Olá, queria primeiro dar os parabéns a todas as mulheres. Sei que é um desafio viver nessa sociedade preconceituosa, mas fico feliz em ver quantas meninas maravilhosas e corajosas existem :D
Guest: Desculpe a demora, sério. Mas espero que goste desse cap!
Gatinhos: Oi, tudo bem? Qual capítulo sobre o óculos de Harry? Desculpe mesmo a demora, tentarei demorar menos no próximo. Mas espero que goste desse!
A Copa Mundial de Quadribol - Parte I
Agarrados às compras, o Sr. Weasley à frente, todos correram
- Vocês não tem tempo para perder - disse James.
para a floresta seguindo o caminho iluminado pelas lanternas.
- Seguindo a luz.
Ouviam a algazarra de milhares de pessoas que se movimentavam à volta deles, gritos, gargalhadas e trechos de canções.
- É exatamente assim que deve ser - falou James satisfeito.
A atmosfera de excitação febril era extremamente contagiosa; Harry não conseguia parar de sorrir.
- Tá ai algo raro.
- Vocês fazem com que eu pareça sério o tempo todo.
- Er, bem, sobre isso... O clima está ótimo hoje.
Harry olhou ofendido para George.
Caminharam pela floresta durante vinte minutos, conversando e brincando
- Parecem até pessoas normais - disse Neville.
- Somos normais - disse Hermione.
- Por favor - protestou Ginny rindo.
em voz alta até que finalmente emergiram do outro lado e se viram à sombra de um gigantesco estádio.
- Imagino que eles aproveitaram a oportunidade para vender o máximo de ingressos possíveis - disse Frank sorrindo.
- Quem não faria isso? - retrucou Regulus.
Embora Harry só pudesse ver partes das imensas paredes douradas que cercavam o campo, ele podia afirmar que caberiam dentro dele, com folga, umas dez catedrais.
- Eu falei - disse Frank.
- Contanto que o dinheiro seja bem aproveitado - Lily deu de ombros.
— Tem capacidade para cem mil pessoas — disse o Sr. Weasley, vendo o ar de assombro no rosto do garoto.
- Não esperava isso do mundo bruxo.
- Mas, Harry, era a Copa Mundial de Quadribol.
Harry deu de ombros.
- Sempre penso que existem poucos bruxos.
— Uma força-tarefa do Ministério, com quinhentas pessoas, trabalhou o ano inteiro.
- Um ano inteiro para um evento - disse Lily com assombro.
- Claro, tem muito trabalho a ser feito - falou James sério.
Há Feitiços Antitrouxas em cada centímetro.
- Não conseguiram inventar algo mais prático? - Frank franziu o cenho.
Todas as vezes que, neste ano, os trouxas se aproximavam da área, eles de repente se lembravam de compromissos urgentes e precisavam sair correndo…
- Bem sutil - ironizou Ron.
- Bem, funcionou - Fred deu de ombros.
Deus os abençoe
- Seu pai é realmente louco por trouxas, não? - perguntou Regulus em um tom cientifico. Para ele, isso era algo tão estranho, uma noção tão absurda.
- É sim - falou Ginny em um tom defensivo.
— acrescentou ele carinhosamente, se encaminhando para o portão mais próximo, que já estava cercado por um enxame de bruxos e bruxas aos gritos.
- Todos querendo que o jogo começasse logo - disse Hermione.
- Mas é claro.
— Lugares de primeira!
Ron sorriu. Tinha ficado feliz em ter algo de primeira qualidade, finalmente.
— exclamou a bruxa do Ministério ao portão, quando verificou as entradas deles. — Camarote de honra! Suba direto, Arthur, o mais alto possível.
- Será possível que tem alguém no Ministério que o seu pai não conheça? - perguntou Dorcas para Ginny. A ruiva balançou a cabeça.
As escadas de acesso ao estádio estavam forradas com carpetes púrpura berrante.
- Nossa, de quem foi essa ideia horrível? - perguntou Lene.
Eles subiram com o resto da multidão, que aos poucos foi se dispersando pelas portas à direita e à esquerda que levavam às arquibancadas.
- Finalmente deu para respirar - disse George.
O grupo do Sr. Weasley continuou subindo e finalmente chegou ao alto da escada, onde havia um pequeno camarote, armado no ponto mais alto do estádio e situado exatamente entre as duas balizas de ouro.
- Um ponto ideal.
Umas vinte cadeiras douradas e púrpura tinham sido distribuídas em duas filas, e Harry, ao entrar na primeira com os Weasley, deparou com uma cena que ele jamais imaginara ver.
- O que será agora? - perguntou Alice revirando os olhos.
Os Weasley encararam Harry, não lembravam de nada estranho acontecendo.
Cem mil bruxos e bruxas iam ocupando os lugares que se erguiam em vários níveis em torno do longo campo oval.
- Ah, é só isso? Por um momento, você me assustou.
Tudo estava banhado por uma misteriosa claridade dourada que parecia se irradiar do próprio estádio. Ali do alto, o campo parecia feito de veludo.
- Que visão linda - suspirou Lily.
De cada lado havia três aros de gol, a quinze metros de altura, do lado oposto ao que estavam, quase ao nível dos olhos de Harry, havia um gigantesco quadro-negro.
