Capítulo 10: Uma prisão injusta

Assim que acabou a aula de Gai, Hinata e eu fomos correndo para o sexto andar. Passamos cautelosamente pela porta do senhor Yakushi e adentramos o quarto de Kakashi após nos identificarmos. Minutos depois chegaram os garotos. Shikamaru foi o primeiro a falar:

- O que aconteceu? Alguém mais foi pego?

- Cinco pessoas... – disse Kakashi

- QUÊ? – perguntaram todos, exceto Sasuke e eu, que já sabíamos. Kiba, que devorava animalescamente um sanduíche, parou de comer a falou com a boca cheia:

- Chinco pexoas?

- Sim... – disse Kakashi

- Como Karin fez isso? – questionou Neji, assustado

- Acho que ela drogou três alunos e com a ajuda deles drogou mais lojas – explicou Kakashi

- Ou... – começou Shikamaru

- Ah, qual é? Pode ficar pior que isso? – perguntou Naruto

- Ou Karin tem um ajudante... – completou Shika

Ficamos em silêncio. Essa idéia era terrível!

- Eu havia pensado nisso – disse Kakashi

- Mas quem seria? – perguntou Neji

- Não faço idéia – disse Shikamaru sinceramente

- Espera um pouco – disse Kiba, e olhamos pra ele – então quer dizer que cinco lojas foram assaltadas?

- Não – disse Kakashi – duas.

- Duas? – perguntou Naruto – mas Karin pegou cinco pessoas!

- Meu palpite é de que tenham necessitado de reforços nesses assaltos, para não haver falha. – disse Kakashi

- Concordo – falou Shikamaru

- Quem foi pego? – perguntou Gaara

- Espere um pouco – pediu Kakashi – deixei a lista em algum lugar por aqui. Achei! – e tirou a folha dobrada do bolso. Os nomes das novas vítimas estavam com um X na frente, e Kakashi os leu em voz alta. Quando terminou, Shikamaru perguntou:

- Quais lojas foram assaltadas?

- O restaurante Akimichi e a T Acessórios. – disse Kakashi

- Então a lista está certa – concluiu Shikamaru, e a pegou das mãos de Kakashi – segundo ela, a próxima vítima é Shino Aburame, e depois... – mas ele não completou

- Depois quem Shikamaru? – perguntou Gaara

- Temari... – respondeu ele sem encarar Gaara. Antes que o clima ficasse tenso e cheio de pesar, Kakashi falou:

- Bom, caham, vamos colocar alguém na cola de Shino, e por via das dúvidas, você fica grudado na Temari, Shikamaru.

- Ok... – respondeu ele

- Quem vem depois da Temari? – perguntou Naruto

- Sasuke... – disse Shikamaru, e todos olhamos pra ele

- Bom, então temos uma vantagem, porque Sasuke nunca se deixaria apanhar – disse Kakashi, e Sasuke fez um movimento de concordância com a cabeça. – Por enquanto vamos vigiar esses – concluiu ele

- Professor? – chamou Hinata – quem vai vigiar o Shino?

- Boa pergunta... – disse Kakashi, pensativo

- Se me permitem uma sugestão – disse Sasuke – acho que Sakura e Hinata poderiam fazer isso.

- Por que NÓS? – perguntei. Essa é boa!

- Porque ficaria meio estranho CARAS falando com o Shino e andando atrás dele o recreio inteiro – respondeu Naruto por Sasuke. Até que a lógica dele fez sentido.

- Ok... – respondi

- Tudo bem... – disse Hinata

- Bom, se não há mais nada a discutir então acho que a reunião está encerrada. Podem ir para seus quartos – disse Kakashi – qualquer coisa darei um jeito de avisar

- Até mais pessoal! – disse Kiba, dessa vez de boca vazia, graças a Buda...

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Ainda bem que hoje é sábado, porque acordei às dez da manhã. E se não fosse Hinata pra me chamar, dormiria mais. Mas nós tínhamos um objetivo a cumprir: cuidar que Karin não pegasse Shino, pelo menos por hoje. Notei que Hinata e eu éramos as únicas no quarto, e ela me disse que Tenten fora pra casa dos pais, Ino fora pra fazenda de sua avó, e que Temari foi pra casa também, junto com Gaara e Kankurou.

Após estar apresentável, desci até a lanchonete acompanhada por Hinata. Tomamos café um pouco tensas com a idéia de ter que interceptar Karin no meio da sua atitude criminosa. Havíamos combinado que Hinata distrairia a cobra e eu manteria Shino ocupado.

