre as águas. Perdeu o fôlego conforme, lentamente, o sol se punha.

Sentou-se, sem desviar os olhos, para aproveitar melhor cada momento. Percebeu Harry seguindo-o pouco depois, sem fazer barulho, quase como se fosse pecado interromper aquele momento sagrado de tanta beleza.

- Nosso horário está terminando. – disse Harry, mesmo hesitante em interromper o momento, ao ver algumas poucas pessoas que ainda restavam lá voltando por onde vieram.

Severus fez um aceno positivo sem, contudo, desviar os olhos na luz alaranjada que inclinava-se na direção das águas escuras, como um amante sussurrando sensualmente para o outro. Seduzindo. Hipnotizando.

E Harry não conseguia parar de olhá-lo.

A expressão tão livre como ele nunca vira. Tão tranqüila. Passional. Os olhos brilhando, refletindo a luz do sol, e… e algo mais. Algo que ele não conseguia identificar.

Severus sabia que estava sendo observado. E aquilo, mesmo sem saber por que, aquecia seu coração de tal forma que ele sentiu sua respiração irregular. Suas mãos suaram, apesar do frio.

Seus lábios tremeram.

Expectante, Severus se voltou para o rapaz ao seu lado, e seus olhos piscaram quando ele encontrou as esmeraldas verdes voltadas para si, muito mais próximas do que ele estivera esperando. Ele engoliu em seco. Molhou os lábios de repente secos para dizer algo, mas qual não foi a sua surpresa ao perceber que as palavras haviam simplesmente fugido para longe de si? Era como se elas tivessem se jogado precipício a baixo, deixando apenas conjugações e preposições e nomes – um nome - que não faziam sentido algum aleatórias daquela forma, rodopiando feito a fumaça de uma chaleira de água fervente na sua mente vazia de qualquer pensamento racional.

Harry se aproximou mais, como que sendo puxado, assim como o sol era atraído para cada vez mais perto do mar, ele era atraído até Severus. Um imã poderoso e sedutor.

Foram os lábios de Harry que tremeram dessa vez. Havia uma formigamento de expectativa dominando sua boca. Solavancos em seu estômago. Um arrepio subindo por sua espinha; quente, frio, quente, frio… Os pelos de seu braço se arrepiaram. Suas pálpebras tremeram.

Então ele parou. Num surto de consciência ou idiotice, Harry não sabia bem. Sabia apenas que ele tinha que controlar a gravidade que o puxava para cima do outro, porque, por Merlin, aquilo tinha que partir de Severus. Ele tinha que saber se o homem estaria confortável. Ele não poderia forçar a barra e correr o risco de perdê-lo... Ele deu o primeiro passo, agora dependia de Snape.

Ele aguardou. O coração apertado. Os lábios sofrendo pela abstinência de algo que ele nunca teve. Os dedos foram enfiados nas rachaduras entre as rochas, para se segurar, para pararem de tremer… Estavam tão próximos que Harry podia sentir a respiração irregular do homem batendo contra seu rosto. Ele podia sentir o perfume de ervas que se desprendia dele. Ele podia sentir e ele queria tanto experimentar…

Poucos segundos pareceram intermináveis, mas ele manteve-se resoluto. Ele não daria o próximo passo, mas tampouco recuaria. Ele agüentaria. Era o menino-que-sobreviveu, por Merlim!

Mas sua tortura chegou ao fim quando, após fazer um ruído inesperado que Harry poderia mesmo considerar como desesperado, se quisesse, Severus inclinou-se para frente. Para frente. Para Harry, por fim!

E a felicidade explodiu dentro dele. E o desejo. A urgência.

O toque era apenas um roçar, nenhum dos dois fazia pressão. Havia a doçura e a leve hesitação de todos os primeiros beijos de amor; mas havia também aquela necessidade de mergulhar, chegar perto, se deixar consumir pela chama da paixão que queimava por baixo da pele. Fervia, engolia a sanidade como labaredas de um fogo ardente e viciante, embora confortável.

O ar escapou. Severus se afastou, e Harry se esforçou para não choramingar com a falta de contato. Abriu seus olhos, e o que viu... O brilho das pupilas dilatadas… a expressão enlevada de Severus… Harry choramingou sim. Ele queria o contato de volta. Ele queria aqueles lábios de volta. Ele queria tudo de novo e muito mais que antes. Ele queria Severus Snape inteiro beijando-o intensamente e causando mais daquele calor que cozinhava suas entranhas.

Foi como se tivessem combinado dessa vez. Ambos inclinaram-se para frente; as bocas se encontram já abertas, molhadas, despertando sensualidade; excitando. Harry passou a língua sobre o lábio superior de Severus, na ânsia de sentir seu gosto. Severus gemeu e mordeu com certa força o lábio inferior de Harry. As línguas se encontraram juntas, entrelaçaram, e as bocas se fecharam uma sobre a outra, iniciando um beijo curioso que se encaixou rapidamente e os levou à loucura.

