N/a: Maravilindos! Preciso dizer, amo Gina Weasley e Luna Lovegood! Melhor par maquiavélico Hahahahah Acho que vocês vão rir. Espero.
Disclaimer: Harry Potter e CIA Ltda. não me pertencem. São propriedades da tia J.K. Rowling. Queria eu poder interferir um tiquinho em Harmony…
Negrito e itálico: memórias;
Itálico: pensamentos de Harry.
Seja Como For
Foi com a imagem do sumiço da monitora se repetindo em sua mente que Harry adentrou a cozinha da Toca novamente. Ele havia permanecido congelado no local onde ganhara o abraço tão característico da moça por vários minutos, como se ela fosse retornar a qualquer instante, mesmo após todos terem o deixado. Ela não voltara. Os pequenos flocos de neve se condensando em seu cabelo o acordaram de seu estado contemplativo.
Ela não voltará.
Harry andava em silêncio em direção à sala quando, de súbito, uma corrente de ar demasiado veloz raspou sua orelha direita, alarmando-o. Era um dos gnomos de cerâmica que a Sra. Weasley usava para ornamentar a sala que acabara de se espatifar de modo bastante sonoro na parede a frente do apanhador, que empunhava a varinha.
— Mas o que diabos?! — virou-se Harry para encarar seu agressor.
Só que não havia uma dúzia de Comensais da Morte prontos para um embate no meio da sala na Toca. Antes fossem seguidores de Voldemort. Um Rony pálido segurava Gina, que parecia ter sido a autora do ataque devido a seu semblante ligeiramente furioso; Luna usava uma expressão estranha para si, algo entre chateação e desapontamento; Fred e Jorge estavam atrás do trio gritando para a Sra. Weasley:
— Não foi nada, mãe! — informou um deles.
— Roniquinho apenas deixou cair um prato! Nada que uma varinha não possa limpar! – esbravejava o gêmeo.
Ante um som de notório descontentamento vindo do mais novo dos ruivos, Fred acrescentou baixinho:
— Tinha que ser algo em que ela pudesse acreditar.
Muito a contragosto, ainda segurando a irmã firmemente, Rony revirou os olhos informando silenciosamente que tudo bem.
— Se vocês quebrarem mais alguma coisa… Se comportem! — Berrou a senhora em resposta. — Até parece…
Um aceno de varinha de um dos gêmeos contou a Harry que estavam sendo colocados feitiços silenciadores e não-perturbadores ao redor da sala.
Estou sendo encurralado!
Harry quase entrou em pânico, não fosse a raiva pela tentativa de ataque pelas costas. O bruxo estava numa armadilha com feita pelos seus próprios amigos em que não poderia chamar por ajuda. Cinco contra um. Não parecia nada justo, e o humor negro do rapaz dos últimos dias o fazia apenas acumular mais raiva.
O que, em nome de Merlin, eles pensam que vão fazer agora?!
— Podem gritar – avisou Jorge com um sorriso cínico, como se estivesse liberando o round de uma luta.
— Primeiro. ME SOLTE! — gritou Gina para o irmão.
— Por Merlin! Você atirou um gnomo contra a cabeça de Harry! — Rony exclamou indignado a soltando.
— Ah, por favor, não seria nada que eu não pudesse consertar — disse abanando as mãos. — Se eu pelo menos tivesse acertado…!
— Você enlouqueceu, Gina?! — Esbravejou o apanhador furioso.
— Não, não enlouqueci! — Respondeu a ruiva no mesmo tom. — Estou em meu perfeito estado. E você?! O que, por Circe, pensa que está fazendo?!
— Eu estava entrando na sala…
— Harry, por favor! — a repreensão veio de quem o moreno menos esperava.
— Luna, o que você faz metida nisso? — inquiriu ainda furioso.
— O que todos nós temos tentado fazer: Colocar um pouco de senso em sua cabeça! — retorquiu Gina impaciente.
Harry soltou um grunhido frustrado que mais parecia um rosnado de um animal machucado. Eles tinham de entender que havia muito na cabeça dele agora, que a noite anterior preenchia sua mente por completo e que ele não sabia — e em verdade nem desejava saber — do que eles falavam. Porque não importava. Não realmente. Não havia nada que pudessem dizer ou fazer, na mente do apanhador, que o tirasse daquele estado caótico em que se metera.
— Olhem, eu…
— O que aconteceu ontem, Harry? — questionou Luna suavemente. — O que deu errado?
Um longo silêncio se seguiu no qual Harry pesava essas palavras em seu ser. Ele mesmo havia se perguntado isso por mais vezes do que se atrevera a contar durante a madrugada. O rapaz se lembrava de modo claro dos morfemas de Hermione:
"Quero meu melhor amigo de volta."
Essa frase o assombrava. Ela havia mudado seus planos. Ela o havia acordado para o desejo de Hermione. Fora isso. A monitora deixara suas intenções bastantes claras para o rapaz. Então, após o choque e de extravasar quase toda sua frustração, sua rejeição, Harry decidira que faria como a garota queria. Seria o melhor amigo que ela poderia ter. Pelo menos seu amor não seria um completo desperdício, apenas chegaria a ela de forma diferente do esperado.
Sim. Melhores amigos. Yup.
— Olhe, desculpe se estragamos os planos de vocês — cuspiu as palavras de modo sarcástico na direção de Rony. — Mas nada deu errado. Voltaremos a ser os amigos de antes. Parece que conseguimos nos resolver…
— Por Merlin! — esbravejou Rony.
Os gêmeos batiam as línguas no céu da boca fazendo sons de reprovação.
— Será que vocês não conseguem mesmo enxergar? Digo, você?! — inquiriu Gina meio controlada.
—O que quer que eu diga, Ginevra?! — indagou como se a menção do nome todo dela fosse fazer a ruiva recuar.
Ele estava enganado.
— Será que você não percebe que o fato de vocês prosseguirem com essa coisa enervante de "somos apenas melhores amigos" — disse imitando a voz de Hermione assustadoramente bem — não pode coexistir com vocês conseguirem se resolver? Será que vou ter de acertar um gnomo na sua grande cabeça oca para que finalmente se dê conta disso?!
— Acha que não sei disso? Claro que sei! — vociferou Harry. — Só que eu não posso simplesmente forçá-la a se apaixonar por mim!
Um rosnado surgiu na garganta de Gina ao mesmo tempo em que a dor causada por tal confissão se espalhou pelo corpo do rapaz. Sem aviso, outro gnomo voou atravessando a sala na mesma direção que o anterior. Só que, em vez de ser aparada pela parede, a peça se chocou contra o escudo de Luna, que estava furiosa agora.
