Capítulo VIII – Tóquio
Assim que entrou na nave, Juno parou um pouco para cumprimentar os garotos e logo os três seguiram para a cabine de controle.
-E então, qual é o mundo dessa vez? – perguntou Nick
-Não me pergunte. – disse Sora – Estamos indo em direção a um mundo desconhecido.
O trio se entreolhou. Mundo desconhecido?...
A viagem pareceu se tornar mais longa devido a isso, que pareceu aumentar a ansiedade deles. Quando sentiram a nave aterrissar, saíram imediatamente. Estavam num planalto e, assim que olharam ao redor, ficaram fascinados. Logo abaixo, havia uma cidade bem grande, totalmente iluminada. Os pontos de luz às vezes piscavam, e alguns eram coloridos, o que resultava numa bela paisagem, por mais que fosse urbana.
-Uau! – exclamou Juno – Tem certeza de que esse lugar tem algum heartless?
-Há escuridão em todos os lugares, Juno. – respondeu Sora – E eu não perderia muito tempo admirando a cidade. Ela parece ser bem grande.
A garota assentiu, e o trio começou a caminhar na direção da cidade. Vários minutos depois, eles conseguiram chegar à entrada da cidade. Porém, como não conseguiam entender nada do que estava escrito nas placas e a cidade era realmente grande, tornando extremamente fácil de se perder, acabaram se separando um do outro.
Juno seguiu por uma rua bem iluminada e movimentada. Parou diante de uma vitrine com o que parecia ser um brinquedinho romântico. Seu pensamento automaticamente voltou-se para certo garoto de olhos verdes que ela desejava muito que estivesse do seu lado, mas isso foi tirado de sua mente quando ouviu um suspiro. Ao lado dela, estava uma garota que tinha praticamente a mesma altura que ela, olhos verdes e um longo cabelo ruivo. Usava um top, uma saia e um par de botas que alcançava o fim da saia, todos da cor roxa, com alguns detalhes metálicos, assim como seus braceletes. Apesar das roupas, ela era parecida com Juno. Não só na aparência, mas no olhar.
-Parece que eu não sou a única se sentindo sozinha... – Juno pensou alto
A garota percebeu a presença de Juno e se virou para ela.
-Ah, não, eu estou triste por nada e não tenho problemas com meninos. – disse ela, dando um sorriso forçado no final
Juno ainda ficou alguns segundos sem ação diante da resposta tão aparentemente sem nexo, mas, ao pensar na conversa com sua mãe e no que estava sentindo agora a pouco, conseguiu entender o que ela tinha dito.
-Eu nem sei se tenho um menino para ter problemas... – continuou a ruiva, com um ar triste
-Então, somos duas. – completou Juno, sorrindo
A garota esboçou um sorriso e começou a andar, enquanto contava.
-Desde que o conheci, tenho sentimentos. Eu tenho esperado pacientemente por algum sinal, mas... Talvez sejamos só heróis, e nada mais...
-Você não acredita verdadeiramente nisso, acredita? – interrompeu Juno, vendo a garota ficar cada vez mais triste
Ela olhou para Juno, e um brilho novo tomou conta de seu olhar.
-Não. – respondeu ela – Nós somos mais, eu sinto isso! E não vou desistir dele sem lutar!
Seu rosto se iluminou com um extenso sorriso, e ela parou e estendeu a mão para Juno.
-Obrigada pela conversa. Meu nome é Estelar.
-Juno – concluiu, apertando a mão dela
Nick seguiu pela parte mais sombria da cidade. Era formada por ruas e casas pequenas, todas sem iluminação se comparadas às ruas pelas quais passou, e que acabavam levando ao que parecia ser um cemitério. Ele já estava com sua keyblade na mão, prevendo a hora que os heartless iriam aparecer. Ao longe, avistou uma garota vestindo uma capa azul lutando, no ar, com um fantasma negro. De repente, ela foi jogada ao chão e um livro que estava em suas mãos parou bem na frente de Nick. Assim que este o pegou, o fantasma virou-se para ele.