Harry soltou as rochas e segurou firme no colarinho da camisa de Severus, deslizando rapidamente uma das mãos para os cabelos negros, entrelaçando-os, puxando-os para mais perto de si. E Severus…

Severus estava fora da sua sanidade. Aquilo parecia simplesmente tão simples! Era só ele e Harry. Ele beijando alguém que tanto queria beijar, que ocupara tamanho espaço na sua vida em tão pouco tempo que ele já não tinha mais consciência do que considerava como seus princípios morais. O que era importante em definir sua sexualidade quando tinha lábios tão deliciosos encaixados nos seus e aquela língua festejando em sua boca? Aquelas mãos enroscadas em seu coro cabeludo fazia maravilhas com seu corpo. E aquele era Harry. Por quem ele morrera de ciúmes – oh, sim, merda, ela tinha que assumir, morrera sim! E, deuses, por que ele demorara tanto para ter esse garoto nos braços? Era tão malditamente bom!

Severus segurou a face do garoto com as duas mãos, quase como se tivesse que fazer isso para provar a si mesmo que estava sentindo todo aquele prazer por beijar um rapaz. Um rapaz! O início quase imperceptível da barba por fazer estava lá, e Severus só conseguiu se excitar mais com aquilo. Sim, era Harry ali! Sim, ele estava beijando Harry Potter e, meu Deus, estava ficando excitado com isso. Com um beijo!

Mas que beijo! Severus não se lembrava de algum dia ter perdido o fôlego daquela forma e, mesmo assim, continuar, e continuar...

Harry gemeu quando uma de suas mãos desceu até o pescoço do rapaz, acariciando-o, sentindo-o. Severus respondeu beijando-o com mais força, sugando seus lábios de tal forma que só de pensar no quanto eles ficariam vermelhos e apetitosos deixava-o com ainda mais vontade de beijá-lo. Levou um certo susto quando seus lábios se separaram por um milésimo de segundo apenas para se colarem novamente, e dessa vez, havia uma pressão contra seu peito. Harry... Harry de alguma forma fora parar no seu colo. Ali, a menos de um metro da beira do precipício. Num local público. Eles só podiam estar loucos e…

OhmeuDeus, aquilo contra sua barriga era a ereção de Potter? Snape quase engasgou. Foi como se o membro desperto de Harry enviasse uma mensagem ao seu semi-ereto. Sim, era isso o que era queria e sim!, ele precisava de Harry, ele desejava-o e nunca nada pareceu tão excitante em toda a sua vida.

Ele estava quase a espalmar as duas mãos nos quadris de Potter – dane-se a moral! – e a enchê-las com a carne abundante que ele já tinha reparado que havia ali, quando num surto doloroso de consciência se lembrou de onde estavam. Parou a meio caminho do toque, e numa força descomunal, desgrudou os lábios. Teve que segurar a face de Harry para que este não continuasse a insistir quando percebeu sua intenção. Ele o encarou, visivelmente frustrado, as bochechas coradas, as pupilas dilatadas, e os lábios tão apetitosos quanto uma ameixa madura. Era a verdadeira imagem do pecado.

Severu tentou falar racionalmente.

- Você… Pessoas… O hotel?

Harry soltou o ar, seu cérebro funcionando rapidamente. Não tinha fechado a conta ainda... Mas até chegarem lá... como ele queria aparatar, deuses!

- Certo – resmungou, forçando a se mover. Estava difícil. Só conseguiu porque o olhar de Severus… o olhar era um olhar de promessas quentes que ele se disporia a avidamente cobrar. – O Hotel. Vamos ao hotel.

Sem um último beijo – que ele não tentou dar porque sabia que não conseguiria se afastar novamente, Harry se levantou e ajeitou as roupas, estendendo a mão para ajudar o outro bruxo. O simples toque de suas mãos fez com que ambos se encolhessem

Tão. Excitados.

- Ao hotel – Severus repetiu, e Harry fez um aceno com a cabeça, agradecendo aos deuses pela roupa de frio que disfarçava seu estado.

Ao hotel.


*1: Outro dia, buscando mais sobre Galway, vi o depoimento de uma moça que disse que pra ganhar amigos por lá basta você contar uma piada. Eles são simplesmente viciados em piadas.

Desculpa a demora guys! E em minha defesa, digo que esse capítulo valeu a pena! (Valeu, não valeu?) E o próximo valerá ainda mais!

Prometo escrever um lemon bem decente para vocês!

Agora eu tenho que deixar meus agradecimentos a Rafaella Potter Malfoy e a Kelly Hernandes que escreveram reviews gigantescas que eu adorei ler! A Dandi, Gabri Chaplin, lud, Juliana C, AB Feta, , Anne Marie, Miriette, que fizeram uma autora feliz no capítulo passado!

E a todo mundo que vem mandando review. Poxa, gente, vocês não sabem como me deixam feliz!

s2

Ao hotel.

Ps: Esse capítulo teve que ser repostado dia 30/08 as 9:35 porque a autora foi muito burra e esqueceu de por uma notinha aqui e uma frase que se perdeu no meio do texto. Vai saber.