Estávamos quase decidindo procurá-los em outro lugar (essa idéia nos apavorou), quando a bruaca entrou toda se achando na lanchonete acompanhada por Shino. Imediatamente entramos em ação.

- Karin! – chamou Hinata – Pára tudo! Que batom lindo que você está usando! – Karin fez uma cara de nojo e se virou para Shino.

- ELA está falando comigo? – perguntou, com desprezo

- Está – disse Shino, indiferente

- Olha querida, isso NÃO é batom, e sim brilho labial, ok? Então se me dá licença...

- Mas Karin! Está vendo como eu não tenho noção alguma de beleza? – disse Hinata, muito convincente. Pelo visto Sasuke não é o único que tem comportamento de Lua. Quando Hinata quer, é bem saidinha.

- Aonde você quer chegar? – perguntou Karin, impaciente

- Preciso de umas dicas com urgência Karin! Vamos – disse Hinata puxando a bruaca pelo pulso, a ponto de que Karin nem pudesse responder.

Agora era minha vez. Enrolei uma mecha do cabelo na ponta do dedo indicador e me aproximei, cantarolando, de Shino.

- Oiiii... – disse eu. Ele me olhou de cima a baixo, como Sasuke fez quando me viu pela primeira vez. Um sorriso maroto se formou em sua face.

- Oi! E aí gata? – ai! Odeio que me chamem de gata... Ok... Calma Sakura

- Então Shino... Uma vez você me disse que colecionava insetos...

- Coleciono sim... São criaturas fascinantes!

- São mesmo! – concordei com falsa animação

- Desde quando você se interessa? – disse ele com desconfiança.

- Desde que passou uma reportagem especial no Animal Planet – menti. Essa foi rápida!!!

- Você viu? Uau! Foi a melhor reportagem que já vi na minha vida! – falou, muito animado. Como alguém consegue ficar animado com INSETOS??? ECA!

- Então, você... Poderia me falar mais sobre... Hum, insetos? – essa não sou eu!

- Claro! – respondeu Shino, encantado com a idéia.

Pro bem de vocês eu não vou descrever essa conversa, até porque não durou muito. Após 15 minutos torturantes sobre como insetos são demais, Sasuke se aproximou de nós com um ar assustado demais pro meu gosto. E pareceu preocupado também.

- Kakashi quer falar com você. – disse ele ignorando totalmente a presença de Shino

- Mas Sasuke, justo AGORA? – perguntei fazendo um movimento discreto com a cabeça, indicando Shino. Sasuke olhou pra ele, como se só naquele momento tivesse notado o garoto, e como se não tivesse sido ELE que sugeriu pra EU conversar com esse amante de insetos!

- Ela está falando comigo, Uchiha – disse Shino com a voz carregada de desprezo

- Você pode esperar. – disse Sasuke indiferente. E dando as costas pra Shino, me agarrou pelo pulso e disse – vamos.

Quase me derrubado da cadeira, não tive opção a não ser lançar um olhar forçado de desculpas a Shino, que não ficou nada satisfeito, e seguir o Uchiha, que praticamente me arrastava!

- Ok! Chega! – disse eu com muita raiva – não entendi nada! Por que essa pressa toda? O plano não era distrair Shino?

- ERA – disse Sasuke enfatizando o verbo. Eu olhei confusa pra ele.

- Como assim? – perguntei

- Aqui não... – disse ele sem afrouxar o aperto em meu pulso.

Durante o percurso até o sexto andar, fiquei imaginando se Temari havia sido pega... Impossível! Ela estava com a família! Então o que seria tão importante a ponto de interromper um plano?

Sasuke bateu na porta e nos identificamos. Quando entrei, me deparei com Neji, Shikamaru, Naruto, Kiba e Kakashi, e todos lançaram olhares de pena pra mim. Fiquei muito surpresa ao ver que Hinata também estava ali.

- Hinata, mas e a Karin...? – perguntei, mas Hinata apenas balançou a cabeça. Comecei a entrar em pânico.

- Ok... Me digam o que está acontecendo agora!

- Sakura – pediu Kakashi – sente-se.

- Não professor, não vou sentar até alguém me dizer o que está acontecendo. – disse, decidida.

- Sakura... Não entendemos porque, mas... – e Kakashi respirou fundo antes de dizer – seu pai foi preso.

Meu mundo acabou.

