Capítulo 10- E agora? Já foi!

Sentindo a pele do rosto arder, Ana-Lucia fitou a mãe com cara de espanto, e indagou muito séria:

- Por que a senhora fez isso?

Tomada pela cólera, Raquel puxou Ana-Lucia pelos cabelos e a atirou ao sofá com força. Ela gritou de dor, e olhou para sua mãe com o rosto cheio de lágrimas.

- Madre, o que está fazendo? Enlouqueceu?

- Eu enlouqueci? Ou será que foi você?- Raquel bradou, também em lágrimas ameaçando dar mais um tapa em sua filha, porém dessa vez Ana-Lucia a deteve com um gesto de sua mão.

- È melhor não fazer isso de novo!- disse ríspida.

Raquel se conteve diante do olhar ameaçador de Ana-Lucia, e disse:

- Estou horrorizada por você ter levado aquele homem até o hospital, deixando-o ficar perto de sua filha, carregá-la...por que fez isso? Está dormindo com esse homem?

- Eu não estou dormindo com ele!- Ana-Lucia apressou-se em dizer.

- Eu não acredito em você!- rebateu Raquel. – Outra vez cometendo o mesmo erro Ana, você está apaixonada por esse homem, conheço você, vi hoje no hospital o mesmo olhar que vi você fazer quando estava com Angel.

- Isso não tem nada a ver com Angel, aquilo foi diferente. Sawyer é só um trabalho, eu tenho que ser convincente se quiser que ele confie em mim para que eu possa descobrir algo que o coloque atrás das grades.

- Pare de mentir, Ana-Lucia!- Raquel gritou. – Isso não é mais um trabalho, você se apaixonou por ele, admita!

- Não! Eu não vou admitir madre, uma coisa que não é verdade.

- Por favor, hija, pense na Inês, sua filha é mais importante que essa paixão!

Ana-Lucia levou as mãos ao rosto tentando conter as lágrimas:

- Não existe nada mais importante nessa porra de vida pra mim do que a Inês, madre. Como pode duvidar disso?

- Eu sei Ana!- Raquel admitiu. – Mas também sei o quanto esse homem está mexendo com você. Por favor, me prometa que não irá mais vê-lo, que irá pedir para deixar esse caso amanhã mesmo. Entregue-o de volta ao diretor-assistente Goodwin para que ele repasse à outra agente.

- Madre, eu não posso fazer isso! Tenho uma reputação a zelar no FBI, preciso seguir com o caso até o fim.

- Você não vai conseguir, se não está dormindo com ele ainda, vai se entregar pra esse homem sem que o perceba. Me escute, Ana-Lucia!

- Se a senhora não confia em mim, se não me acha uma agente competente o suficiente para seguir adiante com o caso, não há nada que eu possa fazer.

- Então não posso te ajudar, só te desejar boa sorte e rezar pra que você não faça nenhuma besteira.

Ana-Lucia respirou fundo:

- Mamã, yo necesito quedarme sola ahora.

Vendo que ela estava chorando, Raquel sentiu-se culpada por tê-la agredido, e se aproximou da filha, tocando seu cabelo delicadamente.

- Me desculpe, chiquita.

- Está tudo bem, eu só preciso ficar sozinha.

- Mas e a Inês?- Raquel indagou.

- Nós vamos ficar bem, se precisarmos de alguma coisa, ligo pra senhora.

- Yo te amo, si no lo sabes tu, te lo digo yo...

- Sí mamã, yo sé!

Com o coração cheio de pesar, Raquel foi até o quarto de Inês, deu uma última olhada na neta e em seguida deixou o apartamento. Ana-Lucia ficou lá no chão, sentada, sozinha, chorando convulsivamente sem saber o que fazer. Olhou para o telefone e quis ligar para Sawyer, mas conteve-se, sabia em seu íntimo que sua mãe estava certa, não o conhecia e ainda assim estava se entregando daquele jeito. No entanto, mesmo que pedisse para deixar o caso, seu coração e sua alma já pertenciam à James Sawyer, só faltava mesmo entregar-lhe o corpo também, e ela não sabia mais por quanto tempo iria resistir.

- Ah meu loiro lindo, eu te amo. Te amo de verdade.- murmurou consigo mesma.

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- Kate? Kate?- chamou Sawyer assim que entrou no apartamento, mas a prima não respondeu, não estava em casa. – Pra variar!

Ele sabia que ela estava de folga do bar aquela noite, por isso não fazia a mínima idéia de onde pudesse estar. Acendeu as luzes da sala e jogou-se no sofá, enquanto tirava os sapatos. Sorriu malicioso, ao lembrar-se do que quase acontecera naquela tarde entre ele e Ana-Lucia. Ficou rememorando cada detalhe do corpo dela que conseguiu vislumbrar, pensando no que faria quando estivessem juntos de novo.

- Morena, eu vou te pegar de jeito da próxima vez...- murmurou consigo.

Levantou do sofá disposto a tomar um banho e tirou a camisa e depois a calça, despindo-se pela sala. Entrou em seu quarto sem acender a luz, tirou a cueca e pôs-se a procurar a toalha no guarda-roupa. Não notou a presença de Letty no quarto. O coração dela acelerou ao ver que ele estava nu na penumbra do quarto, assim como ela que estava deitada na cama dele, despida embaixo dos lençóis.

Letty engatinhou devagar até o criado-mudo e acendeu o pequeno abajur em cima dele, dando um grande susto em Sawyer, que se virou rapidamente cobrindo apenas sua intimidade com as mãos.

- Letícia, o que você está fazendo aqui?

- Eu estava com saudades amor.- ela disse sensualmente enquanto ficava de pé e deixava cair o lençol ao chão revelando a ele sua nudez.

Sawyer ergueu uma sobrancelha.

- Está ficando louca, mulher? É melhor se vestir e ir embora agora mesmo.

- Não seja bobo, está preocupado se a Kate vai chegar agora? Ela saiu com o doutor, não volta tão cedo.

- Ela está com o Jack?- espantou-se Sawyer. – Aquela safada!

- Sawyer...- ela gemeu. – Por que está se cobrindo? Até parece que eu nunca vi o sinalzinho que você tem no...

- Cala a boca, e rasga daqui antes que eu te sente a mão na cara! A minha namorada não pode nem sonhar...

O telefone celular dele tocou na sala, Sawyer fez cara de espanto, imaginou logo que poderia ser Ana-Lucia. Saiu do quarto ainda nu e correu para atender. Letty ficou admirando o seu traseiro rechonchudo quando ele passou, as duas marquinhas estratégicas abaixo da linha da coluna.

- Meu Deus, será que essa mulher tem "desconfiômetro"?- ele disse consigo antes de atender. Olhou no visor e confirmou que quem estava ligando era ela. – Oi, amor. Está tudo bem?

- Sawyer...- a voz dela soou chorosa ao telefone.

- O que foi chiquita?- ele indagou meloso. – Por que meu bebê tá chorando?

- Você pode vir aqui ficar comigo agora?- Ana-Lucia pediu, dengosa. – È que eu estou com saudades.

- Mas é claro que posso, mi amor. Chego aí em no máximo meia-hora. Besos.

Sawyer desligou o telefone e voltou-se para Letty, que tinha se enrolado no lençol e ido até a sala. Pegou uma almofada do sofá e cobriu-se.

- Era ela?- Letty indagou, irritada.

- Não te interessa! Agora se veste e dá o fora daqui, eu vou tomar um banho e quando sair não quero mais te encontrar.

Letty assentiu com raiva, resolvendo ir embora, já tinha se humilhado demais.

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- Sorvete de chocolate!- anunciou Jack segurando um pote cheio até a tampa diante dos olhos ávidos de Kate.

