Revisado 13.01.2019
(Spin-off com Lemon deve sair desse capítulo)
Bem, por algum motivo me bateu inspiração esses dias, mas como já é madrugada parei por aqui mesmo... Espero que gostem. Abraços queridos e boa leitura!
Doumo, arigatou... obrigado (a)
Douzo... não sei de uma tradução literal, é um tipo de oferenda ou permissão. "Pode se sentar", "pode pegar", etc...
Sumimasen, gomen, gomennasai... desculpe, perdão, etc...
Koishi... é algo como "minha querida".
Yamete, Dame... pare!
Onegai... por favor (literalmente: eu peço a você)
Shinppainai... não se preocupe.
Nani?... o que? Que? O que foi?
Cha no yu... é a cerimônia de chá tradicional realizada comumente no Japão.
Omoshiroi... interessante... que interessante...
Doushite... por que?
Nandemonai... não é nada... não importa...
Hai... sim.
Iie... não.
Hontou ni... de verdade.
Kuso... merda.
Wakaranai... eu não sei...
Chotto Matte... Espere um momento, só um segundo, espere, por favor...
Masaka... não é possível.
Daijoubi... está tudo bem... vai ficar tudo bem... (se interrogativo: vc está bem?)
Naze.. por que?
Interferência
- By Chinmoku –
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"Haruno Sakura... – Hiashi se aproximou cumprimentado-a polidamente. – Seja bem vinda."
"Aa, doumo, Hiashi-sama." Ela o cumprimentou de volta sentindo-se aérea. Ignorara completamente os maravilhosos jardins que ficavam pela entrada da residência dos Hyuuga. Em verdade, na primeira e última vez que Sakura visitara o castelo dos Hyuuga ela tirara um tempo para admirar os jardins, certa de que faria o mesmo no caso de uma futura visita. Não foi o caso... Sua mente continuava meio atordoada devido a confusão ocorrida com Gaara e Sasuke...
"Você parece meio pálida, filha. – Uma senhora se adiantou. – A viagem foi muito cansativa?"
"Um pouco, mas estou bem. – Sakura respondeu com sinceridade. – Gostaria de arrumar minhas coisas o quanto antes para que eu já possa iniciar o tratamento de Neji-sama."
Hiashi acenou que sim. De fato a garota era exatamente como Tsunade havia lhe dito. Mesmo estando visivelmente abalada após o ocorrido com Sabaku no Gaara, ela se mostrava pronta para o trabalho. Ainda deve estar atordoada pelos sedativos e problemas. Observou pela palidez excessiva que a outra apresentava.
"Não precisa se apressar. – Hiashi indicou que carregassem suas malas. – Descanse um pouco, arrume suas coisas e mais tarde lhe avisarão quando Neji estiver disponível."
"Aa, hai." Ela fez uma breve mesura agradecendo.
Sakura seguiu os serviçais que carregavam sua mala até a ala do castelo onde ficaria hospedada. Passou por alguns quadros e corredores distraída. Talvez descansar um pouco não seja mal... eu poderia dormir muito agora. Pensou um pouco deprimida.
O olhar de Gaara quando Sasuke a abraçou e pronunciou aquelas palavras foi inicialmente de surpresa, como quem não acreditava no que estava vendo.
"Gaara! – Sakura tentou se aproximar. – Eu não...!" Os braços fortes de Sasuke a puxaram de volta para ele.
"Sshhh, koishi... eu não vou deixá-lo machucar você. – Sussurrou em seu ouvindo alto o suficiente para que Gaara ouvisse. Ela sentiu uma picada em suas costas. – Você não precisa se explicar para ele..."
Sakura podia sentir o pânico que se alastrava por seu corpo. Falando daquela forma Gaara iria pensar que ela ajudara o Uchiha naquela emboscada. O olhar do outro, inclusive, era o de mais puro ódio no momento. Um estranho ódio voltado para ela...