Meu pai? Preso? Como? Por quê? Quando?

Mil perguntas invadiram minha mente, assim como meus olhos se encheram de lágrimas. O chão foi tirado debaixo dos meus pés. Fiquei tonta e perdi o equilíbrio. Comecei a cair pra trás, como se a morte me puxasse para um lugar distante e longe da realidade. Fiquei surpresa ao sentir como a morte tem um cheiro bom... E braços fortes... Então a voz de Sasuke invadiu meus ouvidos:

- Tragam água com açúcar pra ela! – e percebi que não era a morte que me levava, mas sim Sasuke impedindo meu contato com o chão. Minha visão estava embaçada e agora eu não consegui pensar direito.

Senti que me colocaram sentada num sofá, que afundou dos meus dois lados. A minha direita estava Hinata, e ela pegou minha mão; a minha esquerda estava Sasuke, que me abraçava. Eu tomei as mãos dos meus companheiros e as apertei com força.

Apenas após dez minutos consegui falar. Me dirigi à Kakashi:

- Como você sabe? – perguntei

- Li num site de notícias hoje logo quando acordei – respondeu ele

- Por que meu pai foi preso? – perguntei sem conter as lágrimas

- Acredite você ou não, mas tem a ver com os assaltos das últimas semanas. – disse Kakashi

- Como? – perguntei

- Seu pai foi acusado de tentar trocar os artefatos roubados apostando-os em dinheiro no Cassino Royal, porque o banco em que ele trabalha não aceitaria.

- Mas meu pai com certeza não fez isso! Sabemos quem poderia ter feito! – exclamei, desesperada

- Tem um agravante Sakura – disse Kakashi – seu pai confessou ser responsável pelos assaltos e por tentar trocar o dinheiro.

- O QUÊ?! – oh Buda! Por que comigo?!

- Calma Sakura... – pediu Naruto me estendendo um copo de água com açúcar. Eu nem consegui beber direito, derramando quase toda a água no colo de Sasuke. Ele apenas apertou mais forte minha mão e Hinata me ajudou a beber.

- Kakashi tem uma boa notícia – disse Kiba tentando ajudar. Se tivesse mesmo uma boa notícia, porque a demora em me falar!

- Qual? – perguntei

- Seu pai foi drogado – disse Shikamaru

- Como? – perguntei

- Sim Sakura, achamos que foi. Por sorte ou felicidade do destino, o jornalista que publicou a matéria é um velho conhecido meu. Lhe mandei um e-mail perguntando como seu pai estava na hora em que confessou o crime. O repórter me disse que o olhar dele era vidrado, como se não tivesse certeza do que estava falando. – explicou Kakashi - Disse ainda que seu pai só sabia falar que era culpado por todos os assaltos, mas meia hora depois, na sala de visitas, disse à sua mãe e à toda a imprensa que não lembrava de nada. Esses sintomas são familiares Kiba?

- São sim professor... – respondeu ele

- Em resumo Sakura – disse Neji – achamos que Orochimaru ou Yakushi foram ao banco de seu pai e tentaram trocar o dinheiro. Seu pai deve ter reconhecido os objetos e ia chamar a polícia quando provavelmente um dos dois bandidos o drogou na veia.

- E obrigaram-no a ir até o cassino Royal apostar tudo em jogo, para trocar em dinheiro. Caso o plano falhasse, ordenaram a seu pai que confessasse o crime. Assim a integridade deles estaria segura. – completou Shikamaru

- Mas o plano falhou – disse Naruto, e me lançou um olhar de sincera tristeza

- Mas alguém precisava fazer a denúncia, certo? – perguntei, sem chorar mais

- Sim Sakura – disse Kakashi

- O quê agora? Vão me dizer que um dos dois pilantras fez isso? – perguntei um pouco desdenhosa

- Não Sakura. Foi o dono do cassino.

Ok. Ouvi direito? Meu Buda, como o mundo é injusto.

- Aquele desgraçado – falei com o maior ódio que pude reunir. O pai do Sai! Dá pra acreditar! O canalha que queria me obrigar a casar com o filho há mais ou menos um mês denunciou MEU PAI!!! Minha tristeza deu lugar ao ódio, à sede por vingança.

- Você o conhece? – perguntou Naruto

- Digamos que sim – e me levantei, para surpresa geral

- Aonde vai? – perguntou Sasuke

- Falar com a idiota que chamamos de diretora – respondi

- Por que Sakura? – perguntou Kakashi

- Por que agora isso foi longe demais. Eles mexeram com MINHA família.

