Dear Insanity

Capítulo 10

Happy Birtday? part I

Convidados chegavam initerruptamente durante grande parte do tempo e logo o imenso salão — um dos tantos existentes no castelo — enchia-se de forma rápida. Demônios da mais alta estirpe eram os primeiros a chegar e serem recepcionados por Mai, a organizadora, e logo após, serem indicados aos lugares privilegiados pertencentes às personalidades respeitosas ali presentes, ou seja, o conselho.

A festa tinha seu inicio e apesar da aniversariante gostar da presença dos civis, dada a sua simplicidade e educação para com ela, esta havia sido fechada para somente os membros mais importantes — aqueles que inegavelmente eram simpatizantes com Sakura e que a mesma não retribuía de forma menos afetuosa —, o conselho e os anciões — os demônios mais antigos e respeitosos presentes no submundo.

Algo que já não mais surpreendia a todos era o fato de uma festa ocorrer em um lugar tão tétrico e naturalmente taciturno, ainda mais uma festa de aniversário; contudo grandes mudanças acometeram não somente o castelo Uchiha, mas também aqueles que o cercam, desde que fora anunciada —oficialmente — a chegada de um ser cor-de-rosa.

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Estava inegavelmente entediado e sua paciência já esgotava-se conforme tudo o que via diante de suas vistas turvas em irritação, era somente seres execráveis e improfícuos — em sua irrefutável e incontestável opinião —, mas nem sinal de que o motivo da festa estaria, enfim, no salão.

A figura apática e irreverente do rei deixou seu estimado lugar em um glorioso trono no alto e centro do lugar para que pudesse distanciar-se do local cheio demais, o mais rápido que conseguisse.

Após andar alguns instantes — intermináveis — somente ouvindo situações burocráticas sendo refletidas e postas à discussão em conversações estranhamente amigáveis, avistou a guarda de segurança escolhida à dedo por si; responsável pela proteção de Sakura em eventos como este.

Dois deles ficavam à frente, obstruindo qualquer vislumbre possível da pequena e frágil criatura que era o objeto de sua proteção, os mais robustos e intimidadores; sendo Juugo e o general de seu exército: Tsui Shimitsu.

Nos flancos direito e esquerdo da princesa Haruno — futura Uchiha — estavam respectivamente Naruto e Neji. Logo atrás, fechando uma parede impenetrável, estavam Kakashi e Karin.

Conforme aproximavam-se, Sasuke apoiou levemente seu corpo em uma sacada imperiosa e bem trabalhada, notando que todos estavam compenetrados e sérios — como bem foram instruídos a fazer, exceto por Naruto e Juugo, que de todos aparentavam serem os mais confortáveis e habituados com a situação — que deixavam escapar sorrisos discretos, por parte do ruivo e cochichos nada discretos, por parte do único loiro presente.

Após uma curta caminhada, Sakura fora levada para o centro do âmbito para que fosse feita então a tão esperada apresentação da homenageada.

Sasuke rumou para o local e então, quando terminou de subir uma escadaria que tinha seu cume no centro de todos, vislumbrou a guarda escoltar a rosada pelo outro lado até que estes estacassem cerca de cinco metros a sua esquerda.

O silêncio começava a fazer-se presente em todo o vasto lugar até que um por um dos seis presentes na guarda pessoal da princesa, fossem retirando-se e descendo as escadas para juntarem-se à todos. A formosa garota caminhara de forma cortês em direção ao rei e, quando oferecida a si, pouso sua mão por sobre a maior do moreno ao seu lado, sem nuca parar de sorrir-lhe docemente.

A menina já em seus dose anos — prestes a completar seus treze —, exibia suas belas formas em crescimento dentro de um majestoso vestido branco sem mangas, a qual era revestido de renda branca desde a parte baixa de seu pescoço até a base do colo. O vestido em um decote quadrado no busto, no entanto nada impróprio para sua faixa etária, era composto por um tecido liso de seda branca que tinha início logo após a renda e era estendido até um palmo acima do umbigo e então, o toque angelical àquela figura casta era dada pelas várias tiras de véu, também alabastras, até que cobrissem-lhe os joelhos. Na parte traseira do vestido, os véus eram mais longos, formando desta forma uma cauda sinuosa que chegava-lhe aos pés delicadamente cobertos por um salto pequeno na cor prata.

