Capítulo X –Encontros e despedidas
Duas semanas se passaram. Duas semanas sem qualquer surpresa com relação a Asgard. Nada de cartas ameaçadoras nem nada do gênero. De acordo com Sorento, Shido mostrava-se tranqüilo e inabalável como nunca antes, exceto uma vez em que adentrara a Marina's de forma brusca, lívido de fúria. Lançara brevemente um olhar de puro ódio ao austríaco e guardara algo, que parecia ser um cd, entre suas coisas. Mime estava preocupado, mais do que nunca. Essa quietude toda servia apenas para desestabilizá-lo. Conhecia essa tática. Era uma das favoritas da Estrela Zeta. A vítima acredita que o perigo passou, se descuida e é abatida brutalmente. Mas não seria assim com ele, não se descuidaria a tal ponto.
Saíra mais cedo da Aurore's naquela sexta. Parece que seu chefe, Kamus, tinha um compromisso inadiável ou algo do tipo. Caminhava ligeiro pelas ruas banhadas pela lua, que ascendia aos céus preguiçosamente. Mal reparara nas pessoas que passavam ao seu lado. Decidiu cortar caminho por uma das ruelas fracamente iluminadas e ouviu alguém o chamar. Virou-se e a visão que teve o aterrorizou. Não, não podia, simplesmente não podia ser ele.
–Olá Estrelinha, ou será que deveria dizer Mime... –disse o homem com os olhos rubros faiscando, encostado displicente no batente de uma das abandonadas casinhas do lugar.
Deu alguns passos para trás, trêmulo. O tempo parecia tê-lo deixado mais amedrontador. O olhar que ele lhe lançava era em misto de lascívia com um profundo ódio. Viu-o sorrir ligeiramente.
–Não precisa fugir Mime, não lhe farei mal algum, muito menos o arrastarei daqui direto a Asgard –comentou tranqüilamente –Você sabe que esse não é meu estilo de agir.
–S-Shido...o que faz aqui? –perguntou amenizando o máximo que pôde o tom de medo em sua voz.
–Que surpresa ouvi-lo proferir meu nome –disse em tom aprovador –Não faz idéia do que faço aqui? Vim te ver, obviamente. Espero que tenha recebido minhas cartas e que as tenha lido com a devida atenção –deu um passo para frente –E que tenha decidido entregar-se de livre e espontânea vontade.
–Não voltarei a Asgard, Shido. Nem vivo, nem morto –respondeu em tom firme, encarando-o.
–Você realmente mudou –sorriu –Em outros tempos nunca ousaria responder, muito menos encarar, um superior –virou um tapa na face esquerda de Mime, fazendo-o se desequilibrar e cair –Quem sabe com isso lembre-se que me deve o mínimo de respeito –sorriu, sádico, erguendo o norueguês e encostando-o na parede úmida. Aproximou-se de seu ouvido –É uma pena, Estrelinha, pois teremos de agir do modo difícil então... –a Estrela Eta tentou se soltar, mas sua força nada valia se comparada a de Shido, que prosseguiu de onde parara –Fiquei sabendo que você está me traindo, Estrelinha. Que está junto daquele vendedorzinho medíocre.
–Ele não é medíocre e o que faço de minha vida não diz respeito a mais ninguém. Não pertenço mais a Asgard –retrucou em ar perigosamente tranqüilo, a face ardendo devido ao tapa.
–Como anda corajosa minha Estrelinha –murmurou, sarcástico –Pois se que fazer do modo difícil, faça-o. Fuja novamente, fuja com Sorento e ele terá o mesmo destino que Folker, ou mesmo que seus pais... –sorriu, triunfante ao ver que conseguira desestabilizá-lo –Mas se você vier comigo, amanhã bem cedo neste mesmo local, seu querido vendedor será poupado... Você é que escolhe, meu amor, minha Estrelinha –aproximou o rosto, tomando-lhe os lábios com avidez, apertando-o contra si.
Mime sentiu a cabeça zunir, aqueles lábios gélidos a tocarem os seus bruscamente, o desespero arrebatando-lhe toda e qualquer reação, como se estivessem novamente nos úmidos corredores de Valhalla, e ele fosse novamente cativo da Estrela Zeta. Asco. Sentia asco. Puro asco. Assim que Shido o soltou, pôs-se a correr automaticamente, lágrimas começando a querer rolar por seu rosto.
