Eu não vivia mais. Para quê? A vida não tinha mais sentido... Este se foi com a Bella. Pelos constantes telefonemas de Alice, eu pude perceber que ela ainda estava na cidade. Não sei dizer se isso era bom para mim... Uma parte minha queria reconquistá-la, arrastar-me aos seus pés, se fosse necessário, só para tê-la de volta. Mas a outra parte me lembra que eu já me arrastei aos seus pés, e que isso de nada adiantou.

A primeira parte parecia gostar de me ver sofrer: imagens de todos os nossos momentos juntos, desde o nosso primeiro beijo, até a nossa quase primeira noite, apareciam em flash pelos meus olhos. Eu começava a me lembrar de todas as besteiras que eu fiz, de como eu não merecia tê-la, de como melhor ela poderia estar sem mim...

Mas a segunda parte era a pior: nela, bella aparecia como uma deusa. Ela era a encarnação da beleza, da doçura, da inocência. Então eu aparecia na sua frente, e sua expressão calma transfigurava-se em uma de puro ódio. Ela dizia que iria embora, que eu só a fazia sofrer. Ela não me amava mais... Não me queria. Eu chorava, muito. Mas tudo o que ela fazia era me encarar, e quando eu me acalmava um pouco, ela partia – para sempre.

Não sabia mais quando estava dormindo ou acordado. A vida toda era um pesadelo. Não saberia dizer se era o meu subconsciente ou os meus pensamentos que me atormentavam. Eu definhava no meu quarto. Todos estavam preocupados comigo, minha tia praticamente não saía da minha porta. Carlisle dizia que eu ficaria doente sem comer por todos aqueles dias, mas eu pouco me importava. Jasper nem ficava mais perto, dizia que só falaria comigo quando eu percebesse a burrada que eu estava fazendo. Emmet pegou a péssima mania de ficar fazendo piadinhas sem graça na porta do meu quarto, tentando me fazer rir. Isso durou pouco, porém. Jasper e Emmet foram embora, tinham que arrumar suas coisas para Brown. Eu devia também, me arrumar para Oxford, mas não tinha ânimo. Eu ficaria em Forks até o último instante...

Tudo era um suplício para mim, desde abrir os olhos até respirar. Mas nada era uma tortura pior do que Alice.

Ela insistia em dizer-me para falar com a Bell, fazer de tudo para tê-la de novo. Não foram poucos os seus planos, mas nenhum surtiu efeito em mim. Eu posso soar emo, por preferir me lamentar do que agir, mas eu tinha certeza de uma coisa, a única coisa que me impedia: Bella não mais me queria por perto, ela foi explícita quanto a isso. Ela também disse que me amava, mas eu duvido muito... Quem ama não deixa o outro para trás. Quem ama luta. Hoje não era diferente... Como o de costume, Alice pulou a janela de meu quarto (o que não era muito difícil, pois as nossas sacadas eram praticamente coladas) e me atormentava pedindo para ver Bell:

- Alice, eu não vou. Pare com isso, por favor.

- Edward! Vocês dois são muito burros! Se amam e ficam aí... Fingindo não se importar.

- "Fingindo não se importar"? Eu me importo! E muito!

- Não se importa não!

- Me importo tanto que não vou atrás dela. Ela não queria isso... Ela acha melhor não ficarmos mais juntos. E eu vou respeitar sua decisão.

- Uma decisão muito estúpida, por sinal!

- Não importa. Foi o que ela quis, e assim será feito. Nunca mais haverá Bell e Edward.

- Edward, hoje é a última noite dela aqui... Você pode mudar isso. Não entendo, Emmet e Jasper já foram, mas você decidiu ficar aqui, se punindo. Por que não vai procurá-la, ao invés de ficar aqui se lamentando? – Eu também havia me perguntado centenas de vezes o por quê de eu continuar lá. Talvez eu seja mesmo masoquista. Talvez eu goste de sofrer, ficando em lugares cheios de suas lembranças... Talvez eu quisesse mesmo vê-la: conferir se ela queria mesmo partir, se ela não teria se arrependido...

- Alice, já a pedi para me deixar em paz. – Seus olhinhos verde-claros se encheram de lágrimas. Eu não gostava de ver a minha priminha assim, mas, se eu fosse mesmo procurar Bell, não queria que ninguém soubesse. Não sei o motivo... Talvez orgulho ferido. E se ela me dissesse 'não' de novo?