Ela sorriu marota, e bateu as palmas das mãos como uma criança ansiosa por devorar um doce. Depois que desceram da cobertura, haviam se instalado no quarto de Jack. Estavam conversando já há um bom tempo, e Kate manifestou durante a conversa que estava morrendo de vontade de tomar sorvete de chocolate. Jack prontamente ligou para a portaria e pediu a um dos porteiros que fosse comprar. Agora estava diante dela com um lençol enrolado na cintura, ocultando-lhe a nudez, segurando o pote de sorvete e duas colheres.

Sentou na cama e abriu o pote. Ambos enfiaram suas colheres ao mesmo tempo, rindo muito.

- Eu não acredito que estou tomando sorvete na minha cama. Sabia que eu nunca fiz isso? A mamãe sempre dizia que doces na cama atraíam formigas, eu e a Claire sempre morremos de medo de sermos devorados pelas formigas caso fizéssemos isso.

- Pelo jeito, a sua mãe te privou de uma das melhores coisas da vida.- observou Kate.

- Que nada.- rebateu Jack. – Antes tarde do que nunca pra descobrir prazeres como esse, até porque não é todo dia que se pode ter uma linda mulher nua na sua cama e sorvete de chocolate ao mesmo tempo.

Kate sorriu. Estava deitada de bruços, lambendo o sorvete na colher, com o lençol cobrindo-lhe. Com um sorriso malicioso, ela tirou o lençol de cima de si e voltou a deitar na mesma posição, de bumbum pra cima.

- Você quer me matar?- ele perguntou, divertido, sentindo o corpo pulsar à visão do corpo nu dela.

Ela nada disse, continuou lambendo sua colher despreocupadamente. Jack deixou o pote de sorvete de lado e foi até ela. Desprendeu o lençol de sua cintura e começou a distribuir beijinhos pelas costas de Kate, fazendo-a dar pequenos gemidos que o enlouqueciam. Colocou-se por cima dela, sem mudá-la de posição e afastou suas pernas, colocando-se entre elas. Pôs uma mão em seu cabelo, deslizando-a por sua nuca e a tomou com vontade.

- Jack!- Kate gritou ao senti-lo dentro de si.

Jack movimentou-se nela enquanto deslizava a língua em seu pescoço, suas costas, fazendo-a delirar. Amaram-se com paixão mais uma vez, até que Jack explodiu dentro dela sem conseguir mais se controlar. Kate enterrou a cara no travesseiro, respirando com dificuldade enquanto Jack saía de cima dela. Ficaram em silêncio, apenas curtindo aquela sensação de calmaria pós-prazer.

De repente, o bipe do hospital que estava em cima do criado-mudo começou a tocar sem parar. Jack arrastou-se até ele e leu a mensagem:

- Emergência, Dr. Shephard. Venha imediatamente!

- O que foi Jack?- Kate indagou.

- È uma emergência no hospital, eu preciso ir!

Kate fez cara de compreensão e levantou-se da cama, disposta a tomar um banho e ir embora.

- O que está fazendo?- perguntou Jack, enquanto se enrolava em uma toalha que acabara de tirar do guarda-roupa.

- Eu vou tomar um banho e ir pra casa.- ela respondeu.

- Por quê?

- Você tem uma emergência e não sei quando vai voltar, então é melhor eu ir pra casa.

- Está zangada comigo por isso?- ele apressou-se em perguntar, inseguro.

- Não Jack.- ela disse acariciando o rosto dele ternamente. – Eu só acho que devemos ir com calma, estamos só começando. Você vai para o hospital e eu vou pra casa. Quando estiver livre de novo, me liga.

Ela entrou no banheiro, Jack a seguiu.

- Kate, é impressão minha ou intimidade te assusta?

- Por que está me perguntando isso?

Kate abriu o boxe do banheiro e ligou o chuveiro, entrando embaixo dele.

- Não sei, talvez porque eu quisesse que você não fosse embora no meio da noite. Podia dormir e me esperar, daí tomaríamos café da manhã juntos.

Kate respirou fundo, sentindo a água morna do chuveiro massageando-lhe as costas. Jack entrou no chuveiro junto com ela e a abraçou por trás, beijando sua nuca.

- Fica, por favor!- ele pediu.

Ela jogou a cabeça para trás, arrepiando-se com o beijo dele, e disse:

- Jack, eu não posso, mas, por favor, não vamos brigar por isso, tivemos uma noite maravilhosa. Podemos nos ver depois. Você precisa ir logo pro hospital, deve ser muito sério.

- Eu sei.- ele respondeu, incapaz de conseguir se afastar dela. – Mas é que é sempre tão difícil deixar você.

Kate virou-se de frente para ele, e o beijou. O bipe tocou novamente no quarto, ainda mais alto. Jack deu um último beijo em Kate, terminou seu banho rapidamente e saiu do boxe.

- Vejo você depois, amor.- gritou do quarto, se vestindo as pressas. Pegou seu bipe, que piscava a mesma mensagem: - Emergência, Dr. Shephard. Venha imediatamente!

Ela sorriu embaixo do chuveiro, finalmente as coisas estavam saindo como queria.

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Os dedos de Ana-Lucia tremeram ligeiramente enquanto ela destrancava a corrente da porta de seu apartamento. Estava se sentindo muito culpada por ter ligado para Sawyer depois de tudo o que escutara da mãe, mas não conseguiu evitar, o desejo de estar com ele era mais forte do que qualquer pensamento racional naquele momento.

- Vim o mais rápido que pude amor!- disse Sawyer adentrando o apartamento.

Ana-Lucia deu espaço para ele passar sem dizer uma palavra, e em seguida trancou a porta novamente. Assim que ela voltou-se para ele, perguntou receoso:

- Você me chamou aqui só porque estava com saudade mesmo, ou aconteceu alguma coisa? Inês está bem?- a preocupação dele com a menina, era visível em sua voz. Apesar do pouco tempo em que estavam juntos, Sawyer havia se apegado muito à garotinha.

- Sim, Inês está bem, está dormindo.- afirmou Ana-Lucia, parada diante dele como se temesse tocá-lo.

- Você me parece tão perturbada!- ele falou, tocando o ombro dela. Ana-Lucia estremeceu.

- Não é nada.- ela mentiu. – Eu só queria ver você.

Sawyer envolveu suas mãos na face dela e fitou diretamente seus olhos escuros, descendo o olhar para o corpo dela como um todo. Ela usava um vestido azul, leve que marcava o contorno dos seios, soltos embaixo da roupa. Ele beijou a ponta do nariz dela e aspirou profundamente o cheiro de sabonete em sua pele morena, roçando o rosto em seu pescoço. Isso deixou Ana-Lucia arrepiada, e Sawyer pôde sentir o efeito de suas carícias no corpo dela. Ana tinha os seios arrepiados, pressionados contra seu peito. Ele soltou uma respiração profunda:

- Até quando amor? Não agüento mais isso, sinto tanta vontade de te amar que chega a doer.

O coração de Ana-Lucia acelerou diante da confissão dele, mas as palavras duras de sua mãe vieram em sua mente e ela se afastou, respirando pesadamente. Não deveria ter ligado para ele, sabia como terminaria a noite se ele ficasse mais alguns minutos no apartamento dela.

- Sawyer, talvez não tenha sido uma boa idéia eu ter ligado para você. Sofreu um acidente na praia hoje e eu ainda nem te dei tempo de descansar.

- Eu não estou cansado, baby. Gostei que você tivesse me ligado, também queria ficar com você, só fui embora porque sua mãe estava aqui.

Ana-Lucia balançou a cabeça negativamente, nervosa, a respiração acelerando:

- Ouça, Sawyer, eu gosto de você, mas tudo isso é uma loucura, não devíamos ter nos envolvido a esse ponto, não vamos complicar mais as coisas...

- Do que você está falando?- ele indagou, sem entender.

A respiração de Ana-Lucia acelerou ainda mais, e lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, ela queria poder contar, confessar a ele que tudo não passara de um trabalho no início, mas que agora estava perdidamente apaixonada e não sabia o que fazer.

- Ana, por que está chorando?

Ana-Lucia levou as mãos ao rosto num choro convulsivo, que fazia seu peito subir e descer entre os soluços. Sawyer apressou-se em abraçá-la.

