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No fim de jantar, Kaoru, os seus pais e alguns amigos despedem-se! Lágrimas e muitos abraços. As despedidas são sempre difíceis. Aquelas eram as pessoas que lhe davam alento todos os dias. Mas, isso não podia fazer com que não experimentasse, apostasse em novas oportunidades. Mako chorava perdidamente. A sua amiga e confidente iria agora estar a milhares de KM. Apesar dos meios como internet e telemóvel suavizarem a saudade não seria a mesma coisa. Kaoru interrompeu o jantar duas vezes para ir ao wc e limpar algumas lágrimas. Não queria que a vissem triste. A chegada da hora de partida trazia dúvidas se seria aquilo que realmente queria.

- Mako, por favor, não chores!

- Eu sei, desculpa! Os teus pais sofrem mais do que eu e eu não estou a ajudar…

- Amanha vais ter comigo antes de almoço? A transportadora vai lá até as 17 horas. Despeço-me dos meus pais em casa, não me quero despedir deles no aeroporto. Depois podes-me levar tu ao aeroporto!

- Claro que sim. Vou ajudar com o que falta e depois levo-te.

- Combinado!

As duas amigas abraçam-se e seguiram para casa. Kaoru decidiu passar a última noite em casa dos pais.

Durante a noite dormitou duas horas. O seu interior inflamava ansiedade. A dúvida apoderou-se por momentos mas convicta dizia a si mesma "Agora? Agora não posso desistir, já está tudo tratado"

O dia nasceu, o sol começou a brilhar e Kaoru levantou-se. Tomou o pequeno almoço com os pais, arrumou as suas coisas e despediu-se. Saiu de casa em lágrimas.

Na sua porta Mako já a esperava

- Bom dia amiga!

- Bom dia? Só se for para ti! – Mako sorriu - Não sei se sabes mas hoje vi nas notícias que há voos a serem cancelados por causa de uma greve!

- A sério? A companhia não me enviou nenhum aviso! Era o que mais faltava! Vamos acabar as arrumações e já vejo isso!

Entraram para o pequeno apartamento de Kaoru e continuaram os últimos preparativos para a sua partida.

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Kenshin veste uns jeans, sweat e um casaco quente. Tem uma visita.

Desorientado dirige-se para a saída da sua penthouse, quem quer que fosse não tinha tempo para perder.

Ao abrir a porta a sua cara enche-se de espanto

- Olá Kenshin, vieste esperar-me à porta? – A super modelo, elegante fazia pose na sua frente – Como combinado vim festejar o novo ano contigo, vim mais cedo, surpresa!

Kenshin recua

- Bom ano Kenshin – Abre totalmente o casaco, mostra a sua lingerie sexy e sorri

Kenshin levanta o braço em sinal de negação

- Não estamos no ano novo!

- É o que tu quiseres Kenshin!

Kenshin ainda meio zonzo empurra levemente a moça para passar

- Kenshin? KENSHIN? – A modelo fica plantada na sua porta enquanto Kenshin perturbado corre para a saída do prédio.

Na garagem liga o seu Ferrari e corre para os subúrbios. A casa onde no dia anterior esteve continua lá. Igual. Inclusive o alpendre, onde Kaoru lhe apalpava o traseiro e desejava um bom dia de trabalho.

Reticente, olhando à sua volta aproxima-se da entrada e toca na campainha. A porta abre-se, um senhor de cabelo branco aparece

- Posso ajuda-lo?

- A Kaoru está?

- Desculpe mas, não mora aqui nenhuma Kaoru…

Kenshin olha para o chão – Claro que não… - A sua cara fica sem expressão

- O senhor está bem?

- Não! – Kenshin dá as costas ao senhor e arranca de novo com alguma fúria. De volta para o centro da cidade o telemóvel começa a tocar

- Sim?

- Sr. Himura, onde se meteu? Está toda a gente a sua espera. Tem uma reunião! – A sua secretária tinha alguma preocupação na voz, Kenshin nunca falhava – Está meia hora atrasado, o fecho daquele negocio não lhe diz nada?

Kenshin ouvia as suas palavras mas a sua cabeça tinha um nó de ideias e ansiedade

- Sr. Himura?

- Sim! Eu ouvi! Estou aí em meia hora!

