Disclaimer: Fairy Tail não me pertence.
Capítulo IX - Provocações
- Mas aonde que eu enfiei essa merda de óculos?-a garota se perguntava, começando a ficar definitivamente irritada. Metade de seus pertences já estavam fora da bolsa de natação, que ela revirava em cada bolso, cada espaço possível.
Juvia Loxar já estava vestida com seu maiô e com a toca. Para entrar na piscina e começar o treino, só faltavam os malditos óculos de natação.
Ela bufou, olhando todas as coisas que já estavam fora da bolsa, verificando pela décima vez se não tinha visto o objeto ali no meio.
- Perdeu alguma coisa, Juvia?
A azulada se assustou com a voz masculina, e se virou para a entrada do vestiário feminino.
Gray estava encostado no parede, a porta fechada atrás de si. Usava o uniforme do colégio, a calça preta e a camisa branca amassada e meio apertada, a gravata provavelmente foi perdida em alguma de suas sessões de strip-tease.
O cabelo preto desengrenhado como sempre, os olhos escuros brilhando de malícia e um sorriso de canto nos lábios finos.
E em uma das mãos, um óculos de natação preto.
- Gray. - Juvia falou, se recuperando do susto de vê-lo ali. Ela sorriu docemente. - Você achou os óculos da Juvia! Juvia agradece muito!
A garota deu alguns passos até estar na frente dele, parando com a mão estendida, um pedido silencioso para que ele devolvesse seus óculos.
O sorriso do moreno aumentou, a malícia mais do que explícita ali.
- Minha vez de brincar, Juvia.
Ela apenas ergueu uma sobrancelha para ele
- Só vou lhe devolver seus óculos se fizer o que eu mandar.
A azulada o encarou, cética. Ele realmente estava querendo brincar com ela?
Bom, melhor assim.
Quem brinca na água pode se afogar.
- E o que Juvia precisa para ter seus óculos de volta? - perguntou, os olhos brilhando com uma malícia parecida com a dele.
- Chegue mais perto.
Juvia deu um passo, ficando com o corpo a uns bons 15 centímetros do dele.
- Assim? - perguntou inocente, olhando nos olhos dele que pareciam estar cravados em seu decote.
- Mais perto. - ele falou baixo, a voz levemente rouca, admirando o corpo dela.
Ela prendeu a respiração, se aproximando mais. Ainda tinha os olhos fixos nos dele, tendo que olhar para cima para encará-lo.
- E agora? - ela respondeu, a voz num sussurro.
Conseguia sentir a respiração fria do moreno tocar seu rosto, e arrepios involuntários de prazer correr por seu corpo.
- Não se mexa. - ele ergueu a mão que não estava segurando o óculos de natação e tocou a testa dela com o indicador. Ele moveu o dedo delicadamente sobre a pele, colocando-o debaixo da touca de natação.
Olhou nos olhos azuis enquanto puxava a touca de cor azul marinho para trás, fazendo com que o cabelo azul caísse em ondas sobre os ombros dela, os cachos parcialmente desfeitos.
Juvia apenas o encarava, não demonstrando como seu coração batia descompassado e como sentia a excitação pelo próximo movimento do moreno correr em suas veias.
Ela poderia muito bem ter dominado a situação e simplesmente arrancado os benditos óculos da mão dele com facilidade.
Mas esse jogo de provocações...
Definitivamente, tudo o que estava fazendo valia a pena apenas por esse jogo.
Gray suspirou, sentindo o perfume levemente floral que a azulada possuía. Não tinha os sentidos mais aguçados, mas tinha certeza que aquele era o cheiro mais delicioso que já havia sentido em toda a sua vida.
Os olhos negros correram pela pele extremamente branca dela, se demorando no pescoço.
Sua boca ficou seca com a vontade súbita de colar os lábios ali e deixar que sua língua seguisse o caminho de sua garganta, sentindo o gosto da pele da garota de perfume floral.
Perfume que por sinal, era muito parecido com lavanda. E nunca esse cheiro lhe pareceu tão provocante.
O moreno umedeceu os lábios com a língua, sem notar que os olhos azuis escuros de Juvia estavam fixos em si e ela automaticamente copiou seu movimento, sem perceber. Como lábios finos desse jeito poderiam parecer tão tentadores?
A azulada sentiu a pele formigar onde os dedos dele roçaram de leve, afastando o cabelo que escondia parcialmente seu pescoço.
