Um tremor começou a subir por meu corpo. O choro era interrompido por espasmos e soluços.
- Não! Não!
Minhas pernas estavam bambas e o chão pareceu dissolver sob meus pés. E de repente senti um choque de meus joelhos contra uma superfície dura. O telefone que estava em minhas mãos parecia pesar, incrivelmente, uns dez quilos. Larguei aquele peso incômodo de minha mão.
E agora? Era a pergunta eminente. O que eu faria?
Se eu contasse a Edward seria como colocar uma corda em seu pescoço e atirá-lo de um penhasco. E tudo o que eu queria era que ele ficasse num raio de mil metros de Jacob. Se eu contasse para alguém seria como atear fogo naqueles que estivessem envolvidos, e com seus corpos ainda vivos!
Se eu contasse para meu pai... O que seria? – Estremeci ao imaginar.
Eu estava perdida. Sem nem para onde correr e sem nem mesmo poder pedir ajuda. Nem um conselho.
Na verdade eu sabia que deveria comunicar o fato para alguém. Mas também sabia que isso tinha um grau de periculosidade extremo. Ah! Ah! Como isso era possível? Eu estava perdida. Condenada, para falar a verdade.
Meu choro se tornou mais ruidoso. Eu não conseguia respirar direito. Minha cabeça girava 360°.
Ouvi a música familiar que alertava a chamada de meu celular.
Edward.
O nome na tela parecia saltar para diante de meus olhos. Uma dor aguda e esmagadora me atingiu o peito. O que eu iria dizer a ele? Nem tive tempo para tomar uma decisão, ou nem mesmo uma desculpa.
Sem saber o que fazer deixei o telefone tocar.
E assim fiz mais umas nove vezes quando ele ligou para o celular.
O telefone da casa tocou e tive que tapar minha boca para conter um grito.
No momento eu não posso atender. Deixe seu recado que quando eu puder vou ligar de volta. – Minha voz na secretária eletrônica anunciou após o terceiro toque.
- Bella, amor. Hmmm... Não consigo falar pelo seu celular. Se houver algo errado, por favor, me avise. E... Achamos o Emmett. Ele estava mesmo com Rosalie em um hotel, acredita? – Ele riu. Ah, meu Edward... – Eu te amo. Muito.
Não! Não desligue! Por favor.
Eu gritava mentalmente esperando ouvir mais daquela voz tão maravilhosa e que eu amava.
Meu celular vibrou no chão.
Mensagem de Edward.
Outra dor aguda. Outro golpe com uma facada. Peguei o telefone com a mão trêmula.
Bella, amor. Quando vir esta mensagem, por favor, me ligue. Você está incomunicável. Se houver algo errado me ligue imediatamente. Sinto saudades... T-amo. E.C.
Ele tão atencioso e tão preocupado comigo. Isso era fofo e ao mesmo tempo me doía. Doía porque eu não sabia se poderia mais tê-lo por perto. Já que isso significava colocar sua vida em risco.
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Mais ligações perdidas em meu celular. Grande maioria era de Edward. Outras eram de Alice e outras de Rosalie. Minhas amigas... O que eu diria a elas?
Quanto a Edward eu já sabia o que fazer. Por mais que isso me doesse e me matasse por dentro era necessário para a segurança dele. Eu o manteria afastado de mim. Para mantê-lo vivo eu teria que arranjar um modo de me afastar dele. Isso seria difícil, mas não mais difícil que saber que ele pode morrer por minha culpa. Eu o amava demais para viver em um mundo no qual ele não existisse.
E durante toda a noite eu mal consegui dormir. Se é que em algum momento eu consegui fechar os olhos...
Ir para a faculdade era algo que eu não cogitava fazer. Meu quarto parecia o lugar mais seguro para mim naquele momento. Lá fora eu estaria sendo vigiada.
Meu telefone tocou e olhei no visor. Era o mesmo número desconhecido do dia anterior.
Atendi, mas não falei nada.
- Hey Bella. – Jacob falou com sarcasmo.
- O que você quer Jacob? – Perguntei entre os dentes trincados. Eu não estava com humor para falar com Jacob e muito menos para aguentar o sarcasmo dele.
- Calma aí amorzinho. – Ele riu. SÍNICO! – Estou ligando para avisar que eu vou passar aí em dez minutos para levá-la à faculdade.
