Cap. 9: Volta Pra Casa

_Dia Sam. – disse assim que viu o irmão entrar na cozinha.

_Bom dia. – ele deu um risinho ao ver Castiel de avental. – Bom dia, Cas.

_Bom dia, Sam. – e sorriu pra ele. – Vai querer torradas?

_Sim, obrigado. – e viu que Dean tratou de colocar mais dois pães na torradeira.

Castiel olhou para Sam e não precisava de seus poderes para saber que ele não tinha dormido, nem um pouco. Suspirou fundo, pegou uma caneca de café e colocou algumas torradas em um prato.

_Vou pra sala. – disse e olhou para Dean que arregalou os olhos, mas o moreno apenas sorriu.

Tudo bem que ele tinha dito que conversaria com Sam, mas ele não queria dizer que faria isso aquela manhã. Até porque nem mesmo sabia como começar esse tipo de conversa, sempre era Sam a ser o maricas e perguntar o que ele estava sentindo.

_Ãhhh... – e fechou a boca, sem saber o que dizer, abriu mais umas duas vezes, mas tornou a fechar, um pânico se espalhando por seu corpo de repente.

Então só resmungou mais uma vez e tratou de se virar para a torradeira, a fim de não olhar o rosto do irmão. Sam arqueou as sobrancelhas, pensando que com certeza o irmão queria lhe dizer alguma coisa, mas estava sem coragem.

Dean mordeu os lábios, não podia fugir da conversa, com certeza não, porque ela significava a felicidade do Sam, e ele amava o irmão, queria que ele fosse feliz, morreria para que ele pudesse viver e já tinha feito isso.

_Sam! – disse, a voz rouca soando um pouco grave demais, e viu quando o irmão levantou os olhos para seu rosto. – Então... – e limpou a garganta. – Precisamos conversar. – disse enfim e Sam abriu um pouco a boca, quase sem acreditar nas palavras do irmão.

_Ãhhh, claro, Dean. – disse, se recuperando da surpresa. – Sobre o que você quer falar? Algo com o Cas? – perguntou, quase tendo certeza que era algo sobre o relacionamento com o ex-anjo.

_Não. – e ruborizou. – Eu e o Cas a gente ta bem, muito bem. – disse, trazendo as torradas e sentando-se na cadeira a frente da que Sam estava.

_Sem detalhes, Dean, por favor. – e viu o irmão torcer o nariz, enquanto pegava uma das torradas e colocava no próprio prato, colocando mel por cima depois.

_O assunto, não tem nada a ver com o Cas, embora ele tenha me encorajado a ter essa conversa com você, o que é algo meio desconfortável. – disse, mexendo-se na cadeira.

_Dean? – e os olhos verdes se levantaram para o irmão. – Você quer que eu saia do bunker? É isso? Porque eu realmente entendo que você queira ter sua intimidade com o Cas e eu sei que eu atrapalho aqui, já que...

_Não, não! – disse. – Não é nada disso. – e respirou fundo, mordendo um pedaço da torrada.

_O que é então? – perguntou, sentindo-se desconfortável agora.

_Quero falar sobre você e a... – e arregalou os olhos, não conseguindo lembrar o nome da mulher. – Ãhhh... Como é mesmo o nome dela? – perguntou para si mesmo e Sam ergueu uma das sobrancelhas.

_Olha, eu não sei onde você quer chegar com isso, mas...

_Amélia, isso! Amélia, é dela que eu quero falar. – e viu o irmão se fechar no mesmo instante.

_O que tem ela?

_Bem, – e avermelhou. – Você e ela, bem, vocês... Droga! – praguejou, porque isso era tão difícil? Tratou de respirar fundo e continuou, da melhor maneira que pode. – Quero dizer que vocês já estiveram juntos e que... Bem...

_Dean? – viu a dificuldade do irmão e teve vontade de rir, com certeza o outro era constipado emocionalmente. – Olha, você não tem que falar sobre isso, até porque eu...