- Sakura, não pode ir! Não temos um plano! – disse Hinata

- Hinata tem razão – disse Naruto – fica aqui e vamos conversar. Ótimo. Agora eles querem que eu fique quieta, sentada, enquanto meu pai está numa cadeia suja, nojenta, acusado de algo que NÃO FEZ!

- Deixe-a ir – disse Kakashi, e todos olharam surpresos pra ele, inclusive eu.

- Obrigada por tudo gente – disse eu – mas agora é comigo.

E sem dizer mais nada, saí.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Desci as escadas de três em três degraus. Quando cheguei à diretoria, bati educadamente na porta (apesar de minha vontade ter sido ESMURRAR a porcaria da porta). Segundos depois, ela se abriu.

- Oh Sakura! – disse Tsunade, surpresa em me ver ali

- Senhora diretora – disse com classe, mas ela não gostou muito. Fiz de propósito, pra ela se sentir bem velha – precisamos conversar.

- Sim querida, mas acho que vamos ter que deixar isso para depois... – disse ela, séria

- E por quê? – perguntei um tantinho nervosa

- Porque sua mãe está aguardando na linha.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

A conversa que tive com minha mãe foi a mais triste que já tive em toda a minha vida. Ela pediu mil perdões por ter me obrigado a escolher entre me casar com o filho daquele desgraçado e ir pra um colégio interno; amaldiçoou Sai e sua família até a milésima geração; disse que acreditava em papai, que ele era inocente e que havia alguma coisa errada no ar, e que não era apenas um instinto de mãe-esposa ou intuição feminina.

Concordei com tudo o que ela disse e a perdoei inteiramente. Que pena que meus pais perceberam o erro deles na dor. Choramos muito ao telefone, e por fim marcamos de nos encontrar no dia seguinte, depois do almoço, para visitar papai na cadeia.

Nunca pensei que viveria para passar por isso: meu pai, na cadeia.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Foi a pior noite que tive em toda minha vida. Não consegui dormir direito, e minha cabeça foi invadida por pesadelos. Eu estava novamente no meu desenho de artes, e quando Shadow estava prestes a mostrar seu rosto, de repente ele se transformava em Orochimaru, apontando uma arma com um sorriso maníaco estampado no rosto pra mim e pra meu pai. Depois se transformava em Sai, que estava com aquela vadia da noite no cinema de um lado, e do outro seu pai, com um ar de superioridade. Então todos começavam a rir de repente, apontando pra mim e pra minha família, rindo da nossa desgraça.

Em resumo, por causa da noite mal dormida, acordei muito cedo no domingo. E lembrei de Shadow. Precisava falar com ele, saber a opinião dele.

Liguei o computador e percebi que a sorte não estava do meu lado. Shadow estava offline. Mas mesmo assim resolvi passar um e-mail:

Querido Shadow...

Não há como você saber porque os sites de notícias estão bloqueados, então estou te avisando: meu pai foi preso. Juro que se as pessoas certas não estivessem comigo no momento em que recebi essa notícia, teria morrido. Queria que você estivesse lá...

Se você chegar a ler a matéria que fale da prisão de meu pai, por favor não acredite nela! Meu pai é inocente e jamais faria o que aquela matéria diz!

Espero sua resposta o mais rápido possível...

Obrigada por existir, mesmo que virtualmente (por enquanto)

Beijo...

Sakura.

Acho que não teria problema assinar com meu nome verdadeiro, afinal ele já sabia a verdade. Então, me pus a esperar impacientemente a chegada da hora do almoço, para poder ver meus pais.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Oh! Como amo meus amigos Aliados. Naruto foi bater à porta do meu quarto convidando a mim e a Hinata a esperar o almoço no quarto de Kakashi, para que pudéssemos nos distrair (principalmente eu). Tenten, Ino, Temari, Gaara e Kankurou, cada um me mandou um e-mail me desejando sorte, dizendo que acreditavam na inocência de meu pai e que estaria do meu lado pro que eu precisasse. Mas fiquei decepcionada ao ver, no computador de Kakashi, que Shadow ainda não respondera minha mensagem.

Suspirando bem fundo, me despedi de meus amigos e fui ao encontro da diretora, na frente do colégio.