Na sala de reuniões o pânico estava instaurado. A empresa em falência que estavam prestes a comprar tinha recebido uma proposta de um concorrente europeu. O seu chefe, Hisako, esperava impaciente

Kenshin sem fato executivo e meio despenteado entra impulsionando a porta

- O que é que se passa? – A sua voz transmitia tudo menos preocupação por aquele negócio

- Bem, a coisa não está famosa…

Bracejando com nervosismo Hisako e os outros acionistas explicaram que não podiam perder aquela oportunidade para uma empresa europeia. Não faziam ideia de como tinham o conhecimento daquela venda, de como estavam a dar uma proposta de compra mais alta. O alvoroço estava instalado

Todos encaravam Kenshin, o negociador feroz daquela oportunidade. Este, de mãos nos bolsos e olhos no chão acaba por finalizar todo aquele stresse

- Heis o que vou fazer exatamente! Vocês fazem exatamente o que tiverem de fazer para descobrir o nome da empresa europeia. Eu apanho um avião, vou beber whiskey até cair com o nosso vendedor e, enquanto a esposa e filhos brincão na neve, eu vou convencê-lo que essa empresa europeia é o diabo e não cumprirá com os acordos como nós faremos!

Aquela sala era agora uma plateia para Kenshin que em pé continuava apaticamente

- Depois vou treinar kendo durante 5 ou 6 horas… completamente e totalmente sozinho! Isso é o que eu vou fazer porque esta é a minha vida e não há nada que eu possa fazer para a mudar…

A sala de reuniões ficou em silêncio enquanto Kenshin saiu. Procurou a sua secretária

- Lembra-se do contacto que tinha na noite da passagem de ano?

- Ontem? Sim, da moça… mas isso acabou no lixo Sr. Himura. Impossível encontrar!

Derrotado, com um aperto no coração não tinha sequer capacidade para conduzir. Pediu ao seu motorista para o levar de volta a casa. No banco traseiro, pensativo, olhava as ruas, os prédios, as pessoas – Nada disto faz sentido! – soltou baixinho

Acabou por ter a ideia de ligar para o número de informações. Se estivesse no Japão teria acesso ao contacto.

- Bom dia, de Tóquio o nome é Kamiya Kaoru, por favor!

Do outro lado não conseguiram dar o número de telefone mas uma morada. Kenshin pediu ao motorista para o levar rapidamente aquele lugar.

Chegando ao prédio que ficava naquela morada Kenshin sai do carro e olha-o na esperança de ver algum sinal. Acaba por encontrar alguns homens de uma transportadora que falavam numa Sra. Kamiya. Seguindo o rasto Kenshin sobe umas escadas os empregados transportavam caixas para a saída.

A primeira visão foi a de Mako que advertia a equipa

- Esta caixa tem coisas em vidro, é muito frágil, têm de a levar com muito cuidado. São algumas obras de arte! Atenção por favor…

Kenshin olha-a acanhado, com as mãos nos bolsos nada lhe saia da boca. Mako repara na sua presença

- Sim? Vem da empresa de mudanças?

Kenshin continua naquele estado de ansiedade

- Não está a ouvir? HEII!

- Desculpe! O meu nome é Kenshin Himura e sou um velho amigo da Kaoru!

Mako levanta a sobrancelha e vira-se para o interior do apartamento

- KAORU! Está aqui um sujeito para falar contigo!

- Mako, falas-te com a companhia aérea?

Kenshin já não ouviu mais nada, somente a voz de Kaoru que apareceu iluminada na esquina da sala

- Kenshin! – Kaoru olha-o admirada, não o via á muito tempo

- Kaoru – Kenshin abre um mega sorriso, dá dois paços à frente

- Céus, já lá vai muito tempo, tu estás…

Kenshin emocionado interrompe

- Estás com ótimo aspeto!

- Obrigada, tu também! – Kaoru sente-se intimidada, Kenshin tinha os olhos pregados em si e um sorriso comovido. Quebrando a corrente convida-o para entrar – Entra, não ligues mas estou de mudanças!

Completamente hipnotizado Kenshin não olha para o chão e acaba por ir de encontrão com uma das caixas.

