Capítulo 10

Rony saiu do elevador depois de sua última reunião da tarde. Com a nova promoção, seus dias estavam cronometricamente contados, a partir do momento em que ele entrava na sua sala, até o último minuto do dia.

Felizmente, faltava apenas meia hora para que ele pudesse ir embora.

Ele parou na mesa de sua secretária.

— Alguma mensagem, Marilyn? — Ela balançou a cabeça. — Não, mas há uma pessoa chamada Sra. Harrison esperando pelo senhor em seu escritório.

O pau de Rony se contraiu com a menção de Hermione. A última vez que ela esteve em seu escritório, eles tinha feito uma rapidinha inesquecível.

Ele estava esperançoso que ela tivesse voltado para uma nova tentativa.

Ele lambeu seus lábios com antecipação e abriu a porta do seu escritório. Qualquer esperança que ele tinha foram frustradas no momento em que viu Hermione esparramada no sofá, chorando histericamente.

Sua garganta se fechou em horror, e ele lutou para respirar. Ele estava acostumado a cenas como estas, quando estava crescendo. Com quatro irmãs, ele já tinha visto e ouvido quase tudo. Mas, geralmente, sempre que uma tempestade infernal de estrogênio aparecia no horizonte, ele e seu pai fugiam que nem o diabo da cruz, indo ao estádio ou pizzaria.

Não importa o quão bem sucedido nos negócios que ele fosse, havia uma coisa que ele não podia lidar: fêmeas emocionais.

Hermione olhou para cima ao vê-lo em pé na porta. Seus olhos se encontraram, e ela voltou a chorar novamente.

— Ah, merda. — ele murmurou, passando a dedos pelo cabelo. Ele hesitou antes de caminhar lentamente até o sofá. Enquanto ele olhava para ela, seus pés balançavam para trás e para frente. Finalmente, ele pegou um de seus lenços com monograma do bolso do terno e entregou a ela.

— Emma, o que há de errado?

— Eu estou menstruada! — Ele fez uma careta.

— Hum, eu sinto muito. Eu tenho Advil na minha mesa, se você esta com cólicas ou algo assim.

Ela assuou o nariz e olhou para ele.

— Você não entendeu? Eu estou menstruada, então eu não estou grávida.

— Ah... — ele murmurou, finalmente, compreendendo o motivo do seu desespero.

— E eu sei que ficar grávida pela primeira vez seria uma sorte danada, mas não posso deixar de pensar, e se eu não puder engravidar? Quero dizer, claro que meu ginecologista diz que eu sou saudável e capaz, mas e se tiver algo de errado comigo?

Rony abriu a boca, mas Hermione manteve sua argumentação, sua voz levantando uma oitava.

— Ou se eu tiver este enorme bloqueio mental, que pode me atingir fisicamente e eu não conseguir engravidar? E se eu perdi todos meus anos férteis e agora eu estou ficando estéril e serei assim para o resto da minha vida? Ela começou a chorar novamente, o peito arfante com seus soluços fortes atormentados.

Rony estava enraizado no chão, em silêncio, debatendo sobre se deveria girar sobre os calcanhares e correr para a porta.

O que diabos ele poderia fazer com ela assim? Relutantemente, ele caiu ao lado dela no sofá. Sem ele mesmo oferecer, Hermione se jogou para ele. Suas bochechas encharcadas de lágrimas, pressionadas contra seu pescoço, enquanto seu corpo tremia contra ele. Ele, momentaneamente, congelou, e ela poderia muito bem estar sendo confortado por uma estátua de mármore. Ele limpou a garganta e tentou se orientar.

— Shh, está tudo bem. Não chore. — disse ele, a acariciando de volta. Esse parecia ser o incentivo que Hermione precisava, porque ela então apertou os braços em torno de seu pescoço. Desde que ele não sabia o que diabos mais podia fazer, ele a deixou chorar.

Uma eternidade pareceu passar antes que ela se afastasse.

Sua respiração estava ofegante e seu corpo ainda estava tremulo.

— Você está bem agora? — ele perguntou hesitante.

Uma expressão mortificada brilhou em seu rosto.

— Oh Deus, eu sinto muito, realmente me perdoe! Eu não posso acreditar que eu vim aqui para ficar histérica na sua frente!

— Está tudo bem.

— Não, não esta. Merda! Quando eu vi ... Quando eu descobri que não estava grávida, tudo o que eu conseguia pensar era em ficar com você. Eu passei direto pela sala da Angelina.

Ela estremeceu.

— Deus, eu estou tão envergonhada que você tenha me visto agindo como uma psicopata! — ela gemeu, enterrando a cabeça em suas mãos.

Tentando aliviar o clima, Rony disse:

— Você sabe, você meio que esta me deixando confuso aqui.

Hermione levantou a cabeça.

— O que?

— Eu acho que no fundo você está mais preocupada com a perspectiva de ter que fazer sexo comigo de novo.

Ela riu.

— Não, isso não tem nada a ver. Cutucando ele e brincando, ela perguntou:

— Não me diga que você está realmente se subestimando no departamento de sexo?

Ele sorriu.

— Um pouco.

— Eu não acredito nisto. — Ela se inclinou e beijou sua bochecha.

— Não, Rony, o sexo com você foi a maior surpresa de todas nesta loucura que foi este nosso acordo.

— Uma surpresa? Isto com certeza não foi a melhor forma de tentar afagar meu ego masculino, ou foi?