— CHEGA! — esbravejou a corvinal.
Os olhos de Rony não poderia se encontrar maiores; os gêmeos estavam boquiabertos ante a tal reação; Harry se encontrava imóvel no lugar.
— Qualquer hora dessas, você acerta, e tenho certeza que a Sra. Weasley não será o problema, e sim Hermione! — repreendeu Luna em sua melhor voz autoritária.
Gina ainda resmungava algo entre dentes, mas se manteve quieta, a respiração descompassada. Luna, após fazer a sua amiga voltar aos sentidos, se acalmou, seu tom ameno retornando.
— Harry — chamou a loira.
— Hm… S-sim? — respondeu ainda atônito.
— Você — Harry acenou com a cabeça como se ela precisasse de uma confirmação de que ele estava acompanhando — está apaixonado por Mione. Completamente. Certo?
Demasiado rubro, o rapaz lentamente confirmou com a cabeça, arrancando vários sorrisos da plateia de Weasleys que tinha.
— E, por alguma razão, você acha que Hermione não sente o mesmo — prosseguiu a loira.
Outro aceno afirmativo do apanhador.
Luna respirou fundo e olhou para Gina. Harry não tinha a menor ideia do que se tratava o intercâmbio de pensamentos que ambas estavam tendo, mas sabia que era algo importante. Uma sobrancelha arqueada da ruiva pareceu ter encerrado a conversa poucos segundos depois. Rony tinha um olhar incrédulo, como se se perguntasse como raios elas conseguiam interagir sem palavras daquela forma. Mas o apanhador não encarava o comportamento com estranheza, pois ele mesmo já participara de tais conversas silenciosas.
Com Mione…
— Harry, posso sugerir uma coisa? Aposto que todos esses dias você vem remoendo todos os motivos que o levam a acreditar que Hermione não lhe corresponde. Por que, dessa vez, você não tenta pensar no contrário? O que te faz pensar que ela sente o mesmo?
Seria demasiado simplório dizer que Harry não esperava por tal proposição. Ele estava em completo choque ante à frase da loira. Luna tinha razão, ele jamais se atrevera a gastar muitas sinapses com tais devaneios, pois a poção que ingerira o iludira por demasiado tempo, escondia de certa forma seus reais sentimentos pela melhor amiga. Logo, pensar que Hermione poderia de qualquer forma "retribuir" seu amor em igual forma seria cruel e desnecessário. Não muito depois, o bruxo fora obrigado a acordar para uma realidade mais que assustadora: ele estava realmente apaixonado pela melhor amiga. Com ou sem poção. Mas, quando isso finalmente ocorreu…
"Uma pena o bebezinho Potter não estar aqui para brincar."
E todas as suas recém-formadas expectativas, qualquer plano futuro que a parte mais otimista de seu ser ousara fazer com ela ao seu lado se dissolvera dentro de si. Explodiu. A exceção do curto período entre a descoberta de seu amor até o ataque dos Comensais a Hogsmeade, não havia pensamentos esperançosos acerca de um relacionamento não platônico com Hermione. Já era excepcionalmente torturante estar apaixonado por ela sem tê-la, imaginar e remoer um futuro impossível apenas faria o rapaz se sentir ainda mais miserável. Ele se proibira de se sujeitar a tal sofrimento extra, o que não o impedia de sonhar com isso.
Sim, seu inconsciente era maquiavélico. Não havia outra explicação para a tormenta que era ter uma Hermione tão verossímil a ponto de ser confundida com a real lhe insinuando coisas, brincando com sua perturbada mente e o provocando…
Ah, Merlin, isso nem tinha como ser certo…
E, como se todos os fatos supracitados não fossem o suficiente para devastar a vida de qualquer mero mortal, ainda havia a estranha. Sim, estranha, uma vez que a garota era desconhecida para si. Bem, nem tinha como Harry reconhecê-la, se um dia já a vira, pois seu rosto estava completamente inacessível para se ver em todos os sonhos que tivera com ela — que foram muitos. Ela havia sumido por um tempo; no momento tinha retornado. A questão é: por quê?
Naquela hora, porém, Harry se forçou a se desvencilhar de todas essas memórias recentes. Ele deveria reservar uma hora para refletir sobre elas, outra vez, e descobrir o que significavam. Só que não seria agora. O rapaz passou o restante do dia com o questionamento que escapara os lábios de Luna ressoando de modo incansável em sua mente.
"O que te faz pensar que ela sente o mesmo?"
O jantar passara despercebido por Harry. Ele se recordava vagamente de ter ajudado a arrumar a mesa. Talvez o bruxo tivesse separado os talheres… Ou foram os pratos? Algo era certo, havia comido, uma vez que se recordava de ter passado um tempo mastigando algo. Talvez tempo demais para pouco alimento. Havia conversa na mesa, mas nada dirigido a Harry. Não. Ninguém havia falado com ele, certo? Claro que não. Ele se lembraria, obviamente. Não era porque sua mente estava entupida de pensamentos, quase todos envolvendo Hermione, que ele andava por aí como um zumbi, indiferente aos fatos ao seu redor.
"O que te faz pensar que ela sente o mesmo?"
Antes que se desse conta do que realmente fazia, Harry se encontrava com a cabeça recostada num travesseiro mirando o teto de madeira do quarto de seu melhor amigo. Ele sabia que provavelmente seria mais uma madrugada de sonhos desconcertantes e frustrantes. Não dormir se provara estratégia ineficaz, o apanhador bem que tinha tentado.
"O que te faz pensar que ela sente o mesmo?"
Antes de fechar os olhos, Harry respondera para si mesmo a pergunta de Luna num sussurro quase inaudível:
— Nada.
O rapaz estava caminhando ao redor do lago, numa parte mais afastada do castelo. Não havia neve. Era um final de tarde com temperatura agradável, amena. Andava não sabia para quê ou aonde. Às vezes a ignorância é uma dádiva. Se não se tem motivos, não há como se refletir sobre eles.
Simples. Por que tudo não pode ser assim descomplicado?
Enquanto mirava a quietude do lago a sua esquerda, alguém, de súbito, saltou em suas costas, as pernas atracadas firmes ao redor da cintura do rapaz e os braços agarrando os ombros dele. Harry por pouco evitou uma queda e quase entrou em modo de embate, não fosse uma sensação esquisita dentro de si. Algo lhe dizia que aquela presença não indicava mal algum ou incômodo. E, apesar do susto, ele sorriu ao constatar que reconhecia o ser montado em suas costas, e persistiu caminhando quando nenhuma conversa foi engajada. Ele recuperou seu ritmo cardíaco aos poucos.