Ela suspirou ao subir por um lance de escadas, mal notara seus punhos cerrados em frustração. Aquela cena sempre voltava a lhe atormentar os pensamentos, a sensação de impotência a esmagando visto que não conseguira provar sua inocência. Passou por dentro de duas salas, ignorando quase que por completo as instruções da idosa que acompanhava o grupo. Ela parecia simpática, fato, mas a verdade é que no momento não conseguia se importar muito.
"Largue-me, Sasuke! – Sakura se desvencilhou de seus braços. – O que você faz é doente!" Ela se afastou dois passos ao olhar intenso do outro. Algo no sorriso dele a assustou enormemente. Virou-se de pronto, mirando Gaara rapidamente e o viu ocupado com os homens que acompanhavam Sasuke, parecia fora de si, completamente violento. Sua própria expressão facial era outra. Os olhos enormes e arregalados... o sorriso insano, sádico... 'Deve ser isso que Temari quis dizer... '
"Gaara! Yamete! - Gritou correndo para ele numa tentativa frustrada de fazer com que ele parasse de espancar um homem já inconsciente. Mesmo assustada tentou segurar um dos seus braços. Viu o sangue em suas mãos e apertou os olhos com força quando o sentiu empurrá-la contra o muro mais próximo. – D..dame! Você não é assim!" Ela gritou e só então percebera que estava chorando... de novo...
"Ah... – a voz afetada de Kazumi soou perto dela, Sakura a encarou. – Você não sabe quem ele é... menina bobinha."
Sakura se levantou com um braço envolvendo seu tronco. Alguma coisa estava errada, sentia algo queimando dentro si. "Você não ouse falar assim dele!" Gritou entre lágrimas furiosas. "Qual o problema de vocês? Por que não os deixam em paz?!"
Kazumi lhe deu um tapa, seu olhar era puro desprezo. "Você não entende nada, não é?" Ela estalou a língua e aprumou os cabelos.
Sakura cobriu o rosto onde Kazumi a acertara com uma mão e fechou os olhos de modo a conter seu corpo trêmulo. "Chega..." Vociferou num sussurro rouco.
"Ahm?" A outra apoiou as mãos na cintura.
"Eu disse chega, sua vadia!" Gritou avançando em Kazumi socando-a no rosto com toda a força que ainda possuía. Observou-a cambalear para trás chocada e tampou a boca tentando conter a vontade de vomitar que sentia.
"Você não a drogou também?" Ela gritou com o Uchiha, ignorando Sakura quase ajoelhada não muito longe de si.
Sasuke levantou uma seringa vazia e deu de ombros. "Não deve fazer muito efeito nela... além do mais, Gaara está fazendo tudo por nós mesmo..."
"hunf... você é um idiota!" Novamente aprumou seus cabelos enquanto resmungava.
"E você me ama mesmo assim... – Sasuke arregalou os olhos à visão de Sakura tirando uma agulha de sua pulseira e avançando para a outra. 'Merda!' – Kazumi! Cuidad...!"
O grito estridente de Kazumi ecoou pela rua.
"Aqui querida... este será o seu quarto."
Sakura agradeceu com um meio sorriso e uma mesura. Virou-se para a que seria sua cama por algum tempo daquele dia em diante e escutou a shoji se fechando atrás de si. Começou a arrumar suas coisas mecanicamente apreciando de certa forma o silêncio mortal daquele cômodo.
"Sua idiota! Você me cegou! Sasuke! Me ajude!" Kazumi gritava histericamente com sangue em seu rosto e tentando se defender de Sakura.
"Sakura..." A voz grave e sinistra de Sasuke seguida de um clique foi o suficiente para a garota sair de cima da outra.
Sakura recuou com passos trêmulos e estudou Sasuke apontar uma espada para ela e depois para Gaara não muito distante deles. "N..não! Onegai! – ela correu para Gaara, ficando entre ele e a lâmina. – Por que?" Ela apertou os olhos de modo a evitar novas lágrimas. Como as coisas poderiam ter saído de controle daquela forma? Sasuke fora seu primeiro amor... foram amigos de infância... como ele poderia ter mudado tanto? Como?!