_Mas eu quero. Eu quero falar sobre isso Sam. – disse, olhando nos olhos do mais novo. – Poxa, você não é mais criança, nós não somos mais crianças. Você tem trinta anos, acha que em cada cidade que a gente for vai arranjar uma garota legal? Uma garota que vai te preencher, porque eu sei que é isso que você busca. Você quer ser completo, é o que todo mundo quer.

_Dean, eu não...

_Cala a boca. – resmungou. – Eu só quero dizer que você sempre quis uma vida normal, você sempre sonhou com isso. E ela representa tudo o que você quer, ela é a vida normal que você sempre procurou.

_Dean, olha só, eu...

_Vai dar alguma desculpa? – e entortou os lábios, daquele modo característico. – Alguma desculpe pra não ir atrás dela? Porque eu não vou ficar sentado vendo você se despedaçar a cada dia, Sam. Eu já morri por você e faria isso de novo, você sabe. Eu não vou agüentar ver você acabando consigo mesmo só porque é cabeça-dura igual ao papai.

Sam levantou os olhos para ele e viu que Dean era tudo o que sempre quis ser, Dean era como a mãe deles, mesmo não a conhecendo tão bem tinha certeza disso. Agora entendia a adoração de John com Dean, porque mesmo que parecesse que o fuzileiro só queria se entender com o filho mais novo e rebelde, Sam tinha certeza que John adorava Dean, o loiro era o filho preferido, porque mesmo querendo ser parecido com o pai, ele era um pedacinho que Mary tinha deixado, como um presente. Dean era a própria esperança e fé pra todos que o rodeavam ali, e nem ao menos sabia disso.

_Me desculpe. – pediu, sem saber ao certo o porquê.

_Por quê? – Sam balançou a cabeça, a resposta ainda não tinha lhe ocorrido. – Por quê? – o irmão repetiu.

_Por ser o que eu sou. – e mordeu os lábios. – Eu não sou um bom irmão, nunca fui, você sabe. Na primeira oportunidade que tive eu fugi do papai, eu fugi de você, eu fugi do que eu era.

Dean marejou os olhos.

_Sam... Não.

_Sim, Dean. E o pior de tudo é que eu sempre tento fazer o melhor, e isso tudo se reverte e eu sempre escolho algo ruim, eu... Eu não devia ter ido pra Stanford, eu não devia ter conhecido a Jess, eu... Ela ainda estaria viva, Dean. – e encarou os olhos do irmão.

_Nada do que aconteceu é culpa sua, Sam.

_Eu sei que é Dean, por isso eu não posso ficar com a Amélia. – e fechou os olhos, deixando que as lágrimas descessem. – Ela não pode se machucar, eu sempre leva a minha droga pras pessoas e elas morrem, e a Amélia não pode... Eu não posso fazer isso com ela.

Dean baixou os olhos para a torrada encharcada de mel. O sofrimento do irmão estava lhe causando quase que uma dor física. Suspirou fundo, não sabia o que fazer.

_Ei, – chamou e Sam o olhou com os olhos vermelhos pelo choro. – Tudo o que aconteceu foi as circunstancias, já lutamos contra o próprio destino, Sam, podemos fazer isso mais uma vez, você a ama, eu quero que você seja feliz.

_O que você quer dizer com isso?

_Quero dizer que se eu pegasse um papel, fizesse duas colunas e em uma delas colocasse todas as coisas ruins que eu fiz e em outra todas as coisas boas, as ruins com certeza superariam as boas em quantidade, então eu não mereceria estar com o Cas.

_Não, mas...

_Shiii. – e franziu o cenho. – Eu não ia merecer nem estar no mesmo cômodo que ele, eu não mereceria respirar o mesmo ar, nem estar no mesmo planeta, – disse. – mas ele me ama e eu o amo. – avermelhou depois de dizer. – Mesmo com os meus defeitos ele me ama, ele ama as minhas cicatrizes e as minhas dores. E eu amo as batalhas que ele travou no céu e amo a falta das asas, eu amo cada pedaço destroçado do coração dele, porque o Cas não é perfeito, mas pra mim ele é. Mesmo com as imperfeições. Se é que você me entende.