Mako ao telefone fecha os olhos como quem não estava com muita paciência

Embaraçado pede desculpas. Kaoru deixa-o a vontade

- Oh não, não te preocupes, não é nada de especial!

Kenshin olha para a equipa que continua a levar as suas coisas para a rua

- Para onde vais?

Kaoru abre um sorriso, aquele mesmo sorriso que ele se lembrava tão bem da noite anterior

- Estou a mudar-me, vou para Nova Iorque! – Abre os braços contente – Hei, Mako, sabes daquela caixa com um "K"?

Mako com o telefone na mão – Queres que ligue para a companhia aérea ou que vá procurar essa caixa?

- Estou sob pressão, ajudas-me por favor?

- Pfff, acho que está no mesmo lugar desde a última vez que a vimos…

Kenshin não se apercebe de nada deste aparato, apenas tenta focar o porque da sua partida

- Então estás de partida?

Kaoru no meio da confusão procura por aquela caixa - Sim! Recebi uma proposta para um museu de arte oriental em Nova Iorque!

- Nova Iorque nos EU? – Pergunta stressado sem perceber o estupido da sua interrogação

- Sim, conheces outra? – Ri animada

Kenshin responde com outra pergunta

- Não trabalhas como empregada de limpezas?

Kaoru não percebeu a pergunta

- Não…

- És casada?

- Não, nunca me casei, e tu Kenshin?

Kenshin sorri – Não, nunca me casei também… - Enquanto Kaoru continua a sua procura – Olha, podes fazer uma pausa? Para irmos beber um café ou qualquer coisa?

Mako interrompe

- Encontrei! O teu voo está cancelado mas já te arranjei outro mais tarde! Então, sou ou não boa?

Kaoru dirigi-se para Kenshin, tinha encontrado a caixa

- És genial Mako, obrigada!

Kaoru passa a caixa para as mãos de Kenshin.

- Toma, são coisas tuas! – Olha-o seriamente, não via aqueles olhos azul violeta à tantos anos

Kenshin encara aquele olhar – Kaoru, costumas pensar em nós? Naquilo que podia ter acontecido?

Kaoru tem a boca entreaberta, sente que leva um soco na barriga, não estava a espera dele muito menos daquele discurso. Sem saber o que responder inventa qualquer coisa

- Kenshin fazemos o seguinte, quando fores a Nova Iorque procuras-me para irmos beber um coffee, ou o que quer que seja, ok? - Kenshin olha-a derrotado – Hei Mako, não metas isso aí porque depois nunca mais a encontro!

Kaoru volta para a confusão das mudanças. Kenshin com a caixa na mão sente-se perdido. Acaba por sair do edifício entrando para o carro onde o motorista o aguardava.

Na sua penthouse Kenshin abre a caixa e encontra objectos familiares. Fotos, postais, livros entre outras bugigangas. Achou ternura no que encontrou. Tudo aquilo lhe trazia boas recordações. Sentado no chão da sua imensa sala, olhou e apalpou todas aquelas coisas que lhe relembravam tanto de bom. Era feliz e não se apercebeu. Perto da noite uma fúria imensa abateu-se dentro de si. Socou as paredes, chutou alguns móveis e nada lhe dava sossego. Ainda não tinha feito o que devia!

Passando os limites Kenshin conduzia o Ferrari com precisão, numa luta contra o tempo. Na porta da recepção do aeroporto parou o carro sem precaução.

- Onde é que vai? Não pode deixar ai o carro – Um polícia advertia Kenshin que não ouviu pois saiu a correr para o interior do edifício

Correndo veloz no meio da multidão, o seu coração estava quase a sair pela boca, precisava de encontrar a porta de embarque. Seguindo as informações dos voos seguiu para uma das áreas com destino aos EU. Apressado tentou avistar Kaoru entre as multidões que formavam filas.

- KAORU! – Gritou alto

Kaoru e a maioria das pessoas viraram o seu rosto, olhando para o fundo das filas, para aquele homem exaltado e ofegante

- Não entres nesse avião. Não podes ir!

