Capítulo 10

Brooke estava em seu quarto, jogando as roupas dentro da mala. Ela riu para si mesma enquanto olhava ao redor do quarto e tentava contar quantas noites tinha realmente dormido ali.

Ela estava apenas tentando ver se tinha esquecido alguma coisa quando dois braços a envolveram por trás, e alguém beijou a sua cabeça.

"Está pronta?" Lucas perguntou.

Ela virou-se nos braços dele, passando os dela ao redor de seu pescoço, e sorriu-lhe. "Eu acho que sim".

Ele devolveu o sorriso e a beijou, parando depois de alguns segundos para que pudesse olhar para ela. Ela olhou por cima do ombro dele, para o quarto principal do chalé.

"Vou sentir falta deste lugar", ela admitiu.

"Boas lembranças?" Ele perguntou. Ela mordeu o lábio e acenou, sorrindo de leve. "Acha que temos tempo para mais algumas?" Ele perguntou.

Ela hesitou, e então disse, "Sim, mas não aqui. Já guardou o short?"

"Já, mas posso tirá-lo da mala".

"Bom, me encontre lá fora em um minuto", ela sorriu para ele e o empurrou para fora do quarto.

Lucas fez como fora dito, e encontrou Brooke, que estava mais uma vez de biquíni e agasalho, do lado de fora do chalé. Ela pegou em sua mão e eles deslizaram pela neve, em direção ao gazebo e à banheira de água quente, onde haviam estado na segunda noite.

Brooke sorriu quando eles chegaram ao deque, e virou-se para encarar Lucas.

"Qual é o seu lance com banheiras?" Ele perguntou, rindo.

"Nãoeu com banheiras. Eu, vocêe banheiras", ela corrigiu. E então tirou o agasalho e os jeans, e entrou na água, vendo Lucas fazer o mesmo.

"Achei que", ela disse, movendo-se para o colo dele e acomodando-se lá, "já que não pudemos fazer nada numa dessas na última vez, seria apenas justo que fizéssemos outra visitinha".

Ele sorriu e ela o beijou, sentindo as mãos dele deslizando por suas coxas e provocando arrepios em sua espinha. "Se eu me lembro bem", ele murmurou entre beijos, "você não estava usando isso na primeira vez que usamos uma dessas". Ele puxou de leve o fio de seu biquíni.

"Tem razão... e acho que é importante recriarmos aquela noite em tantos detalhes quanto forem possíveis", ela disse contra sua boca, sorrindo quando ele desatou os laços, e tirou o top.

"Muito melhor", ele disse, e a beijou de novo.


É desnecessário dizer que Lucas e Brooke acabaram chegando um pouco atrasados para o café da manhã. Entraram no restaurante com os cabelos molhados, parecendo um pouco constrangidos ao se sentarem em suas cadeiras.

"Será que queremos saber?" Nathan perguntou rindo.

Brooke aparentemente refletiu sobre isso, e então disse, "Não".

Os outros riram, e Nathan sacudiu a cabeça. Brooke e Lucas serviram-se de quitutes e voltaram para a mesa, onde todos estavam falando sobre o que deveriam fazer ao chegarem em casa.

"Eu só quero voltar para a quadra", Nathan disse. "Acho que esse foi o tempo mais longo que já passei sem jogar basquete!"

"Então destruir metade do nosso quarto quicando aquela bola não conta?" Haley perguntou rindo.

"Podemos ir para a quadra perto do rio hoje à tarde", Lucas disse. "Estou ansioso pra te derrotar".

Nathan levantou uma sobrancelha. "Cara, eu sou melhor no esqui e sou,com certeza, melhor na quadra, e você sabe!"

Lucas caçoou. "Sem chance! Eu concordo com a coisa do snowboard, mas todos nós sabemos que eu posso te derrotar num mano a mano a qualquer hora!"

"Acalmem-se, meninos", Peyton resmungou, tentando não rir.

"Que seja, nós veremos!" Nathan fez um bico e atirou um pedaço de pão em Lucas. Lucas riu e atirou o pão nele. "Cara, você não quer começar isso", ele disse, tirando um pedaço de pão maior para jogar em Lucas.

"Verdade?" Lucas colocou um pedaço de cereal em sua colher e virou-a.

"Gente..." Haley disse em tom de aviso, "vamos ser expulsos".