- Que sociedade mais ultrapassada - brincou Lissy. Somente os seus irmãos, Harry e Hermione entenderam a piada.
Palavras douradas corriam pelo quadro sem parar como se uma gigantesca mão invisível as escrevesse e em seguida as apagasse,
- Sempre achei isso muito legal - comentou Neville.
observando melhor, Harry viu que o quadro projetava anúncios no campo.
- Anúncios sempre são bons para ganhar dinheiro.
"Bluebottle: uma vassoura para toda a família — segura, confiável, equipada com alarme antiroubo…
- Qual é a graça dessa vassoura? Para que uma vassoura confiável? - falou James.
- Eu adoraria ter uma - disse Lily - Me sentiria muito mais segura.
Removedor Mágico Multi uso da Sra. Skower. Sem dor nem cor!… Trapo Belo Moda Mágica — Londres, Paris, Hogsmeade…"
- Somente os lugares mais importantes.
- Você tem que ver Paris um dia - Frank prometeu ao filho.
Harry desgrudou os olhos do quadro e espiou por cima do ombro para ver quem mais dividia o camarote com eles.
- Você é sempre curioso assim?
- Quase sempre.
Por ora estava vazio, exceto por uma criaturinha sentada na antepenúltima cadeira na fila logo atrás. A criatura, cujas pernas eram tão curtas que ficavam esticadas para frente sem poder dobrar,
Hermione estava irritada. Como queriam que ela não quisesse libertar uma criatura tratada assim?
usava uma toalha de chá drapejada, presa como uma toga, e tinha o rosto escondido nas mãos. Contudo, aquelas compridas orelhas de morcego eram estranhamente familiares…
- Dobby está aí? - perguntou Frank espantado. Tudo bem que aquele elfo era meio louco, mas...
— Dobby? — perguntou Harry incrédulo.
A criaturinha levantou a cabeça e entreabriu os dedos, deixando aparecer enormes olhos castanhos e um nariz do tamanho exato de um tomate.
- Tomate é muito bom - comentou Alice em tom sonhador. Frank encarrou a namorada como se ela fosse um alien.
Não era Dobby,
- Acho que já percebemos isso.
mas era, sem a menor dúvida, um elfo doméstico, como fora o amigo de Harry, Dobby. O garoto o libertara dos antigos donos, a família Malfoy.
- Tenho muito orgulhoso de você - disse Hermione.
- Hum, obrigado - disse Harry incerto.
— O senhor me chamou de Dobby? — guinchou o elfo cheio de curiosidade,
- Eu não sou a única pessoa curiosa - disse Harry.
por entre os dedos. Sua voz era ainda mais aguda que a de Dobby, um fiapinho trêmulo de guincho,
Ginny fez uma careta. Embora gostasse de elfos, que voz insuportáveis!
e Harry suspeitou, embora isso fosse muito difícil dizer no caso de elfos domésticos, que este talvez fosse do sexo feminino.
- Boa adivinhação - comentou Ron.
Harry parecia meio triste com a menção de Dobby.
Ron e Hermione se viraram nas cadeiras para olhar.
- Mais dois curiosos.
Embora tivessem ouvido Harry falar muito de Dobby,
- Como o apaixonado que é.
- Hilário, Ron.
nunca haviam chegado a conhecê-lo.
- Harry gosta de manter os amantes em segredo.
- Até tu, Hermione? - perguntou Harry chocado.
Até o Sr. Weasley se virou para trás interessado.
- Conclusão: Todos são curiosos.
— Desculpe — disse Harry —, achei que você era alguém que eu conhecia.
Lily sorriu para o seu filho. Como ele era educado!
— Mas eu também conheço Dobby, meu senhor!
- Quais as chances disso?
- Nem ideia - falou Regulus pensativo.
— guinchou o elfo. Escondia o rosto como se a luz o cegasse, embora o camarote de honra não fosse muito bem iluminado.
O Trio trocou olhares.
— Meu nome é Winky, meu senhor, e o senhor… — seus grandes olhos castanho-escuros se arregalaram tanto que pareceram pratinhos de pão ao pousarem na cicatriz de Harry — o senhor com certeza é Harry Potter!
- Até o elfo-doméstico? - disse Lene chocada. Okay, tudo bem que Harry era super-hiper-mega famoso, mas um elfo? Não era nem mesmo, bem, parte direta da comunidade mágica.
— É, sou.
- Mais um momento: Será mesmo Harry Potter?
— Ora, Dobby fala do senhor o tempo todo, meu senhor — disse ela baixando um tantinho as mãos e parecendo assombrada.
- É a prova de um relacionamento bem sucedido - brincou Sirius.
— Como vai ele? — perguntou Harry. — Está gostando da liberdade?
Pena que ele não teve tempo para aproveitá-la, pensou Harry tristemente.
— Ah, meu senhor — disse Winky, sacudindo a cabeça —, ah, meu senhor, sem querer lhe faltar ao respeito,
- Vish, lá vem bronca.
meu senhor, mas não tenho muita certeza se o senhor fez um favor a Dobby, meu senhor, quando deu a liberdade a ele.