_Está dizendo... Está dizendo que Amélia pode amar minhas cicatrizes também? Ela pode amar o buraco profundo que eu tenho no peito? Toda a minha magoa por ser... Isso? – e apontou para si mesmo.

_Ela já ama. – e sorriu para o irmão. – Ela já ama, ou então nem mesmo teria te ligado, não é mesmo. E se você também não a amasse, se você não tivesse mais esperanças... Bem, se você fosse mesmo tão quebrado do jeito que é, você não teria ligado pra ela também.

_Como...?

_Não importa. Só... Vai atrás dela e faça bastante crianças, vai ter que compensar já que eu e o Cas não podemos. – e riu.

Sammuel riu, daquele jeito genuíno que Dean não via há muito tempo, desde quando eram crianças, brincando no quintal de Bobby. O irmão jogou a cabeça para trás, rindo escandaloso, a face brilhante por causa das lagrimas, agora avermelhavam pelo ataque de riso.

_Eu... – e arfou, respirando fundo. – Eu nunca pensei que... – e riu mais um pouco. – algum dia você ia falar sobre sentimentos Dean, ainda mais me dar conselhos românticos. – caçoou e viu o irmão torcer o nariz.

_É, eu sou assim. – e deu de ombros sorrindo.

_Por um momento pensei que fosse constipado emocionalmente, mas você me surpreendeu. – disse, rindo depois. – O Cas está te fazendo bem.

_Sam! – reclamou, dando-lhe um tapa na cabeça, o que rendeu alguns soquinhos da parte do outro.

Castiel entrou na cozinha e riu ao ver os dois naquela 'guerra', balançou a cabeça enquanto colocava os pratos na pia. E logo tratou de ir colocando a louça suja para lavar. Dean guardou as coisas na geladeira e enquanto o ex-anjo lavava a louça, encaixou-se atrás dele, abraçando-o forte enquanto beijava a curva de seu pescoço, o que fez o moreno se arrepiar.

_Dean...! – tentou reclamar, mas soou mais como um gemido e Sam, que ainda estava ali, avermelhou. – O Sam está ai! – disse, tentando se livrar das mãos dele.

_Sam! – chamou, olhando para trás.

_O que? – o mais novo perguntou, ainda sentado enquanto terminava a torrada.

_Se ta me incomodando agora, lembra o começo da conversa? Então, vai dar um passeio vai. – e fez um gesto para o irmão sair.

Sammuel rolou os olhos, mas sorriu, saindo da cozinha em seguida. Tinha mesmo algo importante para fazer.

_Posso usar o Impala? – perguntou, já estava na sala.

_Claro. – Dean berrou de volta e Sam sorriu.

Era óbvio que o irmão não tinha escutado o que tinha perguntado, nem ao mesmo tinha dado importância, melhor pra ele e foi para o quarto se arrumar. Tomou banho e vestiu a melhor roupa que tinha, pegou a única botina que tinha e saiu, surrupiando a chave do carro que estava em cima da tevê, antes que Dean desse falta e saiu do bunker.

Ia seguir o conselho do irmão. Ia correr atrás de sua felicidade e teria Amélia de volta.

Dirigiu por duas horas e a cada quilometro as mãos suavam e tremiam na direção, engoliu em seco ao finalmente reconhecer a fachada da casa que tinham comprado juntos, lembrou da reforma que fizeram, lembrou do rosto de Amélia sorrindo enquanto tinha tinta até nos cabelos.

Suspirou fundo, pensando se não tinha sido idiotice vir até ali. Tinha dito no telefone que queria encontrá-la, assim como ela tinha dito também, mas não podia suprimir a duvida que crescia em seu peito. E se ela tivesse mudado de idéia? E se ela não quisesse mais vê-lo? As pessoas mudam de opinião rápido demais e nada lhe assegurava que Amélia continuava resoluta na vontade de vê-lo.

