X.x.x.x.x 10 - Divided
Sim, é claro que podia piorar! Sempre comigo! Argh!
- Não é nada disso que... - Não, espere, clichê não! - Não, Benjamin! Volte! Volte! É perigoso!
O sextanista saiu andando irritado e eu empurrei Edward sem delicadeza alguma. Pediria desculpas depois. Mais uma para a lista.
- Benjamin! - Continuei chamando, mas não recebi resposta. Comecei a correr atrás do garoto, querendo pedir desculpas. Ele era tão atencioso, por Merlin! Não merecia uma idiota como eu.
Surpresa ao perceber, corri bastante (tropeçando algumas vezes) mas não o encontrei. Percebi também que estava perdida. Caminhei devagar, olhando para os lados. A varinha na mão, acesa com Lumos.
- Benjamin? - Nada - Edward? - Nada também.
Andei até um espaço com poucas árvores, pronta para lançar chamas vermelhas para o céu. Apontei a varinha para cima e, antes que pudesse sinalizar minha localização, escorreguei na neve e caí em um enorme buraco. Uma cratera. Caí de bruços sobre meu braço direito. Os óculos se chocaram em minha face, arranhando a ponte do nariz. Perdi a varinha em algum lugar e mal conseguia ver minha própria mão na total escuridão.
- Socorro! - Gritei, uma dor nauseante se fazendo presente em meu braço. Ótimo, perfeito. Devo ter quebrado!
Me encolhi no canto da cratera, choramingando pela dor do braço. Lágrimas rolavam por meu rosto, tanto pela dor quanto pela bagunça em minha cabeça. Continuava a gostar de Edward: dando-lhe uma espada de prata para afiar em meu coração, mas Benjamin conseguiu uma pontinha de faca para fazer parte da festa. Como eu deixei isso acontecer? Por Merlin! Quando?!
- Idiota, idiota. - Entoei várias vezes para mim mesma. Gritei por ajuda, mas a Floresta sufucou meu grito agoniado. Pareci um agoureiro* em pleno inverno.
Horas se passaram pelo que eu percebi e imaginei. A dor no braço estava tão insuportável. Catei neve com a mão boa e passei em cima, gemendo quando derretia e molhava minhas roupas. Tentei realizar um feitiço sem varinha, mas continuava soluçando e não conseguia me concentrar. Tirei meu cachecol e tentei fazer uma tipoia, mas a dor era tanta que desisti quando movi o primeiro músculo.
- Allexandra! - Ouvi meu nome ao longe, quando estava para dormir, exausta.
Abri a boca, e gritei como resposta, mas minha voz falhou no "xan" de meu próprio nome. Forcei a vista para encontrar minha varinha, mas não consegui, embora a neve branquinha ajudasse a ver pequenas pedras. O silêncio voltou a reinar, e ninguém me chamou por um longo tempo.
- Aqui está você, gatinha. - Alguém apareceu debruçado na beira da cratera; o sorriso claro na voz. Benjamin.
- Benjamin! Benjamin! É você! - Comemorei, chorando de novo. Ele encontrou uma descida e veio andando, segurando a varinha. Murmurou Lumos Maxima e uma bola de luz consideravelmente grande flutuou em cima de nós.
- Você está bem? - Ele parecia contente em ter me achado. Isso era bom. Muito bom. Eu poderia dançar agora. Só que não.
- Não, acho que quebrei o braço e perdi minha varinha. - Contei, e Benjamin se aproximou de mim, ajoelhando-se em minha frente para examinar meu braço.
- Está gelado! - Exclamou horrorizado ao encostar na pele (me fazendo estremecer com uma leve dor), mas eu sorri fracamente.
- Coloquei neve para tentar acalmar a dor, mas não adiantou muito. - Fiz careta quando ele tocou de novo - Use Ferula, já que está com sua varinha.
Ele assentiu, fazendo careta quando lhe disse o que fazer. Eu sorri, e ele também. Devo dizer que era encantador.
- Está bem, talvez você sinta alguma dor, porque nunca realizei esse feitiço e... - Interrompi seu falatório, sorridente.
- Confio em você, oras. Um dos melhores bruxos da escola, meu rapaz. - E ri, lembrando do comentário de Flitwick nos comparando há algum tempo atrás - Depois procure minha varinha? Por favor?
Ele assentiu, sorrindo novamente. Apontou para meu braço e talas foram conjuradas, mantendo meu braço imobilizado. Tirei novamente o cachecol e pedi para que ele fizesse uma tipoia para mim. Sorri, bocejando logo depois. Quê? Eu estava com sono?