Gray se moveu lentamente para a frente, mas sem nenhuma hesitação. Inclinou a cabeça para baixo e depositou um leve e suave beijo no exato ponto que o pescoço se juntava com o ombro da garota.
Olhou no rosto dela, esperando uma reação tão atípica como ela geralmente tinha.
Sorriu malicioso - e satisfeito - ao ver Juvia com os olhos fechados e a respiração mais rápida do que o normal.
Não se conteve mais, enlaçando a cintura dela e acabando com o pouco espaço que havia entre eles; a outra mão se encaixou em sua nuca com um pouco de força, como se a quisesse forçar a ficar com o pescoço exposto.
Como se Juvia tivesse conseguido pensar em mudar de posição.
O jeito forte com que ele a segurava, meio possessivo e meio perdido na luxúria a fez estremecer. Seu coração batia quase desesperado, a pele sensível, todo o corpo na pura expectativa de sentir mais do toque gelado do moreno.
O demônio então beijou seu pescoço com fome, a língua fazendo desenhos aleatórios sobre o mesmo. Ela arquejou e ofegou quando ele tocou sua jugular, sentindo-a pulsar rapidamente contra sua boca.
Sorriu perversamente ao ver como ela estava reagindo.
Tão frágil.
Tão tentadora.
Tão entregue em seus braços.
Continuou a beijando, e desta vez mordiscou a pele alva quando seus lábios chegaram na base de seu pescoço.
Juvia gemeu baixinho com a sensação, completamente arrepiada. O que diabos os lábios frios dele tinham que a deixavam tão mole? Ela tinha certeza de que se o moreno não a estivesse segurando tão apertada contra seu corpo musculoso e frio, ela estaria estabanada no chão.
Gray se afastou alguns centímetros e deixou que apenas sua língua fizesse o caminho desde a base do pescoço até a linha do maxilar da azulada, lambendo a pele que definitivamente tinha gosto de lavanda.
Ele se permitiu suspirar com o desejo que sentia por apenas beijar o pescoço dela. O cheiro, a pele, o corpo, os olhos, tudo em Juvia lhe chamava a atenção.
Ele endireitou o corpo, ainda segurando-a pela cintura e nuca, olhando em seu rosto.
A garota abriu os olhos quando o sentiu se afastar, se perdendo rapidamente dentro das íris negras de Gray.
Ele se encontrava do mesmo jeito, presunçoso e orgulhoso de si mesmo pela quantidade de desejo que via nos olhos azuis.
- Boa garota, Juvia. - ele falou, tirando os braços que estavam em volta dela, oferecendo o óculos de natação que estava em sua mão o tempo todo. Sorria malicioso ao ver como ela respirara fundo várias vezes, a postura corporal completamente diferente da usual Juvia confiante.
Os olhos azuis faiscaram com raiva em sua direção quando ela recuperou o controle de seu corpo e suas reações ridículas.
- Você... - a azulada sibilou, pegando bruscamente seus malditos óculos de volta, fazendo Gray apenas abrir mais o sorriso.
- Falando nisso, essa marca no seu pescoço combinou muito com seu tom de pele. - ele falou, vendo-a azulada tocar o pescoço aonde Gray a mordera, sentindo-o sensível e dolorido. Os olhos dela brilharam ainda mais perigosos e toda a parte fofa da garota havia sumido. Ela o olhava sem nenhum medo, a aura assassina emanado claramente.
Ele riu e simplesmente acenou para ela antes de sair do vestiário feminino, mais do que orgulhoso de conseguir pegá-la de surpresa. Sem falar no quanto isso havia sido agradável em seu ponto de vista.
Juvia parecia se tornar ainda mais maleável em seus braços.
-x-
Levy se contorceu atrás da parede do ginásio, pensando o que ela estava fazendo ali.
Mordia o lábio inferior e sua perna batia nervosamente contra o chão, enquanto ela pensava seriamente se deveria ou não fazer o que tinha em mente.
Olhou o livro antigo de capa vermelha que tinha pegado na biblioteca no dia anterior, aquele sobre o uso do Latim em exorcismos.
Bom, se a azulada seguisse sua rotina normal, estaria sentada na biblioteca lendo o livro calmamente, para depois ir fazer as tarefas e estudar as coisas do colégio.
E ela tentou fazer isso. Realmente tentou.
Mas durante os dez minutos que ficara dentro da biblioteca, na sua mesa usual, sentia os olhos do novo bibliotecário sobre si todos os segundos.