–Amanhã, Estrelinha. Ou já sabe... –ouviu aquela voz cruel proferir tais palavras em ar divertido.
Era um blefe. Tinha de ser. Seria burrice dar ouvidos a ele. Tanto Sorento quanto ele estavam em situações parecidas. Asgard não os pouparia. Shido não os pouparia. Seria só virar as costas e ele mandaria que matassem o austríaco. Não, não iria com ele, pensava enquanto afastava-se o mais rápido que conseguia de onde a Estrela Zeta o encontrara. Mas precisava mais do que nunca de um jeito para sair daquela situação, mas o que faria? Que arma possuía contra Asgard? A resposta lhe ocorreu quando chegou à porta do prédio, tão óbvia que nem imaginara como nunca pensara nela antes. Porém, para consegui-la teria de arriscar-se. Arriscar-se e viajar para o lugar que menos gostava no mundo. Suspirou, pouco depois de entrar no elevador.
OooOooO
Caminhava a passos leves pelas imundas ruelinhas, um meio sorriso em sua face. Levou a mão aos cabelos esverdeados, arrepiando-os ainda mais. Em seus lábios o doce sabor de sua amada Estrelinha. Como mudara... Poucos perceberiam as mudanças, pois elas não eram físicas, ao menos não a maioria delas. Estava sim ligeiramente mais alto, os cabelos um pouco mais longos, mas seu rosto continuava sendo como o de um menino, seu corpo, apesar de bem torneado, continuava com a mesma delicadeza de sempre. Seu rosto e lábios possuíam a mesma maciez e o mesmo sabor. Internamente, por outro lado, estava mais seguro, mais forte, a melancolia em seu olhar ainda presente, mas em dose menor.
Fechou brevemente os olhos, numa tentativa de jamais esquecer aquela voz aveludada, etérea, apesar de forte. Aquela nova versão de sua Estrela Eta o agradou profundamente, mas a forma desrespeitosa com a qual fora tratado e aquele olhar seco que ele lhe lançara o irritaram. Ninguém jamais ousou fazer algo do tipo consigo. Sempre fora tratado com toda educação e respeito que alguém de sua posição merecia. E apesar de amá-lo, não permitiria tal afronta.
–Pelo jeito está feliz, Estrela Zeta –ouviu uma voz próxima de si dirigir-lhe a palavra. Uma voz familiar e que achava profundamente irritante.
Virou-se, deparando-se com Alberich, a Estrela Delta. Inteiramente vestido de negro, um chapéu de mesma cor cobrindo os cabelos rosados, os olhos verdes a fitá-lo por de baixo do chapéu. Tinha o corpo encostado numa mureta, os braços cruzados na frente do corpo, luvas negras cobriam-lhe as mãos.
–Ah, é somente o "cérebro mais brilhante de Asgard" –fez um gesto de pouco caso –Mas nem você tirará meu bom-humor, Estrela Delta. Nem você.
–Eu vi o que aconteceu –comentou Alberich dando de ombros, aquele bendito chapéu encobrindo-lhe a face, não sendo distinguível sua expressão.
–Se viu sabe o motivo do meu bom-humor –respondeu Shido friamente, virando-se para prosseguir com a caminhada.
–Tem absoluta certeza de que ele acreditará no que disse, Estrela Zeta? –perguntou astutamente, fazendo-o parar.
–Tenho. Amanhã ele virá comigo para Asgard por vontade própria –respondeu, começando a se afastar.
–Veremos se é mesmo verdade –retrucou Alberich "Se for acharei que a Estrela Eta é menos astuta do que imaginei" –pensou maldosamente, tomando a direção oposta a que Shido tomara.
OooOooO
Entrou no apartamento decidido, embora ainda abalado. Aproveitou que Sorento tocava em seu quarto, foi à cozinha comer alguma coisa, passou rapidamente em seu quarto para pegar o roupão e entrou no banheiro. Ligou o chuveiro, despiu-se e esfregou-se com força, querendo tirar cada lembrança e cada toque de Shido. Escovou os dentes como se assim fosse apagar para sempre o sabor amargo daquele beijo sem qualquer sentimento. Secou-se bem, enrolou-se no roupão e tornou ao quarto. Sorento ainda tocava. Vestiu uma camiseta e shorts largos, penteou com brevidade os cabelos e saiu, indo até a porta do quarto do austríaco.