- Mas hoje eu não vou. – Falei.
- Ah, vai sim. Ou eu preciso dar um alerta para o seu moleque? Huh? É isso que você quer? – A voz dele estava calma e isso me deixou frustrada.
- Você. Não. Não se atreva a...
- Então pára de show. Estarei aí em dez minutos e espero encontrar você pronta.
O miserável desligou na minha cara. Isso não era um relacionamento. Nunca foi e estava muito longe de ser agora.
Coloquei uma roupa qualquer. Nem me importei em passar rímel, blush, ou qualquer que fosse a maquiagem. Minhas olheiras estavam horríveis, mas eu não estava nem aí. Nem mesmo tomei café.
Jacob chegou em dez minutos como dissera.
- Bom dia Isabella. – Ele falou com um sorriso largo e nem um pouco afetado. Senti a raiva pulsar em minhas veias. Eu queria meter a mão naquela cara sínica. Aquele cachorro!
Minhas mãos coçaram para esbofeteá-lo.
- Seja educada. – Ele disse em tom severo. Eu não queria ser educada com este cão. Mas pela vida de Edward eu teria que me submeter a tal situação.
- Bom dia. – Meus dentes estavam trincados.
Passei por ele, entrei em seu carro caro batendo a porta excessivamente. Coloquei o cinto e olhei pela janela enquanto ele entrava pelo lado do motorista.
Ele suspirou e ligou o carro.
- Sabe Isabella... Você é tão tola. Ao invés de preferir um empresário rico como eu, que poderia lhe dar uma vida de rainha... Prefere aquele estudantezinho de medicina. Tudo bem que ele tem grana. Mas a grana não é dele, e sim do paizinho. – Ele riu e eu fechei minhas mãos em punho para não socá-lo. – Não se atreva a me enganar de novo Isabella. Eu sou muito bonzinho, mas quando resolvo ser mal... – Ele dexou o aviso em suspenso.
O resto do caminho ele ficou se vangloriando. E me humilhando também.
Em frente à faculdade ele pegou meu queixo com força, me fazendo olhar para sua cara.
- Comporte-se. Sabe que tenho olheiros por aí te vigiando. Se cometer um deslize eu vou esquatejá-lo e queimar os pedaços na fornalha, ouviu bem? – Senti um gosto amargo na boca. Eu quase cuspi na cara dele. – Na hora de voltar vou mandar um carro vir buscá-la.
Ele sorriu e encostou a boca na minha.
Embora não tivesse nada em meu estômago, senti uma ânsia de vômito terrível.
Saí do carro e esperei que ele estivesse na esquina para cuspir. Passei a manga da blusa na boca, sentindo a ânsia indo e vindo à cada esfregada.
Eu sabia que devia contar isso à alguém. Alguém tinha que me ajudar. Mas ainda assim eu tinha medo de fazê-lo. E se eu colocasse a vida destas pessoas em risco? E se eu colocasse a vida de Edward em risco? Não! Eu não suportaria perdê-lo. A ideia de colocar ele em risco me fez tremer quase convulsivamente.
O melhor era mantê-lo afastado. Mantê-lo longe e seguro. Longe de mim.
Meus olhos arederam com lágrimas que queriam escapar.
Caminhei de cabeça baixa pelo campus. Somente dei uma olhada no estacionamento. O carro de Edward ainda não estava aqui.
Quase corri para minha sala. Sentei lá no fundo. Meu celular começou a vibrar em meu bolso.
Edward.
Meus dedos tremeram, querendo apertar o botão de atender, mas não o fiz. Abaixei minha cabeça. Senti o telefone vibrar mais duas vezes entre meus dedos.
A cada minuto que passava eu ficava mais aflita. Eu não conseguiria escapar. Teria que vê-lo e 'terminar'. Terminar o que mal tinha começado. Terminar com uma história que tinha tudo para dar certo...
Faltava apenas uma aula para o intervalo e eu comecei a pensar nos meus "motivos". Como explicaria tudo? Talvez eu devia dizer que estávamos nos precipitando. Que cometemos um erro... Ou simlesmente dizer a verdade.
Meu estomago deu uma pirueta. A verdade não! NÃO!
