Abril de 1994-Califórnia (Berkeley)

– Droga, aonde aquele infeliz se meteu? – Sara estava vermelha de raiva, chutava pequenas pedras enquanto andava de um lado para o outro, há mais de três semanas que Tomas sumira sem dar satisfações. No início ela estava preocupada, mas com o passar das semanas passou a suspeitar que ele a estava evitando propositalmente, afinal se algo ruim houvesse acontecido ela já estaria sabendo. – Imbecil, quando eu por as mãos nele... Mato-o e terei o prazer de fazer com minhas próprias mãos.

–Ei Sara! – era Annelise que vinha sorridente em sua direção e ela sorriu involuntariamente. Annelise tornara-se uma boa amiga.

– Oi. Quanto tempo, você sumiu. Senti falta. – a garota aproxima-se e a abraça.

– Oh! Eu também senti falta. Desculpa é que essa semana foi corrida, o professor de metodologia anda pegando no meu pé.

– Aff! Mas não liga pra ele não, ele pega no pé de todo mundo.

– Ei e essa carinha triste hem? Pensei que já tinha superado.

– É difícil, mas estou levando. O problema agora é outro. O Tomas simplesmente sumiu, não apareceu, não ligou, nem ao menos pra dizer que acabou.

– Idiota. Vai atrás dele e pergunta qual é a dele, o que não pode é as coisas ficarem assim inacabadas. – Annelise não o conhecia, mas já o odiava só pelo que estava fazendo a Sara.

– E eu não fiz isso, mas ele simplesmente desapareceu, eu nem sei mais onde procurar. – Sara estava desolada com o abandono de Tomas.


– Oi. Já fiquei sabendo que você e o Grissom fizeram as pazes. – Vartan sentou-se ao lado de Sara.

– Pois é, mas como você sabia que nós estávamos brigados? – ela o olhou, estava intrigada e percebeu quando ele corou ao ser pego de surpresa com a pergunta.

– Bom... – ele pigarreou – Você sabe as notícias correm por aqui. – a verdade era que Catherine o tinha deixado a par de tudo, quando ele fora visitá-la mais cedo – Mas quero que saiba que estou feliz que tenham se entendido, você sabe Grissom e eu nunca fomos melhores amigos, porém o admiro muito, assim como a você.

– Nos também o admiramos.

– Obrigado. Hum, e agora o que você vai fazer? – ele gesticulava nervosamente por ter que entrar no tema da filha dela, contudo estava curioso – Você sabe, a garota. – Sara abaixou a cabeça.

– Agora. Vou enfrentar a fera. Tenho quase certeza que ela não irá aceitar o fato assim tão facilmente. – Vartan tocou-lhe as mãos amigavelmente.

– Vai dar tudo certo. Você é uma excelente CSI, uma pessoa maravilhosa e tenho certeza que será uma ótima mãe e se ela não a aceitar agora, uma hora ela irá se render aos seus encantos. – Sara gargalhou com as últimas palavras do colega fazendo-o rir também.

Os dois assustaram-se com a chegada repentina de Catherine, que ao ver a cena não pode conter o ciúme.

– Uau, qual é a piada, me contem que eu quero rir também. – olhava de Sara para Vartan e por fim para as mãos dos dois que ainda estavam unidas.

Sara ao perceber o olhar fulminante dela soltou-se imediatamente e tratou de explicar-se.

– O Vartan só estava me dizen... – foi cortada por um Vartan nervoso tentando explicar-se.

– Não é nada disso que você está pensando Cath.

– E quem disse que eu estou pensando algo. – Sara estreitou os olhos e apertou os lábios tentando esconder o sorriso que se formava ao dar-se contar da tensão que estava rolando entre os dois.

–*-

Estava em frente a escola que Emma estudava, encostada no capo de seu carro e com as mãos no bolso tentando acalmar-se. Mais cedo decidira não adiar mais aquela conversa e ligara para Tomas pedindo o endereço da escola. Já a esperava a quinze minutos que mais pareciam horas. De repente avistou-a com um grupo de adolescentes estranhos. Uns rapazes com calças frouxas e bonés virados para trás, garotas com os cabelos pintados com umas cores que não dava para definir qual chamava mais a atenção.

Aproximava-se lentamente quando viu um dos rapazes agarrar Emma e beijar-lhe tão depravadamente que ela teve até ânsia ao presenciar a cena. O garoto parecia querer engolir Emma e ela queria pegá-lo e dar-lhe uma boa surra por agarrar assim sua menininha, mas conteve-se.

– Emma. – A garota virou-se e ela quase caiu pra trás ao ver a maquilagem forte da garota, bem como o piercing no nariz e os vários ao redor da orelha. Mas no que aquela garota de rosto angelical e expressão doce havia se tornado? Como Tomas pode deixar isso acontecer?

– Senhora Sidle, mas a que devo a honra, não me diga que estou sendo acusada de um novo crime. – a garota agiu sarcasticamente dando um sorriso malicioso.

– Não seja tão convencida menina, você não é tudo isso que quer aparentar ser. – Emma desfez o sorriso – Estou aqui por outro motivo, preciso falar com você.

– Mas eu não quero conversar com você. – ela deu as costas a Sara deixando-a irritada. Sara puxou-lhe pelo braço fazendo-a ficar de frente para ela.

– Olha aqui eu não estou brincando, ou nós saímos daqui e temos uma conversa civilizada, ou iniciamos a conversar agora na frente de todos os seus amiguinhos. – as duas encaram-se por alguns segundos até Emma quebrar o contato e soltar-se.

– Já chega! Eu não tenho nada a falar com você, não me interessa nada que venha de você. Eu detesto você. – deu as costas novamente a Sara, que não se conteve e a segurou pelo braço novamente dessa vez o apertando fortemente, era incrível como aquela garota a irritava só com o olhar, saiu puxando-a para o carro sob os protestos da garota.

– Me solta, está me machucando.

– Só depois que você me ouvir. – abriu a porta do passageiro e a jogou no banco fechando a porta imediatamente – E nem pense em fugir. – deu a volta e entrou.

– Você não tem o direito de...

– Shiii, calada, não quero ouvir um A seu.

– Quando eu sair daqui vou te denunciar por sequestro. – Sara gargalhou, fazendo a garota assustar-se.

– Ah me poupe garota, se olha no espelho e olha pra mim, você acha mesmo que eles iriam acreditar. Você acha que iriam acreditar que eu uma CSI competente iria sequestrar a própria filha. – nesse instante Emma a olhou ainda mais assustada.

– Não é mentira, você não é minha mãe, SUA MENTIROSA. – Emma gritou as últimas palavras e saiu do carro, correu sem direção transtornada.