Deslumbrante. Incontestavelmente, era assim que encontrava-se Sakura em um dos dias mais marcantes de sua vida.

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Sakura estava feliz e sorria muito, mas direcionava sua mais eficaz arma sobre ele — depois de suas lágrimas — somente para aqueles que a cercavam de mimos e afagos gentis como Hinata, Tenten, Naruto, Juugo, Kushina, Karin e Mai.

Após tanto ter de ficar vagando a esmo no extenso salão, Sasuke decidiu que já era hora de encerrar sua aparição naquele evento.

Depois do que lhe parecera cerca de uma hora, encaminhou-se em direção às escadas próxima ao alpendre de afluência interna do castelo e as subiu calmamente, não obstante dera a Naruto o sinal que havia combinado com o mesmo, que logo após compreender, anuiu em concordância e pondo em prática as ordens implícitas no olhar do Uchiha, tão logo o mesmo perdera-se de vista.

Ao fim do corredor de pavimento em mármore, mudou seu rumo para a direita logo, avistando a sacada que era seu destino final, ao menos por enquanto.

Tão logo passou pelo batente de madeira cor de âmbar, sentiu a bela bruma orvalhada que havia acumulando-se ali no decorrer da noite, preenchendo seus pulmões e enviando sensações gélidas e reconfortantes ao seu corpo. Algo que fascinava à Sasuke era o frio. Tão calmo e anestésico quanto a chuva, e o relaxava instantaneamente independente da situação.

Olhou com suas gemas negras e rijas em direção ao alto. Não havia estrelas naquele céu e tampouco algo tranquilizante — estava mais para inquietante. Não existia corpos celestes, nem nuvens, menos ainda uma lua. Tudo que tinham era uma oblonga esfera em chamas azuladas, quase negras, revestidas pela vasta escuridão do nada. Definitivamente um vácuo.

Ouviu passos aproximarem-se, não tantos quanto a guarda original. Fora Sakura, haviam somente mais dois homens e um deles Sasuke sabia que era Naruto.

Assim que alcançaram a parte exterior do recinto, deixaram — Naruto e o outro que Sasuke descobriu ser Tsui — a rosada sob suas vistas. O moreno, de longos cabelos negros presos em uma faixa vermelha e olhos escarlates, Tsui, tinha uma postura rígida e inabalável em seus trajes negros, nada menos esperado de um de seus melhores servos.

Já o loiro tinha uma expressão despreocupada e levemente — só de leve, Sasuke reparou — debochada, como se soubesse de uma piada secreta. Algo não lhe agradou.

O rei fez sinal para o homem mais próximo de Sakura, ordenando taciturnamente que se retirasse. O Shimitsu não titubeara em acatar sua ordem imediatamente, acenado discretamente para a aniversariante com a mão esquerda — a que curiosamente continha uma espécie de luva de ferro dourada com longas garras acopladas nas pontas de cada dedo —, sendo logo retribuído pela menina de forma mais simplória e álacre com a qual o gesto lhe fora dedicado.

Franziu o cenho pela forma já intima com a qual o guarda tratava a rosada, não gostara nada. Por sua vez, o Uzumaki não perdeu a chance de rir de sua cara, fato ocasionado pela carranca descabida — na opinião do galego — presente na face do moreno.

Sakura, não notando o humor assassino que rondava Sasuke, caminhou calmamente em direção ao homem robusto um tanto distante de si, para abrasá-lo logo depois de alcançar-lhe. Não fora correspondida de imediato, nem de forma tão cálida, contudo o que recebera lhe era mais do que suficiente. Sorriu, pois no fim as provocações de Naruto não surtiram efeito. Não depois que encontrava-se nos braços do demônio a quem devia sua vida.