É ela.
— É hoje o dia quando eu finalmente descubro quem é você? — inquiriu maroto.
Imagens de Hermione apareciam na mente do bruxo, e ele se perguntava o quão asqueroso deveria ser de sua parte se saber apaixonado pela melhor amiga e, ao mesmo tempo, se ver conectado, intrigado por uma estranha. Entretanto, Harry não se sentia errado, por alguma razão.
O riso característico dela invadiu seus sentidos o tirando de seu monólogo.
— O quê? — indagou ele. — Eu disse algo errado?
As perguntas dele apenas faziam o riso da moça se descontrolar mais. Ao se recuperar, ela retirou os óculos do rapaz.
— Ei, eu preciso disso para enxergar! — reclamou sem realmente ter aspereza na voz.
— Bem, eles não têm ajudado muito, não é verdade? —retorquiu.
Era a primeira vez que Harry a ouvira pronunciar morfemas. Apesar de se concentrar na delicada voz, ele se descobriu frustrado por não encontrar nenhuma associação com qualquer garota de Hogwarts — ou mesmo com qualquer garota! Tinha de saber quem era ela. Suas perguntas sem respostas eram muitas para que perdesse a oportunidade de sanar pelo menos uma dúvida como aquela.
Sem aviso, Harry soltou as pernas envolvidas em jeans da estranha e se virou, circundando-a com ambos os braços. Para sua surpresa, ela não lutou contra. Quase de imediato, o grifinório sentiu seu pescoço ser envolvido por dois braços.
Aquela era uma sensação assustadoramente familiar.
Senti com Mione…
Uma vez sem óculos, a visão a frente do rapaz não passava de um borrão.
Assustado, Harry percebeu que estava se inclinando para ela, até que seus rostos estivessem perigosamente próximos.
Ah, Merlin…
Dois dedos em seus lábios impediram um contato mais íntimo entre ambos.
— Não me entenda mal… mas não seria melhor fazer isso pessoalmente?
O bruxo poderia jurar que ela sorria ao dizer isso.
— Então vai ter que me contar que é — constatou triunfante.
Ela se inclinou na direção da orelha esquerda de Harry, seus lábios roçando a pele ligeiramente, arrancando arrepios dele.
— Você sabe quem sou — sussurrou.
Sei?! É mais um dos truques dela, aposto!
De modo demasiado fácil, a moça se desvencilhou do abraço do bruxo, apesar da agarre dele ser forte, e saiu em disparada como de costume para longe. O rapaz bem que tentara segui-la, o que se provou inútil, já que ainda se encontrava sem os seus óculos. Foi correndo na direção que acreditava tê-la visto ir que Harry tropeçou apenas para cair no piso de madeira.
— O quê?! O que foi? — indagou Rony despertando de súbito.
Harry estava parcialmente enrolado em seu lençol caído no chão, seus dedos aferrados ao seu cabelo azeviche em frustração e ele parecia sussurrar algo que o ruivo não conseguia ouvir.
— Não foi nada — disse Harry entre dentes. — Foi… apenas um sonho.
— Pelo menos não fui o único a me estabacar no chão — murmurou o Weasley.
— O quê? — perguntou o moreno se levantando.
— Ah, nada — respondeu temendo o humor instável do amigo.
Harry passara o dia anterior todo quieto, distraído. Mais de uma vez o chamaram e o rapaz estava alheio aos seus arredores. Rony sabia bem o que deveria estar ocupando a mente do bruxo. A pergunta de Luna deveria estar lhe incomodando. O ruivo sorria ao constatar que o que Gina e ele vinham tentando fazer durante dias ela tinha conseguido em poucas linhas de conversa. Sua namorada era brilhante.
Ainda era muito cedo pela manhã. O sol não fizera nem uma tímida aparição, e Harry já sabia que aquele seria um dia demasiado parecido com o anterior, só que haveria mais pensamentos bombardeando sua quebrantada mente. E o rapaz tinha razão. Sua cabeça ameaçava explodir com o tanto de conflitos que possuía.
Por que vejo essa garota? Quem ela é? Será que pode ser real? Como posso estar eternamente vinculado a Mione e ter essa… conexão com outra garota? Acaso se Hermione viu alguém pode se interessar por outro? Por Circe, isso é bom ou ruim?!
Era meio de tarde, e Harry divagava há muitos minutos sobre essas questões intermináveis sentado numa cadeira ao lado da janela. O que ele não percebia é que havia companhia no cômodo.
— O que há com ele? O que vocês fizeram? — indagou a Sra. Weasley baixinho aos filhos e Luna na soleira da porta.
— Francamente, mãe! — Reclamou Fred no mesmo tom ameno. — Nada que pudéssemos fazer a Harry o deixaria assim.
A senhora pareceu ponderar a resposta do filho e terminou por concordar.
— Os gêmeos não fizeram nada a ele. Harry sofre de cegueira aguda por conta própria! — comentou Gina amargamente.
— Acho que não é tão grave assim — soltou Luna de modo contemplativo.
Todos os olhares se voltaram a pequena corvinal inquisidores.
— Não há tantos zonzóbulos perto dele — retorquiu simplesmente.
O restante do grupo se entreolhou meio duvidoso, mas ninguém ousou pronunciar uma palavrar para contradizer ou caçoar de Luna. Eles estavam aprendendo a lidar com a bruxa, e sabiam que, de insana, ela não tinha nada.
— Melhor deixar Harry pensar — sugeriu Rony.
Todos concordaram que valia a pena que o apanhador refletisse se isso levasse a conclusão correta das coisas. Lê-se, o que eles acreditavam estar correto.
Naquela noite, ninguém se deu ao trabalho de tentar engajar qualquer conversação com Harry. Ele não sabia se era bom sinal os Weasleys o deixarem quieto ou se isso significava que quando menos esperasse um gnomo o acertaria a cabeça. Talvez o rapaz estivesse ficando paranoico outra vez. Não seria realmente uma surpresa dado o seu nível de estresse.
Após se passarem vários minutos desde que Rony e ele haviam ido para o quarto se deitar, o ruivo falou quase baixo demais para que Harry ouvisse:
— Você não vai dormir?
— Não acho que seja boa ideia — respondeu Harry um tanto mais alto. — E você?
— Não estou conseguindo.
Houve uma pausa em que somente as respirações de ambos podiam ser ouvidas no cômodo. Harry estava encarando o teto e já se imaginava ser o único alerta quando escutou novamente:
— Qual o problema de dormir?