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Juntei minhas coisas imediatamente. Talvez eu tivesse chance de escapar e tentar me explicar um pouco mais tarde, já que não tinha conseguido elaborar minhas desculpas.
Saí da sala num rompante, mas alguém segurou meu braço.
Era agora! Eu estava ferrada.
- Bella? Bella! – Edward me abraçou. O corpo quente dele encostou no meu e minhas pernas ficaram bambas. Aquela familiar eletricidade percorreu meu corpo. Por um momento eu ponderei sobre contar a verdade. – O que aconteceu? Eu fiquei preocupado, passei na sua casa de manhã e...
Ele examinou meu rosto. Meus olhos arderam com as lágrimas. Seu polegar passou por debaixo de meus olhos examinando a olheira que deviam estar ali.
Seus olhos verdes eram tão preocupados e eu sabia que ele via que algo estava muito erado.
- O que aconteceu Bella? – Ele perguntou com os braços ainda em torno de mim.
Eu não ia conseguir. Aquele rosto tão lindo não existindo mais fez meu corpo tremer. Afastei suas mãos de mim e ele me olhou assustado.
- Bella, o que...
- Edward. – Minha voz tremeu ao falar o nome dele. Eu pigarreei para tirar o bolo que se formou em minha garganta. Mas não ficou nada melhor. As lágrimas passaram com mais facilidade. – Eu... Nós cometemos um erro.
Ele balançou a cabeça negativamente, a boca aberta em um pequeno 'o'.
- Não Bella. Não cometemos não. Eu não me arrependo de nada que fizemos. – Ele me olhou mais firme. – Você... Se arrepende? – Eu podia sentir a dor em sua voz. Balancei a cabeça em afirmação.
- Me desculpe. Acho que eu estava em um momento frágil e... – As lágrimas escorreram de meus olhos.
- Não... Não diga isso, por favor. E-eu te amo e você me ama. Nós... – Agora a dor estva tanto em sua voz quanto em seus olhos. Aquilo me dilacerava. Ele tentou me abraçar de novo, mas eu me afastei.
- Não Edward! Você não entende. – Eu agora já chorava. – Eu... Eu usei você. – Minha garganta pareceu cortar com a margura das palavras. Os olhos dele estavam marejados.
As pessoas que passavam à nossa volta olhavam curiosas.
- Você o que?
Respirei fundo. Seria difícil repetir, mas era necessário.
- Usei você num momento de carência. Eu não suportava a ideia de ficar sozinha. – Levantei os ombros para fingir desdém.
- Você não... Não! – Uma lágrima escorreu de seus olhos. Meu anjo estava ferido. Eu machuquei o meu anjo.
- Eu e Jacob voltamos. Foi um erro ter terminado com ele.
- E um erro ter ficado comigo. – Ele falou com a voz rouca.
- Sinto muito. – Essa era a única verdade em tudo que eu disse até agora.
- Tudo foi uma farça. Nossa amizade. Tudo. – Suas mãos fecharam em punho.
- Não. Nossa amizade nunca foi uma farça. – Tentei esclarecer, mas ele riu sem humor.
- Você sempre me usou, não é? Sempre. Por isso me procurava. E eu era o idiota que sempre te abraçava, dizia que ia ficar tudo bem.
- Não. Edward não...
- Eu fui o idiota de amar você. – Ele quase cuspiu as palavras.
Respirei fundo para engolir as lágrimas. Ele tinha todo o direito de ficar neste estado. Ele devia me xingar. Era isso que ele tinha que fazer. Assim ele teria descontado parte de sua raiva em mim. Mas ao mesmo tempo era injusto. Injusto ele pensar que toda nossa amizade foi uma farça.
- É melhor para você ficar longe de mim. – Sibilei.
- Pode ter certeza que isso não será um problema. – Ele balançou a cabeça negativamente e me deu as costas, se afastando. Meu amor estava se afastando de mim.
Eu não podia desabar ali no chão na frente de toda a faculdade. Eu teria de ficar só primeiro. Então foi isso que fiz. Corri para o meu cantinho mais isolado do campus e me encolhi. Lá eu poderia chorar à vontade sem que ninguém me visse.
Edward agora devia me odiar. Mas se ese era o preço que eu teria que pagar por sua vida, eu pagaria.
