Sem mais delongas, porque todo mundo sabe o que vou dizer sobre os copyright de POTC!!

XDDDDD

Espero que gostem marujos!

Vai começar a tosa!!


Cap. 10


Ela não cedeu, o afastou e segurou o rosto dele entre suas mãos.

- Eu não vou fazer isso Jack! Isso não faz parte do acordo lembra? Por favor, eu não quero brigar com você! – ela parecia triste e ele estranhou. Ela não era assim.

- Mas Lizzie... – ele choramingou. – Você quer me enlouquecer é? Olha como eu estou, sinta meu corpo Lizzie... – ele tentou beijá-la, mas ela o empurrou para o lado e se levantou da água.

- Chega de banho por hoje. – ela disse olhando o próprio vestido todo molhado. – Você molhou meu vestido! – agora estava com uma raiva que o intrigou.

Ela estava estranha, num minuto brincava, no outro xingava e brigava e no outro - simplesmente não queria brigar. Não era do feitio dela fugir de uma discussão com ele.

- Lizzie... – ele a chamou, mas ela apenas retirou o vestido e se envolveu numa toalha.

- Saia da água Jack e venha se secar. – ela o chamou com uma toalha para ele nas mãos.

Ele obedeceu e deixou que ela o secasse. Ela estava mortalmente séria e calada. Nenhum sorriso ou tentativa de Jack para fazê-la sorrir ou falar surtiu efeito.

Finalmente seco e envolto numa toalha, ele a olhou e fez bico.

- O que está acontecendo com você amor? Porque você está assim... esquisita?!

- Eu não estou esquisita. Só não quis fazer nada que não fizesse parte de nosso acordo lembra?! – ela tentou soar convincente, mas sua voz falhou e ela olhou para ele. – Jack.

- O que foi? – ele franziu a testa e a olhou com a boca semi-aberta.

- Eu... eu estou com tanto medo.

- Medo? – ele pendeu a cabeça para um lado e a olhou intensamente. –De quê?!

- Medo de... de ser mãe. Eu não sei ser mãe, eu nunca tive mãe, eu não... – ela olhou para o chão e sentiu lágrimas quentes escorrerem por suas bochechas.

- Oh Lizzie. – ele foi para ela e a abraçou. – Eu tive mãe por pouco tempo sabe, mas acho que você será uma mãe incrível! Se você for carinhosa do jeito que é comigo quando não está brava, você será uma mãe magnífica e... – ele ficou sério.

- E...? – ela sorriu um pouco, limpou as lágrimas e levantou a cabeça para encontrar o olhar dele.

- Eu também estou com medo de... – ele engoliu em seco.

- Ser pai?!

- É. – ele sorriu encabulado e a apertou forte em seus braços. – Tenho medo de ficar como o meu pai.

- Como assim?! – ela o olhou e ele a puxou para a cama. Ela iria dizer que ele seria o melhor pai dos sete mares, um herói para seu filho, mas percebeu que ele falaria de seu passado, não podia deixar passar essa oportunidade de saber mais sobre ele.

Ambos estavam envoltos somente em toalhas e a chuva caía pesadamente lá fora. O vento uivava e entrava pelas frestas da porta como uma brisa fria.

Relâmpagos e trovões enchiam todo o ambiente.

- Nunca contei isso para ninguém. – ele a olhou com ternura e tristeza e ela pousou uma mão na bochecha dele e a acariciou.

- Eu prometo guardar todos os segredos do Capitão Jack Sparrow. – ela sorriu.

- Aye. – ele tentou sorrir, mas não conseguiu. – Eu era muito amado por minha mãe e meu pai Lizzie. Muito mesmo! – ele respirou fundo. – E minha mãe... ela era tão doce e amável comigo, eu não largava a barra do vestido dela para nada e acredite: eu morria de medo do mar!

- Nossa! – ela o olhou, espantada.

- Pois é. Meu pai não era pirata, ele era apenas um corsário que não obedecia ordens de ninguém e minha mãe... bem, minha mãe era linda, uma índia da América portuguesa, era tupi a tribo dela, eu acho.

- Que incrível Jack! – Elizabeth sorria ao ouvi-lo tão sério ao falar do passado. Ele parecia indestrutível, um cavalheiro nobre e educado, sem todo aquele humor irônico, típico do pirata que realmente era. – Por isso você tem esse cabelo negro e essa cor tão bonita não é?!