Não demorou muito para que o garoto o cortasse ao meio com sua keyblade. Mas, assim que o fez, diversos heartless apareceram, cercando tanto ele quanto a garota. Ambos começaram a destruí-los, possibilitando a Nick ver como a garota lutava. Ela usava o que parecia ser uma magia, tanto para arremessar objetos contra os heartless, quanto para criar lâminas que os cortavam. A magia era de cor negra, assim como os heartless.
Assim como a escuridão que lentamente tomava conta de Nick.
Ele sentia isso mais que todo o resto. Queria acabar com todos aqueles seres rápido, ou então ele mesmo se tornaria um deles. Quando o último foi derrotado, Nick caiu de joelhos no chão, exausto. Não da luta externa, mas da luta interna que travava com si mesmo.
A garota se mantinha um pouco afastada dele, como que por precaução. Sentia uma energia sombria vinda dele, e era semelhante a que sentira nos seres que a pouco tinham destruído. Mesmo assim, algo lhe dizia que ele estava no mesmo lado que ela.
-Parece que alguém precisa de mais autocontrole. - comentou ela
-Fale por você. – rebateu ele, em um tom ríspido
Ela deixou escapar um 'humpf'. Mais do que ninguém, ela sabia o que era ter autocontrole sobre energias sombrias. Pouco depois, Nick conseguiu finalmente retomar o total controle. E tinha certeza que não seria a última vez que correria o risco de se perder para a escuridão. Suspirou ao constatar isso. Levantou-se e olhou para a garota, que estava com o capuz cobrindo o rosto, só lhe deixando ver seus olhos, de cor violeta.
-Desculpe pelo o que eu disse. – começou ele – Eu não deveria ter sido tão rude.
Ao que ela não respondeu, ele entendeu como desculpas aceitas.
-Meu nome é Nick. – continuou ele, estendendo a mão
-Ravena. – disse ela, sem cumprimentá-lo
Lukas seguia por uma rua aparentemente mais calma, mesmo parecendo ser uma rua comercial. Os sinais de calmaria acabaram quando ele ouviu o barulho de algo quebrando. Correu até a rua de onde tinha vindo o barulho, já tendo sacado a Oblivion. Quando chegou, viu um rapaz meio humano meio robô lutando com um imenso robô amarelo cujos braços terminavam em afiadas facas de cozinha. Olhando para o lado, pode ver a origem do barulho. Uma garota-gato rosa havia jogado um garoto de pele verde numa máquina de refrigerante, quebrando-a. Quando Lukas olhou naquela direção, a garota-gato virou o rosto para ele e, assim que o viu, estabeleceu-o como novo alvo. Correu rapidamente e tentou arranhá-lo, suas garras sendo paradas pela Oblivion. Mas ainda assim ela não desistiu e o loiro teve que ser muito rápido para desviar dela. Em um dado momento, um dinossauro verde tentou atacá-la, ao que ela escapou. Foi o tempo de Lukas se por novamente em guarda.
-Hey, será que alguém poderia me ajudar?
O loiro olhou para trás e viu que o pedido de socorro vinha do meio robô, que estava quase sendo engolido pelo robô amarelo. Lukas nem pensou duas vezes e foi na direção dele. Fincou sua keyblade bem no centro do robô, que num gesto automático soltou um grito de dor, permitindo que o ciborgue escapasse. Assim que o fez, ele transformou seu braço esquerdo num canhão, que logo atirou no robô, destruindo-o e fazendo um líquido preto se espalhar pelo local.
Enquanto isso, o dinossauro tentava encurralar a garota-gato, que sempre escapava com seus precisos saltos. Mas, em uma dessas escapadas, deu as costas para Lukas, que não pensou duas vezes e cravou sua keyblade na altura de seu estômago, fazendo com que ela começasse a 'derreter', só restando no fim um líquido igual ao que saíra do robô.
-Hurrah! – exclamou o meio robô
-Valeu pela ajuda. – falou o garoto verde, voltando à sua forma original – Eu sou o Mutano e esse é o Ciborgue.