- Me diga, amor, o que você tem? Por Deus, está tremendo. Não chore baby, eu estou aqui.

Ela chorou bastante por alguns minutos, afundando o rosto no peito dele, encharcando a camisa vermelha de Sawyer com suas lágrimas. E ele esperou pacientemente que ela chorasse o quanto precisasse, enquanto acariciava seus cabelos e beijava o topo de sua cabeça. Quando percebeu que ela se acalmava mais, levantou seu rosto e a fez olhar para ele:

- Eu estou muito apaixonada por você! Eu amo seus olhos, seu nariz, sua boca...- ela murmurou tocando cada uma das partes que mencionava, quando chegou à boca, Sawyer beijou os dedos dela ternamente, acariciando-os com a ponta de sua língua. – E a sua língua? Como eu anseio senti-la no meu corpo.

Sawyer puxou o rosto dela novamente para si e depositou um beijo molhado em seus lábios, que fez um estalo gostoso, fazendo Ana-Lucia sorrir levemente. Ele começou a introduzir pouco a pouco a língua em sua boca, o que fez Ana suspirar. Sem perceber, quebrava suas defesas, permitindo que Sawyer começasse a chegar perto do que tanto desejava, desde quando se conheceram.

Os beijos começaram a ficar mais intensos, devoravam as bocas um do outro, parando de vez em quando apenas para tomar fôlego. Em sua caminha, Inês dormia tranqüila, ainda sob o efeito dos medicamentos do hospital, dificilmente acordaria, o que tornava os acontecimentos na sala, inevitáveis.

Sawyer aspirou o perfume do xampu de morango dos cabelos dela, e sentiu-se inebriado, tonto de amor, queria Ana-Lucia mais do que tudo e dessa vez, não importava o que acontecesse iriam até o final. Dos lábios dela, desceu para o pescoço, dando especial atenção a sua nuca. Estavam quase deitados no sofá, Ana-Lucia completamente entregue, o corpo anestesiado pelas intensas carícias de Sawyer. Excitada, ela sussurrou no ouvido dele, provocante, enquanto enfiava a mão esquerda dele embaixo do vestido de alças, sobre seu seio:

- Eu quero sentir suas mãos no meu corpo.

Ele apertou o seio dela de leve, fazendo-a soltar um pequeno gemido. Abaixou o rosto e sugou o bico do seio arrepiado, mordiscando-o de leve.

- Sawyer!- ela gemeu, contorcendo-se no sofá, querendo mais.

Ana-Lucia desceu a mão direita dele até suas coxas, Sawyer prontamente entendeu o recado e enfiou ambas as mãos debaixo da saia dela, acariciando sua intimidade por cima da calcinha. Ela fechou os olhos e enterrou a cabeça no ombro dele, cheirando seu cabelo. Sawyer começou a descer devagar o elástico da calcinha dela, deslizando a peça por suas pernas até tirá-la completamente.

Encararam-se e voltaram a se beijar. Sawyer começou a sua tão sonhada exploração pelo corpo de Ana-Lucia, abrindo as pernas dela bem devagar, tocando-a com carinho, dando especial atenção ao prazer dela. Ana-Lucia se controlava, gemendo baixinho para não acordar a filha em hipótese alguma.

- Você é tão macia...- Sawyer sussurrou em seu ouvido, descendo a outra alça do vestido dela, fazendo o pano deslizar por suas coxas.

Afastou-se momentaneamente para admirar o corpo curvilíneo de Ana-Lucia, a pele morena que provocava suas fantasias, os seios rijos e pequenos, a cintura fina e os quadris largos. As covinhas de seu rosto formaram um belo sorriso:

- Eu sou o cara mais sortudo do mundo!- disse, extasiado com a beleza dela.

Ana-Lucia sorriu de volta para ele, nem um pouco tímida, e respondeu:

- Sortuda serei eu quando tiver você todinho dentro de mim.

Ao ouvir as palavras dela, Sawyer imediatamente a tomou em seus braços, e carregou-a para o quarto. Não fariam amor na sala, mesmo que Inês estivesse dormindo profundamente, era melhor não arriscar. Depositou-a com cuidado na cama, e pôs-se a se despir diante dos olhares famintos dela. Abriu rapidamente os botões da camisa, deixando o peito bronzeado à mostra, tirou os sapatos e desceu o zíper da calça. Quando estava só com o boxer, Ana-Lucia se levantou da cama e se aproximou dele, beijando-o. Sawyer deslizou as mãos pelas costas dela, até pousá-las no bumbum, apertando-o.

- Vamos ver o que você tem pra mim, cowboy.- ela sussurrou, descendo a cueca boxer dele, e seus olhos escuros se alargaram ao vislumbrá-lo nu.

Sawyer era assustadoramente lindo, e Ana-Lucia não pôde conter um suspiro de satisfação diante de tanta virilidade.

- Dios, eres tan guapo!

Ele riu levemente, divertido:

- Seja lá o que isso signifique, só posso imaginar que seja um elogio.

Ana-Lucia lambeu os lábios dele, provocante, Sawyer tentou beijá-la, mas ela ficou brincando com os lábios dele, impedindo-o de fazê-lo. Deslizou seus lábios pelo pescoço dele e distribuiu beijinhos por seu peito. Empurrou-o na cama, surpreendendo Sawyer.

- Baby, o que vai fazer?- ele indagou.

Ela jogou seu corpo sobre o dele, sentando-se sobre os quadris. Sawyer gemeu ao sentir o encaixe deles tão próximo.

- Me toma agora, baby!- ela pediu, erguendo seus quadris acima dos dele.

Sawyer segurou os quadris dela, e a possuiu devagar, Ana-Lucia fechou os olhos e mordeu os lábios.

- Está tudo bem?- ele perguntou, receoso.

Ana-Lucia deu um meio sorriso e movimentou-se sobre ele.

- Acho que isso responde à minha pergunta.- ele concluiu, tomando-a mais profundamente e invertendo a posição, rolando na cama e ficando por cima dela.

Beijaram-se enquanto se movimentavam juntos. Ana-Lucia deu uma boa mordida nos lábios de Sawyer, que o fez exclamar:

- Calma, tigresa!

Ana-Lucia soltou uma risadinha e voltou a beijá-lo, só que com mais cuidado. Os movimentos dele nela foram se intensificando, e ela segurou o estrado da cama, sentindo seu corpo inteiro entrar em convulsão.

- Está gostoso, baby?

- Hummmmmmm...- ela respondeu com um gemido que quase fez Sawyer terminar tudo.

- Eu te amo.- ele sussurrou, indo cada vez mais rápido, ao mesmo tempo em que a acariciava com as mãos disposto a levá-la ao prazer máximo.

- Oh Sawyer, oh Sawyer...- ela começou a gemer sem parar, apertando as mãos em volta do estrado da cama com mais força.

- Você é minha, baby!

- Eu te amo, te amo!- ela gritou quando chegou ao clímax, e Sawyer teve que abafar seu grito com uma das mãos, para que não acordasse Inês.

Em seguida, era ele quem alcançava o prazer, entrelaçando suas mãos nas dela. Ao senti-lo explodindo dentro de si, Ana-Lucia abraçou-o bem forte, com os braços e pernas, e sem perceber estava chorando, pequenas lágrimas teimosas que escorreram por seu rosto. Sawyer encarou a face dela, afastando seus cabelos negros que haviam se espalhado por seu rosto.

- Você está bem?

- Sim.- ela respondeu meiga. – Mas você quase me matou de tanto amor.

Sawyer sorriu e beijou as lágrimas dela, sentindo o gosto salgado em sua boca. Saiu de cima de Ana-Lucia, e ela virou-se de costas para ele. Sawyer envolveu seus braços na cintura dela e descansou o rosto em seu pescoço, fechando os olhos. Sentiu Ana-Lucia pegar sua mão e pousar sobre um dos seus seios, fechando os olhos em seguida. Finalmente haviam consumado todo o amor que sentiam um pelo outro, no entanto, o que o destino reservava para eles? Ainda havia o fato de que Sawyer era um golpista e Ana-Lucia uma policial. Esta história terminaria bem?