Ela me disse que mamãe mandaria um motorista e que nos encontraríamos diretamente na delegacia, onde veríamos papai. Agradeci falsamente a diretora pelo "apoio", mas disse que preferia esperar sozinha. Quando ela disse que isso não seria certo, uma voz falou:

- Ela não está sozinha – era Sasuke. O que ele estava fazendo ali? Acabei de me despedi dele...

- Sakura, você não me disse que o senhor Uchiha iria com você. – disse Tsunade. Eu ia dizer que eu também não sabia desse fato, mas Sasuke olhou pra mim de um jeito que me fez mentir.

- Oh, diretora! Mil perdões... Sabe como é... Quando há um choque muito grande na família, a memória fica afetada.

- Sei... – disse ela um pouco desconfiada

- Pode ir, senhora. Estamos ótimos! – menti, mas aparentemente colou, porque ela me deu um abraço de boa sorte e entrou no colégio, não sem antes lançar à Sasuke um olhar desconfiado.

Quando me assegurei de que estávamos realmente sozinhos, me virei para Sasuke:

- Ok... O que você está fazendo aqui?

- Kakashi pediu que eu acompanhasse você. – respondeu ele, indiferente

- Por que ele só manda você me chamar e estar sempre perto de mim?

- Pergunte a ele... – disse. Só não dei um murro na cara dele porque lembrei que ele foi muito legal comigo ontem. E me lembrei de repente que ainda não havia agradecido.

- Hum... Vou perguntar, mas... Bem... Obrigado, por ontem...

- Não há de quê...

E o silêncio se fez senhor entre nós novamente, mas apenas por alguns segundos, porque o carro, ou melhor, a LIMUSINE da minha mãe chegou, e eu agradeci muito por isso.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

- Sra. Haruno, a senhora e sua filha já podem entrar. – anunciou o guarda que ficava em frente à sala de visitas, depois que verificou seu walktokie.

Mamãe e eu nos levantamos e seguimos para a porta aberta que o guarda nos indicara. Sasuke foi atrás de nós. O guarda lançou a ele um olhar desconfiado, mas impediu sua entrada. Foi difícil explicar à minha mãe o que o filho do governador Uchiha estava fazendo ali. Mamãe disse, por fim, que ele poderia nos ajudar. Na hora falei que não, de jeito nenhum, queria a ajuda de um corrupto como o pai de Sasuke.

O assunto teve que morrer ali mesmo, porque já estávamos cara a cara com meu pai. Quer dizer, havia um vidro nos separando, e senti muito não poder pegar nas mãos dele ou abraçá-lo.

Meu pai usava um macacão cinza, uniforme da Cadeia Municipal de Tóquio. Sua barba estava começando a crescer. Geralmente era tão bem feita... Havia pesadas olheiras debaixo de seus olhos, e isso me entristeceu mais ainda. Meu pai tentou esboçar um sorriso tranqüilizante, mas sem sucesso. Ao pegar o telefone de seu lado, a primeira coisa que disse foi pra eu perdoá-lo. Eu disse que não era a hora. Então ele me perguntou se o considerava inocente. E eu disse que sim.

E ele me disse que sua última lembrança era de um homem jovem, de cabelos cinzentos e de óculos, que tentara trocar coisas roubadas em seu banco. No momento em que ia chamar a polícia, tudo ficou preto. Então foi Yakushi que foi trocar os objetos roubados!!! Pedi a meu pai que levantasse as mangas de seu uniforme, e meus olhos se arregalaram. Pude perceber que Sasuke se mexeu ligeiramente do meu lado. Lá estava no braço direito de meu pai, em cima da veia, um furo circular, fino, contornado por uma mancha roxa: o lugar onde fora injetada a droga.

- O que foi minha filha? – perguntou meu pai, pelo telefone

- Nada papai... Temos que ir...

- Sakura... Eu te amo muito filha...

- Também te amo papai.

- Fique bem querido – disse minha mãe

- Pai – disse eu – eu prometo ao senhor... Vamos tirá-lo daí.

- Obrigado filha... – disse meu pai com os olhos marejados de lágrimas

- Adeus papai... – e desenhei um coração no vidro que nos separava. Enquanto mamãe e eu nos dirigíamos à porta, pude ouvir meu pai dizer a Sasuke.

- Cuide dela rapaz...

Não ouvi a resposta de Sasuke, mas tenho uma pequena noção de qual pode ter sido.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Passaram-se duas semanas desde a descoberta da prisão de meu pai. Foram os piores dias da minha vida. O mês de março havia começado, e com ele veio a primavera, cheia de flores e alegrias... Para os outros, porque pra mim foi longe disso.