- Ouviu isso, Hermione?
- Eles podem não saber ainda que querem liberdade, mas eles querem! - afirmou Hermione convicta.
— Por quê? — perguntou Harry, espantado. — Que é que ele tem?
- Respeito por si mesmo.
- Hermione, eu estou querendo ler - reclamou Ron.
— A liberdade está subindo à cabeça dele — disse Winky tristemente. — Idéias acima da condição social dele, meu senhor. Não consegue outro emprego, meu senhor.
- Isso é um sinal que precisamos mudar a sociedade como um todo.
— Por que não?
Winky baixou a voz uma oitava e sussurrou:
— Ele está exigindo pagamento pelo trabalho que faz, meu senhor.
- Como ele devia fazer! - disse Hermione.
— Pagamento? — exclamou Harry sem entender. — Ora… por que ele não deveria receber pagamento?
- Porque não é assim que a mágica deles funcionam - afirmou Frank.
Winky pareceu horrorizada com a idéia e fechou os dedos um tantinho, de modo que seu rosto tornou a ficar invisível.
- Está vendo, Hermione? Ela está horrorizada com a ideia de pagamento - disse Ron.
— Elfos domésticos não recebem pagamento, meu senhor! — disse ela num guincho abafado. — Não, não, não. Eu digo ao Dobby, eu digo, procure uma boa família e tome juízo, Dobby. Ele anda fazendo todo tipo de feitiço avançado, meu senhor, o que não fica bem para um elfo doméstico.
- A sociedade de elfo parece julgar ainda mais que a bruxa - observou Dorcas.
Você fica aprontando por aí, Dobby, eu digo, e daqui a pouco eu vou saber que você teve que comparecer no Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, como um duende desclassificado.
- O que é isso? - perguntou Hermione.
- Você não sabe? - perguntou Frank chocado - Quando os elfos chegam a esse nível, é porque eles já caíram em desgraça. Eles sofrem vários tipos de repressão da sociedade em que vivem. Não é fácil viver assim.
— Bem, já estava na hora de ele se divertir um pouco — falou Harry.
- Harry me entende!
- Me deixe fora disso, por favor.
— Elfos domésticos não nasceram para se divertir, Harry Potter — disse Winky com firmeza, por trás das mãos. — Elfos domésticos fazem o que são mandados fazer.
- Uma clara escravidão! - disse Hermione, mas estava meio sem forças pelo que descobrira agora.
Eu não estou gostando nem um pouco da altura, Harry Potter… — ela olhou para a borda do camarote e engoliu em seco — … Mas meu dono me mandou para o camarote de honra e eu obedeço, meu senhor.
- Eu acho que ele vê isso do mesmo jeito que você faz algo para o seu chefe, mesmo sem gostar. Por exemplo, você pode ser uma jornalista e querer escrever sobre esportes, mas acabar falando sobre desfiles de moda - falou Alice, pensativa.
— Por que é que ele mandou você aqui, se sabe que você não gosta de alturas? — perguntou Harry franzindo a testa.
- Talvez ele não saiba - sugeriu Frank, mas sabia que no fundo isso não faria diferença.
— Meu dono… Meu dono quer que eu guarde um lugar para ele, Harry Potter, ele está muito ocupado
- Claro que está - comentou Harry friamente.
— disse Winky, inclinando a cabeça pata a cadeira vazia ao lado. — Winky está querendo voltar para a barraca do dono, Harry Potter, mas Winky é bem mandada, Winky é um bom elfo doméstico.
- Pelo menos, ela está feliz com ela mesma - Hermione se consolou.
Ela lançou outro olhar assustado à borda do camarote
- Nunca entendi pessoas que tem medo de altura.
- É apavorante - disse Lily - Não pode simplesmente pisar e sentir o chão sob si.
e tornou a esconder completamente os olhos. Harry se virou para os outros.
- Lembrou de nós agora, foi?
— Então isso é um elfo doméstico? — murmurou Ron. — Esquisitos, não são?
- Eles não são esquisitos, só diferentes - protestou Hermione. Regulus a encarou duramente.
— Dobby era ainda mais esquisito — disse Harry, com veemência.
Hermione lançou um olhar desapontado para o amigo.
Ron tirou o onióculo e começou a testá-lo, observando a multidão embaixo, do lado oposto do estádio.
- Rony stalker ativado - comentou Fred.
— Irado! — disse ele, girando o botão lateral para fazer a imagem voltar. –Consigo ver aquele velhote lá embaixo meter o dedo no nariz outra vez… Mais uma vez… E mais outra…
- Você é muito nojento - falou Ginny horrorizada. De todos os irmãos que tinha, Ron sempre tinha sido o pior nisso.
Entrementes, Hermione estava lendo superficialmente o programa que tinha borda e capa de veludo.
- Um grande contraste cultural - disse Neville, sorrindo.
— Vai haver um desfile com as mascotes dos times antes da partida — leu ela em voz alta.
- Foi horrível - ela comentou.
- Nem foi tão ruim - replicou Ginny - Foi meio divertido.
- O que aconteceu? - perguntou Dorcas curiosa.
- Uma péssima escolha de criaturas - resmungou Hermione.