-Lukas. – disse, cumprimentando Mutano
Juno se encontrava numa sala bem ampla de um antigo templo afastado da cidade, onde Estelar e ela haviam se refugiado depois que um pequeno robô azul perseguiu ambas, desencadeando uma luta aérea, a qual só ganharam com um perfeito trabalho de equipe. Ao chegarem, ela contou como seus amigos tinham vindo para o Japão a procura de Brushogun, que seria o suposto mandante a um ataque a casa deles. Mas quando chegaram, foram informados de que Brushogun não passava de uma lenda, e que a polícia local tinha todos os criminosos sendo detidos e vigiados, então acabaram se separando para aproveitar aquela viagem. Só que, como ela tinha se informado com seus amigos, agora todos foram perseguidos, e Robin tinha sido acusado de assassinato por supostamente matar Saico-Tek, o mesmo que foi a sua cidade e o motivo de estarem aqui. Depois disso, Estelar saiu em um voo de procura por seus amigos. E isso fez a mente de Juno fixar-se em Nick e Lukas. Desde que se separaram, ela não tinha tido nem sinal de qualquer um dos dois, e sua preocupação aumentava a cada instante.
O barulho de passos a tirou de seus pensamentos. Pouco depois, a porta de correr se abriu e revelou Estelar e um garoto, que Juno intuiu ser Robin. Ele tinha cabelos pretos espetados, e seus olhos eram cobertos por uma máscara. Usava uma camiseta vermelha de mangas verdes, do mesmo tom da calça e das luvas, além de uma capa preta e amarela.
-Esta é a Juno, de quem eu havia falado. – disse Estelar, puxando-a pelo pulso
-É um prazer conhecê-la, Juno. Principalmente quando parecemos não ter aliados.
-E seus outros amigos? – perguntou Juno
-Mandei a eles uma mensagem informando onde estamos. – respondeu Robin
Não demorou muito para que o resto do grupo chegasse. Um ciborgue, um garoto de pele verde, uma garota cujo capuz escondia seu rosto. E os olhos de Juno brilharam quando viu quem seguia eles.
Nick ainda nem tinha visto tudo o que estava ao redor quando sentiu alguém o abraçando. Seu coração disparou quando percebeu que era Juno, e instantaneamente correspondeu, com ainda mais força. Só ele sabia como o medo de que algo acontecesse a ela o assombrara.
Eles se separaram antes que corressem o risco de ficarem corados, e Juno cumprimentou Lukas, afinal também estivera preocupada com ele, embora de um jeito diferente. Depois as apresentações foram concluídas e Ciborgue falou, direcionando-se a Robin:
-Voltamos à cena do crime e colhemos uma amostra da gosma do Saico-Tek. Fiz uma análise molecular... – um visor holográfico foi projetado de seu braço esquerdo – e depois de várias comparações, eu descobri uma coisa. Não era sangue no seu uniforme. Era tinta.
-Tinta? – indagou Robin
-É. – confirmou o meio robô - Como as manchas na minha armadura e na arma estranha do Lukas, as manchas na capa da Ravena e o batom da garota que beijou o Mutano.
-Era uma garota-gato! – protestou o último citado
-Os criminosos estão ligados. – ponderou Robin
-Isso porque foram criados pela mesma pessoa. – Ravena se ajoelhou em frente a uma mesa de centro e pôs o livro em cima dela, para que todos pudessem ver – Brushogun, o primeiro supervilão de Tóquio. – ela abriu o livro enquanto continuava o relato – Ele era um artista que sonhou em dar vida às suas criações. E tentou realizar esse sonho usando magia negra. O feitiço funcionou... Mas o preço foi muito alto. A escuridão o manchou. Sua pele virou papel. Tinta correu pelas veias. E ele foi transformado em Brushogun.
Robin se aproximou mais do livro e leu por algum tempo.
-Desenhos. Era o que estávamos enfrentando. Então eu não machuquei ninguém, não alguém de verdade, pois era tinta.
-Eles eram tinta. – repetiu Mutano
-Todos eles. – completou Estelar
-E o Brushogun usou para me pegar. – concluiu Robin
Dito isso, ele se levantou bruscamente e podia se sentir a determinação na voz dele.
-Muito bem, Titãs. Essa é a nossa missão. Somos fugitivos da lei. Temos um criminoso à solta que pode fazer outros criminosos. E o único jeito de limpar o nosso nome é capturando ele. – ele se virou para o grupo de keybladers – Quanto a vocês, como ainda não foram vistos conosco, ainda podem escolher entre ficar ou não.
