Capítulo dedicado à aniversariante do dia: Manu :)

Feliz aniversário, gata. Que todos os teus sonhos se concretize (inclusive self semi)

Sem mais delongas, boa leitura.


17 anos atrás – New Haven, Connecticut – Dormitório da Universidade de Yale.

Os corredores se encontravam totalmente desertos e o relógio analógico no topo da parede avisava que logo o sol estaria nascendo. O silêncio absoluto só era cortado pelas risadas baixas que as duas jovens compartilhavam desde que entrara no prédio acadêmico. Demi carregava sua própria sandália na mão esquerda já que a direita segurava firmemente em uma das mãos de Selena.

- Shhh.. – Demi puxou Selena para trás de uma pilastra quando ouviu o som de porta se fechando. Selena teve sua risada abafada pela palma da mão da Lovato colada em sua boca enquanto a mais nova avistava a senhora de meia idade trancar o armário do zelador. - Nunca mais vou deixar você beber. - Sussurrou para a Gomez assim que viu a senhora ir na direção oposta das duas.

As provas finais haviam terminado e com elas mais uma passagem de classes. Embora Demi estivesse acostumada com as festas de fins de semanas, Selena dificilmente pisava no solo de uma. Poderiam encontrar Selena nas salas de aula, na biblioteca, no próprio dormitório ou até mesmo deitada no gramado do campus, mas quase nunca a encontrariam em uma das festas semanais de Yale. Demetria, por outro lado, conhecia cada fraternidade, bebida e pessoas daquele lugar como se fossem a palma de sua mão.

Ambas desfrutavam daquela divergência. Selena era a parte racional das duas enquanto a Lovato era a parte aventureira e impulsiva. A estabilidade de Demetria era Selena e a instabilidade de Selena era Demetria, o que as proporcionavam o equilíbrio perfeito.

- Sãs e salvas. - Demi suspirou aliviada ao trancar a porta do quarto que compartilhavam e virou-se, encontrando Selena já esparramada em sua cama. - Não tão sãs. - Riu baixinho observando a Gomez abraçar o travesseiro.

- Cale a boca porque tudo isso é tua culpa. - Selena retrucou com um tom falso de braveza.

- Minha? - Riu, despindo-se da jaqueta de couro preto que usava. - Eu não lembro de ter te obrigado a beber todas aquelas tequilas. Eu nem sabia que você gostava de tequila pra inicio de conversa.

- Meu sangue é latino. É óbvio que eu amo tequila. Você não deveria ter me levado nessa festa. Amanhã a minha cabeça vai parecer ter sido sapateada por um elefante.

- Tudo bem. - Demi abriu o zíper da calça jeans que usava e começou a arrastá-la para baixo, ficando com uma simples calcinha branca. - Eu não vou mais te levar para essas festas.

- Nããão! - Selena guinchou indignada. - Eu gostei! Não é pra você parar de me levar! - Demi não controlou a gargalhada alta com a confissão da Gomez.

Selena não fazia o tipo 100% certinha, como também não fazia o tipo 100% festeira. Ela se localizava em algum lugar no meio daqueles dois extremos e isso encantava a todos que a conheciam. A latina detestava as babaquices que encontrava naqueles tipos de festas, mas também amava esquecer da realidade por algumas breves horas enquanto dançava e sorria na companhia de algumas bebidas. Aquilo, de alguma forma, a fazia lembrar de seu tempo no colegial, onde frequentava as festas junto com sua prima Priscilla.

- Dems? - Selena chamou meio enrolado quando viu a morena prestes a entrar no banheiro. - Posso te fazer uma pergunta?

- Claro. - Demi colocou a toalha que segurava em um dos ombros e amarrou os cabelos longos em um coque alto.

- Como que é.. Tipo.. - Selena gesticulou um pouco e Demi franziu o cenho. - Você sabe.. - Gesticulou um pouco mais.

- Pode perguntar, Sel. - Sorriu ao notar o desconforto da latina.

- Assim.. - Selena pausou e Demi riu mais um pouco. - Qual é a diferença de ficar ou talvez até transar..

- Com uma mulher? - Concluiu a pergunta, olhando na face corada da Gomez que concordou com a cabeça.