— Ah, a isso sempre vale a pena assistir — disse o Sr. Weasley. — Os times nacionais trazem criaturas da terra natal, sabem, para fazer farol.
- Todo país gosta de se exibir.
O camarote foi-se enchendo gradualmente em volta deles durante a meia hora seguinte. O Sr. Weasley não parava de apertar a mão de bruxos, obviamente muito importantes.
- Seu pai realmente é popular - comentou Alice, espantada.
Percy levantou-se de um salto tantas vezes que até parecia que estava tentando sentar em cima de um porco-espinho.
- Adoro suas descrições, Harry - comentou Fred.
Quando Cornelius Fudge, Ministro da Magia,
- Não sei como ele conseguiu chegar ai.
- Agradando as pessoas certas - disse Neville.
chegou, Percy fez uma reverência tão exagerada que seus óculos caíram e se partiram.
- Ele deve ter morrido de vergonha - comentou Lily, com pena.
Ginny assentiu.
Muito encabulado, ele os consertou com a varinha e dali em diante permaneceu sentado, lançando olhares invejosos a Harry,
Frank balançou a cabeça. Ele admirava Percy pelo seu óbvio desejo de ter uma vida melhor e manter uma carreira política, mas ficar invejando todos que possuíam status não daria certo.
a quem o ministro cumprimentara como um velho amigo.
- Só por causa da minha fama - Harry revirou os olhos. Ele realmente odiava política.
- Bem, sua fama também é uma parte de você - comentou Regulus pensativo. Harry virou, curioso, para ele - Eu só quero dizer que, bem, sua fama vai sempre te seguir para qualquer lugar. Você podia tentar aproveitá-la ao invés de odiá-la. Eu sei que você não gosta de atenção, mas você tem que entender que você também tem um poder político. Se você quisesse apoiar publicamente a construção de um hospital bruxo melhor, por exemplo, não duvido nada que ele acabaria existindo.
Sirius olhou para o irmão irritado. Isso era tão Black. A sua família tinha o poder corromper as pessoas aos poucos. Ele assistiu espantado quando Harry sorriu de volta para Regulus.
Harry não iria admitir isso em voz alta ainda, mas Regulus tinha um ponto. Talvez ele fosse estúpido em nunca tentar usar o seu nome para uma boa causa, não é como se ele fosse sair se promovendo como Voldemort fazia.
Os dois já se conheciam e Fudge apertou a mão de Harry paternalmente,
- Embora ele quase não me conheça - acrescentou Harry.
perguntou como ele estava e apresentou-o aos bruxos de um lado e de outro.
- Hora do show político - disse Alice.
— Harry Potter, sabe — disse ele em voz alta ao ministro búlgaro, que usava esplêndidas vestes de veludo preto, enfeitadas com ouro, e aparentemente não entendia uma única palavra de inglês. — Harry Potter… Ah, vamos, o senhor sabe quem é… O menino que sobreviveu ao ataque de Você-Sabe-Quem… Tenho certeza de que o senhor sabe quem é…
O bruxo búlgaro, de repente, viu a cicatriz de Harry e começou a algaraviar em voz alta e excitada, apontando para a marca.
- Bem, ele definitivamente sabia quem Harry era - comentou Ron.
— Sabia que íamos acabar chegando lá — disse Fudge, esgotado, a Harry.
- Ele está esgotado, imagina eu - disse Harry.
— Não sou grande coisa para línguas, preciso de Barty Crouch nesses encontros.
- Não sei como Percy não aproveitou essa hora para fazer um discurso - disse Sirius.
- Talvez ainda esteja muito constrangido com o fato do chefe não saber o seu nome - Lene respondeu.
- Ah, é.
Ah, vejo que o elfo doméstico está guardando o lugar dele… Bem pensado, esses búlgaros danados têm tentado arrancar da gente os melhores lugares…
- Não podemos deixar isso acontecer - afirmou James.
Ah, ai vem Lucius!
- Com certeza ele não quer dizer Lucius Malfoy? - questionou Neville.
- Gostaria de dizer que sim - respondeu Harry infeliz. Lucius conseguia ser pior ainda que Draco.
Harry, Ron e Hermione se viraram depressa.
- Vocês até se movem juntos, meu Merlin.
Avançando vagarosamente pela segunda fila, em direção a três lugares ainda vazios, bem atrás do Sr. Weasley, vinham ninguém menos que os antigos donos de Dobby — Lucius Malfoy, seu filho Draco e uma mulher que Harry supôs que fosse a mãe do garoto.
- É engraçado como eu conheço a família toda de Malfoy - disse Harry.
- Bem, ele está relacionado a você. Em algum grau - comentou James pensativo.
- Assim como a nós - resmungou Ron.
- Qual minha relação com Malfoy?
Harry Potter e Draco Malfoy eram inimigos desde a primeira viagem de trem para Hogwarts.
James e Snape se olharam mutuamente e depois desviaram o olhar, irritados.
- Para quer ter Voldemort como inimigo quando se tem Draco Malfoy? - brincou Harry.
Um garoto de rosto fino e cabelos muito louros, Draco se parecia muito com o pai.
- Uma pena - resmungou Sirius. Pelo menos sua prima era bonita.