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- John, meu amor, fale comigo!- gritava Hellen, histérica na sala de emergência do hospital St. Sebastian diante do marido, que jazia pálido sobre uma cama, com vários enfermeiros e enfermeiras ao redor dele.

- Sra. Locke.- disse uma das enfermeiras. – Já disse que a senhora não pode ficar aqui.

- Não, ninguém me tira daqui!- ela bradou, tentando se agarrar ao marido ensangüentado. Ela própria tinha várias luxações pelo corpo, e um corte grande na testa, da onde estava escorrendo sangue em abundância.

- Levem-na daqui, e lhe apliquem um calmante.- ordenou o Dr. Desmond, adentrando a sala de emergência.

Um enfermeiro forte saiu levando-a na marra, mesmo assim lhe sussurrava palavras gentis:

- Vamos Sra. Locke, vai ficar tudo bem.

Desmond olhou irritado para Andréa, uma das enfermeiras:

- E o Shephard?

- Ele ainda não chegou Dr. Desmond.

- Ah eu vou matá-lo!- exclamou Desmond, muito preocupado. – Vou ligar no celular dele, apliquem mais uma seringa, para que ele não entre em choque.

Ele saiu apressado da sala de emergência disposto a ligar para Jack, mas deu de cara com o próprio no corredor.

- Finalmente "Brotha", estamos com um pepino aqui que você não faz idéia!

- O que houve?- perguntou Jack, ajeitando o jaleco rapidamente em volta do corpo.

- O professor John Locke sofreu um acidente de carro, achamos que houve um trauma na coluna.

- Então o que estamos esperando?- falou Jack adentrando a enfermaria e lavando suas mãos na pia antes de colocar as luvas. Em seguida, aproximou-se de Locke, seguido por Desmond e perguntou à Andréa:

- Estado atual do paciente?

- Respiração difícil, hemorragia interna, provável dano na espinha...

- Desmond!- chamou Jack. – Vamos precisar fazer exame completo da cabeça, para verificar se não houve nenhum trauma.

Desmond concordou e afastou-se momentaneamente para providenciar o necessário para os exames. Jack ordenou a dois enfermeiros que o ajudavam:

- Vamos virá-lo no três! 1, 2, 3! Andréa, mais alguém estava no carro com ele?

- Sim, a esposa.- respondeu ela.

- E como ela está?

- Sofreu algumas luxações, um corte na testa, mas nada de muito grave. Está na outra enfermaria recebendo atendimento do médico plantonista.

- Certo! E a pessoa que bateu no carro deles?

- Um homem de meia-idade, estava completamente bêbado, dormiu ao volante e morreu na hora.

Jack apalpou as costas de Locke, e seu olhar tornou-se bastante preocupado.

- Jack?- disse Desmond voltando para junto dele. – È muito ruim?- perguntou vendo a ruga de preocupação aparente na testa do amigo.

- A coluna dele foi quase esmagada no impacto, o mais provável é que o dano seja irreversível!

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- O que uma garota como você faz num lugar como esse?

Letty voltou seus olhos escuros para o homem que puxava conversa com ela no Bar do Coyote e o ignorou por completo, bebericando mais um pouco de seu martini.

- È, eu sei.- insistiu ele, puxando um banquinho ao lado dela. – Essa é uma pergunta muito clichê, mas eu realmente não estou inspirado hoje, e não poderia deixar passar uma morena como você.

Letty ergueu uma sobrancelha, e parou para analisar melhor o homem.

- Edward Marshall!- ele estendeu sua mão para ela. – E qual é a sua graça, muchacha?

- Letícia Sanchez!- ela respondeu com um meio sorriso, apertando a mão dele.

- Loira!- disse Marshall chamando Juliet junto ao balcão.

- Pois não?

- Vê uma dose de vodka pra mim e mais um martini para a Srta. Sanchez.

Juliet serviu as bebidas e se afastou, indo sentar-se em um canto atrás do balcão, o movimento estava fraco aquela noite. Alan, seu colega de trabalho, vendo-a tão quieta, indagou:

- O que você tem hoje?

- O lugar está relativamente vazio, já que não teremos apresentação da Molly hoje, por isso posso me dar ao luxo de ficar quieta, pensando.

- Uow!- exclamou ele. – Pra que toda essa agressividade, Julie, não está mais aqui quem falou.

Ele começou a limpar o balcão com um pano. Juliet perguntou:

- Alan, tem visto o Sawyer aqui pelo bar ultimamente?

- Pior que não, aliás, estou até querendo falar com ele, o desgraçado tá me devendo 100 pratas da última vez que jogamos pôquer.

Juliet franziu as sobrancelhas, desde que saíra da casa dele há duas semanas, não mantiveram mais contato, e ela sentiu vergonha de perguntar sobre ele para Kate. Decidiu que o procuraria pela manhã, na Escotilha, tinha algo muito importante a dizer a ele.

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Ana-Lucia remexeu-se preguiçosamente na cama e espalhou-se sobre ela, sentindo um vazio incômodo no colchão. Alguém estava faltando ali. Abriu os olhos e sentou-se na cama, puxando o lençol sobre si e olhou ao redor na penumbra do quarto que aos poucos ia se desfazendo, pois o dia já ameaçava clarear. Buscou Sawyer com os olhos, e não o vendo, um pânico repentino assaltou-lhe, e se sua mãe estivesse mesmo certa a respeito dele? E se Sawyer além de golpista, fosse um bandido pior, capaz de coisas terríveis?

- Inês!- exclamou preocupada, e levantou-se da cama de um salto, enrolada no lençol.

Abriu a porta de seu quarto e chamou por Sawyer no corredor:

- Sawyer!

Ao ouvi-la, ele saiu do quarto de Inês, havia acabado de fazer a menina dormir, encarou Ana-Lucia com uma expressão aparentemente zangada e levou o dedo indicador à boca:

- Shiiii! Quer acordar a pequena?

- Você estava com a Inês?

- Sim, eu a ouvi chorar chamando por você!- ele a puxou pelo braço, para dentro do quarto. – Daí, te olhei e estava dormindo tão gostoso que não quis te acordar. Fui vê-la, dei um copo de leite e fiz ela dormir outra vez.

- E ela não estranhou você cuidando dela ao invés de mim?

- Eu disse a ela que você estava muito cansada. Mas qual é o problema? Por que está me olhando com essa cara de assustada?

Ana-Lucia suspirou e disse, num ataque repentino de arrependimento:

- Sawyer, já está amanhecendo, é melhor você ir embora.

- O quê vai começar com essa loucura de novo? Você estava agindo assim antes de fazermos amor, e não venha me dizer Ana-Lucia, que está arrependida agora. Você quis isso tanto quanto eu!- protestou Sawyer.

- Eu sei, mas...- ela retorquiu.

- Mas o quê, baby?- ele a puxou para si bruscamente. – Eu senti todo o seu corpo pulsando por mim quando te possui...

Sawyer abriu o zíper da calça jeans dele e pôs -se a tirá-la.

- Não, Sawyer! Não vamos fazer isso de novo! Vista-se!

Mas Sawyer ignorou-a por completo, e lançou-lhe um olhar fatal ao terminar de se despir. Ana-Lucia sentiu-se derreter toda por dentro ao vislumbrar mais uma vez o corpo perfeito de Sawyer. Não conseguiu dizer mais nada. Era muito difícil resistir ao charme dele, ainda mais depois de ter provado o quanto era bom estar com ele, já não havia mais resistência, estava perdida.

Os lábios dele imediatamente envolveram os seus, e ele a puxou com mais força, fazendo o lençol que a cobria deslizar até o chão, desnudando-lhe o corpo. Deixou que os braços fortes a envolvessem e a depositassem no colchão.