- Oh, está sonolenta. - Comentou Benjamin, metendo a varinha nas vestes - Vou dar um jeito de levá-la para dentro de Hogwarts. Não se preocupe.
Não estava preocupada, Benjamin, estava com sono. Muito sono por sinal. Além do mais, eu me sentia segura quando você não tentava me assediar.
- Veja, está tremendo de frio, tenho que levá-la imediatamente. - E ameaçou me carregar nos braços, mas eu bati em sua mão. Ele me olhou confuso e eu quis rir da cara dele. Mas, por Merlin, o que estava havendo comigo? Era o sono?
- Posso caminhar. - Eu achava - Só fique por perto para que eu não caia.
Ele concordou e me ajudou a levantar. Eu estava tremendo muito, percebi com pesar. Dei dois passos cambaleante, e ameacei cair sem querer e ele me segurou, me colocando em seus braços. Começou a andar.
- Me solta, posso andar. - Insisti, meu discurso falhando miseravelmente por um bocejo no final da frase.
- Você até que é leve, Ally. Imaginei que fosse mais pesada. - Benjamin deu uma risadinha - Durma, vou cuidar de você.
Fechei os olhos, franzindo a boca numa careta.
- Sou leve como uma pluma. - Rebati, me aconchegando mais no calor de Benjamin - E não vou dormir.
- Duvido. - Riu de novo. Sua voz estava longe, ou eu era quem estava - Boa noite, Ally.
- Boa noite, Ben.
E senti um beijo carinhoso em minha testa.
X.x.x
- Tenho um problema, professora. Dos grandes, na verdade. - Comentei olhando para McGonagall sentada na beira de minha cama na ala hospitalar.
Madame Pomfrey procurava remédios nos armários, absorta demais para reparar o assunto, eu pensei. Já havia limpado meus arranhões e agora procurava uma poção para eu tomar. Maldito braço quebrado!
- Que problema, querida? - Perguntou McGonagall estranhamente radiante, acariciando minha mão esquerda. Semicerrei os olhos, desconfiada da felicidade dela.
- Oh, espere, o que... - Comecei o raciocínio em voz alta. O que poderia ter ocorrido a Minerva durante a noit... A não ser que... - Ohohoho!
Comecei a soltar gritinhos mudos, agitando a mão boa no ar, como se estivesse tendo um ataque. O que de certa forma era. Senti a dor no braço se intensificar, mas ignorei. McGonagall riu de minha "tietagem" e pediu que eu parasse (com um lindíssimo sorriso no rosto, diga-se de passagem), para contar mais detalhes.
- Se acalme, Allexandra - Ela riu - Poppy irá me tirar daqui se eu a pertubar de alguma maneira.
Olhamos para a enfermeira que continuava a vasculhar todas as prateleiras e gavetas existentes na ala. Estava a 4 camas de distância, completamente alheia a nossa conversa.
- Okay, okay, mas me conte, por favor! - Supliquei, fazendo biquinho. Minerva olhou para mim com seriedade por cima dos óculos antes que o sorriso voltasse a aparecer em seu rosto.
- Está bem, mas primeiro deixe-me ver esse ferimento em seu nariz. - Fiz uma careta, mas tirei os óculos com cuidado só com a mão esquerda. Percebi que os suportes estavam manchados com uma pequena quantidade de sangue e logo o larguei, examinando com meus dedos o ferimento.
Ardeu, e eu tremi, dessa vez mexendo mais o braço, que protestou em resposta. Soltei um gemido alto, dolorido. Madame Pomfrey olhou imediatamente para nós, encarando McGonagall com uma severidade impressionante. Mas a professora de Transfigurações só olhava para mim, parecendo culpada.
- Minerva! - Ralhou Poppy Pomfrey, chegando rapidamente em minha cama, examinando meu braço pela décima vez - Permiti que ficasse, mas está fazendo com que ela fique mais agitada! Terei que pedir que volte em outra hora.
Minha reação foi instantânea: soltei um "NÃO!" alto demais e que fez com que as duas senhoras me encarassem. Corei, tomando fôlego (e coragem) para pedir a Madame Pomfrey que McGonagall ficasse.
- Será que a Professora McGonagall não poderia ficar, Madame? Ela não teve culpa de nada, eu me mexi sem querer. - Expliquei, torcendo que ela permitisse.
Desta vez quem recebeu o olhar severo fui eu, e abaixei a cabeça, envergonhada pela falta de tato.