-Nem precisa perguntar. – Juno falou sem a menor dúvida – Viemos para ajudar.
-Unh, é, ótimo plano. – interferiu Mutano – Só que tem um problema pequenininho. Todos em Tóquio querem pegar a gente!
Tão logo Mutano mencionou esse fato, ele se tornou presente. As portas da sala onde estavam se abriram, revelando os seres que anteriormente haviam atacado eles, diversos guardas e ainda alguns cidadãos revoltados.
-Titãs, vamos lá! – ordenou Robin
Sem dúvida, a melhor alternativa era fugir. E foi isto que fizeram. Mas parecia que em cada lugar que eles iam, havia vários de cada um dos perseguidores esperando por eles, além de diversos heartless. À exceção dos seres da escuridão e de tinta, eles evitavam confronto, por não quererem machucar pessoas desnecessariamente.
Passando por mais um beco, Mutano virou um cachorro, tentando farejar alguma coisa que levasse ao Brushogun.
-Será que não dá para ir mais rápido? – reclamou Ciborgue – É questão de tempo até nos atacarem de novo.
Continuaram seguindo o cão, sem perceber que Robin havia parado até este se pronunciar.
-Mutano, pode parar. Eu sei pra onde vai o rastro.
Voltaram-se na direção que Robin apontou com a cabeça. Mesmo com vários prédios a frente, ainda era possível ver a imponente construção que se erguia ao longe.
-O esconderijo do Brushogun é na gráfica de gibis? – indagou Ciborgue, com um misto de surpresa e incredulidade
-Eu disse que a gente devia ter visitado. – disse Mutano, numa quase revolta
Ao passar por ele, Ravena lhe deu um tapa na cabeça, como que dizendo 'idiota'.
Chegar à editora não foi tão difícil, e entrar menos ainda. O hall de entrada estava completamente vazio, sem nem sequer um guarda. Seguiram tranquilos até o meio da sala, até que entraram em guarda ao ouvir um gemido fraco e assombroso, como se houvesse um fantasma ali. Houve um clarão causado por um relâmpago do lado de fora pouco antes de Robin sussurrar-lhes 'Me sigam'. Seguiram até uma porta ao fim de uma pequena escada no lado direito do saguão. Quando abriram esta, estavam no que parecia ser a sala das máquinas, que se encontrava igualmente vazia e escura.
Ciborgue acendeu um pequeno feixe de luz para que andassem mais confortavelmente naquele sombrio cômodo. Passaram por uma imensa prensa e o feixe de luz se encontrou com uma cadeira virada contra eles, não possibilitando ver quem estava nela.
-Parece que subestimei os pirralhos keybladers outra vez. – disse uma voz feminina
Nesse momento, a cadeira se virou, revelando uma mulher que trajava o mesmo sobretudo de Brendah. Seu cabelo loiro mal chegava ao ombro e tanto seu olhar quanto seu sorriso tinham um brilho sádico.
-Quem é você? – perguntou Lukas, incitado pela roupa
-Aquele pivete loiro realmente é um traíra. – ela fechou os olhos e balançou a cabeça levemente – Nem ao menos falou da Organization para o próprio filho.
-Como assim? – um misto de confusão e curiosidade era notável na voz dele
Ela abriu os olhos e direcionou seu olhar incisivo para Lukas, respondendo.
-Roxas originalmente lutava no lado oposto ao que está agora. 'A chave do destino', número 13 da Organization XIII.
Uma expressão de choque tomou conta do rosto de Lukas. Seu pai... Era um nobody?
-Não acredite nela, Lukas. – cortou Nick – Até porque, como um nobody teria uma keyblade?
-Talvez porque ele seja nobody de Sora. – ela completou
Agora o choque passou para Juno. Não era possível isso... Só se ele tivesse perdido seu coração, e seu pai nunca mencionara isso. Nessa hora ocorreu a ela que talvez eles tenham escondido bem mais do que a verdadeira identidade dos pais de Brendah. E foi então que percebeu quem era aquela mulher.
-Larxene?
-Ponto para a keyblader. – assentiu
-Onde está Brendah? – indagou Lukas, retirado de seus pensamentos
-Não sei. – Larxene deu de ombros – Talvez numa missão de reconhecimento.