A mãe também era loura, alta e magra, e até seria bonita se não carregasse no rosto uma expressão que sugeria que estava sentindo um mau cheiro bem debaixo do nariz.
- Ela sempre tem essa expressão - resmungou Sirius.
- Não é verdade e você sabe disso, Sirius - disse Regulus.
- Eu não sei de nada sobre isso, Regulus - replicou Sirius friamente - O que eu sei é que nenhum deles olhou para a minha cara depois que eu fugi de casa.
Nem você, Regulus, estava implícito. A acusação pairou no ar.
- Não tinha nada que pudêssemos ter feito, nenhum de nós. Você tinha sido deserdado da família, Sirius, e não foi só culpa da mãe e do pai! Não aja como se fosse um santo - Regulus falou frustado.
- O que você disse? - Sirius perguntou em um tom morto. Regulus não respondeu, arrependendo-se ao ver a iria nos tão familiares olhos cinzas - Você acha que a culpa foi minha?
- Não, Sirius! Mas você provocava e provocava... Você podia ter evitado re...
- Eu achei que você era diferente - interrompeu Sirius, levantando-se e indo se sentar do lado de Remus, que estava próximo a Dorcas.
Todos se entreolharam, sem saber o que dizer. Lene levantou-se e foi atrás de Sirius, o dando um rápido abraço.
Harry colocou uma mão no ombro de Regulus, porém mandou um olhar de pena para Sirius. Não podia dizer qual dos dois estava com razão, para ser honesto conhecia pouco da vida deles em casa, mas queria gritar para eles pararem de discutir. Detestava ver seu padrinho e o seu melhor amigo brigando assim.
— Ah, Fudge — disse o Sr. Malfoy, estendendo a mão para o Ministro da Magia, ao chegar mais próximo.
- Percy deve ter sentido muita inveja - comentou Lene.
— Como vai? Acho que você não conhece minha mulher, Narcisa? Nem o nosso filho, Draco?
- Teve uma vida muito feliz, então - comentou Ron.
— Como estão, como estão? — disse Fudge, sorrindo e se curvando para a Sra. Malfoy. — E me permitam apresentar a vocês o Sr. Oblansk ("Obalonsk, senhor"), bem, o Ministro da Magia da Bulgária,
- Eu quero muito ir para lá! - comentou Frank empolgado. Tinha algumas coisas bastante admiráveis sobre esse país e não só a parte bruxa.
e de qualquer modo ele não consegue entender nenhuma palavra do que estou dizendo, portanto não faz diferença. E vejamos quem mais, você conhece Arthur Weasley, imagino?
- Pode-se dizer isso - replicou Ginny.
Foi um momento tenso.
- Imagine.
O Sr. Weasley e o Sr. Malfoy se entreolharam e Harry se lembrou nitidamente da última vez que haviam se encontrado; fora na livraria Floreios e Borrões, e os dois tinham partido para uma briga.
- Acho que eles se conhecem até demais - concluiu Alice.
Os olhos do Sr. Malfoy, frios e cinzentos, examinaram o Sr. Weasley e depois a fila em que ele estava.
- Prevejo uma comentário maldoso - comentou Sirius.
— Meu Deus, Arthur — disse ele baixinho. — Que foi que você precisou vender para comprar lugares no camarote de honra?
- Menos coisa que você, que precisou vender a sua alma - comentou James com ódio.
- Não tenho certeza se ele tinha uma - comentou Sirius.
Com certeza sua casa não teria rendido tudo isso, não?
- Bom saber que ele fica imaginando como é nossa casa - murmurou Ginny secamente.
Fudge que não estava prestando atenção, comentou:
— Lucius acabou de fazer uma generosa contribuição para o Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos.
- Que bom, porque ele pode estar prestes a sofrer um acidente - comentou Lene inocentemente.
Está aqui como meu convidado.
- Achei que um ministro fosse saber escolher melhor suas companhias - disse Alice.
- Acredite em mim, quanto a ministros é melhor manter as expectativas baixas - disse Harry.
— Que… Que bom — disse o Sr. Weasley com um sorriso muito forçado.
- E é por isso que o papai nunca tentou uma vida política - comentou Ron, divertido.
Os olhos do Sr. Malfoy se voltaram para Hermione, que corou de leve, mas retribuiu o seu olhar com determinação. Harry sabia exatamente o que estava fazendo os lábios do Sr. Malfoy se crisparem.
- Acho que todos nós sabemos sabemos - disse Sirius e lançou um olhar frio para Regulus, como se fosse culpa dele. O mais novo o olhou de forma irritada.
Os Malfoy se orgulhavam de ter o sangue puro, em outras palavras, consideravam qualquer pessoa que descendesse de trouxas, como Hermione, gente de segunda classe.
Hermione deu um riso irônico. Não era segunda classe, era algo muito pior que isso.
- É um absurdo isso - disse Frank - Total loucura.
Hermione sorriu levemente para ele.
No entanto, sob o olhar do Ministro da Magia, o Sr. Malfoy não se atrevia a dizer nada.
- É bom ver Lucius controlado - comentou Alice.
