Cap. 9 – Especial: Como tudo começou.

Disclaimer: Naruto não me pertence [ ainda x risada maléfica x ]

Tempo e Espaço: Uma Inglaterra "inovadora" no séc. XVII


- Não sejas imprudente. Por favor… - sussurrei, sendo as palavras abafadas pelo seu peito.

- Não serei.

Dei a mão a Neji, e puxei-o para ir comigo à sala do meu pai.

Realmente, torna-se muito mais fácil estar com ele quando o meu pai sabe da sua presença, mas tal não é propriamente um alívio neste momento. Temos muita coisa em que pensar. O meu pai está com uma pressa desenfreada de invadir o Palácio, mesmo sabendo que isso não é grande estratégia. Mas consigo entendê-lo perfeitamente – facto é que a minha irmã está lá, sozinha, desprotegida, no campo do inimigo! A minha maior vontade é desatar a correr ao seu encontro e tirá-la das garras daquele monstro feio e nojento.

Mas creio que as estratégias de Neji são mais plausíveis.

Já é o segundo dia após a vinda dele, e os meus Pais estão cada vez mais angustiados… Aperta-me o coração vê-los assim… Mas temos que ser objectivos e pensar na melhor maneira de a resgatar, e não na mais rápida forma de sermos descobertos.

O meu pai já mandou uma carta de extrema urgência ao Rei Hatake Kakashi, a contar o sucedido e pedir reforços do outro lado do mar mediterrâneo. (N.a. – eu sei que a Grécia fica muito longe deles, e que inicialmente as tropas demorariam muitos meses a chegar a Inglaterra, mas saltemos essa parte à frente ta gente? :b)

- Mandaste-nos chamar pai? – perguntei ansiosa, mal entrei na sala. Ele andava de um lado para o outro, com as mãos unidas atrás das costas a agarrarem um papel. Oh Jesus, a postura do "pensar arduamente".

- Meu Rei. – cumprimentou Neji respeitosamente, fazendo uma vénia.

- Neji. – o meu pai fez um aceno de cabeça – Sim filha, já temos a resposta deles. Eles aceitaram! – ele olhou para nós. Suspirei aliviada, e tive que sorrir.

Já não há hipótese! Nós vamos conseguir salvá-la! Temos tantos guerreiros corajosos e fortes, temos melhores estratégias que eles, e cavalos mais fortes, e melhores hipóteses. A probabilidade de perdermos é quase nula! Vamos conseguir, tenho a certeza! Oh meu deus, a minha irmã, a minha valiosa irmã vai voltar! Vai ser tudo perfeito!

- Oh pai, eu sabia! Eles não têm hipótese! Vamos conseguir salvá-la, vai correr tudo bem, e não tarda nada vai ela estar aqui connosco, como antigamente!

- Espero bem que sim filha. Mas nunca subestimes o inimigo, essa é a regra número um. Creio que, mesmo com um ataque surpresa, eles tenham meios para se defenderem, e se eles usarem Nami para fazer chantagem… - deixou a frase por terminar, acabando com as minhas súbitas certezas e esperanças. Isso é a mais pura das verdades: se eles usarem-na para fazer chantagem connosco, estamos feitos. Não nos vamos arriscar a pô-la em perigo, isso está fora de questão. Ainda nem tinha pensado nisso… oh meu deus.

- Mas não vamos perder a esperança. – disse Neji, vendo a minha cara. – Havemos de fazer os possíveis e impossíveis. E se conseguir-mos entrar no palácio antes que eles dêem conta dos exércitos, – agora já se dirigia ao meu pai – para resgatar a Princesa e garantir a sua segurança, não há nada a temer. Podemos lutar sem receios.

- Sim, também já tinha pensado nisso. Mas temos que nos apressar, não vejo a hora de acabar com isto. – disse, sentando-se cansado no trono. Naquele momento, senti uma onda de preocupação por ele. Não que ele esteja velho, mas também já não é o mais jovem que existe. Com esta coisa toda, ele tem-se cansado bastante… - Vou agora ter uma reunião com Uzumaki Naruto, ele vai comandar as nossas tropas. – suspirou. - Mas havemos de conseguir, não podemos é desistir.

- Desistir é a última coisa que faremos. – disse, e dirigi-me a ele, para fazer uma coisa que há muito tempo não faço.