O loiro cerrou os dentes. Só pelo tom de voz dela, era perceptível que não se preocupava nem um pouco com a própria filha, o que o deixara bem irritado.
-E onde está o Brushogun? – interferiu Robin
Larxene simplesmente apontou com a cabeça para a prensa atrás deles. Uma tampa se abriu ao som de mais um gemido fantasmagórico e revelou um homem cujo corpo não parecia ter nenhum músculo. Seus olhos eram de um cinza-azulado opaco, e em suas costas estavam conectados diversos tubos que eram ligados a prensa.
-Acho que você não está agindo em conjunto com ela, não é? – continuou Robin – Você só é...
-Um escravo... – ele completou, com uma voz fraca – Eles me prenderam nessa coisa. Nessa maldita prensa que usa meus poderes contra a minha vontade... Os criminosos que crio servem ao comandante.
-Comandante? – indagou Ciborgue
-Seria eu. – outra voz ecoou pelo local, vinda de uma cadeira um pouco mais afastada da prensa, rodeada por visores – Devo admitir que vocês se mostraram adversários formidáveis. Uma vez destruídos, talvez eu faça cópias de vocês para me servirem.
-Mostre seu rosto, covarde. – disparou Estelar, devido à cadeira estar virada na direção oposta a da visão deles
-Só há uma pessoa que pode ganhar ao criar criminosos: O herói que pega todos eles. – falou Robin – Não é verdade, comandante?
A cadeira se virou, revelando um homem de curtos cabelos negros, e não era possível ver a cor de seus olhos, já que os mantinha fechados. Trajava uma camiseta branca, com uma gravata preta e um sobretudo bege, além da calça também preta. Ele se levantou e colocou seu chapéu, também bege.
-Muito bom, meu amigo. – ele disse – Mas você não me pegou. Eu peguei você.
Nesse momento, apareceram diversos policiais, que os cercaram. Larxene se levantou de sua cadeira e abriu um portal negro, logo após se virando para os keybladers e se curvando num ato totalmente irônico.
-Foi um prazer conhecê-los. – um tom sombrio tomou conta de seus olhos - E, se sobreviverem, será um prazer destruí-los.
Dito isso, ela sumiu por entre o portal, e os heartless começaram a surgir no chão. Todos do grupo já tinham entrado em posição de guarda, exceto Mutano.
-Espera aí. – exclamou o garoto de pele verde – Se o mocinho era o vilão então quer dizer que... Ah, legal, somos os mocinhos de novo!
-Você é uma fraude, Daizo. Uma farsa – acusou Robin, apontando para o comandante – Brushogun foi o único criminoso que pegou.
-Um foi o bastante. – Daizo interrompeu, enquanto os policiais e os heartless chegavam mais perto
-Usou os poderes dele para mentir, para se fazer de herói. – Robin continuou – E quando eu comecei a procurar a verdade, você me fez passar por criminoso!
-Bela história, jovem. Mas eu duvido que alguém acredite quando estiverem presos. – o comandante rebateu – Patrulheiros, ação!
-Titãs, atacar!
A batalha se iniciou assim que o som das últimas palavras soou. Enquanto os portadores da keyblade destruíam os heartless, cabia aos Jovens Titãs derrotar os patrulheiros. E essa era uma tarefa um pouco mais difícil, pois não queriam machucar pessoas, então eles agiam mais na defensiva. Porém, em uma dessas defesas, descobriram que os patrulheiros também eram feitos de tinta. E, quando isso aconteceu, os seres que haviam atacado eles anteriormente apareceram de novo, mas não só um e sim vários. E, ao derrotar um deles, Robin viu Daizo correndo por uma plataforma, provavelmente tentando fugir.
O garoto rapidamente alcançou o local onde ele estava e parou um pouco a sua frente, fazendo-o parar.
-Tá fugindo? Eu acho que já não fazem mais heróis como antigamente. – ironizou Robin, mas sem desfazer o semblante sério
O comandante sacou uma arma e tentou atirar nele, mas Robin desviou todos os tiros com seu bastão, para logo depois arremessá-lo, tirando a arma da mão dele. Aproveitando a brecha, se lançou num chute que fez Daizo recuar alguns passos. Mas este colocou a mão no corrimão e deu uma leve risada.