Estávamos às vésperas das provas e eu não estava conseguindo prestar atenção nas aulas. Orochimaru continuava a dar aula normalmente, feliz da vida, como se NADA estivesse acontecendo. E de vez em quando eu e as meninas passávamos por Yakushi pelo corredor e ele nos cumprimentava jovialmente.

Os ataques pareciam ter dado um tempo, e Kakashi não leu sobre nenhum novo assalto. Era evidente que isso aconteceria, afinal, o "responsável" por eles estava na cadeia. Nas nossas reuniões de fim de tarde, passávamos o tempo todo pensando e pensando sobre o próximo passo dos bandidos. Pelo menos podia contar com o apoio de meus amigos. Como eles foram maravilhosos!

Shadow respondeu ao meu e-mail dizendo que sentia muito por mim, e minhas conversas com ele passaram a ser mínimas, ou por falta de tempo, ou por falta de assunto. Meus pesadelos não me davam trégua, meus fins de semana se resumiam em ir pra casa ou visitar meu pai sempre que permitido.

Nossos advogados não haviam progredido nada, e o pedido de Hábeas Corpus enviado no dia seguinte à prisão estava em espera. Por quanto tempo? Era o que eu me perguntava...

Finalmente chegou o domingo (sábado tive que recuperar a matéria que eu não anotei pra poder estudar), dia de visitas. Eram sete da manhã quando eu me despedi das meninas (elas não foram viajar pra poder me apoiar até nos fins de semana). Estava no primeiro andar, me encaminhando pros jardins frontais, quando uma voz me chamou:

- Sakura! – era a diretora – Sakura espere!

- O que foi professora? – perguntei

- Um milagre Sakura! Um milagre! – disse ela. Me soou até sincero mas... Um milagre de quê?

- O que houve? – perguntei, ansiosa

- Conseguiram um Hábeas Corpus pro seu pai!!!

- O quê??? – perguntei. Oh Buda!!! Diga que é verdade!

- Isso mesmo Sakura! – disse a diretora. Eu não agi por mim mesma. Dei um abraço nela e comecei a girar e a gritar e a agradecer a Buda. Por sorte o colégio estava vazio, senão com certeza chamariam o manicômio. Quando terminei meu "showzinho", a diretora estava um pouco tonta.

- Desculpe! – murmurei, rindo

- Tudo bem... – disse ela rindo também

- Isso é sério Tsunade? – perguntei

- Claro que sim! Sua mãe pediu desculpas por não poder te avisar, mas ela estava a meio caminho da delegacia quando ligou pro meu escritório. Disse que daqui a uma hora ela vai mandar um carro pra levar você direto pra casa Sakura!

- Oh Buda! Obrigada! – disse eu – vou correndo contar às meninas! Posso?

- Claro Sakura – disse Tsunade, sorrindo, então me lembrei, já ao pé da escada.

- Senhora? – chamei

- Sim?

- Quem conseguiu o Hábeas Corpus? – e percebi que Tsunade hesitou um pouco antes de responder.

- O governador Uchiha, Sakura.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Quando dei por mim, estava batendo à porta do quarto dos garotos Aliados. Naruto atendeu.

- Sakura? Aconteceu alguma coisa?

- Não... Bem... Sim, mas é uma coisa boa...

- O quê? – perguntou ele

- Meu pai foi solto Naruto! – e ele me abraçou muito forte.

- Uau Sakura! Que demais!!!

- Não é? Estou tão aliviada! – disse eu

- Ei pessoa! – disse Naruto se virando pra dentro do quarto – o pai da Sakura foi solto!!!

- QUÊ? – ouvi Neji, Shikamaru e Gaara exclamarem juntos, mas a voz que eu realmente queria ouvir não veio.

- Isso é sério Sakura? – perguntou Gaara

- É sim!!! – eu disse

- Parabéns Sakura! – disse Shikamaru

- Obrigada...

- A justiça finalmente vai ser feita Sakura, tenha certeza disso... – disse Neji me abraçando

- Obrigada Neji... Vocês todos foram muito amáveis comigo, e eu sou muito grata. Não é uma liberdade definitiva. É apenas um Hábeas Corpus entendem? Papai vai ficar livre até o julgamento.

- Mas já é um progresso – disse Shikamaru

- Com certeza... Escutem – disse eu esticando o pescoço pra ver se conseguia ver dentro do quarto – Sasuke está aí?