Provavelmente para não vê-la chorar, ela saiu rapidamente do meu quarto. Esperei mais algumas horas, até que todo mundo estivesse adormecido, e saí.

A noite estava excepcionalmente clara, e, quando olhei para o céu, vi uma lua cheia. Talvez nem tudo estivesse perdido...

Dirigi rapidamente, chegando em um tempo extraordinário à casa de Bell. Encontrei todas as luzes apagadas, e percebi que era tarde – todos estariam dormindo. Que tolice a minha, como eu falaria com ela, como insistiria em nós, se ela estivesse adormecida? Circundei a casa, parando na floresta que havia na parte de trás. A janela dela estava voltada para aquele lado... Talvez eu pudesse acordá-la.

Não, jamais. Eu já a fiz muito mal, não perturbaria seu sono também... Eu estava me preparando para voltar para casa, completamente estressado por ter falhado no meu propósito, quando a luz de seu quarto se acendeu. Bem, talvez ela estivesse com insônia... Eu poderia conversar com ela.

Em uma espécie de galpão, Charlie guardava seus hobbies, tanto quanto uma escada grande o suficiente para alcançar o quarto de Bell. Peguei-a, e a coloquei ao lado de sua janela: não queria assustá-la. Fiz tudo muito silenciosamente, e, quando alcancei seu quarto, a luz já estava apagada novamente. Estava quase descendo a escada, quando pude ouvir, baixinho, um choro. Bell sofria... E eu era o único culpado. Um bolo se formou na minha garganta, e eu também senti vontade de chorar. Mas aí eu me perguntei: "culpado de quê?".

Afinal, qual era a minha culpa... Por que eu me sentia assim? A culpa era só dela... Ela decidiu terminar, ela não me aceitou. Eu nunca a fiz mal (bem, não recentemente), mas ela havia me feito mal. Eu passei a última semana trancafiado em meu quarto, sem comer ou dormir direito, punindo-me por não ser bom o suficiente. Sempre me perguntando o por quê de eu ter que ser tal canalha... Mas eu esqueci de ver que ela era culpada também. Na verdade, a total culpada. Se estávamos sofrendo agora, era por causa dela. Se ela chorava, era porque ela assim o quis, negando a minha proposta de casamento. Não era o meu dever consolá-la... Ela não merecia. E eu era um idiota de pensar que deveria.

Olhei novamente para o céu, subitamente escuro. A lua não estava mais ali, toda a luz se fora. Era a perfeita analogia de minha vida: um eclipse. A razão estava inexistente, não havia mais sentido. Ainda assim... Em pouco tempo estes voltariam. E a lua brilharia mais do que nunca, como se nada tivesse acontecido. E era exatamente isso o que eu faria.

Ela quebrou o meu coração, eu pouco devia me importar com seus sentimentos. Ela atraiu o sofrimento para si mesma... A única dor com a qual eu deveria me importar era a minha. Eu tinha que provar a Bell que eu não mais me sentiria mal, que eu havia passado por cima dela. Bell... Não, Isabella. Nunca mais a chamarei pelo apelido carinhoso. Isabella era passado agora, eu não definharia por sua culpa. Eu me divertiria... A começar por agora.

Em um surto de rebeldia, peguei o carro novamente. Fui à casa de Lauren. Era perfeito: ela havia se oferecido para mim milhares de vezes anteriormente, era linda, e Isabella odiava. Uma vingança perfeita...

Eu estava na frente da casa da Lauren. Pelo que eu pude ver seus pais não estavam em casa – o carro não estava na garagem. Ela ainda estava acordada, eu podia ver que a TV em seu quarto estava ligada pela janela. Tinha certeza que ela estava sozinha. Toquei a campainha, e vi um vulto se formar na sua janela. Após alguns momentos, pude vê-la com clareza. Ela pareceu surpreendida, mas feliz a me ver:

- Edward? – Ela disse suficiente alto de sua janela. Fui até um feixe de luz, e a respondi:

- Sim... Posso entrar? – Ela sorriu, safada.