Abracei-o com força. Deixei transparecer todo o amor e apoio que consegui naquele gesto. Podemos dar-nos muito mal às vezes, e ele pode ser frio, insensível, objectivo e calculista; mas ele é o meu pai. E eu amo-o, adoro-o, infinitamente, até à morte.

- Obrigada, Tenten. – sussurrou-me, quando o larguei. Sorri-lhe, e fui ter novamente com Neji, que estava à porta à minha espera.

Desta vez, foi ele que me pegou na minha mão. Este gesto trazia paz ao meu espírito, acalmava-o. Tendo Neji por perto, tudo se torna mais suportável… mais fácil. Não quero nem imaginar como eu estaria se ele não estivesse comigo. Provavelmente, às beiras da loucura. Como já havíamos prometido um ao outro – novamente, ninguém nos separará. E essa promessa prevalecerá.

- O teu pai é um homem forte. – disse, a dada altura.

- Eu sei. Admiro-o muito.

- Eu também.

- Sim, tu também és forte. – que observação estranha.

- Não estou a falar disso. Estou a dizer que também o admiro.

Dez segundos de silêncio.

Mas que raio? E eu pensava que a observação anterior é que era estranha.

Continuei sem dizer nada, pelo que ele parou e me olhou de frente.

- Tenten?

- Hum. Desculpa. Diz lá isso outra vez?

Ele revirou os olhos – eu disse que admiro o teu pai. – notei que ele estava um pouco envergonhado ao dizer isto, pois ele olhou para o céu em vez de mim.

- Desde quando? – perguntei atónica.

- Tenten, eu nunca o odiei. – disse, como se fosse um facto óbvio. – Apenas fiquei um pouco… ressentido, quando ele me mandou para o exílio. Mas se fossemos a ver, consigo compreender porque ele fez isso, o que no fundo era o que estava certo, tu não devias fugir do castelo para ir brincar com um rap-

Tapei-lhe a boca com a minha mão.

- Hyuuga Neji, mas tu estás a gozar comigo?! Nunca. Jamais. E em nenhum momento, voltes a dizer isso. Essa foi, é, e será para sempre a nossa história, Neji. – disse, determinada. Sei que Neji tem sempre a mania de encarar tudo na sua maneira objectiva, mas neste caso, esse ponto de vista está proibido.

Ele voltou a olhar para o horizonte, durante alguns segundos.

- Tens razão. Desculpa.

O facto de me ter aproximado mais dele e encostado a cabeça no seu braço foi a confirmação que a desculpa foi aceite.

- Uma história para recordar… - murmurou para consigo mesmo. Sorri ao ouvir isso.

Continuámos a caminhar em silêncio pelos jardins.

- Tens, realmente, razão. – disse, como quem constata a coisa mais óbvia pela primeira vez na vida. – Se não tivesses fugido e eu não ter estado, por acaso, a treinar naquela precisa noite… quem sabe, nunca nos teríamos conhecido.

Mentalmente, dei graças aos céus por nunca ter dado ouvidos à minha mãe, quando me dizia para me portar bem. Ele tinha toda a razão.

Ri-me, ao lembrar aquela noite.

- Sim, tem muita graça. – resmungou, adivinhando o que eu estava a pensar.

Flashback on

Tinha acabado de fazer a maior rebeldia da minha vida. Mas não me sentia arrependida. Muito pelo contrário, sentia-me bem. Pela primeira vez em anos.

Sentia-me leve, solta, livre.

Sem a constante vigia, sem a constante protecção, sem a constante prisão. Era uma sensação maravilhosa.

Consegui fugir das redondezas do castelo sem ser vista. Continuei a caminhar, memorizando o caminho de volta na minha cabeça – pois, infelizmente, terei que voltar antes do nascer do sol.

Ao fim de uns quinze minutos, cheguei a uma pequena clareira. Tinha um chorão enorme e lindo, todo em tons de terra, umas flores silvestres e relva que ia até ao meu joelho.

Arregalei os olhos com tal beleza. Tinha uma aparência acolhedora, parecia que dizia – aqui estás segura. Não a segurança prisioneira que eu tinha no palácio, mas sim uma segurança interna, pacífica.

Aquele lugar inspirava paz.

Enquanto admirava aquele sítio acabado de descobrir, comecei a ouvir uns estranhos barulhos que não encaixavam naquele lugar tão harmonioso.

Procurei com o olhar a fonte daquele barulho, e o que vi fez-me arregalar ainda mais os olhos.