Ver a dor em seus olhos era a pior coisa que eu enfrentei até agora.
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A próxima aula era de história. A aula que eu teria com Edward. Eu não podia faltar. Isso o faria pensar que sou uma covarde. Na verdade eu era, mas não precisava parecer no momento.
Me sentei no fundo como de costume. Fixei meus olhos na prota só para vê-lo entrar furioso comigo. Mas ele não apareceu. Edward faltou à aula por minha causa. Isso fez doer tudo dentro de mim.
Tive de me segurar a aula inteira para não ter uma crise de choro. E logo que ela terminou eu corri para o banheiro para chorar. Eu mal me importava se alguém me ouviria. Eu simplesmente não conseguia mais segurar.
Assim, chorando no banheiro, eu matei as últimas aulas.
No final do período eu saí do campus e fiquei na calçada. Como dissera Jacob, alguém viria me buscar. Isso era ridículo. Simplesmente ridículo.
Um carro preto, com vidros fumê quase pretos, estacionou na beirada da calçada onde eu estava. O vidro se abaixou e um homem careca apareceu dentro do carro.
- Isabella Marie Swan? – Perguntou formalmente o careca.
- Sim. – Confirmei.
- O senhor Jacob Black mandou eu vir buscá-la. Sou Ephrain. Entre por favor. – Ele levantou o vidro. Eu entrei no banco traseiro do carro e Ephrain seguiu o caminho para minha casa. Algumas lágrimas que restavam no meu estoque caíram.
E assim seguiu por toda a semana. Jacob me levando e Ephrain me buscando. Eu não tive nenhum tempo a sós em minha casa com Jacob e isso era ótimo. Minha rotina era a mesma. Eu chorava noites e tardes seguidas.
Nada mudou. Exceto o comportamento de Edward.
Na quarta feira quando decidi ir comprar algo na lanchonete Edward estava lá, como sempre. Mas algo mudara em sua expressão. Parecia meio vazia. Seus olhos me acompanharam em todos os passos.
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Na quinta eu fui à lanchonete novamente e tive uma surpresa nada agradável. Edward estava com nosso grupo de amigos. Mas duas pessoas estavam lá de volta. Jéssica e Lauren.
Desta vez ele me viu, mas rapidamente desviou seus olhos para dar atenção à Lauren. Esta parecia toda contente por estar sendo 'notada'. Ele mexia no cabelo da loira. Sorria para ela.
Aquela vaca... Não perde tempo!
Na aula de história ele se sentou em seu lugar habitual, perto de mim. Mas não nos falamos. Mal nos olhamos. Certo momento eu vi pelo canto dos olhos que ele me observava, mas tentei ao máximo ignorar. Era quase impossível ignorar. Eu mal conseguia me mover sem me policiar a cada ato. Eu sabia que ele estava ciente de cada movimento meu assim como eu estava dos dele. Deixei-me dar uma olhada em sua direção.
Mas foi como se tivéssemos combinado e seus olhos fitaram os meus. Eu via em seus olhos que ele poderia me desculpar por tudo o que fiz. Era como se ele tentasse me dizer: 'me peça desculpas e eu te perdoo. '
Mas então eu virei o rosto para frente colocando meu cabelo no ombro para formar uma cortina entre nós. Eu não podia fraquejar. A vida dele estava em perigo se eu me rendesse.
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Na sexta feira meu mundo parecia que ia cair em cima de mim – mais uma vez. Lá estava ele, sussurrando no ouvido de Lauren. E logo depois... Depois os dois... Os dois se beijaram. Ali na frente de quem quisesse ver. Na minha frente. Aquilo era demais para mim.
Eu tive que fugir daquele lugar. Com a mochila nas costas eu fui para casa a pé. Nem me importei que fossem mais de três quilômetros andando. Isso me daria tempo para pensar. Para chorar.
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Quando eu estava deitada – para não dizer largada – no sofá de minha casa meu celular tocou. Era Jacob. Respirei fundo antes de atender.
- Alô. – Respondi com a voz arrastada.
- Por que Ephrain não a encontrou na faculdade? – Perguntou em tom severo.
- Por que eu vim para casa mais cedo. Estava passando mal.
- Você deve até este fim de semana. Temos um jantar para ir. – Urgh! Eu tinha a obrigação de estar bem para ir àquele circo dos horrores.