Os dois rapazes hesitaram por um momento, mas aí Brooke interferiu. "Mas é nosso último dia..."

Eles sorriram. Qual o problema de serem expulsos, se nunca mais iam voltar?

Ao mesmo tempo em que Lucas arremessou o cereal em Nathan, Nathan atirou o pão. Imediatamente, começaram a jogar mais comida, assim como Tim, que nunca perdia uma bagunça, mas, infelizmente, tinha uma mira pior que os outros dois, e logo envolveu outras pessoas na briga, pois seus arremessos nunca acertavam os alvos.

Logo, pessoas em outras mesas também foram atingidas, e em alguns momentos Whitey estava correndo loucamente de um lado para o outro, tirando porções de comida dos alunos e desviando-se de punhados de ovos.

"TODOS PARA FORA!" Ele gritou em determinado momento. Todos saíram, ainda rindo, e o grupo inteiro se reuniu fora do restaurante.

"EM FILA!" Whitey ordenou. Ainda rindo, eles formaram uma fila indiana. Whitey moveu-se ao longo dela, olhando feio para todos os alunos.

"Agoraalguém vai me contar quem começou isso!" Ele continuou a se mexer, e parou diante de Brooke. Lucas estava de pé atrás dela e com o rosto escondido em seu cabelo, para que Whitey não pudesse vê-lo rindo.

"Senhorita Davis", ele a encarou.

Ela enfrentou o seu olhar e lhe deu um sorriso inocente. "Sim senhor?"

"Você não saberia nada a respeito disso, saberia?"

"Não senhor. E estou chocada pelo senhor achar que eu tive algo a ver com aquilo! Não existem registros de participação minha em algo tão nojento quanto uma guerra de comida..."

Whitey fez uma careta. "Certo, certo. Peço desculpas pela precipitação. E quanto a você, Lucas?"

Lucas o fitou. "Eu?"

Whitey estreitou os olhos. "Sim, você. E o Nathan. Fiquem aqui, o resto pode ir".

Nathan e Lucas se entreolharam, e tanto Haley quanto Brooke tentou parar de rir enquanto os outros voltavam para seus chalés.

Haley e Brooke subiram a colina juntas, rindo. "Eu queria saber o que ele vai forçar os meninos a fazerem?"

"O que quer que seja, é merecido, acho que tem ovo no meu cabelo", Brooke reclamou.

Haley riu. "Como se a idéia não tivesse sido sua!"

Elas descobriram, pouco depois, qual fora o castigo dos garotos, quando Brooke abriu a porta de seu chalé para achar Lucas e Nathan de pé na soleira.

"Oi, estamos aqui pra pegar as suas malas", Nathan disse, com a voz um pouco irritada.

"Ótimo! Bom, tá no quarto!" Ela recuou, sorrindo-lhes com doçura. Eles fizeram uma careta e foram até o local, trazendo as malas para fora e colocando-as em dois carrinhos grandes que estavam cheios de malas.

"Vocês têm que pegar as malas de todo mundo?" Brooke perguntou.

"É. E colocar nos ônibus".

"Cara, que chatice", Brooke disse, achando tudo muito divertido.

Lucas olhou feio para ela. "Sabe, se você não tivesse dito que esse era o nosso último dia, nós nunca teríamos feito nada".

Brooke sorriu marota. "Bom, você devia ter aprendido a nunca me dar ouvidos – eu sempre te meto em confusão!"

Lucas riu e a puxou para um beijo, antes de eles empurrarem os carrinhos para o chalé vizinho.

"Te espero quando você acabar ai", Brooke disse.


Um pouco depois do meio dia, todos estavam reunidos nos ônibus ao pé da colina. Nathan e Lucas estavam com os braços doloridos de levantar tantas malas.

"Vou sentir falta da neve", Peyton disse tristemente.

"E das guerras de bola de neve", Jake acrescentou.

"Vou sentir falta das banheiras", Lucas disse.

"Bom, existem muitas dessas em Tree Hill", Brooke murmurou, sorrindo para ele.

"Brooke, estou vendo que vai ficar tudo bem se nós não sentarmos juntas na viagem de volta", Peyton disse, fitando-a e Lucas.

Brooke fingiu refletir. "É, acho que o Garoto Pensativo e eu podemos nos suportar por algumas horas".