O apanhador se remexeu levemente na cama, desconfortável. Ele estava em dúvida se aquele era um assunto que estava inclinado a discutir com Rony — ou com qualquer um. A verdade é que se achava um canalha por não se sentir ao menos mal por estar interessado em duas garotas, sendo uma delas seu verdadeiro amor mágico. E, como Rony havia visto uma pessoa também, talvez recriminasse Harry por ousar manchar um ritual tão consagrado de tal bruxa como Morgana.
Então o moreno considerou que, se acontecera com ele, poderia ocorrer com outros bruxos. Quem sabe, por uma ironia do destino, Rony não havia se sentido da mesma forma. Afinal de contas, ele apenas se descobrira apaixonado por Luna esse ano, mas havia se interessado por outras garotas antes disso. Talvez Harry não fosse tão canalha assim… Bem, ele poderia ser um pouco.
— Tenho tido esses… sonhos esquisitos — comentou tentando soar casual.
— Com Hermione?
Harry poderia jurar que seu amigo estava sorrindo enquanto sentia suas bochechas esquentarem.
— É-é, também — tartamudeou.
— Também? — o tom de voz do Weasley ficou ligeiramente sombrio. — Você não anda sonhando outra vez com Voc-…?
— Ah, não. Não. — Atalhou o moreno.
O suspiro de Rony foi audível.
— Bem, se não é com ele, por que o medo de dormir?
— Estou sonhando com u-uma garota, Rony. Outra garota — soltou Harry.
— Oh.
— Por Merlin, não vai dizer nada? — inquiriu levemente alterado.
— É, acho que eu deveria. Como ela é? Quem ela é? Como são esses sonhos?
— Bem, esse é meu ponto! Eu não sei. Nunca consigo ver o rosto dela. E ela aparece de repente, chama minha atenção, ri e foge como se eu fosse o próprio Voldemort! — Rony tentou suprimir um gemido ante tal nome. — E ontem quase a beijei. E ainda ouvi dela que sei quem ela é. Só que não sei de ninguém em Hogwarts com aquela voz. Os sonhos com ela se intercalam com os que tenho com Mione.
O Weasley parecia estar perdido em pensamento profundo.
— Por Circe, sou um canalha pervertido!
— Não seja tonto, Harry — disse suavemente. — A poção não significa que você não vai se sentir atraído por mais ninguém na vida. Só que, mesmo com as outras garotas ao seu redor, não vai conseguir amar mais nenhuma. Hermione é única para você no mundo. Pode tentar lutar contra isso, sair com outras, só que nunca vai substituí-la. Por isso o laço eterno.
— Isso é assustador — disse Harry fechando os olhos momentaneamente.
— Sim. Sabe, eu entendo sua dúvida com relação aos sentimentos de Hermione.
— Como pode entender? A garota que você viu é sua namorada agora. Ela ama…
— É verdade — cortou. — Mas como saber que ela está ligada a mim da mesma forma que estou a ela? Eu a vi com aquela poção, Harry, reconheço. E me assusto com o tanto que sinto por ela. É como se eu malmente pudesse controlar. Só que, se ela fosse sujeita ao mesmo teste, mesma poção, Luna enxergaria nossas memórias? Ou será que veria outra pessoa?
A voz de Rony não estava trêmula, mas Harry conseguia sentir o medo por trás daquelas palavras. Sim, de certa forma, o ruivo entendia o dilema do amigo. Apesar da dúvida ser excruciante, saber a verdade sobre os sentimentos de Hermione parecia tão agonizante quanto persistir se perguntando. Ela poderia possuir apenas sentimentos fraternais por Harry; assim como poderia ter alguma atração, mas sem amor; e havia uma mínima, super pequena, quase inexistente possibilidade dela tê-lo visto naquela cabine e o corresponder da mesma maneira.
— Eu sinto, amigo. Não imaginava…
— Não se preocupe, Harry. Na maior parte do tempo, não ligo para essa pergunta. Nossa situação é bem diferente. Luna é minha namorada, eu não duvido de seu amor. Duvido de um laço eterno mágico, afinal ele é bem raro. E não se confunda. Nossa situação não é diferente porque Luna está comigo, ou porque sente algo por mim, mas porque eu fiz algo para saber.
— Rony…
— Não — atalhou. — Não quero discutir com você. A escolha é toda sua. Pode fazer algo em nome do que sente ou se dividir entre noites em claro e sonhos com Hermione e uma garota que não sabe quem é. Sua decisão. Preciso dormir. Luna quer acordar cedo para checar algo sobre a casca de uma árvore num bosque aqui perto. Boa noite, amigo.
Ótimo, agora, além das palavras de Luna, tenho as de Rony para me atormentar… Isso fica cada vez melhor.
Harry suspirou em frustração, em parte porque admitia baixinho a si mesmo que seu amigo estava certo, e que talvez a melhor maneira de sair da situação em que se encontrava era falar com Hermione. E, também, porque a resposta da garota o assustava mais do que se permitia dizer em voz alta.
Isso. Enfrentei um departamento inteiro cheio de Comensais e com o próprio Voldemort dentro, mas não consigo suportar ter de conversar com minha melhor amiga. Que grifinório exemplar, hein, Potter?
Chegou a manhã. E Harry persistia se dividindo entre contemplar a teto de madeira do quarto, ir até a janela espiar a paisagem esbranquiçada que o tempo invernal causava e se remexer na cama, sempre com seus pensamentos lhe fuzilando a mente. Ele se recusara a dormir. Não precisava de outro sonho perturbador para levantar novos questionamentos ou uma nova queda.
Sim, preciso curtir ao menos o hematoma causado pela última.
Exausto, prestes a adormecer contra a própria vontade, o rapaz se forçou a se arrastar do quarto e tomar um banho. Ele tinha de acordar. Era dia trinta. O dia anterior havia sido tranquilo, mas nesse a Sra. Weasley certamente iria começar os preparativos para a grande festa da noite seguinte.
Tentou se focar em coisas simples, como o café da manhã. Ele estava faminto. Passar a noite em claro não fora ideia tão boa assim de acordo com seu estômago, que há horas reclamava da privação de alimento. Passando o sabonete a esmo em si, Harry passou a mão por sua mandíbula. Sua barba estava por fazer. Normalmente, ele resolveria isso em minutos. Só que, não agora. Faltava vontade. E, do jeito que andava distraído, não seria muito aconselhável que manipulasse um objeto cortante tão próximo de sua jugular.
Já devidamente enxuto e vestido, Harry se dirigiu ao andar de baixo. Ele não sentaria e muito menos deitaria sem que tivesse tomado um café bem forte.