- Está sim... – disse Naruto – só que ele...

- Ok! – disse eu – será que vocês poderiam ir até meu quarto e avisar as garotas a boa notícia? Elas não sabem e eu estou com um pouco de pressa...

- ok... – disse Naruto – Se cuida!

- Valeu! – e eles se afastaram.

Entrei no quarto dos garotos. Era um pouco bagunçado, na verdade só do lado do Naruto e do Shikamaru. Neji mantinha as coisas arrumadas, mas o lado de Gaara era impecável. A cama de Sasuke estava feita, e havia um porta-retratos no criado ao lado. Havia quatro pessoas na foto, todas sorrindo: pude identificar Sasuke, com poucos anos de idade, um senhor Uchiha feliz, a senhora Uchiha com uma expressão meiga e também feliz, e um garoto, acho que de uns treze anos. Parecia irmão de Sasuke, e entendi de quem ele herdara sua beleza. O irmão era MUITO GOSTOSO. Hoje deve ser um adulto de tanto...

- O que você está olhando? – ouvi Sasuke perguntar, atrás de mim. De onde ele saiu? A resposta estava na ponta da língua, mas quando me virei, quem disse que consegui falar? Acho que vocês também perderiam a fala se visse Sasuke Uchiha de toalha, nu da cintura pra cima, e detalhe: a toalha era rosa!

Eu já sabia que o corpo de Sasuke era perfeito e tudo mais, só que até então o máximo que eu vi foram os braços dele. Só que vocês não têm noção da loucura que é o abdome dele! Tanquinho puro! Todo definidinho, de deixar qualquer uma louca! Acho que esqueci de parar de olhar pra ele, porque ouvi Sasuke dizer:

- O que foi? – e quando o encarei, vi que ele estava com o maldito sorriso de canto de boca. Ai que ódio! Ai que mico! Não tive opção a não ser virar o rosto, super envergonhada. O máximo que consegui dizer foi:

- Bela toalha...

- Ah sim – e pude perceber irritação na voz dele – o retardado do Naruto roubou minha toalha e colocou essa no lugar. Só faltava eu cair na pegadinha dele. Quando fez isso com os outros garotos, Naruto tirou fotos e publicou na internet. Graças a você eu não tive que pagar esse vexame.

- De nada... – respondi ainda sem me virar

- Só que você ainda não me disse o que está fazendo aqui.

- Ahn... Vista-se e depois conversamos... – mas Sasuke deu a volta em torno de mim e se postou bem na minha frente! Ai meu Buda! Meu coração é fraco!

- Desse jeito eu te incomodo? – perguntou ele. Nããããão... Imagina!

- Com essa toalha rosa brega sim... É um conjunto muito estranho. E por favor não demore, estou com pressa para ver meu pai. – bendita toalha rosa...

Sasuke demorou vários minutos pra vestir uma roupa, provavelmente porque eu disse que estava com pressa. Mas quando finalmente terminou, exalava um perfume embriagante, e estava tão limpo, e tão lindo... Ah! Tive que afastar esses pensamentos pecadores da minha cabeça, me concentrar no Shadow e no meu verdadeiro objetivo.

- Bom – comecei – tenho uma boa notícia – e fiquei esperando a reação dele. Como Sasuke não fez nem esforço pra me perguntar o que era, resolvi ir direto ao ponto – meu pai foi solto.

- Uau... Isso é... Ótimo – mas ele não sorriu nem me encarou nos olhos

- Acha mesmo? – perguntei

- Claro que sim – disse ele sem me encarar

- Conseguiram um Hábeas Corpus pra ele... – continuei

- Que bom.

- Sabe quem foi?

- Não faço idéia – essa indiferença fingida começou a me irritar

- Até parece que não! Pode me explicar por que SEU PAI mandou soltar o meu? – Sasuke não parecia disposta a responder.

- Eu... – tive que apelar pro sentimental. Toquei delicadamente o queixo de Sasuke, fazendo-o olhar pra mim.

- Olha nos meus olhos e diz... – disse eu – se você prometeu ao meu pai que ia cuidar de mim, me conte por que seu pai fez isso...

- Eu tenho escolha? – disse Sasuke alguns segundos depois, o sorriso sexy se formando em seu rosto.