Um rapaz, aparentemente alto e forte, sem camisa (!), e com longos cabelos escuros, estava com um grande e bem esculpido arco de madeira nas mãos, e fazia pontaria para uma árvore de tamanho médio que se encontrava a cerca de 20 metros de distância.

Mas que pensava ele que estaria a fazer?! Aquilo não era um campo de batalha ou algo do género! Ele não pode simplesmente chegar ali e começar a torturar assim as coitadas das árvores! Muito menos naqueles trajes!

Criei uma forte antipatia por ele, mal o vi fazer aquilo.

Como se ele ouvisse os meus pensamentos, virou-se para mim e encarou-me com os seus olhos surpreendentemente… brancos?!

Não tive reacção. Senti um choque dentro de mim, algo muito estranho. Foi um olhar frio… mas profundo. Aqueles olhos tão claros… penetravam na minha alma, procuravam alimentar-se dela, parecia que a liam como um livro aberto. Quis desviar os olhos dos dele, mas não deu. Fiquei constrangida com aquele contacto visual tão forte, mas não consegui desviar-me dele. Aquele olhar hipnotizou-me, completamente.

Ao fim de três segundos, ele simplesmente tirou, finalmente, os seus olhos de mim, e continuou a fazer pontaria à árvore, como se não me tivesse visto.

Que descaramento!

Há! Ele que não pense que vou fingir que não vi nada.

Comecei a aproximar-me do sítio onde ele estava, e vi a sua seta voar direitinha em direcção à árvore e acertar em cheio no seu tronco, onde já estavam algumas outras espetadas.

- Olha lá, mas em que direito é que te achas, para usares assim o teu arco contra a árvore?! – perguntei, irritada.

E irritei-me ainda mais quando não obtive resposta.

- Quem és tu? – perguntei de novo, esperando uma resposta.

- A pergunta é: quem és tu? – perguntou de volta. A sua voz era profunda, como os seus olhos, e aveludada. E grave, mas não tão grave assim. Era uma harmonia perfeita, tive que reconhecer.

- Eu perguntei primeiro. – disse, fugindo à pergunta. E agora? Não posso dizer quem sou, ninguém pode saber que estive aqui.

Como não recebi resposta de volta, decidi responder.

- Sou Collerige Marion. E tu? – espero apenas que ele não conheça nenhuma Collerige Marion.

- Eu sei muito bem quem és. – respondeu, sem desviar os olhos do tronco, enquanto fazia novamente pontaria. Raios o partam.

- Então para que é que perguntaste?! – disse em minha defesa. Que queria dizer isto agora?

- Não percebeste. – disse, voltando-se finalmente para mim. Corei, ao ver o seu tronco nu esculpido de mármore. Oh meu deus, estou a sonhar? ACORDA TENTEN! – Eu sei que és Mitsashi Tenten.

Congelei.

Oh. Meu. Deus.

E agora?

- Não te preocupes, não te vou denunciar. Mas também não esperes que te trate como uma "princesa" – ao dizer esta palavra, a seta disparou novamente em direcção ao tronco - aqui. – concluiu, virando-se para mim.

Virei-me de costas para me ir sentar algures. De certa forma, ele parecia estar a ser sincero, o que me aliviou bastante.

- Tudo menos isso. – resmunguei.

- Então entendemo-nos. – disse, voltando ao seu treino.

Subi para o chorão, e sentei-me no seu maior tronco, observando as setas a dispararem com precisão. Realmente, sempre adorei trabalhar com arcos. Fazia isso muito com a minha irmã…

- Achas que Princesas deveriam trepar árvores? – provocou-me, esboçando um sorriso de canto. Credo, que expressão mais arrogante. E linda também…

- Achas que Idiota deveriam destruir árvores? – perguntei alegremente, não esperando por resposta. Começava a entender o esquema dele.

- Como é que era mesmo o teu nome?

- Não o cheguei a dizer.

Desta vez, não interrompi o silêncio, apesar da minha curiosidade. Era a vez dele. Se ele não dissesse nada, eu também era orgulhosa demais para o fazer.

- Eu sou Neji. – e voltou-se para mim. – Hyuuga Neji. – HÁ! ELE PRONUNCIOU-SE! Após cerca de cinco minutos, mas ele pronunciou-se!

Levantei-me do tronco e encarei-o surpreendida.

- Não tiveste culpa. – provoquei-o, com um enorme sorriso de compreensão.

Ele semicerrou os olhos, visivelmente irritado.