Acenou a cabeça com desdém para o Sr. Weasley
Ginny revirou os olhos.
e continuou a avançar em direção aos lugares vazios. Draco lançou a Harry, Ron e Hermione um olhar de desprezo,
- Sempre um amor - disse Lily.
depois se sentou entre a mãe e o pai.
- Não sei quem é pior - disse Sirius.
Regulus lhe lançou um olhar assassino. Claro que era Lucius.
— Babacas nojentos — murmurou Ron,
- Ninguém irá discordar.
quando ele, Harry e Hermione tornaram a se virar para o campo. No momento, seguinte, Ludo Bagman adentrou o camarote de honra.
- Um lugar que não estava nem um pouco tenso, diga-se de passagem - falou Frank.
— Todos prontos? — perguntou ele, o rosto redondo e excitado brilhando como um queijo holandês.
- Harry e suas comparações estão de volta - anunciou Fred, divertido.
— Ministro, podemos começar?
— Quando você quiser, Ludo — disse Fudge descontraído.
Hermione revirou os olhos. O homem nunca levava nada a sério.
Ludo puxou a varinha, apontou-a para a própria garganta, disse "Sonorus!" e então, sobrepondo-se à zoeira que agora enchia o estádio lotado falou; sua voz reboou, ecoando em cada canto das arquibancadas:
- Ainda irei fazer esse feitiço um dia - disse James, divertido.
- Eu espero que não - resmungou Lily. O ego dele já era grande demais, obrigada.
— Senhoras e senhores… bem-vindos! Bem-vindos à final da quadricentésima vigésima segunda Copa Mundial de Quadribol!
- Já está na quadricentésima vigésima? - perguntou James assustado.
- 1994, lembra? - falou Harry.
- Eu esqueço a diferença de tempo, ás vezes - admitiu ele.
Os espectadores gritaram e bateram palmas. Milhares de bandeiras se agitaram, somando seus desafinados hinos nacionais à barulheira geral.
- Um inferno - resmungou Hermione. Ninguém ligou.
O grande quadro-negro defronte apagou a mensagem (Feijõezinhos de todos os sabores Beto Botts — um risco cada dentada!) e passou a informar:
BULGÁRIA: ZERO
IRLANDA: ZERO
- VAI COMEÇAR! - gritou James.
- É, amor, já sabemos disso - comentou Lily secamente.
— E agora, sem mais demora, vamos apresentar… Os mascotes do time búlgaro!
- Essa sempre foi minha parte preferida - admitiu Alice. Dorcas concordou.
O lado direito das arquibancadas, que era uma massa compacta e vermelha, berrou manifestando sua aprovação.
— Que será que eles trouxeram? — comentou o Sr. Weasley curvando-se para frente na cadeira. — Ah-ha! — Ele de repente tirou os óculos e limpou-os depressa nas vestes. — Veela!
Lily fez uma careta.
— Que são Veela?
- Você nunca ouviu falar nelas? - perguntou Regulus, espantado.
- Ele não é obrigado a saber - retrucou Sirius, friamente, antes que Harry pudesse responder.
- Eu estou falando com ele - o mais novo Black respondeu de volta.
Enquanto isso, Harry encarava o amigo e padrinho em pânico. Eles não podiam ficar assim. O que ele faria?
Mas cem Veela deslizaram pelo campo
- Maior concentração de veela que eu já vi - comentou Lene, surpresa.
- Isso não vai dar certo - disse Alice.
e a pergunta de Harry ficou respondida. Veela eram mulheres… As mulheres mais belas que Harry já vira… Só que não eram — não podiam ser humanas.
- Bem, você notou isso mais rápido que a maioria - disse Hermione e lançou um olhar acusador para Ron.
Isto deixou Harry intrigado por alguns momentos, tentando adivinhar o que poderiam ser exatamente, que é que faria a pele dela refulgir como o luar ou os cabelos louro-prateados se abrirem em leque para trás sem haver vento...
Regulus encarou Harry curioso. Era raro um homem conseguir ter tanto auto-controle diante de um grupo tão grande de veela, mesmo que a distância.
Frank olhou para Regulus, questionando a mesma coisa. Como Harry tinha conseguido se controlar tão bem na primeira vez que as vira?
- Pela primeira vez, vejo um pouco de corvinal em você, Harry - disse Neville.
- Obrigado... eu acho - retrucou Harry, inseguro.
Mas então a música começou tocar e Harry parou de se preocupar se elas seriam ou não humanas. Na realidade, parou de se preocupar com tudo.
- Durou mais que a maioria - comentou Regulus, dando de ombros. Ele estava envergonhado de dizer que tinha durado bem menos na sua primeira experiência com veela.
As Veela começaram a dançar e a cabeça de Harry ficou completa e bem-aventuradamente vazia.
- Nada para relaxar como veela - comentou Sirius sonhadoramente.
Lene bateu nele.
- Não fale delas assim, Sirius.
Tudo que importava no mundo era continuar a assistir às Veela, porque se elas parassem de dançar coisas terríveis iriam acontecer…
- Como o jogo começar? - perguntou Hermione.
E enquanto as Veela dançavam cada vez mais rapidamente, pensamentos incompletos e delirantes começaram a se formar na mente atordoada de Harry.