"Saia da minha frente!" Gaara vociferou.
"Não! – Ela voltou-se para ele, segurando-o desesperadamente. – Gaara... eu..."
"Você é uma traidora! – Ele a segurou pelo pescoço. – Temari acreditava em você! Eu acreditava em você... e todo esse tempo você e ele..."
"N.não! – Ela segurou o antebraço dele. – V..você está engan..nado!"
A risada aveluldada de Sasuke atrás dela lhe chamou a atenção. "Ele não conseguirá discernir o certo do errado agora, Sakura-chan... E isso em muito me ajuda..." Ele acenou para algum dos homens que os rodeavam e estes se adiantaram em segurar Gaara.
Sakura caiu no chão vomitando e respirando com dificuldade. Seu estômago estava queimando dolorosamente e a cada contração durante a êmese ela se ouviu gemer de dor.
Não conseguiu acompanhar bem o que acontecera depois, seu corpo parecia distante para acompanhar os comandos de sua mente. Ela viu Sasuke avançar e perfurar Gaara com lâmina afiada de sua espada e sussurrar algo em seu ouvido num "abraço" quase amigável. Seu grito soava mudo aos seus ouvidos, mas continuou gritando mesmo assim. Observou com os olhos enormes o corpo que caia no chão. Mal registrara Naruto e Ino se aproximando correndo, por sorte Sakura havia enviado à amiga sua localização antes de sair da empresa com Gaara. Ino se ocupava com seu celular, provavelmente pedindo ajuda, enquanto Naruto avançava em Sasuke, afastando-o. Tenten estava lá com eles também... intimidando os 'amigos' de Sasuke... mas nada fazia muito sentido em sua mente.
Engatinhou até o corpo de Gaara não muito distante de si e pressionou suas mãos sobre o corte. "Não morra..." Dizia meio que para si mesma. Pressionou seus outros dois braços e mãos no peito dele.
"Nan..." Gaara meio que rosnou.
"Shhh... não fale ou piorará." Ela olhou para seus quatro braços, confusa. Torcia para que os braços verdadeiros estivessem estancando o ferimento. Sim, tinha certeza de que estava alucinando... Provavelmente algo relacionado com aquela picada nas costas. Percebia uma escuridão a envolvendo aos poucos e ao longe conseguiu ver olhos dourados e ferozes fixos nela. Lembrou-se deles imediatamente com umas exclamação engasgada. E foi quando ela se viu escorregar para dentro de Gaara com um grito de terror...
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Capítulo 9 – Memórias Perdidas
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Hinata passou a mão pelos cabelos enquanto esperava seu chá de maçã verde esfriar um pouco. Sorriu afável se dirigindo para a sala do apartamento de Sakura com a caneca entre suas mãos. Estar longe dos portões dos Hyuuga era uma sensação de liberdade enorme. Sorveu seu chá quente com cuidado, espiando pela cortina da janela um carro estacionado no outro lado da rua. Observou um dos seus 'guarda-costas' lhe acenar com educação e retribuiu o gesto antes de fechar as cortinas. Liberdade... ou quase isso. Aninhou-se no sofá apreciando a sensação do chá quente entre suas mãos e suspirou aliviada.
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"Sakura?" Neji chamou pela segunda vez.
"Hai", ela abriu a shouji o convidando a entrar em seus aposentos.
Neji franziu o cenho, postura ereta e rígida como sempre. "Não creio que isso seja adequado, Haruno Sakura."
"Hmm... é? – Sakura caminhou até ele fechando a shouji atrás de si. – que coisa antiquada. Mesmo para você." Ela o sentiu respirar fundo como que para se acalmar.
Sim, era fato que Neji ainda não aprovava 100% a decisão de Sakura tratá-lo no lugar da doce e afável Hinata. A comparação na mente dele era quase que trocar um algodão doce por um tornado.