-Desista, meu jovem. Você nunca vai poder me ganhar.
-Eu não só posso como já ganhei.
-Você pode até me vencer, Robin. – ele começou a andar para trás, sendo seguido passo a passo por Robin – Pode me destruir, se quiser. Não muda nada! Quando tudo isso acabar, todos ainda vão achar que você é um criminoso! E o povo de Tóquio ainda vai continuar me chamando de herói!
-Eu sei o que significa ser herói, comandante. – o garoto rebateu com toda a certeza – E acredite em mim. Você não é um herói.
Daizo parou pouco depois e olhou para baixo. Estavam exatamente em cima da prensa. Então, sem nenhuma hesitação, ele se lançou em direção a uma abertura que havia nela, caindo dentro da prensa.
Um grito do Brushogun foi ouvido, e diversos raios percorreram a máquina, o que indicava um curto-circuito. Perplexos, os que estavam no chão tiveram de correr para não caírem nas rachaduras que agora se faziam no chão, devido às tubulações de tinta que irrompiam do mesmo. Até os heartless e os demais adversários tiveram de desviar delas, que começaram a se conectar com as paredes, também percorridas por raios.
Na parte térrea do prédio ocorreu uma explosão não muito tempo depois, lançando todos os que nela estavam para o pátio frontal da empresa. Levantaram-se a tempo de ver explosões ocorrendo nos demais andares, e duas mãos negras feitas de tinta surgindo de um dos andares mais altos. A fumaça chegou a encobrir o resto do imenso ser de tinta e tubos que se formara, mas foi por pouco tempo.
-O poder é meu! – uma voz monstruosa reverberou pelo local, enquanto relâmpagos e trovões eram vistos no céu nublado
O monstro de tinta ergueu-se, mostrando ser maior do que todos os prédios ao redor.
-É muita tinta! – exclamou Mutano, enquanto eles recuavam alguns passos
-Vai fazer uma baita mancha quanto tudo acabar. – emendou Ciborgue
-Ele pode ter a magia do Brushogun, mas não sei mais quanto tempo ele pode controlar. – falou Ravena
Brushogun podia ser visto no centro, os tubos que o ligavam a prensa agora o ligando ao ser de tinta. Este ergueu sua mão e, dos pingos que caíram, surgiram novamente seus adversários, agora cada um de pelo menos duas cores diferentes e desordenadamente misturadas.
-O que a gente faz agora? – perguntou Estelar, não sem certo tom de desespero
-Apaga ele. – Robin disse
Agora, além das investidas dos seres de tinta e dos heartless, o cuidado tinha de ser maior por causa dos ataques de Daizo. Mesmo assim, eles conseguiram um avanço, mesmo sendo pouco.
Em uma de suas tentativas de ataque aéreo, Estelar foi pega por uma das tubulações, que agora atuavam mais como braços alternativos, e arremessada ao chão. Por um triz não foi atravessada pela lâmina que se formou, sendo salva por Ravena.
Mutano já tinha se transformado num Tiranossauro Rex, embora sua atual força e imponência não tivessem intimidado seus adversários, que se juntaram em um grupo maior, este lentamente sendo diminuído pelas diversas magias de Lukas.
Ciborgue, Robin, Juno e Nick eram cada vez mais cercados, tanto pelos seres de tinta quanto pelos da escuridão. O garoto de cabelos negros olhou para cima e viu como Brushogun era sugado para dentro da tinta, e ele viu como a salvação deles estava ali. Então, sem medo e com sua fantástica destreza e habilidade, foi desviando dos tubos até achar a brecha que precisava e subir em um deles, indo em direção ao Brushogun. Alguns adversários surgiram, mas estes foram destruídos por magia. Olhando de relance para trás, ele pode ver Juno seguindo-o, embora estivesse a uma distância considerável.
Voltou seu olhar para seu alvo e, como estava um pouco acima, pulou e cravou seu bastão no mar de tinta, para que não caísse.
-Como eu posso detê-lo? – perguntou, segurando o ombro de Brushogun – Como eu quebro o feitiço?
-Ele sem mim... – respondeu, sendo cada vez mais puxado – não é nada... Você precisa me tirar dessa máquina...