- Hum. – Respondi sem vida na voz.
- Estou gostando de ver... Aquele moleque não perde tempo não é mesmo? – Jacob riu escandalosamente. Nojento! Então ele estava mesmo espionando...
- Jacob. Jacob acho que vou vomitar. – Ameacei. Mentindo, claro.
- Eca! Poupe-me dos detalhes.
- Ai. – Gemi falsamente. Ele desligou.
- FRACOTE! – Gritei para o telefone mudo.
Me joguei no sofá e liguei o rádio. Uma música da Colbie Caillat estava tocando...
I miss those blue eyes
(Sinto falta daqueles olhos azuis)
How you kiss me at night
(De como você me beija à noite)
I miss the way we sleep
(Sinto falta de como nós dormimos)
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Like there's no sunrise
(É como se não houvesse nascer do sol)
Like the taste of your smile
(Como o gosto do seu sorriso)
I miss the way we breathe
(Sinto falta do jeito que respiramos)
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But I never told you
(Mas eu nunca te disse)
What I should have said
(O que eu deveria ter dito)
No, I never told you
(Não, eu não te disse)
I just held it in
(Eu me segurei)
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And now,
(E agora)
I miss everything about you
(Eu sinto saudade de tudo em você)
I can't believe that I still want you
(Não acredito que eu ainda te quero)
And after all the things we've been through
(Depois de tudo que nós passamos)
I miss everything about you
(Sinto falta de tudo em você)
Without you
(Sem você)
As lágrimas escorriam de meus olhos. O buraco que parecia haver dentro de mim só fez aumentar. Aquilo tudo da música tinha tanto a ver comigo. Por que Edward tinha que beijar Lauren? Ele gostava dela agora? Ou era apenas uma tentativa de chamar minha atenção? Se ele queria isso com certeza conseguiu.
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No domingo Jacob me fez entrar em um vestido que me pareceu apertado. Justo e curto demais. Eu mais parecia uma prostituta do que uma namorada de um executivo.
- Pare de fazer esta cara Isabella. Você comeu caviar e tomou champanhe. – Jacob falou glorioso quando entramos em meu apartamento. – Isso sim é vida boa...
- Vida boa para quem? Só se for para você.
- Todo esse luxo é melhor do que estar na sala de um apartamentozinho fodido com o seu moleque e comendo pipocas. – Ele riu.
- Eu prefiro ficar no meu apartamento de quinta com alguém que gosta de mim do que comer caviar num circo com gente hipócrita e mal amada. – Eu gritei.
- Escuta aqui – Ele gritou e me puxou pelo braço – você não é ninguém para gritar comigo desta forma! Eu faço o melhor por você e é assim que me trata? – Falou ultrajado.
- Você é doente! É louco. – Rodei meu indicador ao lado da minha cabeça.
Ele riu alto.
- Sou louco. Louco de amor por você. – Jacob me agarrou e me beijou à força.
- Jacob. – Tentei falar enquanto ele esmagava seus lábios nos meus. – Jacob pára!
Ele não parou. Sua mão desceu para minha perna. Espera! O que...
Antes que ele prosseguisse eu abri minha boca e mordi seu lábio inferior com força. Comecei a sentir gosto de sangue em minha boca.
- Ah! – Ele me afastou de seu corpo. Jacob me olhou com fúria e depois sua mão bateu em meu rosto. Com a pancada de sua mão grande eu caí no chão.
- Seu cachorro! – Eu gritei segurando meu rosto.
- Eu sou cachorro? Desculpe benzinho, mas quem mordeu aqui foi você! – Ele apontou o dedo em minha direção. – Acha que sou retardado? Só pode pensar que sou se imagina que eu não sei que você e o Cullen... Você... – Ele puxou o cabelo preto com uma das mãos. – Você sempre disse que não estava preparada para mim, mas aposto que para aquele idiota você estava prontinha, não é mesmo?
Meus olhos se arregalaram de surpresa.
- Negue se você for covarde! Negue. – Ele me puxou pelo braço.
As lágrimas começaram a sair de meus olhos.