Não posso arriscar cair no sono agora. Ela pode voltar!
Céus, estou paranoico.
"A escolha é toda sua. Pode fazer algo em nome do que sente ou se dividir entre noites em claro e sonhos com Hermione e uma garota que não sabe quem é."
Pense em outra coisa!
O rapaz estava em pé com as duas mãos de cada lado batendo na cabeça de leve, em tentativa falida de controle mental.
Pense em outra coisa!
— Talvez ele tenha caído da cama — disse Luna suavemente no último degrau da escada.
— Quem sabe — retorquiu Gina meio preocupada.
Harry se espantou ao ver as garotas e suprimiu um grito.
— Bom dia, meninas — cumprimentou abaixando as mãos.
As duas responderam a saudação e, em pouco tempo, o restante do clã Weasley estava na cozinha fazendo a primeira refeição. A exaustão de Harry, mesmo amenizada pelo banho e pelo café, era notória para qualquer um que se incomodasse em usar os olhos. Gina estava tentada a ser mordaz. A verdade era que ela perdera a paciência há muito com o bruxo. Luna era quem a impedia, lançando olhares controladores vez ou outra na direção da jovem grifinória.
Não demorou até que as tarefas fossem divididas e Harry se encontrasse num cômodo que parecia ser reservado às quinquilharias trouxas do Sr. Weasley, algo que ele se orgulhava em chamar de "preciosa coleção de artefatos trouxas". Todos os tipos de inutilidades se encontravam ali, a maioria em bom estado. Pregos, tomadas, pedaços de fios de cobre, chaves de fenda, walkie-talkies… As tarefas eram bem vindas. Elas forçavam o bruxo a focar em algo que não tivesse a ver com problemas românticos e melhores amigas, e muito menos estranhas.
Entretanto, a manhã se tornara tarde e as tarefas se acabaram, mesmo tendo Harry em verdade procurado algo para fazer, a Sra. Weasley insistia: "Harry, querido, o restante das coisas arrumamos amanhã. Vá descansar. Trabalharam o dia inteiro".
Só que Harry não queria descansar, apesar de seu corpo berrar que se sentasse ao menos para descansar os músculos. Não. Sentar ou deitar era dar brecha para que seu cansaço o vencesse e acabaria pegando no sono, algo que definitivamente não poderia ocorrer. E, se conseguisse o milagre de descansar sem dormir, sua mente desocupada o levaria a pensar.
Pensar não é bom. De jeito nenhum!
Passando pela sala imaginando algo para ocupar sua mente, já que o Quadribol estava indisponível devido ao tempo, os gêmeos agarraram Harry pelo ombro e o jogaram no sofá, sentando um de cada lado dele.
— Senta, Harry. Você está parecendo um zumbi — disse Jorge.
— Está mesmo. Achamos que você vai cair duro no chão a qualquer instante — completou Fred.
— Se é por falta de algo para se distrair…
— Para não pensar em certa monitora grifinória…
Harry corou se acomodando no assento.
— Temos a solução. Vamos testar os fogos mais tarde. Você pode vir com a gente.
— Agora, relaxe um pouco e fique quieto. Mamãe não exatamente aprova isso — comentou Fred.
— Nem há como desaprovar, — murmurou Jorge — ela não sabe.
Os dois soltaram risinhos conspiratórios se deleitando com a situação, como se estivessem pregando mais uma das suas travessuras em Hogwarts. Enquanto se lembravam dos tempos de escola e das brincadeiras que lá faziam, nenhum dos dois percebia que as pálpebras de Harry pesavam. Ele estava escutando, no começo, mas aí as imagens ficaram embaçadas, até que enxergar ficou muito complexo. Poucos segundos depois, o bruxo havia caído em sono profundo.
O rapaz estava num labirinto. A luz era um privilégio do qual não dispunha. No céu, apenas alguns pontos brilhantes lhe guiavam. Não havia varinha. Por um momento, achou estar de volta à mesma armadilha que acabara matando Cedrico. O pânico o tomara por completo. Só que Harry se deu conta de que aquele era um local distinto. As paredes, assim como o próprio piso, eram feitas de alva areia, cujas formas eram definidas por galhos secos, retorcidos.
Por que estou aqui? Pelo que estou lutando dessa vez?
De súbito, o chão começou a se dissolver, como se o volume de água de um tsunami tivesse sido jogado no que antes pareciam sólidas estruturas. O apanhador correu exasperado para as partes que ainda pareciam estáveis, o medo o alcançando novamente. À medida que se apressava, o lugar parecia mais frágil.
– Não posso morrer agora...
– Por que não? – ecoou a voz da desconhecida.
Os galhos ganharam vida e agarraram a perna de Harry, forçando sua queda no chão que, em poucos segundos, se desintegraria como todo o resto. O bruxo lutava para se libertar, todavia a tarefa se provava inútil.
– Meus pais...
– Seus pais estão mortos – atalhou. – Eles não morreriam outra vez se você partisse.
– Rony! – afirmou o bruxo furioso. – Faria diferença na vida...
– Sim, mas aí Luna o consolaria. Os futuros filhos e os Weasleys o ajudariam a superar.
– Quem é você?! Quem pensa que é? – inquiriu aos berros, revoltado, apenas para obter uma risada em reposta.
O mesmo riso que o vinha assombrando em surdina, explorando sua mente, se escondendo em seus sonhos. Atormentando-o. Torturando-o, em verdade.
O vento uivava em seus ouvidos, alto.
– Quem é você? – repetiu. – Mostre-se!
– Como posso me mostrar se você se recusa a me ver? Não sou eu quem deve fazer algo, mas você.
– Não entendo...
– Veja-me, Harry. Ouse me enxergar – pediu a voz, agora um tanto diferente.
– Como?! – exclamou em desespero, agarrando-se ao galho ainda encrostado no restante da parede. – O que quer de mim?
– Por Deus, quero que se dê conta! – a voz tremeu de leve. – Só assim posso salvá-lo.
Harry ficou zonzo, a boca seca. Suas mãos já não lhe obedeciam. Fracas, elas soltaram sua derradeira chance de sobrevivência, o galho. Ele estava caindo no pequeno abismo que a destruição do labirinto formara, assombrado demais para se importar com a queda.
Aquela era a voz de Hermione.
As pálpebras de Harry se abriram em alarme. Ele havia caído no chão outra vez, mas a dor não se incomodou em vir, ou talvez o rapaz estivesse demasiado perturbado com o que vira para conseguir sentir outra coisa. O bruxo percebeu que estava sendo levantado por duas pessoas, e, ao se sentar, pôde confirmar que estava no mesmo sofá em que adormecera mais cedo. Descansara um tempo, uma vez que a tarde estava indo embora.