- Vou permitir, senhorita, mas se você, Allexandra Allison Swan - Fiz uma careta com meu nome do meio - Se mexer novamente antes que eu volte com a poção, Minerva sairá e só voltará amanhã. Entendeu? Consertar ossos quebrados é fácil, desde que não fique mexendo e piorando a fratura, menina.
Assenti sem encará-la e ouvi seus passos se afastando.
- Ela já foi? - Sussurrei, com medo que ela brigasse comigo de novo. Madame Pomfrey era um amor de pessoa, se não atrapalhassem seu trabalho.
- Já, sim. - McGonagall riu, afagando meus cabelos molhados - Pois bem, fale de seu problema primeiro, enquanto eu cuido desse ferimento aqui.
Sentou mais próxima de mim e pegou um pote dentro de uma gaveta ao lado da cama. Abriu o pote e retirou pedaços de algodão possivelmente embebidos em alguma poção, enquanto eu me preparava psicologicamente para contar o que me atormentava.
- Vamos, estou esperando. - Apressou-me ela, colocando delicadamente o algodão em meu nariz, causando uma leve ardência. Suspirei; Era melhor falar de uma vez.
- Acho que estou gostando do Benjamin, professora.
Soltei, fazendo uma cara chorosa, fechando os olhos.
- Hm. Estava esperando por isso. - Abri os olhos de repente, chocada. Ela rapidamente começou a se explicar - Você não para de falar nele há dias. Até antes das cartas. E agora... Bem, perdoe-me a indiscrição, mas vocês se...? Oh, por Merlin, Poppy!
Referiu-se à enfermeira que sentara em uma cama e agora escutava nossa conversa alegremente. Fiz uma careta ofendida e abri a boca em um O ligeiramente aberto.
- Você não tinha que procurar a poção para ela, Poppy?! - Lembrou McGonagall, um pouco exaltada na minha opinião.
- Merlin sabe que você já foi mais gentil, Minerva. - Resmungou Pomfrey, retomando a tarefa de encontrar minha poção.
Depois que ela virou as costas para nós, tive que segurar o riso, porque qualquer situação séria poderia virar motivo de riso para mim. Uma tendência humilhante.
- Hãã... Onde eu estava? - Perguntou-se McGonagall, pegando mais um chumaço de algodão - Ah, sim. Vocês dois... Se... - Ela diminuiu a voz, chegando perto de mim - Beijaram?
Corei muito, cheguei a pensar por um instante que estivesse com febre, mesmo toda molhada de neve derretida, mas era só rubor mesmo.
- Não! - Falei alto, e olhei para Pomfrey de esgelha, com medo que expulsasse Minerva. Não nos olhava e suspirei - Não nos beijamos, Professora.
Ela me olhou desconfiada, mas voltou a limpar meu ferimento.
- Está bem. Mas você estiver mentindo, Allexandra Swan... Ah, nunca mais lhe ensino Transfiguração.
Eu dei risadinhas.
- Pois bem, - Continuou ela - Daqui a pouco terei que sair, mas fique sabendo que... Eu e... - Ela deu um pigarro, como se decidindo o que falar - Albus... Estamos juntos, finalmente.
Soltei um berro alegre, jogando as duas mãos para o alto, mas me arrependi imediatamente quando meu braço assumiu uma forma estranha e Pomfrey arregalou os olhos, furiosa.
- AGORA CHEGA! MINERVA MCGONAGALL, SAIA DAQUI! A MENINA NÃO VAI FICAR BOA ASSIM!
E pegou a varinha das vestes, apontando para Minerva que se levantou em um pulo, andando em direção à porta. Antes que saísse, sorriu tímida para mim e eu ri, antes de perceber o olhar assassino de Poppy Pomfrey.
X.x.x.x.x
*Sugiro dar uma olhada em Animais fantásticos e Onde Habitam. Só para constar.
N/A: Me contem com quem a Ally deve ficar, quero saber as opiniões de vocês, haha. Reviews! Reviews!
P.S.: Sra. McGonagall D., Essa Poppy Pomfrey vai para você :3 Haha.
P.S.2: Queria deixar claro que eu só estou atualizando porque recebo reviews. Se a Bia, ou a LoveColt, ou a Sra. McGonagall D.(Thank God, esta seguiu desde o começo! Obrigada!) não mandassem reviews, eu não teria nem ao menos passado do primeiro capítulo. Você não perde nada deixando um comentário. Pode até ganhar um spoiler e um bombom :3