Tratou de deixar esses pensamentos de lado e apertou a campainha.

Esperava ver os olhos enormes e amendoados, esperava ver os cachos castanhos e o sorriso dela, mas foi o pai dela quem abriu a porta. Tinha um sorriso no rosto e estendeu a mão para que Sam apertasse.

_Boa tarde, senhor. – disse apertando-lhe a mão, sorrindo para ele também.

_É bom tê-lo por aqui, filho. – e Sam sentiu o coração disparar.

_Obrigado. – engoliu em seco. – A Amélia... – não terminou a frase ao vê-la no corredor, ela estava inda mais lindo do que lembrava. – Amélia. – sussurrou e seus olhos só não podiam se desviar dos dela.

O pai dela sorriu ao ver os dois, balançou a cabeça, sorrindo e deu tapinhas encorajadores no ombro de Sam, antes de passar por ele e ir embora. Gostava de Sam, já tinha dito antes e sua opinião não tinha mudado.

Aquele homem alto e moreno, com feições doces e olhos que transbordavam a dor que sentia, aquele homem que parecia tão quebrado, aquele homem era forte, aquele homem era o tipo de pessoa que ajuda as outras a se reerguerem, se reconstruírem, porque era isso o que ele tinha feito com Amélia.

Sam tinha trazido sua filha de volta a vida, ele tinha ido fundo no abismo que ela mesmo tinha se imposta e tinha lhe salvado e como pai, ele nunca poderia agradecer o suficiente, nenhuma palavra seria o suficiente, por isso ele tinha concedido sua benção àquela relação desde o primeiro momento em que viu que sua filha estava realmente feliz de novo.

Olhou de longe, Sam ainda parado na porta e Amélia chegando perto dele, tinha certeza que tudo ficaria bem agora, então foi embora.

_Sam.

A voz dela chegou como musica aos seus ouvidos e ele só não podia desviar os olhos da boca dela. Quase não podia respirar, o ar parecia ter se esvaído do lugar e ele só não podia respirar, então apenas colocou as mãos na cintura dela e a puxou para si, tomou-lhe os lábios e finalmente se deu conta de que não era o oxigênio que estava faltando. Era Amélia, era a presença dela em sua vida que faltava e o fazia se sentir necessitado daquele amor.

_Eu quero ficar com você, Amélia, eu te amo. – disse, depois de separar os lábios, mas ainda a apertando em seus braços.

_Eu também te amo, Sam. – e os soluços dela chacoalhavam o corpo pequeno.

Sam sorriu, abraçando-a mais forte, queria protegê-la, queria estar com ela, fazer parte dela, queria amá-la. Adorava aquela sensação que tomava seu peito, a sensação de força, de que podia protegê-la de tudo e de todos, de que o amor deles era a chave para a libertação das dores e dos ferimentos que os dois tinham, e que por isso se completavam.

Beijou-lhe a cabeça e apertou-a mais.

_Eu te amo. – sussurrou mais uma vez e logo viu os olhos amendoados buscarem os seus.

_Eu te amo mais, Sam. – e ela sorriu, aquele tipo de sorriso que fazia Sam pensar que tudo o que tinha passado até ali, tinha valido a pena, porque o fizera chegar aquele momento, todas as coisas ruins que tinha feito, que tinha enfrentado, tudo o tinha levado para os braços de Amélia, e era ali que queria ficar, agora e para sempre.


N/a: NÃO ME MATEM! Eu sei que demorei eras pra postar esse capitulo, mas é que eu pensei que já tinha postado. Confusões à parte, enfim, espero que tenham gostado do reencontro de Sam e Amélia, eu realmente adoro esse casal e estou shippando eles loucamente (não sei se já comentei isso), bem... Me deixem review, eu sei que você chegou até aqui, então não custa nada não é mesmo?!

** Beijos, e até o próximo (e último) capitulo.