— Harry, você está bem? — indagou Gina preocupada.
— Hermione! — constatou o rapaz.
— O que foi? O que há com Herms? Você a viu? Não me diga que…
— Acalme-se, Gina! — vociferou Rony. — Harry, o que você viu?
— Era Hermione! Era ela o tempo inteiro! — esbravejou o apanhador entre aliviado por não ser um canalha e responder um de seus intermináveis questionamentos, e surpreso pela descoberta.
Como pude não perceber?
— Ele não está fazendo nenhum sentido! — disse Gina entre preocupada e aborrecida. — Ele bateu a cabeça, por acaso?
— Talvez sejam os zonzóbulos! — sugeriu Luna incerta. — Não há mais quase nenhum perto da cabeça dele. Devem ter entrado…
— Talvez os zonzóbulos saiam se batermos na cabeça dele com força — disse Fred meio sério, meio incrédulo.
— Bem, não custa tentar — concordou Jorge.
Rony, que estava preocupado com o amigo, de súbito, quando um dos gêmeos se preparava para acertar a cabeça já problemática de Harry, teve uma luz:
— A estranha! — vociferou.
Harry concordou vigorosamente com a cabeça. O sorriso de Rony não poderia ser mais largo.
— Talvez Roniquinho precise do remédio também — disse Jorge.
— Tudo bem! — berrou Gina. — Do que raios vocês estão falando? Andem, expliquem-se. Ou vamos testar a solução dos gêmeos.
Os dois amigos se entreolharam. Harry sabia que as garotas não descansariam enquanto não descobrissem do que eles falavam, e, se fosse bem honesto, ele não se importava, em verdade. Elas sabiam do maior "segredo" dele, afinal. E, nos últimos tempos, o rapaz não se importava com muito.
— EuvenhosonhandocomoumaestranhaedescobriqueelaeraHermione! — soltou Harry.
— O quê?! — inquiriram os quatro em uníssono.
— E-eu estava tendo esses sonhos com uma garota — a expressão maliciosa de Gina e dos gêmeos fazia o apanhador corar mais que nunca. — Não! Não aconteceu nada. Não esse tipo de sonho…
— Só que ele nunca conseguiu ver o rosto da estranha. Não reconhecia a voz. Nada — atalhou Rony.
— E agora descobri quem era — disse o apanhador sem evitar sorrir.
— É Hermione! — comemorou Gina, os olhos brilhando em excitação.
Luna tinha um sorriso reluzente nos lábios.
— Está claro agora… Cristalino! — disse Gina sorrindo.
— É um sinal do universo, Harry — comentou Luna.
— Até eu preciso concordar — murmurou Fred.
— É mesmo — afirmou Jorge.
— Tudo que você precisa fazer é ir atrás dela e…
Gina começou a tagarelar animadamente com Luna sobre a estratégia do rapaz. Só que Harry parara de ouvir as vozes das amigas por uns segundos. Outro som penetrou seus sentidos. Um som que o assombrava, literalmente.
"Quero meu melhor amigo de volta."
O sorriso do grifinório se desvaneceu de imediato. Sinal do universo, de Afrodite ou de Goku, essa ainda era sua realidade. Hermione ainda havia dito tais palavras. O desejo dela não mudara.
"Quero meu melhor amigo de volta."
— Não vou a lugar algum — disse Harry.
As vozes que preenchiam o cômodo morreram de súbito.
— Eu sei que vocês querem ajudar — prosseguiu cansado. — Também queria que houvesse outro jeito, mas as coisas não mudaram…
— Você está se ouvindo, Harry? — indagou Rony. — Isso mudou tudo! Talvez tenha sido um modo de defesa, não sei, mas seu inconsciente projetou outra garota, como se fosse uma segunda opção, e ela era na verdade Hermione o tempo todo!
— Mas a Hermione real ainda quer apenas ser minha melhor amiga! — insistiu já sem forças.
Harry não aguentava mais. Tudo que ele mais prezava, com o que mais se importava estava sendo destruído, tirado de si. Ele estava exausto, frustrado e a beira da histeria. Ele queria berrar com seus amigos, mesmo sabendo que eles nem de longe mereciam tal tratamento, para extravasar e quem sabe aliviar a súbita pressão que sentia em sua garganta e ameaçava incomodar seus olhos, porém, suas forças pareciam ter se esvaído.
Foi quando Gina começou a rir incrédula. Os garotos a miravam como se não a reconhecessem. Os gêmeos deram uns quantos passos se afastando, por precaução. Apenas Luna continuava impassível, como se a reação da ruiva fosse perfeitamente natural.
— O quê? — perguntou ela recuperando sua compostura uns segundos depois.
— Ah, nada, irmãzinha — comentou Fred ainda a distância. — Só estávamos observando seu ataque daqui. Alguma explicação que esteja devendo ao clubinho?
A ruiva riu um pouco mais antes de se dirigir a Harry, que estava dividido entre o cansaço e a confusão:
— E posso saber o que te faz pensar isso?
— Bem, que tal o fato de Hermione ter me dito logo após termos nos livrado daquele visgo? — Harry cuspiu a memória sem conseguir, ou tentar, evitar a ironia ou a amargura em seu tom.
O sorriso de Gina se desfez, dando lugar a um semblante desconfiado.
— Tem certeza que Hermione disse isso? — indagou Luna. — Ela pronunciou essas palavras?
— "Quero meu melhor amigo de volta." — repetiu Harry revendo a cena a sua frente.
— Você deve ter ouvido errado… — falou Gina pensando rápido.
— Não tinha como — Harry quase riu. — Não estávamos nem a dois metros de distância um do outro.
Luna e Gina se entreolharam de modo significativo. Elas estavam conversando novamente, algo que só poderia ser mencionado entre ambas. E, pelos olhares esquisitos delas, Harry poderia dizer que algo estava errado.
Ambas se sentaram de frente para o apanhador.
— Okay, Harry. Conte o que aconteceu — ordenou Luna de modo suave.
Os olhos do bruxo se arregalaram e o sangue se esvaiu de seu rosto.
Elas querem que eu conte! Não, não… Não. Nem pensar…
— Escute, somos seus amigos, certo? — indagou Gina. — Confie em nós. Só queremos ajudar.