- Claro... Estou descendo. – Em menos de um minuto ela estava à porta. Não pude deixar de perceber a quão linda ela era. Suas longas e torneadas pernas apareciam sob o micro-short do pijama justo que ela vestia. Uma blusinha de alcinha complementava o conjunto. Por mais frio que estava ali fora, ela não parecia se importar... Bem, ela era mesmo quente.

Não perdi tempo. Passei rapidamente pela porta, batendo-a. Puxei Lauren contra mim pela sua cintura, e comecei um beijo que ansiava por sexo. Não era a mesma coisa de quando ficava quente com Isabella, mas... Empurrei-a contra a parede do corredor, e arranquei sua blusa. Ela era deliciosamente branca... Não tanto quanto Isabella, mas ainda assim... (por que eu estou pensando nisso? Foco, Edward!). Seus seios perfeitamente redondos e do tamanho certo estavam arrebitados. Os bicos estavam rígidos, ela parecia sensível a cada toque meu. Afastei-me um pouco para encará-la. Ela possuía um sorriso travesso, e eu comecei o beijo de novo, dessa vez descendo por seu pescoço e parando em seus seios. Sem ter para onde correr (como se ela quisesse), ela colocou suas pernas em torno da minha cintura. Estremeci ao ter um contato maior, e o meu membro (há muito rígido) praticamente implorava por estar dentro dela. Escutei alguns gemidos, e achei melhor ir para o quarto.

Eu praticamente corri, tal a minha necessidade. Bem, eu não necessitava dela, eu necessitava de sexo, de vingança. E Lauren era a válvula perfeita para isso. Minhas mãos passeavam pelo seu corpo, e deitei-a sobre a cama. Subi em cima dela, e a ajudei a retirar as minhas próprias roupas. A essa hora, seu short já era... Eu nem lembrava o que tinha acontecido com ele. Sem mais nem menos, arranquei sua calcinha. Coloquei um de meus dedos dentro de sua cavidade (ela já estava molhada), e comecei a brincar com ela – a faria implorar. Seria assim, à partir de agora: eu nunca mais imploraria à uma mulher, seria sempre o contrário.

- Ed-Edwa-ard... Por favor. – Ela disse ao meu ouvido. A encarei por um segundo, pus a camisinha, e a penetrei. Não me importei com o seu prazer, não queria nem saber. Fiz o que achava melhor para mim, e ela parecia gostar disso, pelos arranhões que eu consegui ganhar nas minhas costas. Atingi o orgasmo antes dela, gozando, e logo saí de cima. Ela pareceu irritada, mas não disse nada. Sem uma palavra, levantei-me, vesti-me, e fui embora. Se ela quisesse, que me procurasse. Eu partiria amanhã, o mais cedo o possível.

Nem olhei as horas quando cheguei – sabia que era tarde, e só. Deitei na cama vestido mesmo, e acordei na mesma posição em que dormi. Eram 11 horas, o vôo de Isabella partia daqui cinco horas. Nem sei por que eu ainda pensava nisso... Ela era uma parte do meu passado, e só. Tomei uma ducha rápida, vesti qualquer coisa e fui tomar um café rápido. Alice estava no telefone, quando desci:

- Bella, não! É você quem tem que entender! Essa é a pior besteira que você já fez na sua vida! E a que vai fazer, provavelmente. Edward ainda está na cidade, talvez vocês possam conversar e voltar a como tudo estava antes... – Ela se calou por um momento, e eu fingi que não sabia com quem ela estava falando. A campainha tocou, e eu fui atender à porta. Não foi surpresa nenhuma ver Lauren lá, com um grande sorriso. Ela nem me deu oi, já foi me agarrando. Eu a beijei fortemente, e Alice nos encarou enojada. Pelo menos ela ia parar de me irritar com essa história...

- É, você tem razão. – Ela disse seca ao telefone. Não escutei o resto da conversa, que se foda... O café da manhã também não me parecia uma boa idéia agora. Arrastei Lauren para o meu quarto, e a possui novamente. Era bom, não posso negar... Mas também não posso deixar de imaginar o quão melhor seria se fosse com Isabella.


- Volte mais vezes, Edward. Eu senti a sua falta. – Minha tia dizia, chorando, no aeroporto de Seattle. Eram 23 horas, e meu vôo saía em quinze minutos.

- Vou tentar. – Menti, sem querer magoá-la. Ela sorriu um pouco, e me livrou de seu abraço, só para meu tio me puxar para outro.