Lucas riu, e então Whitey disse-lhes para subir para o ônibus. Eles o fizeram, achando lugares próximos no fundo.

O ônibus começou a se afastar, e eles deram uma última olhada para os chalés nas montanhas, e para as colinas cobertas de neve atrás.

Lucas olhou para o outro lado do corredor e viu que Nathan estava olhando, deprimido, para fora da janela. "Qual o problema dele?" Ele perguntou para Haley.

"Ele está sofrendo com a abstinência do snowboard", ela disse, com uma expressão muito séria.

Lucas riu.

"Eu com certeza não estou!" Jake disse. "Acho que devíamos ir para um lugar quente no próximo feriado... acampar ou algo assim".

"Ah, isso seria divertido!"

"Vai sentir falta do esqui?" Lucas perguntou a Brooke.

Ela encolheu os ombros. "Um pouco. Mas tenho certeza de que você vai encontrar montes de coisas para me manter ocupada em Tree Hill", ela disse, sorrindo.

"É, podemos ir a uma livraria", ele brincou.

"Ou a um bar", ela acrescentou.

Eles sorriram um para o outro. "Existem muitas coisas a esperar", ela disse, pousando a cabeça no ombro dele, enquanto ele passava um braço ao redor dela.

Ele a beijou brevemente, e então ela fechou os olhos. "Acorde-me quando chegarmos lá", ela falou baixinho.

Ele a observou dormir, e brincou com as pontas de seus cabelos. Ela tinha razão; eles tinham mesmo muitas coisas a esperar. Poderiam fazer todas as coisas que costumavam fazer juntos por diversão. E dessa vez estariam realmente juntos; era verdadeiro, e ele adorava.


Brooke acordou um pouco depois, meio desorientada.

"Tive um sonho estranhíssimo", ela murmurou para Lucas.

"O que houve?" Ele perguntou. Os sonhos dela eram sempre muito estranhos, e ele adorava ouvir sobre eles.

"Não consigo lembrar muito... mas tinha um coelho imenso... e você... você estava fazendo alguma coisa esquisita, e eu ficava te mandando parar... mas você disse que o Nathan te forçou àquilo... e então aparentemente o Nathan era o coelho, porque a professorinha mandou..."

Lucas ergueu uma sobrancelha de leve, e Brooke o encarou. "Fez algum sentido?" Ela perguntou.

"Sabe que fez?"

"Acho que você está passando tempo demais comigo", Brooke riu. "Ah, é, e tinha uma girafa também, que queria comer o Jake... mas não sei como essa parte se encaixa... talvez foi depois que a Peyt foi pro espaço..." Ela se calou.

"Tá, essa parte não fez o menor sentido!"

Ela deu de ombros. "Tudo bem, vou lembrar o sonho todo mais tarde. Há quanto tempo eu dormi?"

"Pouco tempo, eu estava ficando entediado", ele disse.

"Desculpa, amor. Você devia ter me acordado".

"Mas você fica tão fofa quando tá dormindo".

Ela levantou uma sobrancelha. "Comparando quando estou acordada, eu fico como? Horrível?" Ela brincou.

"Uma gata", ele corrigiu, beijando-a. Ela sorriu contra os lábios dele, e suspirou.

"Nossa, eu tinha esquecido como amava ficar contigo".

Ele pareceu ofendido. "Como você pode ter esquecido?" Ele brincou.

"Cale a boca", ela disse, batendo nele e rindo. "Eu acabei de te fazer um imenso elogio!"

Ele riu. "Desculpa". Ele ergueu o queixo dela e a beijou, olhando-a com seriedade. "Eu também senti saudade de ter você como minha namorada".

O ônibus finalmente parou do lado de fora do Colégio Tree Hill, e todos desceram, apanhando suas malas e abraçando os pais.

O pai de Peyton havia acabado de chegar de uma viagem e ali estava para recebê-la, assim como os pais de Jake com Jenny. Jake ficou muitíssimo feliz de ver sua filha, e girou-a no ar antes de passá-la para Peyton, que a beijou e ficou radiante por ouvir que ela não havia esquecido seu nome!

Deb estava ali para apanhar Natha, e disse a Lucas que a mãe dele estava a caminho. Brooke ficou um pouco para trás, vendo todos contarem a seus pais sobre a viagem.

"Ei..." Lucas aproximou-se dela e passou um braço ao seu redor.