A gostosa melodia ecoava em seus ouvidos conforme se aproximava. Uma melodia alegre, uma melodia que não esqueceria jamais. Suspirou. Planejara aquilo há tanto tempo e justo quando estava decidido a deixar seus receios de lado e se entregar acontecia uma coisa daquelas. Sabia que queria, muito, e que Sorento também queria. Então por que não? As carícias que ambos trocavam só não se aprofundavam mais por conta de seu medo, sua insegurança. Já haviam quase tentado uma vez, mas fora seu receio que os fizeram parar. E o austríaco, tão doce e compreensivo, disse-lhe que tudo bem, que esperaria quando ele estivesse pronto. Mas ele mesmo não agüentava esperar-se mais. Convencido a esquecer tudo que Shido lhe falara ou fizera, bateu na porta.
Ouviu o austríaco parar de tocar, guardar cuidadosamente sua flauta e girar a maçaneta. Esses poucos minutos de espera pareceram durar horas.
–Não o ouvi chegar –disse ele, aquele sorriso gentil no belo rosto, aproximando-se para dar-lhe um breve selinho –Estava tocando. Já jantou?
–Uhm hum –afirmou –E você? –perguntou reparando que ele também se vestira com camiseta e shorts. Adorou ver as alvas coxas do austríaco parcialmente à mostra, uma visão rara, mas que valia muito à pena.
–Já. Entre –cedeu espaço para que o norueguês entrasse.
Mime adorava entrar no quarto de Sorento. Tudo ali era arrumado com uma ordem e um esmero que nem mesmo ele, que sempre se considerou chato com seus pertences, era capaz. Os livros organizados por ordem de tamanho, os papéis na escrivaninha perfeitamente alinhados, cada móvel sem um grãozinho de poeira sequer. Mas o que mais gostava ali era da cama do austríaco, pois ali era onde sua presença era mais marcante. Era só sentar-se ali para sentir o cheiro delicioso do xampu que Sorento usava. Ele combinava perfeitamente com aquele odor cítrico. Sentou-se na cama macia e sorriu quando Sorento sentou-se a seu lado.
–Como foi seu dia? –perguntou o austríaco em tom carinhoso.
–Exaustivo –disse, um tanto evasivo –E o seu?
–O mesmo de sempre, tanto no Galaxian quanto na Marina's –respondeu, passando a mão pelo rosto do norueguês –Você está com um leve vergão na bochecha...o que aconteceu? –perguntou, preocupado.
–Nada de mais –respondeu –Apenas me distraí e acabei me machucando no banho. Só isso –abraçou-se a Sorento, sentindo-se aninhado naquele corpo quente. Ergueu o rosto e colou seus lábios aos dele, num beijo tranqüilo e cálido.
Sim, aquele era o sabor que queria sentir, o sentimento quente e profundo que o invadia deliciosamente. Suas mãos começaram a percorrer as costas enquanto sua boca descia para o pescoço do austríaco, que suspirou. O norueguês sorriu, pouco antes de tornar a beijar aquela boca doce, tão sedenta quanto à dele.
O coração de Mime parecia querer explodir ao sentir os longos e delgados dedos de Sorento engancharem-se à barra de sua camiseta. O austríaco o fez deitar-se com delicadeza na cama e pôs-se por cima dele. Num puxão o norueguês viu-se apenas de shorts, sob o olhar cobiçoso do austríaco.
–Sorento...ahh –gemeu ao sentir os lábios úmidos fecharem-se sobre um de seus róseos mamilos –não acha que estamos indo...ahh...rápido demais..? –perguntou, culpando-se severamente por aquela insegurança toda.
Sorento ergueu a cabeça, olhando-o fixamente, parecendo considerar a pergunta –Se você não quiser...é só me dizer. Não farei nada sem o seu consentimento –sorriu de forma carinhosa, encostando a cabeça em seu ombro.
As palavras e o sorriso gentil do austríaco serviram para apagar qualquer dúvida ou receio em seu coração. Fê-lo erguer a cabeça e fitou longamente os brilhantes orbes rosados.
–É o que mais quero –respondeu enquanto tirava a camiseta do outro, revelando-lhe o pálido tórax. Juntou seus lábios aos dele num beijo repleto de desejo e ternura. Seus corpos e almas querendo fundir-se a todo custo.