Quando terminou de falar, ele já estava totalmente imerso na tinta. Robin tentou trazê-lo de novo para fora, mas acabou sendo puxado junto. Mesmo usando todas as suas forças, não conseguiu libertar-se.
A risada maligna de Daizo era ouvida enquanto ele neutraliza os que ainda estavam lutando. Porém Juno conseguiu repetir o mesmo caminho de Robin, e cravou sua keyblade na parte em que ela pensava ele estar. Quando sentiu que algo segurava sua keyblade, começou a puxá-la e, na união de forças, tanto ela quanto Robin e Brushogun conseguiram se desvencilhar da tinta. Com uma magia de ar, os três chegaram suavemente ao chão.
O garoto ainda segurava Brushogun, apoiando seus ombros com seu braço.
-Você me libertou... – murmurou, antes de fechar os olhos e desaparecer
Então, Robin e Juno viram a tinta caindo diante deles. Quando olharam em volta, puderam perceber os seres de tinta se desmanchando.
-O feitiço de Brushogun está se quebrando! – disse Ravena, embora ela e Estelar ainda estivessem presas
O monstro de tinta ainda se contorceu antes de começar a expandir e explodir, causando uma onda de tinta que atingiu a todos. Logo já estavam de pé, a exceção de Estelar, que ficara imergida em uma das massas de tinta. Robin correu até onde ela estava, e segurou-a delicadamente. Ela abriu os olhos ao ouvir seu nome pronunciado pelo garoto. Ele limpou um pouco da tinta que estava no rosto dela e perguntou:
-Está tudo bem?
-Agora está, Robin. – ela respondeu
A chuva não tardou a cair, sendo a hora perfeita para isso. Ela limpou o que restava daquele líquido negro, o que acabou por revelar um derrotado Daizo.
Robin e Estelar estavam ajoelhados um de frente para o outro, e agora um olhava diretamente para o outro.
-Eu acho que estava errado... – começou ele
-Acha? – perguntou docemente a garota
-Talvez... Eu não seja só um herói. Talvez eu possa ser... Talvez nós possamos...
-Robin? – interrompeu ela
-Sim?
-Pare de falar. – ela disse com um sorriso
Seus rostos se aproximaram mais e eles uniram seus lábios em um doce beijo que, mesmo sendo curto, tinha um significado muito grande para ambos.
Nick, ao ver aquela cena, não pode deixar de pensar em como desejava ser mais que só um amigo de Juno. Sacudiu a cabeça para tentar tirar esses pensamentos dela, sem sucesso. Agradeceu muito por Juno estar mais a frente dele e não poder ver o tom vermelho que estava seu rosto.
Lukas, que estava a seu lado, deu um soco de leve em seu braço e falou numa altura para só ele ouvir, com um sorriso maroto:
-Por que não aproveita o momento e faz a mesma coisa com a Juno?
Nick se limitou a direcioná-lo um olhar assassino.
-Já era hora. – Ciborgue disse
O casal sorriu e logo se levantou. Todo o grupo caminhou até o portão de entrada da empresa e, assim que saíram, Juno suspirou.
-Acho que é aqui que nos separamos.
-Mas como assim? – perguntou Mutano em tom de indignação – Amanhã com certeza terá uma grande comemoração!
-E acho que vocês também merecem estar nela. – completou Ciborgue
-Temos de ir – rebateu ela – Vocês, mais do que ninguém, entendem isso. Outro mundo pode estar em perigo agora.
Nick e Lukas já tinham ido para o lado dela, formando uma distância entre os Titãs e os keybladers.
-Então, aceite isso como presente. – Robin tirou um pequeno comunicador de seu cinto – Vocês sempre serão bem-vindos para os Jovens Titãs.
O rapaz estendeu o comunicador, enquanto os demais sorriam em aprovação. Juno pegou-o e depois ambos os grupos se despediram, indo cada um para um lado.
Fim do capítulo VIII
N/A: De boa, nunca fiz um cap tão grande... Aaaaaaahhh, to tão feliz *-* E é incrível como essa fic tá fazendo sucesso no Nyah! Espero que aqui também seja assim hihihi Enfim, até o cap 9 o/