Selena não tinha nenhum tipo de preconceito sobre sexualidade e isso era um fato incontestável. Era uma simpatizante do movimento, mas nunca ocorreu-lhe de se envolver com alguém que não fosse do sexo masculino. Não era uma opção própria, não era algo que ela mesmo determinava. Sempre teve o cara que quisesse nas mãos e nunca ocorreu-lhe de ter uma mulher nela interessada, com exceção de Demetria. Entretanto, toda e qualquer investida que Demi fizera quando estavam se conhecendo, fez com que Selena não a levasse a sério. A Gomez não sabia se era o jeito descaradamente sem vergonha da Lovato ou o sorriso fofo que a mais nova exibia sempre que era rejeitada, só sabia que sua relação com Demi era algo que se tornava precioso a cada dia que se passava.

- Você querer saber sobre isso é uma grande surpresa. - Demi cortou o silêncio, aproximando-se da cama de solteiro que a latina ocupava.

- Eu sei. - Selena suspirou, observando a Lovato sentar na beirada no colchão. - É que eu vi você e a Alycia lá na festa… - Pausou, brincando com a dobra do lençol.

- Oh. - A mais nova riu divertida. - Então você estava me observando.

- Não, sua idiota. Vocês só não estavam sendo muito discretas. - Retrucou.

- Bom, eu não tenho culpa se ela é gostosa. - Deu de ombros, causando um rolar de olhos na latina. - Okay. O que realmente você quer saber? Qual a diferença entre ficar com homem e ficar com mulher?

- Basicamente.

- Certo. - Suspirou, apoiando as mãos no colchão de forma que Selena permanecesse presa entre seus braços. - A diferença está em alguns detalhes apenas. Não é questão do sexo em si, porque no final os dois são iguais. Digamos que 95% dos homens estão interessados no próprio prazer, enquanto 95% das mulheres estão interessadas em proporcionar prazer. Não vou ser hipócrita e te dizer que homem parece querer sugar sua alma através da língua ou só arrumar um buraco pra colocar o pênis porque há exceções, o difícil é encontrá-las. - Falou bem-humorada arrancando um sorriso divertido da Gomez. - Mas voltando para as mulheres. - Franziu o cenho. - É mais delicado. É mais confortável, mais.. entregue, entende? Não tem muito tabu com mulher. Nós somos mais sensíveis, mais atenciosas, mais companheiras, vamos dizer assim. - Torceu a boca, olhando nos olhos de Selena que não desviavam dos seus. - Eu não sei colocar muito em palavras, mas se você quiser experimentar.. - Deixou a frase no ar e desceu um pouco o rosto a fim de conectar a boca nos lábios a sua frente, mais foi rapidamente empurrada da cama.

- Vá tomar seu banho. - Selena ordenou rindo ao voltar para abraçar o travesseiro.

- Você ainda vai ser minha, Gomez. - Demi apontou divertida enquanto caminhava de volta para o banheiro. - Pode escrever minhas palavras.

- Vou escrever só para poder rir da sua cara.

Evite cuspir para cima.

-x-

Tempos atuais – Miami, Flórida.

A cortina pesada que cobria a janela impedia que a luz solar invadisse o cômodo amplo e precariamente iluminado por um abajur pequeno. Demi precisou desviar de Baylor, que estava esparramado no tapete felpudo que cobria o assoalho do quarto, para colocar a jarra com água e o copo de vidro, cuidadosamente, sobre a mesa de cabeceira. Se certificou de que na gaveta teria aspirinas o suficiente para a ressaca que Selena provavelmente sofreria ao abrir os olhos e soltou um suspiro baixo ao voltar a atenção para a mulher dormindo agarrada ao seu travesseiro. Alguns fios de cabelo cobriam os olhos fechados de Selena e o mínimo afastar de seus lábios carnudos indicavam a profundidade de seu sono.

Demi se agachou ao lado da cama e apoiou o queixo em seus próprios braços cruzados sobre o colchão. Sabia que os ponteiros do relógio já avisavam o fim da manhã, mas também sabia que aqueles mesmos ponteiros a avisavam que a realidade estava de volta. Não tivera uma noite de amor com Selena, até porque a mulher havia dormido assim que se acomodou em seu peito, mas a sensação de ter sua esposa dormindo sobre seu corpo já era algo semelhante ao seu Felizes Para Sempre.

Se perdeu no tempo enquanto encarava a face sublime da juíza que ainda respirava pacificamente. Se recordava de ficar observando Selena dormir até mesmo quando dividiam um dormitório na faculdade, analisar as feições pequenas da latina era um de seus vícios preferidos. Não estava preparada para que Selena acordasse e destruísse seu conto de fadas como uma perfeita bruxa má faria. Suspirou outra vez, cogitando a possibilidade de sair daquela casa sem dar oportunidade para uma possível desavença e então se levantou. Deu as costas para a mulher ainda na cama e pensou em acariciar a cabeça de Baylor, mas o cão estava tão confortavelmente deitado que ficou com dó de lhe acordar por nada.