Era Mime dessa vez que distribuía lânguidas carícias pelo tórax desnudo de Sorento. O austríaco ergueu um pouco o corpo e pôde vislumbrar parte da tatuagem da constelação da Ursa Maior nas costas do norueguês. Deixou as pontas de seus dedos roçarem brevemente o local e sentiu Mime arrepiar-se sobre si. Inverteu as posições, deitando-se sobre ele. Mirou-o durante segundos a fio, decidido a lhe demonstrar tudo que sentia por ele e tornar tal experiência inesquecível, capaz de apagar todos os horrores que Mime sofrera no passado. Tornaram a beijar-se, o desejo acumulando-se sob as poucas roupas que lhes cobriam a parte inferior do corpo.
As mãos de Sorento percorriam com leve avidez cada pedaço do esbelto corpo do norueguês. Os lábios seguiam um caminho imaginário que se iniciava na boca de Mime, passava pelo pescoço, mamilos até chegar ao umbigo e voltar num ritmo torturante. Mime arfava e gemia, quase sem ação. Sua cabeça girava num fluxo incessante de sensações nunca experimentadas anteriormente. Virou-se, deixando o austríaco em seu colo e distribuiu uma série de beijos molhados por seu pescoço e tórax. Não pôde deixar de sentir-se sem-graça ao ver o olhar do outro pousar no volume que se formava em seus shorts e perceber que ele se encontrava num estado bem semelhante.
Sorento tornou a inverter as posições e invadiu-lhe a boca com volúpia. Uma das mãos desceu pelo peito do norueguês, indo até o meio de suas pernas, massageando o local oculto pelo fino tecido dos shorts. A respiração de Mime tornou-se ofegante e seus batimentos cardíacos descompassados. Ondas de calor percorriam seu corpo. Desejava como nunca pertencer a ele. Um ato feito também por sua vontade. Um ato feito de amor e não apenas de sexo.
Virou-se novamente, disposto a prolongar aquele momento. Afundou seus quadris nos de Sorento e deliciou-se ao ouvi-lo gemer seu nome, aquela voz forte e gostosa causando-lhe arrepios. Passou a lamber e mordiscar um dos mamilos enquanto com a mão estimulava o outro. Era delicioso saber que era ele o provocador dos gemidos roucos e controlados do austríaco. Subiu um pouco, alcançando mais uma vez aqueles lábios rubros, invadindo-lhe a boca com a língua ávida, num beijo repleto de uma sensualidade que jamais imaginou possuir. Uma de suas mãos apalpava a coxa roliça, subindo, descendo, roçando displicentemente pelo volume sob a camada de tecido.
O austríaco sentia-se no céu. Ergueu a cabeça para encarar Mime, que tinha um misto de inocência e luxúria no olhar que deixaria qualquer um louco. Tornou a inverter as posições, ouvindo um gemidinho de protesto. Alcançou-lhe o ouvido, murmurando a letra de uma música apreciada por ambos ao mesmo tempo em que mordiscava e lambia o local, deixando Mime quase em êxtase, arrepios assomando em ondas por seu corpo. Afastou-se o suficiente para vislumbrar aquela cena divina: seu norueguês totalmente entregue, os lábios entreabertos, a respiração saindo em arquejos, os olhos semicerrados e o rosto corado.
Passou vagarosamente as pontas dos dedos pela barriga durinha, chegando ao cós dos shorts. Olhou de relance para Mime, que lhe deu um olhar lascivo e levemente envergonhado. Puxou a fina peça para baixo, atirando-a num canto qualquer do quarto. Sentiu seu coração acelerar, tamanha a perfeição da figura sob si. Nenhuma pintura ou escultura poderia ser comparada com aquele anjo ruivo deitado em seus lençóis. Beijou-o com doçura enquanto sentia as mãos ávidas de seu anjo despirem-lhe das únicas peças que ainda cobriam seu corpo.
Mime apartou o beijo, seus olhos percorrendo todo o austríaco –Perfeito... –sussurrou, um sorriso nos lábios –Nem nos meus mais doces sonhos poderia imaginar tamanha perfeição –pegou com leveza uma mecha dentre as ondas azul-arroxeadas e levou-a aos lábios.
–Deixe-me levá-lo ao céu esta noite, meu anjo –murmurou rente ao ouvido –Deixe-me demonstrar-te tudo que sinto por ti...