"Então, para onde vamos? – Ela o observou por um momento. – Você veio para saber como seguiremos com seu tratamento, não?"
Neji acenou que sim e indicou um caminho. Inicialmente saíram da casa central e seguiram pelos jardins de fundo. Sakura não sentia vontade de conversar futilidades e o silêncio não era de todo ruim. Algo em comum entre ele e Gaara, não pôde deixar de notar. Tinha se perdido enquanto o observava na caminhada que mal notara quando adentraram num pequeno bosque. Parou, de repente, preocupada. E se Neji realmente não gostasse dela e quisesse se vingar ou algo assim? Afinal, como diabos ele poderia enxergar tão bem enquanto cego? Perguntas atrás de perguntas preenchiam sua mente.
"Shinppainai... – ele disse, parando brevemente, mas sem se voltar para ela. – É apenas um caminho para um local mais reservado."
E era exatamente esse reservado que a preocupava, mas resolveu segui-lo mesmo assim. Hyuuga Neji, ou melhor, toda a família, era muito correta para que ela precisasse suspeitar de algo.
"Ano... se você deseja privacidade, devo avisar que estamos sendo seguidos."
"Saigetsu... ele é o encarregado de zelar por mim a noite. – Fez uma breve pausa antes de continuar – Não que eu precise, mas tente explicar à matriarca."
Sakura fez que sim e não muito depois chegaram a uma outra casa. Era muito menor que a casa principal, mas agradável de toda forma.
"Esse será nosso local para tratamento..."
"Hai." Sakura se sentia curiosa.
"Nani?"
"Por que aqui? Tão afastado da casa principal?"
E foi então que Neji a surpreendeu com um esboço de sorriso, "isso você já, já, saberá. – Abriu a shoji e indicou que Sakura entrasse primeiramente – Douzo."
Parecia uma sala normal, talvez com um quê de dojo pelos inúmeros tatamis no chão e por algumas armas brancas penduradas aqui e ali entre um e outro arranjo de flores.
"Cha no yu?" Perguntou intrigada olhando os objetos no centro do aposento.
"Hn. – Neji fez um gesto para que Suigetsu lhes desse privacidade com um simples inclinar da cabeça. – É a forma que pensei para me desculpar por duvidar das suas habilidades."
Sakura se sentara polidamente num pequeno futon, ainda encarando a porta com curiosidade.
"Doumo... mas... – Ela prendeu os cabelos num coque simples, uma vez que tomar chá naquele momento a deixaria com calor. – Agora que estamos a sós, – ela o fitou seriamente – o que exatamente você quer conversar que requer tanta privacidade?"
Neji sorriu com o canto da boca. Kunoichi esperta... "Há coisas sobre minha situação que você precisará saber e entender... – Ele dizia suavemente enquanto com movimentos precisos começava o preparo do chá ou cerimônia – e há coisas sobre você que me intrigaram..."
"Coisas sobre mim que você deseja saber, – ela dobrou um tecido vermelho que havia no meio dos materiais, tomando 'as rédeas' da cerimônia, o que seria algo rude, se eles já não estivessem se enfrentando desde que entraram naquele aposento. – certo, Hyuuga-sama?"
"Hn. – Neji ficou a observar os gestos delicados, porém firmes da outra. Nenhum movimento em excesso, apenas os necessários. Tsunade deve tê-la treinado nisso também... omoshiroi. – Naquele dia que você me analisou na frente de todos... – ele começou e logo ouviu um 'Aa' vindo da outra, como que reconhecendo o que ele dizia. – eu percebi que havia algo diferente na sua forma de trabalhar e..."
"Você quer saber da família Sabaku também... em especial Sabaku no Gaara, certo?"
"Hai." Ele aceitou a o recipiente contendo o líquido aromático e fumegante em seu interior, girando-o para o lado correto, aceitando a oferenda.
"Eu não discuto meus pacientes com outras pessoas que não a Godaime ou Shizune. Sumimasen. – Ela o observou acenar que sim. – mas... não é isso que você quer saber, é?"