Ela não conseguia esquecer do mundo à sua volta e simplesmente ler.
Apenas a presença de Freed no mesmo lugar que ela a fazia estremecer. Ele a encarando o tempo todo como um cão de guarda então? Não se sentia confortável nem mesmo para respirar.
E quando saiu da biblioteca, andando o mais rápido que podia, apenas parou quando se tocou de onde havia chegado.
Respirou fundo uma, duas, três vezes antes de abrir a porta do ginásio e entrar ali, olhando apenas para o chão. Viu as arquibancadas completamente vazias afinal hoje não era dia de jogo.
Alguns garotos do time de basquete notaram quando a pequena garota de cabelo azul havia entrado, mas não deram muita importância. Ninguém era proibido de entrar ali, afinal de contas.
Levy não parou de andar (e nem de olhar para o chão) até subir ao último degrau da arquibancada, colocando sua mochila ao seu lado e se sentando ali.
Ela sentia o coração bater forte e as bochechas tingidas de vermelho. Não era comum ver garotas ali a não ser em dias de jogo ou se fosse alguma namorada de um dos jogadores.
Balançou a cabeça, apoiando as costas na parede e abrindo o livro sobre o colo.
O barulho dos dez jogadores em quadra, usando duas cores de coletes diferentes, incrivelmente não atrapalhou a apaixonada por livros em sua leitura.
A azulada estava lendo o terceiro capítulo consecutivo quando ouviu o treinador gritar que o treino havia acabo e era o horário do segundo ano jogar.
Ela ergueu os olhos da página do livro, vendo como um garoto extremamente alto e musculoso de cabelos brancos passava a bola para outro jogador e se sentou no banco de reservas, pegando uma garrafa de água e a jogando em sua nuca.
O time do primeiro ano saía da quadra em direção ao vestiário, enquanto o time do segundo ano fazia o caminho contrário.
Os jogadores entraram e se posicionaram dentro da quadra, mas o olhar atento da azulada notou que faltava um jogador do time vermelho.
O treinador olhou em volta, procurando o garoto que faltava, e parecia estar prestes a mandar alguém ir atrás do mesmo quando as portas do vestiário masculino se abriram e Gajeel Redfox saiu de lá, a expressão fechada de sempre. Usava um shorts cinza e uma regata preta, que destacava ainda mais seus ombros e braços musculosos
-Está atrasado, Redfox. -o treinador sibilou, e o moreno apenas revirou os olhos, desinteressado.
Pegou o colete vermelho que sobrara em cima do banco e o colocou, momentos antes de seu olfato apurado captar um perfume bem conhecido.
Os olhos vermelhos se moveram rapidamente pela arquibancada, achando Levy sentada no canto e no topo da mesmo.
Gajeel apenas via os olhos e a testa dela acima do livro que ela tinha nas mãos e mesmo estando longe, sabia que ela estava olhando em sua direção.
O que diabos ela estava fazendo ali?
Ouviu o coração da pequena bater mais rápido conforme as orelhas ficaram vermelhas e ela voltava a se esconder atrás das páginas do livro.
Ele ainda estava atônito quando entrou na quadra, o jogo de basquete começando logo em seguida.
Nem Levy nem Gajeel conseguiam focar suas mentes em suas atividades.
A azulada se pegava constantemente buscando o moreno em meio à quadra e ficava minutos apenas acompanhando seus movimentos com os olhos. Se tocava do que estava fazendo e então voltava os olhos para o livro, as bochechas coradas. Ela deve ter lido a mesma página uma sete vezes antes de perceber que já tinha lido aquilo.
O Demônio então, estava quase pior do que a garota.
Era praticamente impossível para ele tentar ver o que Levy estava fazendo no meio de um jogo de basquete. Ele agradeceu mentalmente o fato de ter sentidos mais aguçados do que os humanos nesses momentos. Era mais fácil notar quando os outros jogadores se moviam próximo a si, e desse jeito ele conseguiu passar algum tempo olhando a garota de longe. Mas ainda assim não evitou que o moreno ganhasse uma bela bolada na cara em um momento do jogo.
Foi uma hora cheia de frustadas tentativas de achar concentração.
-x-
Quando a aula de literatura terminou, Lucy foi se encontrar com Levy na biblioteca, como as duas haviam combinado antes.