- Acho que sim, na verdade, e graças a Deus, puxei pouco ao meu pai, pelo menos na beleza. Meu pai é feio que dói não é?! – ele finalmente abriu um largo sorriso.

- Não acho seu pai feio, ele só é... assustador. – ele riu e ela continuou. – Assustador no sentido de temido e respeitado sabe, do tipo de pessoa que você percebe que já sofreu horrores nessa vida.

- Pode ser. Ele deve ter sofrido mesmo. Ele amava muito minha mãe.

- Que lindo! – ela suspirou emocionada. – Qual era o nome dela?

- Iramaia. Que quer dizer Mãe do Mel, na língua dela. Nossa, como ela era deslumbrante! E me beijava a todo o momento. – ele disse sorrindo, lembrando de como sua mãe era carinhosa e bela.

Elizabeth se aconchegou a ele que a puxou para deitar.

- Que bom que ela era assim carinhosa. Eu nem sei o que é amor materno. A minha mãe morreu quando eu tinha dois anos. – ela se lamentou. – Mas eu não consigo lembrar de nada dela. Nada mesmo! Minha única herança dela foram uns diários de bordo que eu encontrei escondidos num buraco embaixo da cama onde diziam que ela dormia. Ela tinha um quarto separado, onde tinham mapas e bússolas e livros que só ela lia. Meu pai nunca soube que eu li os diários. Os livros sim, mas ele ignorava a existência dos diários. E acho que vem daí todo o meu fascínio pelo mar.

- É mesmo amor? – ele riu. – O que tinha nos diários, histórias de grandes feitos da Marinha Real?

- Não. Eram diários piratas!

- O quê?!

- Piratas Jack! Piratas! – ela se sentou na cama entusiasmada. – Sobre um tal de Capitão Morgan. E nele dizia que ele era um grande e temido pirata, que arrasava todas as cidades que saqueava e deixava sua marca nelas! E dizia também que tinha uma filha, sua princesinha pirata, que tinha o mesmo nome dele. Pela descrição nos diários, ela era morena e com cabelos encaracolados. Muito brava e arrogante como o pai. E terrivelmente linda também.

- Ahhhhhhhhhhhhhhh! Eu já ouvi falar dela. Na verdade, o Pérola Negra já cruzou com o Estrela da Manhã. Mas isso foi na costa de Madagascar há mais de 10 anos. Um grande navio. Não nos fez mal por causa da bandeira negra, eu presumo. Mas eu não cheguei a vê-la.

Elizabeth sorriu alegremente.

- Que incrível Jack! – sorriu Elizabeth. – O diário só pára quando o pai e o tio dela brigam e ele manda a menina embora do navio. Depois disso, são só rabiscos e manchas, de lágrimas eu acho. Porque será que minha mãe tinha essas coisas?!

- Quem sabe? Por falar nisso, tinha um escritor em Port Royal que escrevia sobre os Morgan. Dizem que ele inventava muita coisa. Vai ver que sua mãe adorava essas histórias e as comprou.

- É, deve ser isso. Minha mãe era linda, loira e alta Jack. Parecia aquelas esculturas gregas. Meu pai espalhava quadros dela por toda a casa. Ela era filha de franceses.

- Qual era o nome dela Lizzie?

- Era Liz Marie.

- Que coisa! Liz! – sorriu Jack e a puxou para que deixasse a cabeça em seu peito. Ela sorriu.


Ficaram a olhar o teto por um bom tempo.

Quando um trovão dos fortes foi ouvido, Jack respirou fundo e falou numa voz rouca e profunda:

- Minha mãe morreu num naufrágio quando eu tinha sete anos. – sentindo Elizabeth se agarrar mais a ele, Jack quase quebrou. – Eu vi tudo.

- Meu Deus Jack! – ela suspirou e olhou nos olhos dele.

- Um navio pirata nos alcançou e arrasou o Esmeralda. – ele disse sério e desviou o olhar.

- Por isso que você disse que Esmeralda era nome de navio não é?

- É. Uma bala de canhão atingiu a perna dela. Tinha tanto sangue Lizzie. – ele engoliu em seco e ela subiu para beijar a bochecha dele. – Mas ela não morreu por causa disso, claro, ela ficou presa com a perna esmagada e... ela acabou morrendo afogada, porque o navio foi tragado pelo mar e muita gente da tripulação naufragou junto. Só meu pai e eu escapamos... pelo que eu lembro. – ele se calou e ela ouviu um soluço na garganta dele.