Sakura se sentiu congelar ao olhar do outro, era quase como se ele a encarasse de fato quando a resposta 'bingo' do outro soou maliciosamente pelo cômodo. Respirou fundo analisando o que era pedido com cautela. "Não é algo que eu saiba explicar com palavras... se me permitir posso tentar te mostrar, mas... – ela disse em tom de alerta enquanto se levantava e se afastava para um ponto afastado dos utensílios utilizados na cerimônia do chá sem ao menos olhar para trás. – deve me prometer não cortar a ligação bruscamente, caso eu consiga."
"Hai."
"Mesmo que eu grite."
Neji suspendeu uma sobrancelha.
"Não sei o que posso encontrar em você... e outra coisa, me explicar sobre sua condição. Eu sei que você sabe mais do que nos disseram naquele dia."
Neji se sentou sobre as pernas diante de Sakura e pousou suas mãos sobre os joelhos quando a ouviu prender um riso. "Nani?"
"Você é sempre tão formal assim?"
"Hai, doushite?"
"Iie, nandemonai. – Ela abanou o ar diante de si como que espanando o assunto. – Eu sei que você não gosta, mas de agora em diante terá que se acostumar com minha proximidade. – Ela se aproximou pela lateral, sentando-se formalmente também, visto que pela posição dele era a forma mais confortável e prática de se aproximar. Pousou a mão esquerda sobre o coração de Neji e a direita nas costas dele na mesma altura do coração e respirou fundo. – Você tem certeza do que está pedindo? Eu não tenho controle sobre isso ainda."
"Hai, mas algo me diz que você tem mais prática do que diz ter..."
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"Tsc... mulheres são... – Shikamaru re-aprumou o 'peso' que pairava praticamente desmaiado em cima de si – problemáticas... definitivamente."
Ele havia levado Temari para tomar uns drinks e relaxar, visto que desde o incidente com Gaara e sua decaída pela 'suposta traição' de Sakura ela ficara como o que os funcionários da empresa nomearam de 'uma pilha de nervos semi-demoníaca'. O título demoníaco caía sempre para o caçula, obviamente. Em verdade, ele praticamente teve que arrastá-la da empresa para tal programa, só não imaginava que teria que voltar para seu apartamento praticamente carregando-a.
"Você é um bom amigo..." Ela suspirou junto ao seu pescoço.
Shikamaru estalou a língua, ignorando a sensação e proximidade. Realmente problemáticas... Abriu a porta com cuidado para não deixá-la cair e levou-a para seu quarto. Dormiria confortavelmente no sofá da sala, pensou praguejando.
"Eu duvido que tenha sido traição de fato... – ela ainda balbuciava o problema. – Tsunade não permitiria isso... eu reconheço a índole das pessoas, você sabe, não é?"
"Aa..." Ele respondia mecanicamente retirando seus sapatos.
Temari afanou os cabelos de Shikamaru. "Oh! Como são macios! Sempre achei que fossem o completo oposto."
Shikamaru revirou os olhos. Sem mais drinks para essa aí... Observou-a soluçar e quase sorriu.
"E Gaara está tão deprimido, ic... não de triste, mas de anti-social... mais que, ic, antes!"
"Hai, hai... – Shikamaru abriu seu armário e retirou a maior camisa que possuía. – Aqui, assim você dormirá mais confortavelmente. Vai querer tomar banho?"
"E... e... com certeza foi armação!" Disse por fim fazendo um bico que, juntamente com suas bochechas rosadas, lhe deu um quê de menininha.
"Hai, hai... – ele retirou seus brincos e agora se ocupava em retirar seu cordão para que não se enroscasse em seus cabelos rebeldes durante e noite. – Pronto. Agora vou para a sala e você poderá se trocar e dormir."
Temari se deixou cair para trás, encostando-se de costas no peito do outro. "Arigatou... hontou ni..."