–Eu sou teu, Sorento. Eternamente teu –abraçou-o com ternura, um gemido escapando-lhe dos lábios ao sentir todo contato entre seu corpo e a pele quente do corpo do austríaco.
Após outro beijo enamorado, Sorento foi projetando aos poucos seu corpo para baixo, distribuindo as mais variadas carícias durante o trajeto. Encarou novamente o olhar cristalino e envolveu-lhe o membro com os lábios. Mime deixou escapar o nome do austríaco ao sentir-se envolvido por aquela boca morna. Agarrou-se aos lençóis sob si, o coração num ritmo alucinante. Ondas de puro deleite varrendo-lhe o corpo, ruídos ininteligíveis e desconexos saindo de sua boca. Implorou para que Sorento parasse com aquela tortura enlouquecedora, ou não resistiria mais tempo. Foi prontamente atendido e viu-o mexer na gaveta da mesinha de cabeceira, tirando algo de lá. Mesmo com a visão nublada de desejo reconheceu o pacotinho metálico e conseguiu adivinhar o que seria a caixinha verde. Ainda respirando em arquejos foi ajudá-lo com o preservativo, aproveitando para confirmar se aquela caixinha de pomada era mesmo o que imaginara.
–Farei o que puder para que não sinta dor –disse Sorento, abrindo o tubinho –Se começar a doer muito ou não quiser continuar, me avise. Juro que paro, ok?
–Não pedirei... –sorriu docemente, puxando-o para um longo e envolvente beijo.
Sentiu um dedo a invadi-lo e mexeu-se, um tanto desconfortável. Pouco depois sentiu outro. Uma familiar sensação de medo se fez presente ao sentir a dorzinha aguda, mas respirou fundo. Era Sorento. Ele não lhe faria mal algum. Já estava quase totalmente relaxado quando sentiu os dedos o deixarem e uma dor maior o acometeu. Começou a sentir-se em pânico, aquela dor fazendo soar uma espécie de alarme interno. Algumas lágrimas vazaram de seus olhos cerrados. Abriu-os e viu Sorento, o semblante preocupado, seus olhos o encarando profundamente. Sorriu. Ficaria tudo bem. Não estava naquele lúgubre castelo, sendo forçado a fazer algo que não queria. Estava com Sorento e fazia aquilo por amor. Estimulou-o a prosseguir, faltava pouco para ser totalmente preenchido. Sentiu os dedos delgados do austríaco fecharem-se em torno de seu órgão, numa tentativa de fazê-lo esquecer a dor. Tornou a sentir um calor inexplicável, seu coração rufando incessantemente.
Iniciaram um lento cadenciar de movimentos e toda dor que sentira o abandonou, dando lugar a uma sensação de totalidade, de alegria. Sorento pegou-lhe uma das mãos, entrelaçando-a a dele. Não conseguia acreditar que estava mesmo com ele, vivendo um momento tão íntimo e tão belo. Sorriu pela enésima vez naquela noite, um sorriso que lhe abrangia a alma. Puxou o austríaco para um beijo quente, repleto de amor, alegria lascívia e todos os sentimentos que o inundavam. Sentiu os movimentos se intensificarem, para seu deleite.
A cada movimento de corpos sentia-se mais perto de tocar o céu. E o anjo que o levaria estava ali, à sua frente, os olhos rosados brilhantes de satisfação, o rosto rubro, a mão entrelaçada a sua enquanto a outra tornava a manipulá-lo com destreza. Sim, Sorento é que era o anjo, não ele. Fora Sorento que fizera sua vida ter novas cores, ele que o fizera encontrar um novo sentido para viver, que o ajudara a superar traumas de seu passado, que até arriscava-se por ele. O amava. Amava tão profundamente que nem todos os beijos e gestos de carinho do mundo, nem sexo nem palavras eram capazes de expressar. Algumas lágrimas de alegria saíram de seus olhos.
–Eu te amo, Sorento –murmurou, seu corpo próximo de explodir em êxtase.
Viu-o sorrir, emocionado –Também te amo, Mime –disse ele, invadindo-lhe a boca carinhosamente.
E nesse misto de sentimentos e sensações, com os corações rufando em uníssono, as bocas unidas, que chegaram juntos ao ápice. Tocaram, unidos, a parte mais alta e bela do céu. Dois anjos, deitados juntos sobre alvos lençóis. E nem os perigos que corriam, nem mais nada importava. Um tanto sonolento, o austríaco tirou o preservativo, amarrou-o e jogou-o no lixo próximo à cama. Tornou a deitar-se sobre Mime, puxou as cobertas sobre eles e adormeceram abraçados. O resto de mundo que esperasse.