- Guarde esses pensamentos delirantes para você - Josh estremeceu.
Ele queria fazer uma coisa bem impressionante naquele momento. Atirar-se do camarote para o estádio lhe pareceu uma boa ideia…
Okay, talvez o auto-controle de Harry não fosse tão perfeito assim, concluiu Regulus.
- Uma ótima ideia - ironizou Alex.
Mas seria suficiente?
- Não, conversar é muito melhor - sugeriu Lissy.
— Harry, que é que você está fazendo? — ele ouviu lá longe a voz de Hermione.
- Ainda bem que você estava lá para colocar juízo na cabeça dos meninos - disse Lily sorrindo para Hermione.
A música parou. Harry piscou os olhos. Ele estava em pé, tinha uma das pernas passada por cima da borda do camarote.
- Foi por pouco - falou James, assustado. De repente, veela não parecia algo tão legal assim.
Ao lado dele, Ron estava paralisado numa posição que dava a impressão de que ia saltar de um trampolim.
- Acho que era isso que eu queria fazer - comentou Ron envergonhado.
Gritos indignados começaram a encher o estádio.
- Lá vem - disse Alice.
A multidão não queria que as Veela se retirassem. Harry concordava, ele iria, claro, torcer pela Bulgária, e se perguntou meio vagamente porque estava usando um grande trevo verde preso ao peito.
- Lavagem cerebral total.
Entrementes, Ron, distraidamente, despetalava os trevos do chapéu. O Sr. Weasley, sorrindo, curvou-se para Ron e tirou o chapéu das mãos do filho.
- Ser adulto tem suas vantagens - comentou Fred.
— Você vai querer isso depois — disse ele —, depois que a Irlanda disser a que veio.
— Hum? — exclamou Ron fixando, boquiaberto, as Veela, que agora estavam enfileiradas a um lado do campo. Hermione deu um muxoxo alto.
- Alguém já estava apaixonada.
- Ah, cala a boca.
Esticou o braço e puxou Harry de volta à cadeira dele.
- Estava com medo que Harry fosse se matar se continuasse assim...
- Ei, eu não faria isso.
- Sob o efeito da veela, eu não teria tanta certeza.
— Francamente! — exclamou.
— E agora — trovejou Ludo Bagman — por favor, levantem as varinhas bem alto… Para receber os mascotes do time nacional da Irlanda!
- Agora sim - comentou Ron.
No instante seguinte, algo que lembrava um imenso cometa verde e ouro entrou velozmente no estádio. Deu uma volta completa, depois se subdividiu em dois cometas menores, que se projetavam em direção às balizas. De repente, um arco-íris atravessou o céu do campo unindo as duas esferas luminosas.
- Isso é um trabalho bonito - disse Alex satisfeito.
A multidão fazia "aaaaah" e "ooooh", como se presenciasse um espetáculo de fogos de artifício. Depois o arco-íris foi se dissolvendo e as esferas se aproximaram e se fundiram; tinham formado um grande trevo refulgente, que subiu em direção ao céu e ficou pairando sobre as arquibancadas.
- Que lindo - suspirou Alice.
Parecia estar deixando cair uma espécie de chuva dourada…
Lene revirou os olhos. Quem cairia nessa?
— Excelente! — berrou Ron, quando o trevo sobrevoou o camarote, fazendo chover pesadas moedas de ouro, que ricocheteavam nas cabeças e cadeiras.
Okay, algumas pessoas caíam.
Apertando os olhos para ver melhor o trevo, Harry percebeu que na realidade ele era composto de milhares de homenzinhos barbudos de colete vermelho, cada qual carregando uma minúscula luz ouro-e-verde.
- Eles não são homenzinhos barbudos - repreendeu Hermione.
- Eles tem essa aparência - Harry deu de ombros.
— Leprechauns! — exclamou o Sr. Weasley, fazendo-se ouvir em meio ao tumultuoso aplauso dos espectadores, muitos dos quais continuavam a disputar o ouro e a procurá-lo por todo o lado em volta e embaixo das cadeiras.
— Toma aqui, Harry — gritou Ron feliz, metendo um punhado de moedas de ouro na mão do amigo. — Pelo onióculo! Agora você vai ter que me comprar um presente de Natal, ha!
- Só gostaria de dizer que essa felicidade durou pouco - disse Ron, triste.
O maior dos trevos se dissolveu e os Leprechauns, que são duendes irlandeses,
- Agora você aprendeu o nome.
- Eu não sou totalmente sem cultura, tá?
foram descendo no lado do campo oposto ao das Veela, e se sentaram de pernas cruzadas para assistir à partida.
- Muito melhor que as veela - disse Frank, mas sorria demais para ser levado a sério. Alice lhe lançou um olhar mortal.
— E agora, senhoras e senhores, vamos dar as boas-vindas… ao time nacional de Quadribol da Bulgária! Apresentando, por ordem de entrada… Dimitrov!
- James, por que você está aplaudindo? Você nem sabe quem é.
- Ué, se ele chegou até ai, ele deve ser bom. Merece meu respeito - e continuou a aplaudir.
Lily o encarou perplexa, mas depois começou a rir e se juntou a ele nas palmas.