Mas assim que saiu do prédio, indo em direção ao outro, ficou meio surpresa com a presença da azulada sentada em um dos bancos, aparentemente lhe esperando.
-Levy-chan?-perguntou, meio preocupada. Tanto a alma da garota como sua expressão demonstrava impaciência e nervosismo. -Você está bem?
A humana se levantou, segurou uma das mãos da loira e começou a puxá-la para fora do colégio, apressada.
-Hai hai Lu-chan, eu só...er...Queria...Ah...Ir logo pra casa. -ela tentou achar uma desculpa, o que só fez a Anja ainda mais preocupada.
-O que aconteceu, Levy-chan? Você está me preocupando.- Lucy falou, buscando nos olhos castanhos dela, que teimava em olhar para todo lado menos para a mesma.
Devido ao fato de Levy andar extremamente rápido, em poucos minutos já se encontravam fora do campus da Fairy Tail. A mesma suspirou, parecendo aliviada.
-Gomen ne. Eu só queria tirar essa sensação estranha de mim.-a azulada sorriu meio sem graça, o coração parcialmente mais calmo.
-Que sensação?-Lucy perguntou, tentando passar tranquilidade para a garota por meio de sua alma.
-Eu...er...Conheci o novo bibliotecário hoje.- as duas começaram a fazer seu caminho para casa, sem prestar muita atenção no movimento da rua.
-E ele te fez algo?
-Não...Quero dizer, eu não sei, me senti tão...-Levy se arrepiou, lembrando do olhar fixo que Freed mantivera sobre si enquanto estava dentro da biblioteca. -Eu não sei Lu-chan. Sempre amei livros, e você sabe como eles são importantes para mim. Desde que meus pais estavam se separando, eles se tornaram meu refúgio, meu porto seguro. Meu pequeno mundinho particular para onde eu sempre poderia fugir e buscar apoio.
Lucy assentiu, segurando a mão da menor delicadamente, definitivamente preocupada com ela.
-E não há lugar melhor para uma pessoa como eu do que a biblioteca, certo? Ainda mais a da Fairy Tail, colégio aonde eu estudei a vida toda...-Os olhos castanhos de Levy estavam voltados para o chão, e os de Lucy, fixos em sua figura. As pessoas na rua passavam ao lado das garotas sem dar muita atenção.
-Mas aquele novo bibliotecário...Eu não sei o que ele tem Lu-chan...Mas ele conseguiu me fez sentir tão...frágil. Tão inútil e...-ela fez uma pausa, murmurando a palavra seguinte- pequena.
Os olhos de Lucy estavam transbordando preocupação.
-Ele completamente acabou com toda a segurança que eu sentia ao estar na biblioteca.
Céus, poderia ser um demônio? Levy tinha uma quantidade considerável de energia positiva em sua alma, não seria afetada por pouca coisa.
A loira parou de andar, colocando as mãos sobre os ombros da outra, a virando para si.
-Levy-chan, olhe pra mim.- a azulada ergueu os olhos, receosa. Lucy lhe encarava com determinação.
-Por favor, não pense nisso. Você não é nada disso. Não preciso lhe conhecer há muito tempo para saber que você é um ser humano incrível. Não se deixe influenciar pela maneira que um idiota desse age. Se ele não consegue ver isso, bom; melhor pra mim, que tenho mais tempo com você.-ela piscou no final, sorrindo e Levy parecia bem mais calma. Tentou passar um pouco de confiança por meio de suas almas, ou qualquer sentimento bom que pudesse ajudar
-Arigatou Lu-chan. -elas se abraçaram, e Lucy abriu mais o sorriso notando como suas almas eram compatíveis, se entrelaçando em volta delas com o contato amigável.
-Que tal a gente ir comer um doce agora?
Levy sorriu.
-Nada mais animador do que um bom brigadeiro. Quer ir comer um lá em casa?
-Er...Brigadeiro é bom?Nunca comi. -Lucy falou, curiosa. Sabia apenas que era um doce feito de leite condensado e chocolate em pó.
-Como assim você nunca comeu brigadeiro? Vou te mostrar uma das sete maravilhas do mundo da comida e você já vai aprender a fazer. Nenhuma garota hoje em dia casa sem saber fazer brigadeiro! E enquanto eu te ensinar como fazer brigadeiro, você me conta porque estava com uma carinha tão estranha quando saiu da aula de literatura.
A loira corou apenas com as palavras 'aula de literatura'. Corou mais ainda ao se lembrar em quem era seu parceiro de trabalho.