- Eu sinto muito Jack. – ela disse e o encheu de beijos nas bochechas. – Muito, muito mesmo!

Ele a olhou demoradamente e tentou sorrir.

- Depois disso eu vim parar aqui... – uma lágrima rolou bochecha abaixo e ele suspirou. – Meu pai não queria mais nem me olhar. Me abandonou e nunca veio me ver. E eu fiquei meses pensando no que foi que eu fiz de errado para que ele me odiasse. Eu sempre o amei e fui um bom menino e... – ele se agarrou em Elizabeth, enterrou seu rosto nos seios dela e desabou no choro.


Se existe uma coisa que ela não gostava nem de pensar que seria possível, era ver seu herói chorar. Sentia as lágrimas quentes molharem seus seios e os soluços dele a enchiam de dor.

Mas ela o deixou chorar por um bom tempo, ele precisava – e muito. O grande Pirata Jack Sparrow era um menino carente de amor.

Ela ficou pensando no quanto ele sofreu, o quanto a vida foi cruel com uma alma tão simpática e extraordinária como ele. A criatura mais alegre e insana que teve a sorte de conhecer. Seu salvador para sempre. O ser que ela mais amava nesse mundo. Por quem ela agüentaria até as mais terríveis dores e faria coisas que nunca imaginou que seria capaz. Por quem ela mataria e morreria. Faria tudo por ele e somente por ele – que às vezes merecia muitas palmadas por ser tão brôco e teimoso, mas que não deixava de ser o homem mais bonito e sedutor que ela pôs os olhos. O homem que a fez mulher, o mais especial e inesquecível de todos. O amaria por toda a eternidade.

E se tinha que o abandonar, como prometera a Will, faria isso só para não vê-lo morrer por sua culpa. Ela não agüentaria mais vê-lo naufragar nem se machucar por culpa dela. Não mais!

E se ele pensasse em morrer de sofrimento ou saudades dela, teria o filho deles para mantê-lo vivo, de pé e navegando por todos esses mares em busca do sonho eterno de liberdade e para fazer a criança feliz. Ele seria o melhor pai do mundo, e agora que sabia que ele tinha medo de ser igual ao pai, isso dava mais certeza ainda de que Jack era perfeito para criar uma criança.

- Você está pronto Jack. – ela sussurrou no ouvido dele, que ergueu a cabeça para olhá-la.

- Pronto? – ele estranhou.

- Para ser o melhor pai do mundo! O pai que toda criança sonha em ter! – ela disse num sorriso e o beijou com paixão.

Ele subiu em cima dela, não falou nada, apenas a acariciou docemente.

Jack pensou que ela tinha entregado os pontos e tinha cedido às suas investidas, quando ela o empurrou e sentou.

- Seu cabelo! – ela exclamou excitada.

- Oh Bugger! – ele quase gritou de ódio. Ainda estava abalado com toda a conversa séria e as revelações do passado e agora ela o interrompia enquanto fazia carinho nela.

- Vou dar um jeito nele agora! – ela depositou um beijo nos lábios dele e se levantou ainda envolta na toalha. – Onde está a tesoura? – ela perguntou com uma vela nas mãos, procurando a tesoura em todos os lugares.

...

Eram altas horas da madrugada e os frades e freiras já estavam todos recolhidos em seus quartos. Mas a terrível e barulhenta tempestade e a curiosidade de saber o que Jack e Elizabeth faziam no quarto mais afastado do pavilhão dos frades os tirava o sono.


- Não é bem uma tesoura Lizzie... – ele disse se envolvendo na toalha. Novamente Elizabeth o negava fogo e isso enfurecia o Capitão.

Ele andou na direção dela e apanhou no chão o objeto de prata.

- Uma navalha?! – ela se assustou quando ele lhe deu.

- Foi o que o John me deu! E corta não corta? – ele disse de má vontade.

- É, mas... – ela pegou a navalha e a examinou. – Será que eu sei usar isso?!

- Ah, benzinho, é melhor você saber, eu não quero morrer degolado! – ele disse bravo. Estava chateado por ela não querer fazer amor com ele.

Jack se achava irresistível – e de fato o era – e não admitia que ela não o quisesse.

Ela o olhou e riu.

- Sente-se no banco.

- O que você vai fazer? – ele perguntou desconfiado.

- Eu não vou te matar, eu juro! – ela apontou para ele com a navalha. – Agora sente-se!