Sem aviso, alguns flashes do ano passado invadiram a mente do rapaz. A chegada ao Departamento de Mistérios. Os Comensais. Os testrálios. A maldição de Dolohov… Harry fechou os olhos de imediato como se fechasse sua mente. Aquelas imagens provavam que aquelas pessoas a sua frente tinham disponibilizado suas vidas, haviam se colocado em severo risco, aceitaram encarar Voldemort, bruxo que a maioria deles nem sequer conseguia pronunciar o nome, devido ao simples fato de terem confiado em Harry. E, amizade, afinal, é um exercício constante de reciprocidade. Como o rapaz poderia negar pedido tão simples a pessoas que tinham renunciado a tanto por ele?
Não posso.
— Bem… É… Vocês saíram. Hermione colocou uns feitiços para nos alertar se havia alguém nos espionando — começou o bruxo. — Então… nos beijamos. Só que não funcionou… ainda estávamos presos.
— O fator funciona! — sussurrou Jorge alegre.
Gina o olhou ameaçadoramente.
— E então, Harry? Tudo parecia estar indo bem…
— Sim. E nos beijamos outra vez — o rosto do rapaz apenas ficava mais vermelho. — E nos libertamos. Só que ainda estávamos… hm… abraçados.
Luna não conteve o sorriso.
— E Hermione se soltou de mim. Então me afastei. E quando eu ia responder a pergunta de mais cedo, contaria tudo, ela disse que não queria saber mais disso, que apenas desejava o melhor amigo dela de volta — Harry terminou a voz quase um sussurro.
Os adolescentes processavam os fatos em silêncio.
— Que pergunta foi essa? — indagou Luna.
"[…]
— Sua melhor amiga?! — exasperou-se a garota. — Amiga! Qual o seu maldito problema? Vamos, haja como um ser humano normal e diga o que está acontecendo! Num minuto estamos brincando como secundaristas na Zonko's, e você me abraça como se dissesse que sempre vai estar ali comigo — exclamou corando violentamente. — Apenas para no segundo seguinte ignorar por completo minha existência por semanas, Harry! […]"
— Ela queria saber o que estava acontecendo comigo. Eu havia me afastado dela — explicou Harry quietamente. — Vocês sabem bem porquê, então…
— Não sabemos — cortou Gina.
Harry a fitou surpreso.
— Não? — perguntou ele.
— Não — confirmou Rony. — Não contei nada a elas.
A mente de Harry estava mais confusa.
Se Ron não havia contado, como era possível que elas soubessem…
— Mas elas sabem que eu… Como…?
— Que você está caído por Herms? — questionou a ruiva.
Harry assentiu.
— Qualquer um com um par de olhos saudáveis pode ver isso — evidenciou Gina com um revirar de olhos.
— Menos Hermione — completou Luna.
— Justo Herms — lamentou Gina. — Nossa mente mais brilhante…
Harry sentiu uma ligeira onda de culpa por ter desconfiado do amigo.
— Não é hora para isso, Harry — informou Rony. — Bellatrix disse o nome dele durante o ataque no Três Vassouras — o ruivo ignorou os olhares aterrorizados dos irmãos e de Luna —, e Madame Bones achou que pudesse ser uma ameaça ao Ministério, Dumbledore e de quebra um aviso a Harry. Tudo de uma vez só. Prático, é verdade. Então ele se afastou de Mione.
Luna olhava de maneira encantadora para o apanhador; Gina o mirava incrédula; Fred e Jorge apenas sorriam.
Harry, de súbito, foi incluído num abraço digno de Hermione dado por Gina e Luna. Surpresa é eufemismo para a reação dele.
— Você se afastou para que ela ficasse segura! — babou Gina largando-o e voltando ao seu lugar.
— Fofo, mas exponencialmente problemático e ingênuo — comentou Luna acompanhando a amiga.
— Co-como assim? — perguntou Harry.
— Era um plano perfeito! — reclamou Rony.
— Não, não era — contou a loira. — O castelo inteiro viu os dois em Hogsmeade. Pelo menos os alunos. E Hermione é a melhor amiga de Harry. Um afastamento súbito após um ataque desse porte apenas levantaria mais suspeitas sobre a importância dela na vida dele. Fora que, afastados, eles estavam miseráveis, qualquer um podia ver. Para os Comensais terem atacado com tanta precisão, deveriam ter algum informante dentro do castelo. Esse alguém, se conhece qualquer um dos dois, poderia confirmar a conexão intensa entre eles. E Harry possui muito mais poder e influência para manter Hermione protegida por perto, então era desnecessário arriscar deixá-la sozinha — terminou a loira como quem explica algo óbvio a um par de crianças.
Harry e Rony estavam boquiabertos, sem conseguir pronunciar uma sílaba sequer.
— Okay, não se mate agora — disse Gina sorrindo.
Fred e Jorge tiveram a decência de fingir estarem tossindo.
— Mas… Hermione perceberia que ele estava apaixonado e… — começou Rony se lembrando dos argumentos que o amigo usara consigo e que pareciam tão plausíveis. — E… E… Arruinaria a amizade deles…
— Rony, no caso de Hermione o rejeitar. — Luna disse. Gina soltou um risinho — Isso não poderia quebrantar mais a amizade deles do que o afastamento de Harry, e, ainda assim, seria para a proteção dela; no caso dela o corresponder, para o mundo bruxo eles já não estavam juntos mesmo? Ou pelo menos na iminência de ficarem?
— Eles se esqueceram do poder de Rita Skeeter — comentou Gina.
— Mas… Namorei Cho — disse Harry fracamente.
— Ah, por favor — a ruiva rolou os olhos.
— Verdade, "namorou", e terminou por causa de Hermione — explicitou Luna.
Os dois rapazes ainda estavam em choque.
— Eu estava no salão comunal e ela não exatamente se preocupou em ser… discreta — prosseguiu.
Merlin… Como…? O que está havendo…?
— Vamos, meninos, superem. Já passou — animou a Weasley dando tapinhas nas mãos dos dois
Rita Skeeter… Hermione… Circe…
— Vamos, Harry — chamou Gina. — Precisamos do seu cérebro para ter informações. Ainda há algo fora do lugar.
A ruiva começou a andar pelo cômodo pensando.
— Durante o noivado… Na sala — divagou. — Vocês começaram a brigar. Por quê? Hermione tinha de ter um motivo específico para começar a explodir.
— Harry! — berrou Luna.
O bruxo deu um pequeno salto no lugar e saiu de seu estado catatônico.
— Eu… Hm… E-ela havia descoberto sobre os feitiços de proteção que pedi a Madame Bones para colocar na casa dos pais dela. Ficou furiosa.