A casa de Levy era aconchegante e recatada, assim como a sua presença. A coisa que fez a loira sorrir era a quantidade absurda de livros que haviam ali. Existiam prateleiras com exemplares na sala de estar, de jantar, cozinha, corredor, e se duvidar, até no banheiro. O quarto da azulada possuía uma estante que cobria toda a parede.
Elas deixaram as malas ao lado da cama e desceram para a cozinha, rindo enquanto Lucy aprendia a fazer brigadeiro. Não era tão difícil quanto parecia, pensou consigo mesma. Iria tentar fazer quando estivesse sozinha em casa, decidiu, olhando a travessa pronta do doce que levava novamente para o quarto da azulada.
-Natsu fez o que?-Levy perguntou, meio confusa, a colher cheia de brigadeiro de panela a meio caminho da boca.
-Ele me chamou...- Lucy respondeu, os olhos baixos. -Ele me chamou pelo meu nome.
A azulada franziu as sobrancelhas.
-Mas isso não é normal? Temos nomes para que nos chamem.
A Anja suspirou, inquieta.
-Ele nunca havia me chamado de outra coisa a não ser 'loirinha'. Nem mesmo Heartfilia, nada.
Levy ficou em silêncio alguns minutos, apenas observando o modo como a amiga parecia estar no mundo da Lua.
O sorriso dele, os olhos verdes, o cabelo bagunçado, a altura elevada, a presença forte. E a voz naturalmente mais grossa e máscula.
-Então até amanhã, Lucy.
Natsu apenas falara isso e saíra da sala, ignorando os olhares de todos que ainda estavam ali dentro, sem saber que um par de olhos castanhos também acompanhavam seus movimentos.
Suas pernas estavam bambas, a mente em branco e arrepios prazerosos nasciam em sua coluna e depois se espalhavam por seu corpo, em ondas arrebatadoras e intensas. Suas mãos formigavam de vontade de tocar algo e ela sinceramente estava achando que esse algo era Natsu. A marca sob seu peito, uma espécie de selo que guardava sua auréola parecia estar queimando e pulsava, algo que ela nunca havia sentido na vida.
Um calor estranho residia em seu ventre, a fazendo ficar ainda mais confusa sobre o modo com seu corpo estava.
A Anja inspirou fundo, sentindo o coração bater extremamente rápido. Quase tão rápido quando Natsu a prendera contra a árvore no bosque.
Porque estava tendo essas reações?
Apenas porque ele falara seu nome?
Os joelhos não aguentaram e o corpo da loira cambaleou, que por sorte ainda estava próxima o suficiente de uma cadeira para conseguir se sentar ali.
Olhou para as mãos trêmulas, sem as enxergar direito.
Apenas os olhos verdes e o sorriso brincalhão estavam em sua mente. E a voz, falando o seu nome.
-Lucy-san?
Ela se assustou e olhou para a direita, vendo alguns de seus colegas de classe a encarando preocupados.
-Você está bem? Dragneel fez alguma coisa com você? Nós sentimos muito sobre você ter ficado no grupo dele, foi realmente azar. Odeio saber que ele não vai sair dessa escola tão cedo.- as vozes se misturavam e Lucy mal prestava no que elas significavam.
-N-não, e-eu estou bem. D-dragneel-san não fez nada, não se preocupem.-ela sorriu levemente para os outros alunos, conseguindo esconder parcialmente a fraqueza que sentia.
-Dragneel-san?-perguntou um dos alunos, falando o sobrenome do Demônio com nojo. -Tem coragem de mostrar algum respeito por aquilo?
Ela já sabia que a escola praticamente odiava o rosado.
Mas então, porque seu coração doía quando falavam algo assim dele? Loki e Jellal pareciam ter aversão mais do que completa ao garoto e ela se perguntava se os olhos verdes era algo que poucas pessoas viam. Sem falar do sorriso brincalhão.
Porque ele não mostrava isso para os outros?
Porque apenas ela via Natsu desse jeito?
Levaram mais alguns minutos pra que a mente de Lucy voltasse ao presente, achando Levy sorrindo cúmplice para si, os olhos mostrando um pouco de compaixão.
-E você já o chamou de Natsu, Lu-chan?
As bochechas da loira coraram absurdamente.