Um vulto vermelho montado em uma vassoura, que voava tão veloz que parecia um borrão, disparou pelo campo, vindo de uma entrada lá embaixo, sob o aplauso frenético dos torcedores da Bulgária.
— Ivanova!
Um segundo jogador de vermelho passou zunindo.
— Zografi Levski! Vulchanov! Volkov! Eeeeeeeee… Krum!
- O principal jogador da Bulgária - comentou Fred.
- E um cara legal - acrescentou George.
— É ele, é ele! — berrou Ron, acompanhando Krum com o onióculo;
- Claramente um fã desesperado.
Harry focalizou rapidamente o dele.
Vítor Krum era magro, moreno, de pele macilenta, com um narigão adunco e sobrancelhas muito espessas e negras. Lembrava uma ave de rapina grande demais.
- Não lembra - protestou Hermione.
Ron a encarou.
- Não lembra - ela insistiu.
- Se você diz.
Era difícil acreditar que tivesse apenas dezoito anos.
- Um jogador internacional com 18 anos - disse James sonhador.
— E agora vamos saudar… O time nacional de Quadribol da Irlanda! —, berrou Bagman. — Apresentando… Connolly! Ryan! Troy! Mullet! Moran! Quigley! Eeeeeee… Lynch.
Sete borrões entraram velozes no campo; Harry girou um pequeno botão lateral no onióculo e reduziu a velocidade da imagem o suficiente para ler "Firebolt" em cada uma das vassouras,
- Nada como um patrocínio, não?
e ver os nomes, bordados em prata, nas costas dos jogadores.
— E conosco, das terras distantes do Egito, o nosso juiz, o famoso bruxo presidente da Associação Internacional de Quadribol, Hassan Mostafa!
- Ou o cara que será xingado o jogo interior.
- Isso é uma falta de respeito.
- Mas é o que acontece.
Um bruxo miúdo e magro, completamente careca, mas com uma bigodeira que rivalizava a do tio Vernon, entrou em campo trajando vestes de ouro puro para combinar com o estádio. Um apito de prata saía por baixo dos bigodes e ele sobraçava de um lado uma grande caixa de madeira e, do outro, sua vassoura.
Harry girou o botão de velocidade do seu onióculo para a posição normal, e observou com atenção Mostafa montar a vassoura e abrir a caixa com um pontapé — quatro bolas se projetaram no ar, a goles vermelha, os dois balaços pretos e (Harry o viu por um brevíssimo instante antes que ele desaparecesse de vista) o minúsculo pomo alado de ouro.
- Aposto que você consegue achar antes que os outros apanhadores - comentou Regulus.
- Você confia muito nas minhas habilidades.
- Eu joguei contra você.
Com um silvo forte e curto do apito, Mostafa saiu pelos ares acompanhando as bolas.
— COOOOOOOOOoomeçou a partida! —, berrou Bagman. -É Muíler! Troy! Moran! Dimirrov! De volta a Muíler! Troy! Levski! Moran!
Era Quadribol como Harry nunca vira ninguém jogar antes.
- É um jogo profissional esse, filho - disse James, animado - Todos são excelentes.
Ele apertava o onióculo com tanta força contra os olhos que seus óculos estavam começando a cortar a ponta do nariz. A velocidade dos jogadores era incrível — os artilheiros jogavam a bola um para o outro tão depressa que Bagman só tinha tempo de identificá-los.
- Você consegue chegar nesse nível facilmente - disse Ron animado. Pelo que o amigo já jogava, não era nenhum exagero.
- Ron, não der ideais - disse Hermione. Mas era tarde demais; Harry já estava sorrindo.
- Nunca tentei melhorar minha velocidade.
- Eu vou ter um ataque cardíaco - choramingou Lily.
Harry tornou a girar o botão do lado direito do onióculo para reduzir a velocidade da imagem, apertou o botão "lance a lance" e na mesma hora estava assistindo ao jogo em câmara lenta, enquanto letras púrpuras passavam brilhando pelas lentes do instrumento, e o rugido da multidão martelava seus tímpanos!
- A multidão nunca irá se calar - disse Ron.
"Formação de ataque de Hawkshead" — leu ele enquanto assistia a três artilheiros irlandeses voarem juntos, Troy no meio, um pouco à frente de Mullet e Moran, e investirem contra os búlgaros. "Manobra de Ploy", leu ele em seguida, quando Troy fingiu que ia subir com a goles, atraindo a artilheira búlgara Ivanova, e deixou cair a bola para Moran.
- Já fiz muito essa.
Um dos batedores búlgaros, Volkov rebateu violentamente, com o seu pequeno bastão, um balaço que passava, derrubando-o no caminho de Moran, Moran se abaixou para evitar o balaço e soltou a goles e Levski, que voava mais abaixo, apanhou-a…
— GOL DE TROY!
- Como assim?
—, berrou Bagman, e o estádio estremeceu com o rugido dos aplausos e vivas. — Dez a zero para a Irlanda.
Ron comemorou, mesmo que o jogo tivesse sido há anos.
— Quê? — berrou Harry nervoso, observando o campo com o onióculo. — Mas Levski é que está com a goles!
- Bem, aparentemente não.
Continua...