- Sua vadi... – Ele gargalhou. – Sabe, não vou gastar saliva. Você só serve para manter a minha imagem. Uma mulher bonita e com um corpo sensual. – Ele me olhou de cima a baixo. – Não faço questão do resto. Posso ter todas e quantas eu quiser.
Ele me largou. Eu caí sentada no chão.
Jacob saiu de meu apartamento batendo a porta com força.
Eu devia ter metido a unha na cara dele. Devia tê-lo arrancado o lábio. O que ele fez foi covardia. Peguei o telefone para chamar a polícia, mas me detive assim que digitei o segundo número. Coloquei o telefone no gancho e desabei no sofá.
O que eu estava fazendo? Edward sofreria mais que um tapa na cara. Bem mais que isso. E não só ele... Meu pai também.
Pela milionésima vez eu chorei, me sentindo uma impotente e covarde.
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Na segunda feira eu tive que passar uma máscara de base em meu rosto. E por mais que eu tentava a máscara não escondia completamente o roxo que estava marcado em minha face. Ainda havia vestígio de que eu fora esbofeteada na noite anterior.
Não me senti nada bem quando, na aula de história, Edward não parou de me olhar um segundo desde que sentou na cadeira ao lado.
E para compensar, no final da aula ele não me deixou sair da sala. Simplesmente impediu minha passagem.
- Me deixa passar. – Tentei me desvencilhar, mas ele me barrou.
- Bel... Isabella, - ele me avaliou por um instante – o que é isso no seu rosto? – seus olhos estavam em minha face arroxeada.
- Nada. – Falei depressa.
- Não me parece nada.
- Não parece nada por que não é da sua conta. – Gritei. Seus olhos se estreitaram o maxilar estava trincado.
- Alguém te bateu? – A raiva era tangente em sua voz. Meu Edward que se preocupava comigo estava ali.
- Não. – Neguei com a voz tremendo um pouco.
- Não minta. – Ele pediu.
- Que droga Edward! Você não tem mais nada a ver com minha vida! Eu caí, tá legal? – Sibilei. Eu já sentia o choro vindo. Ele me olhou frustrado e me deixou passar. – Ah, e a propósito... Vá cuidar de sua vida. Agora você tem namorada não é? Ela precisa mais de sua atenção do que eu.
Saí da sala tapando a boca para abafar o choro.
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O mês foi assim. Monitorada, vigiada e humilhada.
Jacob era um de meus tormentos. Outro era ver Edward todos os dias. Mas o que mais magoava era ver que ele não estava mais com a mesma garota. Esta era a terceira. O pior era saber que ele não parecia feliz. Não parecia estar seguindo a vida como deveria ser.
Agora os beijos forçados de Jacob eram ainda piores para mim. Quando sua boca encostava a minha eu sentia ânsia. Tudo o que eu tinha comido parecia se revirar no meu estômago. Todas às vezes eu corria para o banheiro e vomitava o que comia.
Quando era na faculdade eu tinha que correr para o banheiro de lá. A saliva dele me fazia ficar com nojo. Repulsa.
Eu estava afundando na depressão. Meu corpo já magro era ainda mais molenga. Eu mais parecia um zumbi. Fazia as coisas por pura rotina sem nem me dar conta de estar fazendo aquilo mesmo. Eu preferia dormir a ficar acordada para chorar. Pelo menos nos meus sonhos eu tinha um pouco de paz.
Geralmente nos sonhos eu estava ao lado de Edward. Estávamos felizes de novo. Nada podia nos atrapalhar naquele mundo surreal de meu subconciente. E um sonho foi diferente de todos... Eu ainda esva com ele, mas o lugar parecia fictício demais. Um ambiente esboçado por minha imaginação...
Eu estava sentada em uma campina. Era época das flores silvestres e o a relva macia estava iluminada e colorida com os pequenos botões que se abriam. À margem do círculo aberto e quase perfeito, haviaa abetos e pinheiros com suas copas frondosas que margeavam a campina.
Do meio de algumas árvores surgiu um homem lindo. Seus olhos verdes me fitavam, cheios de vida. O sorriso torto fixo na boca cheia e avermelhada. O cabelo castanho bagunçado de forma sexy.
Edward.
Ele entrou na campina. Sua pele estava mais clara com aquela luminosidade estranha que infiltrava das nuvens. Veio caminhando lenta e graciosamente em minha direção. Seus olhos nunca deixando os meus.