- Não fique assim... Vocês ainda vão terminar juntos, acredite. – Ele sussurrou ao meu ouvido, referindo-se a Bella.

- Isso não vai acontecer tio, eu não quero mais. – Disse em voz alta, e um clima estranho pairou sobre nós, assim que quebramos o abraço. Para tentar desviar de assunto, Esme começou:

- Eu não sei por que Alice não quis vir... Ela sempre gostou tanto de você, Edward! – Pois eu tenho uma boa idéia do por quê que ela não veio...

- Eu também não sei, tia. – Menti de novo. – Talvez ela estivesse indisposta... – Chamaram os passageiros do meu vôo novamente, e eu terminei as despedidas rapidamente. Entrei no avião, e dormi a viagem inteira. Eu estava indo para a Inglaterra, fazer a faculdade. Minha mãe já havia enviado as minhas coisas para lá, eu só precisava conhecer o meu novo companheiro de quarto. Tudo estava se ajeitando na minha vida sem Isabella Swan...


Estava na faculdade há dois anos.

Não me lembro muito bem do tempo que se passou, tudo foi muito indistinto. Não vi mais a minha família, os únicos com quem falava eram minha mãe e meu pai. Até Emmet não fazia mais parte da minha nova vida. Não vi mais Jasper, ou conversei com Alice e Rose. Aos poucos fui parando de pensar em Isabella... Reduzi para apenas umas três vezes ao dia. As mulheres iam e vinham na minha vida, mas nunca ficavam. Eu não me importava: era assim que eu queria.

Hoje era um dia diferente. Meu melhor amigo, meu companheiro de quarto, Jacob Black, ia completar seus estudos em Yale. Não pude refrear as lembranças de Isabella... Ela estava lá também. Mas eu duvidava muito que eles se conhecessem, as probabilidades eram muito poucas. Mas isso também não faria a menor diferença – Jacob não sabia de sua existência. Por que eu lhe contaria uma coisa dessas? Ele não sabe nada da minha "vida passada"... Para ele só há o Edward do presente.

O levei para o aeroporto, e lá nos despedimos. Nunca fui bom em despedidas... Somente o abracei e prometi manter contato. E foi o que eu fiz.

Agora seis anos haviam se passado. Eu estava formado em medicina, e Jake estava formado em Engenharia Mecânica. Conversávamos toda semana, ao contrário do que eu fazia com a minha família. Querendo ou não, eu sentia a falta deles. E era isso o que me levou a tomar a decisão de voltar. Eu ficaria em Nova Iorque, na casa de Jake e da sua namorada, Bella. Eu estava extremamente ansioso para encontrá-la... Porque eu sabia: era a mesma. A Bella dele era a minha antiga Bell. Mas eu não o contara... Eu ainda estava cego pelo meu desejo de vingança. E o que seria mais divertido do que vê-la desesperada ao ver que eu moraria na mesma casa que ela?

Eu estava no telefone com Jake agora, conversando com Jake.

- Eu já a perguntei. Está tudo bem você morar com a gente. – Ele me disse, e eu quase pulei de alegria. Aquilo seria engraçado...

- Então está bem... Eu chego aí amanhã.

- Ok, mas eu não vou poder te pegar no aeroporto. Tem algum problema?

- Não, eu vou direto mesmo. Eu tenho o seu endereço. Mas... Jake, me diga: ela ainda está te dando aquela greve de sexo? – Perguntei, prendendo o riso. Ela havia feito exatamente a mesma coisa comigo...

- Não é bem uma greve... – Ele disse encabulado. – Afinal, a gente ainda nem... Você sabe. Mas eu a respeito, ela fará quando estiver pronta... Eu me lembro que um dia...

- Tudo bem cara, eu não preciso de detalhes sórdidos. Eu vou desligar, a Tanya chega em alguns minutos, e eu quero aproveitar. A gente se vê amanhã, Ok?

- Tudo bem, cara. Se cuida.

- Você também.

Definitivamente... Morar em Nova Iorque seria interessante.

N/A: Acho melhor não falar nada – quem sabe assim eu me livro de ser perseguida pela rua? Mesmo assim, vou arriscar e pedir: comentem muito!

- xoxo

Pâm P. =]