- Demi? - A voz fraca a fez estancar no caminho que fazia até a porta.

- Eu já estou indo. Não se preocupe. - Demi avisou baixo sem ao menos olhar para trás. Já estava com a mão na maçaneta dourada quando ouviu a voz de Selena outra vez.

- Indo pra onde? - A pergunta saiu meio grogue de sono. - Volta aqui. - A ordem suave fez a comandante estancar pela segunda vez em dez segundos. - Demi, venha aqui, por favor.

Demi ponderou brevemente o pedido e se virou de frente para Selena que se apoiava em um dos braços para se manter sentada. A face sonolenta da juíza conflitava com a frustrada quando a comandante se viu caminhando de volta para a cama. Selena se ajeitou melhor, arrastando-se para recostar contra a cabeceira da cama, e segurou uma das mãos da Lovato, puxando-a para se sentar na beirada do colchão. Demi não conseguiu processar o gesto muito bem, ainda mais porque após tal ação, a Gomez envolveu os braços em seu pescoço a abraçando com firmeza. Demorou cerca de quatro segundos para a ficha da mais nova cair e abraçar a cintura de Selena da mesma forma.

- Me desculpa. - Selena disse baixinho ainda afundada no pescoço pálido de Demi.

- Pelo quê exatamente? - Perguntou, verdadeiramente confusa.

- Por ter sido uma idiota com você. - A apertou com mais força. - Por ter te mandando embora, por não ter conversado com você, por não te entender. Droga, era para eu ser sua amiga também.

- Você é minha amiga.

- Mas eu não estava me comportando como uma.

- Você estava se comportando como uma esposa furiosa. Não precisa se desculpar por isso. - Demi avisou ao alisar as costas da mulher em seus braços.

Selena afrouxou o aperto nos ombros de Demi e se afastou para que se olhassem, revelando algumas lágrimas que haviam rolado de seus olhos.

- Preciso sim. Eu machuquei você e eu sinto muito. - Fungou, sentindo as pontas dos dedos da comandante limparem sua bochecha.

- Está tudo bem. - Demi sussurrou calmamente. - Você tinha suas razões e tirou as vendas dos meus olhos. No final, acho que eu precisava colocar mesmo a cabeça no lugar. - A Juíza abaixou os olhos, mas logo os dedos da mais nova ergueram seu queixo para que se olhassem nos olhos. - Me perdoe por não ter reparado no caos que estávamos vivendo. Eu me sinto uma completa idiota quando lembro das coisas que fiz você passar.

Selena sorriu fraco brincando com o cadarço da gola do moletom que Demi usava. Lembrava daquela peça de roupa muito bem, mas fazia tempo que não via a esposa o usando. O material grosso em azul marinho trazia o nome da universidade de Yale em letras brancas e garrafais na altura dos seios.

- Volta pra mim? - Selena pediu baixinho antes de olhar nos castanhos brilhantes da Lovato.

A resposta não veio em fala, mas sim em ato. Os lábios suaves de Demi encostaram gentilmente na boca da latina que suspirou saudosa.

- Para início de conversa, eu nunca fui embora. - A mais nova sorriu largo.

Selena puxou uma perna de Demi para o outro lado de seu corpo, a fazendo montar em sua cintura. Escovou os cabelos curtos da Comandante para trás da orelha, analisando bem o rosto ausente de maquiagem naquela manhã.

- Não fique brava, mas eu preciso perguntar uma coisa que está me matando. - Selena sussurrou cautelosamente. Com o silêncio de Demi, ela prosseguiu. - Nesse tempo que estivemos afastadas, você saiu com outra pessoa?

- Queria poder ficar brava com você para poder socar sua cara. - Demi riu desacreditada. - O tempo que estivemos afastadas só me mostrou o quanto eu só quero você. Eu não consigo sequer olhar para outra pessoa dessa forma, Selena. - A juíza suspirou aliviada encostando a testa no ombro da mulher. - E você? - Indagou acariciando a nuca de Selena.

- Não mesmo. - Respirou fundo o perfume que emanava do pescoço da Comandante. - Eu só queria você de volta.