- Você é o meu homem!- ela murmurou, cheia de desejo!

Ele a puxou pelos quadris e os olhos dela brilharam de excitação. Sawyer começou a percorrer o corpo dela com a boca, seios, barriga, umbigo...

- Não, Sawyer!- Ana-Lucia sussurrou sentindo uma leve mordida na pele sensível do interior das coxas.

- Baby, eu quero tudo de você!- ele respondeu acariciando-a intimamente com a língua, fazendo-a entrar em delírio. No instante seguinte, ele se acomodava entre as pernas dela e a possuía com vontade, fazendo-a gritar de prazer.

- Hey baby!- Sawyer sussurrou no ouvido dela. – A Inês está no quarto ao lado!

Ana-Lucia assentiu, mordendo os lábios, tentando se controlar. Amaram-se pela segunda vez, até o prazer dominar-lhes por completo. Quando se separaram na cama, ficaram um bom tempo se beijando, trocando carinhos e juras de amor, até que Ana-Lucia afastou-se momentaneamente dele com o semblante assustado, olhando para o rádio-relógio no criado-mudo.

- O que foi, cariño?- ele perguntou a ela.

- Hoje é segunda-feira, e eu tenho que trabalhar. Dios!

Levantou-se da cama, agoniada, e correu para o chuveiro. Sawyer a seguiu, e o banho acabou demorando mais de quinze minutos. Assim que Ana-Lucia conseguiu sair do chuveiro, começou a procurar pelas roupas que nem uma desesperada. Tirou o conjunto de lingerie da gaveta e enxugou-se depressa. Sawyer ficou observando-a fazer isso, enquanto ele próprio também se enxugava e se vestia. Ela vestiu a calcinha e começou a abotoar o sutiã preto, Sawyer correu em seu auxílio e o abotoou para ela, aproveitando para depositar um beijinho em seu ombro. Ana-Lucia sorriu e vestiu a saia, Sawyer diligentemente fechou o zíper pra ela também.

Pegou as botas de cano alto e começou a calçá-las quando a campainha do apartamento soou insistente, seguida da voz de sua mãe do lado de fora:

- Ana-Lucia, hija, sou eu!

- Dios mio!- exclamou Ana-Lucia entrando em pânico.

- È a sua mãe?- perguntou Sawyer vestindo a camisa. – Por que está tão preocupada, não acha que já está bem grandinha para ter permissão para dormir com o namorado?

- Ela não sabe que somos namorados.

- Contamos a ela então!- ele sugeriu com naturalidade.

- Não é tão simples assim, a mamãe é muito conservadora.- respondeu Ana-Lucia vestindo a blusa social cor-de-vinho.

- Ana-Lucia!- insistiu a mãe do lado de fora.

- Un rato, mamã, un rato! Estoy desnuda!

- O que disse a ela?- perguntou Sawyer, divertido.

- Eu disse a ela que espere um pouquinho porque não estou vestida.

- Un rato?- ele repetiu, tentando enrolar a língua.

- Si, si. Un rato.- disse Ana-Lucia mostrando a ele como deveria enrolar a língua.

Sawyer riu do movimento da língua dela batendo nos dentes, não resistiu e beijou-lhe intensamente, tocando a ponta da língua dela com a sua. Ana-Lucia riu.

- Ana?

- Já estou indo!- ela gritou mais uma vez. – Amor, você fica aqui no quarto enquanto eu dou um jeito de distrair a minha mãe pra você sair.

- Quer que eu me esconda no armário?- ele gracejou.

- Não seu bobo! Basta ficar aqui no quarto.

Ana-Lucia finalmente foi abrir a porta para a mãe.

- Buenos dias!

Raquel sorriu: - Imagino que a Inês melhorou, você está tão alegre.

- A Inês está bem melhor, eu estou terminando de me arrumar para o trabalho, por que não dá uma olhada nela?

- Alex não virá hoje, sofreu um acidente ontem, foi atropelada.

- Como é?- espantou-se Ana-Lucia. – Mas ela está bem?

- Está sim, amanhã poderá vir ficar com a Inês, por isso tirei o dia de folga para cuidar dela já que você tem de trabalhar.

- E por que a Alex ligou pra senhora ao invés de ligar pra mim?

- Ela disse que ligou, mas o seu telefone só caía na caixa-postal, como se estivesse fora do gancho.

- Ah, deve ter sido algum problema na companhia telefônica.- disfarçou Ana-Lucia, colocando o aparelho de volta no gancho, tinha-o desligado depois da briga com a mãe.

Voltou ao seu quarto depressa enquanto Raquel estava distraída com a neta.

- Amor, vem logo!

Sawyer apressou-se até a porta do apartamento. No corredor, puxou-a mais uma vez para si e deu-lhe um beijo estalado.

- Vai logo amor, vai logo!- ela disse empurrando-o.

- Te ligo mais tarde.

Ele se afastou caminhando pelo corredor, mas mal deu dois passos, Ana-Lucia correu até ele e o beijou mais uma vez, voltando em seguida para o apartamento e fechando a porta. Dalila, a vizinha fofoqueira, viu os dois trocando carinhos no corredor e sorriu maldosamente.

- E a Raquel Cortez ainda jura que a filha é uma santinha!

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Jack chegou ao seu apartamento estourado, havia sido uma noite muito difícil, mas conseguira manter o estado de John Locke estável. Mesmo assim, o dano na coluna era realmente muito sério, ele precisava ser operado o quanto antes. Mas primeiro Jack precisava conversar com Hellen e com o próprio Locke a respeito, afinal seria uma cirurgia muito complicada. Por isso, resolveu ir para casa, comer algo, dormir um pouco e depois retornar ao hospital.

Entrou em seu quarto e começou a se despir para tomar um banho quando encontrou um pedaço de papel dobrado sobre a cama, com os dizeres: "Para o meu médico gostosão". Sorriu consigo mesmo e desdobrou o papel:

" Amorzinho, foi uma noite maravilhosa, depois que saiu daqui não consegui deixar de pensar em você, roubei uma de suas camisas pra dormir com ela e ficar sentindo o seu cheiro a noite toda. Te adoro, um beijo nessa sua boca gostosa! P.S: Não resisti e lavei o meu cabelo com o seu xampu do Bob-Esponja.

- Kate, só você!- murmurou pousando o papel sobre a cama e indo tomar seu banho.

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- "Para bailar la bamba, para bailar la bamba se necessita una poca de gracia, una poca de gracia para mi y para ti, ay arriba, y arriba..."

Sawyer chegou muito contente em casa, cantarolando "La Bamba". Tinha sido uma noite inesquecível, e estava tão feliz que precisava dividir sua alegria com alguém.

- Sardenta?- chamou pela prima, enquanto abria as janelas do apartamento. O sol brilhava lá fora. – Sardentinha?

Mas ela não respondeu, será que ainda não tinha chegado?

- Aquela safada dormiu com o doutor outra vez?- indagou a si mesmo, resolvendo ir até o quarto dela checar se não estava lá.

Bateu na porta, mas não houve resposta. Girou a maçaneta, a porta estava destrancada. Encontrou-a dormindo profundamente entre os lençóis. Sorriu maroto, e jogou-se na cama dela, assustando-a.

- Sawyer? O quê?- ela disse, confusa, esfregando os olhos.

- Buenos dias, prima!

Kate franziu o cenho, tonta de sono:

- O que você quer, Sawyer? Estou morrendo de sono. Aliás, onde esteve a noite toda?

- Hum, Hum! Não precisa fazer toda essa pose de quem esteve em casa, porque eu sei que você não dormiu aqui a maior parte da noite.

Ela voltou os olhos verdes para ele, pronta para dar-lhe uma resposta mal-criada quando viu que ele estava com um curativo na cabeça. Sentou-se na cama, cobrindo as pernas com o lençol e indagou:

- O que aconteceu com você?

- Eu sofri um acidente, bati a cabeça nas pedras, no mar, quando estava surfando.