-N-n-nã-não...Só se chama as pessoas por seu nome quando se tem intimidade com elas.- ela repetiu o que havia lido em um livro. -N-não posso simplesmente chamá-lo d-de...-ela fez uma pausa, não conseguindo dizer o nome dele- chamá-lo por seu primeiro nome, Levy-chan.
A azulada gargalhou.
-Você me chamou de Levy-chan assim que nos conheçemos. Acho que é por um outro motivo que você não o chama de Nat-su.- a pequena falou o nome do garoto pausadamente, se divertindo mais ainda com o modo que ela corava fortemente e gaguejava desculpas.
Mesmo que fosse pelo Dragneel, Levy gostava de ver como os olhos castanhos de Lucy brilhavam.
-x-
-Vamos então?-Lucy perguntou quase tímida, sentindo os olhos da maioria dos estudantes da Fairy Tail em cima de si e do garoto alto que estava ao seu lado. Ela passou a mão na testa, limpando o suor que havia ali. Definitivamente hoje era o dia mais quente que ela já havia visto aqui na Terra.
-Mostre o caminho, garota.- Natsu sorriu de canto para a mesma, em tom meio debochado meio brincalhão.
-B-bom, você sabe o caminho na verdade. -ela murmurou, mas começou a andar rapidamente, querendo sair da frente do colégio o mais rápido possível. Tanta gente a olhando lhe deixava nervosa, mesmo que Natsu tivesse os ombros relaxados ao seu lado. E ainda tinha o calor para atrapalhar.
-Dependendo de qual o número da sua casa, teríamos que ir para o lado contrário sabe.-ele falou, olhando ora pra calçada à sua frente ora para a loira.
-S-souka.-Lucy acenou, sentindo o coração batendo descompassado e as mãos suando mais do que nunca.
Graças à audição privilegiada, o Dragão ao seu lado notou seu nervosismo e se perguntou internamente o porquê daquilo. Ela não havia falado que se sentia bem ao seu lado? O que diabos era aquele medo então?
Ele bufou, momentaneamente irritado com seus pensamentos. Aquela pequena frase que ela soltara na primeira aula de literatura havia se gravado em sua mente. Parecia um elástico, que quanto mais ele se esforçava para manter as mesmas longe, mais rápido elas voltavam em seus pensamentos.
Sempre seguidas da maneira doce que ela sorrira aquele dia.
Bom, talvez fosse apenas efeito do calor.
A loira constantemente limpada o rosto e passava a mão na nuca, e ele conseguia sentir o cheiro do suor dela. Natsu quis se socar quando pensou consigo mesmo que até o suor dela combinava com o perfume doce que a loira emanava.
O Demônio e a Anja estavam tão distraídos que mal notaram como o trajeto já havia se completado.
Natsu seguiu a loira com os olhos quando ela subitamente virou à esquerda, entrando na calçada de uma casa, em movimentos quase automáticos. Ah, então era aqui que ela morava? Definitivamente mais perto do que ele imaginava.
-Número 13 então?-perguntou em voz alta, a vendo se assustar com sua voz.
O rosado ergueu uma sobrancelha quando ela se virou para ele, a mão sobre o lado esquerdo do peito, a respiração pesada.
-Céus, não me assuste assim!-falou, a chave tremendo levemente na mão que não estava sobre o peito.
-A culpa não é minha se você é distraída, garota.-ele falou e se aproximou, ficando mais próximo do corpo dela do que estava durante a caminhada. Os olhos fixos nela como se fosse um predador encarando sua presa.
Lucy prendeu a respiração e deu dois passinhos para trás, ficando entre a porta de madeira clara e a presença forte do garoto.
Ele não ia resistir ao fazer isso, mas não ia mesmo.
Abriu um pequeno sorriso ao ouvir o coração da loira bater mais rápido e se inclinou em sua direção, os olhos presos nos dela.
-Então...Posso entrar, Lucy?-frisou a última palavra, o nome dela. Ele evitara falar o mesmo, talvez porque sabia inconscientemente que sua língua parecia ter sido feita para isso. Custava não chamá-la assim cada vez que tinha a oportunidade, o desejo de ver novamente aquela expressão de alegria que ela demonstrara a primeira vez que ele falara seu nome.
A loira respirou fundo, se virando rapidamente, ficando de costas para ele, com a intenção de destrancar a porta.
Intenção apenas, porque suas mãos tremiam tanto que não havia maneira alguma da chave entrar na fechadura daquele jeito.