— Ficou furiosa por você estar tentando protegê-la? — indagou Rony incrédulo.
— Não, seu tapado, ficou furiosa porque ele a ignorou por tempos e de repente mostra que na verdade se importa muito com ela. É contraditório — explicou Gina.
— Ah — respondeu Rony.
— Uma ideia muito boa. Pelo menos ela estaria protegida no mundo trouxa — comentou Jorge tentando dar um pouco de crédito ao plano falido de Harry.
— Sim — disse Harry ainda encolhido —, precisava arrumar um jeito de protegê-la, aí Cho apareceu mencionando Susan…
— Espera ai! — cortou Gina. — O que você disse? Cho apareceu? Onde?
Harry ficou confuso.
— Ah, na beira do lago. Era véspera da partida do Expresso, eu não sabia o que fazer com Mione, então Cho apareceu…
Luna suspirou cansadamente, se levantou do sofá e fez um pequeno sinal a Gina com dois dedos. Em menos de um segundo, um gnomo voou pela sala e, se não fossem os reflexos apurados pelo Quadribol, a cabeça de Harry estaria partida como a peça estava no momento no chão.
— Mas o que diabos, Ginevra?! O que eu fiz dessa vez? — berrou Harry ainda temendo ser acertado por outro bibelô.
— Seu… Seu — dizia Gina incoerentemente. — Argh! Idiota! Hermione foi passear na beira do lago aquela manhã após o café! Voltou horas depois como se tivessem matado Bichento e você teve o descaramento de estar radiante!
— Mas…
— Ela certamente os viu! — Prosseguiu ela. — Conversando, não é?
Harry teve a decência de corar.
— Na verdade, eu a abracei. Até a rodopiei. Estávamos rindo — disse fracamente. — Porque eu tinha acabado de descobrir um meio de que Mione ficasse segura!
Luna balançava a cabeça em decepção.
— Cho seria o motivo para ela dizer o que disse — constatou a corvinal.
— O que Cho tem com isso? — perguntou Rony.
— Você não vê? A maior ameaça para Cho era Hermione na vida de Harry. Hermione era o motivo do término. Bem, pelo menos foi o estopim. E, se ele estivesse interessado em Cho, qual seria a melhor estratégia para reatar com ela? — inquiriu a loira.
— Seria se afastar de Mione! — berrou Rony incrédulo.
— Exato. E Harry ia explicar o que tinha acontecido a ele. Ela achava que ia escutar o nome de Cho e tentou manter a amizade deles.
A cabeça de Harry girava, e uma dor de cabeça ameaçava seu sistema. Eram muitas informações. Como eles saíram de "ela quer ser apenas minha melhor amiga" para "ela estava se sentindo ameaçada por Cho"? Cho não tinha nada com a vida dele!
— Eu não tenho nada com Cho! — disse Harry tendo a necessidade de se pronunciar.
— Ótimo, agora é só informar isso a Mione — se animou Gina. — E, claro, que você está apaixonado por ela.
Harry engoliu em seco. Um frio lhe subia pelas pernas em direção ao estômago, e ele poderia jurar que não tinha nada a ver com o tempo. Se fosse pensar bem, não entendia direito como chegara ali. Fora tudo demasiado rápido, insano. Luna e Gina praticamente o arrastaram até ali.
Bem, elas arrastaram o portal até mim.
O bruxo se encontrava numa rua que aparentava ser imponente. As casas eram largas e de grande porte. Algumas ainda preservavam a iluminação de Natal, e se via por algumas janelas pessoas elegantemente vestidas, sorrindo e engajando conversas umas com as outras.
Uma porta de carvalho na bela propriedade a sua frente chamava sua atenção no outro lado da rua. As flores em sua mão estavam quase congeladas.
Ah, por que isso era uma boa ideia mesmo?
"— Harry, olhe lá o que você está fazendo! Está arruinando sua vida — insistiu Gina pela milésima vez.
— São apenas suposições, Gina! — repetiu o bruxo. — E se ela não estiver apaixonada por mim?
— Harry, já pensou que estamos em guerra? — indagou Fred. — Se não fizer nada, você poderia mesmo morrer sem saber!
— Sem agouros — esclareceu Jorge.
— Consegue imaginar isso, Harry? Não saber? — indagou a corvinal.
— E se…? — começou o apanhador.
— Não seja tão frouxo, Harry Potter! — exclamou Luna.
'O que é a vida sem risco?'"
Ah, sim, lembrei. Weasley e CIA… Luna me chamando de frouxo e a voz de Sirius.
O rapaz andou até o umbral, e resistiu a urgência de se apoiar no arco da porta para respirar fundo.
Harry tocou a campainha. De repente, passos.
Circe, o que eu digo…?
O portal se abriu.
N/a: Estou de volta! (Dando saltinhos estranhos pela casa) Hahahahah Como estão vocês, meus Maravilindos, no melhor mês do ano? Espero que mais felizes. Esse caps era para deixar vocês mais alegres, viu? Hahaha
Então, thaizy, como prometi a você, cá estou antes do Ano Novo Hahahah
Parece que vocês se animaram com os gêmeos! Okay, vamos fazer isso direito.
Guilherme: 15 Sicles, que eles ficam juntos até o ano novo. (Com direito ao beijo da meia-noite); 1 Galeão, que o Potter toma vergonha na cara dele quando voltarem pro castelo. Na primeira semana.
July Potter: 10 Sicles, que eles irão se acertar antes do "Valentine's day". *.*
Lize Suaw: 2 galeões que eles irão acertar os ponteiros, até findar o mês de janeiro.
Thais Lupin: 1 galeão que o Harry ainda vai fazer uma supresa pra fazer as pazes realmente com a Hermis. :)
Aí, tudo organizadin Hahahah Vamos ver se vocês acertam!
Lys GrangerPotte, é errado eu me sentir feliz com você pagando micos no intervalo da faculdade? Hahahahaha
Ah, Carol Granger, também acho que Morgana vai ser mais eficaz ;)
Luana Evans, Gina quase te ouviu, óh hahahaha
Aaah, quero mais tempo para responder todos vocês! Maravilindos, preciso recompensar a angústia que vocês têm passado. Terminei esse capítulo no meio da madrugada de ontem. Vamos ver se consigo entregar a vocês um presente de Natal? Quem sabe de Ano Novo? Hahahaha Amo a resposta que vocês me dão. Do fundo do core. Leio cada review pelo menos trinta vezes. É extremamente importante para mim.
Não vou dar Feliz nada porque intento voltar antes para desejar com o próximo caps! Hahahah
Até, meus Maravilindos! :)