A multidão olha agora para Kaoru, que estava petrificada e boca aberta olhando Kenshin

- Por favor, anda comigo beber um café! Não te peço mais nada! – Kenshin bracejava

Kaoru tentando evitar aquele embaraço da sua voz alta perante aquele publico, sai da fila e começa a dirigir-se para perto de Kenshin

- Deve haver outro voo esta noite…

- Kenshin, o que estás aqui a fazer? - A sua cara estava mergulhada em espanto. Kenshin por sua vez ficou simplesmente mergulhado mais uma vez naqueles olhos azuis

Kaoru arqueou as sobrancelhas com interrogação – Precisas de por um ponto final neste caso? Porque se precisas, depois de todos estes anos, está feito! Eu estou bem!

Kenshin continuava pregado no seu olhar

- Eu estou ótima! – Kaoru sentiu uma pontada – Sofri um grande desgosto Kenshin, foi muito difícil mas eu consegui superar, segui a minha vida! E tu, tu devias fazer o mesmo – Kaoru deixou ligeiramente o olhar cair para o chão, havia algo no que disse que não era verdadeiramente sentido. Kenshin tentou dizer algo mas não lhe ocorria nada. Kaoru volta a encara-lo – Desculpa mas, tenho mesmo de ir… Tenho de ir… Desculpa Kenshin… - Kaoru pediu licença e voltou para a sua fila, a sua cara levava uma expressão de surpresa desconfortante

Kenshin sentiu a derrota a invadi-lo. Com os punhos cerrados dá meia volta para ir embora. No entanto, não tinha nada a perder, ainda ofegante volta-se novamente e olha-a de novo, Kaoru dava a sua documentação à comissária de bordo. Convicto levanta novamente a sua voz

-NÓS TEMOS UMA CASA NOS SUBÚRBIOS DA CIDADE!

Kaoru e a multidão voltam a virar os seus rostos para ele

- Temos dois filhos, a Aiko e o Ken!

Kaoru é interrompida novamente e com algum embaraço olha-o fixamente à distância

- A Aiko não toca muito bem violino mas esforça-se bastante. Ela é muito inteligente, diz tudo o que pensa! E quando sorri… - Kenshin sorriu, tinha tanto para lhe contar, tanta emoção transbordava em si

Kaoru estagnou a ouvir aquela história estranha, Kenshin tinha conseguido prender a sua atenção. A multidão à sua volta acabou por dispersar. Com alguma distância entre si, os dois se olhavam fixamente enquanto lentamente se iam aproximando entre si. Apesar de estar cheio de gente pareceu que por segundos só os dois estavam ali

- E o Ken, ele tem os teus olhos! – Kenshin esforçava-se ao máximo para que Kaoru imagina-se a "realidade" que ele viveu em algumas semanas – Ele não fala muito mas nós sabemos que é inteligente! Tem sempre os olhos bem abertos! – Queria explicar tudo com pormenores que lhe foram tão reais… Levantou os braços – Quando olhamos para ele sabemos que está a aprender qualquer coisa nova! – Kenshin sorriu olhando Kaoru ainda estática – É como presenciar um milagre!

Kaoru sentia-se confusa, não conseguia visualizar aquilo que era descrito. Sentia ainda assim algum conforto naquela história. Consternada olhava os lábios de Kenshin a cada descrição. Não percebia bem o que era "aquilo" ao fim de tantos anos sem se verem.

- A casa é uma bagunça, mas é a nossa casa! Daqui a 86 prestações bancárias será nossa! E tu!? Tu és uma empregada de limpeza! Isso mesmo! O teu salário é uma vergonha a abdicas-te de todo o teu futuro por causa de nós! E isso não te aborrece minimamente!

Kaoru sorriu levemente, não desfazendo da profissão mas não era coisa que tivesse imaginado fazer. Ela seguiu a sua vida e conseguiu atingir os seus objetivos. Kenshin falava com o olhar pregado a ela, uma expressão séria que demonstrava que para ele aquilo tinha sido 100% real

- E nós? Nós estamos apaixonados! – Kenshin lentamente anda na direção de Kaoru, encurtando os poucos metros que os separavam agora – Após 10 anos de casamento continuamos incrivelmente apaixonados!

O sorriso de Kaoru desapareceu para dar espaço a uma expressão de angústia

- Nem me deixas tocar-te antes de dizer que te amo…

Kenshin continua andando na sua direção

- Eu canto para ti! – Riu

- Não sempre mas em ocasiões especiais!