Kate arregalou os olhos e não pôde conter um ataque de riso:

- Você surfando?

- Por que está rindo? Não tem graça nenhuma.

Mas ele começou a rir também, fazendo cócegas nela.

- Para Sawyer!- dizia Kate, morrendo de rir. Ele lhe deu uma trégua, e ela apressou-se em perguntar:

- Tá bom, não é engraçado, você poderia ter se machucado gravemente; desculpe, que bom que está bem. Mas primo, normalmente quem bate a cabeça não fica com toda essa felicidade estampada no rosto. Além de bater a cabeça, o que mais te aconteceu?

Sawyer deitou-se na cama ao lado dela e fez cara de satisfação:

- Passei a noite com a Ana.

- No creo!- Kate debochou. – Você conseguiu? Hum, por isso está com essa cara de bobo apaixonado.

- Não tô não!- ele respondeu franzindo o cenho.

- Ah não?- provocou Kate, acariciando o rosto dele com a ponta dos dedos, insinuante, tirando uma com a cara do primo. – Oh Sawyer, te quiero! Te quiero!

- Para com isso!- ralhou Sawyer, vermelho com a provocação dela.

Mas ela continuou:

- Te amo, tu eres mi hombre!

- Ah, não enche!- ele falou irritado, levantando-se da cama dela. – Já entendi, não te perturbo mais, pode voltar a dormir.

- Nada disso, priminho. Já que me acordou, vai ter que me fazer panquecas.- ela respondeu também se levantando.

Sawyer sorriu: - Vai sonhando!

- Ah, mas eu quero!- ela falou dengosa, como uma criança pedindo doce ao pai.

Ele começou a rir e ia negar o pedido dela novamente quando viu que ela vestia uma camisa masculina:

- Que é isso? Está mudando o visual ou outra vez esqueceu das suas roupas na casa do doutor?

- Não te interessa!- ela respondeu, ríspida.

- Ah é assim? Você fica me interrogando e eu não posso perguntar nada, Srta. Austen?

- Não enche, e vai fazer as minhas panquecas!- Kate bradou indo para a sala.

Sawyer a seguiu:

- Kate, eu queria te perguntar, o que a Letícia estava fazendo aqui ontem à noite?

Kate fez cara de inocente:

- Bem, eu pedi à ela que me ajudasse a me arrumar porque eu tinha um jantar muito importante ontem à noite, e depois que terminamos ela pediu-me para ficar aqui e esperar por você, porque tinha um assunto importante para tratar, só isso!

- Assunto importante é? Pois eu quero de agora em diante que você pare de tentar ajudar a sua amiga a ficar comigo porque ela não tem a menor chance.

Kate deu-lhe um sorriso maroto:

- Tudo bem, mas só se você admitir que está "enamorado de doña Ana-Lucia".

Sawyer balançou a cabeça negativamente.

- Eu não estou apaixonada, a Ana é legal, estamos curtindo, só isso!

- Sawyer, você está encoleirado, essa mulher jogou uma rede em você e caiu direitinho, quando foi que esperou tanto tempo assim para dormir com alguém? Admita, James Sawyer, o Don Juan, Casanova, incorrigível foi fisgado e agora está no chão beijando a lona.

- Ok, prima. Você quer jogar? Certo! Eu admito se você admitir que não está só brincando de médico com o doutor, você está apaixonada pra valer!

Kate ficou embaraçada, não sabia o que responder. Sawyer deu de ombros, e falou: - Ponto pra mim! E como eu sou legal, vou fazer as suas panquecas!

Ele foi para a cozinha. Kate sentou-se no sofá pensativa, e notou que havia correspondência debaixo da porta. Pegou os papéis e fez cara de irritação ao perceber que se tratavam de contas:

- Luz, telefone, cartão de crétido, que saco!

Porém, uma dessas cartas estava formalmente endereçada a ela, e no envelope branco havia um símbolo da associação de saúde pública dos Estados Unidos. Kate segurou a carta em suas mãos, e com os dedos trêmulos pôs-se a rasgá-la, já estava esperando por aquela carta há muito tempo.

- Oh meu Deus!- exclamou ao ler avidamente o conteúdo da carta.

"Srta. Katherine Auten, é com imenso prazer que informamos a vossa senhoria que foi contemplada com uma bolsa de estudos no valor de 1350 dólares e um estágio no Hospital Geral St. Sebastian, devido ao excelente trabalho voluntário que realizou seis meses atrás no Hospital Memorial de St. Rose e também às suas boas notas nos testes teóricos, práticos e de aptidão. Seja bem vinda à Associação de Saúde dos Estados Unidos. Queremos que a Srta. se apresente no Hospital St. Sebastian e fale com o diretor em exercício. Ressaltamos que a Srta. deve se apresentar até o dia 22 do mês corrente, ou transferiremos sua bolsa e o estágio para outro estudante.

Atenciosamente,

Adam Parker,

Diretor adjunto da H.A.P/USA.

- Sawyer! Sawyer!- Kate gritou, eufórica.

- O que é que foi?- Sawyer indagou indo até a sala, batendo massa de panqueca em uma tigela com a colher de pau.

- Acabei de receber uma carta da associação de saúde, consegui a bolsa e mais ainda, um estágio no Hospital St. Sebastian.

Sawyer largou a vasilha com a colher em cima da mesinha de centro, e pôs-se abraçar a prima, que pulou em seu pescoço, transbordando de felicidade.

- Você não vai mais precisar trabalhar naquele maldito bar!

- Vou me demitir hoje mesmo! Eu não acredito Sawyer, tudo está dando certo pra mim, estou tão feliz! Tenho que me apresentar no hospital hoje mesmo.

- E o que está esperando?- ele perguntou, soltando-a do abraço.

Kate sorriu e beijou-o carinhosamente na face, em seguida correu para o quarto para se arrumar.

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Claire olhou no relógio, quase nove da manhã. Já havia passado da hora de entrar na escola, mas ela não estava com a menor vontade. Quando o motorista da família Shephard deixou-lhe na escola, ela telefonara para Nikki e dissera que ia dar uma volta no shopping para espairecer porque não estava a fim de assistir a aula do Sr. Locke. Nikki então, disse a ela que depois das aulas a encontraria no shopping e almoçariam juntas. Claire perguntou por Shannon, mas Nikki disse que ela também ligou avisando que não iria para a aula porque não se sentia muito bem.

Caminhava pelos corredores ainda vazios do shopping naquela manhã de segunda-feira quando avistou alguém que não esperava, na loja de instrumentos musicais.

- Charlie!- disse consigo mesma.

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" Oh baby, when you talk like that…"

Ana-Lucia cantarolava animadamente, uma canção de Shakira, "Hips don't lie", enquanto tamborilava os dedos no volante do carro de forma ritmada. Estava parada no sinal vermelho, normalmente isso a deixaria profundamente irritada, principalmente porque estava atrasada para o trabalho, mas na verdade, não estava nem aí, só conseguia pensar em Sawyer e na noite maravilhosa que tiveram juntos. Ficava viajando nas próprias lembranças, recordando o modo como ele a tocava, as palavras deliciosas sussurradas em seu ouvido quando uma buzina irritante a tirou de seus devaneios. O sinal estava aberto e ela não tinha sequer percebido, ignorou os carros que buzinavam apressados atrás dela e voltou suas atenções novamente para o trânsito.

Mas não deu nem dois minutos, e a imagem dele voltou à sua mente, fazendo-a suspirar de paixão. E foi nesse momento, recordando tudo o que tinha acontecido na noite passada que Ana-Lucia chegou a uma infeliz constatação. Seus olhos se alargaram, a respiração tornou-se acelerada e ela estacionou o carro na primeira esquina. Soltou o volante, encarou a si mesma no espelho retrovisor e amaldiçoou-se:

- Estúpida! Estúpida!Estúpida!