- Bom, eu estou de volta. - Sussurrou com a boca colada na orelha da mais velha. - Que tal aproveitarmos isso e tomarmos um banho juntas? - Sugeriu, causando um riso na latina.

- Você não perde uma. - Levantou o rosto revelando os olhos miúdos no rosto amarrotado. - Mas não prometo um banho extraordinário pois minha cabeça está a ponto de explodir.

- Você não promete, mas eu prometo. - Pulou da cama enquanto Selena ria baixinho. - Vamos lá.

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Camila fazia Baylor de travesseiro enquanto assistia clipes na televisão grande da sala de visitas. Uma perna estava cruzada sobre a outra proporcionando uma dança solitária para seu pé descalço enquanto a boca se mantinha mastigando o alcaçus em seu poder. Já era mais de uma da tarde e estava com medo de subir as escadas e ver algo que a traumatizasse, já que a harley davidson na posse de sua mãe ainda estava estacionada no quintal da casa. Baylor hora ou outra conseguia pegar um pedaço do doce da mão da adolescente quando ela se distraia ao responder mensagens no aparelho celular que repousava em seu ventre.

- Camila? - A voz rouca de Selena se mesclou a música de um clipe, fazendo a filha diminuir o volume da televisão. - O que você está fazendo aqui?

- Eu moro aqui. - Riu erguendo o rosto para cima e encontrando não só Selena, mas também Demi apoiada no encosto do sofá.

- Que engraçadinha. - Demi sorriu forçada. - Quem te trouxe?

- Eu vim sozinha dirigindo. - Ergueu a chave do carro de Selena, causando um arregalar de olhos nas duas mulheres. - Fiquem nessa posição porque eu preciso tirar uma foto da cara de vocês agora.

- Camila! - Demi ralhou fazendo a adolescente gargalhar.

- O quê? - Mordeu outro pedaço de doce. - Okay. Tia Tay me monitorou até aqui, mas eu vim mesmo dirigindo. Tio Lautner estava no carro logo atrás da gente, então não precisam pirar. Eu to viva. - Ergueu os braços em comemoração.

Selena riu negando com a cabeça. Poderia jurar que Demi era exatamente daquele jeito quando tinha a idade de Camila.

- Estávamos indo buscar você. - Selena informou, dando a volta para se sentar no sofá. - Por que seus tios não ficaram?

- Aconteceu alguma coisa no departamento. - Camila desligou a televisão e sentou-se devidamente ainda no chão. - A gente tentou ligar pra a senhora, mas só dava caixa postal. - Disse olhando para Demi que estava sentada no braço do sofá. - Eles pediram para a senhora ligar assim que possível.

Selena olhou para Demi que havia ficado subitamente séria.

- Tudo bem se você ir. Só tome cuidado. - Demi olhou para Selena que havia acabado de falar. Não queria se afastar das duas justamente quando tudo parecia se organizar outra vez.

- Vocês querem ir comigo? - Perguntou intercalando o olhar entre Selena e Camila. - Dependendo do assunto, eu não vou me demorar. Então podemos comer em algum lugar ou assistir um filme.

Camila piscou os dois olhos e olhou para Selena em expectativa. Ainda estava confusa sobre o que estava acontecendo entre suas mães.

- Por mim tudo bem. E você, Mila?

- O que tá rolando? - A adolescente sorriu de lado para as duas mulheres.

- Como assim? - Selena riu.

- Isso. - Apontou para as duas. - O que tá rolando? - Seu sorriso tornou-se malicioso e Selena gargalhou.

- Ela é definitivamente a sua filha. - Apontou para Demi que estreitava os olhos.

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- Eles tem todos os direitos salvos. Não tem como culpá-los de algo. - Louis explicava com os olhos azuis fixos nos castanhos da Comandante. - O jogo todo é muito bem projetado e descrito. A classificação é para maiores de idade, com exceção dos menores que precisam de autorização dos pais. É como achar uma agulha no palheiro, literalmente.

Demi bufou descansando a testa entre as duas mãos. Quando finalmente haviam descoberto o caminho, surgiu uma porta gigantesca bloqueando a passagem. Selena estava sentada em uma poltrona mais afastada, prestando atenção na conversa, mas sem dar qualquer sinal de que estava realmente ali. Camila havia ficado com Lautner alguns andares abaixo, o que permitia que a detetive Swift também estivesse presente na sala da Comandante.

- Por mais que eles tenham acesso aos usuários, não tem como saber o que eles fazem exatamente. - Taylor complementou a fala do Detetive Tomlinson. - Eles não tem o poder de rastrear os usuários.