"Cadê a sua mãe?" Brooke perguntou.

"Ela está vindo", Lucas disse, e Brooke acenou. "Eles viriam se pudessem". Lucas disse em voz baixa, sabendo o que estava perturbando-a.

"Valeu, mas nós dois sabemos que isso não é verdade", Brooke disse, olhando para ele. Lucas abraçou-a com mais força, e ela sorriu. "Tá tudo bem", ela disse. "Eu não queria ficar deprimida".

Ele a beijou; e eles se aproximaram dos outros.

"Brooke" disse Jake quando eles se aproximaram. "Quer cuidar da Jenny amanhã?"

Um imenso sorriso surgiu no rosto de Brooke. "Sério?"

"É... Eu acho que, se o Lucas estiver com você, ela tem chances de sobreviver", ele riu.

"Muito obrigada, Jake!" Ela o abraçou.

Lucas sorriu, observando-a. "Vou me assegurar de que ela não fure as orelhas da Jenny ou coisa parecida", ele assegurou a Jake.

Jake riu. "Valeu, cara".

"Ahn... Brooke, eu não quero estragar a sua alegria, mas..." Peyton indicou uma silhueta de pé há alguns metros de distância.

Todos olharam naquela direção. "Oh meu Deus". Brooke gemeu.

Lucas fechou a cara. "Será que ele não entende?" Ele começou a se dirigir para a pessoa, ignorando Brooke, que o chamava.

"Olha, cara, eu só quero conversar com ela", Felix disse quando Lucas abordou-o.

"Quantas vezes temos que te dizer que ela não quer falar contigo?"

Felix recuou um passo. "Que direito você tem para falar comigo sobre ela? Ela mesma pode me dizer isso!"

Ele asperamente empurrou Lucas de seu caminho, mas, antes que ele se movesse adiante, Lucas o encurralou contra a parede. "Não estou dizendo que posso controlar o que ela faz ou com quem ela fala. Mas, se você se importa um pouquinho com ela, vai deixá-la em paz". Ele disse.

Felix rangeu os dentes e olhou feio para Lucas, que virou-se e voltou para Brooke.

"Você não precisava fazer isso", ela disse.

"Desculpa. Eu sei que você não queria que eu me envolvesse, mas existe um limite meu para tolerar o cara antes..."

Brooke o interrompeu ao beijá-lo. "Tudo bem", ela disse. "Obrigada".

Ele sorriu, e abraçou-a. "Sem problema".

Um carro parou, e ele olhou naquela direção – para ver que era a mãe. Ele olhou para Brooke, e ela lhe sorriu, soltando-o e dando-lhe um pequeno empurrão.

Ele foi ao encontro da mãe, puxando-a para um abraço. "Senti tanto a sua falta!" Karen disse.

"Também senti a sua, mãe".

"Você teve uma boa viagem?" Karen perguntou quando Lucas recuou.

"Tive, foi legal", Lucas retrucou, sorrindo. Ele percebeu que Karen olhava por cima de seu ombro, e virou-se para ver Brooke atrás dele.

"Brooke, é bom vê-la", Karen disse, e a abraçou.

"Obrigada, e idem", Brooke disse. Ela olhou para Lucas – ele lhe sorriu, e ela correspondeu. "Ah... o pessoal vai sair pra pegar um cinema depois", ela disse, lembrando-se do motivo para ter ido ali. "Quer vir?"

"Lógico, ótimo. Eu posso te apanhar".

Brooke sorriu de novo e o beijou, mantendo o beijo breve, plenamente consciente da mãe dele de pé atrás dele. Lucas deu-lhe um selinho quando eles se afastaram, colocando a mão no rosto dela.

"Vejo você mais tarde", ele disse.

"Até mais, Garoto Pensativo", ela virou-se e dirigiu-se para seu carro. Ele observou-a afastar-se, e então virou-se para a mãe, que estava olhando para ele com as sobrancelhas erguidas.

Ele riu. "Tá, então foi muito legal".

Karen riu. "Você vai ter que me contar tudo no caminho para casa". Eles foram para o carro, e Lucas olhou por cima do ombro antes de entrar. Brooke o viu e o encarou. Ele sorriu, e ela correspondeu, sentindo o estômago trepidando.

Ah... Ela pensou. Foi a melhor viagem do mundo.

FIM