Como tinha certeza de que ela não se lembraria com detalhes no dia seguinte, ele a abraçou afável e se aproximou do ouvido da outra antes de dizer a única coisa que poderia confortá-la naquele momento.
"Daijoubu..."
O que ele não imaginava é que Temari pudesse estar tão confortável em seus braços a ponto de se deixar dormir naquelas condições. Kuso...
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Saltou para trás se defendendo de um dos golpes recebidos com os braços cruzados diante de si. Levantou o rosto com um determinado sorriso estampado em seu rosto, aquilo estava ficando divertido.
"Nunca a tomei como alguém masoquista antes. – Neji comentou com um breve e malicioso quase sorriso. – Você parece estar se divertindo... mesmo que perdendo miseravelmente."
Sakura riu alto alongando os braços acima da cabeça e balançando seus quadris para os lados um pouco antes de voltar à posição de combate. "Então isso o torna um sádico, já que você parece estar se deliciando igualmente... – Avançou pela lateral e saltou acima do jovem Hyuuga, o punho brilhando com chakra concentrado. – mas vamos mudar isso!"
'Kuso', Neji pensou desviando por pouco. Uma enorme cratera se formando por entre eles. Aproveitou a brecha e avançou a golpeando forte no estômago. Observou-a cobrir a área atingida com uma mão, os olhos fechados enquanto antecipava o impacto que teria com a árvore mais próxima, seu sorriso aumentou quando a ouviu gemer ao impacto. Avançou de modo a acertar alguns pontos centrais de fluxo energético. "Não te darei tempo de reagir, kunoichi!"
"Sério?"A voz viera atrás de si, mas Neji já sabia que ela havia feito um jutsu de substituição. Virou-se de pronto, kunai encontrando kunai...
"Desista, kunoichi." Vociferou.
"Nunca. – Respondeu com dificuldade dado o esforço a conter a kunai do outro. – Vou te fazer cair antes..." Ela mirou uma joelhada no abdômen do outro e logo se viu cair com Neji por cima de si.
"Você é fácil de ler..." Ele pressionou os pulsos de Sakura contra o chão.
Encaravam-se enquanto tentavam normalizar suas respirações ofegantes. Algo muito íntimo naquela simples situação e, tão agradável que não se moveram por alguns instantes.
"Desista!"
"Iie!"
A pressionou com mais força contra o chão, sentindo-a reagir de forma, digamos assim, interessante. "Desista!"
"Iie! – Sakura se ouviu dizer ofegante. As mãos ainda conectadas em Neji. – O que foi isso?"
Neji segurou o pulso da mão que estava ainda apoiada em seu peito, mas não conseguiu removê-la do lugar. "Wakaranai... mas pareceu tão..."
"Real... – Sakura sentia o coração descompassado do outro sobre suas mãos. – nunca aconteceu assim antes... eu... – Ela fez um esgar, seu estômago queimava de dor. – Chotto matte. – Respirou fundo algumas vezes, encostando a testa no ombro do outro enquanto se concentrava. – KAI!" Suas mãos se soltaram instantaneamente e ela se deixou deitar no tatami.
O gemido que escapou dos lábios dela ao se deitar ecoou de forma estranha pelo aposento, causando uma sensação curiosa no jovem Hyuuga devido à visão vista por ambos momentos antes. O que quer que tenha sido aquela visão, meditação ou sei lá como poderiam descrever, fora real demais para se ignorar. Ele sentiu os golpes recebidos e liberados, a adrenalina em suas veias, a camada de suor em sua pele, a confiança nas habilidades da outra, os movimentos... tudo era absurdo, mas de alguma forma fazia sentido. Reconhecia em seu íntimo que a troca energética daquela visão o agradava... assim como os outros detalhes mais instigantes que pescara por entrelinhas. Ignorando a respiração alta da outra, levantou-se e tentou realizar um dos movimentos seus realizados na suposta visão. Não lembrava por completo, mas o movimento base, sim... fazia muito sentido. Era parecido com os que aprendera nos treinos com Hinata, porém, um pouco diferentes. Lembrou-se da força bruta da kunoichi e sacudiu a cabeça, aquilo sim era algo impossível...