- Lembram do rapaz que invadiu o sistema de vocês para colocar o nome do prefeito como um dos cinco mais procurados de Miami? - A voz de Selena ganhou a atenção dos quatro oficiais presentes na sala. - Talvez ele possa fazer algo.

- Você diz um hacker? - Liam perguntou para a Juíza que concordou com a cabeça.

- Pode dar certo. - Louis apontou. - Pode dar muito certo.

- Levando em conta que o cara invadiu o nosso sistema.. - Demi riu. - Já deu certo.

- Eu não sei se você se lembra, Comandante, mas ele não é uma pessoa muito fácil de se dobrar. - Taylor ergueu os ombros. - E se formos analisar a estadia dele aqui, ele não vai nem querer olhar para a nossa cara.

- Acho que ele não vai negar uma ordem da Comandante. - Selena sorriu de lado ao lembrar-se do caso. Demi a olhou entendendo a concessão que havia recebido para ir mais a fundo no caso.

- Ele é escorregadio feito quiabo. A única pessoa que o arrancará da zona de conforto será você. - Taylor concordou.

Demetria ponderou. Não queria, mais uma vez, colocar seu serviço na frente de sua família. Poderia mandar outras pessoas em seu lugar ou até mesmo ir buscá-lo no dia seguinte, porém estavam correndo contra o tempo.

- Vocês podem nos dar licença um minuto? – Demi se direcionou aos dois detetives e ao Tenente que prontamente saíram da sala, deixando a Comandante a sós com a esposa. – Você tem certeza que é uma boa ideia eu ir? – Caminhou até Selena que ainda se mantinha na poltrona.

- Sim. Eu estou vendo como isso é importante e sério. E, honestamente, não acho que outra pessoa o convença de fazer o trabalho.

- E como fica o nosso programa? – A Comandante se agachou de frente para a mulher que correu as mãos por seus cabelos curtos.

- Vou levar Camila para dar umas voltas no shopping e quem sabe comer alguma coisa. – Pausou e depositou um beijo singelo na testa de Demi. – Quando você estiver voltando, me mande uma mensagem que nós te buscamos para irmos ao cinema ou jantar em algum lugar.

- Tudo bem. – Demi beijou a palma da mão da Juíza. – Eu te amo.

- Eu também te amo.

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Bateu a porta da viatura e se pôs a analisar a construção simples da casa. Não havia gramado, apenas uma pequena cerca que dividia a calçada da varanda bem decorada com flores. Louis deu a volta no automóvel, retirando o canudo almejado do maço de cigarros e o colocando entre os lábios.

- A pergunta que não quer calar é: - Louis pausou para acender o cigarro com o isqueiro. – Por que eu? Pensei que Swift viria com você.

- Não quero Taylor em campo nesse caso. Aparentemente não faz bem para a gravidez dela. – Demi explicou retirando o óculos escuro do rosto.

- E Payne? – Louis tornou a perguntar.

- Estou momentaneamente sem Capitão. – Deu de ombros abrindo a portinhola que dava acesso à varanda pequena. – Preciso de Liam supervisionando o departamento. Pronto? – Perguntou para Louis que tragava mais uma vez do cigarro.

- Sim, Senhora. – E então seu polegar foi de encontro a campainha.

Não demorou muito para que um aviso em voz feminina soasse lhes dizendo que já estavam indo atender e então a porta se abriu, revelando a morena de cachos uniformes e sorriso brilhante. Sorriso esse que se desfez ao encarar as duas pessoas do lado de fora da porta.

- Louis?! – A voz da jovem soou surpresa, o que fez Demi virar sua atenção para o Detetive ao seu lado.

- Normani, o qu.. o que você está fazendo aqui? – A homem franziu o cenho confuso demais com a imagem da melhor amiga de sua prima diante de seus olhos.

- Eu moro aqui. O que VOCÊ está fazendo aqui? – Normani apontou.

- Senhorita Kordei, desculpe-me atrapalhar a conversa. – A comandante tomou a palavra e ergueu o distintivo, causando um arregalar de olhos na morena. – Estamos aqui para falar com Harry Styles. Pode chamá-lo, por gentileza?

- Ô merda. – Normani abriu mais a porta dando passagem para os dois entrarem. – Eu não sei o que ele fez, mas eu não tenho nada a ver com isso. – Disse atrapalhadamente. - Ô HARRY, TEM VISITA PRA VOCÊ!