Ele se sentou à minha frente. Seus olhos apreciavam meu rosto como se quisesse gravar cada detalhe ali. Depois seus olhos desceram até minha barriga. Sua mão levantou meio hesitante e depois ele encostou a mão em mim. Lá dentro, dentro de meu ventre, eu senti um calor. Uma felicidade e aceitação surgindo dali. Levantei minha mão e coloquei sobre a de Edward. Seus olhos encontraram os meus novamente e ele sorriu abertamente. Gentil e doce...
Acordei procurando a claridade. Não havia nada. Só escuridão.
Olhei no relógio e eram apenas três da manhã. Tentei fechar os olhos e tentar voltar ao sonho, mas ele não veio.
- Volta! Volta! – Pedi inutilmente. – Edward volta! Por favor. Por fa... – As lágrimas suforacam meu pedido.
Levantei da cama frustrada. Fui até a geladeira e peguei no congelador um pote de sorvete. Encostei na bancada de mármore tomei o sorvete com colheradas generosas.
Depois da terceira colherada eu comecei a sentir um gosto estranho no sorvete. De repente aquele morango parecia mais uma pasta de gordura hidrogenada. Pastoso e... Merda!
Larguei o pote na pia e corri para o banheiro. Tudo o que eu comera estava voltando agora. Eu estava com medo de virar uma bulímica. Eu perdi peso e não conseguia mais comer. Tudo isso, talvez, por Jacob me dizer que eu estava engordando quando eu não conseguia fechar um vestido. Talvez tenha começado quando eu provoquei minha garganta com o dedo depois de tê-lo beijado forçada.
Isso estava acabando comigo.
Passei o resto da magrugada no banheiro.
Na hora de sempre Jacob veio me buscar.
- Você está péssima. – Ele falou debochando de minha aparência.
- Eu sei. Não foi você que passou a madrugada vomitando. – Falei com a voz grougue. Era um pouco de exagero. Só para ele me deixar em paz.
- Não vai sujar meu carro se não faço você engolir de novo.
Isso foi nojento e fez meu estômago revirar.
- Não está ajundando desse jeito. – Falei tentando conter a náusea.
Ele franziu o nariz e não falou pelo resto do percurso. Nem mesmo quis me 'beijar'. Talvez esse lance de estar enjoada fosse uma boa desculpa...
A primeira aula era de história. Ótimo. Tudo o que eu precisava ver era Edward, lindo e maravilhoso como no meu sonho e depois de chorar para que ele voltasse para minhas ilusões. – Bufei.
O vi entrar na sala e a primeira coisa que fiz foi fechar os olhos. Tapei o rosto com as mãos. Senti que estava sendo observada, mas ignorei. A aula começou e eu continuei ignorando-o.
Até que em certo momento eu comecei a sentir minha cabeça girar. Tudo pareceu dar uma volta de 360°. Cambaleei para o lado, mas segurei na mesa para não cair.
Afundei um pouco na cadeira e respirei fundo. Inspira, expira.
Repeti isso diversas vezes. Até que a tontura estava passando. Me ajeitei na cadeira e voltei a colocar as mãos sob o queixo e os cotovelos apoiados na mesa.
Vi um pedaço de papel ser jogado em minha mesa. Não precisei nem abrir para saber de quem era, já que Edward ainda me observava.
E: Você está bem?
Pensei em jogar o papel de volta e sem resposta. Mas ponderei por um instante. Olhei em volta. Ninguém parecia cinte de nossa conversa tão discreta, então...
B: Estou melhor.
Respondi e joguei o bilhete.
E: Sério... Se não estiver bem levo você para a enfermaria.
Aquilo era tão fofo... Ele se preocupava comigo, mesmo depois de tanto tempo.
B: Estou bem sim. Obrigada.
Entreguei o bilhete. Embrora não precisasse de uma resposta, ele me deu. Desta vez não jogou o bilhete. Estendeu entre seus dois dedos. Isso fez com que eu tivesse de encostar nele para pegar o papel. Quando fiz isso ele segurou minha mão de leve, passando o polegar em meus dedos. Isso fez um formigamento percorrer meu braço inteiro.
Puxei rapidamente o papel.
E: Disponha...