Silêncio...
A ausência de ruídos, fala ou respiração da garota o alertou. "Haruno?"
Nada.
Foi até o local onde se lembrava dela estar e a achou ainda no chão, imóvel. "Sakura? – A chamou informalmente. Tocou em seu pescoço, ela também possuía uma fina camada de suor em sua pele, mas estava gelada. – Daijoubu ka?"
Então, observando melhor com a estranha visão que tinha desde que perdera o sentido, Neji arregalou os olhos e perdeu o ar. "M..masaka!"
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"Oy, não acha que já bebeu o bastante?"
Gaara encarou o barmen sem se dar ao trabalho de responder.
"Ok, ok... mas estaremos fechando em meia hora."
Girando os olhos ao comentário óbvio, Gaara deixou algumas notas no balcão e saiu a caminhar despreocupado pela rua. Já virara uma rotina sair do trabalho e beber até o bar fechar. Era a única coisa que acalmava a agitação em sua mente, aquela inquietude, os desejos bizarros e negros que lhe afligiam. Algo, entretanto, era constante: a imagem de Sakura. Quando acordara no hospital não se lembrava de muito, porém, com o passar dos dias imagens desconexas começavam a surgir em sua mente. Momentos agradáveis com ela eram maioria, mas a imagem dela tentando salvá-lo, a dele a agredindo, a dela vomitando no chão, atacando Kazumi... essas predominavam... e o deixavam mais confuso. A rua estava deserta como sempre, o som de seus passos ecoava alto pelas ruas. Lua cheia... não dormiria essa noite.
Para quem olhasse de longe Gaara pareceria um empresário bêbado qualquer. A gravata pendurada de modo displicente pelo pescoço, a camisa branca aberta até o segundo botão, o paletó pendurado num ombro... para quem arriscava olhar de perto era uma visão triste e perturbadora uma vez que seu olhar e expressão facial eram sempre um misto de tristeza, raiva e insanidade.
Gaara se descobriu na rua do prédio de Sakura. Parou de frente para as janelas do apartamento dela. Deve estar dormindo, concluiu pela ausência de luzes no lugar. Sempre imaginava o que aconteceria caso a encontrasse novamente, mas, segundo sua irmã, Sakura não estava presente na clínica por motivos não divulgados. A única forma de um encontro seria procurá-la. Perguntava-se se conseguiria ver a verdade quando a encarasse. Talvez fosse tudo realmente um mal entendido como ela lhe dissera na hora, ou talvez descobrisse que realmente fora traído por alguém em quem passara a confiar... por alguém cuja presença era necessária quase como o ar... Kuso! Afanou os cabelos exasperado. Aquilo seria demais para ele...
Aproximou-se do prédio, apertando o botão do interfone.
"Oy, não acha que 3 da manhã é um horário muito incômodo para se perturbar alguém?"
Gaara voltou-se para o dono da voz franzindo o cenho. "E o que você tem com isso?"
"Tudo, uma vez que o apartamento que tocou se relaciona a mim. O que você quer com Hinata-sama?"
"Hinata? – Gaara cambaleou para trás, pensativo. Tinha certeza de que era Sakura quem morava lá. – Você deve estar confundindo os números."
O homem chamou pelo outro que estava descansando dentro de um carro estacionado na rua. "Tenho certeza de que não."
Gaara respirou fundo tentando segurar a onda que parecia crescer em seu interior.
"Hai?" A voz delicada e sonolenta de Hinata soou no interfone.
Gaara olhou confuso para o aparelho ao reconhecer a voz. "Hyuuga... Hinata?"
Houve um breve silêncio antes dela concordar. "D..dare desu ka? Gaara-sama?"
"Hn..."
A porta fez um apito.
"Chotto matte, Hinata-sama!" Um dos seguranças alertou.