Como podia ter sido tão irresponsável? Sim, satisfizera todos os seus desejos carnais e emocionais com Sawyer, mas sem nenhum tipo de prevenção. E o pior era que tinha preservativos, que ela comprara para alguma emergência desse tipo, no armário do banheiro, mas não pensou nisso em nenhum momento enquanto esteve com Sawyer, ela simplesmente não conseguia raciocinar quando estava com ele. Era uma fatalidade, havia parado de usar contraceptivos há cerca de três meses porque achara que seria idiotice ficar tomando remédios sem levar uma vida sexual ativa. Mas agora, já que havia decidido investigar Sawyer em todos os sentidos, ter parado com os anticoncepcionais não pareceu ter sido uma boa idéia.

- Acalme-se Ana!- dizia a si mesma, tentando retomar o autocontrole. – Respira fundo, isso pode ser resolvido com uma simples ida à farmácia.

Colocou o pé no acelerador e saiu em disparada para o FBI, havia uma farmácia lá próximo, onde ela poderia comprar a pílula do dia seguinte e resolver esse problema rapidinho.

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Ansiosa era pouco, ela estava transpirando como nunca debaixo do terninho azul-bebê que havia vestido especialmente para a ocasião. Kate desceu do carro, muito séria, de óculos escuros segurando uma pasta contendo seu currículo e é claro a carta da Associação de Saúde Pública. Adentrou o Hospital St. Sebastian confiante, porém mal deu dois passos em direção à recepção e esbarrou em um médico que vinha muito apressado pelo corredor. A batida entre eles foi tão forte que derrubou as coisas que ambos tinham nas mãos.

- Desculpe...- Kate disse com o rosto abaixado, juntando suas coisas.

- Tudo bem, eu...- começou ele, falando ao mesmo tempo que ela, mas ao ouvirem o som de suas vozes, seus olhos se encontraram e eles sorriram.

- O que está fazendo aqui, Kate? Veio me ver?- Jack perguntou juntando suas coisas do chão enquanto Kate fazia o mesmo.

- Você não se cansa de ser pretensioso né, Dr. Shephard!- brincou Kate, fingindo irritação.

Jack sorriu e os dois se levantaram do chão já com suas coisas devidamente arrumadas.

- Eu não sabia que você trabalhava nesse hospital. Foi uma coincidência!

- Coincidência ou destino?- Jack retorquiu.

- Talvez o destino!- disse Kate, mostrando a ele a carta da Associação de Saúde.

Os olhos dele brilharam ao lê-la.

- Eu não acredito, Kate! Você vai trabalhar aqui?

- Impressionado?- ela indagou.

- Muito! Isso quer dizer que...

- Não vou mais trabalhar no bar.- Kate completou.

Jack estava muito feliz com aquela notícia, queria abraçá-la, beijá-la, mas não ali no meio do corredor do hospital, por isso disse:

- Você tem que falar com o diretor não é? Por acaso, ele é meu pai, posso te levar até lá antes de ir atender meu paciente.

- Por acaso?- Kate gracejou. – Estranho, nossa história tem por acasos demais, não acha?

- Que bom que o destino anda conspirando a nosso favor!- disse Jack. – Anda, vem comigo, vou te levar até a diretoria do hospital.

Kate o seguiu por um longo corredor de paredes brancas. Quando chegaram ao final dele, Jack abriu uma porta e puxou Kate bruscamente para dentro.

- È aqui?- ela perguntou achando aquela sala muito pequena para a diretoria de um grande hospital.

- Não.- ele respondeu. – Mas você não poderia vir até aqui sem me dar um beijo, ainda mais com essa notícia de que vamos trabalhar juntos.

Kate riu e colou seu corpo ao dele beijando-o.

- Pelo jeito vai ser muito difícil trabalhar nesse hospital sabendo que você estará aqui!

Ela o abraçou e deu mais alguns beijos nele:

- Jack, eu sou profissional, enquanto estivermos de serviço nada de chamego, mas depois que a gente sair daqui…

- Hum, não sei não, será que eu resisto?

Jack olhou no relógio.

- Preciso ir, meu paciente está me esperando. Vem, no caminho eu te deixo na diretoria.

- Mas dessa vez vai me levar pra lá né?

Jack começou a rir:

- Mas é claro, princesa! Eu sou um cara profissional!

Dessa vez ele a levou direto para a Diretoria do hospital. Bateu na porta duas vezes e escutou a voz de seu pai pedindo que entrasse.

- Pai, esta é Katherine Austen, ela recebeu uma carta da Associação de Saúde para se apresentar aqui.- Jack disse, assim que entraram.

- Sim, é claro, fui informado disso. Como vai Srta. Austen?

- Eu vou bem, obrigada.

- Não nos conhecemos de algum lugar?- indagou Cristian.

- Yeah!- falou Kate. – Do torneio de golfe!

- Sim!- exclamou Cristian. – Eu vi você jogar, é muito talentosa.

Kate sorriu. Um homem entrou na diretoria sem bater, ao ver que Cristian estava recebendo alguém, desculpou-se:

- Perdão Dr. Shephard, não sabia que o senhor estava atendendo alguém!

- Que é isso Kane, pode entrar!- falou Cristian, com ar simpático.

Kate voltou sua atenção para o homem que tinha acabado de entrar, e não pôde deixar de admirá-lo, era extremamente atraente, alto, porte atlético, moreno claro, cabelos lisos, olhos amendoados e um belo sorriso.

- Grande Jack! Quanto tempo!

- Uns quinze minutos, Kane!- respondeu Jack ,rindo, Kane era um gozador.

- Eu preciso ir!- disse Jack. – Meu paciente me espera e já estou atrasado. Falamos depois Kate!

- Até mais, Jack!

Quando Jack se retirou, Kane sorriu para Kate e disse:

- Kate? È um belo nome, combina com a dona dele.

Kate ficou embaraçada com o elogio e limitou-se a sorrir. Cristian balançou a cabeça negativamente e foi logo dizendo:

- Kane, nem comece com os galanteios, a Srta. Austen foi convocada para trabalhar conosco.

- Sério? Vai ser um grande prazer ter você aqui conosco, Kate. Esse hospital anda precisando de mais brilho.

Cristian respirou fundo, sabendo que não tinha adiantado de nada o que ele havia acabado de dizer.

- Kane, algo urgente que queira falar comigo? Preciso conversar bastante com a Srta. Austen para lhe explicar os procedimentos que precisam ser feitos antes que ela comece a trabalhar.

- Não é tão urgente assim! Eu posso aguardar um pouco, minha próxima cirurgia é só pra daqui a duas horas.

- Então você é cirurgião como o Jack?- perguntou Kate, curiosa a respeito da especialidade de Kane.

- Sou sim, mas o meu lance é com os assuntos do coração. Então se tiver algum problema, não hesite em me procurar.- ele deu uma piscadinha para ela. - Dr. Shephard, aguardo o senhor na cantina, aproveitamos e tomamos um café. Até mais, Srta. Austen. Seja bem-vinda ao St. Sebastian.

Ele deixou a sala. Cristian disse a Kate:

- O mais abusado e o melhor cardiologista de Los Angeles, não ligue para as piadas dele, é um gozador!

Kate sorriu.

- Bem, por onde começamos, ah, seu currículo, é claro!

Kate abriu a pasta e entregou o currículo a ele.

- Vejo que fez trabalho voluntário, muito bom!

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- Nunca pensei que fosse te encontrar aqui!- disse Claire chupando um sorvete de morango enquanto caminhava com Charlie pelos corredores do shopping center.

- Mas eu estou disfarçado, não sei como me reconheceu!- brincou Charlie. Claire riu. – Na verdade eu gosto de vir ao shopping às segundas-feiras, justamente nesse horário porque eu sei que não tem muita gente, é mais difícil de ser reconhecido. Além do mais, dispersar da banda ajuda a me manter no anonimato quando quero dar uma volta e tomar sorvete sem ser incomodado.

- Vamos sentar ali?- disse Claire apontando para um banco estofado no final do corredor.

Os dois se sentaram lá.