- Não... – respondi eu um pouco atordoada com aquele sorriso, mas ri também

- Bom, apenas disse a ele que minha colega estava com o pai preso, injustamente, e que se ele quisesse fazer ao menos uma coisa certa por mim e honrar minha mãe, ele deveria mandar soltar seu pai. – disse ele. Me pareceu verdadeiro, exceto na parte em que disse "colega".

- Você mentiu... – disse eu

- Como? – perguntou ele, confuso

- Na parte em que disse que sou sal colega, você não me olhou nos olhos...

- Ok! Eu disse a ele que era minha namorada! Satisfeita?

- Não... Eu... Por que fez isso?

- Porque foi o único modo de convencer meu pai.

- Dizendo que tinha uma namorada com o pai preso? – e ele me olhou, impaciente

- Olha Haruno, seu pai está solto, não está? Por que continua aqui?

- Porque quero saber a verdade...

- Que verdade?

- Por que você fez isso... Pediu ao seu pai...

- Porque eu não gosto de injustiças – e ele resolveu me encarar. Eu lembrei nessas palavras, e olhando naqueles olhos sem brilho, a justificativa que dei a Sasuke quando ele me perguntou por que o livrei do castigo de Orochimaru.

- E precisava dizer que somos namorados? – insisti

- Você não entende... Toda garota com quem saía... Meu pai queria agradá-la como se ELE fosse o namorado, e não eu. Fazia de tudo pra deixar as garotas felizes e mostrar como o governador é gentil com as mulheres. Acho que fez isso pra tentar redimir o que fez com minha mãe... Por isso menti... Pra ele poder soltar seu pai, porque nós dois sabemos que ele é inocente. Satisfeita? – e me encarou com um certo desdém.

- Você não me disse que tinha um irmão... – e Sasuke se surpreendeu. Então olhei pra foto e ele entendeu.

- Itachi está nos Estados Unidos há dois anos, desde que papai ganhou as eleições. Ele não gosta de política. Estuda direito em Harvard.

- Uau! Interessante! Seu irmão deve ser muito inteligente...

- É... Ele é sim...

Consultei o relógio. Faltavam 15 minutos pras oito e logo, logo o carro chegaria. Achei que era hora de me despedir.

- Bom Sasuke... Agora tenho que ir, sabe... Curtir a liberdade de meu pai... – e sorri

- Tudo bem – ele me pareceu triste, e não indiferente. Acho que peguei pesado.

- Sabe – comecei, e ele olhou pra mim – você pode ser um Uchiha, e seu pai pode mandar em qualquer cadeia do estado, mas se você não tivesse aberto os olhos dele, meu pai não estaria me esperando em casa agora. Seja sempre você mesmo Sasuke... Obrigada. – e estendi a mão pra Sasuke em forma de agradecimento, só que eu acabei escorregando na porcaria de tapete do Naruto e fui parar bem no colo de Sasuke.

Ficamos próximos, MUITO próximos. Aquele rosto tão perfeito me encarava profundamente, como se pudesse sentir que eu queria desesperadamente um beijo dele. As mãos de Sasuke envolviam minha cintura, e as minha enlaçavam o pescoço dele. Pude perceber um calor subir pelo meu pescoço e chegar às minhas bochechas. Sasuke estava corado também, mas acho que menos que eu.

Era uma sensação incrível estar tão perto dele, mas uma sombra passou em minha mente e Shadow me veio à cabeça. Oh não! Por que agora?! E como se sentisse, Sasuke me respeitou mais uma vez e não me beijou. Então eu me aproximei e lhe dei um beijo no rosto, assim como na noite em que fomos candelabros.

Me endireitei e caminhei até a porta. Então sorri sinceramente e acenei. Sasuke fez o mesmo. E pude partir, mais feliz do que o normal, para ver minha família e ter, sem sombra de dúvidas, um domingo normal (e em família).

OIIIIIIIIIIII!!!

OI GENTEEEE!!!

UAU!!! Muitíssimo obrigada pelas review e me desculpe se não pude responder a todas tah+ obrigada mesmo!!!

Assim que tiver tempo vou responder.. minha prova de vestibular eh nesse fds, inatum axo q ñ vou postar + caps... por isso esse cap gigante!!

Feliz ano novo a todos vcs gente!!! sejam felizes tah?

Ateh a próxima!!

PS: meu e-mail eh: primeiro digita debby31br e depois e o cap tah sem revisar... (sorry)

Se ñ aparecer nada eh pq ñ deu certo

Bjos!!!

Amo vcs e suas reviews inspiradoras!!!

Debby Uchiha

n.n