"Daijoubu. Gaara-sama e toda a família Sabaku são bons amigos da família."
"Demo, já é madrugada e..."
"Pode ir descansar. Se Gaara-sama apareceu nesse horário é porque deve ser importante." E logo em seguida se ouviu um clique indicando que ela havia desligado o interfone.
Gaara encarou os seguranças pessoais de Hinata. "Algum problema?"
Observou-os empalidecerem e acenarem que não e subira o mais rápido que pode, sequioso por respostas e por algum conforto. Precisava encontrar Sakura e acabar com aquele tormento.
Hinata abrira a porta envolta num roupão e com um sorriso afável e preocupado. Convidou-o a entrar. De pronto ele reconheceu o aroma comum ao apartamento de Sakura. O cheiro dela ainda era presente, pensou nostálgico. Realmente sentia falta dela, mesmo que pensar nela e em Sasuke tocando nela como vira naquele dia fizesse seu sangue ferver.
"Sente-se, por favor. Estou fazendo um chá."
"Hn, doumo."
"D..daijoubu? Você não parece muito bem..." Ela disse enquanto o servia.
"Onde está Sakura?"
O olhar de Hinata caiu em pesar e ela sacudiu a cabeça. "N..não sei. Tsunade-sama a transferiu da clínica."
"Você mente."
Ela acenou que sim, a cabeça ainda baixa.
"Naze?"
Ela respirou fundo. "Porque prometi a ela não dizer onde se encontra. Porque recebi ordens de Tsunade-sama e principalmente... – ela fez uma pausa como que tomando fôlego ou coragem. – porque ela está sofrendo e é por culpa sua, Gaara-sama. Sakura-chan precisa de tempo..."
Gaara analisou o que lhe fora dito e cobriu o rosto com as mãos. Estava exausto, mas não conseguia dormir. Sentia dores no peito e aquela agitação maldita o fazia perder qualquer sentido de preservação própria.
"Sumimasen..." Ela disse tocando-lhe o ombro.
Gaara permaneceu imóvel, sentia-se desesperado. Não conseguia melhorar, não conseguia se sentir bem, não conseguia pensar...
"Fique aqui essa noite... quiser podemos ir cedo à clinica e posso tentar te ajudar com algo. Quem sabe sabe você possa relaxar mais."
"Não precisa se preocupar."
"Eu insisto... – Ela foi a cozinha e lhe trouxe um comprimido. – Aqui, vai fazê-lo relaxar."
Gaara encarou o comprimido por um tempo.
"Não se preocupe, é um sonífero leve... em você não deve fazer muito efeito, mas quem sabe o ajudará a se acalmar o suficiente para descansar um pouco, ne?"
Hinata corou ao se sentir ser estudada pelo outro com tanta intensidade e o viu acenar que sim como que num tipo de agradecimento. Felizmente se acostumara um pouco com ele na época que fora paciente de Sakura na clínica. Conseguia ler alguns sinais e entender o que ele queria dizer. Ela trouxe uma coberta para ele. "Sabe, talvez conversando com a Tsunade-sama você possa saber onde ela está..."
"Hn... – ele sorveu o resto do chá. – Arigatou..."
Ela sabia que o agradecimento era pela permissão de poder ficar durante a noite. Hinata não tinha experiência em relacionamentos, mas se tinha algo que sabia era que aqueles dois sentiam algo um pelo outro. Poderia não saber qual o tipo ou qual a dimensão do sentimento, mas mesmo assim a energia de Gaara ansiava pela de Sakura e o apartamento ainda tinha muita energia dela presente. Inclusive os aromas. Passar a noite ali com certeza poderia dar a ele um quê de alívio...
Ou assim era o que esperava, pensou ao fechar silenciosamente a porta de seu quarto antes de ligar para seus seguranças e explicar a situação antes que eles surtassem pela ausência de luzes no apartamento.
Continua...
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Espero que tenham gostado, gente! Esperarei ansiosa pelos comentários de vocês todos!
Até o próximo capítulo!