OooOooO
Acordou como se ainda sonhasse. Abriu os olhos e viu aquele rosto lindo, tão próximo. Dormia. Dormia tão tranqüilamente, com um ar tão sereno... Sentia vontade de observá-lo eternamente, mas tinha uma missão a cumprir. Levantou-se, a contra-gosto, sem fazer barulho e colou brevemente seus lábios aos dele, um nó formando-se em sua garganta.
–Desculpe Sorento...faço isso por nós –murmurou sem fazer ruído algum. Recolheu as roupas do chão, aproximou-se da escrivaninha, pegando papel e caneta. Tinha de ser rápido. Escreveu o que precisava ser esclarecido e saiu pé ante pé do quarto.
Foi ao seu quarto e pegou apenas o necessário: roupas reforçadas, documentos e uma foto. Olhou-a e seus olhos marejaram. Uma foto do austríaco e dele, tirada por Afrodite, quando fora conhecer o teatro, há cerca de uma semana atrás. Nela, os dois sorriam, abraçados. Vestiu-se rapidamente e guardou-a no bolso do sobretudo negro.Encostou a porta do quarto e olhou em volta, como se tudo aquilo fosse um sonho e que estivesse caminhando rumo a um pesadelo. Pegou as chaves e abriu a porta. Estancou, olhou para dentro do apartamento uma última vez, lágrimas rolando por sua face de porcelana.
–Adeus... –murmurou, a alma em pedaços, fechando a porta.
O dia começava a amanhecer, mas os tons do céu não tinham mais o mesmo brilho. Caminhava, quase resignado, para encontrar quem menos desejava ver na vida. A única força que o movia era seu plano e o fato de que seu coração não estava mais vazio. Sua alma, seu corpo poderiam ser tocados por apenas uma pessoa. E essa pessoa definitivamente não era Shido.
Continua...
Comentários da autora: Olá!
Eu disse que o lemon seria grande, não disse??? Ficou ao agrado de vocês??? Acho que esse foi o lemon mais longo e lindinho que já fiz (Mi-chan não sabe fazer lemon... ¬¬).
Juro que quase fiz o capítulo terminar com o lemon, mas tive de escrever o pedaço após. Senão não daria pra explicar direito o que vai acontecer. Tenho certeza de que vocês estão querendo me bater, né??? Não os culpo...eu também fiquei chateada quando escrevi...poxa, queria que eles ficassem numa boa, mas a fic tem que seguir.
Falando em seguir, acredita que já estou quase no final do capitulo 11??? É, escrevi dois capítulos em uma semana (comemora).
E o encontro com de Mime com o Shido?? Ficou legal?? É sério quando se trata de cenas meio dark, cenas de ação, e lemon eu sou insegura pra caramba...
Estou contente de finalmente publicar o limãozinho dos meus lindinhos. É o PRIMEIRO lemon deles (até onde eu saiba...como ninguém teve a mesma idéia que eu em juntá-los??? Já vi uma fanart Mime & Aiolos, mas nunca uma deles... inacreditável n-n). Estou orgulhosíssima, mesmo se o lemon estiver uma droga.
O próximo capítulo...bem, não posso adiantar muita coisa, só que vai ter ação (até fiquei acordada até a uma da manhã assistindo 24 horas na Globo pra ver se me inspirava um pouco XDD, mas nem adiantou muito não, apesar de ter ouvido a voz do Shido em um dos personagens XDDD).
Ah, já estava esquecendo...alguém aí achou as roupichas do Alberich um tanto familiares??? Sim??? Haha, é que eu me inspirei nas roupas do Subaru, do mangá Tokyo Babylon, para vesti-lo. Acredita que consegui até visualizar?? XD Se soubesse desenhar, faria uma fanart muito linda (babando).
Outra coisa: quem consegue adivinhar a música que o Sorentinho cantou no ouvido do Mimezinho?? Nem posso dar dica porque seria óbvio demais.
Acho que já falei muito nesses comentários...(Mi-chan tagarela u.u)
Obrigada mesmo, mesmo, mesmo pelos reviews
Kissus
Au revoir!
Scorpius no Mila /Mi-chan/