- Então me fala, como anda sua vida, estudos, está namorando?

- Bem, na verdade eu estou grávida!- ela disparou, necessitando muito desabafar com alguém de fora do seu meio.

- O quê?- falou Charlie, quase deixando seu sorvete de baunilha cair ao chão. – Grávida? Isso é sério mesmo?

Ela respirou fundo:

- Charlie, me desculpe estar te contando isso, você não tem nada a ver com o meu problema é que eu precisava desabafar, não sei mais o que fazer. Meu namorado me deixou ,não quer assumir nada e minha barriga logo vai aparecer, os meus pais vão ficar malucos e eu não tenho sequer um homem do meu lado pra me ajudar...- Claire atropelava as próprias palavras enquanto falava, até que Chalie a interrompeu.

- Claire?

- O quê?

- Eu posso te ajudar.

- Como?- ela indagou, curiosa.

- Simples, me leve até a sua casa e diga aos seus pais que eu sou o pai do seu filho.

- Como é que é?

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Ana-Lucia estava um pouco embaraçada em comprar aquele medicamento, nunca havia recorrido a isso antes, mas a atendente, como era de se esperar agiu com naturalidade quando ela solicitou a pílula do dia seguinte no balcão da farmácia.

- A Srta. tem preferência por alguma marca?

- Na verdade não!- disse ela. – Contanto que seja eficaz!

- Eficaz contra o quê, Cortez?

De repente Ana-Lucia começou a sentir como se fizesse parte de um pesadelo real ao escutar a voz familiar de Edward Marshall atrás de si.

- Com licença, Srta. Vou buscar o seu medicamento.- disse a atendente retirando-se do balcão.

Ana-Lucia assentiu e voltou seus olhos para Marshall, dando-lhe um falso sorriso:

- Bom dia pra você também, Marshall!

- Bom dia, Cortez. Então você veio até aqui comprar um remédio eficaz. Eficaz contra o quê? Que mal te aflige essa manhã, parceira?

- Na verdade, quero um remédio eficaz contra a sua bisbilhotice.- Ana-Lucia respondeu irritada.

- Que é isso parceira? Não estou bisbilhotando, fiquei apenas preocupado com a sua saúde quando a vi entrar aqui na farmácia, eu estava indo estacionar o carro no FBI.

- Enxaqueca.- ela respondeu, muito séria.

- Muito sol na "cuca" ontem?- ele debochou, fazendo questão de mencionar o episódio da praia.

- Nada disso, não dormi bem à noite, minha filha pegou uma virose e teve febre a noite inteira.

- Sinto muito!- falou Marshall. – E a pequena, está melhor?

- Sim, ela está melhor. Minha mãe está cuidando dela agora.

- Aqui está senhorita!- disse a atendente, entregando o remédio a Ana-Lucia em um envelope da farmácia. – A senhorita vai pagar em dinheiro ou cartão?

- Débito automático!- ela respondeu tirando um cartão de crédito do bolso do sobretudo preto.

- Pode dirigir-se ao caixa, obrigada e volte sempre!- agradeceu a atendente, muito simpática.

Ana-Lucia sorriu para ela e dirigiu-se ao caixa, Marshall a seguiu.

- E você Marshall, o que veio comprar na farmácia, Prozac?

- O seu senso de humor Cortez, sempre foi admirável, mas acho que ultimamente você tem sido muito agressiva comigo, e eu não entendo o porquê, já que eu acho que está fazendo um ótimo trabalho com o caso do golpista. Ontem, eu fiquei impressionado com a sua postura de mulher apaixonada, me convenceu mesmo! Só me resta saber o que já descobriu além do sabor dos beijos dele, hã?- ele falou, venenoso.

- Se está tão interessado nisso, da próxima vez agarre-o e o beije para saber o gosto.

Ela pegou seu cartão de crédito de volta e o pequeno embrulho com a pílula, colocou ambos no espaçoso bolso do sobretudo.

- È sério mulher, pra que toda essa agressividade? Só estou te dizendo isso porque fiquei preocupado com o que vi ontem, de repente você pode estar levando esse caso para além do profissional...

- Cala a boca Marshall e vamos trabalhar!- Ana-Lucia falou ríspida.

Os dois saíram da farmácia. Uma velhinha histérica gritou no meio da rua:

- Hey, aquele homem roubou a minha bolsa! Peguem-no!

As pessoas pararam para olhar o desespero da velhinha, enquanto Ana-Lucia imediatamente começou a correr atrás do sujeito. Marshall correu atrás dela. Não demorou muito e Ana-Lucia alcançou o sujeito, o homem era muito alto, mas isso não a impediu de jogar seu corpo pequeno sobre o dele e algemá-lo.

- Porra, roubar uma velhinha às dez da manhã?- falou Ana-Lucia, gritando com o sujeito.

O homem deu uma risada e arregalou os olhos inchados e vermelhos para ela.

- Se eu fosse você tomava muito cuidado, porque a tua hora tá chegando, Anita!

Ana-Lucia sentiu-se mal ao ouvir aquelas palavras e deixou o sujeito algemado, largado no chão. As pessoas começaram a se aglomerar ao redor dele. Marshall vendo que ela não se sentia bem, amparou-a com seus braços:

- Está tudo bem, Cortez?

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- Bom dia pra todo mundo, bom dia fogão, bom dia panelas, bom dia batedores de ovo, bom dia liquidificador...

- Hey, Sawyer, você veio direto do bar trabalhar hoje? Não tá falando coisa com coisa, cara!- disse Henrique, rindo muito enquanto temperava vários pedaços de filé em uma tábua de aço.

- Qual é o seu problema? Um cara não pode amanhecer o dia com o pé direito?- falou Sawyer, vestindo o avental branco.

- Você transou não foi?- indagou Henrique. – E pelo jeito a coisa foi boa, por isso está com essa cara de idiota.

Sawyer se aproximou do colega, e disse em tom de segredo:

- Man, eu estou apaixonado, completamente apaixonado.

Henrique deu uma risada: - Então você não transou, "fez amor!" Cuidado com isso cara, quando as mulheres descobrem que estamos desse jeito, elas nos fazem de gato e sapato pra depois jogar fora!

- Pois por mim ela pode me fazer de gato, sapato, qualquer coisa, eu não me importo!- disse Sawyer.

- Então acho que posso mandar fazer meu vestido para o seu casamento.- debochou Letty que havia escutado toda a conversa enquanto limpava o balcão do lado de fora.

- Ih, o tempo fechou!- falou Henrique!

- Bom dia Sawyer, bom dia Henrique, bom dia pia, bom dia desinfetante, bom dia pano de chão...

- Você transou também?- gracejou Henrique. – Pelo jeito a coisa não foi boa!

Sawyer a encarou sério, mas nada disse. Hurley entrou na cozinha.

- Bom dia gente, a Colleen e a Thelma já chegaram, estão limpando o depósito!

- Bom dia Hurley!- responderam os três em uníssono.

- Eu estou indo até a casa lotérica, volto daqui a pouco.

- Ah não, chefe! Vai apostar na loto de novo. Não se cansa?

- Um dia eu vou ganhar Sawyer, o prêmio máximo, e você vai tirar esse sorrisinho cínico da sua cara.

- Por mim tudo bem, contanto que divida o prêmio com a gente.- Sawyer completou, fazendo todos rirem com exceção de Letty.

- Vou indo nessa, então!- falou Hurley. – Ah, mas antes que eu me esqueça, tem uma moça muito simpática querendo falar com você aí fora, Sawyer.

- Uma moça?- os olhos dele brilharam imaginando que poderia ser Ana-Lucia.

Tirou o avental e arrumou rapidamente os cabelos com os dedos, já tinha tirado o curativo da cabeça, o corte não havia sido grave afinal. Letty o seguiu até lá fora e fingiu estar limpando o balcão para ver de quem se tratava.

- Julie?- espantou-se Sawyer ao ver Juliet sentada em uma mesa esperando para falar com ele.

Continua...