O tempo estava como que parado a sua volta, Kaoru só conseguia ouvir a sua voz, uma voz que lhe era tão familiar mas que lhe causou tanta tristeza

- Tivemos a nossa parte de surpresas agradáveis e desagradáveis! Tu e eu fizemos bastantes sacrifícios mas… mas ficamos juntos! – Kenshin para em frente a Kaoru, uma curta distância

- Sabes, tu és uma pessoa melhor do que eu! A tua companhia fez-me imenso bem, para relembrar o que eu era…

Kenshin nervoso olha para o chão

- Talvez tudo não tenha passado de um sonho… Talvez eu me tenha deitado na última noite de Dezembro e tenha sonhado tudo…

Kenshin volta a fixar os olhos azuis-escuros que estavam paralisados à sua frente

- Talvez eu tenha imaginado tudo… Mas juro, juro-te que mais nada me pareceu tão real como aquilo. Se te meteres nesse avião tudo isso desaparecerá para sempre!

Agora frente a frente e alguns segundos de silencio fizeram Kaoru perceber a respiração agitada de Kenshin

- Eu sei que podemos continuar as nossas vidas em diferentes caminhos, sem problemas! – Kenshin segurou as suas mãos para que não apertasse Kaoru contra si

- Eu vi tudo aquilo que podemos ser juntos! – Algum silencio novamente

- Eu escolho-nos a nós!

Kaoru não tinha palavras, não tinha soltado qualquer palavra nos últimos minutos, os seus olhos denunciavam admiração mas ao mesmo tempo alguma estrangulação. A sua boca meio aberta não sabia o que dizer

- Por favor Kaoru, apenas um café! E depois… depois sempre podes seguir a tua viagem… mas por favor… não esta noite…

Fez-se mais uma vez silencio, Kaoru piscou duas vezes os olhos, focando os azuis violeta. Toda a sua certeza para o dia seguinte estava agora à beira de um penhasco

- Ok Kenshin…

Kenshin deu um leve sorriso, tinha conseguido convence-la!

Dirigiram-se para um dos cafés do aeroporto, Kaoru seguia atrás de Kenshin. Deu um leve sorriso sem ele ver, que loucura era aquela. A verdade é que antigamente aqueles olhos não tinham de se esforçar muito para a convencer do que quer que fosse. Aquela história pareceu uma loucura, mas uma loucura que no fundo teria sido normal se ele não tivesse ido para os EU, para o seu doutoramento.

Kenshin puxou uma cadeira para Kaoru se sentar. Ainda ansioso, com todo aquele desenrolar do fim do dia, sentou-se de frente para ela que o olhava ansiosa.

O empregado aproximou-se e perguntou o que queriam

- Água por favor, fresca! – Kenshin olhou para o empregado. Era o moço vagabundo. Este sorria para Kenshin, um sorriso simples que demonstrava o que queria dizer. Com um arrepio Kenshin estagnou.

- E a senhora vai querer?

- Pode ser o mesmo por favor! – Disse Kaoru sem se aperceber de qualquer ligação entre os dois.

O rapaz voltou com as águas.

- Aqui tem senhor. Obrigada e felicidades

Kenshin percebeu a despedida

- Obrigada eu – Olhou-o diretamente e sorriu igualmente. Não havia mais nada a dizer.

Na rua estava uma noite escura. Nevava junto à grande janela onde Kenshin e Kaoru estavam sentados. A paisagem era perfeita. Lá fora os flocos de neve dançavam com as luzes dos aviões que descolavam e aterravam na pista.

Do fundo da aérea de restauração o vagabundo tirou a avental, deixou no lixo e dirigiu-se para a saída. Uma última vez olhou para a mesa do casal. Kenshin e Kaoru falavam animados como se à sua volta não houvesse mais ninguém… ou neve, ou aviões.

- Boa sorte! – O vagabundo desapareceu no meio da multidão!

FIM

Lica – Obrigada pelo teu apoio. Não tenho uma resposta exata para te dar pois a vida é mesmo assim. Hoje queremos uma coisa, amanha outra. A vida muda a forma de pensar e põe em causa as nossas antigas escolhas e/ou opções. Se poderes ver "The family man", é um excelente filme!

Se a vontade não me falhar brevemente postarei uma nova história. Conto com a tua opinião. Obrigada