O chaveiro e as outras chavem tiniam quando batiam entre si, e a Anja tentava pensar em alguma coisa que pudesse a acalmar rapidamente e sair do que poderia ser uma situação completamente constrangedora.
-Parece que você é sensível ao calor. -ouviu a voz rouca do garoto atrás de si, mais próximo do seu ouvido do que era o indicado para ambos. -Você tem pressão baixa certo?
Mas Natsu não conseguiria parar, mesmo que sua vida dependesse disso.
Lucy tinha todos os sintomas de quem estava morrendo de medo, mas o Demônio começou a duvidar quando notou as bochechas coradas dela quando se aproximou mais do que o normal. Não, ele realmente não ia resistir de provocá-la assim. Queria ver cada mínima reação que a loira teria.
Ele moveu lentamente o braço direito sobre o dela, deixando os dedos correrem de leve do cotovelo até seu pulso, a mão grande envolvendo a sua delicadamente, a fazendo parar de tremer.
O simples contato fez o coração dela bater ainda mais rápido e seus joelhos pareciam ter virado geleia. Lucy tinha suas dúvidas se conseguiria me manter em pé quando sentiu o outro mão dele tocar o lado esquerdo do corpo, antes envolver o braço todo em sua cintura, puxando-a contra o peito largo.
Mesmo que Natsu tivesse ideia do que estava fazendo, não havia como não se surpreender como ela era dócil à seus toques, não demonstrando nenhuma resistência. Quando tentara se aproximar no bosque, Lucy tentara fugir de suas mãos, mas dessa vez era diferente.
O corpo do rosado se aqueceu com o contato, e ele se controlou para não fazer mais do que apenas abraçá-la por trás. Conseguia sentir o Demônio e o Dragão gritando coisas diferentes dentro de si e se sentiu aliviado ao conseguir ignorá-los.
Sentia a extensão de suas costas, o toque deixando de existir na base da coluna dela, a curva sutil que existia ali parecia acentuar mais ainda o formato arrendondado do quadril de Lucy.
Tentou se concentrar mover a mão direta, que estava sobre a pequena e delicada dela, colocando a chave sem problemas dentro da fechadura, o tremor dela não vencendo a força suave que ele exercia sobre sua pele.
Ele expirou com um pouco mais de força, concentrado em não agarrá-la ali mesmo; fazendo a loira sentir o ar quente em contato com o seu pescoço e ouvido, a fazendo se arrepiar e contorcer nos braços dele imediatamente.
Não havia como Natsu não notar como o corpo todo dela tremeu e pareceu se arquear em sua direção, a cabeça se inclinando para trás, descasando sobre o peito musculoso dele, os olhos fechados e as bochechas vermelhas.
Apenas esse mero movimento dela precisou de todo seu auto controle para não esquecer tudo e seguir seus instintos. Ele travou a mandíbula, tentando se convencer de que segurá-la fortemente contra sue corpo era suficiente.
Era calor demais, proximidade demais para que a Anja pudesse aguentar.
Sentia o a presença esmagadora dele sobre si, quase derretendo dentro do abraço forte e gentil que o rosado lhe dava. Quase conseguia sentir o coração dele batendo contra suas costas, num ritmo tão apressado quanto o próprio.
Sua nuca estava molhada de suor, assim como toda a extensão de suas costas, em contato com o corpo quente dele.
Suas almas estavam em volta de si, calmas da mesma maneira como no bosque, o contato físico parecendo anular a repulsão natural de ambas.
Ouviu o click da fechadura se abrindo e Natsu moveu suas mãos juntas até a maçaneta, girando a mesma e abrindo a porta.
Não podia ver, mas sabia que ele sorria quando sussurrou, os lábios a milímetros do seu ouvido.
-Você é realmente sensível ao calor, Lucy.
Soltou a cintura dela, afastando seus corpos. Ele a empurrou delicadamente para a frente, que incrivelmente sentiu falta do calor do corpo dele contra o seu.
A Anja respirou fundo, tentando controlar o turbilhão de coisas que sentia dentro de si.
-S-sinta-se em casa.-falou suavemente, entrando na casa e dando espaço para que ele fizesse o mesmo.
Os olhos se encontraram pela primeira vez desde que estavam na escola.
-Não fale assim. Posso me acostumar a vir aqui e nunca mais sair.- Natsu sorriu, meio brincando meio sério. Lucy sorriu de volta, se sentindo estranhamente satisfeita quando o garoto alto de cabelos rosas e olhos verdes entrou em sua casa.