— Pare de buscar elogios, Sr. Weasley. — Hermione segurou seu rosto com as mãos, arrastando o dedo ao longo da barba em seu rosto.

— Além disso, eu imaginei que havia feito um bom trabalho em acariciar seu ego na última vez que ficamos juntos.

Quando seus olhos se arregalaram, ela riu.

— E em sete a dez dias quando estiver fértil de novo, estou ansiosa para me encontrar novamente na cama de um tal deus do sexo, se você estiver disposto.

— Oh, eu estarei disposto. Ele levou uma de suas mãos e beijou seus dedos.

— - Eu poderia estar disposto agora. Ela balançou a cabeça.

— Sete a dez dias!

Ele gemeu.

— Você gosta de me torturar, não é? É uma pena, bem, eu prometo que também vou fazer isso com você.

Hermione deu um beijo em seus lábios.

— Eu realmente quero agradecer você, embora minha crise histérica hoje... Não foi só por não estar grávida.

— Não foi?, Ele perguntou, com cautela.

Em uma respiração irregular, ela disse:

— Hoje é o aniversário de dois anos do falecimento da minha mãe. Estes dias são sempre difíceis, mas depois de descobrir que eu não estava grávida ... Foi uma espécie de golpe duplo.

Ele apertou a mão dela.

- Eu sinto muito. Perdi a minha mãe há cinco anos. Seu aniversário, Dia das Mães, o dia em que ela morreu, são dias infernais para mim.

Hermione olhou com admiração para ele, e Rony também estava surpreso com ele mesmo.

Ele nunca tinha imaginado partilhar algo tão pessoal, mas havia algo em Hermione que lhe dava vontade de se abrir e compartilhar coisas com ela, coisas que ele normalmente não se atreveria a contar para ninguém.

— Você era muito próximo dela? — ela perguntou em voz baixa.

Rony se mexeu desconfortavelmente, quando um carretel de memórias amorosas passaram como um filme em sua mente.

— Sim, eu era. Bem, eu ainda sou bem próximo do meu pai. Mas minha mãe...

Um pequeno sorriso curvou em seus lábios.

— Ela tinha 38 anos, quando eu nasci. Eu era o tão esperado filho para perpetuar o sobrenome da família , e ainda fui um bebê temporão.

— Eu aposto que ela mimou muito você. — Hermione refletiu.

— Realmente e minhas quatro irmãs me mimavam muito também.

Ele balançou a cabeça.

— Jesus, eu não sei como não me tornei gay, crescendo no meio de tanto estrogênio.

Hermione riu.

— Não, em vez disto virou um mulherengo libertino.

— Ei, não fale assim. - ele respondeu, cutucando o joelho dela com o seu.

— Que tal um mulherengo com um coração de ouro?

— É um pouco melhor.

Ela sorriu.

— Obrigada por me dar seu ombro para chorar.

— Estou feliz que pode ajudar.

Eles ficaram imóveis por alguns segundos, se encarando.

Finalmente, Hermione limpou a garganta e se levantou.

— Eu acho que é melhor eu ir para casa, relaxar minha cabeça.

Quando ela começou a passar por ele, Rony agarrou seu braço.

— Por que não vai para casa comigo esta noite? Por um momento, ele achou que outra pessoa estava falando. Sua voz soava estranha, para não mencionar que sua sugestão era uma coisa completamente estranha para ele. Ele raramente convidava mulheres para sua casa, era sempre na casa delas ou em um quarto de hotel.

Somente parceiros sexuais de longa data cruzavam esta barreira. Mas Hermione o estava transformando em um completo tolo emocional, fazendo com que ele quebrasse todas as suas regras. Primeiro, ele ficou a noite inteira com ela, e agora ele estava pedindo a ela para ir para sua casa. Se ele ficou surpreso, Hermione estava em completo estado de choque.

— O ...O quê?

— Você sabe, para você não ter que ficar sozinha com tudo o que te aconteceu hoje.

— Você tem certeza?

Ele acenou com a cabeça.

— Eu poderia fazer alguns bifes na grelha, ou uma massa com lagostins ou camarão para nosso jantar.

— Você cozinha? — Ela perguntou, incrédula.

— Sim, espertinha, eu cozinho.

— Estou impressionada. Eu não tinha ideia de que você era uma ameaça tripla. Eu quero dizer, habilidades culinárias, mestre do universo no trabalho, e claro que não podemos esquecer seu talento impressionante no quarto.

Ele riu.

— Estou cheio de surpresas, baby.

Ela mordiscou o lábio inferior, e Rony tinha certeza que ela estava travando uma batalha consigo mesma sobre se deveria aceitar sua oferta.

— Tem certeza que você não se importaria?

— Eu tenho certeza. Nós podemos apenas dar um tempo e relaxar.

— Isso soa perfeito.

— Encontro você lá fora em 10 minutos?

Hermione assentiu.

— Quer me dar as instruções de como chegar na sua casa ou eu te sigo?

— Eu posso levá-la e trazê-la de volta para pegar seu carro mais tarde.

— Ah, não, isso é muito trabalho.

— Mione, tudo bem. Por que você não me encontra lá embaixo em 15 minutos?

— Ok, perfeito.


Mais um capítulo pois semana que vem eu vou para a Bienal e acho que não terei tempo de postar.

Estamos chegando no final da primeira parte da fic, chegando na segunda as coisas ficarão mais fofas.

Até a próxima!