Doce sabor da vingança.

- Achas-te muito esperta… - murmurou, suficientemente alto para eu ouvir.

Saltei do tronco para o chão, e ignorando o seu olhar surpreso, dirigi-me a ele.

- Olha o respeitinho, Hyuuga. – disse, sorrindo torto para ele. – posso? – perguntei, apontando para o arco que ele ainda tinha nas mãos.

Ele olhou ora para mim ora para o arco, durante breves instantes, antes de dizer – Eu vou-me arrepender disto. – e entregou-mo.

Visualizei o alvo – a árvore a 20 metros.

Vista desta perspectiva, ainda parecia mais distante… mas não posso falhar, isso não! Isso seria mais um motivo de provocação dele.

Pus-me em posição, tal como já havia aprendido antes, e foquei-me no tronco da árvore. Retesei com toda a força o arame do arco. Um olhar ao alvo. Um último olhar para a ponta da seta. Um último olhar para o alvo. Ajeitei os dedos.

E larguei.

A seta voou numa velocidade incrível rumo à árvore, mas não foi bem na direcção desejada.

Em vez disso, embateu um pouco mais acima, já no começo da copa da mesma.

Vi Neji fitar-me, muito admirado e desconfiado, e correr em direcção à árvore. Sem perceber o que se estava a pensar, segui-o. Epa, também não foi assim tão mau! Para que é que ele vai lá?

Quando lá cheguei, reparei, para grande espanto meu, que a seta tinha levado consigo uma maçã no trajecto, antes de embater no tronco. Estranho, mas a árvore nem era uma árvore de fruto…

A avaliar pela expressão carrancuda do Hyuuga, uma pequena suspeita começou a tomar forma na minha cabeça. Será que…?

- Tu viste a maçã? – perguntou-me de repente Neji, com cara de Seriall Killer.

- Vi. – fiz bluff, abafando qualquer vestígio de surpresa da minha cara.

- Estás a querer dizer que… Tu viste mesmo a maçã? – eu acenei profissionalmente com a cabeça – Acertaste nela de propósito? – perguntou desconfiado.

- Sim, vi que as tuas setas estavam sempre a alcançar o mesmo tronco, e perguntei-me se não estavas a tentar acertar em outro alvo. Aí vi a maçã no tronco de cima, e notei logo que era esse o teu verdadeiro objectivo. – eu sou brilhante!

Ele olhou estupefacto para mim.

- Tenho que admitir que tens razão. Estou há horas a tentar acertar na maçã, e tu consegues à primeira! – ergueu as mãos no ar – Incrível.

- Então, tens de admitir que tenho melhor pontaria que tu. - provoquei-o.

- Não! – disse rapidamente, erguendo o dedo na minha direcção – isso não quer dizer nada. Aposto que não consegues acertar novamente.

Oh meu deus, ele encontrou a brecha da minha armadilha.

- E mesmo se falhar à segunda? Tu estás aqui "há horas a tentar acertar na maçã", e ainda não conseguiste nem uma vez! – defendi-me.

- É diferente. – virou as costas para mim.

- Não, não é. Admite, eu tenho melhor pontaria que tu.

- Não.

- Eu até te poderia ensinar uns truques e mostrar-te como consegui… mas tu é que sabes. Bem, tenho que ir andando. A gente vê-se por aí, Hyuuga. – acenei e comecei a caminhar na direcção em que vim.

Pelo canto do olho, ainda o vi hesitar, antes de o ouvir gritar.

- EI, ESPERA!

Flashback off

- Ainda hoje não sei como acertaste na maçã. – disse Neji.

Será que lhe deva contar? Adoraria ver a expressão dele, a frustração por ter caído na minha mentira com tanta facilidade… que tentação!

- Hum, acerca da maçã… - ele olhou desconfiado para mim – no outro dia pus uma em cima do tronco de uma árvore e acertei novamente.

Não, há coisas que simplesmente nunca devem ser reveladas.


Voltei D:

Fiiinalmente férias *-* postei assim que pude, e acho que este cap ficou bem fofinho :c foi o que mais gostei de esrcever até agora *-*

O Neji sem camisa *,* GOSH, queria eu estar no lugar da Tenten T.T

Um grande obrigado a quem leu/deixou review no cap anterior :3

E será que mereço review desta vez também? *-* ninguém morre, meninas :B

Mexam a bunda e a pança, e apertem aí o botãozinho cor de esperança :D

Astalapasta