(N/A: Esta parte ficou tão fofinha que resolvi colocar uma musica de fundo... Espero que imaginem esta cena com esta canção de 'Cascada – Everytime we touch (a versão tocada no piano)')
I still hear your voice, when you sleep next to me.
(Eu ainda ouço sua voz, quando você dorme ao meu lado)
I still feel your touch in my dream.
(Eu ainda sinto seu toque nos meus sonhos)
Forgive me my weakness, but I don't know why.
(Me desculpe pela minha fraqueza, mas não sei porque)
Without you it's hard to survive.
(Sem você é tão dificil sobreviver)
.
Cause everytime we touch, I get this feeling.
(Porque toda vez que nos tocamos, eu tenho esse sentimento)
And everytime we kiss I swear I can fly.
(E toda vez que nos beijamos, eu juro que posso voar)
Can't you feel my heart beat fast? I want this
to last.
(Você não pode sentir meu coração batendo mais rápido? eu quero que isso dure)
Need you by my side.
(Preciso de você ao meu lado)
Cause everytime we touch, I feel this static.
(Porque cada vez que nos beijamos eu sinto esta estática)
And everytime we kiss, I reach for the sky.
(E cada vez que nos beijamos, eu posso alcançar o céu)
Can't you hear my heart beat slow?
(Você não pode ouvir meu coração batendo fraco?)
I can't let you go.
(Eu não posso deixar você partir)
Want you in my life.
(Quero você em minha vida)
.
Your arms are my castle, your heart is my sky.
(Seus braços são meu catelo, seu coração é meu céu)
They wipe away tears that I cry.
(Eles afastam as lágrimas que choro)
The good and the bad times, we've been trough them all.
(Nós passamos por todos bons e maus momentos)
You make me rise when I fall.
(Você me faz levantar quando eu caio)
.
Cause everytime we touch, I feel this static.
(Porque cada vez que nos beijamos eu sinto esta estática)
And everytime we kiss, I reach for the sky.
(E cada vez que nos beijamos, eu posso alcançar o céu)
Can't you hear my heart beat slow?
(Você não pode ouvir meu coração batendo fraco?)
I can't let you go.
(Eu não posso deixar você partir)
Want you in my life.
(Quero você em minha vida)
.
Cause everytime we touch, I get this feeling.
(Porque toda vez que nos tocamos, eu tenho este sentimento)
And everytime we kiss I swear I can fly.
(E cada vez que nos beijamos, eu juro que posso voar)
Can't you feel my heart beat fast, I want this to last.
(Você não pode sentir meu coração bater rápido? Eu quero que isso dure)
Need you by my side.
(Preciso de você ao meu lado)
Oieeee!
Gente... Me deu um surto de ideias e eu tive que colocar tudo no word! E como o capítulo ficou pronto eu resolvi postar logo para vcs!
Espero que gostem. (eu sei que ficou meio deprê, mas isso é pq a Bella está num momento meio complicado...) Mas logo as coisas vão melhorar. Eu prometo! kkkkkkkkkk
Nick: Não demorei tanto viu? Ah, mas que bom que vc ficou com raiva do Jacob. rsrsrsrs. Eu tbm não gosto dele, mãans...
Agome Chan: Interessante sua escolha de palavras.. Apelidinhos legais estes. kkkkkkkkk. Hmmm drama vai ter um pouquinho. Isso é normal, mas essa fase passa.
nathy: Jacob é mesmo um cão. ;)
Alice mendes e cia: Olhaaaa (*-*) vcs não me abandonaram! Fico feliz que estejam de volta e gostando da fic. Ahh... Vcs pediram para imprimir "A proposta". Eu deixo com uma condição: me mostrem a capa, please? (*olhindos do gato de botas do Shrek). Estão desculpados. Boa sorte aí nos trabalhos ;)
Dandara: êee! Finalmente apareceu Dands. Ficou só lendo às escondidas néh? Mas que bom que comentou. Hmmm... Ela É covarde Dands. kkkkkkkk
Bom pessoal... Espero que não matem a Bella com os olhos por ela aceitar isso tão 'calada'. Mas ela não vai aguentar por muito tempo mais. Alguém logo, logo vai ficar sabendo...
Um super beijo e pretendo postar domingo, dependendo de como andar minha criatividade...
BeijOs!
